quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Liedson e o futuro

Surpreender-me-á pouco se o desfecho do rumor do momento acabar por se confirmar e Liedson acabar equipado de azul-e-branco. Aliás, não é a primeira vez que o rumor circula, estamos apenas a regressar a mais ou menos há um ano, quando aqui falei dessa possibilidade. Nessa altura dizia:

A possibilidade de representar o FCP dependerá, (...) do lugar que quiser ocupar na história do Sporting e sobretudo na memória daqueles que o idolatravam.

Nunca foi o meu caso, pese a minha admiração pelas suas qualidades futebolísticas e pelo que representa na história recente do nosso clube. Para o idolatrar, isto é, para o considerar mais do que apenas um profissional que representou bem o clube, teria que sentir como genuíno o sentimento de que o Sporting lhe era muito especial, como ele foi para muitos de nós. 

Nunca o senti, sem saber explicar muito bem porquê, percebendo por isso que até posso estar a ser injusto na minha avaliação. Mas tem um pouco a ver com algumas "peripécias" no decurso da sua passagem, especialmente ao tempo de Peseiro. Sensação essa que se acentuou no dia seguinte a uma despedida cheia de emoção, com o jogador a declarar estar a chegar "à sua casa", quando o imaginávamos ter-se ele acabado de despedir dela. Ajudou pouco também a sua naturalização, que me pareceu mais oportunista que sentida.

Há muito que não espero muito mais de um jogador, mesmo que oriundo da formação, mais do que  um rigoroso profissionalismo e há muito que não acrescento companhia a Damas e Manuel Fernandes à minha galeria de culto.

Não sei se a minha avaliação estava então correcta, mas esta é sem dúvida nenhuma daquelas coisas que preferimos nunca vir a ter razão. Não só pela referida importância que Liedson teve junto de uma franja muito importante da bancada, mas por entre esses estarem alguns dos meus amigos, a quem hoje será difícil explicar a eles mesmos (e sobretudo aos seus filhos) como é que foi possível ver também Liedson com as cores do "inimigo". 

Tempos muito dolorosos estes que nos estavam reservados. Não nos sendo comum o sentimento relativamente ao jogador, o incómodo e até a dor de o ver de azul e branco será com toda a certeza partilhada.

Tratada a questão emocional debruço-me agora sobre a questão prática. 

Devia o Sporting fazer tudo ao seu alcance para travar e até inverter o rumo agora apontado a Liedson?  

E se o FCP vê nele um reforço ou pelo menos um complemento a Jackson, porque não o podia ser também para o Sporting, relativamente a Wolfswinkel?

Apoiando-me nos lugares comuns, o regresso aos lugares onde fomos felizes raras vezes é compensatório até porque a mesma água não passa duas vezes debaixo da mesma ponte. Preferia uma solução que tivesse os olhos postos no futuro que, além de representar uma boa possibilidade de reforço técnico, possa significar uma futura realização de mais-valias. 

Acresce a esta preferência o facto de, para o que falta da época e para as actuais condições económico-financeiras, não me parecer que seja sensato concorrer com os valores que o  FCP oferece a um jogador da idade dele.

Boa sorte a Liedson? Oh pá, isso já é pedir muito. Por alguma razão a imagem que ilustra o post é a que é.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Quem com ferros mata...

Soube-se ontem (pelo menos foi quando tomei conta da noticia) que foram expostos os contactos pessoais dos funcionários do Sporting encarregues da verificação da conformidade das assinaturas que subscreveram o requerimento a solicitar a AG. 

Antes de mais convém lembrar que os  referidos funcionários, por inerência de funções, não lhes é dado a escolher as tarefas a realizar e, entre eles, até podem estar elementos que concordam com o proposto no requerimento, o que ainda torna mais inclassificável uma acção deste tipo. Veremos se este comportamento ignóbil também vai gerar uma procissão de indignados...

Não duvido que este é um exemplo extremo e creio que isolado. Mas serve como amostra de uma realidade crescente e que se torna omnipresente em quase todas a discussões. E nelas há quase sempre um pretensiosismo totalitário e insultuoso, que começa por considerar que "quem não pense como eu" não só "está errado", como "está satisfeito", "tem uma agenda escondida" ou é "peão de brega" de alguém. Ou pior, emite opinião no seu próprio interesse, "à procura de tacho" ou com o objectivo de manter o que já tem.

Isto merece-me 3 comentários:

1- Sobre a "agenda", "o tacho", etc, veremos o que o futuro próximo nos reserva. Veremos como muitos dos que hoje fazem estas acusações não se apresentarão eles próprios a um qualquer cargo numa futura lista concorrente a eleições. Estarão eles próprios à procura de tacho? Ou acham que podem ficar abrigados dos pingos da chuva caluniadora que reservam aos outros?

2- A forma como reagimos às contrariedades e às crises em geral é em si mesma reveladora da nossa própria natureza e por isso mesmo tem uma vantagem clarificadora. E se isto é válido a nível individual é-o também ao nível colectivo. Nesse sentido, o que têm sido os últimos meses - ou anos?.. - da vida do Sporting, é pouco reconfortante para quem gostaria de ver um Sporting saudável e pujante.

3 -Este discurso é profundamente divisionista e, por isso mesmo, é em si mesmo responsável por um afunilar de opções. É que se a mim, muitas vezes aqui visado, isso me faz pouca impressão, duvido que haja alguém que tenha uma vida profissional e pessoal pelo menos satisfatória e que, face a isto, se disponha a perder tudo isso por não se sabe muito bem o quê, mas que não é nada de bom. Isso é o que deve estar pensar que neste momento quem equacione ser dirigente no Sporting.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Quem representam Daniel Sampaio e Eduardo Barroso?

Daniel Sampaio, vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral, saltou agora para o centro das noticias sobre o Sporting, embora antes já fosse evidente um protagonismo a que não estávamos habituados de alguém que tivesse exercido funções iguais. 

O protagonismo não é um problema, desde que ele corresponda ao exercício das funções conforme estas estão previstas nos estatutos. Mas que tem a seu cargo representação de todo o universo leonino e não apenas parte dele está obrigado à equidistância e a isso ajudaria muito ser discreto nos actos e nas palavras. 

Ora andar a pedir a demissão do CD, ainda por cima invocando motivos circunstanciais (“está em risco de descer de divisão") insere-se em que artigo das suas competências? Ou Daniel Sampaio também faz declarações à EB, uma frase como adepto, outra como cronista da Bola, outra como paineleiro, outra como PMAG e quem o lê e ouve que descodifique?

Daniel Sampaio, agora também defendido por Eduardo Barroso, diz que está a ser alvo de um ataque e nega as acusações de que foi alvo. E que acusações são essas?

Primeiro foi a acusação da Juve Leo, que denunciava o aliciamento feito pelo referido vice-presidente da MAG, a troco de bom comportamento na AG que se avizinha. O facto da claque dar conta do seu inequívoco apoio à direcção e por se tratar de uma claque retira credibilidade à afirmação. Mas a conversa, que não foi negada, mas sim o referido aliciamento,  não foi apenas testemunhada pelo Nuno Vieira e pelo próprio Daniel Sampaio, e pode não ser apenas a palavra de um contra o outro...

Ontem foi a acusação do Conselho Directivo, dando conta que "Daniel Sampaio convidou várias pessoas para integrarem uma comissão administrativa para entrar em funções a seguir à Assembleia-Geral que visa demitir o Conselho Directivo, à revelia do presidente da Mesa, Eduardo Barroso". E ao que parece Daniel Sampaio foi ainda mais longe ao convidar elementos do CD a apresentarem a sua demissão, procurando que aquele caisse por falta de quórum. 

Daniel Sampaio tem já desmentiu. Mas tem dois problemas:

Primeiro tem um amigo desbocado. Em declarações ao DN, EB na mesma frase deixa um desmentido "Essa notícia é inacreditável." e a afirmação implícita de que algo está já em curso "É preciso sabermos quem poderá estar disponível para essa comissão de gestão, que até pode governar o Sporting por seis meses antes de se provocar eleições, temos de ver os cenários todos". 

Como nota adicional e, se preciso fosse, para aferir a razoabilidade EB, atente-se na preciosidade desta afirmação, ainda nas mesmas declarações:  "Quero tranquilizar os adeptos do Sporting, porque os problemas estão a atingir um ponto em que começo a ter medo, isto está a atingir as raias do inqualificável."

Mas o principal problema de Daniel Sampaio, e do seu desbocado amigo, é que estão a agir para lá do que lhes é pedido para o exercício dos cargos que ocupam. No cumprimento do que está nos estatutos a principal preocupação de ambos devia estar na reunião de condições para dar cumprimento ao requerimento que lhes foi apresentado para a realização de uma AG, o que já não pouco para fazer. 

Neste sentido porque razão a MAG tem de ouvir "sportinguistas anónimos e notáveis, entre eles as claques" voltando a arremessar de forma parcialmente indecorosa que "poucos ou quase nenhuns eram favoráveis à permanência da actual direcção."?

Esta é a forma que encontram para estar à altura de representar todos os associados leoninos, até os que não partilham das suas ideias e dos seus métodos?

Mas a pergunta mais importante, muito mais importante que estas tricas, é saber se no caso de concretização da queda da actual direcção quem é que dormirá tranquilo sabendo que o Sporting pode ficar entregue seis meses a estes senhores ou a uma comissão administrativa?

 Há quem pense que o Sporting não pode ficar pior do que está. Pois talvez fosse clarificador, apesar de doloroso, constatar que não é bem assim.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Conheça e discuta a reestruturução financeira avançada pelo Expresso


Há já algumas semanas que a noticia circulava em alguns meios mas o Expresso deste fim-de-semana encarregou-se de a por no topo da actualidade. Falo da  reestruturação da dívida aos bancos (BCP e BES) que se cifra em 230 milhões.

Isto leva-me, no imediato, a interrogar a razão da noticia ser conhecida quando ainda não há qualquer acordo firmado. Tal pode prejudicar a posição negocial do clube, que não está sozinho neste mercado especifico das SAD´s em aflição e já anteriormente se viu prejudicado por causa de fugas de informação.

- 130 milhões ficariam cobertos por um empréstimo de 40 anos, a uma taxa de (fabulosos!) 1, dando como garantia as quotizações dos associados.

- Dos restantes 100 milhões 60 seriam perdoados se o clube entregar 40 milhões aos mesmos bancos.

Isto é, com toda a certeza, apenas uma parte do que devem ser negociações muito complexas, atendendo aos montantes em jogo e à própria conjuntura. E pode nem merecer a qualificação de noticia mas de um rumor, atendendo a que as partes não fizeram qualquer confirmação do avançado pelo Expresso.

2 observações avulso:

Para se poder fazer uma avaliação da importância da operação em causa seria muito interessante saber o que são hoje as verbas despendidas com o serviço de divida e quais passariam a ser depois da realização da mesma.

Estarão os sócios dispostos a discutir sem tabus uma matéria desta importância, nesta altura ?

Ainda assim, procurando satisfazer os muito pedidos que me foram feitos durante o fim-de-semana, aqui fica cópia do que avançou o semanário Expresso: 




domingo, 13 de janeiro de 2013

Que jeito dá ter um treinador!



A vitória de hoje, normal para um Sporting normal, ajudará a entender que não ganhávamos porque os jogadores não queriam mas porque não podiam.  Jesualdo pôs os jogadores a jogar nos seus lugares, aproximou as linhas e sobretudo os jogadores criando com isso o patamar mínimo para se lutar por mais do que um empate ou sofrer mais uma derrota.


Ficha de jogo

I Liga: 14ª jornada
Estádio José Arcanjo, em Olhão
Árbitro: Hugo Pacheco (AF Porto)

Olhanense: Bracali, François D’Onofrio, Vasco Fernandes, André Micael, Jander, Rui Duarte, Nuno Piloto, Targino, Fernando Alexandre, Abdi, Yontcha.
Suplentes: Ricardo, Djalmir, Evandro Brandão, Rafael, Fábio, Betinho, Pedro Paz.

Sporting: Rui Patrício, Miguel Lopes, Boulahrouz, Rojo, Insua, Adrien, Rinaudo, Labyad , Jeffren, Capel e Wolfswinkel.
Suplentes: Marcelo Boeck, Pereirinha, Zézinho, Carrillo, Xandão, Eric Dier, Viola.

Golos de Labyad e Adrien

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O grande Elias uma breve reflexão sobre os fundos de jogadores

O titulo do post remete-nos para um filme português dos anos 50, protagonizado por António Silva,  e outros nomes grandes do cinema português. O enredo tinha no centro uma família portuguesa  que contornava as dificuldades em que estava emergida graças às remessas de uma abastada tia brasileira que julgava terem os seus parentes lusos iguais condições.

Uma relação equívoca, algo semelhante à que uniu o Sporting a Elias. Este, como muitos outros que chegaram com ele, viu  no Sporting um meio para projectar a sua carreira e o Sporting viu no brasileiro um jogador de qualidade, um investimento seguro e rentabilizar e até um líder, oferendo-lhe a braçadeira de capitão. Ambas as expectativas saem frustradas.

No inicio da época passada poucas contratações me entusiasmaram tanto como a de Elias. Conhecia o jogador, contemporâneo de Ronaldo, o Fenómeno, no Corinthians, e a sua ascensão até à selecção brasileira. Conhecido como "o guerreiro", as suas características de jogador técnico qb, mas que se devotava com grande intensidade ao jogo, parecia cair na perfeição no que era identificado como o modelo típico nas equipas de Domingos. Os quase nove milhões não pareciam, em condições normais, difíceis de rentabilizar num curto/médio prazo.

Hoje todos sabemos que as tais condições, entendidas como normais, nunca se proporcionaram e a contratação de Elias foi um fracasso. As causas desse fracasso compreendem-se entre as que dizem respeito ao insucesso desportivo consubstanciado no falhanço da aposta em Domingos, e do desmoronamento de todo o edifício desportivo que se seguiu este ano com Sá Pinto, após um começo prometedor que terminou numa das tardes mais inglórias e frustrantes no Jamor.

Mas, no caso de Elias, não há apenas "culpas" no falhanço do projecto desportivo que veio encontrar no Sporting.  Há também muita responsabilidade pessoal. Há poucos dias, o jogador dava conta que não se sentia feliz no Sporting, que gostava de lutar por títulos. Se essa vontade for a que demonstrava em campo, em particular nos últimos jogos, completamente descomprometido da sorte da equipa, sem qualquer esforço pela procura da bola, resguardando-se do jogo, Elias nunca lutará por títulos, com sorte ganhá-los-á por inércia.

Elias foi entretanto cedido ao Flamengo, certamente inserido numa estratégia de contenção de custos mais do que necessária tendo em conta o actual contexto e o vislumbre do que podem ser as receitas futuras. Ao contrário do que parece ser o entendimento maioritário, é uma boa decisão. A sua permanência, no contexto actual do clube e do próprio jogador, só equivaleria a uma desvalorização ainda maior. A sua venda, neste momento, seria, isso sim, um mau negócio porque dificilmente deixaria de ser feita abaixo do preço de custo. O seu regresso ao Brasil pode equivaler a uma valorização, até porque é feito para um clube com pergaminhos e com visibilidade para proporcionar o regresso à montra que é a selecção brasileira.

Para os que sempre se opuseram ao recurso aos fundos, que, como tudo na vida têm vantagens e inconvenientes, talvez percebam agora melhor que o Sporting, ao alienar a percentagem do passe deste jogador, não alienou apenas parte dos lucros de uma futura venda. Partilhou também o risco do investimento feito e, correndo tudo pelo pior, tem pelo menos asseguradas as verbas que já recebeu, isto é, 50% do passe.

O problema para o Sporting nunca foram os fundos, como também não são as comissões. Esta tem sido a solução adoptada e com o sucesso conhecido no FCP e, menos, no SLB. A virtude deste modelo não é apenas a de partilhar riscos. Está também na possibilidade de proporcionar aos clubes a quem eles recorrem o acesso a jogadores cujo preço seria proibitivo. A falta de transparência obrigou já a UEFA preparar legislação para lhes por termo, demonstrando um parcialidade condenável, quando nada faz para impedir a meia batota que é a compra de clubes por magnatas, cujo dinheiro não é digno de menos suspeita.

O problema para o Sporting é e sempre foi a gestão desportiva. O looping permanente entre o recomeço e um novo fracasso impede o Sporting de alcançar os da frente. O consequente afundamento económico e financeiro e as convulsões que daí resultam fazem o resto. A entrada de Elias para o polémico compêndio do "jogador mais caro do Sporting" e dos fracassos a ele associado, é capaz de nos fazer manter por muito tempo longe do acesso a jogadores de qualidade que nos permitam encurtar o fosso que nos separa dos nossos rivais. O pior é que eles, a par dos treinadores, são os que ditam muita da nossa sorte e do nosso azar ao jogo.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Desejo comum em Jesualdo e Ronaldo com alguns números em análise

É preciso recuar ao 11 de Novembro de 2012, na 9ª jornada, jogo em casa com o SCBraga, para encontrar um jogo em que o Sporting não tenha sofrido um golo. Jogos em que a mesma situação tenha ocorrido - não ter sofrido golos - eram até ontem apenas 3 (Horsens (V) Basileia  (E) e Académica(E) e talvez não seja por acaso que só tenhamos conseguido ficar incólumes perante apenas uma equipa portuguesa...). Ontem, na estreia de Jesualdo, conseguimos finalmente voltar a terminar um jogo com a baliza inviolável.

Antes de ir propriamente ao assunto do post deixo ficar aqui também alguns dados estarrecedores: em todas as competições oficiais o Sporting tem uma relação de golos marcados/golos sofridos negativa:

Liga ZON Sagres            11-16
Taça de Portugal              2-3
Taça da Liga                    3-5
UEFA Europa League    10-11

Mas não é tudo. Se a posição na classificação geral do actual campeonato é a que se sabe - 12º lugar, a um ponto dos lugares de descida - as classificações parciais indicam-nos que se houvesse um campeonato dos jogos em casa estaríamos em 6º lugar com 8 pontos. No campeonato dos jogos fora seríamos penúltimos com apenas mais um ponto que o modesto recém-promovido Moreirense.

Estes dados, somados às exibições, dizem-nos praticamente tudo sobre a qualidade do trabalho desenvolvido até agora e da tarefa ciclópica que espera Jesualdo Ferreira. A questão técnica, da qualidade do treino, da responsabilidade de Sá Pinto a Vercauteren, é a que deve ser tida em linha de conta antes de se colocar em causa o valor dos jogadores. 

Quando oiço grande parte dos comentadores e analistas (com ou sem aspas) a falar de ´"entrega" normalmente isso é um bom indicador de desconhecimento da importância diferenciadora do treino no futebol actual. Foi a a sua falta de qualidade a origem da actual situação a que se juntam agora muitos outros factores acessórios, que tornam os nossos jogadores aparentemente iguais ou inferiores ao de adversários muito inferiores. 

Advinham-se momentos ainda mais conturbados e provavelmente ainda mais fracturantes do que os que vivemos. Julgo ser de importância crucial que no que aí venha, onde quase tudo será esmiuçado, que se perceba o quão importante é  a posição de treinador para o sucesso ou o fracasso de um clube onde o futebol tem importância primordial. 

Não sou propriamente um fã de Jesualdo Ferreira mas não deixo de lhe reconhecer a competência técnica que talvez faça dele o melhor treinador português disponível. Acresce que JF é também um homem com tarimba suficiente para viver as tão frequentes crises exestencias tão sportinguistas quando, ao primeiro desaire, tudo é posto em causa.

Parece-me por isso importante que o saibamos resguardar das tricas politicas em que nos consumiremos nos próximos tempos. Assim como seria importante que tivesse tempo para que o seu trabalho tivesse continuidade. No que à organização do nosso futebol diz respeito está tudo ou quase tudo por fazer e quanto mais tarde começarmos mais angústias e sofrimentos seremos obrigados a coleccionar.

E não apenas a ele mas também à equipa. Parece-me muito importante destacar o que disse ontem depois do jogo:

«Esta equipa precisa de suporte psicológico, confiança, sucesso e apoio. Precisa de acreditar que tem capacidade para seguir em frente e chegar a níveis mais altos. Isso só se consegue com tempo e trabalho.

«Há jogadores muito melhores do que aquilo que apresentam em campo.»

«Quando não há apoio ninguém se sente bem. As pessoas têm de decidir se apoiam ou não, nós vamos fazer o nosso trabalho. Para mim é-me indiferente, mas para os jogadores é importante, porque são eles que jogam.»

A questão do apoio da equipa não pode ser confundida com o apoio ou o protesto contra a situação vigente. A equipa no relvado não é a de Godinho Lopes, é a equipa do Sporting e são os pontos que perde e ganha que se constrói a nossa história.

Não se pense que esta é uma questão acessória para os jogadores. Se preciso for  atente-se no que disse ontem Ronaldo depois do jogo no Bernabéu:

«Já chega de críticas, temos de estar juntos»

Pelo menos à hora dos jogos. Após os jogos as diferenças de opinião podem voltar a ser as de sempre, ninguém é assim tão tolo para negar o direito de cada um pensar pela sua cabeça.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Finalmente uma boa noticia e uma boa pergunta

Ninguém duvida que a actual crise em que o Sporting mergulhou a pique tem a sua origem nos resultados da equipa de futebol. E esses resultados são tudo menos casuais, resultam da forma como foi preparada a época e dos erros então cometidos. 

A situação actual é produto não apenas dos erros, que só não comete quem nada faz, na preparação da época, foram hesitações e más decisões acumuladas, mas, acima de tudo, falta de conhecimento e preparação técnica para criar soluções para os problemas. Em síntese, de Sá Pinto a Vercauteren, passando por Oceano e por todas as equipas técnicas que lideraram nunca foram dadas respostas adequadas aos problemas e o afundamento da equipa era inevitável.

A chegada de Jesualdo Ferreira, acompanhado dos seus adjuntos, tenderá a impor alguma normalidade, apesar da dificuldade da tarefa ser mais ou menos equivalente a mudar um pneu em andamento. É que não haverá muito tempo para fazer o que é necessário fazer, que é praticamente tudo o que tem a ver com a construção de uma equipa de futebol e, eventualmente, até reorganização de todo o departamento de futebol. Na sua apresentação, Jesualdo deu uma demonstração de segurança e assertividade que nos poderão ser úteis a breve trecho.

Mas, como todos sabemos, o sucesso de Jesualdo não depende em exclusivo de si, dos seus adjuntos e dos jogadores à sua disposição, depende de toda uma evolvente que vai da estrutura que lhe deve dar suporte até aos adeptos. Olhar para a tabela classificativa e constatar o quão delicada é a situação em que nos encontramos deveria corresponder a uma reflexão responsável do que têm que ser, deveriam ser, as prioridades.

Infelizmente a disposição geral mais notória e, ao que tudo indica, maioritária é a de que o trabalho de Jesualdo, ou qualquer outro treinador no seu lugar, pode ser levado a cabo sem se deixar permeabilizar pelo ambiente que o circunda. Eu tenho sérias dúvidas que isso assim ocorra.

É verdade que não é a primeira vez que o Sporting terá que disputar eleições em simultâneo com a realização do campeonato. Mas é a primeira vez que, ao que tudo indica, partirá para uma AG para destituir os órgãos sociais e, em simultâneo, se envolverá numa disputa eleitoral enquanto luta para fugir para lugares mais cómodos, sem a linha de água a molhar os pés.

Serão os meus receios infundados ou falta a muito boa gente a percepção correcta dos perigos que o momento encerra?

E porque é um documento que vale a pena ouvir com atenção aqui fica o que foi dito por JF na sua apresentação:

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Izmailov sai sem pagar divida

Izmailov teve, ao longo da sua estadia no Sporting, atitudes e afirmações grandiosas, conseguindo por isso e pela classe que todos lhe reconhecíamos, a estima e até a idolatração de muitos de nós. Sabíamos da sua fragilidade física e por isso esperávamos sempre o tempo que fosse necessário para ver a sua classe de regresso ao relvado. Mas,com o triste episódio com Costinha, em vésperas de uma importante decisão de uma eliminatória com o At. Madrid, começaram as primeiras dúvidas sobre se a tal fragilidade física era também uma fragilidade de carácter. 

Hoje, ao assinar pelo FCP, essa fragilidade confirma-se. Quando assinou a última renovação de contrato, já com GL na presidência, Izmailov reconheceu uma divida de gratidão para com a compreensão dos adeptos. Ao sair sem a saldar, e ainda por cima de forma directa para um rival de sempre, Izmailov não se comporta apenas como um vulgar caloteiro, acrescenta-lhe a traição premeditada há já algum tempo, (como era do conhecimento de muitos de nós) que lhe foi anteriormente negada,  e agora incompreensivelmente permitida.

O titulo é da autoria do Tiago (@imago_route )

Oh, (des)Ventura!

Canto V dos Lusíadas, que relata o aparecimento do Adamastor, quando se dobrava o Cabo das Tormentas:
"E verão mais os olhos que escaparam de tanto mal, de tanta desventura."
Isto a propósito desta noticia: Hugo Ventura chega com Miguel Lopes, que provavelmente significará confirmação da saída de Boeck para a Suíça.

Hoje, pela manhã, quando me falaram sobre este rumor, que então circulava nos fóruns frequentados por adeptos portistas, ri-me e disse que era brincadeira...

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Obrigado Vercauteren, obrigado Jesualdo.

No post anterior elogiava a postura de Franky Vercauteren desde que assumiu a tão difícil incumbência de treinar o Sporting, quer como homem quer como profissional. Cedo se percebeu que o treinador belga não estava a conseguir ser uma mais-valia na intricada situação em que o nosso futebol mergulhou. Agora que a breve ligação terminou resta-me agradecer o esforço despendido. Os caminhos de Vercauteren e do Sporting cruzaram-se em altura pouco oportuna. 

Obrigado também a Jesualdo por se dispor a por a cabeça no cepo. Boa sorte e sobretudo muita competência, que é que nos tem faltado.

Sobre o actual momento do Sporting

Quando uma imagem vale por mil palavras
Já desde Novembro que aqui vinha dizendo que o Sporting era das piores equipas da 1ª Liga e que a classificação devolvia o seu justo valor. E mais ou menos em simultâneo fui deixando antever que, se nada fosse alterado, acabaríamos por nos ver imersos na luta pela manutenção. Não foi preciso muito tempo para que o então parecia uma heresia ser hoje uma dolorosa realidade para todos nós. A minha única surpresa é que, face ao que vinha acontecendo, este facto constitua surpresa para quem quer seja, custando-me a entender as reacções de incredulidade dos adeptos após cada desaire. Qual é afinal a surpresa quando, jogo após jogo, não se nota a mais ligeira alteração qualitativa no nosso jogo?

Godinho Lopes "morreu"
GL, atendendo às convulsões do seu mandato, especialmente no futebol, decretou a si mesmo a impossibilidade de errar quando deu conta pública de que passaria a ter a seu cargo directo o futebol. A perda de tempo e pontos que significou a indecisão do "anda comigo ver o que dá o Oceano", a má decisão na escolha de Vercauteren - indiscutivelmente um bom homem e um grande profissional, mas não o que precisávamos - foram cavadelas fundas na sepultura. Assistir inerte à derrocada de todos os objectivos da época no espaço de 2 meses, já sob a tutela de Vercauteren, foi construir o seu próprio caixão. Neste momento, e face ao que se parece adivinhar, pouco mais pode fazer do que escolher demitir-se ou ser demitido. E, como mais adiante tentarei demonstrar, isso pode fazer toda a diferença.

Dar um porco por um chouriço e outras considerações sobre a estratégia desportiva
O recente negócio Izmailov é um sintoma grave de falta de tacto e alheamento do que é o sentir dos adeptos, mesmo até dos mais moderados. Não só porque o negócio é com quem é - e isso é muito importante para muitos de nós, os que temos memória - mas porque o negócio é mau. 

A menos que Izmailov esteja de facto acabado para o futebol - como passaria nos testes médicos? - estamos reforçar um adversário de quem estamos cada vez mais longe, acentuando ainda mais o fosso que nos separa. Se jogar no imediato fica desfeito mistério da origem de tantas lesões...

Contratar Miguel Lopes para onde temos Esgaio, Cedric, Arias e Pereirinha insere-se em que item da recente - mais uma - inversão de estratégia, com a aposta na formação?

Oferecer mais ou menos a mesma remuneração a um jogador nitidamente menos qualificado onde se insere na propalada necessidade de reduzir custos? Ainda neste âmbito não somos nós que arriscamos perder mais ao ficar com os 50% remanescentes do passe de Izamilov do que o FCP ao ficar com igual percentagem do passe de Miguel Lopes?

Adiar é não resolver, é agravar os problemas
Sendo já muito limitada a sua margem de manobra, GL meteu-se num beco sem saída e o que está em causa neste momento não é sequer a sua sobrevivência mas a da equipa principal de futebol. Talvez a partir da última jornada a realidade tome conta das consciências, percebendo que a cada jogo já não conta a história mas apenas o presente. E, nesse sentido, quanto mais se adiar a substituição de Vercauteren pior. E, uma vez que não creio que Jesualdo seja milagreiro, tendo em conta o muito que é preciso fazer para que a equipa jogue como tal, prevejo um resto de campeonato penoso, com algumas melhorias e  muitas recaídas.

A inutilidade da AG
Ao contrário do que muitos entendem como a panaceia de todos os males, a AG que ontem foi pedida pelo Dar Rumo ao Sporting é para mim uma inutilidade. O seu resultado é mais do que sabido, e a sua realização constituirá um desperdício de tempo e energia e, muito provavelmente, um exercício de auto-flagelação. Mas também uma terrível falta de sensatez porque vai introduzir ainda mais instabilidade em torno da equipa, num momento já de si particularmente difícil. Não ter este dado em conta pode ser fatal.

Ouvir os Sportinguistas
O cenário de eleições é inevitável e GL devia compreender que ele acabará por se realizar mais tarde ou mais cedo. Porque me interessa mais oferecer soluções do que ajustar contas - sem prescindir nunca que quem dirige tem que  as prestar - não duvido que a convocação de eleições para finais de Maio, inicio de Junho permitiria uma melhor planificação das listas a apresentar. Seria também uma forma mais abrangente, e por isso mais democrática, de ouvir os todos os Sportinguistas, que não apenas o número sempre reduzido de uma AG.

Devo contudo dizer, e terminando o já extenso post, que desconfio do que o futuro nos trará. São particularmente preocupantes as declarações dos Sportinguistas que se pronunciam sobre o actual momento, em particular dos que se podem encarar como possíveis candidatos, e não apenas ao cargo de presidente, pela sua incipiência e desconhecimento do principal problema do Sporting: a gestão desportiva.  

É também pouco reconfortante olhar para o que sempre têm sido as escolhas dos Sportinguistas nos últimos actos eleitorais e perceber o que querem afinal os Sportinguistas. A proposta que mais se aproxima do que hoje todos parecem defender - contenção nos custos, não gastar mais do que se tem, aposta na prata da casa - pouco passou dos 2% dos votos...

sábado, 5 de janeiro de 2013

Surpresa era ter ganho ou sequer ter empatado


Equipas
Sporting:Rui Patrício
Cédric (Esgaio), Xandão, Boulahrouz, Marcos Rojo
Rinaudo, Adrien Silva (Viola), Pranjic
Jeffrén (Carrillo), Wolfswinkel, Capel
P. Ferreira:Cássio
Diogo Figueiras, Tiago Valente, Ricardo, Antunes
Luiz Carlos, André Leão, Josué (Caetano)
Manuel José (Vítor), Angulo (Cícero), Hurtado
Marcador: Hurtado (45')

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Entre o passado e o futuro, mas quase nunca o presente

O regresso de Liedson não passará de um rumor mas a sua existência, como diria o poeta, tem que ter algum fundo de verdade para se lhe poder atribuir o minimo de verosimilhança. E esse fundo de verdade estará relacionado com as saudades que alguns sectores da bancada sentirão dos tempos em que Liedson vestia de leão ao peito. 

As saudades, de que não partilho, compreendo-as. Já mais difícil de compreender é a tendência muito sportinguista de estar sempre a olhar para o passado ou a projectar o futuro, desvalorizando a importância do que deve acontecer no presente. 

É sob esse prisma que vejo as recentes promoções de Zezinho e João Mário, esquecendo que há neste momento no plantel jogadores também oriundos da formação com valor mais do que suficiente para se afirmarem na equipa principal e que estão à altura de preencher as vagas que Elias e Izmailov, como tudo indica, virão a deixar em aberto. Falo de André Martins e Adrien, por exemplo.

Por falar em Adrien este é bem o exemplo do que pode é a voragem emocional que consome habitualmente os Sportinguistas. Quantos gritaram contra "os incompetentes" que o estavam a deixar ir para o FCP e não são agora os mesmos que bramem contra "os incompetentes" que renovaram com o jogador, que ainda por cima "não vale o dinheiro que recebe" e que "só queria por a mão na massa"?

Em relação aos 2 mais novos, João Mário e Zezinho, falamos de jogadores que a categoria individual muito diferencia mas, não me enganarei muito, poderão ter destino em tudo semelhante aos seus antecessores. O momento desportivo recomenda pouco a entrada de jogadores mais novos, o que equivaleria a uma mimetização de erros anteriormente cometidos. Não sendo nada feito para mudar a forma quase infantil como a equipa se movimenta em campo, não tardará que o valor de ambos seja também questionado. 

Já o tinha afirmado aqui anteriormente:

Desenganem-se aqueles que vêm na equipa B a salvação. Além de Mendes e eventualmente João Mário (que não tira o lugar a Rinaudo...) não há jogadores ainda suficiente "crescidos" para fazer face às dificuldades do que nos espera até ao final do ano. Metê-los nesta fogueira não só não resolverá os problemas dos A´s, como se estragará o que está a correr bem na equipa B. E isso não são tanto os resultados, mas sim a consolidação do muito valor individual que por lá abunda. A tentação dos ovos de ouro é grande, mas são apenas isso, ovos, e para sair desse momento é preciso muito mais do que promessas.

O que o Sporting tem feito nos últimos anos é saltar de modelo/projecto ao sabor dos resultados, sem grande convicção. Ao primeiro desaire deita-se fora tudo: o que foi bem feito, e o que não foi. Por norma começa-se sempre pior, porque há quase tudo para fazer.   

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Carriço e outros negócios

Há hora que escrevo já Carriço deve estar em Inglaterra. Falamos de um jogador que foi capitão em todos os escalões acumulando títulos nacionais em todos eles, partindo sem conseguir alcançar aquele que seria certamente um dos seus sonhos: ser campeão nacional sénior com a braçadeira de campeão.

A história de Daniel Carriço assemelha-se a muitas outras na história recente do Sporting. Muitas vezes indicado como modelo do que deve ser a formação do clube, por aliar as qualidades de atleta às do carácter, era apontado como valor seguro e um futuro esteio da defesa. Desse futuro fica agora tudo por cumprir: Carriço sai na lista dos mal-amados, dos mais mal pagos e substituído por jogadores que têm muito menos futebol do que ele tem apenas numa bota. De sportinguismo nem vale a pensa falar, mas certamente que todos eles têm muito mais euros no final do mês nas suas contas pessoais. 

Por consideração ao seu clube do coração prefere ir para o estrangeiro quando podia ficar em qualquer dos rivais. Mas é também claro que Carriço deixou de ver no clube do seu coração uma plataforma desejável para se afirmar como profissional de futebol e dar sequência à sua carreira.

Os que, ao longo dos anos, foram dizendo que o jogador não valia nada serão os que hoje se darão por satisfeitos: o Sporting livrou-se de um peso morto e ainda recebeu dinheiro por isso. Para os que acham que a formação deve ser a aposta, mas na prática nunca creditam grande valor aos que jogadores da casa a partida do jogador deve ser indiferente. Para os demais é lamentável ver partir alguém tão jovem, 24 anos, mas com 13 anos de ligação ao Sporting e ainda por cima para um clube de fraca expressão. No tempo que por cá passou e pela forma como sai Daniel Carriço merecia mais e merecia melhor. Obrigado Carriço!

Izmailov surge mais uma vez na rota do FCP, parecendo cumprir-se uma vontade já antiga do jogador. Não sei qual será o Izmailov que chegará ao Porto. Se o atleta que começa a época primeiro que os outros se aquele que, a poucas horas de jogos decisivos, como tem acontecido de forma sucessiva, lhe aparece mais uma dor, mais um achaque. O Sporting precisa como nunca de bons jogadores, mas precisa sobretudo de jogadores completamente comprometidos com o clube e não me parece que Izmailov seja um deles. Aconteça o que acontecer no futuro lamentarei pouco a sua saída. 

Isto dito importa falar sobre o negócio propriamente dito. Não vejo o negócio no  mesmo prisma que o de Moutinho, porque Izmailov não tem o percurso nem o estatuto que aquele jogador detinha quando saiu. Se os jogadores dados à troca forem Miguel Lopes e Kadu, serei levado a concluir que de facto Izmailov vale muito pouco os seus problemas com lesões continuarão a manifestar-se de forma crónica. Miguel Lopes é um jogador vulgaríssimo e Kadu nem merece comentários.

De forma genérica vejo com algum desânimo as movimentações que o Sporting venha a fazer no mercado. Continua a faltar o essencial: a mudança de treinador. E, com o que têm sido as últimas épocas, o Sporting dificilmente se conseguirá livrar de vender ao desbarato: ao invés de se ter criado valor este tem sido sistematicamente destruído. Pior ainda é negociar nas actuais condições, com o mercado a saber que o Sporting precisa de vender.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Bom Ano! Este é o meu Sporting!

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, 

a que se deu o nome de ano, 

foi um indivíduo genial. 
...Industrializou a esperança 
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.



Doze meses dão para qualquer ser humano 

se cansar e entregar os pontos. 
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez 
com outro número e outra vontade de acreditar 
que daqui para adiante vai ser diferente para você, 
desejo o sonho realizado. 
O amor esperado. 
...A esperança renovada.

(excerto do poema de Drummond de Andrade)

Tudo seria mais fácil se, ao remetermos para a reciclagem o velho calendário, fossem com ele embrulhados também os velhos problemas. Seria demasiado fácil, e a nada assim tão fácil é creditado grande valor. Talvez não fosse "necessário" que o ano que se aproxima  fosse tão difícil como os indícios fazem prever.

No que ao Sporting diz respeito o contexto não podia ser pior. Mais do que apenas uma crise de resultados da sua equipa de futebol o clube vive dias tumultuosos, sendo muito difícil de prever o seu seu desfecho. Se as crises são oportunidades podemos concluir que o Sporting vive desperdiçando, crise após crise, as oportunidades.

Há quem diga hoje, face à conjuntura, que "este não é o meu Sporting", quem, exija "o seu Sporting de volta" ou até quem pense em "refundá-lo". 

Mas este Sporting de hoje, é  o meu Sporting, clube ao qual me orgulho de pertencer. E, ao contrário do que por aí se vai dizendo, não há neste sentimento um segundo de resignação ou conformismo, antes sim a consciência de que o Sporting é não apenas este momento, é também toda a sua história e o futuro que lhe soubermos oferecer.

Há quem prefira viver o Sporting às fatias, reclamando para si apenas as vitórias. Eu prefiro-o inteiro, com todas as suas glórias e cicatrizes. Este Sporting actual, não sendo o que eu gostaria que fosse, é também o meu Sporting, do qual não desisto de encontrar todos os dias a esperança num futuro sustentadamente melhor. 

E não é por ser um ano que se adivinha difícil, somado às já muitas dificuldades, que anula o desejo e a vontade de conseguirmos prevalecer inteiros sobre as dificuldades. Consegui-lo faria de 2013 um Bom Ano, e esse é o meu desejo para todos os leitores do A Norte de Alvalade.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Equipa do Sporting é a melhor da Taça Desliga

Quase todas as primeiras páginas dos jornais confluem hoje na conclusão que o Sporting se afundou ontem em Vila do Conde. Acontece que o Sporting já se encontra no fundo desde o inicio de época, sendo o momento em que isso para mim ficou mais evidente foi o jogo em casa com o Estoril. Se houvesse uma Taça Desliga seríamos campeões, cada jogador joga por si, sem a menor ligação. O vocábulo colectivo não existe no seu dicionário.

Tenho-o dito aqui várias vezes que a equipa do Sporting - que alguns querem confundir com o clube no seu todo - é das piores da 1ª Liga e os resultados e classificação demonstram-no de forma inequívoca. Não percebo por isso as reacções após cada jogo que o Sporting tem disputado, como se constituísse alguma surpresa  o que vai acontecendo em cada 90 minutos.

Também disse aqui anteriormente que Godinho Lopes se atirou a um poço com uma mó ao pescoço no momento em que hesita na escolha do substituto de Sá Pinto, entregando o comando a Oceano, tendo de seguida escolhido Vercauteren. Passados 2 meses, quanto tempo mais é necessário é para perceber que não houve a mais pequena mudança qualificativa que justifique a manutenção do técnico belga? Pior do que cometer um erro é ter a noção clara da sua existência e nada fazer para alterar as suas consequências. 

A escolha de Jesualdo foi um momento de clarividência que tende a não produzir qualquer resultado se a esta estranha contemplação perante a hecatombe se mantiver. Há limites para o sofrimento e esse não atinge apenas os sócios e os adeptos, nota-se e de forma bem vincada nas expressões faciais dos jogadores. Quanto mais se prolongar esta agonia mais difícil será inverter esta situação cada vez mais terrível e como são os jogadores que jogam.... E convém reter que Jesualdo é apenas treinador, não é nenhum santo milagreiro.

Jesualdo deve ter ficado estarrecido com o que viu ontem no estádio dos Arcos. Não só não deve ter conseguido vislumbrar o que têm andado estes jogadores a treinar esta época como deve ter percebido que a sua missão, se a vier a ter que executar, é bem mais difícil do que por apenas a equipa a jogar com os princípios mais básicos do futebol. É que, mais uma vez, o Sporting jogou o jogo todo em inferioridade numérica desde o apito inicial, sendo o apito um dos jogadores do adversário. E essa diferença foi ainda maior com a saída de Dier, por razões, se aplicada a lei, levariam o Rio Ave a perder ainda mais jogadores. Há quem diga que a jogar assim desta forma não temos o direito de reclamar más decisões dos árbitros. Isto é tão idiota como afirmar que um pobre coitado não tem o direito a reclamar quando o seu casebre é assaltado. 

sábado, 29 de dezembro de 2012

Pereira Cristóvão ao Expresso: O Sporting é um clube autofágico

O Sporting é um clube autofágico, diz Paulo Pereira Cristóvão, entre muitas outras coisas, hoje ao Expresso. 

Com pouco tempo para comentar, partilho com os leitores a entrevista na íntegra, bemo como a a minha concordância com o entrevistado.

E continuo a pensar que faz muita falta ao Sporting quem, como PPC, assim fale e haja, quer para dentro quer para fora do clube.



quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Ainda há algum bom senso no Sporting

Notas breves sobre a actualidade do Sporting, com o mote dado pelas declarações sensatas (e únicas dentro deste tom, até agora) de Abrantes Mendes. Se ainda há algum bom senso no Sporting ele parece estar consubstanciado nas suas declarações:
"Neste momento o ambiente é de explosividade latente para que haja uma AG serena e pacífica como se quer."
 
"Deverá ser Godinho Lopes a resolver a situação e ser ele a convocar eleições."

Com a mesa da AG a dar claros sinais de que deixou de representar todos mas apenas uma parte dos sócios, cabe a Godinho Lopes perceber que eleições a curto prazo, antecedidas por um por um debate cada vez menos civilizado sobre se deve haver ou não AG, a que se seguiria uma campanha eleitoral de cariz idêntico, em nada beneficiam o Sporting. Pior, serão um elemento adicional de instabilidade no seio de uma equipa que está muito mais perto da linha de água do que dos lugares do pódio. 

É curioso assistir ao bramir dos Sportinguistas após cada derrota, vendo-se de seguida pugnar por soluções que em nada alteram o essencial do problema e que podem muito bem concorrer para o agravar. O clube em geral pouco tem a ganhar com mais uma disputa eleitoral preparada à pressa. A menos que a intenção de quem tem que decidir não seja a de que apareçam soluções, mas apenas "a solução"...

Assim, e tornando-se o cenário de eleições incontornável, Godinho Lopes deveria considerar a apresentação da sua demissão e procurando que as eleições, concorrendo ou não, fossem marcadas para o final da época futebolística. Dessa forma permitia 

i) algum desanuviamento em torno da equipa e do clube em geral.

ii) a formação de listas com tempo, procurando-se pessoas para os cargos e não apenas encher as listas.

iii) a preparação atempada da próxima época. Todas as listas concorrentes ficavam com espaço temporal para escolher equipas técnicas e jogadores.

iv) evitava o desgaste desnecessário aos novos corpos sociais que, de outra forma, terão que aguentar com os restos de uma época desastrosa.

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Jurei a mim mesmo não comentar as declarações de Eduardo Barroso ao jornal "ABola".  Mas aproveito para lembrar o que disse aqui sobre escolha para o cargo que agora ocupa:

Eduardo Barroso é um insigne cirurgião nacional, responsável por um trabalho notável e por todos elogiado, e que certamente nos orgulha por ser também Sportinguista. Mas é notório que no exercício das suas funções profissionais não usará da mesma irracionalidade que também o notabiliza no programa semanal na TVI. Tê-lo à frente de uma assembleia geral, onde as discussões acaloradas e a exaltação de ânimos são comuns, parece-me tão avisado como por um pirómano à frente de uma bomba de gasolina. E com isto nem sequer discuto se o cargo não recomendaria um jurista em vez de um clínico.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Porque é Natal

O Natal há muito que é já é mais do que apenas uma celebração de cariz religioso para ser um momento de tréguas. É um momento de regresso, por fugaz que seja, à inocência de acreditar que o mundo que vivemos pode ser melhor. 

O Sporting naturalmente que nos suscita milhentas preocupações, mas o clube é uma entidade que concentra sobre a si a atenção, o carinho, o cuidado, o amor e a paixão de milhões. Isto dito, seria do mais profundo egoísmo vir aqui falar dos nossos problemas, esquecendo todos os que, estando entregues apenas a si mesmos, têm apenas os poucos dias que esta quadra encerra para nos lembramos deles. Com cada vez mais portugueses, de todas as faixas etárias, a viverem à margem do que é indispensável para uma vida digna, se não podermos fazer mais, pelo menos lembremo-nos deles.

Este é também o momento de exaltação do melhor do que a natureza humana ainda conserva e por isso este não é a altura de desperdiçar a atenção e energia com os únicos miseráveis, que são aqueles que tendo tudo - a educação, o conhecimento, etc. - preferem semear o nada.

Não é o momento de desviar as atenções para os que, tendo a facilidade de ser ouvidos, desperdiçam o tempo a cevar o ego, sendo incapazes de deixar outro legado que não seja apenas o seu próprio ruído.

Tenho um ano inteiro para ver triunfar a canalhice, a cobardia e desonestidade e por isso prefiro chamar hoje à atenção dos que não podem fazer mais do que esperar que alguém se lembre deles.

Podemos escondermo-nos na impossibilidade de, sozinhos, mudar o mundo para ficarmos confortavelmente remetidos a um canto, como podemos, com pequenos gestos, mudar a realidade que nos rodeia.

Sendo também este uma quadra de reencontro familiar e sendo este um blogue Sportinguista, é quase obrigatório aproveitar o ensejo para desejar a todos, sem excepção, um Natal Feliz. Um desejo que é extensível a todos, independentemente da sua filiação clubistica.

PS- Já depois de publicado o post fui dar uma vista de olhos pelo histórico do blogue e dei com o último postal conjunto dos editores deste blogue. Foi publicado há 2 anos mas não perdeu a actualidade. Mas foi há 2 anos...


Pode um Natal sem pinheiro, sem rei mago (o Baltasar retirou-se) e com Jesus noutro presépio ser um Natal pobre e triste para os Sportinguistas? Pode, se o Natal não for o verdadeiro Natal. Neste tempo o que realmente conta não é o que se tem mas sim o que se é. Por isso, quando toda a agitação acessória, tão própria da quadra, cessar e olharmos para o que somos e à família que pertencemos  o que fica é a sólida certeza que só podíamos ser assim, Sportinguistas, ou mais nada. Obrigado a todos os que nos distinguem com a sua passagem por aqui, seja comentando ou apenas lendo. Boas Festas!
LDA
 
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"Como estamos na quadra natalícia, e sonhar não custa, gostaria que o Pai Natal - o meu equipa à Stromp - concedesse à Nação Leonina um presente: competência. Porque será ela que nos trará a tão ambicionada união, fruto do aumento da qualidade do trabalho efectuado e por conseguinte os tão ambicionados títulos. A todos os leitores do "A Norte" Boas Festas e que 2011 seja melhor que 2010."
JVL
 
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Foi um ano duro para os Sportinguistas, mais uma prova de fidelidade e militância ao nosso clube e aos nossos princípios. Será fácil dizer que tudo correu mal, mas felizmente tal não é verdade, um possível exemplo é aqui o “A Norte de Alvalade”, aqui vive-se Sporting de uma forma intensa e apaixonada, discutimos, acusamos, gritamos, somos racionais e emocionados, somos Leões! Todos temos razão, na base de qualquer argumento está um desejo, tornar o Sporting melhor, um clube tão grande como os maiores. O meu desejo para o futuro é ver a família reunida em paz e harmonia, não como leões amorfos, enjaulados e acossados mas como um grupo unido de reis da selva, agressivos, combatentes e vigilantes contra as hienas que nos atacam. Já sobrevivemos a 2010, venha de lá 2011. Nesta época de festejos e reunião familiar, quero desejar a todos, companheiros de edição,  comentadores e leitores um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo. Ergue-te Sporting!
LMGM
 
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Confesso que ao fim de viver mais de três décadas de festejos natalícios e com a excepção do meu filho, cuja imaginação não deixa de me surpreender, começou a ser complicado escolher presentes para oferecer aos meus entes mais próximos e, ainda mais, pedir ‘prendinhas no sapatinho’. De modo que, desde há uns bons anos a esta parte, à sazonal pergunta “o que é queres pró o Natal?”, adoptei uma resposta típica: “qualquer coisa relacionada com o Sporting”…

E, perguntam os nossos leitores mais curiosos, onde é que um episódio tão corriqueiro se encaixa com o que este post pretende? Simples, meus caros amigos leões, é que tenho a certeza que muitos mais milhares de sportinguistas têm episódios semelhantes para apresentar. E é o somatório de milhões e milhões de episódios banais como este, por nós protagonizados, que fazem do Sporting o COLOSSAL clube que é e que continuará a ser, eternamente! Assim sendo, os meus desejos para os nossos leitores e os meus companheiros ‘nortenhos’ são igualmente simples: que tenham um Feliz Natal (pintado de verde e branco) e que mantenham esse espírito leonino bem vivo no próximo ano de 2011!
VIRGÍLIO
 
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“Este é um Natal mais triste e amargo no universo Leonino. É inegável o desconforto e a descrença que se abateu em torno do nosso clube. Não escrevo desde Agosto e no meu último post, falava na “morte de Alvalade”. Bem sei que é um tema impróprio para ser relembrado numa quadra de vida como é o Natal, mas a verdade é que nos últimos tempos, Natal após Natal, o nosso Sporting parece que vai morrendo um pouco mais.

E porque este alerta deve estar presente em todos nós, urge para além de expressarmos livremente a nossa opinião, gerar esforços e concertar estratégias que voltem a erguer bem alto os valores e o nomo do Sporting Clube de Portugal. Se assim for, talvez no próximo Natal esta mensagem leve mais esperança e optimismo do que o momento actual.

Independentemente de tudo o resto, o Sporting vive em nós e nós no Sporting. A toda a família leonina, deixo votos de um Feliz Natal e um Ano Novo com muita saúde e sucesso.”
LEÃO TRANSMONTANO
 
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"O meu pedido de Natal desportivo anda à volta do 'sonho' que o Dr. Eduardo Sá Ferreira nos apresentou aqui há umas semanas atrás. E, de todas as dimensões que essa ambição encerrava, centro-me na união de todos os sportinguistas. Custa-me ver-nos desgastados em discussões ácidas e despudoradas. Se o Sporting precisa de todos, juntemo-nos todos para crescermos em conjunto e superarmos as adversidades. O adversário está lá fora. Desejo um bom Natal a todos os 'nossos' - todos os sportinguistas. Sporting Sempre!"
BRUNO MARTINS
 
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"Não sendo religioso, não deixo de aproveitar esta quadra para estar junto daqueles que me são mais próximos e desejar a todas as maiores felicidades para os próximos tempos. Dentro da nossa família leonina, o pensamento é naturalmente equiparável. Tal como as discussões que temos com aquele primo ou tio afastado, também no nosso clube temos as nossas desavenças e os nossos debates. No entanto, é mais forte aquilo que nos une do que aquilo que nos separe.

Durante largos anos, a família leonina soube manter-se unida de uma forma ou de outra, por isso, desejo que nesta quadra exista a oportunidade de consciencializarmos-nos da importância da nossa proximidade e crença pelo nosso ideal: Sporting Clube de Portugal. Boas Festas a todos"
HUGO MALCATO

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Em minha casa o Pai Natal é verde! É verde de esperança, repetida ano após ano, num mundo melhor para todos. É verde de raiva pelo caminho que o meu Clube vai percorrendo: derrotado mais vezes que o admissível, desagregado, onde todos têm as soluções milagrosas e entendem de futebol como mais ninguém no Clube. É verde de angústia por querer olhar para o futuro leonino e não ver aparecer nenhum Sportinguista, com vontade, saber e carisma, para reagrupar as gentes e reerguer o Clube. É verde para ensinar a nova geração que só há uma escolha possível. Mas em minha casa o Pai Natal é verde porque verde é a cor do nosso grande amor, o SPORTING CLUBE DE PORTUGAL! Um bom natal para todos e um 2011 cheio de vitórias do nosso SPORTING!
8

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

De um Sporting pouco conhecido

Da caixa de comentários deste blogue retiro algumas observações aqui deixadas pelo nosso consócio  Francisco Fernandes. A razão do destaque tem um motivo principal: são poucas as vezes que este estrato de associados tem voz na blogosfera, mas são uma parte incontornável de um todo.

O comentário, que pode ser lido na íntegra no post "O Sporting está unido",  é um "grito de alma", e tem referências históricas que merecem reflexão. É também revelador da preocupação que todos sentimos sobre o momento do clube. Para que a sua leitura possa ser feita sem "desvios de atenção" foram-lhe retiradas algumas referências à actualidade.

Factos foram os que vivi muito antes do Sr. João Rocha, o melhor presidente que o nosso clube teve! Por pouco me faltar para perfazer 70 anos e ser sócio desde os meus 20 anos, com passagem pela Guiné na tropa e Moçambique em trabalho sem nunca deixar de pagar as minhas quotas como sócio correspondente neste último caso, sei muito bem apreciar a grandeza do SPORTING e o sofrimento que nos causam os momentos menos bons que volta e meia atravessa. 

Acompanhei in loco certas AGs e tive com outros consócios de defender o JR de indivíduos vestidos como motards de ser agredido com os seus capacetes, erguendo uma barreira humana no palco onde discursava, no pavilhão mais próximo do estádio. Vivi muitos momentos menos bons do Sporting e nunca senti como agora as tensões e as fragmentações que se constatam actualmente, em que a internet tem o papel de caixa de repercussão dos dislates que se dizem e que a CS aumenta exponencialmente.

Continuo a afirmar que o momento não é nada bom e que jamais esperava ver o que se passa hoje com a nossa equipe principal de futebol. Se calhar também estou gágá e cegueta, como já li terem chamado ao expoente máximo do ecletismo do Sporting, quando ele afirmou que mesmo que acabasse o pontapé na bola o Sporting não morreria!

Eu comecei a adorar o SPORTING ainda criança por causa do ciclismo, numa aldeia dos contrafortes da Gardunha, ouvindo as chegadas da Volta a Portugal. Sofri e chorei com a final perdida na Taça Latina com o golo do Rogério "pipi", para os nossos rivais de sempre. Alegrei-me com as vitórias memoráveis que o futebol nos proporcionou na Taça das Taças, o hóquei nos tempos do nosso pavilhão a rebentar pelas costuras para apoiar o Ramalhete, o Rendeiro, o Chana, o Livramento, etc., também com o andebol, basquetebol, atletismo, ténis de mesa e futsal, e fiquei triste com desaires inesperados, como acontecia com tantos e tantos sportinguistas que na altura acompanhavam tudo o que era SPORTING.

Não recebo lições de sportinguismo de ninguém, mas também não me acho superior a qualquer outro que comungue do mesmo sentir. Penso pela minha cabeça e não vou nunca atrás de quem se afirma o dono único da verdade. Com o tempo e a idade aprendi que é preciso dar tempo ao tempo e nada acontece com um simples estalar de dedos e muito menos com violência, seja ela física ou verbal.

O barulho e o ódio só trazem ainda mais barulho e ódio, com as consequentes confusões e divisões. É o triste espectáculo a que se assiste hoje entre os sportinguistas para gáudio dos nossos adversários. Será que o ditado que diz: dividir para reinar se aplicará aqui?

Com um viva o SPORTING despede-se o Sócio nº 3.617-0 com game box desde que elas existem com lugar no sector A3,fila 7, lugar 25, nem sempre presente por morar em Abrantes,os jogos serem quase sempre à noite, usar óculos e ter que trabalhar, apesar de reformado, voluntariamente numa IPSS, como membro da direcção.

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