FCPorto 0 - Sporting 0: Heróis!
O essencial foi garantido: o Sporting está no Jamor e mantém viva a ambição de erguer um troféu nesta temporada. A equipa entrou com personalidade, assumindo o controlo territorial na primeira parte, ainda que sem conseguir traduzir esse domínio em ocasiões claras de golo.
O clássico começou com o FC Porto a tentar impor-se, empurrado por um ambiente favorável. No entanto, o Sporting soube responder com inteligência, privilegiando a circulação de bola e retirando iniciativa ao adversário, que nem sempre conseguiu chegar a tempo aos duelos ou desmontar a organização defensiva bem montada por Rui Borges. A equipa portista, necessitada de marcar para reentrar na eliminatória, pareceu apostar no desgaste do Sporting e adiar as decisões para a segunda metade.
Durante os primeiros 45 minutos, os leões mostraram-se mais confortáveis com bola e mais disponíveis para assumir o jogo, dominando a posse e tentando impor o seu ritmo. Faltou ao Sporting maior discernimento no último terço, capacidade para desmontar a linha defensiva contrária e criar situações de finalização evidentes.
Na construção, o Sporting revelou qualidade, sobretudo pelo corredor central. Morita destacou-se pela clareza e elegância com que pautou o jogo, enquanto Quaresma foi importante a quebrar linhas em condução. Geny, ensaboava o juízo a Kiwior, que frequentemente recorria ao jogo duro, com a complacência do juiz da partida. Contudo visar a baliza portista não parecia tarefa a prometer muito sucesso: Suárez dava ares de estar “morto” e Trincão estava desaparecido em combate no meio das linhas “inimigas”.
No segundo tempo, o cenário inverteu-se: o FC Porto assumiu o controlo, enquanto o Sporting revelou dificuldades para manter a posse ou sair com qualidade, quer em organização, quer em transição. A saída extemporânea de Hjulmand fez temer o pior, era um dos jogadores mais clarividentes e mais capazes a reagir às investidas do adversário.
Apesar de não ter encostado o Sporting às cordas, o FC Porto foi criando algum perigo, sobretudo em bolas lançadas para a área. Até que o momento decisivo surgiu: a falta de Varela sobre Suárez, validada pelo VAR, resultou na expulsão do médio argentino e travou o ímpeto portista. Reduzido a dez unidades, o FC Porto arriscou tudo nos minutos finais. Luís Guilherme esteve perto de marcar, mas não acertou como se pedia na bola.
O lance decisivo acontece já quando o árbitro se aprestava para finalizar a partida. Rui Silva primeiro e Morita depois evitaram um desgosto imerecido. Talvez o único lance em que o imperial Dioamande perdeu um lance de cabeça. Juntamente com Hjulmand, foram os esteios de uma equipa castigada por lesões e um momento de forma física quase catastrófico.
Pela forma como resistiu e soube sofrer, o Sporting acabou recompensado com a presença no Jamor, onde irá defender o título conquistado na época passada. A possibilidade de voltar a erguer um troféu ganha agora força e surge como justa recompensa para uma época marcada por dificuldades físicas e sucessivas lesões. A equipa esteve à altura nos momentos decisivos e os jogadores, desgastados por um calendário exigente, merecem esse reconhecimento.
Nesta meia-final, comportaram-se com enorme carácter, resistindo também a um ambiente hostil e a constantes provocações que começaram logo à saída do autocarro e se prolongaram por um jogo violento já no relvado. A sabedoria da equipa adversária esgotou-se na violência gratuita sobre os nossos jogadores e a teatralidade com que simulavam faltas. A isso o Sporting respondeu com resiliência e união, selando uma passagem que reforça a crença na conquista de um troféu mais do que merecido, pela qualidade da época realizada.

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