Sonho de um, pesadelo de muitos!
Quando Bettencourt anunciava, ainda como vice de Filipe Soares Franco, o seu sonho de um dia ser presidente do Sporting, acrescentava que esse era um projecto que teria que aguardar por maior disponibilidade, uma vez que os seus compromissos pessoais e profissionais não lhe permitiam abraçar tal empreitada. Passado uns meses JEB não conseguiu resistir ao apelo, fazendo com que a realização do seu sonho seja hoje o pesadelo de muitos Sportinguistas. Não me lembro, de João Rocha até hoje, de um presidente e corpos sociais que tenham sido tão rápidos a frustrar as expectativas. O caso dos actuais é até mais grave, tendo em conta o clima de união e esperança que a sua eleição suscitou, reunindo do mesmo lado vencidos e vencedores após o sufrágio.
Com o Sporting a disputar um mês de Fevereiro dramático, o Presidente ausentou-se para o Brasil, fazendo lembrar a fuga da família real aquando das Invasões Francesas. “A ralé que arroste contra as agruras do calendário que eu virei a tempo de segurar a chave do caixão onde se enterrará toda a época” é mensagem que fica.Valha a verdade que tanto faz que JEB esteja no Brasil ou em Lisboa, se levarmos em linha de conta o que têm sido a sua gestão, de Junho para cá. Mas convenhamos que é, no mínimo, uma falha gritante de percepção da realidade e um atestado de incompetência de quem se quer como líder.
Mas o Sporting não devia ser o triste “one man show” a que tem estado confinado. O Sporting é clube com corpos sociais eleitos, Direcção, Conselho Fiscal, Assembleia Geral e Conselho Leonino. Onde estão e o que fazem os seus elementos? Num momento em que os Sportinguistas olham em seu redor e vêm apenas exaltação e desvario, onde estão os que têm como missão liderar e dirigir? Dizem que os corredores de Alvalade são uma feira de vaidades, mas não é com certeza a vaidade e o orgulho de ser do Sporting a que se referem. O que faz afinal um Conselho Directivo, quantas vezes se reuniu desde a tomada de posse e que decisões tomaram? É que, a visibilidade da sua acção é nula, quando devia ser evidente, em particular em momentos como este. A não ser que estejamos a falar de um grupo de pessoas que se juntou com o único prpopósito de impedir outros de ocupar os seus lugares.A quem devemos temer mais? As acções de pdc´s, lfv´s vp´s, c.a.´s, ligas, etc, ou as inacções dos que estão dentro de casa?
Se das bancadas aos fóruns a inexistência de liderança se faz sentir, não se julgue que não chegou já ao balneário. Um treinador que enfrenta sozinho os maus resultados, e com contrato de seis meses, é um treinador que não tem autoridade sobre a próxima época, mas com implicações imediatas na presente. E se se pensa que, ao passá-lo pela trituradora no final da época, se diluirão todos os ossos que agora não se querem roer é iludir a realidade. De hoje até Maio há um caminho demasiado longo e penoso, num deserto que não permite fugas ou resguardos. Quem não souber atravessá-lo não chegará incólume ao seu fim, pelo que pouco adiantará os planos para então que agora faça, por mais mirabolantes que sejam.
Sei bem que muitos de nós são levados a reflectir sobre o clube apenas quando os resultados no futebol não aparecem. Uma vitória com os vermelhos na terça-feira desviarão os gritos de revolta para os gritos de vitória. Foi esse o problema das vitórias nas Taças e dos segundos lugares, especialmente porque alcançados sobre os de carnide. Não foi tê-las ganho e com isso termos enriquecido o Mundo Sporting. A auto-indulgência transformou-se numa morte (dos nossos valores e legado) a crédito.






















