Sporting CP 2–1 Paris Saint-Germain: A noite do leão que sofre mas também é rigoroso e eficaz
O primeiro tempo teve um claro sentido único em termos de posse e territorialidade. O PSG instalou-se em organização ofensiva prolongada, enquanto o Sporting optou por um bloco médio-baixo, compacto e paciente, com prioridade clara à proteção do corredor central e à vigilância das costas da linha defensiva. A ideia passava por baixar o ritmo do adversário, retirar-lhe espaços entrelinhas e explorar transições sempre que possível.
Nos minutos iniciais, os leões ainda conseguiram encontrar alguns desequilíbrios, sobretudo em ataques rápidos pelo corredor central e em bolas verticais nas costas da última linha parisiense. No entanto, a execução ficou aquém do desejável. A equipa acumulou perdas em fase de construção após recuperação, muitas delas ainda no próprio meio-campo, fruto de decisões precipitadas e de alguma lentidão no primeiro e segundo passe. Faltou critério para bater a pressão alta do PSG, que, quando bem coordenada, condicionou severamente a saída limpa do Sporting.
A
segunda parte trouxe um Sporting diferente. Mais agressivo nos duelos,
mais intenso na reação à perda e, sobretudo, mais confiante com bola. O
aumento da pressão após recuperação permitiu à equipa passar mais tempo
em zonas adiantadas e reduzir a capacidade do PSG de se instalar
confortavelmente no último terço.
Defensivamente, houve também ajustes a fazer. O PSG conseguiu, em alguns momentos, dar demasiado espaço aos seus jogadores mais criativos. Kvaratskhelia foi particularmente perigoso quando recebeu por dentro, aproveitando contenções em recuo e alguma falta de agressividade no momento do encurtamento. Ainda assim, a linha defensiva manteve-se globalmente coordenada, limitando o número de ocasiões claras, apesar dos golos anulados.
Rui Borges ajustou dinâmicas sem mexer profundamente na estrutura. O Sporting continuou a defender de forma compacta, mas com maior coragem para subir linhas de forma sincronizada. Não foi necessário “estacionar o autocarro”: o bloco soube oscilar, subir e baixar em função da circulação adversária, mantendo sempre densidade nos corredores interiores.
Individualmente, destacaram-se várias exibições. Matheus Reis, como central improvisado, realizou um jogo de enorme consistência, sobretudo na defesa da área e na gestão dos duelos com Dembélé. Rui Silva, sem intervenções espetaculares, transmitiu segurança e controlo emocional, aspetos determinantes num jogo de exigência máxima. No segundo tempo, as entradas de Vagianidis e Alisson Santos trouxeram velocidade, irreverência e capacidade de ataque ao espaço, enquanto Daniel Bragança acrescentou critério e segurança na posse.
O Sporting foi eficaz. Criou menos do que o PSG, mas definiu melhor. Em três ocasiões claras, converteu duas, demonstrando uma maturidade competitiva que nem sempre tem acompanhado a equipa em contextos europeus. A vitória não foi fruto do acaso: resultou de um plano bem preparado, de uma leitura ajustada do jogo e de uma execução coletiva ao mais alto nível.
Há dias em que a organização, a inteligência tática e a eficácia conseguem equilibrar — e até superar — diferenças evidentes de qualidade individual ou colectiva. Em Alvalade, o Sporting provou isso mesmo, sabendo primeiro sofrer para depois alcançar uma vitória histórica sustentada no rigor e na eficácia.


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