Sporting 1 - Famalicão 0 - Carnaval magro
O Sporting venceu, mas voltou a expor fragilidades que não podem ser ignoradas numa equipa que ambiciona lutar pelo título. Perante um Famalicão bem organizado, o Sporting precisou de ajustar comportamentos, acelerar decisões e encontrar soluções fora do guião habitual para somar três pontos fundamentais.
A melhor notícia da noite foi, claramente, Luís Guilherme na sua posição natural. Num contexto em que o jogo interior esteve quase sempre condicionado, foi o brasileiro quem assumiu a responsabilidade de criar desequilíbrios. Forte no 1x1, criterioso no passe e capaz de afundar a linha defensiva adversária, foi o principal foco ofensivo do Sporting na primeira parte. Sempre que recebeu aberto no lado direito, obrigou o bloco médio do Famalicão a recuar e a desorganizar-se. Enquanto teve energia e lucidez, o Sporting encontrou largura, profundidade e imprevisibilidade.
O problema esteve no centro. Hjulmand e Morita, outrora referências de estabilidade e critério, exibem atualmente uma irregularidade que compromete a fluidez coletiva. A dificuldade em controlar o ritmo e em garantir ligações seguras ao jogo interior reduziu a influência de Pote, completamente fora de água, e afastou Trincão do coração da criação. Sem domínio consistente do corredor central, o Sporting tornou-se mais previsível e permitiu, nos minutos iniciais, algumas saídas perigosas ao adversário.
Taticamente, o Famalicão apresentou-se em 4-4-2, com bloco médio, linha defensiva subida e grande preocupação em fechar o espaço entre linhas. A estratégia foi clara: retirar o jogo interior ao Sporting e obrigá-lo a circular por fora. Durante largos períodos, conseguiu-o. A resposta leonina passou então por explorar a largura e procurar movimentos de fora para dentro ou rupturas nas costas da defesa — uma abordagem que fez sentido face ao contexto.
Depois de uma entrada insegura, o Sporting ajustou a pressão, subiu o bloco e instalou-se no meio-campo adversário. A partir dos 15 minutos, o controlo territorial foi praticamente total. Faltou, contudo, maior eficácia na transformação da posse em vantagem confortável. A equipa produziu o suficiente para resolver mais cedo, mas voltou a revelar dificuldades na definição.
Na segunda parte, com a quebra física e criativa de Luís Guilherme, o jogo tornou-se mais espesso. O Sporting perdeu capacidade de aceleração e ficou dependente de soluções individuais ou de momentos de inspiração. Foi então que Daniel Bragança surgiu em modo improvável, oferecendo energia, critério e o golo que garantiu os três pontos.
O Sporting ganhou — e isso é o mais importante. Mas continua à procura da melhor versão de si próprio.

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