quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

De Jesualdo "The Manager", ao caso PPC, até à "Última Ceia"

O Manager
Jesualdo Ferreira foi ontem apresentado como manager para o futebol do Sporting. Uma decisão feliz a contrastar com um momento particularmente infeliz.

Não sabemos se a sua passagem será prolongada ou breve, porque no Sporting cada dia é uma eterna voragem e um triturador de pessoas e vontades. E não é de crer que o que está por fazer seja tarefa para um homem só, porque não é. Mas a sua entrada corresponde a uma decisão necessária e importante na reconstituição do departamento de futebol. 

Podia dissertar se a decisão é meramente politica e ou cosmética, mas prefiro salientar que ela corresponde a uma necessidade há muito identificada pela generalidade das pessoas que se debruçam sobre o futebol do Sporting e esse é o facto que prefiro relevar. Desde ontem que o êxito dele será também o nosso pelo que lhe dou as boas-vindas e deixo os meus singelos votos de boa sorte.

Se há referência para o cargo que agora Jesualdo vai ocupar ela é Fergusson, daí a escolha da ilustração do post. O perfil de Jesualdo - a idade, o curriculum - e o seu trajecto recomendam-no. Mas, para a sua passagem pelo Sporting ter significado é necessário tempo. Por isso era bom que Jesualdo o pudesse ter, como teve Ferguson. E, tal como o escocês, pudesse sobreviver à passagem, quase sempre fugazes, dos corpos sociais. 

O Sporting não pode continuar a ser um cemitério de sonhos, uma vala comum a cada dia mais profunda de desgostos, intrigas, traições e angústias. Para o evitar vai ter que querer dar continuidade a alguma coisa ao invés da permanente vontade de terminar o que mal chega a iniciar.

E diga-se que Jesualdo começou bem. Desde a referência à formação, à importância de manter os melhores jogadores mas apreciei particularmente a forma elevada e simultâneamente lúcida como falou de nós:

«Por fora, sempre que fui adversário do Sporting e daquilo que me habituei a acompanhar da sua história, sempre senti que era um clube diferente dos outros. Tinha uma história diferente, construída de forma diferente. Vibrei na minha adolescência com alguns grandes jogadores e grandes equipas que o Sporting teve, mas acompanhou-me a dúvida permanente do porquê de este grande clube não ser constante, ter tantas oscilações e não ser durante tanto tempo o que tanta gente quer» salientando também a «fidelidade e a paixão da massa associativa, apesar da ausência de títulos»

A última ceia 
A primeira página do jornal do clube que hoje sai para as bancas é um bom exemplo do fracasso que tem sido a politica de comunicação de Godinho Lopes em quase todo seu mandato. Seguramente o fruto de uma má assessoria que resulta de más escolhas. Num momento particularmente delicado da vida do clube e em que a liderança é escrutinada acto a acto, um episódio como este pode ser mais fatal que desligar a máquina a um doente nos cuidados intensivos. 

A falta do mais básico bom senso anula de forma fulminante a vontade de perceber qualquer boa intenção, mais ainda atendendo à importância que a quadra que se pretende comemorar tem nas famílias portuguesas. A capa é ainda mais perniciosa por ainda dar mais foco negativo ao clube, quando este é já excessivo. O Sporting precisa de estar nas noticias, mas por boas razões.

Não sei se alguém quis fazer a cama a Godinho Lopes e gostaria de evitar esta teoria conspirativa. Prefiro pensar que todos nós nos deitamos na cama que fazemos, mas este episódio lamentável revela também que Godinho Lopes está pouco ou mal acompanhado.

O regresso do caso PPC
Pode ser apenas uma coincidência mas, no preciso dia que PPC volta a falar à comunicação social, o seu caso na justiça volta a conhecer desenvolvimentos. E os piores para imagem da justiça, tendo em conta que as noticias chegaram primeiro aos jornais do que ao arguido e respectivo advogado. Isto já não é uma coincidência, é um modus operandi.

Nunca gostei de ver a execução de justiça pelas mãos de quem a reclama. Nunca gostei de vigilantes. Mas também é verdade que, como individuo, nunca foi objecto de assaltos contínuos que me retirem o bem-estar que tão difícil me é de alcançar. E tenho a sorte de viver num sitio onde o portão não é fechado à chave e a porta de casa fica aberta onde ninguém entra sem pedir licença. Se a minha rua fosse anos a fio devassada e as casas assaltadas por um bando de malfeitores organizados, retirando o que é meu para depositar no quintal do meu vizinho, e a justiça ou fosse incapaz ou fosse fechando os olhos, certamente que mudaria de opinião e de actos. 

Se dúvidas houvesse na forma iniqua e desigual como o Sporting tem sido tratado pela arbitragem atente-se à reacção da APAF, que já solicitou o regresso do caso à justiça desportiva e nos últimos trinta anos assistiu caladinha e  muitas vezes conivente, à corrupção e ao tráfico de influências. Nojo, o mais profundo dos nojos é o que eu sinto por estes biltres, cópias decrépitas de mal-feitores saídas de filmes de série B.

Lamento a exposição pública que o caso trás ao clube mas lamento ainda mais a saída de Paulo Pereira Cristóvão. Mas os seus actos, a serem verdade, produziram pelo menos um efeito favorável: uma das bestas negras do Sporting, o tal Cardinal, não tem podido usar a sua bandeirinha mágica.

Quanto à vigilância aos jogadores é para rir. Todos os grandes clubes o fazem e se o Sporting o começou a fazer agora já foi tarde.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O Sporting está unido

Todos os Sportinguistas o assumem: do ponto de vista desportivo este é o pior momento da história do Sporting. Se não é, é pelo menos o pior das nossas vidas. No entanto os comportamentos permanecem iguais aos de sempre, como se o Sporting vivesse no melhor dos seus dias. O resultado pode ser o eclodir de uma tempestade perfeita, cujos sinais parecem estar a ser ignorados, como se o Sporting pudesse permanecer eternamente intangível a todos os danos.

Ora, quer do ponto de vista desportivo quer financeiro o Sporting nunca terá estado tão exposto. Do ponto de vista da sua sua massa associativa, esta está mais fragmentada do que nunca, vivendo-se um clima irrespirável e insano. 

Esta é uma realidade nova para nós. E é muito mais complexa do que pode parecer à primeira vista pelo que a reflexão e cautela deveriam substituir-se aos raciocínios simplistas e aos velhos chavões do discurso Sportinguista. 

Vercauteren não tem conseguido distanciar-se da imagem de mais uma escolha errada e de uma perda de tempo mas, reflectindo 5 segundos, sou levado a concluir que nem na Bélgica seria campeão se a sua proposta de jogo fosse sequer semelhante ao que temos visto. Por isso urge perceber porque não consegue introduzir a mais pequena diferença estando cá a tempo suficiente para o fazer.

Quem viu o Wolfswinkel falhar o penalty com o Nacional pode pensar que ele fez de propósito (porque quer ir para um clube que lhe pague mais e que o livre dos nossos problemas) ou que o peso do momento nas camisolas e nas botas é tão grande que torna a baliza demasiado pequena, mesmo que vista apenas a 9 metros e apenas com um guarda-redes pela frente.Não era mais fácil do que marcar aquele golo, ontem, de cabeça?

Há quem ache insultuoso pensar que o Sporting luta neste momento pela manutenção na primeira liga. Essa é porém uma realidade insultuosa "apenas" para a grandeza de um clube como o nosso. Mas essa grandeza, que nos advém do passado rico e da importância do clube no mundo, não joga à bola. Quem joga à bola é a equipa e, a manter-se a jogar ao nível que o faz, não sairá da posição em que se encontra, sendo mais provável descer do que subir na tabela.

Talvez estivesse na hora de perguntar aos adeptos do FC Borússia Mönchengladbach, do Nottingham Forest, Newcastle, Atlético de Madrid, - exemplos aleatórios - se ainda hoje acreditam que descer de divisão era possível. Bom, pelo menos os do Nottingham não poderão desmentir o pesadelo, porque ele é ainda uma realidade...

Não pretendo aqui fazer o apelo ao discurso da união, porque não acredito nas suas premissas, pelo menos se ele significar a unicidade de pensamento ou uma lobotomia ao sentido critico. No essencial o Sporting está unido: no passado que nos é comum e no que o futuro nos trouxer. O barco é o mesmo e se for ao fundo não leva apenas o Godinho Lopes. Com ele vai também o Bruno de Carvalho, o Pedro Baltazar o Joaquim, o José, a Maria ou Ana, e cada um de nós. Talvez esta, mais do que gritar, seja a hora de simplesmente remar.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Assista às AG´s a partir da TVI

De há muito que me recuso a ver qualquer programa onde participe Eduardo Barroso em representação do Sporting. Desde logo porque não lhe reconheço essa representatividade e porque, no geral, as suas participações me envergonham, quer pelo desconhecimento das matérias que revela, quer sobretudo pela irracionalidade das afirmações e comportamentos. O mesmo para Rui Oliveira e Costa e para a sua argumentação rasteirinha e humilhante. Apesar de algumas semelhanças entre um e outro, o Ferreira ainda tem Dias...

Tinha prometido a mim mesmo não me referir mais a este senhor porque, sendo ele ainda o PMAG, entendia ser meu dever tentar preservar-lhe alguma da dignidade que ele parece querer abdicar cada vez que escreve ou abre a boca. 

Barroso sabe que os Sportinguistas não gostam que acumule a função de paineleiro com a de PMAG, porque quem lhe vai transmitindo a informação "sobre isto aquilo" não podia deixar de lho dizer. Mas ainda assim agarra-se ao lugar, preferindo-o a fazer a vontade dos que representa , preferindo satisfazer o seu ego.

É-me indiferente que uso o seu tempo de antena para um ajuste de contas pessoal com Godinho Lopes por causa da rábula dos médicos, embora considere tal de gosto duvidoso. Mas acho vergonhoso que se sirva do mesmo palco para se pronunciar sobre decisões que resultam de competências exclusivas como PMAG e que, por isso, deveriam ser anunciadas no local,  no momento apropriado e em primeira mão apenas aos Sportinguistas. Isto torna Barroso indigno do cargo que ocupa.

Mas também não é menos mau que este "PMAG de interruptor" se desligue para depois vir, já como adepto, descredibilizar o papel de Jesualdo, quando este ainda não se sentou na cadeira. É que, caso ainda não tenha reparado, a sorte de Jesualdo será também, a partir de agora, também a nossa.

Ao que parece as AG´s do Sporting agora começam no programa da TVI. Este tipo de actuação configura o pior dos desrespeito pelos sócios do Sporting que, ao contrário do que sucederia em AG, não podem servir-se dos regulamentos para manifestarem a sua opinião, favorável ou contrária. . E, no momento em que muitos clamam por eleições, por considerarem a gestão de GL incompetente, qual é o critério que possa ajudar Eduardo Barroso a passar pelo buraco da agulha? Se os Sportinguistas acham que se enganaram ao escolher GL não podem achar que o mesmo não aconteceu com o actual PMAG.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

As entrevistas de GL e Jesualdo

Notas ligeiras sobre a entrevista ontem de Godinho Lopes e Jesualdo hoje ao "O Jogo"

A entrevista ontem de Godinho Lopes à RTPi
Provavelmente hoje o único facto que hoje será objecto de acordo entre os Sportinguistas, relativamente à entrevista de Godinho Lopes, ontem à RTPi é que nela foi confirmado o ingresso de Jesualdo Ferreira no cargo de manager para o futebol do Sporting. O resto cada um ouviu o que quis e do pouco do que foi dito  nada de muito novo foi acrescentado.

Nesse sentido a entrevista seria sempre inútil, porque este é o momento mais baixo de GL com graves danos na sua imagem e credibilidade. Para uns esse é um estado já sem remissão, outros guardam os seus veredictos para ajuizarem do acerto das últimas medidas tendentes a reorganizar o departamento de futebol e o impacto dessas medidas na situação económico-social.

A entrevista, como forma de dar uma explicação aos Sportinguistas sobre o que pretende para o que resta do mandato era no entanto obrigatória, tinha-o dito já aqui. GL esteve bem preparado, tirando alguns coelhos da cartola como o aconselhamento de Aurélio Pereira, a comunicação a uma só voz num registo que mudou muito para melhor em relação às primeiras aparições.

Como entendo o futebol como a mola real do clube foram as alterações a realizar já em Janeiro que retiveram o melhor da minha atenção. E, neste momento muito particular, preocupa-me os efeitos que possa vir a ter no plantel saber-se que há já guias de marcha assinadas sem se saber muito bem quem são. Assim como saber-se que o Sporting está vendedor e os efeitos que isso tem no mercado e na cabeça dos jogadores. O mercado sabe-se que penaliza sempre a necessidade e para quase todos os jogadores sair do clube era não só um alivio como uma possibilidade de relançar a carreira, bem ao contrário do que promete a permanência. Atendendo a que precisamos dos jogadores focados na melhoria da equipa e não com um pé dentro e outro fora...

Neste âmbito fiquei sem perceber o critério usado para chegar a Vercauteren. O "era necessário um estrangeiro" já de si é digno de discussão, e o porquê deste em particular não menos.

A entrevista e (a contratação) de Jesualdo
Há poucos dias dizia aqui que Jesualdo, dentro dos treinadores portugueses disponíveis, seria o treinador indicado para iniciarmos a recuperação há muito ansiada. Para já não será ele o treinador mas, como manager,  e actuando junto com Vercauteren, poderá ser muito mais útil que qualquer treinador adjunto acabado de chegar à Portela, vindo da Bélgica. 

É uma decisão feliz e crucial, especialmente num departamento onde o conhecimento técnico do futebol do futebol não abunda. Jesualdo tem do seu lado uma imagem - e também o proveito - de um profissional rigoroso e competente com passagens bem sucedidas pelos diversos escalões de formação até ao topo, com passagens notórias pelos nossos rivais FCP e SLB, especialmente pelo primeiro. Foi também crucial na subida de nível do Sporting de Braga, que o agora tão incensado presidente governava com um treinador por trimestre. 

Jesualdo adquiriu recentemente uma competência que lhe poderá ser muito útil, juntando aos seus muitos anos de futebol. A sua passagem por um clube - Panathiniakos - e um país - Grécia - em desagregação tornam-no num profissional especialmente habilitado para trabalhar no actual Sporting.

Claro que não faltarão dúvidas relativamente às suas competências ou até à sua origem clubista. Começando pela segunda, esse não foi um problema para Pinto da Costa ao ir buscá-lo, como não parece ter sido para Vieira ao contratar o sportinguista JJ. Depois há que considerar que, no universo Sporting não há quem esteja tão bem habilitado como Jesualdo. Quanto à primeira, e lembrando o que dizia aqui há tempos, ninguém serve para o actual Sporting.

A entrevista de Jesualdo hoje ao jornal "O Jogo" será colocada aqui até ao final da manhã


sábado, 15 de dezembro de 2012

4 em 21

Nem Wolfswinkel nos valeu...

Só com muita falta de brio, que é o mínimo que se deve exigir aos jogadores do SCP, é que se explicam os primeiros 25 minutos de hoje na Choupana. Atitude zero. E quando nem vontade se apresenta, é impossível avaliar todas as restantes componentes do jogo. Mais espanto, a existir, só se for pela demora do Nacional em encontrar o caminho do golo. Depois de se encontrarem a perder, lá se viu um assomo de vergonha e de algum esforço dos jogadores leoninos.


No segundo-tempo melhorou um bocadinho. Pelos menos houve vontade de jogar futebol. Chegou para o Wofswinkel não acertar na baliza na transformação de uma grande penalidade indiscutível e para Cedric fazer um golo que muito dificilmente voltará a repetir: belo remate com o pé esquerdo num golo de excelente efeito. Até ao fim assistimos a mais um punhado de jogadas perigosas de parte a parte, chegando o final da partida com a justa repartição de pontos para as duas equipas de aflitos. O jogo reflecte a classificação que ambas apresentam. A notícia é que não há notícia e tudo continua como dantes, quartel-general em Abrantes. Terça-feira promete mais deste bailinho da Madeira.

Ficha do jogo:

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Izmailov. Que solução?


Izma, outra vez sem treinar...


Apesar dos múltiplos episódios nebulosos relacionados com Marat ocorridos ainda antes do famoso abandono da Academia de Alcochete (em pleno estágio e a poucas horas de um jogo fulcral da Liga Europa contra o Atlético de Madrid), a minha admiração por Izma não sofrera abalos… Tudo mudou a partir desse episódio. Na altura, Costinha, Director Desportivo da SAD, foi eleito pela sofrida massa adepta leonina, como o bode a expiar. A minha posição, contrariando a grande maioria de sportinguistas (começa a tornar-se um velho hábito…), foi a de que o russo em conjugação com o seu empresário, teriam que suportar o ónus de mais uma embrulhada. Não foi esse, no entanto, o entendimento geral. Marat, de potencial criticado, foi transformado em vítima, quase num mártir a glorificar. Note-se que já naquela altura era eu grande crítico da equipe dirigente em funções, principalmente do presidente JEB, e nem isso me impediu de, perante os factos conhecidos, perceber que neste episódio o russo dificilmente poderia sair ‘ileso’. E que Costinha, mesmo tendo-se excedido em declarações extemporâneas, dificilmente poderia ter agido de forma muito diferente naquele famigerado dia. A conclusão, perante a reacção colectiva leonina da altura foi, no entanto, outra: Costinha saiu (definitivamente?) ‘queimado’ e o russo, mais o seu “profissionalismo exemplar”, saíram reforçados daquele triste incidente. Sigamos o percurso posterior de Izma, que é o que nos interessa. Infelizmente, os episódios sombrios protagonizados pelo jogador, não só não cessariam como, inclusivamente, se intensificariam. Quem sabe se em consequência da protecção implícita concedida pela opinião publica leonina, sentindo-se o jogador com as ‘costas mais quentes’ que nunca e que o ‘aftermath’ desse caso lhe acabaria por proporcionar… Izmailov lá continuou no plantel tendo, mais tarde, renovado o vinculo com o SCP numa decisão louvada por quase todos! O investimento no jogador foi renovado, já o retorno desportivo é aquilo que agora sabemos… Passado este tempo todo e perante as notícias de hoje, imagino que será mais fácil contrariar estas declarações de Couceiro. Já li bastantes por aí... Com autênticas cambalhotas opinativas incluídas...

Voltando então ao doloroso presente… Ora, como um mal nunca vem só, sendo que no que concerne ao SCP esta máxima parece dimensionar-se em progressão geométrica, eis que Godinho Lopes tem mais uma situação bicuda para resolver: o enésimo ‘Caso Izmailov’… Como está bom de ver, independentemente da forma como vier a ser gerido este assunto, vai ser SEMPRE alvo de critica negativa. Quer admoeste, quer compreenda a suposta lesão… das costas do nosso 10 (talvez por aquecerem demasiado…); quer venda, quer mantenha o jogador após Janeiro próximo. As decisões que tomar serão escrutinadas até ao mais ínfimo pormenor, e não será em busca de argumentos abonatórios… Estamos perante mais uma previsível “lose – lose situation”, como diria Barack Obama, ou “preso por ter cão e preso por não ter” como diz o Zé Povinho deste nosso rectângulo. Assim sendo, o desafio que lanço aqui, sem qualquer provocação a quem quer que seja, é este:

Imagine o caro leitor que se encontra na posição de Godinho Lopes nas actuais circunstâncias. Como actuaria perante este caso?

Será bom perceber a opinião do povo leonino antes duma decisão… presidencial. Por duas razões. Primeira: para a malta perceber que há situações com que nos deparamos que são demasiado complexas e que uma decisão, seja ela qual for, implica sempre muitos riscos de sair gorada. Segunda: optem. E mais tarde, quando cada um de nós já souber a conclusão deste caso, bem como o destino e futuro rendimento de Izmailov que, diz-se, imitará o de João Moutinho, contrapor com a sua própria solução…

Mas hoje também é dia para celebrar. Faz hoje 26 anos:




O(s) projecto(s) de Godinho Lopes

Muito se tem falado do projecto de Godinho Lopes. Em face dos resultados todas as opiniões confluem no sentido de que ele não existe ou que morreu com  a saída de Domingos, Luís Duque e Carlos Freitas. 

Será bem assim?

Discordo da ideia de que não havia um projecto. Ele foi sobejamente explicado em mais do que uma ocasião, em entrevistas para o efeito, e que se pode resumir nestas ideias-força: o regresso de Luís Duque e Carlos Freitas, referências nos últimos títulos conquistados, para reorganização do departamento de futebol, contratação de um treinador com curriculum e reformulação do plantel. A essa reformulação corresponderiam 2 anos de prejuízos, por força do investimento realizado, e um terceiro de regresso do verde às contas. 

Estas ideias foram concretizadas com a contratação de Domingos e um elevado número de jogadores, divididos por dois lotes distintos, entre promessas para futura rentabilização (Carrillo, Árias, Turam, Rúbio) e jogadores mais "experimentados", (Rodriguez, Schaars, Aguiar, Bojinov, Capel, Rinaudo, Jeffren, Elias, Ínsua, Onyewu e Wolfwswinkel). Em qualquer dos lotes falamos de internacionais pelos seus países de origem.

À luz do que foram as reacções então - hoje a conversa é outra, e também eu hoje teria acertado nos números do totoloto de ontem... - o Sporting reuniu um plantel de valor, significativamente mais qualificado para as exigências do clube e das competições que teria que disputar. Responderam os Sportinguistas voltando aos estádios e o receio mostrado de forma corporativa pelas forças já pouco ocultas do futebol português demonstravam que algo de bom estava a ser feito. O sentimento de então era que mesmo que o campeonato não fosse alcançado, a qualidade dos jogadores e a sua média de idades, davam fundadas razões para acreditar que o tempo corria a nosso favor. Não foi nada disso que aconteceu, sabemo-lo hoje.

Ser-me-ia muito fácil dizer aqui o pensei e aqui escrevi da candidatura de GL, e do regresso de CF e LD. Podia lembrar agora que sempre me pareceu arriscar em demasia investir em contra-ciclo com a conjuntura. Mais importante do que "eu bem disse" a desmarcar-me neste mau momento, é re-afirmar o que foi a boa impressão que me deixou o trabalho então feito e como foram positivamente contrariadas as minhas expectativas. E refiro-me apenas ao futebol, porque é indiscutível que num ano e meio o clube saiu do marasmo a que se havia entregue.

De que se fala quando se fala em projecto? De um conjunto de ideias cuja aplicação prática é apenas  possível com um determinado número de pessoas ou de um modelo que pode ser executado independentemente dos actores? 


Os projectos ou modelos são ideias e não pessoas e, quando ele é bem estruturado, as ideias subsistem à perda dos indivíduos. Neste caso concreto, não pode ser esquecida a importância que a dupla CF/LD teve na vitória eleitoral e por isso, como aqui foi dito já, as eleições, pedidas por alguns desde o dia 27 de Março, deixaram de ser uma questão de "Se" mas de "Quando". Os resultados continuam a soprar nas velas do "Já" e, a manterem-se como estão, serão inevitáveis. Nesse sentido o processo já saiu um pouco das mãos de GL e dos corpos sociais, como aqui também já afirmei. Se eles fossem o inverso do que têm sido poucos se lembrariam da necessidade de re-legitimação que as saídas aludidas obrigam.

GL atirou-se ao poço agarrado a uma mó no momento em que permitiu que LD despedisse Sá Pinto sem qualquer plano B, regressasse ele próprio para o remanso do lar, deixando-lhe a criança nos braços. A oportunidade perdida teve-a quando ele, GL, deixa a mesma criança - o plantel - abandonada um mês sem se perceber muito bem o que queria fazer. Este é o momento em GL aliena o seu mais importante capital, que era a benevolência dos mais moderados, que entreviam responsabilidades partilhadas, mas que sempre lhe reconheceram dedicação e perseverança,  apesar de todas as contrariedades.

Declarar um regime presidencialista por si só, sem a mais leve indicação de como pretende refundar o departamento de futebol (e que o ideal - que não vai ocorrer - seria que essa refundação ocorresse depois de uma grande reflexão que permitisse perceber onde, como, quem e porquê se falhou), associado à hesitação inicial e à posterior contratação de um treinador que nada alterou e que não parece ser capaz de perceber o que é necessário para o fazer, foi um acto falhado. A erosão dos resultados semanais acentuam ainda mais os sinais de incapacidade para lidar com a crise.


Gestão de crise
GL, goste-se ou não, é ainda o presidente do Sporting. Já não tem muito espaço de manobra e, a cada dia que passa, é menos um dia que tem para encontrar uma solução. No seu lugar - que não queria estar e duvido que haja, neste momento quem o realmente queira - em que o barco parece meter água por todos os lados, concentrar-me-ia em perceber onde entra o maior volume de água. E aí identifico 2: o futebol e a comunicação.

A comunicação:
Aqui o exemplo é, mais uma vez, o FCP. Quem conseguiria sobreviver a um processo tão demolidor como o Apito Dourado, sem uma equipa de comunicação altamente profissionalizada?

GL sempre foi mal assessorado a este nível, o que lhe dificultou a sua afirmação como líder. Hoje tudo é comunicação e as últimas aparições públicas, dando ar de uma pessoa acossada e isolada, é-lhe ainda mais fatal. Com todas as suas virtudes e defeitos é, no entanto, e de muito longe, o presidente que mais tempo e trabalho tem dedicado ao clube, batendo aos pontos todos os que o antecederam, pelo menos desde Sousa Cintra. E essa imagem nunca passou.

GL deve neste momento uma palavra aos sócios. Explicar o que está a fazer e o que pretende fazer enquanto for presidente. A contenção dos danos desportivos e como a falta de resultados vai obrigar ou não a redefinir os planos económico-financeiros são pontos incontornáveis.

A necessidade de tréguas é essencial para se poder ter tempo para se concentrar no essencial. Ao invés de convocar apenas os que o têm apoiado ou mantido neutrais - como aconteceu recentemente - GL não faria pior em convocar todos os ex-candidatos das últimas eleições, incluindo Braz da Silva, apresentando de forma clara as dificuldades com que se debate, o que pretende fazer e ouvir e o que lhe têm para dizer. Tentar uma solução de compromisso pode ser do interesse particular de todos e do clube em geral.

O futebol
Quanto mais tempo GL demorar a perceber o equívoco em que caiu ao ir buscar Vercauteren pior. Mas, se esse não for o seu entendimento, antes de lhe permitir mexer no plantel - o corropio de jogadores em 2 anos é também um forte entrave a qualquer consolidação de um modelo - devia perguntar a Vercauteren como pretende estancar a sangria desatada que é forma como continuamos a sofrer golos. E, antes de o deixar contratar uma alternativa/apoio a Wolfswinkel, perguntava-lhe se também o iria condenar a viver isolado da equipa e com a bola a chegar-lhe pouco e mal. E perguntar-lhe-ia se não aceitaria, ao invés de um adjunto que, tal como ele, não conhece o futebol português, se não aceitaria uma assessoria técnica, ou um adjunto português.

Eu não faria nada disso, confesso. Tentaria convencer Jesualdo Ferreira - importante na consolidação do Braga, que vivia um momento muito semelhante ao nosso, com um corrupio de treinadores, tendo sido também importante no FCP de post-Adriaanse -  ou Carvalhal, por esta ordem.

Cancelaria de imediato as férias de Natal, invertendo as viagens marcadas: ao invés de irem os jogadores que viessem as famílias. Acredito que num mês já veríamos as diferenças.

Quem acha isto é uma loucura ainda não percebeu que, a mantermo-nos a jogar assim como jogamos, a loucura pode ser muito, mas muito pior. 

Há dias o meu amigo JG confessava aqui que não dormiu na noite depois do derby. Pois eu durmo mal há semanas e ainda hoje, depois de ficar a dever 2 horas ao meu descanso, uma das primeiras coisas que me veio à cabeça é que o "Manuel Machado come Vercauteren´s ao pequeno-almoço", pelo menos o que se tem apresentado nos jogos que tenho visto até agora.

Nota 1: O que aqui é dito neste post em nada muda a minha posição relativa às eleições neste momento. Continuo a achar um erro e uma irresponsabilidade fazê-las assim e agora. E, provavelmente, a AG uma perda de tempo. Quem acha que não, pense associar à actual crise a falta de pagamentos dos salários dos jogadores. Ou pergunte a muitos das centenas de funcionários que o Sporting tem sob contrato como eles encaram a situação. Que não o percebam, ainda vá lá, que vejam aí uma agenda pessoal  mais ou menos obscura de quem assim pensa  é lamentável.

Nota 2: Como alguém me dizia e com muito acerto, é lamentável que, na terrível situação em que vivemos, e que se repercute nas nossas vidas muito mais do que gostaríamos, o pior sitio para estar seja junto de outros Sportinguistas. A caixa de comentários dos últimos posts é disso a pior das testemunhas. Tenho conseguido resistir à tentação de tomar medidas mais drásticas, premiando os que não merecem e penalizando aqueles que, independentemente da opinião, se relacionam bem com este espaço. Dentro do que me é possível pelo tempo que tenho, passarei a ser mais exigente com os comentários.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A terapia eleitoral

Um movimento chamado "Dar um rumo ao Sporting" está a recolher assinaturas com o objectivo de convocar uma AG com a finalidade de destituir a actual direcção. Esse movimento divulgou já ter conseguido o número de assinaturas previstas na alínea C, do artigo 50º, da Secção II, relativa às Assembleias Gerais. O mesmo movimento deu já conta também ter solicitado uma audiência ao presidente do Conselho Directivo, Godinho Lopes, para que, segundo os promotores "um processo de tão grande impacto seja levado a cabo da forma mais célere e saudável possível para o Sporting Clube de Portugal."

Dito isto, duas notas breves sobre esta iniciativa em particular :

Invocando os mesmos argumentos, não teria sido "mais saudável para o Sporting" ter solicitado previamente a audiência ao presidente, dando a conhecer a intenção de lançar a iniciativa e, depois de apresentada e ouvidos os argumentos de GL, ponderar sobre a oportunidade da iniciativa neste momento, mesmo continuando a crer na sua utilidade? 

"Dar um rumo ao Sporting" sem conter em si outra proposta que não apenas rápida destituição dos actuais corpos sociais não está a ser demasiado optimista numa solução de regeneração natural por via eleitoral, ignorando o que foram os resultados mais recentes de processos semelhantes?

Notas breves sobre esta situação em geral

Dizer que o Sporting vive um dos piores momentos da sua história é indiscutível e cansativamente redundante. O recurso aos clichés proliferam nestas ocasiões e um dos mais usados é que "as crises são oportunidades". Para que tal aconteça é necessário um prévio momento de reflexão para que se possam conhecer as suas causas, apontar diagnósticos e iniciar uma qualquer terapia. Ao invés o Sporting apressa-se a mais uma fuga em frente, à procura de um novo messias. Também ao invés do que seria recomendado, todos já possuem o diagnóstico certo, crendo na infalibilidade da terapia, ou na impossibilidade de ela poder significar o agravamento da doença. Confesso não me sentir assim tão seguro.

O multiplicar dos pareceres sobre a situação do Sporting deve ser já um case-study. Tudo se aproveita, desde que "dê jeito" para sustentar uma posição pessoal, mesmo que seja dito pelo "insuspeito" António Oliveira, ou por qualquer comentador desta praça conhecido pelo seu anti-sportinguismo primário. E o Pai-Natal, na quadra que deveria ser a sua por excelência, receberá, por certo, menos cartas, abertas ou fechadas, do que as foram já escritas ao Sporting, aos seus sócios e aos seus dirigentes. 

A minha cada vez mais profunda descrença nas soluções originadas por este tipo de respostas aumenta. Todos os que podem constituir uma alternativa parecem ter um projecto pessoal como solução, descartando a força responsável pela grandeza do Sporting: a força do seu associativismo. Por isso hoje a culpa é "inteiramente e só de Godinho Lopes", como será apenas e só dos que os substituírem. 

Tomás Aires dizia este fim-de-semana que a culpa era da "monarquia que se instalou". Não há forma menos inteligente - talvez haja, mas não conheço nenhuma monarquia de referência que eleja o seu rei - e mais desresponsabilizadora do que foram as decisões dos sócios em AG´s eleitorais , ordinárias e extraordinárias.

Aquilo que desejava ser apenas uma pequena introdução ao texto do Tiago, (um sportinguista que vive ao longe  a sua/nossa paixão, que muito prezo e que faz o favor de me deixar canibalizar os seus textos) vai já longa. Espero que ele mereça a vossa melhor atenção porque vale mesmo a pena ler: 


Timescape é um livro de ficção científica escrito em 1980. Escrita pelo professor de astrofísica e escritor Gregory Benford, é também considerada o seu livro mais famoso. Diz quem leu que é inteiramente merecedor do Prémio Nébula, prestigioso galardão outorgado pela Associação de Escritores de Ficção Científica dos Estados Unidos. O tema é um clássico do género: o paradoxo da viagem no tempo e a esperança numa regeneração de erros do presente graças a uma comunicação com o passado. E para além disto tudo, consegue a proeza de conter a explicação do debate que parece apoderar-se do sportinguismo.

Diz Benford no seu livro que "a paixão é inversamente proporcional à quantidade de informação disponível". Esta afirmação, recuperada por estudiosos dos forums de internet e das flame-wars com o nome de Lei da Controvérsia de Benford, torna-se ultimamente certeira e incontornável, ao fim de poucos minutos de contacto com sportinguistas em blogues e redes sociais em dias de jogo. O volume das conversas, a agressividade das críticas, assim como a aparência transgressora das vias propostas, eleva-se à medida que a capacidade de compreender e aceitar os resultados e a qualidade das exibições da equipa de futebol.


A paixão surge aqui como um termo bem abrangente, já que se dispõe a incluir todo o tipo de ímpetos desde que vestidos de verde-e-branco, mas nao o suficiente para abranger a prudência de querer mais informação antes de sucumbir à reacçao acalorada. O ruído gera a sensação de utilidade e voluntarismo diante dos problemas, reforça a auto-estima ao projectar a ideia de sentido crítico e não é por acaso que os picos de audiência e participação sportinguista na rede sao bem superiores quando o Sporting perde do que quando ganha.


Um dos problemas é a opacidade. É complicado saber como funciona e por quem funciona um clube de futebol e ainda mais um clube que não ganha nem corresponde às expectativas dos adeptos. Ainda mais neste caso, dizíamos, porque a circunstância pede urgência e a urgência restringe quase sempre as condições e factores a ter em conta. Um paradoxo curioso, já que se um problema requer solução urgente, um caminho para a solução ideal seria contemplar-se o maior número possível de contributos e ideias.


É neste ponto que a paixão se converte sobretudo numa fé, e eis que o Benford se percebe melhor. A fé grassa onde falta o conhecimento, nao é preciso ser ateu para reconhecê-lo. Fá-lo à falta de uma explicação assente em dados objectivos e da frustração na hora de obtê-los. E é particularmente sensível porque é justamente de fé que alguns adeptos mais prudentes sao acusados quando não alinham nesta estranha forma de paixão. O caso em concreto é o da fé numa panaceia que vai secando lentamente todas as outras hipóteses: a das eleições como esse acontecimento que vai salvar o clube daquilo que o tem acometido.


Um caso de fé porque, voltando a Benford, a paixão em prol das eleições nos blogues e nas redes é inversamente proporcional a qualquer informação sobre um processo participativo concreto que dê origem a um novo projecto e a novas eleições. Esse processo, que aliás está previsto nos estatutos do clube, seria mais saudável, obra de tempo melhor empregue do que o ruído gerado de e para as redes sociais, sendo que aqui se poderia incluir também outros quadrantes de intervenção de sportinguistas mais ou menos (ou nada) notáveis. Por enquanto, é pensamento único e cerne de um debate fica sempre um pouco mais estéril ao reduzirem-se as ideias a contemplar, na hora de abordar o que pode melhorar no Sporting. 


E é complicado melhorá-lo, pelo menos desde o mesmo campo de debate virtual e da mentalidade desportiva que o coloniza, mais preparados para o efeito especial, o soundbyte e o fragmento do que para a permanência, a cooperação e talvez um trabalho um pouco mais consciente da sua ignorância. E como diz outra lei, neste caso o primeiro Corolário de McCandlish, a possibilidade de mudança de assunto de uma discussão, sendo esta mudança para melhor, é inversamente proporcional à qualidade do conteúdo anterior a essa mudança.


Felizmente para o Sporting, nem nós temos que acreditar nisto tudo, nem a vida do clube se resume aos teclados do computador de alguns adeptos, nem o próprio Stanton McCandlish se esqueceu, com o seu colega Bryce Wilcox, de acrescentar um Paradoxo ao seu conjunto de corolários: a degeneração de uma discussão pode teoricamente ser prevenida ou revertida se for citada a Lei de Wilcox-McCandlish.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Derby: o antes, o durante e o agora

Antes do derby
Foi inclassificável o que ontem sucedeu na página da TSF, no lançamento do derby. Dentro do que já tinha sucedido com o "weird dude" do JN, só que ainda muito pior. Falamos de dois marcos da comunicação. No primeiro caso falamos de uma rádio que soube conquistar o seu espaço na informação à custa do esforço de muitos profissionais reputados e de outros que ali tiveram a sua verdadeira escola. No segundo trata-se de um jornal que ostenta mais de cem anos de vida, facto que não necessita revisionismos históricos para ser comprovado.

Ambos os casos revelam acima de tudo falta de profissionalismo atroz pelo que, sempre que nas peças que disponibilizem aos seus leitores e ouvintes venham tecer considerações sobre o Sporting, e em particular sobre a crise que o clube vive, recomendar-lhes-ia que se debruçassem primeiro sobre os seus próprios problemas, tão evidentes que são. Falta-lhes autoridade e até humildade para perceberem que não estão à altura de dar lições a ninguém.

O episódio da TSF é gravíssimo sobre qualquer prisma e que não pode ser ingenuamente aceite como um mero erro, como aquela estação quis fazer crer, dando ares de provocação deliberada. Pedir desculpas, que não deviam ter sido placidamente por quem dirige o clube, é uma confissão de que a falta de rigor é endémica e transversal a vários departamentos, começando logo nos recursos humanos encarregues de recrutar os profissionais. Será por isso que erros como o de ontem possam passar despercebidos a uma cadeia de responsáveis até chegarem ao público ou então é a constatação que essa articulação não existe. Não deviam ser apenas os Sportinguistas a ficar ofendidos e até preocupados com a TSF, deveriam ser TODOS os que se habituaram a ver naquele canal como uma fonte de informação segura.

Para terminar gostaria de dizer que cada adepto, como individuo, pode escolher para o futuro a forma como se deve relacionar com os órgãos de comunicação social que ofendem de forma esporádica ou reiterada o Sporting. A reacção colectiva, a haver, deve ser exercida sob proposta dos órgãos sociais que é a quem  os sócios investiram com todos os poderes para este e outros efeitos. Os corpos sociais não podem adivinhar ou ser responsabilizados por acções de terceiros, como foram ambos os casos. Mas não podem ficar sem tugir nem mugir quando eles ocorrem, ignorando o sentir dos adeptos. Quem sabe se ela tivesse existido já em situações anteriores, a de ontem não se teria verificado.

Durante o derby
Para ser económico com as palavras o jogo de ontem foi em tudo muito semelhante ao que realizamos com o SCBraga, só que sem a sorte que tivemos então. E, independentemente da superioridade demonstrada pelo adversário, há que reconhecer que pelo menos 2 dos golos foram alcançados com algum paio, para abreviar nos termos.

Mas, como o jogo de ontem demonstrou, estamos muito longe do nosso adversário. Este tem um modelo de jogo consolidado, tem um dos melhores treinadores da Liga, senão mesmo o melhor, tudo o que não somos e não temos. 

É uma dor de alma ver jogar este Sporting, recuado como um recém-promovido, a correr como condenados, sem qualquer nexo em muitas ocasiões. Ainda na primeira parte pareceu óbvio que os jogadores dificilmente poderiam chegar com vida à segunda metade e os piores receios confirmaram-se depressa. Qualquer equipa a jogar desta forma acaba por sucumbir física e/ou animicamente, e ainda mais depressa se se der ao luxo de desperdiçar golos mais fáceis do que penalty´s, como fez Elias.

Uma equipa grande não defende tão atrás, começa a defender quando perde a bola, ou pelo menos a organizar-se para a recuperar mais cedo. As grandes equipas servem-se da posse da bola não só para procurar imediatamente baliza contrária, mas também para repousar e marcar os tempos de jogo ou para explorar as deficiências do adversário. O Sporting não é nada disto e a posição na tabela classificativa é, mais ponto menos ponto, mais lugar menos lugar, uma triste e dolorosa evidência: do ponto de vista colectivo é das mais fracas do campeonato.

Vercauteren é, no contexto desta época, apenas "mais um problema". Pouco ou nada mudou com a sua chegada no modelo de jogo e na organização da equipa, por isso os resultados também não mudaram. A forma tardia e irritante como mexeu na equipa não pode ser apenas desculpada pelas poucas opções que tinha no banco. Um erro já estava cometido quando deu tempo em excesso a Capel, num jogo que nos era completamente inútil. Do banco assistiu ao desmaio do meio-campo sem ousar qualquer manobra de ressuscitação, parecendo conformar-se com uma inevitabilidade.

O agora
O agora é esperar um milagre da multiplicação da clarividência na cabeça do treinador ou conformarmo-nos com a pior classificação de sempre ou com uma classificação in extremis para a Liga Europa. É muito provável que a época não acabe sem eleições ou pelo menos a sua marcação, mantendo-se estes resultados. Ao contrário da maioria continuo a acreditar que, no que ao futebol no relvado diz respeito, não será isso que alterará nada. Mas, como é fácil perceber, GL atou muito do seu futuro à sorte na escolha do treinador e esta depende muito mais desse factor do que do possa ou não vir a fazer.

Os recados de Jesus
"O Sporting tem boa equipa, jogadores de nível que, não estando bem, até duvidam deles" Pela segunda vez no espaço de uma semana (antes e depois do jogo) JJ reiterou a confiança na categoria dos jogadores do Sporting. Eu também penso como ele e só tenho pena que ele não esteja disposto a demonstrá-lo.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Da infelicidade e incompetência à bovinidade

2 notas breves sobre dois temas que não podem ser deixados passar em claro: 

1- a forma como o Sporting conduziu os acontecimentos relacionados com o adiamento do jogo da Liga Europa e o consequente agendamento do derby.

2- a reclamação apresentada junto da Liga de Clubes por causa dos comentários de um delegado da Liga, de seu nome Jorge Vacas, no Facebook.

O Sporting e o agendamento do derby
Sem necessidade de me desdizer relativamente o post anterior, é claro que a SAD do Sporting não conduziu bem este processo. Apesar de continuar a pensar que o regulamento é absurdo e sujeito a várias interpretações, o Sporting não só não devia ter invocado o regulamento errado - as competições internacionais -  como não não podia fazer afirmações que estava seguro de não poder cumprir, tais como "não estando cumpridas as 72 horas regulamentares, o Sporting não jogará segunda-feira à hora que estava inicialmente aprazada para o início do 'derby". 

O Sporting poderia ter dito apenas  ao invés de ter reagido de forma impensada e quase sanguínea,  que iria tomar uma posição relativamente à matéria, depois de consultados os regulamentos e até a Liga. Com isso evitaria ter falado grosso e agora piar fininho.  Espero que a lição tenha sido aprendida. Erros todos cometem, só os incapazes os repetem. 

Do que isso resulta para a vida interna do clube, cada um que faça o seu próprio juízo. A mim preocupa-me que a imagem pública do Sporting saia fragilizada, como é comum sempre que alguém ou alguma instituição que nos é querida não está à altura das suas responsabilidades e pergaminhos. Mas também porque, ao proceder desta forma, o Sporting fica numa posição de fragilidade para exigir às demais instituições com quem tem que interagir - clubes, associações, sindicatos, Liga e FPF - rigor e assertividade que não pratica.

Mas há que ter bem presente o seguinte: com isto o Sporting prejudica-se apenas e só a si mesmo. Essa contabilidade, de perdas e danos, deve ser executada em devido tempo e no local apropriado pelos sócios do Sporting. Não se justifica por isso a veemência - ou devia dizer a violência? - de algumas análises feitas sobre o tema, em particular a de Luís Sobral, MaisFutebol. Onde estava e o que disse este senhor sobre os graves problemas que de há muito inquinam a indústria do futebol? Ou conhece-se-lhe tanta indignação nos erros cometidos aqui e ali, que são muitos e até mais graves, dos nossos rivais e adversários?

Vacas há muitas, mas nem a todas vemos os cornos
Um tal Jorge Vacas terá escrito no seu mural do Facebook algo como isto: «Cabecinhas pensadoras. Sporting faz as contas e prefere perder por falta de comparência (3-0), do que sujeitar-se a jogar e levar mais.» Até aqui nada de anormal, vemos todos os dias coisas semelhantes e por vezes até de maior gravidade e por vezes da autoria de Sportinguistas. Acontece porém que este senhor é delegado da Liga e tem por isso, entre outros deveres, o do recato e da isenção. 

A Liga, ao que parece, já decidiu suspender o seu colaborador mas, sem um registo do que tem sido a actividade deste senhor, interrogo-me se, face a esta "equidistância" relativamente ao Sporting - e em todo semelhante à postura do nosso "amigo" Luis Sobral - quantas vezes terá este "senhor" "ajudado" o Sporting.

Isto também nos remete para o papel dos delegados da Liga. Por comparação com o foco dado ao trabalho dos árbitros e assistentes, exercem funções em regime de quase clandestinidade  Têm, no entanto, a poder de interferir nas classificações dos árbitros e com isso decidir quem progride - e acede, por isso, às melhores alcavalas - e quem vê as suas ambições frustradas.

Quem os recruta, quem lhes outorga o poder que detêm e que escrutínio é feito do seu exercício ou até das suas habilitações para o cargo? 

Talvez um dia o Sr. Luis Sobral nos queira oferecer uma das suas crónicas sobre este e outros temas candentes que, pelas suas implicações, afecta não apenas o Sporting mas todo o futebol português.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Para não meter mais água

O alagamento do relvado e o consequente adiamento do jogo provocaram já as mais variadas reacções. Para não meter água nem num assunto nem noutro o que será melhor fazer? 

O alagamento do relvado
A região de Lisboa esteve ontem sob aviso laranja e hoje estão reportadas dezenas de inundações que se juntam à ocorrida no estádio José Alvalade e que impediu a realização do jogo. Antes de se por em causa ou até emitir pareceres definitivos sobre a eficácia do sistema de drenagem não de deveria perceber primeiro o gravidade do fenómeno meteorológico que afectou a região da capital, ouvindo o que os especialistas têm a dizer sobre a matéria? 

Recordo que, no passado fim-de-semana, o jogo da equipaB foi adiado por motivos semelhantes e o jogo no estádio da Luz,  que se realizava mais tarde, chegou a ver a sua realização ameaçada, o que só não ocorreu porque, ao contrário de ontem, a chuva deixou de cair. Mas as imagens transmitidas em directo e em simultâneo com as que se viam no Restelo eram em tudo semelhantes entre si e as que se viram ontem no nosso estádio.

O agendamento do derby
Conforme demonstrado no post anterior o regulamento é tudo menos claro. O Sporting entende que é desvantajoso jogar com menos de 72 horas de intervalo e está no seu direito. Falta saber se os regulamentos lhe reconhecem esse direito. Os argumentos de que o Marítimo joga no domingo ou que o Sporting já jogou com menos tempo de antecedência ignoram um facto que não ocorre desta feita: o acordo das partes envolvidas. Também neste caso se devem ouvir em primeiro lugar os especialistas. Vercauteren já se pronunciou, dando conta clara de que se parte em desvantagem para o derby, se ele ocorrer na 2º feira. 

Depois da questão física propriamente dita há a interpretação da lei. Apesar de haver já interpretações que sustentam as 48h de descanso - número que não vem descrito no regulamento, ao contrário das 72h previstas para as competições nacionais... - porque havemos de menorizar as que são feitas pelo Sporting? 

Ou Farinha Alves - um exemplo, entre outros juristas a quem o Sporting pode recorrer e é também especialista em direito desportivo, - que "não percebe nada de futebol" também não percebe de direito? 

Ou Pedro Sousa ontem falou aos jornalistas sem consultar ninguém?

Porque haveríamos de entrar numa guerra que se sabe à partida ser impossível de ganhar?

Para lá das questões objectivas, que devem ser tidas à cabeça, o que acham que faria Pinto da Costa neste caso muito concreto, ele que é frequentemente apontado como um exemplo?

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Derby tem (para já) data incerta

Com o adiamento do jogo de hoje devido à chuva diluviana o derby que era para ser 2ª feira passa a ter, para já data incerta. O regulamento não é claro, ou não estivéssemos a falar do futebol português.

Depois da leitura do regulamento das competições  parece-me que a pretensão oficial do Sporting tem do seu lado o argumento do bom senso, uma vez que parece ser consensual que se guardem 72 horas de descanso entre dois jogos. E de tal forma é assim que a alinea a), do número 7, do artigo 23 do regulamento de competições estipula que "qualquer jogo oficial de competição nacional deverá respeitar um intervalo entre jogos de 72 horas".

Ora se assim é relativamente às competições nacionais porque pode ser diferente o entendimento relativamente ao intervalo de jogos entre competições diferentes? E, no que a estes jogos diz respeito, o regulamento estipula apenas direitos de preferência de adiamento ou antecipação dos clubes que joguem às terças ou quintas. 

Outro argumento deverá porém ser considerado. Apesar do direito nos poder assistir, temos algo a perder com a realização do jogo na segunda-feira, ainda por cima quando o jogo com o Videoton "nem conta para o totobola"? A menos que fosse encontrada uma outra data que favorecesse uma melhor receita que uma segunda-feira à noite, eu era bem capaz de ser tentado a arrumar já este assunto..

Mas faça a sua própria interpretação:


7. Na fixação do dia e hora dos jogos das competições oficiais, devem ser observadas as seguintes 
condições:

a. Salvo acordo escrito entre os clubes contendores, qualquer jogo oficial de competição
nacional deverá respeitar um intervalo entre jogos de 72 horas, calculado entre o final 
do primeiro jogo e o início do segundo jogo da competição nacional;

b. Quando um clube, participante nas competições da UEFA, tenha de disputar um jogo 
dessa competição à terça-feira tem direito, sem necessidade de acordo do clube 
adversário, à antecipação para sexta-feira do jogo da jornada anterior a essa 
participação internacional;

c. Quando um clube, participante nas competições da UEFA, tenha de disputar um jogo 
dessa competição à quarta-feira tem direito, sem necessidade de acordo do clube 
adversário, à antecipação para sábado do jogo da jornada anterior a essa participação 
internacional;

d. Quando um clube, participante nas competições da UEFA, tenha de disputar um jogo 
dessa competição à quinta-feira em território estrangeiro tem direito a um intervalo de 
descanso de 72 horas, calculado entre o final daquele jogo internacional e o início do 
jogo seguinte na competição nacional;

e. Quando um clube, participante nas competições da UEFA, tenha de disputar um jogo 
dessa competição à quinta-feira em território nacional tem direito a que o jogo seguinte 
na competição nacional não se realize na sexta-feira e sábado seguintes à realização 
daquele jogo internacional;

f. Quando um clube, participante nas competições da UEFA, tenha de disputar um jogo 
dessas competições à quinta-feira e à terça-feira imediatamente seguinte, tem direito, 
sem necessidade acordo do clube adversário, salvaguardado o prazo estabelecido nas 
alíneas a) e d) do presente número e os n.os 2 e 3 do artigo 19.º, a adiar e ou antecipar 
o jogo das competições nacionais da jornada que intermedeia os referidos jogos;

g. Quando um clube dispute uma final das competições UEFA, a jornada anterior da 
competição em que participe será toda antecipada para o sábado anterior;

h. Os jogos correspondentes às duas últimas jornadas de qualquer competição oficial a 
disputar por pontos devem ser realizados no mesmo dia e à mesma hora.

i. Os horários fixos das transmissões televisivas estabelecidos no artigo 69.º do presente 
Regulamento.

O que melhoramos depois de Sá Pinto?

O jogo de hoje, ante o Videoton, encerra a participação do Sporting nas competições europeias e equipa, além de ter que salvaguardar o prestigio do clube que representam, pouco mais poderá fazer. Eventualmente o resultado, se positivo, pode ser importante para o reforço da confiança da equipa, que tão precisada está. Mas serão jogos tão diferentes, que colocarão desafios de ordem táctica tão diferente que, ao invés de um treino, quase poderia ser considerado uma perda de tempo na preparação do derby de segunda-feira. 

 Este foi precisamente o último adversário antes do abandono de Sá Pinto. Sem dúvida que esse foi o jogo que deixou provado sem qualquer remissão o desastre táctico em que a equipa se afundou, arrastando nesse naufrágio praticamente toda a esperança de uma época normal. As consequências desse momento acabaram por ditar também a decapitação do departamento de futebol, com as saídas de Carlos Freitas e Luís Duque.

Ora a saída de Sá Pinto ocorreu há 2 meses e talvez esteja na altura de aferir a evolução da equipa, tendo sob mira o objectivo primordial de uma chicotada psicológica: melhorar a produção da equipa de forma a obter melhores resultados.

Parte do balanço já aqui realizei anteriormente em post sob o titulo "fazer ao contrário e desejar/exigir que saia direito". Aí referi-me sobretudo às decisões tomadas na sequência do abandono de Sá Pinto, a interinidade de Oceano até se chegar à solução Vercauteren. 

Olhando para o que foram estes 2 meses e o estado em que a equipa se encontra parece que o tal jogo com o Videoton foi ontem, parecendo que Vercauteren ainda não conseguiu fazer o diagnóstico necessário para mudar alguma coisa de estrutural. Os males do tempo de Sá Pinto continuam bem evidentes: sofrem-se golos de toda maneira e feitio e continuamos com imensas dificuldades em criar jogo ofensivo e por isso os golos também aparecem pouco. A preocupação é muita e ainda se justifica mais se atendermos à qualidade dos adversários, excepção feita ao SCBraga e FCPorto.

Não deixa de ser sintomático que Vercauteren continue a insistir na questão física quando do ponto de vista táctico tudo parece na mesma. No domingo um diário desportivo dava conta de um surpreendente regresso ao passado, com Vercauteren a levar os jogadores à praia. Não consegui aceder à noticia não conseguindo por isso perceber o que lá foram fazer os jogadores. É que esta é uma prática abandonada desde os finais dos anos 70 no que à preparação física diz respeito e, com tanto por fazer do ponto de vista táctico (veja-se o golo com a selecção do Algarve...) é pelo menos outra perda de tempo.

Esta continua para mim a ser a questão central - o que se treina e as opções tácticas - e a que leva a que continuemos a sentir enormes dificuldades para vencer adversários consideravelmente mais fracos do ponto de vista individual. Sem a resolver continuaremos a alimentar a profunda crise em que nos encontramos. A menos que se entenda que o Rio Ave, o Estoril, o Moreirense, o Videoton e outros tenham melhor plantel que o Sporting...

Como é evidente, com as soluções adoptadas e as escolhas já feitas os dados foram já lançados e quem as tomou vai ter que jogar com o que eles ditarem. Mas é importante reflectirmos todos, dirigentes (sobretudo) e até nós adeptos, sobre o suporte há para a tomada de decisões, e o que procurava o Sporting em Carvalhal, Paulo Sérgio, Domingos, Sá Pinto e Vercauteren. É que às tantas o que eles tinham para nos dar era bom para outras equipas onde tiveram sucesso, mas é insuficiente para nós...

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Notas soltas da entrevista de Bruno de Carvalho

Assisti ontem à entrevista de Bruno de Carvalho (BdC) à SIC e deixo dela aqui algumas notas soltas. 

(Faço um parêntesis para avisar quem venha a ler este post, e que não conheça já a minha posição pessoal, que não gostei do candidato Bruno de Carvalho e não gosto da forma, da oportunidade e muitas vezes do conteúdo que este meu consócio tem escolhido para se pronunciar sobre o Sporting. De igual modo não creio que o futuro melhor do Sporting passe por ele.

Mas, antes que venham aí os "mui exigentes" com as suas acusações habituais, aviso que isso não me transforma num Sportinguista contente ou conformado com a actual situação do clube. Esta postura critica relativamente a BdC é um direito que me assiste e que muitos democratas de pacotilha gostam de negar a quem não pensa da mesma forma eles.)


É indiscutível que este é o tempo de Bruno de Carvalho e que ele o sabe rentabilizar como poucos. Tem a seu favor o desgaste desta direcção e o descontentamento de muitos e como falar é muito mais fácil do que fazer tudo parece certo em cada frase que profere. Era bem capaz de ganhar as eleições se elas fossem hoje essencialmente pelo protesto que muitos expressariam no uso do seu voto.

BdC começou por fazer um excelente auto-retrato da sua postura e da dos que se dizem seus apoiantes ( e que me fez sorrir): "O Sporting não precisa de Messias", "Estava na altura de me pronunciar", "houve quem quisesse ganhar as eleições a todo o custo" e ""Procuram muito mais as pessoas quando as coisas correm mal". 

Quem mais do que BdC tem sido visto pelos seus apoiantes como um Messias que tudo resolverá?

Alguma vez BdC deixou de se pronunciar sobre e Sporting e especialmente em alturas em que as coisas não correm bem, como a actual?

Quem foi que quis ganhar as eleições de qualquer forma, levantando todo o tipo de suspeições que nunca conseguiu provar, sem se importar com as consequências para a imagem do clube? 


Se é verdade que a comunicação social procura estes "notáveis" quando as coisas correm mal - e não têm faltado ocasiões, infelizmente - porque razão se comportam eles como ratinhos de laboratório, abrindo a boca sempre que lhes metem o microfone à frente? 

Uma das frases fortes de BdC foi a de que "Godinho Lopes é o caos" "o caos é agora". Assim parece, impressão acentuada pelos resultados desportivos, como muito bem lhe lembrou Dias Ferreira, e que BdC não conseguiu contornar, revelando as dificuldades habituais quando é contrariado.

Infelizmente o momento é o que todos sabemos mas, na história do Sporting, conhecemos momentos bem piores: sem plantel, sem dinheiro para despesas correntes, muito menos para ordenados e sobretudo sem ninguém que desse a cara e que assumisse responsabilidades. Essa é uma acusação que não pode fazer a GL.

BdC jogou bem com os números o que em si é um truque muito fácil de executar sem contraditório. 

BdC tem razão em relação ao momento: a actual direcção não se consegue libertar da impressão quase generalizada de que o seu tempo de vida se esgota rapidamente e que o futuro não passa por ali. (Todos sabemos que sem inversão dos actuais resultados será muito difícil de mudar este estado.)

Não sei o que o futuro nos reserva e se Bruno de Carvalho chegará algum dia a presidente do Sporting. Se algum dia isso acontecer não será por minha vontade, mas não deixo de lhe desejar que:

- Se o resultado das eleições for renhido como o anterior (é muito provável que isso se venha verificar) ele não veja posta em causa a sua legitimidade e que isso não seja usado de forma permanente durante o seu mandato. 

- No dia da sua eleição e consequente investidura os apaniguados do adversário derrotado não tomem a tentativa de o sovar como cerimónia de entronização.

- No decorrer do seu mandato as participações na vida do clube do(s) candidato(s) derrotado(s) não se resumam apenas a criticas sem qualquer sentido construtivo e apenas nos dias maus, que infelizmente também ocorrerão.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Da acumulação de enormes prejuízos

Clique para aumentar
O relatório e contas relativo ao primeiro trimestre do exercício de 2012/13 revelou um prejuízo superior a 7 milhões de euros, juntando-se a uma série de resultados semelhantes anteriores. 
Não faltarão análises de mais ou reputados economistas que não nos dirão mais do que óbvio e que qualquer um de nós já há muito tempo percebeu: São obviamente preocupantes estes resultados económicos, porque não são excepcionais, antes são uma regra cada vez mais viciosa.

Não creio que o diagnóstico dos versados nas matérias de economia e finanças seja dispensável, eles possuem um conhecimento necessário e imprescindível, mas apenas complementar à gestão do "negócio" do Sporting Clube de Portugal: a competição desportiva. Os prejuízos económico-financeiros são a consequência inevitável da ausência de resultados desportivos e, quando conhecidos em simultâneo com os lucros dos nossos concorrentes, mesmo que de circunstância, agravam ainda mais o sentimento de frustração no seio da família Sportinguista.

É verdade que as contas de praticamente todas as SAD´s são motivo de preocupação,ou deviam sê-lo, dos adeptos dos respectivos clubes. As da nossa SAD são muito pior do que isso, reflectem em cada cêntimo as angústias, as desilusões e as amarguras que cada Sportinguista experimenta há algum tempo, demasiado tempo. Os maiores prejuízos não são os que se registam nos livros de contabilidade, são os que se cravam na alma e no ânimo dos Sportinguistas.

A conjunção de maus resultados desportivos e financeiros aprofunda em muitos a ideia, dentro e fora do clube, que não somos mais tão grandes como eles e isso tem custos. Os económicos, mais fáceis de contabilizar no imediato pela perda de receitas, e todos os outros que resultam na deserção de muitos. Este sim é um problema, porque a grandeza de um clube não se mede apenas pelo momento circunstancial ou pela sua história, afere-se pelo número de adeptos e pela transversalidade da sua influência no universo em que insere. Por isso, talvez como nunca, todos são preciosos e é nos piores momentos que se testa a saúde e grandeza de uma instituição. 

Os que gostam de proclamar o seu "grande amor" pelo Sporting podem, devem dar-lhe nestes momentos a dimensão prática indispensável  - dentro do possível tornarem-se sócios ou pelo menos acompanhar os jogos, etc - ou podem refugiar-ser nas desculpas de ocasião. Há dias, quando se lembrava o exemplo do Dortmund, que praticamente renasceu, alguém acrescentou aqui um dado importante: o clube alemão manteve-se grande porque os seus adeptos, nos piores momentos, não abandonaram o clube (o estádio continuou a registar grande afluência) e foi por isso que assim conseguiu inverter o destino menor que muitos lhe agoiraram.
 

Não sei se nos merecem crédito os relatos saídos na comunicação social da última reunião do Conselho Leonino.  Alguns deles reportavam até actos de conselheiros que nem estiveram presentes. Por outro lado também não deixei de notar a auto-promoção que alguns dos seus elementos não conseguiram evitar, provavelmente os mesmos que depois se queixam que no Sporting tudo se sabe... Mas dessa reunião preocupa-me o enfoque novamente dado à questão financeira que, aparentemente, pouco se tenha falado da vertente desportiva. 

Não que não me preocupe a palavra "prejuízo" que aparece a cada relatório trimestral. Mas preocupa-me mais deixar de haver referência ao plano pré-anunciado e que a imagem do post faz referência. Vai haver alteração da estratégia?

E preocupa-me também que, neste relatório e nos ecos do Conselho Leonino,  pouco se fale do que será feito para reconstituir o Departamento de Futebol, que se continue a faltar a uma promessa que considero crucial, a definição de um organigrama.

Talvez Godinho Lopes (e esta direcção) não tenha ainda percebido o essencial: os que querem apenas manter a panela de água a ferver, como o vêm fazendo desde o dia 26 de Março, encontrarão sempre razões e meios para o fazerem. 
A maior parte dos Sportinguistas não se preocupa com as contas mas com os resultados desportivos e com razão: Não apenas por motivos tão prosaicos como de de poderem enfrentar as segundas-feiras no trabalho, mas porque são os bons resultados que promovem os jogadores, que assim promovem os bons negócios, e que trazem , se não os investidores, pelo menos os patrocinadores. E é por aí que se transformam prejuízos em lucro.
No panorama desportivo, há já muito pouco a fazer esta época, que não seja restaurar o orgulho leonino a cada jogo. Mas há muito a fazer pelo futuro e, nesse sentido, há muito trabalho pela frente. Espero por isso que a direcção esteja mais atenta aos sinais da sua equipa de futebol (está o novo treinador a perceber os problemas e a criar soluções?...), a perceber o que é necessário para tornar finalmente o departamento de futebol estanque e profissional e menos aprisionada pelo medo da sua própria sobrevivência. Porque aí já depende muito pouco de si mesma, mas sobretudo dos resultados...

sábado, 1 de dezembro de 2012

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