Famalicão 1 - Sporting 1: vagaroso primeiro, penoso depois
Assistir ao confuso jogo do Sporting foi um exercício penoso. O que não sabíamos – mas já estamos quase obrigados a suspeitar… – é que o pior ainda estava reservado para o final do jogo, já depois de estarmos a vencer e em superioridade numérica.
É habitual o campo estreito de Famalicão obrigar o Sporting a trabalhos redobrados e, desta feita, não haveria de ser diferente. Rui Borges optou por não fazer grandes intervenções, mudando apenas duas peças: fez descansar Quaresma e Zalazar, colocando Luís Guilherme à esquerda e dando a titularidade a Debast no eixo da defesa.
A alteração não trouxe nada de bom, uma vez que Luís Guilherme “disse” mais uma vez ao treinador que aquela não é uma posição onde joga com mais à-vontade. Do outro lado, Geny nunca chegou a entrar verdadeiramente no jogo, algo que se estendeu a quase toda a equipa, exceção feita a Altimira, que continua a ser o metrónomo da equipa.
Não surpreendeu ninguém que o jogo se arrastasse sem golos. A pequena obra de arte e machadada na mediocridade generalizada, produzida pelo pequeno Flávio, seria bem anulada pelo árbitro. Uma exceção também num trabalho medíocre e dentro da bitola habitual de um árbitro que tem tanta categoria como cabelos na cabeça.
Mas, sendo verdade que o Sporting, mais uma vez, tem razão de queixa da arbitragem – o VAR Bruno Esteves devia estar distraído a ler os acórdãos em que o seu nome aparecia no famigerado caso dos emails –, não é menos verdade que o futebol exibido não teve nada que se pudesse classificar de, pelo menos, razoável para o que se imagina ser, pelo menos, um candidato ao pódio da Liga. Já fica de fora a ideia de candidato ao título, porque esse só se for da equipa dos três grandes que mais vantagens desperdiça.
O jogo de Famalicão veio confrontar-nos com uma realidade nua e crua: ao final de apenas seis jornadas, a candidatura ao título já começa a ser uma miragem. Não tanto pelos pontos já perdidos – quatro! –, mas pela imagem de uma equipa sem convencer, sem uma identidade definida, cheia de equívocos e com muitos dos jogadores à procura do seu tempo e espaço, dos quais Zalazar e Doumbia são os exemplos mais significativos.

Penoso é a palavra que melhor caracteriza este arranque de uma temporada para a qual partimos depois de uma colossal vitória no mercado de vendas. Penoso foi o final do jogo na Amadora. Penosa foi a segunda parte do jogo com o Guimarães. Penosa foi a entrada no jogo com o Galatazaray. Penoso foi este final de jogo. Penoso é o facto de termos consegudo aqui chegar com a questão da luta pelo título já resolvida. Vamos poder colocar todas.as fichas no crescimento da equipa.
ResponderEliminarO Sporting fez algo praticamente inédito na história do futebol, perante os maus resultados no final da época passada, cujo expoente máximo foi a perda da Taça de Portugal com o Torreense, mudou-se a equipa em vez de se mudar o treinador.
ResponderEliminarParece que ficou tudo enfeitiçado com a facilidade com que agora se gastam 15 ou 20 milhões em jogadores suplentes, quando ainda há não muitos anos isso era praticamente o valor do orçamento todo duma época, ou pelas grandes exibições da pré-época contra equipas do meio da tabela de França e Espanha, que estavam mais atrasadas na preparação da época, e se esqueceu do que se passou, em que jogadores que deram muito ao Sporting foram escorraçados, e em que veio mais uma palete de estrangeiros, bastante caros (Não sei se alguém reparou, mas ontem estavam perto de 100 milhões de euros em contratações no banco.), em detrimento de jogadores Nacionais e/ou da formação.
Continuo a dizer o que disse após a final da Taça de Portugal, se um treinador não consegue motivar uma equipa para ganhar um título contra o Torreense, não consegue motivar uma equipa para o que quer que seja.