O querem os Sportinguistas?
Há duas notícias que me alegraram o dia: a primeira foi a de que Deco está na lista de potenciais reforços apresentada a Paulo Sérgio. A segunda é a promessa e a certeza de Liedson relativamente à época que aí vem. Assegura o Levezinho que será melhor do que a que agora terminou. Trata-se de duas notas bem-humoradas, embora tenha alguma dificuldade em classifica-las nessa subcategoria do humor tão interessante como difícil de exercer que é o humor negro, ou se se trata pura e simplesmente de piadas de mau gosto.
E a minha boa disposição termina por aí, no que aos assuntos mais mediatizados sobre o Sporting diz respeito. Não se podem comentar com rigor todas as notícias sobre reforços que os média nos apontam. Mas alguns há que, pelos seus contornos, evidenciam alguma credibilidade e definem uma tendência. Evaldo e Jaime Valdés. Parece evidente estar definido o perfil do potencial reforço do Sporting: jogadores ditos “experientes”, eu diria com uma certa idade. Qual é afinal a importância da experiência? O que é afinal mais importante: a qualidade da experiência ou a sua quantidade?
Peguemos no exemplo de Evaldo, lateral-direito do Sporting de Braga e que aparece como sério candidato a reforço do plantel. O Jogador tem 28 anos e acabou de ter a sua melhor época da carreira, sendo talvez o melhor lateral da competição. É um jogador interessante para o Sporting? Sem dúvida. Vale os 3 milhões que custará o seu passe? Talvez, nem discuto. Onde eu não tenho dúvidas é que, por este preço, o Sporting não deve contratá-lo. Na cidade ao lado Desmarets, de 30 anos, é custo zero e tem um valor semelhante, ao que juntaria um ordenado menos inflacionado. A hipótese de rentabilização futura dos seus passes é também equivalente. No caso de Evaldo, com a idade que tem, não será fácil receber de volta o valor da sua aquisição numa futura transferência, o que eleva a fasquia da sua prestação desportiva a níveis elevadíssimos para que a sua aquisição seja uma história de sucesso.
Julgo que este é um exercício que todo o Sportinguista responsável deveria fazer. O sucesso do clube não deveria ser alcançado à custa da sustentabilidade financeira nem da hipoteca do futuro. Admito, já o fiz aqui, apenas uma excepção que é o Quaresma, por razões que se prendem com o seu valor e pela sua ligação ao clube. Mesmo assim não a qualquer preço. Entristece-me mais ainda ver quem consecutivamente demonstre mais juízo e melhor visão, com menos recursos. O Nacional é hoje mais um exemplo.
Mas motivo maior de tristeza é o júbilo, que me parece bacoco, dos meus consócios e adeptos com as noticias que nos apontam jogadores de nomeada que, além de caros, na maior parte dos casos são de valor desportivo duvidoso. Precisamos de jogadores de nomeada para chamar gente ao estádio, ou precisamos futebol de qualidade e de vitórias? Não aprendemos nada com Skuravy´s, Spehar´s, Niall Quin´s. O que queremos nós afinal? Ganhar a qualquer preço? Uma evasão para as contrariedades de uma perspectiva de vida genericamente mais difícil, como anuncia a actual conjuntura? Pão e circo?































