A promessa que Frederico Varandas tem de continuar a cumprir
O Sporting chega invicto à terceira jornada da Liga dos Campeões no sexto lugar e com o bonito pecúlio de cinco golos marcados e apenas um sofrido. Nesta jornada poderá ajustar contas com o LASK Linz, que encontrou num decisivo momento de viragem da sua história recente. Pelas duas jornadas anteriores parece ter recuperado o mapa da viagem da época transata.
Com efeito, na competição uefeira da época passada, o Sporting superou todas as expectativas, com vitórias importantíssimas e até algumas surpreendentes.Vencer o Brugges, o Marselha, o PSG, o Athletic Bilbau e, a mais saborosa de todas, o Bodø/Glimt, numa histórica recuperação, não estava propriamente nas expectativas gerais. A bonita aventura terminaria nos quartos de final, ante o Arsenal, finalista da competição e atual campeão inglês, com o Sporting eliminado apenas por um escasso golo de diferença. Os quartos de final eram uma fase que o Sporting não visitava desde a longínqua época de 1982/83.
Estas prestações são cruciais quer para a afirmação internacional do clube, quer para a sua sustentabilidade financeira. Uma parte substancial das receitas advém diretamente dos prémios de participação na prova, bem como da alienação dos passes dos seus melhores jogadores, cujas exibições encontram na competição a melhor montra promocional.
Os bons resultados recentes tendem a gerar um efeito multiplicador: reforçam a posição do Sporting nos rankings, que muitas vezes determinam o acesso à competição e podem até influenciar o seu percurso. Isto é válido não só para o acesso à Champions, mas também para a novel competição, o Mundial de Clubes.
A FIFA ainda não tornou público se vai introduzir alterações nas condições de acesso. Mas, caso se mantenham os atuais critérios, baseados no desempenho na Liga dos Campeões nos últimos quatro anos, o Sporting tem praticamente assegurada uma das 12 vagas europeias de acesso direto. Atualmente na nona posição da tabela classificativa (que contabiliza os pontos somados entre as épocas de 2024/25 e 2027/28), o Sporting detém uma vantagem de 24 pontos sobre o Benfica, a primeira equipa em zona de exclusão. O cenário é ainda mais favorável quando se constata que o clube continua na prova, enquanto o seu eterno rival faz uma travessia na segunda divisão das provas europeias.
Há ainda outro aspeto que não pode ser negligenciado: os adeptos gostam de ver o seu clube falado pelas melhores razões, o que é importante para o seu amor-próprio, e essa importância é ainda maior quando residem num dos muitos lugares da diáspora sportinguista. E, a menos que os resultados desportivos sejam medíocres, a prestação internacional interessa-lhes mais do que o desempenho financeiro.
O mesmo se poderá dizer das provas internas, porque é nestas que o Sporting se digladia com os seus arqui-rivais e é nestas que os títulos são tão necessários como desejados. O que aconteceria ao Sporting e à sua relação com os adeptos se, por absurdo, continuasse a registar bons resultados desportivos e financeiros na Champions, à qual acederia por lugares secundários, mas ficasse sucessivamente arredado dos títulos nacionais?
Há pouco tempo, Frederico Varandas afirmou, de forma surpreendente, preferir os quartos de final da Liga dos Campeões à Taça de Portugal. Esta afirmação é problemática a vários níveis. Desde logo, porque alcançar os quartos de final da Liga dos Campeões nunca poderá servir de álibi para uma desonrosa derrota frente ao… Torreense. Depois, porque, sendo um título, a Taça ficaria inscrita para sempre no nosso palmarés, enquanto uma passagem pelos quartos de final de uma competição tende a perder-se entre a poeira dos tempos e não acrescenta nenhum troféu ao nosso museu.
No seu discurso de posse para o mandato em curso, Frederico Varandas afirmou:
“Hoje o Sporting, a par da era dos Cinco Violinos, vive das melhores fases da sua existência. Mais do que os inúmeros títulos conquistados nestes últimos sete anos, o Sporting voltou a ter cultura e mentalidade de vitória”.
Já antes havia prometido que o Sporting não voltaria a descer aos infernos da instabilidade que ditou vários anos de ausência de títulos. Essa é seguramente a promessa mais importante e aquela que mais importa cumprir.
Que a boa carreira nas competições europeias se mantenha é, com certeza, um desejo de todos. Mas que tal não funcione como distração para o que é decisivo e mais importante: o regresso do Sporting Clube de Portugal aos títulos.

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