Profissionais na Amadora
Ao contrário do que se poderia pensar há algumas semanas, a paragem das selecções não trouxe nada de bom para Rui Borges e consequentemente para os seus comandados. Morita regressou lesionado da sua viagem e, como se não bastasse, Hjulmand e Maxi tiveram que cumprir castigo. Não havia outra forma se não construir o meio campo com dois centrais adaptados: Debast e Felicíssimo. Se o belga tem disfarçado bem umas vezes e outras até superado o que se poderia esperar dele, ficou claro que há um preço a pagar pela juventude de Felicíssimo. Dificilmente estas condicionantes não se reflectiriam no jogo, como se viu depois, apesar de logo aos trinta segundos jogados Gyokeres - who else? - poder ter inaugurado o marcador.
O jogo acaba por ter duas partes bem distintas que não a habitual subdivisão em duas metades de quarenta e cinco minutos. A expulsão do jogador Montóia, do Estrela, pecou por tardia por lhe ter sido perdoado o primeiro amarelo mas, contudo, de pouco valeu ao Sporting, uma vez que tal só remeteu os da casa ainda mais ao seu último reduto. Foi aí que começou a tal segunda parte do jogo, em que se esperava por alterações que dotassem a equipa de maior expediente ofensivo, mas a tracção atrás de uma equipa até aí recheada de jogadores de cariz mais defensivo não lhe lograva conceder maior aptidão atacante. O jogo tornou-se pastoso, faltando nervo, sagacidade e um pouco mais de risco. A bola rolava de pé para pé sem conseguir colocar o adversário em situações de desconforto. A primeira parte terminaria com o embaraçoso e esquálido número de remates: três apenas.
É então que surge o penalty de que tanto se falou e se falará quando der jeito, sobretudo por quem, de forma amnésica, não se lembrava já do penalty marcado por acção do mesmo interveniente - Diomande - na Vila das Aves. Aceita-se a discussão se se devem sancionar este tipo de acções, e aí teremos muitos mais penaltys por jogo seguramente, mas o que seria inaceitável era marcar uns e não outros. Tenho ainda na memória a agressão, que nem pareceu involuntária, como estes dois lances em apreço, de Pepe ao capitão Coates, mais um que o VAR deveria ter tido um apagão que o impediu a observação.
Mesmo após a consumação do golo Rui Borges não despiu a versão mais conservadora, apesar da vantagem numérica e no marcador. Se a postura dos jogadores não era particularmente afoita, do banco também não parecia vir vontade de maior audácia, antes de jogar pelo seguro e deixar correr o marfim. E acabou por correr, com a obtenção de mais dois golos quando já em horas de desfazer a romaria. O jogo acabaria bem, mas não sem deixar algumas interrogações sobre o excesso de cautela do treinador perante as circunstâncias, o que parece ter acabado por condicionar os próprios jogadores.
Uma palavra final para os adeptos Sportinguistas que continuam a levar ao colo, às costas quando preciso é, esta equipa de bravos jogadores, cujos colegas impedidos por lesão ou castigo fizeram questão de dizer presente. Para todos nós Sportinguistas um espetáculo dentro do espetáculo.
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