terça-feira, 9 de novembro de 2010

O novo Pongolle

Ao contrário do que possam estar a pensar os Sportinguistas, não acredito que, por um segundo que fosse, JEB e Costinha alguma vez tenham equacionado a substituição de Paulo Sérgio.Afirmo-o por não ser difícil estabelecer um padrão na sua actuação e pensamento. E porque JEB conhecendo como conhece os seus consócios, como se provou no processo eleitoral, sabe que bastará o "pão e circo" das aquisições para tirar os olhos dos Sportinguistas do que realmente interessa. Falta só saber quem será o novo Pongolle. Sabe-se apenas que terá provavelmente uns centímetros a  mais  que o seu antecessor francês.

O Karma leonino

O pior que tem acontecido ao Sporting nos últimos anos é os Sportinguistas só acordarem depois do facto consumado. E muitos deles não perceberem que não é da responsabilidade de nenhum mau Karma ou maldição a sucessão de reveses, com vexames pelo meio. Esse é um sintoma de evidente debilidade do espírito leonino tal como o conhecíamos e o certificado de longevidade para a desresponsabilização. Os desaires estão para o Sporting como a dividida soberana para Portugal: não têm pai nem mãe nem familiares conhecidos. 

O que sucedeu ontem foi apenas mais um episódio entre muitos. Não foi apenas a expulsão ridícula de Maniche, a imagem da experiência que se procurava para colmatar o excesso de juventude. Ela apressou apenas o que o treinador se preparava para fazer acontecer. Tirar Coelho e Zapater da cartola partiu a equipa e estendeu o tapete ao Guimarães. Com Paulo Sérgio esta equipa não passará de um espectáculo de “cascadeur” preso a um show repetitivo, incapaz de ler as mudanças do jogo ou de ser adaptar às circunstâncias. Do entusiasmo de muitos, que nunca partilhei, resta agora o enjoo e o fastio.

O conformismo em breve tomará o lugar da indignação. Por isso desvalorizo as reacções de circunstância, de muitos que, durante os meses que antecederam esta época ou a época transacta, preferiram atirar a matar sobre os avisos que poucos iam lançando, recusando-se a ver o óbvio e a parar um segundo que fosse para pensar.

Não era altura de finalmente percebermos que não foi o azar que geriu mal o património imobiliário, que construiu um estádio de azulejaria de gosto duvidoso e sobre o qual já nem a totalidade dos direitos possuímos? Que não é por azar que hoje somos menos num estádio novo mas cheio de problemas, que não temos pavilhão, ou que somos desconsiderados ou ignorados pelas entidades oficiais, parceiros e ou patrocinadores, ou que os resultados desportivos são os que se sabem, o passivo cresce mas o património diminui?

O relvado é apenas mais um dos muitos problemas cuja resolução se arrasta e que qualquer dia entrará no anedotário nacional. Na semana passada publicamos aqui uma entrevista de um profissional especializado em relvados sintéticos. Pareceu-nos essa a prioridade, tendo em conta as declarações presidenciais e imposição feita pela a agenda mediática. Mais ainda por representar uma solução certificada pelos profissionais que a utilizam, não ignorando que o SLB a utiliza cada vez que se desloca ao Norte do País.

Desde a semana passada que temos pronta uma entrevista com um representante de uma empresa especializada em relvados naturais e que, pelo trabalho realizado, é considerada uma referência na matéria. Com a publicação dessa entrevista fecharemos um capítulo, no qual procuramos dar aos Sportinguistas as ferramentas necessárias formarem um juízo sobre um processo que, a não ser bem trabalhado, pode acarretar consequências que, em última análise, resultarão em mais uma agressão ao orgulho leonino.

“Eternal sunshine of the spotless mind”

O futebol do SCP transformou-se num ridículo processo de deja vu de anteriores dejá vu (perdoem-me o franciú)… Um truque que a mente nos prega, sobre a eventual repetição dum acontecimento virtual que é experienciado na realidade… Não sei se será bem a mesma coisa, mas expliquem-me lá, porque é que raio, ainda hoje dei comigo a temer, após a expulsão do Maniche, uma reviravolta épica da equipa adversária? A desejar uma coisa, e a temer o seu oposto… Sonho? Realidade? Acreditem que o pesadelo do 2 -3 passou-me pela mente, logo após ao momento da expulsão. E, claro, como não podia deixar de ser, aconteceu. Here we go again…, ahhh, aquela velhinha e 'leonina' sensação, logo após o primeiro golo vimaranense. A certeza, do consumar da derrota, surgiu apenas poucos segundos depois com o segundo. Estava iniciado o processo… bastava a guardar o seu desfecho. É infalível... Deve ser por isto, que a leitura das caixas de comentários após o jogo de hoje contra o Vitória de Guimarães não pôde deixar se ser, para mim, um exercício terrível e absurdamente onírico…

Explico-me: o filme, cujo título repito neste post, passa-se essencialmente na mente de um gajo quando, por despeito, decide envolver-se num procedimento que permite apagar da memória o seu grande amor, depois deste(a) o ter apagado anteriormente a si da sua memória. É como eu estou capaz de me sentir hoje: despeitado (por este SCP que não respeita nenhuma memória...nem a sua, quanto mais a minha), desesperado e prestes a entrar num processo de apagamento e com isso, eliminar todas as memórias mais amargas.

Mas, descansem, não me serviria de nada. Porque o SCP assemelha-se, cada vez mais, a uma espécie de história de um amor tumultuoso e alienado, que mil vezes repetida, não deixa de acabar (quase) sempre mal. Apesar disso, também entranhadamente belo, com episódios deveras marcantes, com tudo para poder dar certo. Sei que vou-me reencontrar com aquele meu grande amor ao virar da próximo acordar, apaixonar-me irremediavelmente, encher-me de eternas fugazes esperanças, apenas para repetir o novo velho episódio. É já a seguir, num estádio próximo de si, não percam no próximo ‘capítulo’:

“Dark green, almost black”… Digam lá, se não tem toda a pinta para acabar igualmente mal?...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Raiva


É mesmo a quente que resolvo fazer este post. Só me apetece insultar e agredir o Maniche. Como é que um jogador com a experiência deste imbecil, se expulsa deste modo!?!?! Não só prejudica a equipa neste jogo, sendo o principal culpado da derrota de hoje, como irá certamente falhar o jogo com o fcp.
Já na luz tinha sido expulso de uma maneira completamente parva, agora fez ainda melhor. Comigo, passaria as passas do Algarve!!! Com a recuperação do Pedro Mendes e com o Zapater, penavas um bom bocado meu grandessíssimo c**!

Estava eu a pensar chegar aqui e falar de quão bem tínhamos ganho, do melhor jogo em casa da época para o campeonato, de uma boa dinâmica, do jogo que Vuk - parecia o da 1ª temporada, Valdés e Postiga fizeram, da azia patente nos comentários manhosos, da constante lembrança do 2º golo, para em 3 minutos, tudo isso mudar e deixar de ser relevante.

Como é possível uma equipa com ambições ao título, esbanjar uma vantagem confortável, a jogar em casa e sem pressão alguma em 3 minutos!?!?

Nem a oportunidade de ascender ao 2º lugar é aproveitada...

Tivemos N oportunidades de fazer o 3º golo e matar o jogo mas não. Seria demasiado fácil. E como não queremos facilidades, e tendo o Guimarães sido completamente inócuo durante 70 minutos, vamos jogar com 10! Assim não há treinador que resista.

Destaque pela positiva por parte do Guimarães de João Ribeiro, Bruno Teles e Targino. Da nossa parte, Postiga, Valdés - saiu antes do descalabro - e Vuk.

PS: Como é que é a música da JL que compara o Maniche ao Moutinho? DASS!!!

PPS: Por respeito a quem nos lê, contive-me ao máximo na escrita do post.

Subir com a(o) Vitória

O blogue "OVimaranes" é um dos mais prestigiados blogues de clubes. Esta semana  solicitou a colaboração do "ANortedeAlvalade" para a realização de um artigo antecipando a jornada de hoje, o que muito nos honra. Este é o seu teor, num post de autoria conjunta do Hugo Malcato e do Bruno Martins:
 
Num exercício de antevisão, uma partida com o Vitória de Guimarães nunca poderá ser considerada fácil por parte de qualquer adepto leonino. Na nossa opinião, há muito que os vimaranenses se encontram numa posição privilegiada dentro do futebol nacional, sustentada pelos seus resultados desportivos e alicerçada numa massa adepta fiel e dedicada – um exemplo no que concerne aos adeptos fora do grupo dos “Três Grandes”. Para quem está baseado A Norte de Alvalade, o jogo em Guimarães é sempre um evento de presença obrigatória, enquanto que a partida de Alvalade proporciona a recepção à massa associativa que, para além dos chamados “Três Grandes”, mais adeptos movimenta em Portugal.

Embora nas mais diversas gerações do futebol nacional tenha existido sempre um clube a aproximar-se da luta entre Sporting, Benfica e FC Porto pelas posições cimeiras da classificação – Académica, Vitória de Setúbal, Belenenses, Boavista e mais recentemente, SC. Braga – não é menos verdade que o Guimarães quase sempre se manteve em posição de destaque. Nos tempos recentes, apesar da despromoção à Liga Vitalis, num ápice regressou com pujança e alcançou um lugar para disputar o acesso à Liga dos Campeões.

Falando em termos estatísticos, pouco há a dizer em relação às últimas dez temporadas, onde o melhor que o adversário conseguiu foi um empate em Alvalade na época de 2002-2003. No entanto, do ponto de vista histórico, muitos são os pontos de ligação entre os dois clubes.

No contexto actual, desde logo, existe a curiosidade de ver o actual técnico do Sporting, Paulo Sérgio, a defrontar a equipa que lhe proporcionou a visibilidade para voos mais altos. Além disso, duas das principais referências do Sporting dos últimos anos, Pedro Barbosa e Paulo Bento, passaram fases importantes das suas carreiras em Guimarães. A estes juntam-se outros atletas que serviram as duas equipas recentemente, como Quim Berto, Pedro Martins, Capucho, Nuno Assis, Silva, João Alves e Custódio.

Para finalizar, deixamos referência a duas partidas da última década que, por motivos diferentes, deixaram uma marca nas nossas memórias desportivas.

2001 – 2002 Sporting 5 – 0 V. Guimarães

O poderoso Sporting de Lazlo Bölöni onde pontificavam Mário Jardel, Marius Niculae e João Pinto goleia a equipa comandada por Augusto Inácio que se apresenta em Alvalade sem receios, praticando um futebol ofensivo e disputando o jogo pelo jogo. Naquela época, grande parte das equipas optou pela contenção em Alvalade mas o resultado dilatado verificado neste jogo em muito se deveu à postura positiva dos vimaranenses. Nesse dia, Hugo Viana faria a sua primeira assistência para golo de Mário Jardel, já no decorrer do segundo tempo.

2004 – 2005 Sporting 1 – 0 V. Guimarães

Em 9 de Maio de 2005 o Sporting preparava-se para entrar numa semana decisiva em que se deslocaria à Luz para defender o seu primeiro lugar no campeonato e em que jogaria a primeira final de uma competição internacional em mais de 4 décadas. Antes dessa semana que se revelaria desastrosa para o Sporting de Peseiro, porém, o Sporting teve uma vitória difícil conseguida contra um adversário valioso num Estádio de Alvalade com perto de 40 000 pessoas e com um ambiente poucas vezes repetido desde então. Para além do golo de Rodrigo Tello, o jogo ficou marcado pelo cartão amarelo que Liedson viu já nos descontos e que o impediu de defrontar o Benfica na Luz na jornada seguinte.

Como sempre sucede antes de um jogo entre Sporting e Vitória de Guimarães, estão reunidas todas as condições para que a partida de segunda-feira seja um grande espectáculo. Esperamos que assim seja.

domingo, 7 de novembro de 2010

Mau!

O excelente resultado alcançado hoje pelo FCPorto é mau para o campeonato e, por isso, um mau resultado para nós. Não só porque foi conseguida por André Villas Boas, Moutinho e Varela, com uma exibição de luxo de todos eles. Mas porque nos limita os horizontes, na melhor das hipóteses, ao segundo lugar. Ora, como tudo indica, que essa luta terá que ser dirimida com o SLBenfica, corremos o risco de, mais uma vez, os Sportinguistas se distraírem do que é elementar: A única luta que nos deve interessar é a do primeiro lugar. O resto é consolação.

Uma última nota para a dissonância entre a classe da equipa azul e branca e alguns dos seus profissionais e uma larga franja eternamente parola e boçal dos seus adeptos. Esta gente dá má fama ao Porto e ao Norte do País.

Se o ridiculo matasse

Começou por circular por alguns mails de sportinguistas, passou a fronteira clubista, tendo chegado à blogosfera. Falo de uma fotografia onde, pretensamente, José Eduardo Bettencourt teria sido fotografado num evento privado, segurando um copo na mão e de camisa desabotoada.

Como um assunto rasteiro como este sobe ao Conselho Leonino é algo que, em última análise, não só comprova a inutilidade deste órgão social como lança a dúvida sobre a dignidade com que alguns conselheiros encaram a função em que foram investidos. Se é inadmissível trazer para o domínio público algo que aconteceu no âmbito privado de um indivíduo, seja ele quem for, é absolutamente inqualificável fazê-lo com base num embuste, de forma absolutamente primária.

Aquilo que não podia ser mais do que um bom sketch humoristico ganhou honras de noticia no Correio da Manhã, depois de ter sido abordada de forma sub-reptícia, a vários níveis, durante as semanas anteriores. A sua publicação é má para o Sporting Clube de Portugal. Demonstra à saciedade uma certa decomposição no seio das elites leoninas. De um lado e de outro da barricada parece agora valer tudo. Entretanto a resolução dos problemas do Sporting fica para as calendas, enquanto na agenda se sobrepõe os problemas resultantes das colisões de egos mais ou menos hipertrofiados.

É uma má noticia para os Sportinguistas perceber que, na actual conjuntura, se já pouco ou nada esperam de quem os governa o mesmo ou pior sucederia com os que se acham capazes de lhes suceder. A ideia aqui deixada ontem no discurso de Eurico, de que "Falta gente com discurso e sangue à Sporting"é afinal muito mais abrangente do que muita vezes se quer fazer confinar.

O que os que se querem constituir como alternativa parecem nunca mais perceber é que atitudes como a que deram origem à notícia de hoje do CM são, em última análise, a “pensão vitalícia” para establishment do Edifício Visconde de Alvalade.

P.S.: continuando a falar do ridículo, já viram hoje a 1ª da “Bola”?

sábado, 6 de novembro de 2010

"Falta gente com discurso e sangue à Sporting"

Eurico foi dos melhores centrais portugueses que vi jogar. Jogador de capacidades técnicas excepcionais, com uma inteligência natural para ler o jogo, seria hoje seguramente jogador de uns dos maiores clubes europeus, daqueles que, quando querem um jogador, o dinheiro é apenas uma formalidade a cumprir. Hoje o I publica uma entrevista com Eurico, na qual revela a sua faceta de jogador à antiga, dos que preencheram o meu imaginário de menino e as cadernetas de cromos. Irreverente e controverso como sempre esta é a sua visão sobre o clube onde se sagrou campeão por duas vezes:

Dos três grandes, onde preferiu ser campeão nacional?

No Sporting. Tem força clubística. É uma pena que agora já não seja assim. É aquele clube em que os sócios não deixam de ter um sentimento genuíno, muito próprio. E é o que tem ganho menos. Há qualquer coisa ali que devia ser estudado. Tanta grandeza, tanta força e tanta fidelidade. Falta gente com discurso e sangue à Sporting. Ao longo das décadas, o Sporting vai-se afastando dos grandes. É um clube de investimentos. Na minha altura, era um clube de vitórias. O que ainda sobrevive é a paixão dos adeptos pelo Sporting.

Depois dos três grandes, acabou a carreira em Setúbal, com duas épocas (1987-89). Ao lado de Meszaros, Jordão e Manuel Fernandes, seus companheiros no Sporting.

É verdade. Grandes amigos, grandes jogadores.

Há um golo do Jordão que circula aí como um dos mais espectaculares de sempre...

Sabes que estava a marcá-lo nesse dia [30 de Janeiro de 1983]? Eu. Antes de mais, adoro o Jordão. É um ser humano muito, muito, muito sui generis. É coerente e inteligente. Um dos meus melhores amigos do futebol. Cinco ou seis anos antes de acabar a carreira, já estava saturado do futebol. E era um predestinado. E um predestinado nunca se chateia do que gosta, mas o problema é este mundo do futebol. As pessoas e tudo aquilo que anda à volta dele. O que é que ele fez? Abandonou a carreira e orientou a sua vida pelas artes plásticas. É um homem realizado sob o ponto de vista mental.

E o golo?

Às vezes, ainda discuto com ele sobre se ele fez de propósito ou não. É uma bola cruzada, tipo centro-remate e ele antecipa-se ao defesa, que sou eu. Na antecipação, eu espero que ele controle a bola. Em vez disso, ele mete a parte lateral da bota, calcanhar, e atira à baliza do Amaral, que não tinha a mínima hipótese. Foi no topo sul do antigo Alvalade. Um golo de antologia. De museu. Esse jogo acabou 3-3 e ele marcou os três golos. Mas isso não é tudo. Havia gestos técnicos, dribles e golos nos treinos que nos faziam ficar a olhar para ele. Eu fui um privilegiado por trabalhar com ele. De verde e branco [Sporting e V. Setúbal]. E também de encarnado [Benfica e selecção nacional, no Euro-84].

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Critérios

Basta olhar para as primeiras páginas dos jornais de hoje para perceber a mossa que resultados como o de ontem provocam no prestígio do Sporting Clube de Portugal. Não adianta agora protestar contra a duplicidade de tratamento revelada na desfaçatez de títulos como “Leão tenrinho” e “Leão domado”  e que não foi usada em ocasiões idênticas com outros intervenientes.

Para Paulo Sérgio tudo se parece resumir à eficácia ou falta dela, seja nossa ou do adversário. Uma leitura minimalista com a qual estou longe de concordar. Bem como com a pretensa gestão feita no plantel, que ainda é mais difícil de compreender quando a equipa dispõe desta vez do tal dia extra de recuperação, cuja falta tantas queixas havia suscitado ao treinador na jornada anterior. Parece-me indiscutível que as melhores cautelas, isto é , a melhor gestão seria ter assegurado de imediato a qualificação, prosseguindo a senda de bons resultados e com isso a recuperação do ânimo no balneário, no relvado até às bancadas. Para depois não andar a caldos de galinha...

O futebol é um jogo colectivo, pelo que o treino e os automatismos colectivos são decisivos, superando bastas vezes a soma dos valores individuais. Não é uma sopa de letras, onde se misturam os ingredientes bastando esperar depois pelo ponto de cozedura. Talvez fosse bom lembrar Paulo Sérgio que a pré-época, seja lá o que isso for, já terminou há algum tempo.

PS- A propósito de desigualdade de tratamento, todos se lembrarão de quantas vezes já apareceu Pepe na comunicação social, e até entre nós, como exemplo de uma falha indesculpável na politica de recrutamento. Até agora ninguém pareceu incomodado com a passagem anónima de Thiago Silva pela equipa B do FCPorto e  a sua ascensão meteórica ao escrete. Critérios.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Dois amarelos…



Um vermelho! Foi isso que o Sporting trouxe hoje da Bélgica, um cartão vermelho na forma de uma derrota pesada e escusada, contra uma equipa que não tem arte nem engenho, mas que corre e se esforça dentro de campo.

As já típicas revoluções de Paulo Sérgio deram origem a uma equipa onde obviamente as rotinas e a consistência de jogo não existiam. Mesmo assim pedia-se mais quer a nível táctico, quer de controlo emocional. Este deveria ser um jogo fácil onde a mera ocupação dos espaços permitia recuperações e a qualidade individual dos nossos atletas faria mais cedo ou mais tarde estrago na baliza adversária.

Foi o contrário, um jogo de corrida, muita corrida atrás da bola (e não com a bola), quezilento, perdulário no passe e na paciência. Foram 90 min. a correr atrás de um prejuízo que chegou cedo e nunca foi anulado.

Nada está perdido, o Sporting é muito superior a qualquer das outras equipas do grupo e vai garantir a passagem tranquilamente, mas nada de positivo vem de derrotas. Quebra-se um pouco a confiança que vinha a ser construída, baralham-se os adeptos e a equipa. Abel fica ligado a esta derrota, ele que antes do jogo era o jogador talismã (com ele em campo não se perdia). Foi um capitão desastrado, com faltas infantis e incapaz de transmitir tranquilidade aos seus homens. Também não teve grandes ajudas, principalmente numa defesa que espero tão cedo não ver repetida e que recebeu como correctivo pelos seu erros três golos.

Salva-se no meio desta tormenta, a estreia de Cédric Soares, e o golo (belíssimo) made in Academia Sporting, André Santos, Cédric e Saleiro. Bonito, simples e eficaz.

Relvado superlativo absoluto sintético

Satisfazendo o compromisso com os nossos leitores, debruçamo-nos hoje sobre o assunto que tem ocupado grande parte das conversas entre os Sportinguistas: que soluções para o relvado de Alvalade. Pretendemos com este trabalho que todos saibam do que falam e do que está em jogo quando se pronunciarem sobre relvados sintéticos. Apesar de existirem há muitos anos, pouco se sabe acerca desta tecnologia, embora quase todos tenham uma ideia formada sobre o assunto.

Se o Sporting vai ter um piso sintético pois que tenha o melhor. A que é tida como modelo de referência no mercado mundial é precisamente a que está instalada no estádio do Bessa. Para nos explicar tudo sobre o que são as alternativas existentes aos relvados naturais hoje à disposição dos clubes entendi consultar a Global Stadium, a empresa responsável pela solução. Para isso contei com a prestimosa colaboração do Eng.º Luís Botas, técnico e sócio gerente da empresa.

Quando estabelecemos os primeiros contactos ainda não se tinha desencadeado o processo mediático que hoje envolve este assunto. Lembro que esta questão já aqui havia sido levantada há cerca de um ano,  através de um artigo do Gabriel Almeida. Pode-se dizer que de certa forma o “ANortedeAlvalade” acabou por ser ultrapassado pelos acontecimentos, uma vez que a nossa produção é artesanal e amadora. No entanto, julgo que a pertinência desta entrevista se mantém, porque foi realizada focada nas preocupações e nas questões que hoje assolam os adeptos, que é o que nós somos afinal.

No seguimento desta entrevista contávamos entrevistar Vítor Golas, mas a suas opiniões foram já largamente difundidas e não faria muito sentido repeti-las aqui. Assim, para uma abordagem independente de um profissional, colocámos ao Dr. Jorge Pinto Sousa, responsável pelo Departamento Médico do Boavista. 2 questões. Pareceu-nos o elemento ideal para ajudar a esclarecer as muitas interrogações que os sintéticos ainda suscitam relativamente a lesões.

Para uma segunda fase contamos apresentar aos leitores uma outra abordagem técnica, de uma empresa também ela referência na construção e manutenção de relvados, para que os Sportinguistas tenham uma visão abrangente da problemática relativa ao relvado de Alvalade.

Questões colocadas ao Eng.º Luis Botas:

Do que estamos a falar quando falamos de relvados artificiais?
Não é fácil dividir os relvados artificiais por “tipo”. Prefiro falar em sistemas de relva sintética, que no seu todo abrangem a base, as suas redes de drenagem e rega, a relva propriamente dita e o respectivo material de enchimento. Para cada um dos componentes existem várias opções que, em conjunto, e depois de bem instaladas, deverão funcionar da forma mais aproximada a um bom relvado natural.

Sei que conheceu in loco o relvado do estádio Luzniki. É de algo semelhante que estaríamos a falar para o estádio de Alvalade ou , p.ex. dos relvados que existem hoje na Academia?
Entendo que a solução que está instalada no Estádio Olímpico de Moscovo não é a melhor solução que o mercado oferece. E a minha opinião tem por fundamento as opiniões avalizadas de quem joga ou lida diariamente com campos dotados de granulado de borracha (incluindo o Luzhniki) e em campos com Geofill, como o do Bessa e o Silvio Piola (Novara)*. Mas para um clube com a dimensão do Sporting será fácil auscultar essas e muitas mais opiniões. O Sporting, porque a sua grandiosidade facilita os contactos, chegará onde for necessário para alicerçar a decisão que tomar.

Não é por acaso que, depois de visitarem o Estádio do Bessa, os responsáveis do Luzhniki de imediato encetaram contactos com a Italgreen para apresentar proposta para a substituição do actual relvado (com granulado de borracha) pela solução com Geofill.

Deve ser dada a oportunidade de opinar aos profissionais que já experimentaram relvados com Geofill, como o do Bessa, e relvados com Granulado de Borracha, como o Luzhniki. Ainda hoje falei pessoalmente com o Victor Golas, que me disse que o relvado do Bessa é incomparavelmente superior a qualquer outro em que já tivesse jogado! Perguntem ao treinador do Boavista se prefere o relvado sintético com cargas de enchimento de Granulado de Borracha ou de Geofill.

Sobre a pergunta que faz acerca dos campos da academia, sei que são com granulado de borracha, da marca do que está instalado no Luzhniki. Não sei se é o mesmo modelo de relva. Estes relvados, com granulado de borracha, já vulgares e acessíveis ao uso público, são e continuarão a ser uma solução passível de preencher os requisitos necessários à obtenção de certificado FIFA DUAS ESTRELAS, pelo que serão superfícies, se bem instaladas, passíveis de ser utilizadas por futebolistas profissionais. Mas compreendam que estamos a falar do Estádio José Alvalade! E esse merece o que os profissionais mais gostam! E estes, segundo TODAS as opiniões que me chegam, são amplamente favoráveis aos relvados com cargas de Geofill.

Sinto-me perfeitamente à vontade para abordar este assunto. Dos 10 relvados detentores de certificado FIFA DUAS ESTRELAS em Portugal, a Global Stadium foi responsável pela instalação de 8. E desses 8, 7 foram executados com cargas de enchimento de granulado de borracha. Tal facto prende-se com a questão económica. Os nossos clientes são, sobretudo, clubes não profissionais. Pela sua dimensão, a disponibilidade financeira para optarem por uma solução com Geofill é inferior. Não é por acaso que só agora estamos, em Portugal, a construir o 2.º campo de futebol 11 com Geofill, no Barreiro (a obra ainda está muito atrasada). Entretanto já construímos um em Cabo Verde e outro em Angola. Podem facilmente ver as imagens destes no nosso facebook.

O estádio de Alvalade já teve um relvado em que parte da sua constituição era sintética, á semelhança do que possuía então o Real Madrid. Falamos de algo que se lhe assemelha?
Não. A solução que preconizo não está dotada de relva natural, como o sistema DD Grassmaster em tempos instalado no Estádio José Alvalade. Entendo que este, numa fase inicial, poderá ser uma boa solução. O problema surge quando, no intuito de promover a manutenção das performances de drenagem e a maior duração e qualidade da relva natural constituinte do sistema, se torna necessário promover o arejamento da base que o sustenta. A impossibilidade de realizar, por exemplo, uma furação, leva a que, num curto espaço de tempo a superfície de jogo perca a capacidade drenante. Quem não se lembra do jogo do Porto em Madrid, realizado há já alguns anos, em que o relvado da Santiago Bernabéu mais parecia um lago? Essa evolutiva diminuição irreversível da capacidade drenante impede, como é lógico, o bom desenvolvimento e a boa resistência das plantas que são parte integrante da superfície.

A solução que entendo ideal passa pela instalação de relva 100% sintética, com cargas de fibras orgânicas (Geofill). Na composição do Geofill não entra a cortiça, como já vi insinuarem. Visitei há pouco tempo um relvado em Itália com essa solução. Tinha chovido uns dias antes… e a cortiça estava a boiar. Ao contrário, o relvado do Bessa ultrapassou com distinção o Inverno rigoroso que atravessamos e a semana que passou, farta em chuvas intensas.

O estádio do Bessa é uma espécie de bandeira da vossa companhia. Mas, para lá desse caso emblemático, não se conhecem outros. Talvez por isso os relvados sintéticos são associados apenas como solução de recurso de equipas de escalões de formação ou secundários. Acha possível inverter esse estatuto?
Essa é uma tendência incontornável. O Geofill permitiu mudar a reacção dos mais exigentes profissionais em relação aos relvados sintéticos. Será uma questão de tempo! Não podemos ignorar o feedback extremamente positivo de quem já experimentou o Bessa. A dimensão positiva da reacção aumenta quando se refere, como termo de comparação, qualquer relvado com granulado de borracha.

Nunca me ouvirão dizer que a relva sintética é melhor que um excelente relvado natural. Este é e será sempre a superfície ideal. Mas só acessível a quem pode dar-se ao luxo de ter um estádio disponível para ser utilizado pouco mais de uma vez por semana. E, mesmo assim, com custos de manutenção avultados. E, mesmo assim, porque falamos de seres vivos que requerem adaptação ao ambiente em que se inserem, poderá não ser viável, como se conclui ser o caso do Estádio José de Alvalade.

Mas creiam que a relva sintética com cargas de Geofill é melhor que grande parte dos relvados da nossa Liga Sagres. E mantém as condições ideais para a prática de bom futebol. Não acham estranho que na época passada equipas do nosso principal escalão, em dias de maior intensidade pluviométrica, tenham pedido ao Boavista para ir lá treinar? (Naval, Rio Ave e Leixões são os exemplos que conheço). E alguns repetiram a experiência. Atendendo à objecção de consciência que, por defeito, existe por parte dos profissionais em relação aos sintéticos, é de realçar esta preferência: No caso do Rio Ave, que até tem um relvado sintético de treinos (com granulado de borracha), é de realçar o facto de fazerem 30Km + 30Km para ir ao Bessa, quando podiam treinar em casa. Se não fosse pela qualidade, seria muito mais simples pedir a uma equipa para ir fazer um jogo treino ao seu próprio sintético. Sinto-me perfeitamente à vontade para falar sobre este caso porque também fui eu que o construí.

Os relvados sintéticos são frequentemente associados a lesões. Umas a nível traumático, por se tratar de um piso duro e por “prender as chuteiras”, outros do tipo abrasivas, causadas pelo material de que são constituídos. Essa associação faz sentido ou não?
O estudo a que tive acesso conclui que as lesões que não obrigam a paragem prolongada são mais frequentes em relvados sintéticos. Conclui o mesmo estudo que as lesões mais graves, associadas a paragens prolongadas, são mais frequentes em relva natural.

A dureza dos pisos sintéticos aumenta ao longo do tempo de uso, mas é facilmente resolúvel com uma operação de descompactação. Temos que nos convencer que a relva sintética, apesar de menos onerosa em termos de manutenção, não pode passar sem ser devidamente cuidada. E a natureza desses cuidado inclui, entre outras intervenções periódicas, a operação de descompactação. Todos os fabricantes que conheço a referem no seu manual de manutenção! E também a relva natural deve ser periodicamente descompactada! Neste caso não só por motivos inerentes ao conforto da superfície, mas também pela necessária promoção da melhor drenagem e do melhor desenvolvimento das plantas.

Outro inconveniente associado à utilização do relvado artificial é o comportamento diferente da bola, descrita habitualmente como mais saltitante e deslizando de forma diferente que no relvado natural. O que nos pode dizer sobre isso?
A interacção entre a bola e a superfície de jogo (rolamento, ressalto, comportamento angular, entre outros) faz parte dos requisitos objecto de análise por laboratórios acreditados, e são de preenchimento essencial para obtenção do certificado da FIFA. Os valores obtidos deverão situar-se em intervalos admissíveis que são comparáveis ao relvado natural, usado como referência.

É lógico que têm que existir diferenças entre os sintéticos e os naturais. Mas essas são, fruto da tal objecção de consciência, demasiado empoladas. Os relvados sintéticos evoluíram muitíssimo, provocando já a opinião favorável de muitos profissionais. E o grande passo nesse sentido foi o aparecimento do Geofill!

Como se comporta o relvado artificial perante a chuva intensa, como por exemplo as verificadas no jogo em Coimbra, entre a Académica e o FCPorto?
De certeza que se comportaria bem, dando todas as condições para a prática de futebol. Estou certo de que estamos a falar de um dia impróprio para a prática de futebol. Não tenho valores, mas acredito que tenham caído bastantes mm de água por m2, à semelhança do que aconteceu também nos dias anteriores. Ouvi as declarações do Renato Queirós a uma rádio, dando conta de que o relvado do Bessa se manteve excelente para a prática de futebol.

Importa aqui realçar que esse é um dos factos que justifica a minha normal referência a “sistemas de relva sintética”, e não a “relvas sintéticas”. A melhor relva, bem instalada, mas sobre uma base mal executada, ou com problemas de drenagem, não funciona bem, sobretudo em dias de maior pluviosidade. Temos que olhar para um relvado como um conjunto de peças que deverão encaixar na perfeição. Imaginem um Mercedes com pneus de triciclo… Aproveitando a comparação com a indústria automóvel, fará sentido dizer que o Geofill é a direcção assistida, hoje em dia essencial a qualquer profissional que viva da condução!

Os custos de instalação e manutenção de um relvado artificial diferem em muito de um natural?
Sim, diferem. Os custos de instalação de um relvado sintético são consideravelmente superiores aos de um relvado natural. Os custos de manutenção são, por sua vez, muitíssimo inferiores.

Sendo uma tecnologia muito recente que longevidade se pode esperar de um produto como o vosso?
Considerando a boa execução das operações de manutenção, entendo que podemos assegurar uma longevidade mínima de 8 a 10 anos.

O Sporting utilizou várias vezes o seu estádio para a realização de concertos. Mas os prejuízos daí resultantes desaconselharam essa prática. Com um relvado artificial o Sporting poderá ver regressar esse tipo de eventos e, consequentemente, receitas extraordinárias?
Claro que sim!

Quanto tempo demora a ficar disponível para a prática desportiva um relvado artificial, após a utilização massiva como a de um concerto?
Entre 3 e 4 dias após a desmobilização do palco. Tão só precisamos do tempo necessário à boa execução de uma intervenção de manutenção extraordinária.

Há pouco tempo o treinador do Boavista lamentou a excessiva dureza do piso do Bessa. O que tem a dizer sobre isso?
Abordei esta questão em resposta a pergunta anterior. Posso reafirmar que esse problema não existe. A descompactação faz parte do plano de manutenção de qualquer relvado.

Quem lê o vosso site na secção de testemunhos verifica que nomes de profissionais reputados, jogadores ou treinadores como Sérgio Conceição, Paneira, Moreira, Zé Mota, Pacheco, etc, são pródigos em elogios ao vosso produto. Num meio como o futebol, onde a suspeição é um facto quase diário, não teme que tantos encómios possam ser mal interpretados ou é apenas bom trabalho de casa?
As reacções são desinteressadas e emitidas por pessoas que, melhor que ninguém, e por todo o passado que têm, podem dar uma opinião avalizada. E o bom-nome que têm merece respeito. Será que as opiniões só são credíveis se forem desfavoráveis?

O estádio de Alvalade é um dos estádios de elite do futebol europeu e onde se podem vir a realizar jogos para o Mundial Ibérico.O estádio pode perder esse estatuto e, em consequência ser afastado do evento?
Não! Talvez esse receio faça sentido com o relvado actual! Acreditem que a solução que defendo é a melhor para Alvalade, e que agradará a todos os que a usarem!

É verídica a informação de que a homologação do relvado a ser levada a efeito pela FiFA se pode arrastar por 6 meses?
Não!!! Nem pensar nisso! A FIFA é extremamente eficaz e célere no processo de certificação. Dos imensos campos cuja construção me foi confiada ao longo dos anos, 13 foram merecedores da intenção de certificação por parte do Dono de Obra. Desses 13, todos passaram com sucesso nos ensaios de aferição dos critérios FIFA. E não me lembro de algum processo de certificação ter demorado mais que 1 mês!

Já viu vários jogos em relvados sintéticos, mas por certo que os naturais são a sua referência. Já deu consigo a pensar num desses jogos “isto no relvado natural não acontecia”. E do lado dos adeptos?
Não, já aconteceu o contrário! Tenho uma história curiosa que se enquadra na resposta à pergunta. Há tempos, sentado na bancada a ver um jogo da Liga Sagres, tinha ao meu lado aquele que é, para mim, um dos mais habilitados especialistas em comentários desportivos, cujo nome prefiro não divulgar. No seguimento de um ressalto de bola estranho e inesperado, resultante de uma irregularidade do relvado, disse-me “No Bessa isto não acontecia…”.

A vossa empresa é uma potencial fornecedora do Sporting, agora que se sabe da forte possibilidade (95%, segundo o presidente) de o Estádio de Alvalade vir a ter um relvado sintético?
Esse é o nosso grande desejo! Seria o corolário de todo o esforço que temos desenvolvido na aposta de um serviço Premium nesta área. Um serviço de Qualidade Superior! Estamos convictos do caminho que seguimos até agora e do que queremos continuar a seguir. E tudo faremos para cumprir o nosso sonho! E esse passa pelo Estádio José Alvalade!

O que significaria para a vossa empresa um contrato com um clube como o Sporting Clube de Portugal?
Significaria o reconhecimento do trabalho desenvolvido por uma empresa portuguesa que, nesta data, será aquela que, a nível mundial, instalou mais relvados sintéticos detentores de certificado FIFA DUAS ESTRELAS válidos.

Significaria a enorme satisfação de sentir que o Sporting tomou a melhor decisão!

Independentemente de quem seja o futuro fornecedor da solução a instalar em Alvalade, como profissional especializado, o que recomendaria ao Sporting e a qualquer outro clube antes de entrarem num processo como estes, sobre o qual não há muito conhecimento constituído?
Falar com os profissionais que já jogaram em sistemas de relva cuja hipótese de eleição esteja em cima da mesa. Sobretudo com profissionais que tenham jogado em campos com granulado de borracha e em campos com cargas de Geofill.

Fazendo jus ao titulo desta entrevista, poderia afirmar que o estádio de Alvalade ficaria “relvadíssimo forever”?
Poderia afirmar que o Estádio José Alvalade ficaria equipado com o melhor que o mercado oferece! E durante muitos anos!

Questões colocadas ao Dr. Jorge Pinto Sousa, responsável pelo Departamento Médico do Boavista

Desde que se iniciou a utilização do novo relvado sintético notou alguma alteração na tipologia ou no quantitativo da ocorrência de lesões?
Da informação de que disponho e da experiência de 20anos de Medicina Desportiva, a ocorrência/agravamento de lesões em pisos sintéticos de geração antiga, eram essencialmente relacionadas com:

1 - Lesões do aparelho ligamentar do joelho por pé preso no sintético.

O que nunca aconteceu nos relvados instalados no Estádio do Bessa, nem me parece poder vir a acontecer, já que estes relvados se comportam, na recepção do pé ao solo, de forma idêntica à de um bom relvado natural.

Desde a instalação destes pisos sintéticos no Estádio do Bessa não houve registo de qualquer deste tipo de lesões. Tive registo de um acidentes desportivo de que resultou lesão meniscal e outro de que resultou ruptura do Ligamento Cruzado Anterior sendo que AMBOS em relvados naturais fora do Estádio do Bessa.

2 - Tendinopatias e lesões osteocondrais.

Recorrentemente quando os Atletas a meu cargo cumpriam treinos/jogos em pisos sintéticos de geração antiga, constatava nos dias imediatos agravamento das queixas relacionadas com aquelas patologias. O que não acontece com os pisos instalados no Estádio do Bessa já que estes se comportam na sua consistência e capacidade de amortecimento de forma em tudo semelhante à de um bom piso natural.

Em resumo, e no que respeita à prevenção de lesões, diria que os pisos instalados no Estádio do Bessa se comportam, em condições climatéricas normais, de forma idêntica à de um bom piso natural e que, muito provavelmente, se comportam de forma mais segura em relação a pisos naturais em situações climatéricas extremas como as de pisos naturais muito moles por excesso de água ou muito duros por baixa humidade e excesso de calor.

Que recomendações especiais daria a um seu homólogo de um clube profissional de futebol?
A única recomendação que faria é a de que o «enchimento» deve ser feito com a escrupulosa regularidade que o fabricante indicar em função da frequência da utilização.

* Video recente do estádio do Novara:

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Descubra as diferenças

Ao contrário do que vem sucedendo no futebol, o Sporting optou para o  comando do andebol  por um técnico experiente e de curriculum brilhante.

Em condições normais, eu preferiria para o nosso futebol um técnico jovem, irreverente, com  ambição de triunfar e cujo trabalho conhecido fosse uma promessa de bom futebol. E isso não é algo assim tão subjectivo como por vezes se quer fazer querer.

No entanto tendo em conta a realidade do concreta do Sporting (departamento de futebol inexperiente e uma longa ausência de vitórias), a minha opção inclinar-se-ia por uma solução semelhante à agora encontrada para  o andebol. Modalidade que, à semelhança do futebol, tem andado longe dos títulos nacionais e onde tem pergaminhos a manter.

Porque se escolhe assim para o andebol e não para o futebol é algo que estranho. Mais ainda quando se reincide na escolha de técnicos de experiência limitada e sem provas dadas.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

O poder da marca Sporting

Quem duvida da importância da marca Sporting tem no caso do relvado um exemplo bem concreto da sua força. A comunicação da decisão, praticamente tomada, de que o Sporting irá contar no próximo ano com um relvado sintético, imediatamente despoletou uma série de movimentações, das quais são apenas visíveis para o grande público o que aparece na comunicação social.

É mais do que evidente que solucionar o problema do Sporting, seja ele através de uma solução natural seja através de um relvado sintético representa uma exposição mediática que deve ultrapassar em muitos dobros o valor dos budjets que as companhias do meio habitualmente destinam ao marketing e publicidade. O relvado do Sporting é hoje um bolo muito apetecido.

Essa é uma posição negocial extremamente vantajosa que o Sporting está obrigado a saber aproveitar. Associar o nome do Sporting a um caso de sucesso de uma companhia, servindo este posteriormente como uma bandeira, deve ser algo que deve ser muito bem remunerado.

Continuo a pensar que o Sporting tudo deveria fazer por ter um relvado natural. Por alguma razão se chama natural. E não creio que os problemas com o relvado do Sporting sejam insolúveis, pelo menos pelas razões que são comummente aduzidas. Existem pelo mundo fora estádios em situações idênticas ou até mais severas do que o Estádio de Alvalade e com relvados menos problemáticos.Mas se o Sporting não sabe, não pode ou não quer ter um verdadeiro relvado, tem obrigatoriamente que optar por uma solução absolutamente inquestionável e da qual não resultem desnecessárias polémicas.

Convenhamos que o Sporting pode não querer ter um relvado natural, porque é possível hoje ter um relvado sintético onde se pode jogar futebol ao mais alto nível sem ter a sensação, o público e especialmente os jogadores, de estar a jogar numa alcatifa. Com isso o Sporting pode voltar a ter à sua disposição receitas extraordinárias, que lhe advinham da realização de concertos, sem os prejuízos desportivos que aqueles acarretaram. Por força de situações semelhantes e pelos inconvenientes que os novos estádio implicam na criação e manutenção de bons relvados que, por toda a Europa, se começam a equacionar relvados sintéticos ou até mesmo a implatá-los.

Este é um caso que nasceu para fazer escola. Estou convencido que o Sporting tem aqui uma possibilidade de ser pioneiro, fazendo mais uma vez jus à sua vocação. Por isso, sendo um caso sobre o qual incidirá toda a atenção mediática e em particular de todos os associados e adeptos, o Sporting deve usar de toda a transparência na tomada de decisão, de forma a que fique bem claro que fez a melhor opção quer do ponto de vista técnico, quer do ponto de vista económico-financeiro.

Neste, como em muitos outros assuntos, fala-se muito sem conhecimento de causa. No sentido de lançar uma boa discussão e esclarecer a opinião dos Sportinguistas o "ANortedeAlvalade" publicará em principio amanhã, um post no sentido de esclarecer os adeptos. Para o efeito recorremos ao contacto directo com um especialista e com profissionais que conhecem os relvados sintéticos. A última coisa que os Sportinguitas precisam é de um relvado resulte numa fractura exposta no espírito leonino. Mais uma.

domingo, 31 de outubro de 2010

Terceiro, na quarta, à quinta

O Sporting entrou nitidamente determinado em vencer o jogo em Leiria. Imprimindo rapidez nas transições, com os passes a saírem dos pés ao 1º toque, os primeiros 45 minutos tiveram uma predominância verde e branca. Valdês abriu o marcador com um excelente golo, com Postiga a entregar a bola ao chileno num envelope com código postal, explorando as costas da defesa leiriense. Os avançados não servem apenas para marcar golos.

Apesar do jogo parecer controlado o Leiria, com poucos passes mas directos para os seus avançados, explorava com muito perigo as costas de Maniche e André Santos, deixando em dificuldade a defesa. Foi assim que podia ter inaugurado o marcador no primeiro lance do jogo e foi assim e com muita sorte – ressalto no corte de Torsiglieri e escorregadela de Carriço - somado ao mau posicionamento defensivo que os da casa empataram o jogo. Só um golazo de Valdês impediu que os jogadores leoninos descessem aos balneários sentindo-se injustiçados pelo resultado.

A segunda parte repetiu o início do jogo, com o perigo a cruzar consecutivamente a nossa baliza. O Sporting respondeu bem, mas desperdiçou uma série de oportunidades para matar o jogo. A eficácia pareceu ficar nos balneários, chegando ao insólito de Postiga ter feito a defesa decisiva do encontro, quase em cima da linha de golo do Leiria. Valeu o facto de o Leiria não ter conseguido levar mais perigo até Patrício e resultado final já estar fechado.

Individualmente o nome incontornável do jogo é naturalmente Valdez, pelos golos marcados, mais do que pelo jogo efectuado, onde apareceu de forma intermitente, deixando muitas vezes Postiga sem apoio. Não me pareceu muito segura a nova dupla de centrais, a que não deve ser alheio o facto de este ser o seu primeiro jogo a sério. Incompreensível a substituição de Vukcevic por Zapater. As habituais perdas de bola do espanhol quase nos custavam um golo, mas sobretudo por ter partido a equipa, remetendo-nos ao último terço do campo. O azar de Marco Soares, em lance arrepiante, acabou por equilibrar as nossas possibilidades.

No cômputo geral este jogo merece destaque por ter sido talvez a vitória mais conseguida na presente época e por permitir que o Sporting se coloque numa posição mais de acordo com o seu estatuto. Um proveito que deve merecer continuidade já na próxima jornada. Assim chegamos ao terceiro lugar, na quarta vitória consecutiva, impedindo a acumulação da quinta época sem vencer em Leiria.


Ficha de jogo
União de Leiria, 1
Sporting, 2

Jogo no Estádio Municipal de Leiria.
Assistência 4.870 espectadores.

União de Leiria Gottardi, Panandetiguiri, Zé António, Mamadou Tall, Patrick, Diogo Amado (Leandro Lima, 46'), Marco Soares, Pateiro (Ruben Brígido, 64'), Silas (Zhang, 75'), Carlão e N’Gal.
Treinador Pedro Caixinha

Sporting Rui Patrício, Abel, Daniel Carriço, Torsiglieri, Evaldo, André Santos, Maniche, João Pereira (Carlos Saleiro, 93'), Valdes (Yannick Djaló, 91'), Vukcevic (Zapater, 80') e Hélder Postiga.
Treinador Paulo Sérgio

Árbitro João Ferreira, de Setúbal.
AmarelosZé António (27'), Silas (38') e André Santos (81').

Golos 0-1, por Valdés, aos 14'; 1-1, por Carlão, aos 22'; 1-2, por Valdés, aos 41'.

Época e meia sem ver o padeiro

João Querido Manha escreve hoje no CM uma artigo sobre um tema que tem posto a discorrer analistas e adeptos: a diferença, abissal diga-se, entre o comportamento da equipa nos jogos europeus e em casa. Mais do que uma teorização sobre as razões que estão por detrás de tal conduta, o jornalista fornece uma série de dados estatísticos que merecem ser analisados.

Entre eles destaco um, sobre o qual já gostaria de ter aqui ter reflectido, que é uma completa anormalidade num clube com as ambições do Sporting: Há época e meia que não marcamos um golo de livre directo! Um número estranho, se tivermos em conta que não faltam no plantel jogadores com características para a execução de bolas paradas. O caso mais evidente de desaproveitamento é Matias Fernandez . O chileno desde muito jovem que construiu um verdadeiro portfolio de livres letais mas, estranhamente, quase nunca os é chamado a executar. Nesta análise convém referir que no leque de bolas paradas que o jogo possibilita às equipas, como cantos e livres indirectos, o Sporting está longe de ser um exemplo de aproveitamento. E o que dizer dos penalty´s falhados que tantas vezes nos deixaram morrer na praia?

Seguramente que terá que haver uma explicação para estes dados e que não fazer mais uma vez do azar o bode expiatório. Uma ferramenta tão importante no desfecho dos resultados como as bolas paradas não pode continuar ausente do catálogo de recursos ao dispor da equipa.

Apesar de alguns períodos menos brilhantes, o balanço geral técnico das actuações do Sporting nos jogos em casa não varia muito em função das competições. O que marca a diferença é apenas o número de golos, que vai da média de 0,8 (3 em 4 partidas) na Liga para 5 na prova da UEFA: o melhor ataque da segunda prova europeia tem, por junto, menos golos marcados no campeonato do que o principal goleador, o portista Hulk.

Considerando os quatro jogos da Liga e os dois europeus realizados no estádio leonino, é a qualidade da finalização que torna esta intrigante disparidade um caso digno de estudo. A média de concretizações é, até, superior nos jogos da competição doméstica, com uma (muito) anormal percentagem de remates para fora e aos ferros da baliza, bem como do número de remates bloqueados (cinco por jogo), incluindo neste item a falta de capacidade de transformação de livres directos.

Nos sofridos jogos do campeonato, que têm atraído a Alvalade assistências maiores do que as goleadas europeias, apenas um remate em cada três é enquadrado na baliza, pondo pouco à prova a tranquilidade dos guarda-redes visitantes. Boeck, do Marítimo, foi quem teve mais trabalho (6 defesas), contra quatro de Bracalli (Nacional), cinco de Moretto (Olhanense) e quatro de Paulo Santos (Rio Ave).

Há quem considere que as goleadas ao Levski e ao Gent resultaram do desconhecimento dos treinadores respectivos, mas os sinais que se retiram  são de que os golos podem surgir em catadupa a qualquer momento, também na prova nacional. Aliás, bastaria que a contabilidade dos remates aos postes tivesse um registo normal, que nos clubes grandes é de 1 para cada três partidas, para que o número de golos apontados em casa atingisse uma cifra mais consentânea ao caudal ofensivo.

Considerando apenas os jogos em casa, o Sporting é de longe a equipa com mais finalizações, a única com uma média superior a 20 remates por jogo, num total de 92, contra 75 do FC Porto, 60 do Benfica e 57 do Braga – tendo envolvido 18 jogadores, todos os utilizados, em acções de finalização. E se Vukcevic, com 16 remates, não conseguiu fazer um golo, os autores dos escassos três anotados até agora – Matias Fernandez (3 remates), Saleiro (2) e Abel (1) – foram bem mais assertivos.

LIVRES NÃO CHEGAM A PASSAR AS BARREIRAS

Após 46 jogos sem conseguir marcar um golo de livre directo, merece atenção a forma como a equipa leonina enfrenta este handicap e tenta superar a limitação. Quase sem se dar por isso, Nuno André Coelho [na foto] tornou-se a primeira solução, em particular nos jogos em casa, somando quatro tentativas, duas frente ao Marítimo, uma contra o Olhanense e outra na derradeira jornada com o Rio Ave, embora nenhum dos remates tenha acertado sequer na baliza – metade deles nem passou da barreira. Transpondo a análise para o conjunto, incluindo as tentativas de Vukcevic, Matias Fernandez e Evaldo, chega-se à mesma conclusão, com a agravante de nenhum deles igualmente ter passado a barreira. Na Liga Europa, apenas uma tentativa, por Maniche, que também não conseguiu acertar no alvo.

J.Querido Manha in CM

sábado, 30 de outubro de 2010

Alerta laranja

O Sporting jogará em Leiria sob condições extremas ditadas por uma conjuntura desfavorável: quase uma equipa inteira na enfermaria, margem de erro já esgotada em falhanços anteriores. Falta nesta avaliação que tipo de resposta dará a equipa de Leiria, que, na jornada anterior, de união teve apenas o nome. Sejam quais sejam quais sejam as condições a vitória é o único resultado possível para que o Sporting não perca contacto com o pelotão da frente e regresse à metade inferior da tabela, de onde acabou de sair. Vitória que, a acontecer, seria a quarta consecutiva da era PS. Contudo, para o campeonato, não conseguiu mais do que 2 vitórias em série. Crucial portanto para a saúde anímica da equipa na abordagem do difícil ciclo que nos levará ao final da primeira volta, nos primeiros dias de 2011.

Voltando ao inusitado número de lesionados há duas questões que me parecem essenciais: (i) o regresso da dupla Yanick e Saleiro é apenas uma meia boa noticia. Não é crível que a recente recuperação física destes atletas possa significar uma participação de elevado nível ou muito prolongada no jogo. (ii) Apesar das ausências, Paulo Sérgio tem ao seu dispor valores individuais mais do que suficientes para alcançar os três mais que necessários pontos em disputa. Pelo que se tem visto do actual Sporting, marcar primeiro poderá ser determinante. Um penalty à Bruno Mendes dava imenso jeito…

Lista de convocados:
Guarda-redes: Rui Patrício e Tiago;
Defesas: Torsiglieri, Carriço, Evaldo, Cédric, Nuno André Coelho, João Pereira e Abel;
Médios: Maniche, Valdés, Zapater, André Santos, Diogo Salomão e Vukcevic;
Avançados: Saleiro, Yannick e Postiga.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Questões nada artificiais

Faz bem ao orgulho Sportinguista ler hoje a primeira do Record. “O Melhor do Mundo” é do Sporting e que terminar a sua carreira no clube que o catapultou para a galáxia onde o hoje o seu nome vale muito mais do que “apenas” ter sido considerado o melhor jogador do Mundo. Ronaldo é um ícone dos tempos que correm e é bom para o nome Sporting estar-lhe associado. Uma ligação natural. E, ou Ronaldo muda muito, ou este acabar a carreira terá relevância desportiva para nós. Porque, goste-se ou não do CR7, se há característica que se lhe reconhece é uma inigualável vontade de ganhar. 


Fala-se há algum tempo na possibilidade de o relvado do Sporting vir a ser artificial. Essa discussão já foi realizada aqui no “ANorte” há um ano, graças a um post do meu amigo Gabriel Almeida que aqui reproduzo. Confesso que também não gosto da ideia de um relvado artificial. Mas prefiro de longe um excelente relvado sintético de última geração do que um mau relvado como o nosso. Para os que como eu preferem uma solução natural como eu, antes de se pronunciar convido-os, especialmente se vivem a norte, a dar uma saltada ao Bessa XXI, aproveitando assim para ver em acção Vitor Golas. Verão que, quando se fala de relvados de última geração estamos muito à frente daquelas “coisas” parecidas com carpetes mal amanhadas que se viam nos quintais e jardins ou até em alguns campos de treino. São por exemplo melhores dos que já se usam em Moscovo, no Estádio Luzhniki.

Porque não um relvado sintético?
Cíclica e frequentemente o relvado do Estádio José Alvalade fica em estado lastimoso. Ora é por causa do fungo “A” ou do fungo “B”, ora porque o clima é assim ou assado, ora porque houve um concerto, etc.. Uma coisa é certa apenas o nosso relvado necessita de tantos cuidados e preocupações. Os outros relvados, dos outros clubes, duram, duram, duram…

O nosso relvado nunca fica estragado por incompetência humana; isso não, nunca ninguém assumiu qualquer culpa.

Mais, parece que estamos condenados a ser alvo de chacota porque o nosso relvado resvala demasiadas vezes para níveis inaceitáveis; chegam a falar dum “batatal”!

Qual a solução? Colocar pessoas competentes a tomar conta do assunto? Ou?

E se o Sporting instalasse um relvado sintético?

Um relvado sintético acabaria com aqueles problemas e ainda tornava mais barata a sua manutenção.

Mas para mim a maior vantagem era desportiva! E porquê?

O Sporting passaria a ter uma grande vantagem desportiva sempre que jogasse em casa. Os adversários enfrentariam uma grande desabituação a este tipo de piso, mesmo que treinassem em relvado sintético durante a semana anterior à visita ao Estádio José Alvalade. O Sporting para lá da vantagem de jogar em casa, teria ainda um tipo de piso onde estaria muito acostumado que, é óbvio, seria outra enorme vantagem.
E quando o Sporting fosse jogar fora de casa? Neste caso os nossos jogadores jogariam na relva natural; e, claro, teriam uma pequena desvantagem. No entanto esta desvantagem seria muitíssimo menor que a vantagem de jogar em casa num piso sintético. Como teríamos de jogar 17 jogos fora, logo acabaríamos por estar preparados para a relva natural. Ao invés os nossos adversários que apenas fariam um jogo por ano em piso artificial nunca conseguiriam se habituar a este tipo de relva artificial.

A probabilidade de ganhar vantagem nos 17 jogos em casa seria muito superior que a probabilidade de partir em desvantagem nos 17 jogos fora.

Tudo isto só seria possível enquanto os outros clubes continuassem com os pisos de relva natural.

Gabriel Almeida

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Porque o SCP é muito mais que futebol

A pergunta que se impõe

Julgo não me enganar se disser que há uma tónica geral de descrença entre os adeptos Sportinguistas. Até a boa prestação europeia, onde se contabilizam apenas vitórias nos jogos disputados, não tem contribuído muito para levantar a moral nem aos adeptos nem à equipa. Aliás, após a goleada ao Gent, e perscrutando as crónicas, julgo não exagerar se afirmar que se notava uma apreensão generalizada em relação à forma como a equipa iria responder ao desafio com o Rio Ave. Essa apreensão quase seria justificada, não fora o golo de Abel pouco antes de o árbitro apitar para o final.

A forma como a equipa festejou no final parecia indicar que os jogadores acreditavam ter-se libertado de uma má sina. Veremos nos jogos que aí vêm a importância que esse instante assumirá na auto-confiança colectiva. Era este o tal click que faltava? 

Com oito jornadas jogadas, a 10 pontos do primeiro classificado, e jogando apenas com 2 equipas com menos pontos que nós – Portimonense e Leiria –, para que posição jogará o Sporting nas jornadas que nos separam do final da primeira volta?

Jornada 9: Leiria | Sporting
Jornada10: Sporting | V.Guimarães
Jornada 11: Académica | Sporting
Jornada 12: Sporting - Porto 
Jornada 13: Portimonense - Sporting 
Jornada 14: V.Setúbal – Sporting
Jornada 15: Sporting – Braga

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Areia e Bruma

Foto Academia de Talentos
Continuo a reconhecer razão a Paulo Sérgio: o jogo com o Rio Ave começou a menos das 72 horas de descanso previstas no regulamento. E continuo a reconhecer-lhe razão quando afirma que os interesses televisivos se sobrepõem muitas vezes aos clubes. Mas convém lembrar que as receitas que daí vertem para os clubes são hoje uma transfusão de vitalidade imprescindível para a saúde financeira dos clubes.

Pegando num caso concreto, o do jogo com o Rio Ave, a alternativa que restava ao Sporting e à Olivedesportos, via Sporttv, era o agendamento do jogo para a passada segunda-feira. Com a coexistência do jogo do FCPorto, algum desses dois jogos teria que ter inicio pelas 19h para que o outro tivesse inicio pelas 21h. Uma vez que o jogo do Sporting era transmitido em sinal aberto, via TVI, teria que haver negociações, uma vez que, em termos de share e consequentes receitas de publicidade, a transmissão do jogo era mais interessante a partir das 21h, sendo que, para a programação da TVI em particular, a transmissão ao domingo lhe interessaria mais. Tudo isto para dizer que jogar à segunda-feira teria sido possível, mas os interesses do Sporting contaram menos que os dos restantes envolvidos.

Onde Paulo Sérgio falhou foi ao levantar a suspeição de que alguma coisa “estava a ser preparada” para o jogo com o Leiria quando a Liga já tem calendarizados os jogos até Dezembro e fê-lo atempadamente desde 22 de Setembro.  O que o Sporting tem que acautelar neste caso é igualdade de tratamento face ao regulamentado e isso Paulo Sérgio não parece questionar. Eu, tenho que o admitir, fui na conversa da suspeição, por falta de conhecimento e por situações como esta serem infelizmente um hábito, seja por falta de respeito pelo clube, seja porque o clube abdica de se fazer respeitar. 

Dito isto, faz pouco sentido dizer o que Paulo Sérgio disse, deixando à evidência que desconhecia aquela disposição do organizador do campeonato. O que é no mínimo inquietante, porque abre a porta a 2 interrogações: (i) como é preparado o plantel para os compromissos que se avizinham, se se desconhecem os dias disponíveis para treino e (ii) que comunicação interna existe no departamento de futebol. Pior mesmo foi insistir com um comunicado que, na forma e no conteúdo, não estão ao nível da comunicação exigida a um clube como o nosso. Areia para os olhos.

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A Bruma em torno de Bruma adensa-se. É já um caso de polícia, com queixas de sequestro. Não conhecendo o seu potencial como jogador, não me posso pronunciar, como adepto, sobre a melhor atitude a adoptar: vender ou manter. Os números atirados para os jornais dão que pensar, mais ainda na actual conjuntura. Mais ainda com o fim à vista anunciado das transferências hiper-milionárias, como faz supor  a introdução dos novos regulamentos de fair-play impostos pela UEFA. Anuncia-se o fim de um período de insanidade nas contratações dos clubes europeus, que nem a já mais que instalada crise financeira logrou por cobro. Com isso muitas estratégias terão que ser revistas. Não creio que, por exemplo, a venda de um jogador como Raúl Meireles continue a ser possível pelos valores envolvidos.

Em qualquer dos cenários o Sporting só pode olhar para a sua academia como fonte de sustentabilidade. Seja para abastecer o seu plantel, seja para realizar mais-valias. E a possibilidade de errar nas escolhas, que existe sempre, é bem menos onerosa, quer do ponto de vista desportivo,quer financeiro, do que as idas ao mercado.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Modelos e orçamentos para uma boa discussão

Excerto retirado do blogue JogoDirecto, onde se pode ler na totalidade:

Sporting - Rio Ave: Análise e números:


O tema dos indicadores estatísticos tem sido muito abordado neste blogue, e quem o lê com atenção deverá ser capaz de desmontar rapidamente o sofisma da maior % de posse de bola ou quantidade de remates. É que nenhum destes indicadores é realmente representativo da qualidade de jogo da equipa. Aquilo que noutras área se chama de “Key Performance Indicator” (KPI). O facto é que o Sporting cria, estatisticamente, menos oportunidades que os rivais e, esse sim, será o KPI que os sportinguistas deverão olhar. Mas vamos ao jogo...

A dança de cadeiras continua. Paulo Sérgio continua à procura das melhores soluções individuais para os seus problemas colectivos e é por essa via que agora se regressou a uma dupla de ataque. Ou seja, pelo rendimento recente de Liedson e Postiga e não por uma opção sustentada num modelo colectivo.

Ora, dentro desta filosofia, jogar torna-se um pouco como a aprendizagem confessada pelo próprio Presidente sportinguista. Ou seja, faz-se “on the job”. É por isso normal que o Sporting tenha sentido mais dificuldades do que é costume em circular e ter posse na primeira parte.(…)

É que o Sporting voltou a revelar os mesmos problemas em termos ofensivos. Por um lado, não existiu novamente em transição. Por outro, em construção, voltou a revelar as mesmas dificuldades. Quer pelos poucos apoios criados nos corredores, quer pela inutilidade da generalidade das jogadas que recorreram ao apoio frontal solicitado por Postiga.(…)
 
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In blogue Ideal Sporting, onde se pode ler na íntegra:

Acerca do orçamento de quem vai à frente…

Analisemos o onze inicial da equipa do Porto, que ontem goleou a União de Leiria:

·    Helton – € 1 M *
·    Fucile – € 1 M *
·    Rolando – € 1 M *
·    Maicon – € 1 M *
·    Alvaro Pereira – € 4,5 M
·    Fernando – € 1 M *
·    João Moutinho – € 11 M
·    Ruben Micael – € 3 M
·    Hulk – € 5,5 M
·    Falcão – € 3,9 M
·    Varela – € 0 M
* Informação oficiosa
·    André Villas-Boas – € 0,25 M
Total = € 33,15 M
(...) se pensarmos que nos últimos 16 meses gastámos perto de € 30 M na aquisição de jogadores, facilmente verificamos que a inferioridade exibicional e de resultados da nossa equipa nada tem a ver com orçamento ou falta dele.

Recados da LIGA

Paulo Sérgio tem razão quando se queixa do calendário. Tem razão que até lhe é conferida pelos regulamentos, uma vez que entre a hora a que finalizou o jogo com o Gent e a hora de inicio do  jogo com o Rio Ave não mediaram sequer 72 horas completas.

Talvez Paulo Sérgio deva conversar mais com Costinha sobre a calendarização antes das conferências de imprensa. E Costinha talvez deva explicar melhor o que quer dizer a LIGA. Talvez mesmo até via site do clube. Se este serve para desmentir noticias tão absurdas como o os sítios onde o director desportivo estaciona, mais depressa deverá esclarecer matérias desta relevância.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Conversas em familia (Entrevista a Bettencourt)

Não posso de deixar de dar conta do meu profundo desapontamento pela entrevista publicada este fim-de-semana pelo jornal “Abola”. Muito aparato – o estado-maior do referido jornal deslocou-se em peso – para pouca substância. Essa desilusão, ao contrário do que esperei, agravou-se no domingo, com a publicação de 4 páginas praticamente desprovidas de interesse para a generalidade dos adeptos leoninos. O modelo seguido talvez fosse útil para o líder de um partido, ou de um tipo de instituição diferente daquilo que é o Sporting Clube de Portugal, que alberga no seu seio gente de origens tão díspares seja do ponto de vista ideológico seja dos credos professados.

O que interessa aos Sportinguistas a mundovisão de José Eduardo Bettencourt, o que ele pensa das encíclicas papais, da visão da economia ou saber das suas preferências religiosas, se, como presidente do Sporting, e respondendo a que tipo de organização que pretende implementar no clube, se fica pela semi-vacuidade “de um Sporting onde se irá fundar o profissionalismo com valores e culturas sportinguistas, obviamente adaptados à exigência e ao mundo especifico do futebol”?!

A crítica obviamente que vai tanto para quem perguntou com para quem respondeu, sendo que é natural que quem é entrevistado se resguarde dos assuntos que mais engulhos lhe poderiam provocar. Acima de tudo parece-me um erro estratégico de ambas as partes, embora me preocupe mais o que pode representar para  os Sportinguistas. 

Do pouco que se falou do Sporting realço (i) o tom contraditório das suas declarações sobre o futebol português - Um País como Portugal não pode gastar o que gasta no futebol - e a estratégia despesista e sem critério em que o clube vive desde Dezembro do ano passado. (ii) diz que o projecto do Sporting sem+pré foi atormentado, parecendo ignorar que os ventos  da tormenta nasceram da desilusão do que foi prometido e no que é hoje o Sporting. (iii) A estratégia para o Sporting não pode ser resumida à “necessidade de correr riscos” ou “havia que tentar algo diferente”.  (iv) O titulo do post lembra o tempo em que em Portugal era crime ter opinião e então, também se pensava que a opinião "chateava quem tentava fazer alguma coisa"....








domingo, 24 de outubro de 2010

Um acima de zero

Pegamos nos primeiros 45 minutos e deitamo-los fora. Mais uma vez para a Liga. Mais uma vez em Alvalade. A segunda metade foi ligeiramente diferente, mas nem por isso mais bonita de se ver. Futebol frio, com um golo acima de um feio zero.

O que se viu na 1ª parte deste jogo com o Rio Ave foi ao fim e ao cabo o mesmo que já havíamos visto nos jogos anteriores. Um Sporting com muita posse de bola e um adversário mais do que tranquilo e confortável com a previsibilidade entediante da construção do nosso jogo. Invariável procura dos flancos, sem que o adversário permita chegar à linha, total inexistência de jogo interior, sem qualquer verticalização do jogo pelo centro do terreno ou procura de desequilíbrios entre as linhas atrasadas do adversário.

Ver jogar o Sporting foi tão entusiasmante como observar uma fábrica têxtil em plena produção, onde os jogadores do Sporting não passam de costureirinhas aplicadas.

Podíamos acrescentar que o Rio Ave desperdiçou muito tempo, que teve em Olegário um grande aliado nessa estratégia e que a anulação do golo de Postiga é mais do que duvidosa. Ou que as lesões não ajudaram, mais as tradicionais bolas nos postes. Mas Patrício acabou por ser o jogador com as intervenções mais decisivas, juntamente com Abel, o autor do golo. Mas ninguém duvide o futuro do Sporting não passa por este futebol. Pelo menos o futuro que desejamos.

À excepção de Matias, que ficou tocado mal entrou, e de Valdês, que nunca mais “entra”, não há menções especialmente negativas. Os jogadores cumprem de forma empenhada as instruções do treinador e são inteiramente merecedores dos 3 pontos alcançados. Além dos anteriormente citados Patrício e Abel , acrescentaria a excelente forma de Postiga, a abnegação de João Pereira e a interessante participação de Torsiglieri.

Como hoje por hoje são poucas as noticias que nos provoquem grande regozijo fiquemos com a consolação de a equipa inicial do jogo de hoje ser integralmente composta por jogadores seleccionáveis, incluindo os 2 naturalizados Liedson e Evaldo. Notável e certamente inédito, de há muitos anos a esta parte no futebol português. O Real Madrid ontem jogou com mais portugueses que o actual campeão nacional tem na equipa que joga neste momento no Algarve.

Equipas:

Sporting

Rui Patrício; Evaldo, Nuno André Coelho (Torsiglieri), Daniel Carriço e Abel; André Santos, Maniche, Diogo Salomão (Valdes) e João Pereira; Hélder Postiga e Liedson (Fernández)
Suplentes
Tiago; Cédric; Zapater; Vukcevic
Treinador: Paulo Sérgio


Rio Ave
Paulo Santos; Zé Gomes, Gaspar, Jeferson e Milhazes; Tarantini, Bruno China e Wires; Bruno Gama, Yazalde e João Tomás
Suplentes
Mário Felgueiras; Ricardo Chaves; Tiago Pinto; Braga; Mendes; Cícero; Fábio Felício
Treinador: Carlos Brito

Árbitro: Olegário Benquerença

A idade da razão e a razão de Paulo Sérgio

José Eduardo Bettencourt completa hoje 50 anos de existência. Esta é a ocasião de lhe desejar uma vida longa e próspera, e que nela possa assistir ao ressurgimento do Sporting Clube de Portugal. Não duvido que esta seria uma das prendas que certamente pediria para hoje, não estivesse ele já na idade em que se sabe que os milagres dão muito trabalho a acontecer e levam por vezes mais tempo do que desejamos. Como Sportinguista estimo que a idade da razão lhe traga a sabedoria que lhe permita as boas escolhas, e a resiliência para a levar a bom termo a tarefa difícil que tem em mãos e a clarividência de perceber que todos somos mais fortes do que a apenas uma maioria.

Tem razão Paulo Sérgio quando reclama das imposições que vêm sendo feitas aos horários dos jogos do Sporting, tornando-se a Olivedesportos, a coberto dos regulamentos. Ora beneficia o SLB ora o FCP na escolha das datas sempre em prejuízo do Sporting. Faz bem Paulo Sérgio em falar, mas esta está longe de ser uma tarefa do treinador…

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