De Jesualdo "The Manager", ao caso PPC, até à "Última Ceia"
O Manager
Jesualdo Ferreira foi ontem apresentado como manager para o futebol do Sporting. Uma decisão feliz a contrastar com um momento particularmente infeliz.
Não sabemos se a sua passagem será prolongada ou breve, porque no Sporting cada dia é uma eterna voragem e um triturador de pessoas e vontades. E não é de crer que o que está por fazer seja tarefa para um homem só, porque não é. Mas a sua entrada corresponde a uma decisão necessária e importante na reconstituição do
departamento de futebol.
Podia dissertar se a decisão é meramente politica e ou cosmética, mas prefiro salientar que ela corresponde a uma necessidade há muito identificada pela generalidade das pessoas que se debruçam sobre o futebol do Sporting e esse é o facto que prefiro relevar. Desde ontem que o êxito dele será também o
nosso pelo que lhe dou as boas-vindas e deixo os meus singelos votos de
boa sorte.
Se há referência para o cargo que agora Jesualdo vai ocupar ela é Fergusson, daí a escolha da ilustração do post. O perfil de Jesualdo - a idade, o curriculum - e o seu trajecto recomendam-no. Mas, para a sua passagem pelo Sporting ter significado é necessário tempo. Por isso era bom que Jesualdo o pudesse ter, como teve Ferguson. E, tal como o escocês, pudesse sobreviver à passagem, quase sempre fugazes, dos corpos sociais.
O Sporting não pode continuar a ser um cemitério de sonhos, uma vala comum a cada dia mais profunda de desgostos, intrigas, traições e angústias. Para o evitar vai ter que querer dar continuidade a alguma coisa ao invés da permanente vontade de terminar o que mal chega a iniciar.
E diga-se que Jesualdo começou bem. Desde a referência à formação, à importância de manter os melhores jogadores mas apreciei particularmente a forma elevada e simultâneamente lúcida como falou de nós:
«Por fora, sempre que fui adversário do Sporting e daquilo
que me habituei a acompanhar da sua história, sempre senti que era um clube
diferente dos outros. Tinha uma história diferente, construída de forma
diferente. Vibrei na minha adolescência com alguns grandes jogadores e grandes
equipas que o Sporting teve, mas acompanhou-me a dúvida permanente do porquê de
este grande clube não ser constante, ter tantas oscilações e não ser durante
tanto tempo o que tanta gente quer» salientando também a «fidelidade e a paixão da massa associativa, apesar da ausência de títulos»
A última ceia
A primeira página do jornal do clube que hoje sai para as bancas é um bom exemplo do fracasso que tem sido a politica de comunicação de Godinho Lopes em quase todo seu mandato. Seguramente o fruto de uma má assessoria que resulta de más escolhas. Num momento particularmente delicado da vida do clube e em que a liderança é escrutinada acto a acto, um episódio como este pode ser mais fatal que desligar a máquina a um doente nos cuidados intensivos.
A falta do mais básico bom senso anula de forma fulminante a vontade de perceber qualquer boa intenção, mais ainda atendendo à importância que a quadra que se pretende comemorar tem nas famílias portuguesas. A capa é ainda mais perniciosa por ainda dar mais foco negativo ao clube, quando este é já excessivo. O Sporting precisa de estar nas noticias, mas por boas razões.
Não sei se alguém quis fazer a cama a Godinho Lopes e gostaria de evitar esta teoria conspirativa. Prefiro pensar que todos nós nos deitamos na cama que fazemos, mas este episódio lamentável revela também que Godinho Lopes está pouco ou mal acompanhado.
O regresso do caso PPC
Pode ser apenas uma coincidência mas, no preciso dia que PPC volta a falar à comunicação social, o seu caso na justiça volta a conhecer desenvolvimentos. E os piores para imagem da justiça, tendo em conta que as noticias chegaram primeiro aos jornais do que ao arguido e respectivo advogado. Isto já não é uma coincidência, é um modus operandi.
Nunca gostei de ver a execução de justiça pelas mãos de quem a reclama. Nunca gostei de vigilantes. Mas também é verdade que, como individuo, nunca foi objecto de assaltos contínuos que me retirem o bem-estar que tão difícil me é de alcançar. E tenho a sorte de viver num sitio onde o portão não é fechado à chave e a porta de casa fica aberta onde ninguém entra sem pedir licença. Se a minha rua fosse anos a fio devassada e as casas assaltadas por um bando de malfeitores organizados, retirando o que é meu para depositar no quintal do meu vizinho, e a justiça ou fosse incapaz ou fosse fechando os olhos, certamente que mudaria de opinião e de actos.
Se dúvidas houvesse na forma iniqua e desigual como o Sporting tem sido tratado pela arbitragem atente-se à reacção da APAF, que já solicitou o regresso do caso à justiça desportiva e nos últimos trinta anos assistiu caladinha e muitas vezes conivente, à corrupção e ao tráfico de influências. Nojo, o mais profundo dos nojos é o que eu sinto por estes biltres, cópias decrépitas de mal-feitores saídas de filmes de série B.
Se dúvidas houvesse na forma iniqua e desigual como o Sporting tem sido tratado pela arbitragem atente-se à reacção da APAF, que já solicitou o regresso do caso à justiça desportiva e nos últimos trinta anos assistiu caladinha e muitas vezes conivente, à corrupção e ao tráfico de influências. Nojo, o mais profundo dos nojos é o que eu sinto por estes biltres, cópias decrépitas de mal-feitores saídas de filmes de série B.
Lamento a exposição pública que o caso trás ao clube mas lamento ainda mais a saída de Paulo Pereira Cristóvão. Mas os seus actos, a serem verdade, produziram pelo menos um efeito favorável: uma das bestas negras do Sporting, o tal Cardinal, não tem podido usar a sua bandeirinha mágica.
Quanto à vigilância aos jogadores é para rir. Todos os grandes clubes o fazem e se o Sporting o começou a fazer agora já foi tarde.












