Sporting 0 - Arsenal 1: Eficácia cruel
Terminou com um profundo amargo de boca e desilusão uma das melhores exibições que vi o Sporting realizar em competições europeias, nos últimos tempos. O reconhecimento e validação da boa prestação do Sporting é quase unânime, e vai desde os adversários até aos comentadores e creio que a generalidade dos adeptos assim o sentem também.
Um dos pontos altos da noite foi o regresso de Gyokeres. Momento de sensações conflituantes: simultaneamente doloroso por ver com outra camisola o melhor jogador que passou por Alvalade nas últimas e que marcou o regresso do Sporting ao lugar que é seus. E por isso de orgulho por ver o triunfo de um filho adoptivo da casa e finalmente nos podermos despedir dele como deveria ter sido.
Depois foi o jogo. Durante mais de noventa minutos, o jogo viveu num equilíbrio instável, sempre à beira de cair para qualquer lado. O Sporting CP mostrou-se à altura, criou perigo e confirmou que consegue competir neste nível sem se encolher. Maxi Araújo foi o mais inconformado — atirou à trave, tentou de longe e nunca deixou a defesa descansar. Geny e Suárez também tiveram nos pés a felicidade. Porém esta esbarrou numa muralha espanhola, Raya de seu nome.
Do outro lado, o Arsenal FC foi fiel à sua natureza: ritmo controlado, posse paciente e uma confiança quase fria na espera pelo momento certo. Não acelerou o erro — esperou que ele surgisse.
E como tantas vezes acontece, decidiu-se tudo num detalhe. A saída de Simões deixou um Sporting cada vez menos apto em proteger a sua zona central e sentia-se que os últimos vinte minutos poderiam ser fatais se o cansaço e classe dos adversários acabassem por impor a sua lei. Kai Havertz marcou já nos descontos, contribuindo para um desfecho tardio, duro para quem resistiu tanto tempo — mas alinhado com a lógica implacável do jogo.
Se o caminho para as meias-finais já se afigurava muito íngreme e pedregoso, a meta parece agora um ponto minúsculo no horizonte. Mas seria sempre assim, ainda que ganhássemos, por isso agora é olhar para o jogo da segunda mão com coragem e vontade de impressionar com a qualidade do nosso jogo uma das plateias mais exigentes do nosso continente. Fazemos as contas no fim. Fica para já o regozijo por mais uma exibição sólida do Sporting CP no palco europeu.

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