segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

À terceira...

... será a vez em que sai de cena?

Existe uma série de figuras que sempre pulularam em torno do Sporting Clube de Portugal acumulando cargos nos mais variados órgãos e entidades relacionadas com o nosso clube e cuja utilidade ou produtividade em prol do Sporting merece ser questionada.

Dias Ferreira é apenas uma dessas figuras mas dado o tempo de antena que sempre teve, acaba por representar bem esta "dinastia" de sportinguistas que até podem estar bem intencionados mas devem de uma vez por todas assumir as suas falhas.

As suas ideias, opiniões e posições são mais do que conhecidas e estão à vista de todos nós. Será mesmo isto aquilo que o Sporting precisa?

Em 2006 desistiu para Franco e em 2009 caiu até à lista de Bettencourt. Será que à terceira é de vez?

2 Razões para a tristeza dos Sportinguistas

1- Identidade:
Assisti com relativa atenção aos jogos deste fim-de-semana que foram objecto de transmissão televisiva, em particular os jogos de ontem, envolvendo os nossos rivais. E uma da conclusões quase instintivas a retirar do que observei é que essa rivalidade se baseia mais em razões históricas do que propriamente nos argumentos que podemos opor actualmente nos relvados, independentemente da exuberância das exibições de qualquer um deles.

Depois do que nos vem sendo permitido observar ao longo destas 2 últimas épocas em particular, é natural a decepção e tristeza que se apossou dos Sportinguistas: o Sporting não só não ganha como joga muito pouco ou quase nada, o que atraiçoa o orgulho leonino: mesmo nos piores dos tempos, quando nada se ganhava, os Sportinguistas acorriam a Alvalade, onde pelo menos viam jogos de futebol, naquilo que se chamava então "jogar à Sporting". Era disso que Costinha falava na sua derradeira entrevista quando confidenciou ter dificuldade para arranjar um bilhete para um jogo com o Gil Vicente, mas cujas razões  para o fenómeno revelou não perceber. Acontece que, de 2005 para cá, o Sporting foi paulatinamente abdicando da sua identidade a troco de muito pouco e não deve por isso ser de estranhar que hoje sejam poucos ou nenhuns que se revêem na forma de (não) jogar do Sporting. Os poucos que ainda se sujeitam aos maus tratos que o futebol do Sporting inflige a quem a ele assiste fazem-no por amor ao clube.

Muitas vezes assistimos à discussão entre nós sobre o que é que precisamos primeiro de voltar a  fazer:  ganhar de imediato, a qualquer preço ou  preocuparmo-nos acima de tudo em voltar a jogar bom futebol, aguardando as vitórias como uma consequência natural. Provavelmente é possível ganhar de "qualquer forma", algumas equipas fizeram-no no passado - como por exemplo o SLB de Trapattoni - mas de uma forma quase repugnante, e sem semear nada para o futuro. Do lado oposto, na arte de bom jogar, lembramo-nos logo do Arsenal de Wenger, que joga muito bem e não ganha, mas contudo o treinador francês mantém-se no comando do clube de Londres e os adeptos enchem o estádio.

Provavelmente exemplos como o Arsenal são de ocorrência difícil num país latino como o nosso e seria um exercício destinado ao fracasso tentar mudar o que está arreigado na nossa forma ser e estar. Mas mudar as pessoas, ou equipas técnicas ou dirigentes que não triunfam não tem que corresponder a uma mudança de identidade ou ao que se chama politica de terra queimada que, ao fim e ao cabo, foi o que andamos a fazer nestes anos todos. Perdemos a identidade, definhamos, reduzimos o valor e o talento, e com isso acantonámo-nos  na  expressão mais simples de que temos memória. Sem uma equipa que jogue à Sporting dificilmente daremos razões aos Sportinguistas para voltarem a Alvalade.

De certa forma é isso que nos diz Xavi numa recente entrevista ao Guardian*, cuja leitura na íntegra recomendo, a propósito do Barcelona, onde a cobrança pela falta de vitórias é também implacável, como aconteceu com Frank Rijkaard, antecessor de Guardiola. Eis o que ele respondeu quando lhe perguntam se um treinador poderia durar tanto tempo sem ganhar, como Wenger no Arsenal:

Quase impossível. Se passas 2 anos sem ganhar tudo tem que mudar. Mas mudas os nomes, não a identidade. Os nossos fans não se identificariam com uma equipa que jogasse atrás, na expectativa. Infelizmente as pessoas só avaliam as equipas pelo sucesso. Agora, o sucesso validou a nossa abordagem ao jogo. Eu sou um jogador feliz porque, em meu beneficio próprio, há seis anos atrás eu não teria qualquer hipótese, futebolistas como eu estariam extintos. Apenas poderiam existir os que tivessem 2 metros de altura, poderosos, avassaladores, varrendo as segundas bolas, os ressaltos.

(E a propósito dos pinheiros)
(...) É gratificante que o talento e habilidade técnica tenha ganho espaço à capacidade física e se assim não fosse o espectáculo não seria o mesmo. Jogamos para ganhar mas a nossa satisfação é dupla. Outras equipas ganham mas não é a mesma coisa, falta-lhes identidade. O resultado é um impostor no futebol, porque tu podes fazer tudo bem e mesmo assim não ganhar. Mas pode haver algo mais duradouro que um resultado, um legado. O Inter ganhou-nos a final da Champions mas hoje ninguém fala do futebol deles.

A Inglaterra parece sobrestimar os jogadores mais físicos...
Ok, esse tipo de jogadores, (como Carrager e Terry)  são fundamentais mas eles devem-se adaptar ao futebol técnico e não o inverso.

(A propósito das Academias):
Algumas academias preocupam-se em ganhar. Nós preocupamo-nos em educar. Vemos um miúdo que levanta a cabeça e executa o passe de primeira e pensamos de imediato: este serve, tragam-no e nós treinamo-lo.


Continuo a pensar que o Sporting tem, acima de tudo, que voltar a reconciliar-se com o bom futebol para que a reconciliação com os adeptos possa igualmente ocorrer. E para isso não é preciso reinventar a roda. Se faltam as boas ideias que se copiem os melhores exemplos.

2- Transparência:
Recuso-me a acreditar nas notícias que dão conta da ida de Bettencourt para o BES. Tal como nos dizia o nosso amigo J há dias, também eu pensava que grande parte dos nossos problemas tinham a ver com a incompetência e não apenas com a má-fé. Ver agora o presidente abandonar o barco adornado mas com a vida bem arranjada precisamente com um dos nossos credores, com quem negociou até há poucos dias faz lembrar a venda dos terrenos à MDC, quando o nosso principal interlocutor acabou pouco tempo depois sentado na secretária daquela empresa. Bettencourt não é a mulher de César, mas…

*Com os agradecimentos ao @imago_route, Terrassa, Catalunha

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Fonte de desperdício

O Real Madrid acaba de vencer um jogo bastante difícil na cidade condal, ao derrotar por 1-0 o Español jogando praticamente todo o encontro em inferioridade numérica, por expulsão de Cassillas logo aos 2m de jogo. Mas a razão desta meia dúzia de linhas é dar conta da estreia de Rui Fonte pela equipa de Mauricio Pochetino, aos 81m de jogo. Foram apenas 10m, sem oportunidades de mostrar muito mas é um facto digno de nota, lembrando também a estranheza que o empréstimo de um jogador que termina o vinculo com o clube no final da época, estando por isso livre para assinar por qualquer clube. 

Não sei se Rui Fonte poderá vir a ser ou não um grande jogador  e com 20 anos ninguém o poderá garantir ou desmentir. Mas esta estreia num dos campeonatos mais competitivos do mundo, numa das equipas sensação e que segue em lugares que dão acesso às competições europeias é pelo menos um atestado de confiança nas suas capacidades, que pelos vistos não foram reconhecidas pelo clube que o formou. Atendendo ao seu percurso nas selecções nacionais e quer no Sporting quer no Arsenal, onde esteve emprestado, era capaz de merecer outro cuidado. É que nem só de grandes jogadores se fazem as equipas de futebol e o Sporting tem dado provas de ser capaz de formar bons jogadores que acaba por não aproveitar a sua valia, acabando a gastar dinheiro em jogadores mais caros e nem sempre de igual valia. Uma fonte que parece tão inesgotável como desperdiçada.

Porque o Sporting também é isto

Retrato de um velho Leão

Sócio número 2 do Sporting


Mário Moniz Pereira, nascido a 11 de Fevereiro de 1921, em Lisboa, é a referência do atletismo no pós-guerra, especialmente depois do 25 de abril. Sempre ao serviço do Sporting, de que é sócio número 2, e muitas vezes com a "camisola das quinas". Mas fazendo da defesa do atletismo uma constante, próxima da intransigência.  

Pelo Sporting, Moniz Pereira foi, sucessivamente, atleta, seccionista, treinador e, por fim, vice-presidente, desde a direção de Santana Lopes, cargo que ainda mantém. Acabado o Liceu, entrou para o INEF, actual Faculdade de Motricidade Humana. Já depois da II Guerra Mundial, dava aulas como assistente e iniciava os primeiros passos como treinador no clube. 

Duro e exigente...


O contacto com o estrangeiro, a partir de 1948, dá-lhe experiência. Aprender, sempre, é o seu lema. A consagração só veio depois de 1974, após muitos anos de luta e quando já centenas de atletas lhe tinham passado pelas mãos.  

Moniz Pereira conseguiu para os seus atletas a dispensa de meio dia de trabalho e isso foi o arranque para uma verdadeira "avalanche" de sucessos, com destaque para os títulos olímpicos e os recordes mundiais. Duro e exigente no dia a dia, a ponto de ganhar fama de obstinado e fanático, tem sido venerado por quase todos que com ele trabalharam.  

Uma coisa não se lhe nega: o empenho militante com que defende os interesses da modalidade, em contraposição com o futebol. Portugal vive numa "ditadura futebolística", diz Moniz Pereira para quem o quiser ouvir... ele que até foi preparador físico da selecção nacional e muitas vezes é visto na tribuna da direcção "leonina", a assistir a jogos do desporto-rei.

... e defensor de tudo o que é português


Irónico, mordaz, espírito vivo, Moniz Pereira apadrinhou iniciativas como a Associação de Amizade Portugal-Portugal, uma humorada "resposta" às associações de amizade que profileraram a seguir ao 25 de Abril.    

O comando directo do atletismo do Sporting deixou-o após os Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992. Mas o "senhor atletismo" - como já era chamado - não esqueceu a sua velha paixão. No seu gabinete na sede do "leão", continua a preencher os seus caderninhos de registo de resultados, instrumento de trabalho inseparável desde há décadas. E a seguir tudo o que se passa na modalidade.  

De vez em quando Moniz Pereira desce à pista, afasta com diplomacia o treinador e dá o treino, cronómetro na mão, como nos velhos tempos. E nos bastidores tudo passa por ele e analisa ao pormenor os adversários do Sporting, decidindo em última instância quem compete.  

Parbéns Sr. Atletismo

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Continua a via-sacra

Prosseguiu hoje a via-sacra do Sporting no campeonato nacional- Hoje em Olhão cumpriu a 19º estação. Entre a auto-flagelação de uma equipa mal orientada, quase sempre inferior ao adversário, e a crucificação pelo apito do Olegário,que fez pagar com juros de agiota o golo inicial, assistiu-se a um espectáculo pobre e triste onde ninguém diria ter estado presente um grande de Portugal. 

SPORTING: Rui Patrício; João Pereira, Carriço, Torsiglieri, Evaldo; André Santos, Pedro Mendes, Maniche; Vukcevic, Postiga e Valdés. 
SUPLENTES: Tiago, Polga, Salomão, Saleiro, Matías, Zapater e Cristiano. 

OLHANENSE: Ricardo Batista; João Gonçalves, Maurício, Mexer, Carlos Fernandes; Nuno Piloto e Fernando Alexandre; Jorge Gonçalves, Rui Duarte e Ismaily; Djalmir. SUPLENTES: Bruno Veríssimo, André Micael, Lulinha, Cadú, Adilson, Suárez e Yontcha. 

Só promessas não!

Apesar das dificuldades inerentes a uma situação financeira gravíssima e de difícil solução, começo a chegar à conclusão de que o lugar de presidente do Sporting continua a ser apetecível. Mesmo sendo públicas e notórias as debilidades de um clube que tem vindo a “descolar”, em termos competitivos, dos seus mais diretos rivais e tendo, ainda, em conta o panorama interno pouco atrativo e agravado pela situação criada com a renúncia de José Eduardo Bettencourt, a verdade é que há indicações claras de que já não se coloca a hipótese de um “vazio” irreparável no histórico clube de Alvalade, como chegou a recear-se.

Já aqui escrevi que não voto em nomes mas sim em projetos, o que significa que me decidirei pelo nome que apresente um projeto realista, viável, credível e que assegure, de facto, o investimento que é necessário fazer. Assim espero que proceda a maioria dos sócios do Sporting. Porque não é suficiente que um candidato garanta que vai tentar atrair investidores ou diga que é possível que fulano, sicrano, beltrano as Empresas X e Y invistam, em força, no Sporting. Também não chega prometer que procurará negociar com a Banca uma nova solução para a dívida acumulada e respetivos juros. São importantes – direi mesmo indispensáveis – dados concretos em que possamos acreditar.

É dever dos candidatos esclarecerem os associados acerca do seu projeto, sem promessas vagas ou simples intenções, e que “conceito de clube” propõem se forem eleitos. Um “conceito” que deverá trazer profundas alterações na área do futebol. Não temos a memória tão curta que nos impeça de recordar um passado recente em que as promessas megalómanas e o aventureirismo de alguns – ainda que à sombra de muitos sonhos líricos e ingénuos – empurraram o Sporting para um plano inclinado que por pouco não o conduziu a um abismo sem… regresso possível. 

Ainda pode aparecer quem prometa a vinda de nomes sonantes de craques e de um treinador “milagreiro”. Pela minha parte, há muito que aprendi a não me deixar embalar com promessas deste tipo. Lembro-me sempre do velho “conto do vigário” que, embora ainda dê sinais de vida, pelo menos já não comporta “histórias” tão ingénuas como a de um pobre provinciano que, nos distantes anos 30, veio à capital, a conselho de um velho amigo de in- fância, ao encontro de um sobrinho deste que era subgerente do Montepio. Viajara, propositadamente, para fazer um depósito que lhe daria um rendimento razoável. À chegada, foi abordado por um vigarista que disse trabalhar na Carris e o convenceu a comprar um… “elétrico”, negócio muito mais rentável do que um depósito a prazo. O vigarista ofereceu-se para tratar de tudo, entregou-lhe um ”recibo” dos cem contos que ficaram em seu poder e deu-lhe um cartão para ir no dia seguinte à estação de Santo Amaro, onde o “elétrico” lhe seria entregue. Em conclusão, o pobre homem ficou sem os cem contos que, naquele tempo, era dinheiro e sem o… “elétrico”!

Artur Agostinho no Record

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A súbita orfandade do Roquetismo

Roquetismo é uma palavra que veio para ficar ainda por muitos anos no Sporting e adquiriu um carácter depreciativo que hoje é usado para classificar uma era de irresponsabilidade e que nos trouxe onde estamos que Rui Santos explica no seu artigo de ontem, quando diz, entre outras coisas: Comeram a carne ao Sporting, deixaram-no exaurido e exangue, sem património, sem referências, sem liderança, sem programa, sem objectivos, à custa da mentira (como disse Costinha, entre outras verdades) e de soluções palacianas, apenas válidas entre aqueles que querem o protagonismo sem escrutínio e sem crítica.

Mas de repente, assim que a maré virou, assistimos a uma súbita orfandade do que se designa de "roquetismo", ficando apenas aqueles que, pela sua exposição mediática, não se conseguem livrar da pele que vestiram. Não falta quem agora, depois de anos a fio a suportarem dirigentes e corpos sociais com o seu voto, com o seu autismo ou com a sua abstenção e alheamento, se retire de mansinho e assobiar para o ar como se não fosse nada com eles, e ainda têm o descaramento de renegar o que andaram a defender. Com a agravante de muitos, nesse trajecto, não terem hesitado em colocar em causa o Sportinguismo de muitos que se foram levantando e chamando à atenção. O roquetismo não foi apenas constituído por uma classe de dirigentes mas por uma imensa legião de adeptos.

Para bem do Sporting e para a pacificação que se deseja é bom que percebamos que todos somos precisos, que se acabe definitivamente com a análise perigosa sobre a eugenia dos Sportinguistas em função da sua opinião. Mas é também importante que não se reescreva subitamente a história, esquecendo o contributo que cada um deu para chegarmos onde chegamos. Não para fomentar purgas ou revanchismos mas para que a memória nos lembre os sítios onde não queremos voltar.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Braz da Silva em vistoso flic-flac à retaguarda

Depois de ter prometido um fundo de 100 milhões, que afinal era de 50 e de ter prometido que a sua candidatura era irreversível, Braz da Silva retira-se tão depressa como apareceu, deixando atrás dele o nada de onde saiu. Mas ainda assim manteve o estilo grandioso: já tinha um dos melhores treinadores do Mundo e alguns jogadores.

Todos sabemos que o clube vive há muito tempos conturbados, a tal guerrilha interna que se refere Braz na sua despedida e que resulta, entre outros factores, da falta de liderança esclarecida. Era isso que quem se candidata a presidente do Sporting deveria oferecer e que o ex-candidato não conseguiu fazer passar do papel e das conferências de imprensa. Pela ordem natural das coisas a paz interna não se fará por decreto mas sim quando haja líderes de corpo inteiro que se imponham com a naturalidade que lhes é peculiar, anulando a vozearia e os protagonismos interesseiros.

A forma como Braz da Silva se esfuma é absolutamente lamentável e é um mau serviço prestado ao clube. Ele que até tinha marcado a agenda, agitado consciências e obrigado putativos candidatos a maiores cuidados do que estamos habituados a ver em eleições no clube. Ao revelar ameaças e pressões cujos autores não nomeia abre campo a qualquer tipo de especulação, sendo tão natural pensar que aquelas são imputadas à candidatura que se atribui a Godinho Lopes como ver nelas desculpas para a sua própria incapacidade em arregimentar os apoios que necessitava. Perante a gravidade das suas afirmações o mínimo que podia fazer era revelar aos seus consócios os “nomes dos bois”. O mesmo faz Abrantes Mendes, sem se perceber o que tanto teme um magistrado para não falar abertamente.

Onde havia um fundo há agora um vazio que servirá para ridicularizar um pouco mais um clube centenário. O fundo era para o futebol, mas a modalidade escolhida por Braz da Silva foi a ginástica fazendo um desajeitado flic-flac à retaguarda. Veremos o que acontece  agora ao consenso que o “perigoso Braz” gerou. Servindo-me de uma frase do ex-candidato veremos quem ama mesmo o Sporting…

A revolta do balneário, Costinha e os trampolins

Não vale a pena escamotear a realidade que vem hoje na imprensa: a revolta está instalada no balneário em Alvalade. Ela poderá parecer paradoxal com o sentimento generalizado de que o despedimento de Costinha, face aos acontecimentos, além de inevitável é uma medida salutar, que só pecará por tardia, mas não deve ser considerado propriamente uma surpresa. A lógica de funcionamento do chamado  "grupo de trabalho" no futebol rege-se por regras sui géneris e que, em grande medida, nos escapam na sua totalidade. É por isso que não me surpreende que a saída de Costinha tenha repercussões negativas no ânimo dos jogadores por verem partir alguém que lhes estava próximo, pelo convívio diário e que, pelas declarações que conhecemos, gozava de pelo menos relativa ascendência  e com quem os atletas se identificavam.

Agora o que menos interessará é perceber se essa identificação se alicerçava nas melhores das razões, importa antes de mais minimizar as consequências que podem advir da partida do antigo director nos resultados, que já de si são o que são. Como e quem o fará é que é difícil de perceber e aí não nos restará outra alternativa do que confiar na qualidade mais comummente apontada a Paulo Sérgio: liderança. Tivesse Bettencourt usado pelo menos no acto final usado, por segundos que fosse,   do bom senso que sempre lhe faltou e este cenário seria evitado. É que quanto mais se olha para a sua actuação mais difícil é perceber que ele quisesse fazer outra que coisa que não mal ao clube: contrata um director-geral, provavelmente para por na linha o director para o futebol, e de seguida demite-se deixando várias bombas relógio à espera da pior oportunidade para explodir. Costinha foi “a” menos paciente.

De certa forma compreende-se o sentimento de orfandade que se possa sentir no balneário, que afinal não é muito diferente do que se sente de forma transversal a todo o clube. Sobrevém um sentimento de estado agonizante e de desagregação que faz do dia 26 de Março um ponto longínquo, restando pouco mais do que aguardar. É uma conjuntura pouco propícia à reflexão e compreensão. Por isso é natural no  grupo de trabalho não se perceba que mais do que ser defendido por Costinha este se serviu dele para se defender a si e às suas decisões. E que a consideração afinal não era assim tão grande como poderia parecer. À entrada e à saída o director desancou forte e feio no brio profissional dos atletas, quando falou em impor novas mentalidades e que o Sporting não podia ser trampolim para ninguém. Mas a forma como geriu a sua entrada, permanência e saída deu a entender claramente que se cria acima do clube e até de quem nele confiou. Para que os jogadores mudem de sentimento e até de opinião bastará que no seu lugar  surja quem ajude de facto o clube a criar as condições para que as suas carreiras possam prosseguir com a valorização que anseiam.

Talvez também agora os adeptos se questionem sobre se o clube perde muito com a saída de Costinha. Sinceramente não creio e digo-o desiludido. Para o cargo que ocupa são várias e demasiadas as ilustrações da sua incompetência e inadequação. As habilitações de Costinha não o recomendariam mais do que o desempenho de funções de proximidade com o balneário e de ligação com a estrutura directiva, cargo que pode perfeitamente ser desempenhado por alguém que tenha no seu curriculum anos de camisola com leão ao peito, e sem necessidade de estar constantemente a invocar procedimentos e culturas que nos são completamente alheios. Até lá é aguentar a ressaca...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

50 milhões de euros resolverão 50 milhões de problemas?

Subitamente o Sporting parece ter resolvido os seus problemas de liquidez. Dos dois candidatos que avançaram ambos se comprometeram já a apresentar aos Sportinguistas um fundo de 50 milhões de euros, supõe-se destinados a alavancar a próxima época com aquisições para a equipa principal do Sporting. Nem parece estarmos a falar do mesmo clube que se despediu de Liedson por, entre outras razões, ter dificuldades em pagar-lhe o vencimento que ainda há pouco havia contratado. Ou do mesmo Sporting que, na tentativa de substituir o seu melhor ponta-de-lança, não consegue melhor do que protelar para 2012 a primeira tranche de pagamento na proposta feita por Kléber. Como não coloco em causa o  amor ao clube dos dois candidatos, estou certo que, independentemente do resultado eleitoral que venham alcançar, qualquer um deles, ou outros que se venham a apresentar com propostas semelhantes, encaminharão as suas carteiras de investidores para a nova administração, de forma a que o Sporting veja resolvido aquele que muitos apontam como o principal problema do Sporting e de que Costinha foi apenas última voz conhecida: a falta de dinheiro face aos seus rivais. Por este andar ainda vamos acabar por concluir que o melhor era haver eleições todos os anos e com elas as soluções milagrosas cresceriam como cogumelos, sendo por isso fácil de estimar que, no final desta década, Abramovich (Chelsea) ou Khaldoon Al Mubarak (ManCity) sentir-se-iam incomodados pela pequenez dos seus números ao leram os nossos orçamentos.

Ironias à parte, e não querendo minimizar os méritos e a coragem dos dois consócios que já se deram como candidatos, temo que o tema dos 50 milhões acabe por ganhar uma preponderância perniciosa no debate sobre os méritos das candidaturas, acentuando a ideia de que existem soluções milagrosas. E esse perigo é agravado pelo carácter uninominal que estas eleições parecem querer assumir, como se um homem só pudesse ser a solução para os problemas do Sporting. Com 50 milhões de problemas para resolver o Sporting não mudará de rumo sem uma equipa dirigente a jogar ao mais alto nível nos diversos palcos onde se exigirá, mais do que nunca, dedicação e competência. Em termos mediáticos os primeiros passos dados por Braz da SIlva e Bruno de Carvalho foram dados isoladamente, veremos o que acontecerá nos próximos actos.

O que o argumento dos 50 milhões não tem em linha de conta é que o problema do Sporting nunca foi verdadeiramente o dinheiro mas a forma como ele é aplicado.  Sabe-se que, grosso modo, Bettencourt gastou quase 40 milhões de euros em menos de dois anos no que pretendia ser o reforço competitivo da equipa e resultado desse esforço: zero de progressos na competitividade, um plantel envelhecido, sem valorização dos seus activos e sem vislumbrar a realização das mais-valias necessárias à sua renovação. Com metade desse valor os nossos rivais Fabio Coentrão (1 milhão de euros), Gaitan (8,4 milhões) David Luis (2,4 milhões) Falcão (5,4 milhões, menos que Pongolle, tendo Purovic custado metade...) que, associados a João Pereira (3 milhões),  e com a manutenção de Veloso e Moutinho, constituiriam um  outro plantel, por comparação com o que hoje temos. Estes são nomes de recurso, não necessariamente os meus, mas de mais fácil entendimento para demonstrar o que aqui se pretende. Não estaria hoje o Sporting mais competitivo?

Obviamente que não, se a aposta fosse num treinador como Paulo Sérgio. Da mesma forma que o SLB investia muito e estaria condenado a não valorizar David Luiz e Di Maria como valorizou se mantivesse a aposta em Quique Flores. E seguramente que mesmo com um bom treinador o Sporting não assegurará o titulo, como pode acontecer este ano também ao SLB com Jesus, ou ao FCP com Vilas Boas, mas que, pelo que as suas equipas vão jogando, não deixam de valorizar os seus activos e de manter a fidelidade dos seus adeptos.

O Sporting precisa de, antes de qualquer outra medida, de se reconciliar com o bom futebol para voltar a contar com a paixão dos seus adeptos. Para isso é necessário fazer o uso da razão que lhe tem faltado na condução da actividade desportiva. Coisa que não conseguirá com velhas fórmulas e velhos actores. É isso que perspectivo com o regresso agora apregoado da dupla Duque / Freitas que, sem discutir se foram  bons a comprar, foram uma nulidade a vender sendo, em particular o 2º, pelo tempo que esteve como director desportivo, os pais de uma boa parte do passivo. Basta olhar para os prejuízos da SAD:  1998/99, 2 milhões e meio, em 1999/00, onze milhões e meio, em 2000/01, 21 milhões e meio, em 2001/02, 22 milhões e 700 mil euros, em 2002/03, o máximo de prejuízo de 27 milhões e 300 mil euros. Se for só para gastar até eu sirvo.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A melhor aquisição deste Inverno II

Na sequência do meu post "A melhor aquisição deste inverno", em que sugeria a interposição de uma providência cautelar que impedisse uma administração demissionária de continuar a estender a sua acção ruinosa, consultei vários amigos melhor preparados que eu para a devida abordagem jurídica ao assunto. O que hoje aqui partilho convosco é uma dessas respostas, cuja leitura me parece pertinente, uma vez que, além da questão jurídica propriamente dita, são abordadas matérias de grande actualidade e importância na vida do clube.

Carta do meu Amigo J:

Meu caro,

Agora que se vê a importância que teria existir um qualquer mecanismo de governance como o que sugere no seu post, escrevo-lhe para lhe dizer que, do meu ponto de vista, não há, ou pelo menos não há nada que permita um controlo efectivo a esse nível.

A verdade é que o SCP não é como o governo, e mesmo demissionária, a Administração tem sempre poderes de – no mínimo – gestão ordinária do Clube, que no limite poderá compreender, julgo, adquirir e alienar passes de jogadores e renovar os direitos desportivos da SAD sobre eles. A somar a isto, é importante vermos que uma norma que impeça uma Administração demissionária de agir no mercado pode levar também ela a que isso consubstancie maus actos de gestão, senão vejamos:

O perfeito seria no período em que a Administração esteja demissionária, estar-lhe vedado comprar, vender ou renovar. Mas será que uma Administração, mesmo demissionária, não deve renovar com um Carriço? Será que uma Administração demissionária deve deixar passar uma oportunidade de receber uns milhões pelo Maniche ou por outro elefante branco do plantel? Será que deve perder a oportunidade de trazer o Messi a custo zero? Bem sei que são hipóteses académicas, mas numa norma que impeça tout court a Administração de agir no mercado, o risco é este. E nem podemos mitigar isto com um critério qualquer de razoabilidade ou de bom senso, porque as decisões que se tomam quanto ao plantel são, em larga medida, subjectivas. Com efeito, há quem aplauda a saída do Liedson e a entrada do Cristiano e a renovação do Postiga. E com esta subjectividade, o conteúdo da norma ficaria vazio, porque todas as medidas estariam bem e mal para uns e outros. O mesmo se diga por exemplo com um critério puro de valor do tipo: “só se pode comprar até X e vender acima de Y”. Também há bons negócios fora destes valores, e talvez sejam negócios que uma Administração, mesmo demissionária, deve fazer.

Dito isto, o que eu acho é que a subjectividade devia ter um filtro qualquer, e uma Administração demissionária poder agir, mas não ESTA Administração demissionária.  

O SCP vender o Liedson sem acautelar uma solução (nem que seja quantitativa) para o ataque é um acto de brutal má gestão. É só destruir um activo e vender pela porta do cavalo um dos poucos símbolos do Clube. Como sabe, terrorista me confesso, mas sempre achei que, em tudo o que não tangia com o património imobiliário e financeiro do SCP, não haveria má-fé, incompetência. Mas isto começa a ser demais. O SCP deixou simplesmente de ter 4 avançados para passar a ter 3, e nesta redução do tamanho do plantel, vendeu o melhor dos 4 avançados que tinha. Que em 4 avançados, o único que valha dinheiro seja o que tem 33 anos é já de si sintomático da qualidade que se tem imprimido na formação do plantel nos últimos anos.

Mas é sintomático de algo mais. O SCP tem verdadeiramente a corda na garganta, e não é a propalada emissão de VMOCs que cá está para lhe aliviar o sufoco. Essa vai aliviar o serviço de dívida, ou seja, vai aliviar o nó na garganta dos gestores que aprovaram emprestar dinheiro ao SCP. Ninguém me tira da cabeça (e confesso já ter ouvido coisas nesse sentido) de que o SCP tem que reduzir pressão na folha salarial JÁ, vá quem for, sob pena de começar a haver gente com salários em atraso. Isto é grave e levanta muitas perguntas como por exemplo, o que se poderia fazer com 6.5 Milhões de Euros que se pagaram (e se continuarão a pagar por muitos e bons anos) por Sinama-Pongolle.

São estas e muitas outras perguntas que devem encontrar resposta no futuro, sob a forma de auditoria. Que “o SCP não tem as mesmas condições que os outros” é uma lenga-lenga que já ouvimos há 15 anos. A diferença é que quando Roquette avançou com ela, o SCP tinha MAIS condições que os outros, e agora tem bem menos.

Quanto a Braz da Silva, o facto do projecto dele ser encabeçado pelo presidente do conselho fiscal que nunca reparou que o SCP se estava afundar (ou se reparou, nunca avisou) só por si desaconselharia que se seguisse este canto de sereia. Acho irónico que a malta do Projecto, que durante anos nos ameaçou com o maniqueísmo “ou somos nós ou então um aventureiro tipo Jorge Gonçalves”, se queira agora perpetuar com um desconhecido empresário que traz promessas de dinheiros coloniais. Só falta ter bigode e aterrar na Portela com o Rijkaard – mas agora para treinador – para a história se repetir na íntegra. Quem também parece satisfeito com esta solução é Rogério Alves. Nada que me espante. Depois de ter mandado apagar a Centúria Leonina toda, essa tertúlia onde ele e os acólitos cantavam os louvores da Administração profissional do SCP, para ninguém poder ler o percurso que o levou a dar a cambalhota intelectual, vê agora em Braz da Silva a oportunidade ideal para alguém que não ele (i) ficar com a responsabilidade de reabilitar o Clube (ii) injectar dinheiro no Clube. Mais do que isso, ao criar um consenso (esse eufemismo para “juntar-se ao cortejo”), Alves garante que fica mais um mandato a orbitar perto que chegue do poder para quando achar que o SCP está mais digno de ser presidido por ele (leia-se mais capitalizado e pacificado) ele então começar a sua jogada já habitual de minar por dentro.

É um bocado paranóico, dir-me-á, mas um ano e meio depois de JEB ter chegado em glória e me terem chamado tudo, incluindo Velho do Restelo pelos meus vatícinios de que o SCP iria entrar numa espiral de dificuldades financeiras e desportivas sem precedentes, que a Academia e o Estádio tinham os dias contados enquanto activos do Clube, e acima de tudo de que quando os VMOCs estivessem completados, JEB já poderia sair com a sensação do dever cumprido, acho que já provei as minhas capacidades mediúnicas que chegue para me levarem a sério. J

Agora, uma nota: talvez o status quo tenha medido mal o que passou para o público. Se Braz da Silva avançar com a promessa de 50 milhões para gastar em jogadores, ou eles aparecem e rendem, ou então o senhor da Finirtec vai ver a vida correr-lhe muito mal, muito depressa. Até ver, as promessas dele podem ser verdade. É que o Carlos Freitas já se demitiu do poleiro dele na Grécia e começou a dar entrevistas sobre o quanto que deu a ganhar ao SCP com o Liedson. Deve-lhe ter cheirado a dinheiro fresco e já deve ter uns Tellos em carteira para vender...

No entanto, a proposta de Braz de Silva é assustadoramente vazia, e parece resumir-se a trazer um saco com dinheiro para o Clube, esquecendo que a muito breve trecho, as regras do jogo vão mudar, e o reforço das equipas vai estar condicionado a imposições e limitações concorrenciais e a numerus clausus de jogadores da formação. Será que é no preciso momento em que a formação se vai converter numa tremenda mais-valia que se vai mudar o paradigma de investimento do SCP? Sobre isto, nada se sabe, resta esperar para ver.
J

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O resultado final de Costinha

Ouvi com atenção a entrevista de Costinha ao Resultado Final da SportTv. Não nego que Costinha constituiu uma enorme desilusão neste quase 1 ano de mandato, como é fácil de perceber em quem acompanha este espaço. Mais ainda tendo sido o "ANorte" que antecipou em exclusivo a vinda do actual desportivo com esperança incontida de dias melhores, que se acabou por revelar injustificada. Mas não ficaria tranquilo com a minha consciência se não repetisse a ideia que já aqui exprimi anteriormente e que ainda mais vincada ficou após a entrevista. Mesmo que essa ideia seja contra a opinião agora instalada, mesmo que quem agora a perfilhe tenha aprovado muito do que agora se condena em Costinha.

Apesar dos erros cometidos seria demagógico e injusto julgar Costinha de forma implacável, não tendo em conta que também ele foi vitima de um clube desprovido de organização e liderança e que por isso tem dificuldade em recrutar e aproveitar os recursos humanos. Costinha demonstrou nos actos e agora no discurso falta de preparação para ocupar um lugar de topo como o é um director desportivo. O que não é a mesma coisa que dizer que, assim ele tenha a vontade que parece ter, que não possa servir com proveito para o clube numa chefia intermédia, num cargo próximo  do balneário que conhecemos como chefe de departamento. Mas a entrevista de Costinha, pelo que diz e pela forma que o faz, uma admissão implícita de quem sabe poder estar a viver os últimos dias no cargo que ocupa.

Deixo aqui alguns excertos comentados do que me pareceu mais importante nesta hora de conversa:

  • importante defender o grupo de trabalho
  • dorme de consciência tranquila por que é honesto
  • responsabilidade deve ser dividida por toda a estrutura
  • veio para fazer trabalho ou para ser tubo de escape
  • Costinha acha que atacá-lo é atacar o clube
  • os adeptos estão cheios de mentiras porque ninguém lhes diz a verdade
  • o Sporting parece mais um trampolim, todos querem ir jogar para fora mas simultaneamente pediu respeito, dedicação e amor à camisola mas não nomeou quem não tem esse comportamento.
  • Defendeu a contratação de Maniche pelo curriculum
  • Toda gente fala mal do Sporting e ninguém diz nada dizendo que o mesmo não se passa com os nossos rivais, (esquecendo a quem cabe fazer essa defesa)
  • Reconhece que não temos as condições financeiras dos outros parecendo deitar a toalha ao chão relativamente à possibilidade de ser campeão tão cedo
  • Criticou abertamente a saída do Liedson tornando claro que o processo não passou por ele
  • Descartou responsabilidades no caso Izmailov
  • Não percebe a falta de respeito pelo Sporting pela classe jornalística
  • José Couceiro não veio resolver nada
  • O SLB e o FCP contratam quem quer e o Sporting não
  • Queria o Trezeguet e não veio por falta de verba
  • O discurso do Costinha agradou sobremaneira a Simões,vá-se lá saber porquê...
  • Alinhou nitidamente a Paulo Sérgio contra o resto comparando com a situação de Ferguson em Manchester, em que o escocês esteve muito tempo sem ganhar nada.
  • Não se demite e será o último a abandonar o barco
  • O comportamento do Moutinho não foi digno, já queria sair em Março
  • Fomos buscar o NAC que é um grande central e não os jogadores que o FCP se queria ver livre deles
  • Reconhece qualidade e potencialidade a Paulo Sérgio a quem acha que tem faltado sorte e vitima da dualidade de critérios da arbitragem
  • O clube tem que ter um discurso frontal e realista
  • Só Maniche e Salomão é que são de Jorge Mendes e não percebo porque se fala tanto dele
  • Custa-me a ver o Sporting a lutar pelo 3º e 4º lugar e o estádio vazio quando antes o Sporting não ganhava nada e mesmo assim tinha o estádio cheio.
  • Obviamente que se é Couceiro que manda os meus poderes foram reduzidos, mas não sou de amuar a um cantinho por causa disso.
  • Não se trata de me demitir a pergunta correcta é se mantenho a ilusão que me trouxe até ao Sporting que era a de servir o clube que amo.

Scolari? Deixa estar o Paulo Sérgio!

Hoje, no Diário Económico:

O brasileiro Luiz Felipe Scolari, seleccionador nacional entre Fevereiro de 2003 e Junho de 2008, é o treinador que José Braz da Silva, candidato à presidência do Sporting, pretende para suceder a Paulo Sérgio na próxima época. Sobre o assunto, Braz da Silva não faz comentários, limitando-se a admitir que "todo o universo sportinguista pretende um rumo novo e um novo líder". Ao mesmo tempo, Braz da Silva admite a possibilidade de a sua candidatura ser "apresentada em Lisboa no próximo dia 15".

A propósito da possibilidade do ex-seleccionador nacional poder vir a ser treinador do Sporting deixo aqui um post do PB, no Lateral Esquerdo:




"A única coisa que o Kalou fazia era correr rapidamente. Não fintava muito bem e por isso colocámo-lo a driblar pinos. Ok, eu sei que era pinos mas ajudou-o a driblar adversários, algo que ele faz agora sem nenhum problema." Luis Felipe Scolari.

Felipão fez um trabalho enorme ao serviço de mais de uma selecção. As suas competências de selecção e de liderança são muito fortes, e contribuíram para o seu sucesso.

A qualidade do seu trabalho técnico-táctico é facilmente perceptível na sua frase. Felipão não deve ser bastante mais que um rotundo zero nesse campo.

Mesmo você, quando levar o seu filho de oito anos ao treino de futebol, desconfie quando o colocarem a contornar pinos. Nem nessa idade a técnica deve ser treinada de forma desenquadrada da realidade do jogo.

P.S. - É muito divertido imaginar a cara dos jogadores do Chelsea quando pouco mais de um ano depois de trabalharem com José Mourinho foram confrontados com exercícios onde tinham de driblar pinos.
Por essas e por outras é que digo: Scolari?! Deixa lá estar o Paulo Sérgio. Ao menos esse é mais barato e gosta de apanhar... 

O que faria Faria e outras questões

Se algum mérito tem que ser reconhecido a Braz da Silva é o dinamismo que imprimiu à sua candidatura e que obrigará os que se venham perfilar na corrida à presidência do Sporting a trabalhar muito bem para encurtar a vantagem de quem não só partiu à frente como impõe a agenda e ainda por cima diz o que a maioria gosta de ouvir:  “um fundo de 50 milhões”, “o Sporting tem que ter os melhores ”ou “Sporting em primeiro”etc.

Obviamente que as questões do futebol serão centrais em todo o debate eleitoral. Se por um lado se percebe, pela importância que a modalidade assume no clube, quer ao nível desportivo quer financeiro, era importante que a restante actividade do clube não fosse esquecida, bem como a modernização do seu modelo organizativo. Questões relacionadas com o pavilhão e a revisão estatutária – o número de votos por associado versus antiguidade, o voto à distância, o modelo de A.G. – são fundamentais para imprimir uma nova dinâmica que há muito se reclama e que nem após o Congresso de Santarém se verificou.

Mas o futebol acabará por marcar a agenda e, nesse sentido, Braz da Silva continua a marcar pontos, ao ver o seu nome associado a Rui Faria, treinador adjunto de Mourinho. Não deixa de ser caricato que, após termos tido Mourinho como tradutor e tê-lo visto entrar e sair pelas portas dos fundos, estejamos agora à volta dos seus sucedâneos, como se o ADN se transmitisse pelo ar comum que se respira. Ser braço direito  do "Melhor do Mundo" não o garante como o 2º melhor do Mundo nem sequer como bom treinador, embora haja quem alvitre que ele é o ponto de arquimedes de Mourinho. Ao contrário de Villas Boas que, mesmo com pouco tempo de trabalho, deu pelo menos para perceber haver potencialidades que este ano se vão confirmando, apesar de, correndo mal, poder acabar a época sem ganhar nada. Mas é indiscutível que a sua entrada no FCP correspondeu a uma melhoria notória na qualidade de jogo, apesar de nem ser liquido que disponha de melhor plantel que Jesualdo teve à disposição.

Essas são, no entanto, considerações para mais tarde. Porque ainda sem saber o que é realmente verdade nesta noticia e o que faria Faria como treinador principal parece-me  desde já assinalar que estas eleições, mais do que nenhumas outras na história do clube, ficarão assinaladas pelo poder de comunicar das candidaturas, como o prova o facto de quer Braz da Silva quer Godinho Lopes, o candidato que se segue, apostarem forte ( e seguramente que caro…) em agências de comunicação.

Talvez por isso, talvez como nunca, os Sportinguistas sejam obrigados a estarem atentos de forma a destrinçarem o que são intenções e acções e talvez até o que são sound-bytes e o que são realmente medidas necessárias e desejáveis para o futuro melhor que todos ansiamos.

P.S.- Hoje será o dia da apresentação da candidatura de Bruno de Carvalho. Esta é a mensagem que o nosso consócio enviou aos seus seguidores no Facebook, nos quais me incluo:
Quero agradecer todas as vossas mensagens de apoio e incentivo que acabaram por motivar a minha reflexão séria para avançar com uma candidatura ao Sporting Clube de Portugal.

O Sporting CP vai viver um periodo de mandato decisivo pois tem de definir agora o seu rumo futuro e as linhas de actuação estratégicas fundamentais para atingir os seus objectivos.

A primeira coisa que pretendi foi criar um Programa rigoroso para o Sporting Clube de Portugal e a partir dai começar a preparar as condições e a convidar a equipa para o poder cumprir. Essa tarefa foi imperiosa e era a unica forma de mostrar o respeito que tenho ao nosso grande Clube.

Mais que criar necessidades e movimentos no facebook é preciso pensar, refletir e ter soluções reais para o Sporting Clube de Portugal e esse foi o nosso caminho.

Agora está na hora de avançar e demonstrar que o Sporting Clube de Portugal tem de facto soluções, que existem sportinguistas qualificados que podem e querem dar o seu contributo, experiência e dedicação a esta grande instituição.

Vamos segunda feira dar um passo decisivo para o futuro com a apresentação de um Programa cujas linhas mestras assentam no respeito pelos sócios, na mobilização efectiva da massa associativa, numa estrutura empresarial transparente e competitiva, num Sporting CP Eclético e num Sporting CP com capacidade de assumir a liderança do futebol português.

Convido desde já todos para virem conhecer o Programa na próxima segunda feira no Hotel Sana Malhoa às 17h na Sala Belém IV.

Quero também informar que a partir de segunda, após a conferência, estará activo o facebook da campanha e que será por esse canal que iremos dar sempre todas as noticias, estando o meu facebook pessoal, por razões que podem facilmente compreender, privado.

Obrigado a todos pela força e contribuição para esta candidatura e nunca se esqueçam que vocês são a razão da existência do nosso Sporting Clube de Portugal!

Saudações leoninas,

Bruno de Carvalho

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Entre o sonho e a realidade

"The King's speech"




No final da manhã de segunda-feira, dia 31 de Janeiro de 2011, concretizava-se o anúncio da despedida de Liedson do SCP. Os rumores, que de forma emocional sempre tentei relacionar com especulação jornalística, transformaram-se em notícia oficial. A desilusão instalou-se e o jogo de despedida chegaria poucos dias depois. Os suficientes, no entanto, para criar expectativas: por uma questão de justiça poética iniciei uma construção de devaneios sobre um momento que se pretendia grandioso, mágico, digno perante o último dos jogadores leoninos que garantia momentos grandiosos, mágicos e dignos aos adeptos do Sporting. Tinha que ir até ao nosso templo…

Cai a noite na sexta-feira, dia 4 de Fevereiro de 2011, e com ela a realidade actual deste Sporting que não permite ilusões. Ao invés do estádio cheio e um ambiente quente a acolhedor, da primeira goleada perante o adversário mais fraco da Liga, duma exibição catártica, do clima pacificado e de união em torno do nosso jogador mais carismático, assistimos ao frio das bancadas semi-desertas, a um empate milagroso alcançado no ultimo minuto, à humilhação do melhor futebol praticado pelo ultimo classificado, e um clima tenso, violento, e com clímax final num feroz ataque sobre um treinador (de) negro e que só amainou após o 3 a 3 final. Foi altura de irromper o choro… O vídeo de homenagem com os feitos pouco ‘levezinhos’, o ultimo discurso do 31… E, mais uma vez, ao contrário do que eu imaginara, foi o Liedson que verteu as lágrimas que eu julgara não aguentar conter. Infelizmente contive. Dói ver Liedson partir assim, às pressas e sem ter sido campeão, mas dói muito mais ver o futebol miserável que o Sporting pratica. Ao ponto da revolta se impor a toda uma panóplia de sentimentos contraditórios que vivi na noite da passada sexta-feira e impedir que surgisse em pleno aquele sentimento nobre, agri-doce da nostalgia da despedida.

Uma noite que jamais vou esquecer. Como não podia deixar de ser por motivos díspares, embora não os inicialmente previstos: a enorme gratidão pelas alegrias proporcionadas por Liedson apareceram, mas com ela uma enorme tristeza de ter acabado de assistir aos 60 minutos de futebol mais deprimentes de que me recordo ver, ao vivo ou na Tv, o Sporting praticar. Sim, 60 minutos, porque tinha de ser precisamente anteontem a estrear a sensação de ficar retido fora do estádio no primeiro terço do jogo. Como eu muitas centenas de outros ‘leões’… Da mediocridade geral da noite, salvou-se Liedson e salvou-nos ele da derrota, ao bisar pela última vez em Alvalade… Faz sentido: afinal há coisas que nunca mudam e muito dificilmente nos desapontam.

Obrigado por tudo, Liedson. O melhor que posso fazer é guardar-te num cantinho do meu coração, bem ao lado de Manuel Fernandes, Oceano, Balakov e Acosta.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Bettencourt é ainda a pessoa certa...

A mediocridade é uma doença mais contagiosa que a mais terrível das doenças e se dúvidas houvesse o jogo de ontem vai-nos ficar retinir na memória por muito tempo. Ontem, quando se pretendia uma despedida em glória para Liedson e, defrontando um dos adversários mais débeis da Liga, a conjuntura era a mais favorável, foi precisamente a mediocridade que se sobrepôs á mais firme das vontades, inibindo a catarse que os Sportinguistas tanto procuravam de forma a expiarem momentaneamente a dor  infligida por humilhações conscutivas. Este é hoje o Sporting dos pequeninos, qualquer adversário parece grande diante de nós.

Ontem lembrava eu que Paulo Sérgio não era apenas um mau treinador, é um também um básico cuja impreparação se encarrega de, paulatinamente, ir fechando as portas atrás de si. Foi assim em Guimarães, já foi assim em Alvalade e a sua incapacidade de evoluir e aprender com os erros revelam também falta de inteligência. E é por isso que, não contente com os vexames a que nos sujeita nos relvados, ainda é capaz de descer à boçalidade nas conferências de imprensa, proferindo afirmações que embaraçariam de vergonha membros de associações de moradores, quanto mais adeptos de um clube centenário.

Está há muito desmitificado um mito que nunca existiu, a não ser na cabeça de Costinha (a propósito, perdeu o pio...) e na irresponsabilidade de Bettencourt: Paulo Sérgio não é um bom treinador e nunca o devia ter sido no Sporting. Mas obviamente que tenho que concordar com ele quando afirma que não é o único responsável pela situação do futebol do Sporting. Mais do que ele é ainda quem se lembrou dele e quem, da sua contratação, lavou as mãos e ainda teve o desplante de se por a mexer sem antes rectificar o mal que havia feito. Pior do que errar é ignorar ou insistir no erro.

Paulo Sérgio é um treinador medíocre e como qualquer medíocre, não tem de si essa consciência. Só  assim se percebe que o treinador não se considere o principal responsável  pelo que acontece este ano a um Sporting incapaz de vencer mais do que 3 jogos em casa. E como a mediocridade se enamora de si mesma para poder vingar, Costinha e Bettencourt chamaram PS para formarem no Sporting  um trio de kamikazes , brincando com o pouco dinheiro que ainda restava, se é que restava algum. Revelam a inconsciência infantil consubstanciada na anedota da criança que aprende a andar de bicicleta e grita, incauta, à mãe: olha, sem pés nos pedais! Mãe olha, agora sem as mãos no volante! Oh mãe, oh, agora sem …dentes! 

Demorará muito tempo para que os erros cometidos possam ser superados. Bettencourt é no entanto ainda a pessoa certa para explicar a parte do “vai pró c#%/&*§!” que Costinha e PS ainda não perceberam. Afinal não foi depois de ouvir o mesmo que JEB teve o rebate de consciência que o levou à demissão?

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Liedson deixa-nos a todos com razões para chorar

Numa noite plena de emoções Liedson despede-se de Alvalade num jogo que ilustra, com raras excepções, os 7 anos e meio da sua passagem pelo Sporting: faltou um Sporting maior para  Liedson poder ser ainda maior. As lágrimas vertidas hoje em Alvalade serão de saudade do baiano mas também de dor provocada pelo momento que atravessamos. Não nos faltam razões para chorar pelo Sporting.

 "Chorei poucas vezes na vida. Mas este custa muito. Nunca vou esquecer este clube. Nunca"

SPORTING: Rui Patrício; Abel, Carriço, Polga, Evaldo; Pedro Mendes, Zapater, André Santos; Vukcevic, Liedson e Postiga

Suplentes: Hildebrand, Torsiglieri, Saleiro, Matías Fernandez, Grimi, Salomão e Cristiano

NAVAL: Salin; Carlitos, Gomis, João Real e Camora; Manuel Curto e Godemèche; Marinho, Edivaldo e Simplício; Fábio Júnior.

Suplentes: Bruno Jorge, Daniel Cruz, Previtali, João Pedro, Giuliano, Hugo Machado e Rogério

Liedson: a última na 1ª pessoa

Será um momento emocionante!

Parece que vou fazer o meu jogo de estreia, num estádio cheio de gente, numa final de campeonato.

Com a minha idade não é fácil resistir a uma proposta destas, de um clube importante como o Corinthians.

Toda a gente vai comigo no coração, é um clube que ficará para sempre gravado na minha memória e no meu coração.

Posso garantir que não forcei nada para sair.

Acreditem, ainda há muita coisa para ganhar.

Não ser campeão é única mágoa.

Não guardo raiva ou ódio ao Sá Pinto.

Marcar ao Benfica sempre foi especial.




Braz hoje, ao Sol

Ao contrário do que é hábito, disponibilizamos a entrevista de Braz da Silva sem comentários adicionais, que reservaremos para altura mais oportuna. Que a nossa falta de tempo não iniba os comentários dos leitores habituais do "ANorte" é que desejamos.

(clique nas imagens para ampliar)


Porque Paulo Sérgio não serve

Já há muito tempo concluí, e desse facto dei aqui conta muitas mais vezes que gostaria, que Paulo Sérgio não serve para treinador do Sporting. Isso constata-se a cada jornada que passa, na forma como o Sporting joga, no deficiente aproveitamento e na ausência de valorização dos jogadores disponíveis. E nem os espectáculos nem os resultados conseguem desmentir a falta de preparação do técnico para o cargo que ocupa.

Mas há muito que me parece que Paulo Sérgio soma à falta de preparação técnica a falta de dimensão aos mais variados níveis, que o tornam, ao invés de uma solução, num problema por resolver. São vários os exemplos que poderia citar, mas fico-me pelo mais próximo no tempo:

Ontem, na conferência de imprensa, o treinador lançou a dúvida sobre a partida de Liedson sem nenhum dado que a tornasse credível. Precisamente na véspera do jogo em que Liedson se pretende despedir dos Sportinguistas e que muitos de nós, alguns de bem longe, se preparavam para fazer uma longa viagem e outros se dispunham a voltar a Alvalade ao fim de uma longa ausência. E se for efectivamente o último jogo do Levezinho? Que efeitos terá na disposição destes Sportinguistas a dúvida lançada por Paulo Sérgio e que repercussões terá na assistência, na bilheteira e, acima de tudo, na derradeira imagem que Liedson gostaria de levar de Alvalade?

P.S.- Hoje publicam-se 2 entrevistas em que os Sportinguistas depositarão curiosidade e interesse e, por isso, no seguimento do quem vem sendo hábito, tentaremos, ao longo do dia, disponibilizá-las aos nossos leitores. Refiro-me em concreto às entrevista de Braz da Silva ao Sol e a de Liedson ao Record.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Braz da Silva e o fundo

Nas análises que se fazem ao momento do Sporting se se fizesse uma comparação com um avião e pleno voo, poderíamos ouvir dizer que a nave vai em queda livre ou que está em dificuldades, consoante sejam optimistas ou não a emitir opinião. Se, nesse contexto lancinante, alguém se levantasse e prometesse resolver de imediato o problema como é que reagiriam? Face ao dramatismo da situação o mais natural é aceitar com válida a única solução que se lhe depara. Quem se atreveria a censurar quem assim proceda?

Mas o momento do Sporting não faz perigar a vida de ninguém a não ser, eventualmente, da instituição em si. Assim os Sportinguistas, que estou certo estão preocupados com o clube do seu coração, podem gozar de outro discernimento que não é permitido a quem se encontra num avião em queda ou abalado por turbulência. É isso que se nos deve ser exigido.

Digo tudo isto pela entrevista que Braz da Silva acabou de dar à TVI. Pode ser um problema meu, mas o discurso do até agora único candidato soa-me dissonante com a realidade muito particular em que o Sporting se encontra, e até mesmo a do Mundo em geral. Acredito que nenhum candidato escalará para a vitória a chorar um discurso miserabilista, mas também não creio que se possa ignorar que, por exemplo, o Sporting acaba de abrir mão do seu melhor avançado por não ter dinheiro para cumprir o contrato que com ele se obrigou a cumprir.

O projecto ou o modelo, como lhe chamou o candidato é então um fundo aberto aos sócios e se não for subscrito será de quem aparecer. Ora, como sabemos quase ninguém apareceu a susbcrever os VMOC`s pelo que a SAD Sporting será em breve o que quiserem o BCP ou  o BES. Logo…

Como notas final saliento que se há algo que não se pode acusar Braz da Silva de não ter é vontade e convicção. Não hesitou em deixar a Judite de Sousa a falar sozinha com outro consócio nosso, o Artur Agostinho, certamente para chegar a uma plateia maior. E vontade e convicção serão características indispensáveis a quem se sentar na presidência do Sporting. Por outro lado o tempo concedido dificilmente poderia contribuir para outro esclarecimento,pelo que teremos que voltar a ouvir mais vezes Braz da Silva para perceber melhor ao que vem.

Este país é para "Klever´s", não para totós

Não fiquei  impressionado  com as revelações feitas pelo Marítimo sobre o valor das propostas apresentadas ao Atlético Mineiro, quer pelo Sporting ,quer pelo FCP. Nem surpreendido com o facto de, sendo a nossa proposta superior, em nada ter beneficiado as nossas pretensões. Provavelmente o negócio está já feito desde o verão e talvez até Carlos Pereira, presidente do Marítimo, saiba isso melhor do que ninguém, tendo-lhe dado imenso jeito a preciosa ajuda que o Sporting lhe prestou para denunciar o caso. O que ganhamos com isso? Nada, a não ser a consolidação de uma imagem de gente muito honesta mas ainda muito mais ingénua.

Não sabemos se o caso terminou aqui. É provável que até nem tenha terminado, mas não tem que ter um final feliz a nosso favor. Alguém se surpreenderia que o jogador acabasse num terceiro clube, o SLB, por exemplo, com quem o Marítimo tem boas relações? A imprensa dá conta de que o interesse do Sporting se mantém o que, tendo em conta do muito que ainda vai acontecer no Sporting após as eleições não representa absolutamente nada. (Por exemplo, ninguém sabe se Couceiro, o homem por detrás da ideia da aquisição de Kléber, se manterá em funções após o 26 de Março). Talvez por isso seja pouco importante considerar agora se o Sporting vai continuar interessado no jovem  e promissor avançado, que, com quase 21 anos, está à espera de se cruzar com o treinador certo para a delapidação que ainda evidencia necessitar.

Numa altura em que o Sporting se prepara para mudar de gerência era bom também que mudasse de rumo, como todos parecem desejar há muito, mas que parece tardar cada vez mais. Essa mudança passa obrigatoriamente por uma geração diferente de dirigentes leoninos, mais afirmativa, menos titubeante, menos ingénua, na qual os Sportinguistas se sintam representados. O Sporting não precisa de deixar de se comportar de forma honesta, mas também não pode continuar a preferir o papel de menino de coro num mundo implacável com os incautos. Os Sportinguistas não são totós, e este mundo, o futebol, não é para totós. Por certo continuaremos a perder algumas batalhas, mas não necessariamente todas e com isso todas as guerras, de forma consecutiva.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Sporting à Braz II

Não se pode dizer que a confirmação da candidatura de Braz da Silva seja a notícia do dia. No fundo até os menos atentos certamente já teriam reparado na ofensiva mediática pelo agora candidato confirmado, produto de uma das primeiras medidas conhecidas: a contratação de uma agência de comunicação, que, diz-se, seria resgatada à última da hora à candidatura de Godinho Lopes. Parece óbvio que este tipo de acções são mais reveladoras de decisões do que de dúvidas. Assim, a confirmação hoje feita é tudo menos uma surpresa.

O caminho que Bettencourt escolheu para o seu mandato desde cedo indiciou que as eleições seriam uma inevitabilidade, não se sabia era quando. Assim, e tendo em conta esse cenário inevitável, já aqui havia afirmado que quando Bettencourt virasse as costas a situação em que deixaria o Sporting deixaria, a quem se atrevesse a sucedê-lo, um guião de execução difícil. Neste quadro, da parte dos adeptos parece-me ser essencial revelar a abertura necessária para ouvir com atenção todos aqueles que revelem a coragem para avançar, sem no entanto prescindir do sentido crítico necessário e que, pela falta do devido uso, em tantas outras ocasiões, empurraram os Sportinguistas para más escolhas, das quais todos hoje lamentamos pelo menos os seu resultados.

É ainda cedo para uma pronunciação definitiva sobre Braz da Silva, até porque pouco se sabe sobre ele, sobre o que realmente pretende para o Sporting e a equipa que o acompanhará. Mas o que se sabe, isto é, o que o candidato vai revelando não pode deixar desde já se levantar algumas questões.

Como me dizia ontem alguém cuja opinião muito prezo, não é propriamente um bom cartão-de-visita ter como mentor alguém cujo cargo obriga à supervisão das contas e dele não se conheça outra coisa que não o silêncio e a cumplicidade ante o descalabro financeiro em que nos encontramos. A segurança que nos permite os seus conselhos está ao nível da confiança que os indonésios podiam ter no sistema de segurança de previsão de tsunamis dos países do Índico em 2004.

Já anteriormente me referi à questão do fundo que serviu de cartaz à candidatura de Braz da Silva. Tão ou mais importante como saber qual a origem do dinheiro, do relacionamento dos investidores, se os houver, e o dos compromissos que obrigarão o clube, é perceber como poderá o Sporting sustentar os jogadores que entretanto cheguem. Se há alguma lição a retirar da partida de Liedson, e caso ainda alguém não o tivesse percebido, o Sporting tem um grave problema de sustentabilidade a diversos níveis, dos quais a tesouraria será, seguramente, um pesadelo mensal. Para os que ainda não perceberam, e que passam o melhor do seu tempo a pedir grandes nomes, o Sporting no final do mês tem sérias dificuldades para pagar aos que já cá estão. Braz da Silva diz que não é isso que quer para o Sporting, aguardemos então que nos esclareça como conseguirá o difícil equilíbrio.

Braz da Silva diz que com ele o Sporting não volta a ter presidente remunerado, no que considero um passo atrás no modelo organizacional no Sporting. Esse critério deve ser, no meu entendimento, alargado aos restantes membros executivos dos órgãos sociais. O Sporting precisa dos melhores e a tempo inteiro. Cargos em part-time são a porta aberta à desresponsabilização. E não me parece sequer justo pedir a alguém o melhor de si, do seu tempo, da sua carreira e dos seus, sem qualquer contrapartida. O Sporting tem de tornar viável a participação de jovens quadros competentes e deixar de ser apenas possível a empresários e gestores na pré-reforma. Ao contrário do que preconiza o candidato, entendo que são os eleitos que devem assumir o papel interventor e não pagar a intermediários para exercerem o mandato que lhes foi conferido. Sabemos bem o que um modelo semelhante conduziu,   em particular nos mandatos de Roquette e Dias da Cunha.

Braz da Silva optou por um discurso institucional relativamente à equipa técnica. Veremos quanto tempo lhe conseguirá ser fiel. Se até indefectíveis como Eduardo Barroso perceberam que, com a permanência de Paulo Sérgio, será impossível o Sporting tornar-se num verdadeiro candidato, a discussão à volta das candidaturas passará muito pelo que tiverem a propor, a este nível, aos Sportinguistas.

Tudo o resto, como as reuniões com directores gerais de clubes como o Real Madrid, que está longe se ser um modelo recomendável para nós, as profusas manifestações de apoio, ou ideias avulsas como a reorganização dos quadros competitivos está pouco elaborado para merecer atenção.

Esta é para já única candidatura conhecida, quando se alvitra que Godinho Lopes e Rogério Alves estarão também a ultimar a sua apresentação. Enquanto aguardo para me pronunciar sem reservas, vou dando conta que não me parece que surjam daí a renovação que desejava para o Sporting. Ao contrário do que muitos têm defendido, não me parece essencial a ideia de um consenso. Não duvido que a situação do Sporting o recomendaria. Do que duvido é da possibilidade da sua manutenção ao longo de um mandato. Por norma o consenso tende a desagregar-se quando as condições que o fomentaram se alteram, ou perante as dificuldades que a realidade impõe.

Mais do que o consenso gostaria de ver uma liderança forte, alicerçada na vontade de mudar e que se impusesse com a naturalidade que só a competência permite, mesmo que para isso tivesse que, sempre que necessário, impor as rupturas necessárias. O que o Sporting seguramente não precisa é que algo mude para que tudo fique na mesma.

Não sei se uma candidatura assim surgirá e se haverá quem a corporize. Para isso seria necessário que os Sportinguistas dessem um sinal nesse sentido mas esse tem sido, em regra, de  tom inverso. A mudança para nós tem sido sinónimo de drama e por isso o estranho seria que a nossa situação pudesse ser melhor.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Epístola de Liedson aos corintianos: "O Corinthians é a minha casa"

Ontem tive alguma dificuldade em explicar porque achava Liedson um bom jogador, dentro das suas características peculiares, um jogador que marcou uma época, que ganhou um lugar na história do Sporting ,mas que não lhe reconhecia carisma para ser um símbolo do Sporting.  Sei que estas palavras chocam muita gente, em particular neste momento em que o Levezinho está a fazer as malas para o Brasil. Mas é assim que o vejo desde os primeiros episódios que lançaram a dúvida sobre quem era o verdadeiro Liedson e como ele via o Sporting, cujos adeptos o idolatravam.

Hoje o baiano deu-me uma preciosa ajuda. Ainda como jogador do Sporting o 31 prefere falar aos corintianos, esquecendo os Sportinguistas que ainda choram a sua saída. Mais estranho ainda é Liedson designar o Corinthians como a sua casa, onde passou apenas 1 ano, tendo jogado apenas 14 jogos e marcado 10 golos, quando o Sporting lhe deu abrigo durante 7 épocas e meia e onde marcou 180 golos.

Por estas e por outras no passado é que eu dizia no post atrás: o que exijo aos jogadores é que sejam profissionais. Para porta-estandartes e defesa do Sporting estão os adeptos. Que hoje têm razões acrescidas para se sentirem tristes.

O último pontapé de Liedson foi no baixo ventre

Hoje é com certeza um difícil amanhecer para os Sportinguistas. Se já não seria fácil perceber como uma direcção já feita cadáver se sente habilitada a vender um jogador como Liedson é o absurdo perfeito deixar no seu lugar o vazio. É inevitável não ligar estes factos ao desespero causado pelo caos financeiro originado pela deriva bettencouriana delirante, que, de um inverno para outro, desatou a inflacionar a folha de salários da SAD, sem antes acautelar que as receitas dariam a cobertura necessária. Ainda no meio dos escombros, e sem perceber os verdadeiros contornos da tragédia, os Sportinguistas percebem que os ditos investimentos talvez sejam pouco mais que despesas e o planeamento foi um enorme e redondo zero. Agora já não se vendem os anéis, já se cortam os dedos.

E é entre o absurdo e o ridículo de toda esta situação, que acabou por conduzir Liedson à porta de saída, que me interrogo o que realmente será verdade em tudo isto. O Sporting tentou de facto contratar Kleber e Djalma ou tudo não passará de mais uma encenação, com o objectivo de mais uma vez alguém arcar com o odioso da questão, numa manobra semelhante a muitas outras? ( O eterno papão FCP e PdC, os jogadores que se negaram, o presidente do clube que não quis vender, etc, ect) A era da SAD não trouxe nem a prosperidade nem a responsabilidade, mas post graduou vários gestores de topo na arte da encenação e representação, tendo encontrado em muitos Sportinguistas um publico disposto a aplaudir de pé as diversas pantominas. Esta teoria da conspiração pode parecer demasiado elaborada, mas convenhamos que nada há de melhor  do que tentar a contratação de jogadores já comprometidos para salvaguardar a imagem de quem não quer, não pode nem sabe contratar.

O Sporting ontem não perdeu apenas um jogador importante e querido de muitos Sportinguistas. Perdeu também muito do pouco prestígio que anda lhe resta ao ver-se ridicularizado por uns (presidente do At. Mineiro) e preterido por outros (pelo menos Djalma). E importa também lembrar que o próprio Liedson sai porque quer. Talvez cansado de tanto esperar por um Sporting mais competente tenha resolvido o que lhe pareceu ser melhor para o que lhe resta da sua carreira. Tal como outros o fizeram antes dele. E quem os pode censurar? Ao contrário de nós, adeptos, é uma prerrogativa que os profissionais podem exercer. A saída de Liedson é, sem margem para dúvidas, pelos seus contornos, um pontapé no baixo-ventre de todos os Sportinguistas. Quer nós, sócios e adeptos, quer ele, merecíamos algo muito melhor do que essa última recordação.

P.S.- Claro que, para quem não é Sportinguista, e em especial se é benfiquista, encontra neste absurdo uma boa decisão. Pois, que alivio...

P.P.S.- Já depois de colocar o post dei comigo a pensar no contraste que é  o Sporting: é capaz de produzir jogadores com a qualidade  de Ronaldo, mas contrata profissionais vulgares como Cristiano...

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