Gil Vicente 1 - Sporting 1: Sinal vermelho em Barcelos
Havia poucos motivos para acreditar que Barcelos seria um palco confortável para o Sporting — e o jogo confirmou todos os receios. Entre ausências relevantes, adaptações forçadas e um adversário bem trabalhado, o cenário estava montado para uma noite de sofrimento e assim foi.
A primeira parte foi pobre em identidade. A equipa raramente conseguiu jogar por dentro, não tanto por falta de intenção, mas por incapacidade real para desmontar um bloco bem organizado. O Gil Vicente fechou o corredor central com inteligência e obrigou o Sporting a jogar onde menos qualidade tinha para desequilibrar. Pelas alas, quase nada aconteceu. Faltou profundidade, rasgo individual e, acima de tudo, coragem para assumir o jogo.
O golo surgiu mais por oportunidade do que por domínio. Um passe brilhante de Quaresma e uma excelente movimentação de Suárez mascararam, por instantes, uma exibição que estava longe de ser convincente. O intervalo chegou como um alívio, não como consequência de superioridade.
Na segunda parte, o Sporting foi outro — mas apenas durante um curto período. Houve mais agressividade na pressão, melhor ocupação dos espaços e maior ligação entre setores Os ajustes táticos melhoraram momentaneamente a equipa, mas não
esconderam fragilidades estruturais. , Suárez falhou o 0-2 quando já não
havia margem para desperdiçar. Criaram-se ocasiões suficientes para resolver o jogo, mas voltou a faltar aquilo que separa as equipas grandes das apenas competitivas: eficácia e frieza. Um 1-0 nunca é vantagem segura, e o Sporting tratou de o confirmar.
Depressa a equipa perdeu gás voltou a ausência de criatividade, de imprevisibilidade e capacidade de decidir no último terço. As alas não funcionaram e o jogo interior sufocou asfixiado pelo meio-campo gilista e o ataque passou tornou-se inofensivo.
Defensivamente, as laterais foram um problema constante, sobretudo na forma como se permitiu que os cruzamentos entrassem sem oposição eficaz. Rui Silva acabou por ser decisivo para evitar um resultado ainda mais castigador.
No fim, fica a sensação de que o Sporting fez apenas o suficiente para não perder — e isso, para quem luta por objetivos maiores, raramente chega. Barcelos não foi apenas mais um tropeço: foi um a confirmação dos avisos já anteriormente deixados. O mais inquietante neste resultado não é a dificuldade em si, mas a forma como o Sporting lidou com ela.
Haveria muito a dizer sobre a arbitragem. O artista em causa no espaço de duas semanas demonstrou bem do que é capaz, quer ontem, quer no recente dérby das equipas B. Mas ganhar apesar dos gustavos correias que nos saem ao caminho é algo a que todos temos que antecipar e estar habituados.

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