At. Bilbau 2 - Sporting 3: Na primeira parte fomos às tapas, na segunda fomos ao Guggenheim deixar uma obra histórica
O Sporting alcançou uma proeza inédita para si e para o futebol português ao garantir um lugar no restrito Grupo dos Oito, assegurando assim o apuramento direto para os oitavos de final da Liga dos Campeões.
A entrada em jogo esteve longe de ser a desejada. O Sporting revelou grandes dificuldades para sair da pressão do adversário e para gerir a posse de bola com eficácia, acumulando passes falhados que acabariam por resultar na assistência involuntária de Hjulmand para o golo madrugador do Atlético. Por momentos, o cenário ensombrou-se e pareceu regressar o espectro de antigas noites europeias. Ainda assim, o Sporting recompôs-se, reequilibrou a partida e chegou ao empate, dando a sensação de que tinha o jogo sob controlo — até ao erro infeliz de Matheus Reis, um lance evitável e desajustado ao nível competitivo da prova.
Na segunda parte, Rui Borges leu bem o encontro e interveio no momento certo. As entradas de Pedro Gonçalves, Morita e Eduardo Quaresma alteraram a dinâmica da equipa, trazendo intensidade, maior capacidade nos duelos e um critério renovado com bola. O Sporting apresentava-se transformado. Mais tarde, juntar-se-ia à narrativa o homem do jogo: Alisson, decisivo e novamente determinante na caminhada europeia dos leões.
No momento que poderia ter sido fatal, os sinais pareciam apontar para um desfecho cruel: Suárez desperdiçou uma ocasião soberana, Alisson escorregou quando o golo parecia iminente e o sonho ficou por instantes suspenso. Desta vez, porém, a bola entrou e dessa forma o Sporting contrariou o fatalismo de outros tempos e escreveu um capítulo pioneiro na sua história — e na do futebol português — com uma exibição de maturidade europeia, evidenciando resiliência nos momentos de maior pressão e qualidade para impor o seu jogo em palcos de máxima exigência.
Apesar do caráter épico da conquista, importa não ignorar os sinais de alerta. A este nível competitivo, raramente é possível corrigir erros individuais como alguns dos que marcaram o encontro, ainda para mais perante um adversário condicionado por ausências relevantes. As decisões técnicas também merecem reflexão, nomeadamente a utilização de Bragança sem ritmo competitivo num jogo de intensidade tão elevada.
Agora é esperar o que a sorte ditará sexta-feira. O nome do Sporting aparecerá pelo segundo ano consecutivo no sorteio dos oitavos de final da melhor e mais feérica competição de clubes do mundo. Foi com isto que nós sempre sonhamos e que esteve presente no coração e mente dos nossos fundadores.

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