segunda-feira, 8 de março de 2010

O futebol visto a verde e branco

Hoje acordei e apeteceu-me dar numa de sportinguista doente. Não que eu não seja um fervoroso adepto do nosso clube, mas hoje tenho vontade de descarregar num tom quase irracional e a roçar o ridículo, bem à moda de outras lides.

Depois de uma infeliz derrota da nossa equipa de andebol – que aproveitarei para abordar noutra altura – só consegui ver a segunda parte do futebol e a satisfação é natural. Passes, bola corrida, jogadores a movimentarem-se com nexo e a defesa a evitar o recurso ao constante chutão para a frente deram o mote para a felicidade proporcionada por 4 golos sem resposta, uma bola ao poste e um golo invalidado.

Onde está a “doença” nisto tudo? Essa chega agora:

A título de curiosidade, gostaria de saber a ênfase que seria dado ao gesto técnico num qualquer remate de calcanhar de outro jogador que não o Moutinho, já para não falar na “escandaleira” que seria armada por tal obra-prima – repito, não do Moutinho porque sendo do Sporting é obviamente banal – ser invalidada de forma incorrecta. Acrescente-se ainda que neste caso, tivemos de esperar cerca de cinco minutos até ver uma repetição enquanto noutro jogo houve a oportunidade de ver a repetição por uma dezena de vezes à procura de fora-de-jogo inexistente.

Aqui na minha mente mais perversa, consigo também imaginar como seria noticiada uma intervenção no jogo semelhante à de Matias Fernandez, com participação activa em 2 golos do Sporting e ainda o passe de deixar água na boca a qualquer amante de futebol.

Infelizmente, não temos figuras religiosas, artistas circenses ou mamíferos roedores e por isso os “jornaleiros” preferem dar ênfase a outros aspectos do Sporting ao invés de ligarem ao que importa: o desporto.

EM FRENTE SPORTING!

A equipa resolve!

O jogo de ontem tem um nome incontornável que é o de Liedson. O destaque é inteiramente merecido. Não há muitos jogadores a consegui-lo, nesta ou em qualquer liga, e a prova disso é que é preciso recuar até à época 2006/07 para se verificar um feito idêntico. E é sintomático que seja preciso recuar precisamente à melhor época dos últimos anos, em que o campeonato ficou à distância de um ponto, numa ponta final em que os jogos eram ganhos com autoridade.

Há porém no jogo de ontem uma nota diferente na proeza de Liedson. Ao contrário de muitos jogos anteriores, em que Liedson do nada cria um golo e a equipa praticamente não existe, (como por exemplo, ante o SLB, na Taça da Liga) quase todos os golos resultaram de jogadas de envolvimento colectivo. Também ao contrário de muitos jogos nesta época e em anteriores, e golos à parte, ontem foi dos melhores jogos de Liedson, no sentido colectivo do termo. E é a esse colectivo que cabe resolver os jogos e não apenas a um jogador. Numa equipa forte os bons jogadores destacam-se com naturalidade e as dificuldades dos menos bons tendem a passar despercebidas. 

O Sporting precisa de um Liedson forte, tal como de um Veloso, Moutinho, etc, mas todos e cada um deles necessitam de uma grande equipa para poderem espalhar a classe que possuem. Sem isso, e por muitos que sejam os destaques individuais, os tão almejados títulos colectivos serão sempre uma miragem.

PS: Há de certeza muitas histórias por contar de grandes mulheres na história do Sporting. Hoje, para elas em particular, uma lembrança especial. E, como não podia deixar de ser, para as que nos visitam, a Tite, a Dina e Ana, as mais regulares aqui, para todas as mulheres Sportinguistas, e para todas em geral, um grande dia!
 

domingo, 7 de março de 2010

Interlúdio a azul


O terceiro adversário de azul vestido e a 3ª vitória consecutiva e todas alcançadas de forma categórica e por número expressivos de golos sem resposta. A inviolabilidade da baliza de Patrício. Um penalty por marcar, um golo mal anulado. A estreia ao poker de Liedson no Sporting, o regresso desse número mágico à I Liga, depois de Carlos Bueno, também do Sporting, na ida época de 2006/07. A maior vitória também desde 2006/07. A tristeza de Carvalhal no flash-interview, “sou apenas treinador, existem pessoas na estrutura do clube para o fazer se quiserem”. Ah,os calções do Atletic são azuis…

PS: Porque não jogou o Sporting com o seu lindo equipamento habitual, ou com a bonita camisola Stromp?

Communication breakdown


Foi tudo menos pacífica a saída de cena de António Sousa Duarte do cargo de director de comunicação. Uma saída consensual, negociada, não acontece de forma abrupta e sem assegurar soluções de continuidade de funções. Assim o Sporting prosseguiu o seu papel inovador no panorama do futebol português este ano: que me recorde foi a 1ª vez que não se conheceram os convocados para um jogo de uma equipa da I Liga. Costinha prometeu um novo período na comunicação para o Sporting e ninguém duvida que mais silêncio à volta e sobre o balneário são medidas que deviam ser para ontem. Mas convém não exagerar…

De igual modo não deve ter sido fácil para Carvalhal saber por terceiros que o Sporting anda à procura de treinador, sem ainda lhe ter comunicado o que pretende fazer com a opção que está clausulada no seu contrato. Assim como não será fácil enfrentar mais logo a bateria de jornalistas. O Sporting tem todo o direito de escolher novo técnico, não pode, ou não devia fazê-lo prescindindo de regras éticas que deveriam ser norma num clube que gosta de ser visto como padrão no meio desportivo. Pelo meio fica “uma mensagem aos Sportinguistas” que de nada serve. Ou se desmentia vigorosamente a noticia, ou ignorá-la apenas serve para lhe dar sentido.

E é assim que se chega ao jogo do Restelo. Onde não se espera outra coisa que não uma vitória ante uma equipa que apenas conseguiu vencer 1 vez. Gostava que o Belenenses, clube com o qual nutro simpatia, superasse este momento.Os seus  adeptos merecem-me especial  solidariedade pelas sucessivas atrocidades que a sua classe dirigente tem cometido num clube que há 30 anos era claramente um grande e que hoje está confinado ao seu pequeno reduto. Espero que a recuperação fique para depois do jogo de logo.


sábado, 6 de março de 2010

Abaixo da linha de água...

Há quem diga que é ao contrário. Eu acho que o Sporting está um clube cada vez menos surpreendente e previsível. Quando um Sportinguista se levanta e procura as primeiras páginas dos jornais sabe que o mais provável é encontrar alguma notícia que lhe tire a boa disposição. Ou porque o presidente resolveu falar, ou porque ficou calado quando devia ter falado, ou porque alguém bateu com a língua nos dentes, ou com estes num punho qualquer. Enfim, um manancial de inesgotáveis opções. Aí sim, no conteúdo, pode sempre haver uma pequena surpresa, algum facto nunca visto noutro clube qualquer.

Devo dizer que a 1ª do Record não surpreende ninguém. É uma onda que há muito se vinha formando e que mais tarde ou mais cedo sabíamos que ia entrar por Alvalade a dentro. Não é sequer novidade em si, e é muito provável que seja verdade. Mais, pormenores dela já me haviam chegado desde finais de Novembro,  já com Carvalhal a treinador (!)  e foram-me confirmados já este ano, embora com contornos diferentes. Obviamente que perante isto, já não me sinto obrigado pelo voto de silêncio que então me comprometi. Aliás, previ, num circulo restrito, que esta noticia em breve chegaria aos jornais. É uma medida à Sporting: quando as coisas parecem entrar na linha há que baralhar e dar de novo para depressa voltar à nossa estranha anormalidade.

A demissão do director de comunicação e consequente cancelamento da conferência de Carvalhal não surpreende ninguém. Não sei se está relacionada com as palavras de Costinha, que anunciou um novo período na comunicação do clube, numa clara ingerência numa área que não é ou não devia ser a sua. Convenhamos que é, nas actuais circunstâncias, um lugar desnecessário em Alvalade. Todo e qualquer elemento que circula nos seus corredores é um director de comunicação em potencial, e poupa-se 1 salário.

Debaixo da linha de água aparente calma, Alvalade é um turbilhão constante. E é aí que se começam a esfumar e esgotar as nossas forças. Quando os adeptos se organizam, fazendo sacrifícios, para fazerem uma demonstração de força e grandeza em Madrid, estraçalha-se a réstia de autoridade do treinador actual na 1ª página de um jornal que, segundo o último comunicado, o CD do Sporting acha que é “co-responsável por um jornalismo que nos habituámos a admirar”. Quem sabe não está o jornal a fazer um favor a alguém em Alvalade. É que o sucesso de Carvalhal, com um novo treinador contratado, há muito que deixou de interessar precisamente a alguém em Alvalade. Mas e ao Sporting propriamente dito?... Como dizia no 442 há dias, faltam menos de 2 meses para se perceber o que se tem realmente passado por estes dias em Alvalade.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Campo inclinado

Soube-se ontem que o Sporting foi multado em 3.400,00 € por, segundo o CD da Liga, o clube não ter respeitado instruções da  Comissão Executiva da Liga sobre “acções de animação”.  Li esta notícia e fiquei perplexo, mas por razões de ordem pessoal não a partilhei aqui. Mas como a notícia pareceu ter ganho vida própria na minha cabeça, recusando-se a dar lugar a novos acontecimentos, decidi perceber melhor o que estava aqui em causa.

E foi assim que descobri que, no caso do "túnel", o clube de carnide havia sido multado em 1.500,00 € por “conduta negligente”, isto é menos de metade do que pagamos pelo atraso no inicio do jogo com o Leixões, pelos vistos porque as meninas da animação se atrasaram a agitar os ponpons. Ficou mais barata a “violação do dever de manter a segurança numa zona do recinto desportivo”. (Se a Liga existisse para defender o espectáculo perceberia que os momentos que antecediam os jogos, mais os intervalos, eram os únicos em que os sportinguistas, à data, poderiam ver algo parecido com um show. Mas não, a Liga está cá para defender outras coisas…)

Resolvi então investigar um pouco mais, e acabei por descobrir que o nosso rival afinal já havia pago multa semelhante, mais precisamente de 3,500.00 €, mas por duas agressões !!! Tudo se passou em Setembro de 2008, quando, em directo, ao vivo e a cores, “o árbitro assistente José Ramalho foi atingido no pescoço por um adepto claramente identificado como sendo do Benfica”, então pelo tristemente famoso diabo da luz. Como se não fosse suficiente “aos 80/81 minutos, o árbitro assistente José Luís Melo foi atingido na cabeça por uma garrafa de água cheia, arremessada por adeptos colocados numa zona claramente identificada como sendo do Benfica, o que lhe provocou um hematoma com corte no centro da cabeça.” Quando se esperava uma interdição ao galinheiro pelos factos ocorridos, a pena aplicada foi apenas pecuniária, fazendo que o jogo seguinte ali se pudesse realizar. Adivinhem quem era o adversário seguinte? Pois, o Sporting.

Proponho então que, como animação em Alvalade, se prescindam das cheerleaders e se faça pontaria às equipas de arbitragem. Custa o mesmo, mas, como se vê, os resultados são mais interessantes. Tenho a certeza que não teríamos tantas queixas das arbitragens. Nem elas de nós, pois parece que gostam do tratamento. É que também não me recordo de ter ouvido nenhum Guilherme aos gritos preocupado com a “terapia.” O campo parece sempre um pouco inclinado quando somos nós.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Sporting, mucho más que fútbol

Já se joga a próxima eliminatória da Liga Europa dos 2 lados da fronteira. Enquanto por cá se fazem os preparativos para a grande invasão de quinta-feira, naquilo que se espera seja uma demonstração da grandeza do nosso clube, do lado é para já na imprensa onde se podem observar algumas reacções.  Não , não se preocupem, que não vou perder tempo com declarações infelizes de infelizes.

Num artigo que merece leitura atenta, o Mundo Deportivo, compara-nos com o Atletico de Madrid, “Si hablamos estrictamente de fútbol, podríamos definir al Sporting de Portugal como el Atlético de Madrid del país vecino”. Não comento a justiça da comparação, por não ter uma noção exacta da implantação do nosso adversário no tecido social espanhol, embora me pareça bem menor do que a que nos equivale em Portugal. Por isso talvez o jornalista acrescente que “El conjunto lisboeta cuenta con más de 100.000 'socios' y más de 300 peñas en todo el mundo.”

Mas o que me parece digno de reflexão da nossa parte, é a quando se compara a trajectória histórica de ambos os clubes, dando conta da divergência do actual Atlético de Madrid  com aquele que foi criado, tornando-se num clube cada vez mais de apenas futebol. “Con el paso de los años el cuadro rojiblanco fue perdiendo sus secciones,”, “algo que no sucedió con el Sporting que a día de hoy tiene equipos en más de 20 disciplinas deportivas a parte del fútbol”, quando tiveram os 2 clubes, na sua criação uma filosofia comum “Entonces se creó (o Sporting) como una entidad multidisciplinar, algo que también sucedió con el Atlético.” O artigo prossegue fazendo-nos justiça, que por vezes é por nós e pelo País esquecida "el Sporting es el club deportivo, por detrás del Barcelona, más laureado del mundo.” A ler e meditar, no dia em que a formação foi mais uma vez objecto de atenções mundiais via CNN. Apetece-me perguntar: que modelo de clube é que andamos à procura? Não seria melhor trabalhar mais e melhor o que nos fez grandes e soubemos fazer como ninguém?

quarta-feira, 3 de março de 2010

Chapa 3

Chapa 1: Só os Sportinguistas nascidos na década de 60 se lembrarão de vitória tão expressiva e categórica ante o FCP como a de domingo. Precisamente desde o tempo em que éramos o 2º clube com maior número de títulos nacionais com uma posição, vista pelos olhos de então, aparentemente inalcançável. Não restando hoje qualquer dúvida sobre os métodos empregues para nos escorraçar desse lugar, (sem esquecer anos que acumulamos sem liderança, divisionismo e a nossa inépcia), é de estranhar as honras que ainda se destinam a Pinto da Costa em Alvalade. Mas são de arrepiar e de fazer dar voltas no túmulo aos fundadores do clube as notícias de que o Sporting se apresta a apresentar uma candidatura conjunta com os azuis à liderança da Liga. Não consigo imaginar como pode Rogério Alves, ou outro Sportinguista qualquer, prestar-se ao papel de peão de brega da estratégia de PdC. Este tem pelo menos um mérito que lhe tem que ser reconhecido: conseguiu do nada construir uma organização tentacular para combater a hegemonia desportiva dos clubes de Lisboa conseguindo, simultâneamente, mantê-los de costas voltadas, aliando-se ora a um, ora a outro, consoante lhe ditam os seus interesses. Dividindo para reinar, tem conseguido os seus objectivos.

Chapa 2: Os passivos dos 3 grandes têm dado que falar. Dos 3, o Sporting é o que tem o modelo mais racional, mas que não tem sido aplicado na plenitude, nem tem tido a gestão mais adequada. Como se pode ver hoje nas 1ª´s dos jornais, é a formação que tem procura. Para que este modelo dê mais títulos tem falhado a politica de aquisições e a aposta num treinador, consagrado ou não, que não prescinda do bom futebol. Seria trágico para nós que a formação passasse para o plano secundário, como parece indicar a promessa de grande investimento na próxima época. Não havendo de facto petróleo em Alvalade, duvido que tal possa suceder sem vender anéis. E com as receitas a definhar de ano para ano, não vejo tesouraria para aguentar as consequências. O Sporting precisa de saber vender melhor, ou vender sequer, mas sobretudo de não falhar tanto a comprar. E é aí que tem residido o nosso calcanhar de Aquiles. Trabalhar com um bom empresário como Jorge Mendes pode ajudar um pouco, desde que o Sporting saiba defender os seus interesses. Que, como sabemos, estes não são exactamente os mesmos que o dos empresários.

Chapa 3: A gata borralheira em que a equipa se havia transformado o Sporting, apresentando-se de forma andrajosa na maior parte da época, tem pelo menos já um par de sapatos de cristal, conseguidos com 2 vitórias categóricas consecutivas. Se o jogo com o Everton poderia ter deixado a sensação de vitória casual, em que o demérito dos ingleses poderia ter prevalecido sobre o nosso mérito, o jogo de domingo confirmou que a subida de nível não era fortuita. Mas quem ouviu do princípio ao fim as perguntas colocadas nas conferências de imprensa dos 2 técnicos, poderia até ser levado a pensar que tinha sido Carvalhal a ser goleado, tal o fogo que se abriu sobre ele. Sabe-se que Carvalhal não tem a boa imprensa do seu antecessor. Os mesmos que tudo desculpavam a Paulo Bento, dizendo que ele não tinha plantel e por isso fazia milagres, são os mesmos que insinuam agora que Costinha, entrado na quinta-feira, já tem responsabilidade nas vitórias. Ou como parecia querer dizer Inácio, o Sporting passou a jogar melhor apenas por causa da entrada de um só jogador. Isto é, Pedro Mendes sozinho fez o milagre da multiplicação dos golos, em simultâneo com o do desaparecimento da debilidade defensiva. Afinal ficou barato... Para Carvalhal fica apenas o “mérito” de 7 derrotas consecutivas.

P.S.: A A.A.S. pede-nos a divulgação do  seguinte comunicado(clique para aumentar):
 

terça-feira, 2 de março de 2010

Para memória futura


Confesso que detesto "pancadinhas nas costas" de adversários, agradecimentos por isto ou por aquilo, derivados também daquele porreirismo que grassa entre muitos gentlemen do nosso clube que faz com que o Sporting até seja um clube simpático, por quem se torce nas competições europeias e que até pode ganhar uns jogos no campeonato que não faz mal nenhum. Por isso não gostei que muitos amigos e conhecidos benfiquistas me tenham agradecido a vitória sobre o Porto, uma vitória nossa, só nossa, de quem tanto precisava - adeptos, jogadores, treinador e dirigentes.

Da última vez que o Sporting foi campeão, em 2002, uma vitória do Benfica sobre o nosso competidor Boavista adiantou em 24h a nossa consagração, e fez com que saltássemos para as ruas a festejar um golo do Mantorras. Como eu, muitos sportinguistas do Grande Porto acorreram à Avenida dos Aliados, lugar onde fizemos uma enorme e inesquecível festa. No dia seguinte, na capa do Público, um cartoon de Luís Afonso mostrava um personagem com a camisola do Benfica a entregar o troféu numa bandeja a um outro, com a nossa camisola. A capa de hoje da Bola, sempre tão solícita a retirar da actualidade futebolística tudo o que há de mais prosaico, fútil e vermelho, fez-me lembrar todos estes acontecimentos e elevou à potência, se necessário fosse, a vontade de, com todo o brio, profissionalismo e respeito pela nossa história, irmos ganhar à Luz e mostrar ao Luisão e ao agrupamento "Vitor Serpa Y Sus Muchachos" que com o Sporting não se brinca.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Isto é... futebol!


O título pode obviamente ser uma alusão ao facto do Sporting "ressurgir" agora e em dois jogos consecutivos, além de aplicar 3 golos sem resposta, ter apresentado um nível exibicional aceitável e condicente com o estatuto e historial do nosso clube.

Isto é futebol pois andamos semana atrás de semana a esgrimir argumentos e opiniões, a apontar o dedo numa caça às bruxas em busca de culpados ou então à procura de um sem fim de argumentos para desculpar e/ou justificar o que quer que seja levando-nos a uma cegueira quase total e níveis mínimos de racionalidade, conduzidos pela paixão.

Muitos andaram a dizer que o Izmailov devia ser vendido para aproveitar a oportunidade de negócio, mas o russo acabou por ficar e o seu sentido posicional não tem desequilibrado mas revela extrema importância no nosso colectivo. Miguel Veloso tantas vezes criticado pela falta de empenho tem acumulado golos de belo efeito que têm sido fundamentais nos nossos resultados. Yannick Djaló que há poucas semanas parecia que não sabia jogar futebol, exibe-se agora a um bom nível. Pedro Mendes que parecia um reforço banal, tem sido pendular e muito útil no meio-campo. Até o Grimi, reconhecido pelas suas frequentes paragens cerebrais, deixou a pele em campo nestes dois jogos e apesar de trapalhão, conseguiu anular com relativa eficácia os seus opositores.

Creio que destas "chapadas de luva branca" não nos importamos nós de levar...

Isto é futebol, de onde se passa de besta a bestial de um dia para o outro, deixando para trás goleadas e empates confrangedores, acabando por golear em jogos importantes.

Estará dado o mote para a recuperação? Talvez, mas também poderá ser sol de pouca duração num Inverno de longa duração. Certo é que nós Sportinguistas recuperámos o sorriso e podemos acreditar que o Sporting tem argumentos de verdade para apresentar nos relvados nacionais.

EM FRENTE SPORTING!


domingo, 28 de fevereiro de 2010

Leão morde onde dói mais!

O Sporting feriu hoje de morte o dragão, colocando-o fora da disputa da Liga Sagres, razão para encher de orgulho os adeptos. O Sporting de que eu gosto não faz fretes, tem uma camisola para honrar.

Exibição quase irrepreensível, num jogo que começou a ser ganho no gabinete do treinador e complementada no campo com a agressividade e empenhamento. A qualidade individual e postura colectiva fizeram o resto. Este ano quando existiu uma verdadeira equipa ganhamos ou pelo menos disputamos os jogos do princípio ao fim conseguindo ocultar os seus pontos fracos. Por certo hoje ninguém consegue apontar um jogador que não tenha merecido a vitória!

Não pode passar em branco a devolução do correctivo da Taça, devolvendo uma eliminação,desta vez no campeonato. Como esteve diferente esta equipa hoje! Defendendo longe da área, manietando os extremos e estendendo o nosso ataque, assegurando presença na área no ataque. No 1º e no 3ª golo tinhamos 4 jogadores dentro do último reduto azul. No lançamento do jogo pedia para jogarmos bem, conseguimo-lo e por isso ganhamos!

É para jogar bem!



A poucas horas do clássico são pouco importantes as palavras. À equipa do Sporting peço apenas que jogue o que sabe, que jogue o que está ao seu alcance. E se o fizer estará meio resultado feito. O resto ficará a cargo dos factores aleatórios de qualquer modalidade desportiva. Tendo em conta a importância do jogo na decisão da Liga Sagres, esperemos que não haja qualquer manobra para inclinar o campo. Poucos têm sido os jogos com o adversário de logo em que isso não tem acontecido. Para melhor oportunidade ficará a análise à convocatória para o jogo de logo.

Não termino sem deixar a excelente sugestão do nosso leitor Nastase, que muito nos honra. Provavelmente já não a tempo do jogo de logo, mas muito pertinente, por estar relacionado com um esquecimento muito comum entre os Sportingistas:O Sporting é de Portugal e do mundo inteiro, onde existem Sportinguistas e não apenas de um bairro ou cidade.

Já se sabe que num clássico desses, tem vindo a ser cantado de forma recorrente o "Cheira bem, Cheira a Lisboa". Eu não sou de Lisboa. Uns 60Km mais a Norte. Apesar de ser uma cidade que trago no coração, não me revejo nesse cântico pois o Sporting, como toda a gente sabe, é de Portugal.

Por isso gostaria de sugerir uma nova letra para ser cantada sobre a mesma melodia:

Uns Leões de vitórias esfomeados,
Cheira bem, cheira ao Sporting!
Uma história de glória centenária,
Cheira bem, cheira ao Sporting

Do Futebol, basquetebol ao hóquei!
Andebol, atletismo ou futsal!
Cheira bem porque é o Sporting,
O Sporting Clube de Portugal!

Pode parecer pouco mas julgo que este seria um bom incentivo para nos apropriarmos de uma melodia muito conhecida e relembrar às pessoas que o Sporting é, de facto, um Clube de Portugal! O único com o nome da nação!

Pedro Anastácio aka Nastase
Sócio nº 61.107

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Vitaminas

Costinha é o novo director desportivo, o Sporting alcança os oitavos-de-final da liga Europa e Izmailov permanece em Alvalade. 3 boas noticias, ocorridas num espaço de 24 horas, uma quebra numa fastidiosa rotina de desapontamento e frustrações. Uma recarga vitaminica na auto-estima a verde-e-branco.

A escolha de Costinha colheu de surpresa a nação verde-e-branca, - não o “ANortedeAlvalade” – mas, observando a reacção geral, está longe de ter sido decepcionante. Tem a vantagem de não ter anti-corpos em Alvalade, de ser uma opção pessoal de ingresso no clube do seu coração de um profissional bem reputado e titulado. A missão está longe de ser fácil, como sugerem os rápidos carimbos de “homem de Jorge Mendes” ou outros que se atiraram para lançar a dúvida. É também a prova que o lugar era apetecível para muitos. Voltaremos seguramente a falar de Costinha, mas esta é a hora de ratificar ou rejeitar a escolha. Eu escolho a primeira, pela adequação do perfil. O sucesso, esse está muito mais dependente do que se passará acima dele do que do seu desempenho, embora este seja importante.

A passagem aos oitavos-de-final não pode ser considerada uma grande surpresa, face ao resultado e o que se viu em Liverpool, mas o mesmo não se dirá da forma categórica como foi alcançado. Um merecido prémio para o grupo de trabalho de Carvalhal e para os adeptos. E também, convém dizer, um severo castigo para Moyes e seus boys e para a forma como menosprezaram o valor do Sporting. A postura era inequívoca: julgaram que quem mal consegue rematar em 90m à baliza do Paços ou Olhanense muito menos seria contra eles, acabados de obter triunfos moralizadores sobre dois dos Big Five da League. Acontece que o Everton tanto tentou arrefecer o jogo que acabou por ficar congelado sem conseguir depois reagir. Tivemos pelo menos o mérito de não desperdiçar a oportunidade.

Por fim Izmailov. É minha opinião que se trata de um bom jogador que, no entanto, sofre de demasiadas intermitências, não sendo a sua influência tão intensa como a sua qualidade e a nossa necessidade fariam supor. Não é um extremo como muitas vezes se lhe pede, mas é um bom oficial de ligação do meio-campo com o ataque, como se viu quinta-feira. As suas movimentações pelo interior são essenciais quando não se pode ou não se consegue carrilar o jogo pelas laterais. A sua escolha pela permanência, em detrimento de um saco mensal de petrorublos e o regresso ao clube de formação e do coração, indicam que o pequeno Czar acredita no Sporting. Isto é, se não se foi pelo dinheiro é porque acredita que desportivamente vêm aí bons tempos. Oxalá!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Não caíu do céu

A vitória de ontem foi mais do que merecida e era há muito necessária a um clube onde tudo correu mal desde o inicio. Dizia ontem, no lançamento do jogo, que “é difícil de recordar um jogo que tenha sido ganho de forma categórica do princípio ao fim, independentemente da valia do adversário.”. Pois desde ontem que isso é possível.

Esta vitória justa premiou uma competência que tem andado arredada dos nossos jogos. Não caíu do céu, antes deu muito trabalho a obter. E como é trabalhoso ser competente. E é também um sério aviso a todos aqueles que preconizam o “reviralho” do nosso plantel. Ontem foi apenas uma amostra do que ele é capaz e da qualidade dos seus valores individuais. Imaginem o que seria possível conseguir uma vez estabilizada emocionalmente, e com níveis de confiança “normais”. Foi sem dúvida a vitória da qualidade sobre a dúvida e um prémio para a convicção dos nossos amigos PLF e Kovacevic.

Se alguém mereceu a vitória de ontem foi Carvalhal e o grupo de trabalho que lidera. Apresentado num vão de escada, elogiado na vitória e descartado nos primeiros contratempos, CC tem o perfil humano á altura da grandeza do Sporting. Quem duvida disso que reveja as suas palavras ontem depois do jogo. Se tem a necessária competência técnica para o cargo? Não tenho distanciamento suficiente para responder. O que sei é que CC chegou por acaso ao Sporting – a rábula Villas Boas – mas seria uma pena que saísse de igual modo. Lembro-me da ligeireza com que se despediam os treinadores nos anos 80, nomes consagrados antes ou depois de aqui chegarem. Se não queremos voltar a esses tempos, é bom que não tomemos decisões idênticas. Os adeptos reagem por instinto e paixão. A quem cabe dirigir convém ver além das nuvens dos desgostos e das derrotas.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Ele vem mesmo aí, LMGM!

Sejamos realistas

1- Mais do que a categoria individual dos jogadores tem sido a condição psicológica a determinar a época do Sporting. Desde o seu início que as mais diversas peripécias têm minado a confiança individual e colectiva, e é difícil de recordar um jogo que tenha sido ganho de forma categórica do principio ao fim, independentemente da valia do adversário. As primeiras contrariedades, normais num jogo de futebol, fazem soçobrar a equipa, com esta a resignar-se a qualquer sorte.

2- Não é por isso surpreendente para ninguém que, independentemente das opções tácticas dos 2 treinadores que até agora a orientaram, só muito espaçada e intermitentemente a equipa mereceu essa designação. E se o losango se esgotou, o(s) modelo(s) que o sucederam não representaram melhorias significativas.

3- É pois um grupo fragilizado psicologicamente e sem mecanismos colectivos sólidos que hoje decide a continuidade na 2ª prova da UEFA. Não é por acaso que as casas de apostas remuneram bem a passagem do Sporting à fase seguinte. E isso acontece também porque o contraste entre os momentos de Sporting e Everton é evidente. Se o futebol for apenas um cálculo de probabilidades, auxiliado por dados estatísticos, o Sporting tem já traçado o seu destino.

4- Mas o futebol é muito mais do que isso. E o resultado conseguido em Liverpool diz-nos isso. Isto é, uma equipa que, como o Everton, ganha em casa do Chelsea e semi-goleia o poderoso Manchester, deveria ter-nos aplicado um correctivo exemplar no jogo da 1º mão. Não foi o que aconteceu e, apesar daqueles 20 m da 2ª parte, mostramos argumentos muito mais poderosos que a triste época até agora realizada faria supor.

5- Dito isto, quero dizer que eu acredito que temos ainda uma palavra a dizer. Estes são os jogos que os jogadores gostam de jogar, pelo que a condição psicológica importa menos. Com o factor motivacional resolvido, volta a ter peso a organização da equipa. Não ter medo de subir no terreno, jogando com a maior proximidade dos sectores, de forma a, simultaneamente, afastarmos o poderio físico inglês das zonas mais recuadas e a esticar o alcance do nosso ataque parece-me ser, em termos genéricos, a disposição adequada.

6- Lamento que CC não tenha sido consequentemente convicto na implementação de um modelo onde a opção pelos extremos nos permitisse acelerar e dar profundidade ao nosso jogo. É assim que explico a minha opção para o jogo de logo, face aos convocados. Patrício na baliza. Abel, Tonel, Carriço e Veloso. Pedro Mendes (meter Adrien seria queimá-lo, face às opções recentes…) Moutinho do lado direito (Pereirinha não tem tido a oportunidade, nem o ritmo) Yanick do lado esquerdo e Yzmailov ao centro, onde o fogo de meia-distância ganha poder, nas costas de Liedson. E muito querer e capacidade de sofrimento.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Pontos de Vista*


A importância desta época para o Sporting

Os erros cometidos têm uma vantagem: permitem-nos ficar a saber o que não se deverá repetir!
E é isto que devemos exigir ao Presidente José Eduardo Bettencourt.

JEB ganhou claramente as últimas eleições do Sporting. E se 90% dos sócios do Sporting votou em JEB para Presidente do clube, ele tem o direito, e o dever, de dirigir o clube. E todos nós, adeptos mais ou menos fervorosos, e mais ou menos expressivos nos comentários, devemos colaborar com o Presidente nessa tarefa. Será esse apoio, mais ou menos público, que nos deixará de “consciência tranquila” na hora de julgar o seu desempenho como Presidente do clube!

Mas este “dever de saudável Sportinguismo” não nos obriga a fechar os olhos a tudo o que acontece no nosso clube. Pelo contrário, a nossa missão, de Sportinguista “pagante”, “militante”, “apoiante” ou só “sofredor”, terá que ser sempre de alerta a tudo quanto diz respeito ao clube. E eu só reconheço o Sportinguismo quando há paixão, amor e sofrimento pelo clube! E isso significa concordar com o que achamos correcto, e levantar a voz quando discordamos de algo.

O Presidente JEB tem trabalhado com dedicação e paixão pelo clube, é inegável. Resolveu-se o problema com a Câmara de Lisboa, abriram-se perspectivas para a construção do Pavilhão Desportivo, investiu-se na equipa de futebol e fez-se alguma coisa pela recuperação de sócios e antigas glórias do clube. Mas, se isto é verdade, também não deixa de o ser a tristeza que a todos nos invade. E, lamentavelmente, isso deve-se sobretudo às infelizes declarações do Presidente:

- Tivemos o episódio do “Paulo Bento forever”;

- Foram as 2 horas de conferência de imprensa de despedida do P. Bento e a apresentação electrónica do Carvalhal (imagine-se a confiança com o novo técnico terá arrancado…);

- Foi o triste episódio da “guerra com o sócio 90 e tal mil”;

- É esta “luta pelo 4º lugar”, que, sendo esse o lugar que a equipa ocupa, significa que basta olhar para baixo, sem qualquer ambição em chegarmos à frente;

- É a graçola (desculpem, mas não vejo termo mais apropriado) de que se ainda cá estivesse o P. Bento seriam 2 a dar o corpo às balas…!

São já demasiados os exemplos de … vou chamar-lhe «falta de cuidado nas palavras». Por favor, haja alguém próximo do Presidente que o chame à atenção para o que tem dito! Ele é o nosso Presidente, repito, tem o direito e o dever de presidir ao clube…mas queremos que o faça bem. O Presidente dum clube como o Sporting não pode estar constantemente a dar tiros nos próprios pés. Ao máximo responsável pela entidade tem que se exigir demonstrações de confiança em quem tem ao serviço do clube, e não em ex. treinadores do clube.

Agora, dado que para esta época o objectivo está traçado, queremos que se prepare atempadamente a equipa de futebol para a próxima – estamos em Fevereiro e desta vez não haverá a desculpa de que não houve tempo! Mas, com um Director Desportivo e um Treinador a prazo, mais responsabilidades terá que assumir JEB, embora, pela amostra do que se tem passado com o Izmailov, as coisas não pareçam caminhar pelo melhor. E não podemos limitar os horizontes da equipa, quando ainda temos uma prova Europeia em disputa e que pode servir, no mínimo, para elevar o moral de Jogadores e Adeptos, ao mesmo tempo que servirá de montra para junto dos grandes clubes europeus valorizar os nossos atletas!

Os sócios e adeptos do Sporting vivem, e sofrem, por este clube uma paixão única, por isso querem – e merecem – um clube Grande, Organizado e que a estes princípios se saiba conjugar a Ambição de ser o melhor.

Carlos Martins

*Pontos de Vista é uma rubrica onde são publicadas opiniões enviadas pelos leitores do "ANortedeAlvalade"

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Ele vem aí LMGM?

"O médio Costinha deixou de ser jogador do Atalanta. Ambas as partes chegaram a acordo amigável para a rescisão do vínculo que as unia.O antigo internacional português desiludiu na passagem pelo futebol italiano. Costinha alinhou apenas por uma vez em jogos oficiais pela turma de Bergamo.Recorde-se que Costinha foi peça fundamental na equipa do FC Porto, liderada por José Mourinho, que conquistou a Taça UEFA e a Liga dos Campeões, em 2003 e 2004, respectivamente." foto e noticia de "ABola"

O nosso editor LMGM advogou aqui, num comentário que não consegui encontrar, o perfil de Costinha como o indicado para assumir o dificil lugar de director desportivo do Sporting. Tido como Sportinguista, discreto, de carreira e nome prestigiados quer nacional quer internacionalmente, tido como bom profissional e líder. Será ele LMGM? Mas não é sábado e nevoeiro nem vê-lo...

Noção de prioridade

 
Por vezes parece-se não se perceber ou não se querer perceber porque não ganha o Sporting tantas vezes como devia. (Devia no sentido da obrigação face ao seu estatuto, mas também no sentido das suas capacidades e das suas potencialidades). Não há uma resposta simples para uma questão tão complexa. Nem vou fazer aqui e agora esse exercício que tem ser exaustivo.

Mas, quando estamos prestes a jogar uma partida decisiva, que nos permitiria resgatar um pouco da tão maltratada auto-estima andamos i) à procura de novo treinador, permitindo a desacreditação do actual,  ii) negociamos um dos melhores jogadores do plantel, supostamente para suprir fundos em falta por uma ida imprudente ao mercado, e iii) com os olhos postos na próxima época, iv) diz-se da qualidade do plantel o que Maomé não disse do toucinho, v) pede-se a cabeça do presidente.
Ninguém parece ver ou acreditar na oportunidade que nos está a passar debaixo dos olhos. Com esta noção de prioridades é possível fazer do Sporting um clube vencedor?

Ou só eu é que acredito que é possível eliminar o Everton?

PS: E o que pensarão os jogadores de tudo isto?

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Só com um dia de atraso

Mais vale tarde que nunca:

"Comunicado

O Sporting Clube de Portugal vem, por este meio, manifestar o seu mais profundo repúdio pelo conjunto de notícias que o jornal "Record" tem vindo a veicular e que fazem acreditar na existência de uma campanha que parece visar denegrir e lesar a instituição através de alguns dos seus protagonistas.

O direito à informação e a liberdade de imprensa são, hoje, conquistas inalienáveis dos órgãos de comunicação social que não podem nem devem ser questionados. Mas a consciência desses factos não é compaginável com o exercício de um jornalismo sem escrúpulos que confunde a análise objectiva dos factos com leituras enviesadas assentes em conjecturas, especulações e impressões pessoais.

É certo que o Sporting Clube de Portugal atravessa um momento difícil da sua já longa vida. Todavia, o Clube, os seus milhares de sócios e os milhões de adeptos e simpatizantes espalhados pelo mundo não deixarão de dar a volta por cima e reagir às adversidades que se têm atravessado no caminho.

Ao "Record", co-responsável por um jornalismo que nos habituámos a admirar mas que, nos últimos tempos, elegeu alvos humanos como se de territórios inimigos se tratasse, exigimos um tratamento ético-profissional e jornalístico à altura dos seus pergaminhos.

Na defesa intransigente dos seus interesses, também o Sporting Clube de Portugal saberá recorrer aos instrumentos que, a cada momento, considerar mais adequados e eficazes."

in Site do SCP.

Reality check

O Sporting vive num momento desafiante da sua história. Encontra-se numa encruzilhada em que se está esgotar o tempo para escolher o seu caminho, ou conformar-se com a inevitabilidade de aceitar o que lhe for possível. O momento do futebol é o que suscita mais atenções, mas a situação que aí se vive acaba por ser transversal a quase toda a sua actividade desportiva.

A grandeza do Sporting é um facto indesmentível, alicerçado na enorme base social de apoio e na sua rica história. Aos que duvidam desta minha afirmação eu lembro que é precisamente esta a altura correcta para se aferir a dimensão de um clube. Quando se ganha todos aparecem, ao contrário, na maré baixa fica à vista o núcleo duro, que é onde me parece estar remetido o Sporting no presente.

(Há uma diferença entre ser um grande ou um histórico. O Belenenses foi paulatinamente mudando de estatuto nos últimos 30 anos. Para aferirmos a sua grandeza ida é necessário consultar os arquivos e já quase não haverá ninguém vivo que a testemunhe. A sua base social de apoio é diminuta e cada vez mais circunscrita ao espaço físico do clube não me parecendo capaz de seduzir fora desse âmbito. É um histórico mas não mais um grande.)

Importa pois perceber que a realidade é dinâmica e nem os que nascem em berço de ouro têm a sua existência ou estatuto assegurados. O Sporting como grande instituição desportiva vem testando a resistência dos alicerces que a suportam. É um grande, mas tem sido incapaz de competir à altura desse estatuto e essa desconformidade continuada com a sua grandeza gerou uma crise de identidade que o ameaça. A par disso parece ter afastado toda e qualquer referência ao seu rico passado, como se o clube tivesse sido acabado de fundar. E, ainda pior, a sua organização, se é que ela existe, não transpira saber ou competência.

As crises, segundo os chineses, são oportunidades. Esta crise em que o Sporting mergulhou não é seguramente uma crise de crescimento, estende-se há demasiado tempo, encerrando consigo todos os sinais de definhamento. Não é realista pensar que a situação a que se chegou se resolva por passes de mágica. Como também não são realistas os gritos que se ouvem “Este não é o meu Sporting!”. É bom que percebamos que é este o nosso Sporting e que, no actual rumo, é bem mais provável que ainda se torne pior antes de dar qualquer sinal de melhoras.

Importa pois saber o que fazer para inverter o rumo. Não conheço nenhuma receita milagrosa e não incorrerei no erro muito comum nos fóruns Sportinguistas de avançar com medidas e nomes avulsos. Mas, sem qualquer pretensão de “ensinar o pai-nosso a todos os vigários”, parece-me que há uma coisa muito simples de fazer e que está ao alcance de todos e cada um de nós. E isso é não voltar as costas ao clube, o que apenas contribuiria para agravar os problemas. E também a única forma de assegurar a legitimidade de exigir, protestar ou apresentar soluções. É agora que podemos ser importantes, é agora que podemos fazer a diferença. Quando todos estiverem a descer do Marquês para a Praça do Município, ou a pintar de verde-e-branco as praças deste País a nossa ausência não será tão notada.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

E que tal começar já hoje?

É já uma imagem de marca do nosso presidente a sua admiração pelo modelo do FCP. A incredulidade dos Sportinguistas é natural. A ideia é tão estapafúrdia como um pai anunciar à família que tutela que, para resolver os seus problemas, esta deve passar a comportar-se como o seu vizinho que enriqueceu sem olhar a meios. E que nesse processo não se coibiu de o ridicularizar ou até de assaltar o seu próprio quintal.

Se JEB quer copiar o modelo presidencialista seguido pelo seu homólogo azul-e-branco, não se pode esquecer que este se legitimou à custa de muitas vitórias, mesmo que inserida numa lógica de ganhar a qualquer preço. Para se alcandorar a esse estatuto JEB tem muita côdea dura para roer e tem que demonstrar, antes de mais, que tem dentes para o efeito. Se JEB quer um modelo presidencialista para poder mandar, isto é, para poder tomar decisões, porque não começa por tomar uma que seja, ao invés de desbaratar a sua autoridade cada vez que faz uma declaração?

E porque não começar já hoje? Se algum mérito pode ser reconhecido à gestão que tem merecido tantos elogios de JEB, o de defender os seus de forma intransigente é um deles. O Record achincalha hoje, de uma forma sem precedentes, um treinador de um clube grande. Nem nos tempos de Cantatore, Vital, Flores, Del Neri ou Couceiro vimos algo semelhante. JEB tem aqui uma boa oportunidade de marcar a sua posição como presidente, tomando a defesa de um alto funcionário do clube. Mesmo que Carvalhal tenha sido apenas uma manobra de diversão para desviar as atenções das suas próprias responsabilidades, impõe-se uma posição de repúdio do clube e até do grupo de trabalho.

É que eu não teria escolhido Carvalhal para substituir Paulo Bento. Não que a sua preparação ou C.V. não o colocasse pelo menos em pé de igualdade, mas porque a sua trajectória recente retirava-lhe a força necessária para o lugar. É que eu também não gosto de algumas opções de CC e suas consequências. Não gosto, p.ex., que CC não perceba que a dupla Liedson/Saleiro não funciona, que a diferença entre André Marques e Grimi são 4,5 milhões de euros e o futuro que se perde em cada jogo do argentino. Não gosto da troca de Adrien pelo futebol “mangas de alpaca” de Pedro Mendes, de passes lateralizados e sem qualquer risco. Mas JEB escolheu CC e cabe-lhe agora defendê-lo. Não de lágrima no olho, em qualquer conferência de imprensa, e também não me parece que seja boa política voltar a apanhar um avião para o Brasil.

Deixar CC à mercê destes “tarefeiros” que lhe fazem a cama é também não querer ganhar. Um treinador despromovido a bode expiatório de culpas próprias e alheias é um treinador menos capaz de vencer. E não me peçam a mim para não acreditar que não é possível ganhar um jogo antes de o disputar. Ainda tenho muita daquela crença, ou “estupidez natural” se quiserem, que era apanágio dos Sportinguistas, que era a de acreditar que a vitória é sempre possível. E de aqui até ao final da época ainda há muitos jogos para ganhar. A começar pelo de quinta-feira. E o que se segue. Essa é a forma de honrar a camisola do Sporting e essa a forma de reconstruir uma mística de vitórias.

Se JEB e a direcção a que preside mantiverem o silêncio perante esta vergonha, sou levado a concluir que ele suspira por PB não para serem os 2 a darem o peito às balas (presume-se pelo Sporting...) mas sim porque quer alguém que o faça por ele.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Em Olhão golo não

Não vale a pena perder muitas linhas com a invernia futebolística em que o Sporting caiu. O jogo de Olhão resume-se em poucas palavras. Na 1ª parte a equipa não soube tirar partido do facto de jogar a favor do tempo. Na 2ª parte não conseguiu jogar contra ele. Ele, o vento, ele o Sporting. Não sabe, nem consegue é a imagem que ficou do futebol do Sporting.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Pára-quedistas




Quando a candidatura Ser Sporting se apresentou para disputar as eleições, não faltou quem os apelidasse de "pára-quedistas" e de "aventureiros", entre outras coisas. Tudo isto porque essencialmente, não eram conhecidos do "grande público" nem eram "gestores de topo".

A exigência para com esta candidatura atingiu níveis que nunca tinha visto nas eleições Sportinguistas. Foi um verdadeiro esmiuçar das pessoas que compunham a candidatura, do seu CV, da sua participação ou não na vida do Clube, das suas ideias e das suas propostas. O que é acertado e era o que se deveria fazer, sem excepção!
Como tal, esperava eu que tal fosse aplicado também a todas as restantes candidaturas. Claro que não.

Bastou aparecer JEB, munido de uma folha, desculpem um projecto, com uma lista por ele escolhida - hmmm não foi ele pois não? - com uma cultura de exigência e assente na competência - desculpem-me novamente, queria dizer que privilegiava os amigos... este Esporão é bom mas um pouco forte...
E que fizeram os mesmos que tanto analisaram, debateram, exigiram - inclusivamente fotos com o candidato e o treinador escolhido por essa candidatura - da candidatura Ser Sporting, em relação à de JEB? NADA! ABSOLUTAMENTE NADA!!

"Ah pá este gajo foi campeão!!", "Enfrentou a Juve Leo", "É o 3º na hierarquia do Santander!!". Como se pode ver, a dualidade de critérios não existe apenas dos árbitros para connosco. E agora?
Agora, uns mostram-se desiludidos; outros, enganados; poucos são os que se mostram esperançados em que se inverta este rumo. Depois há ainda aqueles que, pura e simplesmente, deixaram de aparecer.

No meio disto tudo, onde anda a oposição? Compreendo que se deixe trabalhar a Direcção legitimamente eleita, que haja até um sentimento de "Votaram neles, aguentem com eles" mas falamos do Sporting Clube de Portugal, que é muito superior a qualquer um de nós! É a nossa Paixão e como tal, não deverá haver lugar a rancores e sentimentos similares.

Espero sinceramente que se comece a preparar uma Direcção sombra, que se tente inteirar tanto quanto possível dos dossiers críticos do Clube, de modo a que possa constituir uma alternativa ainda mais credível que anteriormente. Porque acredito, aliás receio, que caso JEB se apresentasse a novas eleições ganharia novamente. O que seria inacreditável.

Inacreditável porque em 8 meses de mandato, a todos os níveis vergonhoso, JEB tem ferido grave e sistematicamente, o Sporting de Clube de Portugal.

- Elogia repetidas vezes os rivais, menorizando o Sporting Clube de Portugal e a sua maneira de estar no desporto Português;

- Despreza um sócio porque o seu número de associado é elevado, apesar de andar empenhado na angariação de novos sócios;

- Não toma qualquer atitude em situações que assim o exigiam, como aquando das pedradas em Alcochete e da peitada de Duarte Gomes em Ricardo Peres enquanto, nosso técnico de GK de então, em pleno aquecimento dos GKs;

- Despede o seu amigo Paulo Bento, fazendo uma figura ridícula e patética, minando logo de seguida o caminho do sucessor que nem direito a apresentação tem;

- Gasta 6.5M€ num jogador que estava encostado no Atlético de Madrid e que não justificava tal investimento;

- Vai de férias para o Brasil na semana mais exigente do calendário leonino, proferindo "JEBardices" mal chega a Portugal e dando a ideia que fugiu para não ter que enfrentar PdC, após a publicação de escutas onde ele e o Paulinho são insultados e gozados;

- Vem de férias e exige profissionalismo aos jogadores, afirmando de seguida que com Paulo Bento é que era, porque "seriam 2 a dar o corpo às balas", fragilizando ainda mais o actual treinador e mostrando sofrer de amnésia;

- Prepara-se para vender Izmailov por uma verba inferior à qualidade do russo, um dos nossos melhores jogadores, depois de ter recusado uma oferta similar quando o mercado ainda estava aberto.

Ainda assim inacreditavelmente, repito, arriscar-se-ia a ganhar novas eleições.

Não acredito em JEB, nem acredito que consiga inverter a sua postura e discurso. É sem qualquer dúvida, um dos piores presidentes da História do Sporting Clube de Portugal, e como tal, espero que se demita o mais rápido possível. No mínimo, e usando uma frase que já faz parte da sua imagem de marca, "Tá calado pá, tá calado!".

SCP SEMPRE!!!

PS: Comentava há uns dias com o LdA que na altura, tirando o Pedro Santana Lopes - pior presidente da História do SCP - e José Roquette, não conhecia mais ninguém. Não fazia ideia quem eram Soares Franco, José Eduardo Bettencourt ou Miguel Ribeiro Telles. Com promessas de gestão rigorosa, transparente, fim da dependência da bola que entra ou não e títulos (3 em 5 anos), ninguém os apelidou de coisa nenhuma a não ser visionários. Deu no que deu mas os outros é que continuam a ser perigosos aventureiros/pára-quedistas.

Excelente entrevista de JEB - Palavra de (ex-futuro?) director desportivo

Deixei aqui apenas uma reacção viral à entrevista de JEB da semana passada. Pensei posteriormente partilhar  uma opinião mais reflectida sobre a mesma, mas o tema é-me de tal forma desconfortável e infeliz que preferi ir adiando até perder actualidade. No entanto, ao ouvir, via podcast, a análise de Luís Freitas Lobo, dei-me ao trabalho de as transcrever.  Esta parece-me pertinente. Não tanto por vir de alguém que até foi dado como candidato ao cargo de director desportivo. (Após estas palavras talvez apenas ex-futuro candidato). Mas por duas razões fundamentais: i) é uma análise externa de alguém que não é seguramente Sportinguista ii) e independente, facto cada vez mais raro na comunicação social. Não deixa também de ser "curioso" ver referir-se ao nosso clube de forma correcta, contrastando com a utilizada pelo nosso presidente. A leitura é longa mas vale a pena.

"Ouvi alguns excertos na televisão, li em vários jornais e penso que foi uma excelente entrevista do presidente do Sporting. Sinceramente. Eu não duvido da sua entrega, da sua competência, da sua vontade de ver o Sporting ganhar, mas eu quando digo que foi uma excelente entrevista, é porque eu penso que ela devia ser gravada em DVD ou em CD e ser entregue a todos os clubes para eles saberem tudo aquilo que não se deve dizer ou não se deve fazer num clube de futebol. Penso que todas aquelas declarações que foram feitas são um completo despropósito e são um elenco enorme…"

"A questão do treinador estar dependente dos resultados e não da competência, quando um treinador entra a meio da época, com um contrato de 6 meses, restam-lhe 3, tem uma Taça UEFA para joga, jogava nesse dia, e é colocado dessa forma, o facto de ele dizer que está a preparar a próxima época, e ao mesmo tempo diz que não tem treinador, e responde que é ele próprio que está a preparar a próxima época, que o objectivo do Sporting é o 4º lugar (penso que o objectivo do Sporting deve ser jogar cada jogo para ganhar, com a máxima entrega, com a máxima capacidade de dignificar a camisola que o Sporting tem)."

"A questão de contratar o director desportivo em função do balneário, dizer que o perfil do director desportivo depende do balneário que existe, exactamente o contrário do que deve ser, porque quem escolhe o balneário é exactamente o director desportivo, em conjunto, como é evidente com o presidente da SAD, com o treinador e restante responsáveis, e só depois é que aparece o grupo e não o contrário."

"A questão Sá Pinto/Liedson, dizendo que um director tem mais responsabilidade que um jogador, é verdade sem dúvida nenhuma, em alguns aspectos. Neste aspecto em concreto, era uma questão para ser dirimida de outra forma. O que esteve aqui foi uma questão muito simples: o Liedson é um ponta-de-lança que faz golos, e o Sporting precisava era que o jogador jogasse, se fosse outro jogador a situação certamente não seria a mesma."

"A questão de dizer que o Sporting não é uma organização vencedora, quando alguém diz isso de si próprio, porque ele é que é o presidente, ele é que representa a organização, dizer que o Sporting não é vencedor, é algo perfeitamente incrível. Não é vencedor porque nem todos podem ganhar o mesmo campeonato, nem ganhar todos os anos, mas tem que ser vencedor para ganhar sempre cada jogo que passa."

"Comparar com o FCP é o absurdo, é dizer que não entende verdadeiramente o que é a Cultura do Sporting, o que faz a história do Sporting, e a herança do Sporting não tem nada a ver com a herança do FCP, que tem uma idiossincrasia completamente diferente, e ainda por cima quando recentemente se soube a forma como o presidente do FCP se referiu ao presidente do Sporting em escutas que foram reveladas."

"Portanto há uma série de situações que são perfeitamente inacreditáveis. E se nos lembrarmos inclusive que o Sporting  esteve no mercado há pouco tempo, que comprou um jogador que ele próprio, o Sinama Pongolle, custa mais de metade do orçamento do Braga, se percebe a incompetência com que o Sporting tem sido gerido. Depois disto, perguntar-se quem é o responsável por o Sporting estar nesta situação, e falar sobre o treinador, e falar-se num jogador, e falar-se nos 4 anos que ficaram para trás em que esteve tudo parado, é de facto algo para deitar as mãos à cabeça"

"Perante isto parece-me que foi uma excelente entrevista para se perceber o que não se deve fazer, e que não se deve dizer. A partir de agora cabe a todos os Sportinguistas pensarem bem isto tudo, para perceberem onde está a razão de ser de o Sporting estar na situação em que está." 


P.S.- A Associação de Adeptos Sportinguistas estará hoje representada pelo seu presidente e conselheiro leonino Pedro Faleiro Silva no programa "Lugar Cativo" da TVI24 pelas 20h10 onde lançará o III Pensar Sporting a ter lugar no próximo sábado, dia 20 de Fevereiro, não se furtando, igualmente, a abordar outros temas da actualidade sportinguista.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Sim, Modelo Sporting!


O Leão Transmontano deu o mote num post anterior e eu pego na bola e sigo a jogada.

Desde o período pré-eleitoral que ouvimos referências por parte de José Eduardo Bettencourt sobre a sua admiração pelo modelo Porto em oposição, suponho eu, ao modelo Sporting. É fundamental neste momento que estas declarações sejam concretizadas, para mim por dois motivos, primeiro para saber se o modelo Sporting faliu (sim, nós temos um modelo), segundo para saber concretamente aquilo que pretendemos mimetizar do modelo Porto.

Sobre o meu primeiro motivo, caso se chegue à conclusão de que o modelo Sporting não tem possibilidade de sucesso, esse facto deve ser dito e espalhado aos quatro ventos para que a sociedade civil tenha consciência dos caminhos que as organizações são forçadas a trilhar para serem concorrenciais. Vou especificar, da análise que o Sporting num determinado momento fez à indústria do futebol resultou a conclusão de que era uma actividade altamente deficitária, geradora de enormes buracos de tesouraria e baixas receitas, comparativamente com aquelas que seriam necessárias para manter uma equipa competitiva interna e externamente.

Para conseguir ultrapassar estas dificuldades o Sporting faz um importante investimento, cria com meios próprios aquela que é considerada uma das melhores Academias mundiais para formação de atletas. O objectivo era simples e facilmente identificável. O atleta nacional tem uma óptima qualidade inata, o Sporting tinha na sua estrutura alguns dos melhores técnicos mundiais na área específica da formação.

Ao fazer este investimento, que é estrutural tanto para o Sporting como para Portugal (vide qualquer escalão da selecção nacional), pretendia-se o seguinte, diminuir o orçamento directo do futebol profissional através da integração de atletas vindos da formação, logo sem custo directo em termos de aquisição dos seus direitos desportivos, reduzir a massa salarial por se tratarem ainda de atletas numa fase inicial da sua carreira (entre os 18 e os 23 anos), potenciar receitas pela venda dos direitos desportivos dos atletas fora de série.

Aquilo que está a ser afirmado neste momento é que tudo isto falhou. Mais, tentando deixar de lado a importância da fruta e do galão pela ceia na refeição dos campeões, o caminho que nos dizem os diversos analistas e comentadores que devemos trilhar é investir acima das possibilidades, quer das nossas possibilidades individuais, quer as de todo o mercado futebolístico nacional, endividar, aumentar o passivo e … e rezar a Jesus para que dê certo.

A minha percepção é diferente, não vejo que o modelo Sporting tenha falido, muito pelo contrário. A aposta feita está correcta e não deve ser destruída por um ano horrível em termos de resultados e principalmente de competitividade. Um modelo baseado na formação não tem resultados imediatos para apresentar e nunca será perfeito mas como é estrutural nunca deve ser posto em causa por momentos ou épocas casuais.

Houve necessidade num primeiro momento de forçar o crescimento de diversos jogadores jovens a um nível máximo de competição, jovens esse que queimaram etapas do seu natural crescimento por necessidade premente da organização do Sporting. Hoje graças a esses meninos heróis os seus colegas mais novos têm a oportunidade de crescer fora dos holofotes da fama, da desilusão, do assédio, do insulto, etc.. Os exemplos são diversos, mas salvo raras excepções ninguém é o melhor do mundo na sua actividade aos 20 anos. Em tempos utilizei o exemplo de Miguel Garcia, é para mim o atleta típico que eu preciso da formação, aquele que me permite poupar uns milhões de euros na aquisição de um Pedro Silva e que nunca sendo excelente será sempre uma alternativa válida para um plantel que quer ser campeão porque não admite a derrota.

Assim o modelo que cria e sustenta o Patrício não é um erro, o erro é a obrigatoriedade dele ser titular sem concorrência real, Moutinho não é um erro, o erro é ele ter de ser capitão aos 20 anos e fazer posições no meio campo à la carte, Veloso não é um erro, o erro é a atracção que o seu pé esquerdo faz para o desviar para a linha, Adrien não é um erro, o erro é apostar nele, só nele, para recuperar a equipa, Carriço não é um erro, é um fora de série já com um pé na porta de saída.

Há felizmente muito mais exemplos a dar e gostava que a conversa do paradigma ou do modelo Porto, não seja meramente financeira com o objectivo de atirar milhões de euros para cima de um problema na expectativa que ele desapareça, mas algo de estrutural, de um novo passo de evolução do modelo Sporting que permita aos nossos miúdos serem julgados impiedosamente pela bancada não aos 18 anos mas aos 22 quando já tiveram um percurso profissional e uma bagagem que lhes permita aguentar a nossa paixão e exigência.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Modelo Sporting!




O universo leonino tem assistido com a serenidade possível aos últimos acontecimentos em torno do Sporting. Primeiro, a saída de Paulo Bento, a "choradeira" presidencial com tal facto, a ascensão e queda de expectativas face à contratação de um novo treinador. Depois, uma nova equipa técnica, cheia de vontade, que encontrou um balneário mais parecido com um autentico ninho de víboras, cujo esplendor máximo se resume nas recentes cenas de pugilato entre um director e um profissional do clube. Pouco depois, derrota após derrota, acentuando ainda mais aquilo que já sucedia na era Paulo Bento. Como se não bastasse, duas dessas derrotas, foram goleadas seguidas ante os rivais de sempre, custando a eliminação em duas competições diferentes, para não falar do 4.º lugar na Liga cada vez mais ameaçado pelos clubes de meio da tabela.

Para compor o ramalhete, o Presidente resolve convocar os jornalistas para um pequeno-almoço na Academia, que, diga-se, ainda hoje não está bem digerido pelo mundo Sporting, ao ponto de suscitar incompreensão nos restantes órgãos do clube, conforme o Presidente da Assembleia Geral fez questão de demonstrar, tendo já obtido uma infeliz resposta.

O Sporting neste momento parece ser um barril de pólvora. Nunca pensei que o rastilho pudesse ser aceso por quem tem o dever e a obrigação de apagar o fogo e criar condições para que haja poucos incêndios nas bandas de Alvalade. Quando são os próprios bombeiros a atear a fogueira quem vai apagar o incêndio?

No meio desse pequeno-almoço, JEB referiu-se novamente ao modelo do F.C. Porto, como exemplo a seguir. Claro está que houve logo quem fizesse chacota do assunto, questionando se o modelo a seguir é o modelo da fruta, dos quinhentinhos e das viagens Cosmos. Obviamente que JEB, não se refere a esse género de práticas.

Já em campanha eleitoral, JEB, em lugar de apresentar um programa político e desportivo devidamente coerente e fundamentado, movido pelo espírito leonino, preferiu optar por elevar o modelo do FCP. Sempre entendi, que quem tem um projecto e acredita nele, não precisa de ir copiar o do adversário. E também sempre entendi que o Sporting nos dá a inspiração suficiente para sabermos o que queremos e para onde ir, coisa que está longe de acontecer a quem dirige os destinos de Alvalade.

Não ignoremos porém o seguinte: o modelo do FCP, solidifica a mística e o espírito alicerçado na disciplina. Em campo, há referências, um capitão a sério, homens feitos no clube, que o sentem e vivem e até são capazes de “morrer” por ele, se preciso for. Foi-se o Jorge Costa, veio o Bruno Alves. Meireles nunca diria o que já ouvimos a Moutinho. Algum dia viram algum jogador do FCP a dizer que se queria ir embora? Será que é um balneário sem problemas? Quantos passam cá para fora? Quantos bufos há no Porto? E porque se integram tão bem os que entram de novo? Quem está no banco do Porto? E na estrutura de futebol do Porto? Onde estão as velhas glórias do Porto? E os nossos, onde estão os nossos? Sim, aqueles que comiam a relva e não tinham os luxos nem as facilidades de hoje. Aqueles que sabem transmitir a mística e elevar o espírito do clube. Aqueles que conhecem a enciclopédia, fazem parte dela e sabem motivar os que chegam, com esforço, dedicação e devoção, a conquistar um lugar na glória. Onde estão as velhas glórias do Sporting? Onde estão os nossos?

Acham que o José Mourinho fazia mais do que Carvalhal? E porque é que este também não vai fazer mais do que Paulo Bento?

Quando o Sporting voltar a ser dos Sportinguistas, não precisamos de nenhum modelo à Porto, porque teremos um bem melhor. O modelo Sporting.

Ecos de Liverpool


Há quem tenha visto na equipa inicial apresentada por Carvalhal a intenção deliberada de jogar para o nulo. Se a afirmação até poderia ser aceitável antes do jogo começar, ela acabou por ser desmentida pelo próprio jogo. A desvantagem no final dos primeiros 45m deveu-se à diferença na eficácia, uma vez que o número de oportunidades foi repartido.

É muito fácil criticar Carvalhal, é até cada vez mais popular. Mas, com o histórico de resultados com que se chegou ao jogo de ontem, compreendo que ele privilegiasse a consistência do meio-campo. Essa consistência acabou por falhar não porque o princípio estivesse errado, mas porque o colectivo deixou de o aplicar. Este não é ainda o futebol que desejo, mas creio que seja o possível. E, convenhamos, não foi por jogar como ontem que estamos como estamos.

Aceito a discussão se, nesta fase da sua carreira, Patrício seja o guarda-redes indicado para ser titular. Se todas as camisolas verde-e-brancas pesam muito, a do guarda-redes mais ainda. Mas apontar-lhe uma falha no lance do 2º golo é no mínimo um acto de má vontade. No Público chega-se a escrever esta pérola: “mais uma demonstração de como se pode marcar golos ao Sporting. Canto de Baines, Cahill salta com Patrício em falta e a bola embate em Distin, que faz o 2-0.” Ou seja para marcar golos ao Sporting “basta” fazer falta…

Dia mau para explicar porquê que o futebol do Sporting perde dimensão colectiva com as decisões do Liedson e com isso muitas jogadas de ataque. Perdas de bola no contacto ia em 7 quando deixei de contar. Passes de tabela nem um, apesar de solicitado por Yanick, Matias e Saleiro, mais do que uma vez. Sem ver isto, que quem gravou o jogo poderá confirmar, fica sempre a ideia que o problema é dos outros e nunca dele, porque no final o homem cava sozinho o golo. Como já tinha feito com o slb. E se ele continuasse a fazer o mesmo, jogando também com a equipa, não ganharíamos todos? E na selecção queixar-se-á de jogar sozinho? Jogará mais com o resto da equipa?

Vende ou não vende Izmailov? É uma decisão difícil, sobretudo porque a posição do Sporting no mercado é frágil. Mas os 6 milhões põe a zero o valor pago pelo passe, mais os vencimentos. Quantos negócios destes poderemos nós gabar-nos de ter realizado? Questiono sem dúvida o timming, quando se deixou fechar o mercado. Afinal se o preço é o mesmo, porque não se vendeu antes?

Não posso deixar de manifestar o meu apreço por Carvalhal, pela forma quase estóica como tem remado contra a(s) corrente(s). Enquanto o presidente (não merece a maiúscula…) acha que não deve explicações aos sócios que o elegeram ("Estou mais preocupado com aquilo que as pessoas que trabalham no Sporting dizem" a propósito das criticas de Dias Ferreira a mais um serie de declarações infelizes), Carvalhal apela a um “estádio tranquilo”, com “ambiente positivo”. É o mínimo que podemos proporcionar. O resultado de ontem permite-nos pensar no apuramento. Mas nada indica que ele seja fácil de conseguir.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Quantos Sporting´s há?

O Sporting demonstrou hoje em Liverpool que a maior parte dos seus problemas não estão na qualidade dos seus jogadores, como muitas vezes se que fazer crer. Os problemas de consistência desta equipa, bem evidentes nos lances de golo e no eclipse de grande parte do 2º tempo, serão mais fácil de explicar por um psicólogo do que por um treinador.

É que há vários Sporting´s, por vezes num jogo só, como no de hoje. Mas o que normalmente tem prevalecido é o “mau Sporting”, aquele que de repente se sobrepõe ao que de melhor esta equipa parece querer prometer. Não foi uma exibição capaz de resgatar a equipa dos maus resultados, mas ficou uma porta aberta para a 2ª eliminatória bem como para o que resta do campeonato.

Ameaça ou oportunidade?

Carvalhal põe a questão da forma que me parece correcta para uma equipa que, num curto espaço de tempo, voltou a mergulhar no abismo da falta de confiança: o jogo de logo é uma oportunidade, pela competição e pelo palco, para os jogadores demonstrarem o seu valor. Ao contrário, se encarado com temor, o resultado pode até ser… qualquer um.

O jogo de logo porá frente a frente duas equipas em rotas opostas. Os anfitriões da cidade dos Beatles estão no seu melhor momento da época, como provam os resultados recentes e o Sporting vem da cidade dos móveis com a mobília em cacos. Num jogo em que pude acompanhar ao vivo, ficou por demais evidente que a bola queima os pés dos jogadores, que na maior parte das ocasiões, não a querem passar, antes ver-se livre dela. Foi, quanto a mim, o pior jogo da era Carvalhal, sendo também a sua pior abordagem a uma partida desde que assumiu o comando. Mas, convenhamos, seria preciso ser de aço para manter a serenidade, depois de ter ficado isolado à sua sorte pelas palavras do presidente.

A hipótese de apresentar uma equipa que privilegie a posse de bola, com Pedro Mendes, Veloso, Moutinho e Matias na intermediária parece-me correcta, ante um opositor forte fisicamente e igualmente rápido. Mesmo assim a nossa exposição ao jogo directo ou nas bolas paradas será uma permanente ameaça. A defesa subida, encurtando os espaço e mantendo a bola longe da área foi já demasiadas vezes ensaiada sem sucesso, uma vez que os velhos hábitos acabam sempre por prevalecer. Ameaça ou oportunidade? No momento actual julgo que a grande maioria dos adeptos olha com receio o desfecho de logo.

PS: Já são conhecidos os preços dos bilhetes para o jogo da 2ª mão. Fazê-lo antes de saber o resultado da 1ª mão é uma imprevidência. Marcá-los a 20€ é uma insensatez. Ah, e não se guiem pelo site do clube se quiserem saber a hora do jogo…

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Como é crua a realidade

 
Há quem advogue que o Sporting deve começar de imediato a preparar a nova época, e que para tal deveria refazer o seu plantel de alto a baixo, prescindindo de um grande número de jogadores, para então, com os proveitos dessas alienações, reforçar a equipa.

Acontece que parece escapar a quem defende tal posição que o mercado apenas está interessado nos nossos melhores jogadores. Não é de estranhar por isso o interesse em Moutinho, Izmailov e Veloso ou outros que se seguirão. Mas o mercado actua como um predador implacável, sabendo explorar as debilidades da presa. Com uma época miserável, com anos consecutivos em que os nossos melhores elementos parecem ter estagnado ou eclipsado, as ofertas são feitas por baixo, pelo limiar em que dizer não ou sim merece aturada reflexão. O caso de Izmailov é apenas o prenúncio de que ofertas irrecusáveis dificilmente chegarão.

A crua realidade estará aí então para nos lembrar que o nosso maior problema está naqueles, não tão poucos como isso, que não têm mercado, ou terão que ser alienados sem proveitos, continuando muitos deles a pesar na nossa depenada tesouraria. Esses sim serão os nossos verdadeiros activos tóxicos. Da mesma forma que um produtor de queijo da serra não verá os seus problemas de produção vendendo as melhores ovelhas ficando com as doentes, é do senso comum que o Sporting não ficará mais forte se alienar os seus melhores activos. Mesmo que tivesse muita sorte e saber na hora de ir ao mercado para os substituir.

E quando se sabe que, com tudo o que há para fazer, que o departamento de futebol do Sporting começa e acaba em Carvalhal – Freitas Lobo afirmou-o, e conhecendo pessoalmente CC, devia saber do que falava... – e o próprio treinador está em fim de linha, não será de estranhar que a próxima época possa já estar a começar ser perdida.

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