Servi-me de uma sondagem realizada aos ouvintes do programa da RTPn da passada semana para falar sobre as nossas hipóteses de vencermos a actual Liga. Não tanto da forma matemática como se expressam os resultados em destaque na ilustração, mas tendo em conta as circunstâncias em que o Sporting vai disputar o campeonato e o respectivo calendário. Como todos os exercícios do género em futebol tem tudo para ser falível. De qualquer forma, aqui fica o registo para memória futura, sobretudo a minha. E, não resistindo ao desafio feito pelo canal da RTP, deixo aqui o meu rating pessoal, meramente intuitivo, às candidaturas que considero estarem apenas reservadas aos 3 grandes: 42,5% para o FCP, 37,5% para o SLB, 20% para o Sporting.
Sorte no sorteio
Na sequência do sorteio da Liga disse aqui que, numa análise superficial, o calendário nos tinha sido favorável. Alicercei esse juízo dando conta que, com a revolução efectuada - nova direcção, nova equipa técnica e muitos jogadores novos - o que o Sporting mais precisaria era de tempo para consolidar o seu jogo. Hoje, terminadas as experiências, e à luz do que foram os resultados e exibições, mais sentido me parece fazer esse raciocínio. Nas primeiras seis jornadas o Sporting joga com equipas que se classificaram na época transacta do sétimo lugar para baixo e que este ano dificilmente poderão aspirar a melhor. Pior seria se fosse ao contrário, tendo que defrontar desfalcados e titubeantes os principais rivais, com os prejuízos que daí poderiam advir. É óbvio que o Sporting joga com o tempo para se poder fortalecer.
Arranque decisivo a Norte
As nove jornadas iniciais ficarão marcadas por deslocações ao reduto da quase totalidade das equipas do extremo norte desta Liga. Beira-Mar, na 2ª jornada, Paços de Ferreira na 4ª, Rio Ave na 5ª, Guimarães na 7ª, Feirense na 9ª. A sorte desses jogos, (e pensando como Paulo Pereira Cristóvão hoje no jornal do clube, que uma equipa com o estatuto da nossa tem de mandar em casa, responsabilidade que tem de ser assumida por todos, público incluído...) ditará a forma como poderemos encarar os adversários em teoria mais difíceis deste campeonato: SLB na 11ª jornada, na Luz, Nacional em casa na 12ª, recepção ao FCP na 14ª, virando o campeonato em Braga, numa curiosa repetição do que ocorreu no ano passado. E recorrendo justamente ao então sucedido, em que disputamos e alcançamos o 3º lugar na Liga, o que poderá o Sporting buscar ou procurar definir este ano, e desta vez em casa, na última jornada do campeonato?
O que esperar (e exigir?) de Domingos
Desde o momento em que se começou a cogitar no nome de Domingos para técnico principal do Sporting que manifestei a minha confiança na escolha do treinador. Não vou agora enunciar mais uma vez as qualidades que lhe reconheço, até porque agora, mais do que aquilo que penso e de qualquer teoria é chegada a hora de, na prática Domingos Paciência demonstrar merecer o estatuto de treinador de um grande do futebol português.
Há contudo que o reconhecer e dizer de forma franca: o treinador escolheu o caminho mais difícil ao preferir Alvalade. O clube que vem encontrar é o menos favorito dos 3 grandes porque tem menos meios, porque não só ganhou menos que os outros rivais, (nada até), e porque, por circunstâncias conhecidas de todos, tenta agora refazer quase pedra por pedra o seu departamento de futebol. Não menos importante, e tendo em conta as especificidades próprias do futebol português, o Sporting é, dos 3 grandes, o que menos peso institucional tem nos "centros de decisão" (compreenderão certamente as aspas...). Não deve ser também negligenciado o facto de Alvalade ser hoje tão difícil para o Sporting como para os seus adversários, senão mais... Dito tudo isto é importante pois reconhecer a árdua tarefa que espera Domingos.
Não fui dos que fui apanhado de surpresa pelos resultados e exibições da pré-época e no entanto o meu optimismo moderado não esmoreceu. Continuo convencido do nosso estatuto de outsider no actual campeonato, tendo bem presente que se se repetirem os figurinos dos 2 anteriores, com a supremacia evidente de uma das equipas sobre as demais, não teremos qualquer hipótese. Declaro assim que acho quase impossível que o Sporting possa almejar um estatuto como o que foi detido por Jesus e AVB nos seus primeiros anos, mesmo tendo em conta que impossível e nunca são palavras que "não existem" na vida ou no futebol.
Assim, considero que o Sporting, para fazer prevalecer as menores hipóteses que tem relativamente aos outros 2 candidatos, tem de agarrar-se como uma lapa à rocha nos primeiros embates, considerando decisivos os primeiros 7 jogos que culminam em Guimarães. Contrariando todas as dificuldades que sempre surgiriam com um plantel tão intervencionado como foi o nosso, Domingos terá ainda que contar com as contrariedades das lesões e das chegadas tardias e sem ritmo de alguns dos reforços, e até mesmo com os compromissos das selecções, como ontem aqui lembrei.
Desses 7 trabalhos sobrevém um último e não menos difícil, que será defrontar os melhores nas jornadas finais da primeira volta sem perder o contacto com a frente do campeonato, permitindo ao Sporting virar o calendário sem que a matemática nos retire o estatuto de candidatos. Pode parecer pouco ambicioso mas para os que assim pensam digam-me qual foi o último campeonato em que tal ocorreu...
A dura missão dos adeptos
Para os adeptos não será um campeonato fácil como se pode já ver pelas amostras que sobraram deste dealbar de época, e ainda sem jogos a doer. Mais do que nunca será necessária uma resiliência hercúlea perante as adversidades. Sobretudo se se confirmar que ainda estamos atrás dos nossos principais rivais. Se mais uma vez os Sportinguistas quiserem recomeçar tudo do zero, como vem sendo hábito nos últimos anos, então aí estaremos apenas a aumentar a distância que já agora nos separa.