Este já está ganho!
O Sporting foi o grande triunfador do campeonato das transferências que ontem encerrou. Foi o clube que mais dinheiro ganhou, que menos gastou e que - mais importante de tudo - melhor se reforçou. As duas primeiras afirmações são factualmente confirmáveis, a segunda, apesar da subjectividade inerente, está muito perto de recolher a unanimidade não apenas entre os Sportinguistas, mas estender-se à generalidade dos comentadores e adeptos rivais.
De que me lembre este é também um dos melhores, senão o mesmo o melhor, trabalhos realizados por uma direcção no reforço do plantel. Que rivalize com este a esse nível talvez só a época em que trocamos Horvath, MPenza e Spehar com Jardel, juntando o ponta-de-lança brasileiro a um lote de internacionais portugueses (Dimas, Rui Jorge, Beto, Vidigal, Pedro Barbosa, Paulo Bento, João Pinto, Quaresma, Sá Pinto) e estrangeiros (André Cruz, Prates, Niculae) com o resultado que se conhece: fomos campeões.
No actual período há ainda a acrescentar um volume de vendas absolutamente extraordinário (76,7 milhões de euros) tendo conseguido o reforço da equipa com cerca de um terço desse valor, embora se deva assinalar que constituiu compromissos para o futuro que não surgem ainda contabilizados, como é o caso de Meli. Ainda assim foi aqui também o clube triunfador, como se pode ver no quadro acima.
Este trabalho de excelência é naturalmente visto com entusiasmo pelos adeptos, mas este não deve ser substituído pela euforia e muito menos pela arrogância. Os seus efeitos são semelhantes à da embriaguez: toldam os raciocínios. O Sporting ficou mais forte, sem dúvida mas não ganhou nada ainda que não seja um campeonato que não conta para quase nada. E o campeonato que vai recomeçar será difícil, contará com adversários igualmente fortes e não nos será colocado no colo. Contraímos, isso sim, enormes responsabilidades desportivas e económico-financeiras.
As responsabilidades desportivas são as de sempre: a nível interno o Sporting está obrigado sempre a ganhar. Na minha perspectiva, depois de se ter reforçado com a qualidade com que o fez, e resolvendo pelo menos de forma aparente algumas das suas fragilidades tornou-se no principal candidato. Assumir isso não significa o menosprezo das demais candidaturas.
A nível externo, não existindo a obrigação de ganhar títulos, o elevado nível de investimento e massa salarial obriga a olhar para a Liga dos Campeões com maior ambição que a tida no ano passado. A falta de sorte no sorteio empurra-nos para fora da competição em termos teóricos, mas continuamos incumbidos de tentar. Nesse trajecto, se as exibições forem vistosas granjeamos prestigio e promovemos jogadores, o que nos permitirá permanecer no carrocel, que agora entramos, dos clubes que fazem grandes negócios. Pelo meio é importante realizar receita não só com a bilhética mas também a que resulta da conquista de pontos pois, com o plantel que temos, a continuidade na Liga Europa deve ser vista como objectivo.
Do ponto de vista financeiro são enormes os desafios e as responsabilidades. A massa salarial do actual plantel deve ter ficado perigosamente num nível muito aproximado - se não o excede - do das receitas ordinárias. Até Janeiro jogar-se-á, de forma umbilicalmente ligada com os resultados desportivos, muito do destino dos resultados económicos da época. A sustentabilidade financeira estará agora sob maior pressão seguramente, pelo que a gestão tem de ser ainda mais criteriosa.
Como mais uma vez se comprova "o petróleo de Alvalade" são as mais valias realizadas com a venda de jogadores. E aqui há sinais mistos que convém estar atento:
- Acréscimo considerável de jogadores de jogadores de "idade avançada", que dificilmente poderão render, mas cujos honorários estão no topo da folha de pagamentos.
- Acréscimo considerável do número de jogadores sob contrato.
- O risco de descaracterização do que é a imagem de marca do clube e da qual os seus adeptos tanto se orgulham, que são os jogadores da casa, por sinal as que mais procura continuam a ter.
Ainda no âmbito económico fica a menção a uma boa noticia dada como se fosse de cariz negativo: a obrigação do Sporting em reembolsar os credores em determinado valor percentual das receitas obtidas com a venda de jogadores. Ora é aqui precisamente que o Sporting pode dar um grande impulso e até mudar a relação de forças relativas entre os grandes do futebol português. Se uma parte substancial dos proveitos agora obtidos forem encaminhados para o abate da dívida o Sporting está a reduzir automaticamente o serviço da divida, podendo assim libertar mais dinheiro para investir, invertendo o circulo vicioso dos últimos anos - desde sempre, no que é igualado pelos seus rivais - e transformando-o num ciclo potencialmente virtuoso.
Ao contrário de todo o spin e aparências, os nossos rivais também estão estrangulados pelos compromissos com os bancos e demais credores. Se o Sporting conseguir ser o primeiro a fazer esta inversão, mantendo-se competitivo, pode estar a lançar as bases de uma nova hegemonia no futebol português. Uma ambição que requer estratégia para lá da gestão do dia corrente actualmente praticada e que obriga também a um reforma estrutural do clube. Um tema interessante, mas que não cabe hoje aqui.
Ao contrário de todo o spin e aparências, os nossos rivais também estão estrangulados pelos compromissos com os bancos e demais credores. Se o Sporting conseguir ser o primeiro a fazer esta inversão, mantendo-se competitivo, pode estar a lançar as bases de uma nova hegemonia no futebol português. Uma ambição que requer estratégia para lá da gestão do dia corrente actualmente praticada e que obriga também a um reforma estrutural do clube. Um tema interessante, mas que não cabe hoje aqui.
Creio que este será o cunho distintivo da actual época: um clube saído
de uma das suas mais profundas crises à procura da recuperação do seu
prestigio, que finalmente inscreve o seu nome no campeonato indispensável campeonato dos proveitos económicos significativos. Os resultados conseguidos terão efeitos determinantes e que
se repercutirão tanto no imediato, como no médio / médio, longo prazo.
Precisamos de sorte, mas também de muito rigor. Não faltam exemplos na
nossa história de grandes e auspiciosos passos que, pelas mais variadas
razões, redundaram em amargos dissabores.






















