segunda-feira, 19 de março de 2012

O fun-gá-gá da bicharada

"Ó da Guarda!..."
Na terra dos galos, quem primeiro fez a festa foi um… Galo. Na primeira oportunidade do jogo o brasileiro foi feliz. Ultrapassou Capel em velocidade - o que até nem é tão fácil assim - e vendo que mais ninguém surgia para contrariar o seu embalo resolveu rematar. E resolveu tão bem que colocou a bola dentro da baliza de Patrício. Até esse momento o Sporting não conseguia invadir o meio campo defensivo gilista. Nem com a bola dominada, nem bombeada desde os ‘lançadores’ Polga e Xandão. Haveria de assim continuar durante mais uns bons minutos. Até que Elias, com muita posse inconsequente, foi finalmente conseguindo descobrir os seus colegas mais avançados no terreno. Primeiro pela direita, recorrendo ao auxilio de João Pereira e Marat Izmailov. Mais tarde também os jogadores leoninos do outro flanco começaram a contribuir… Foi a partir dos 25-30 minutos que o perigo começou a rondar a baliza defendida pelos homens de Barcelos e as oportunidades foram-se sucedendo. Sem a eficácia desejada, já que a pontaria ou o último passe não surgiam da melhor forma. Apenas por uma vez Adriano, a livre de Ínsua, teve que defender o esférico para canto. Assim, surgia o intervalo com o Gil Vicente na frente, basicamente, porque teve melhor pontaria. 

E Depois? Depois bem… A apaixonada APAF entrou em jogo com todo o seu esplendor. E se todos até já tínhamos visto porcos a andar de bicicleta, hoje vimos um com um apito na boca a marcar dois penaltys seguidos… Daqueles que só se marcam ao Sporting Clube de Portugal. Indescritível como num repente se estraga um jogo… Mas o SCP, que já entrara bem na segunda parte, continuou a sua luta por marcar, jogando um futebol apoiado que André Martins e Jeffrén vieram consolidar. Elias, entretanto, recuava ainda mais para o lado de Xandão. Saíram Matias e Polga. Mas a Paixão voltaria a atacar e Schaars vê-se expulso, depois de ver um segundo amarelo após falta banal, numa jogada sem qualquer perigo. Isto depois dum primeiro cartão flagrantemente injusto. Com menos um, acabou-se o futebol apoiado. Acabou-se o jogo mas o degradante espectáculo continuou, com festival de cartões e… de olés. Venha a próxima palhaçada.

Ahhh.. Resta-me desejar um bom dia a todos os Pais. Até ao Pai do bruno paixão que não tem culpa nenhuma de ter um filho tão reles… Ou, às tantas, também estava sentado na  bancada contente com a farsa que se via no relvado a gritar Olés… Entretanto os aldrabões da TVI (porque é que a ‘informação’ desportiva deste 'canal' haveria de ser diferente?) continuavam com os seus comentários cretinos a fingir que o que se passava era tudo normal. O pior é que é mesmo… Se começaram os galos a fazer a festa, acabaram-na os porcos.  Já estamos habituados.


Ficha de jogo:

Futebol – Liga Zon Sagres – 23.ª jornada
2012-03-19
Estádio Cidade de Barcelos
Árbitro: Bruno Paixão (Setúbal)
Ao intervalo: 1-0

Gil Vicente: Adriano Facchini; Eder (Richard, 65 m), Cláudio, Halisson, Júnior Caiçara, André Cunha, Luís Manuel; Rodrigo Galo, César Peixoto (João Vilela, 90 m), Guilherme e Hugo Vieira (Zé Luís, 76 m).
Treinador: Paulo Alves.
Suplentes não utilizados: Murta, Paulo Lima, Paulo Arantes e Luís Carlos.

SPORTING: Rui Patrício; João Pereira, Xandão, Polga (André Martins, 45 m), Insúa, Elias, Schaars, Izmailov, Matías Fernández (Jeffrén, 45 m), Capel (Carrillo, 75 m) e Wolfswinkel.
Treinador: Sá Pinto.
Suplentes não utilizados: Marcelo, Carriço, Evaldo e Rubio.

Disciplina: Cartão amarelo para Cláudio (35 m), Schaars (53 e 69 m), Carriço (54 m), Hugo Vieira (76 m), Wolfswinkel (78 m) e Rodrigo Galo (78 m). Cartão vermelho para Schaars (69 m).

Golos: Rodrigo Galo (14 m) e Cláudio (55 m).

domingo, 18 de março de 2012

Notas de Manchester, a partir do estádio


A jornada de Manchester ficará para sempre gravada na memória de todos os sportinguistas, que por esse mundo fora sofreram a bom sofrer até aos 95 minutos de jogo. Os felizardos que tiveram a hipótese de viver esta jornada no City of Manchester viveram uma aventura épica, com todos os contornos de um drama intenso com final feliz: orgulho, vingança, sofrimento, alegria e celebração. Esforço, dedicação, devoção e glória na terra dos milionários do futebol.

Os sportinguistas presentes no estádio eram cerca de 1000, vindos de Portugal e de toda a Europa, maioritariamente concentrados no nível 1 do south end do estádio, mas distribuídos também pelo segundo anel desta bancada e pela central, onde se encontravam umas largas dezenas de adeptos vindos de Lisboa no dia do jogo em charters fretados por uma agência de viagens. Ainda que poucos, permitiram a espaços reproduzir no estádio o diálogo entre bancadas que é característico em Alvalade desde a década de 90.

Para o início do jogo estava preparada a abertura de duas faixas gigantes trazidas de Lisboa onde se poderia ler “We don’t sell our club” e “Sporting is ours”. A ideia, surgida nas semanas que antecederam o jogo, era deixar uma mensagem contra o sistema de propriedade do Manchester City, clube que abandonou o modelo associativo para se tornar propriedade de um milionário. As centenas de milhões de libras gastas nos últimos anos não tornaram o Manchester City num grande clube, não lhe trouxeram história e, com a excepção de uma Taça de Inglaterra, não lhe trouxeram títulos. Manchester é ainda a cidade em que um clube foi fundado em 2005 por adeptos do Manchester United descontentes com a aquisição do seu clube pelos Glazer. 7 anos volvidos e três divisões acima, o FC United of Manchester é hoje uma realidade muito interessante que merece ser conhecida, e que já foi objecto de posts aqui no A Norte. No dia a seguir ao jogo reuni com o presidente do Clube e visitei o terreno onde, a partir de Maio de 2012, o seu estádio, com capacidade para 5000 espectadores, será construído de raiz com fundos provenientes dos seus sócios.

Por tudo isto, foi uma pena que as autoridades do Man. City não permitissem a entrada no estádio destas faixas, apesar dos meritórios esforços de Vitor Marcelino, o oficial de ligação dos adeptos (SLO, na sigla inglesa) do Sporting, em funções há poucas semanas. O que entrou no estádio foram dez potes de fumo que criaram uma atmosfera ainda mais efervescente no sector leonino aquando da entrada em campo das equipas. Durante mais de uma hora, os bravos leões de Manchester foram os únicos a fazer-se ouvir no estádio, acompanhando uma primeira parte de luxo dos homens de Sá Pinto. A incredulidade do resultado foi-se esbatendo à medida que a crença na passagem se foi adensando. Dizíamos entre nós que só um início de segunda parte catastrófico nos poderia tirar a concretização do sonho.

A segunda parte, bem… A segunda parte. A segunda parte no estádio não foi diferente da segunda parte das casas dos sportinguistas. Nervosismo, desespero, choro, enfim, um sofrimento horrível que jamais se esquecerá, mas que foi recompensado com um apito final que soou a marcha triunfal. Num misto de alegria esfuziante e alívio, Renato Neto era talvez o mais efusivo nos festejos, batendo com a mão no peito e berrando desalmadamente. Quase toda a equipa se dirigiu para junto dos adeptos, e aí sim, a festa atingiu o clímax. O grande Sporting está aí para quem o quiser conhecer, para quem quiser ver a realidade com olhos de ver.

A derrota de Manchester foi quase tão boa como a derrota de Alkmaar, mas, ao contrário desta última, não nos qualificou directamente para uma final. Mas, se nos apanharem em Bucareste a 9 de Maio, saberemos que uma etapa mítica foi cumprida em Manchester.

Sporting sempre!

sexta-feira, 16 de março de 2012

De Manchester a Carcóvia: o sonho continua


Foto Record
Se há coisas que não têm explicação racional são os palpites, as crenças. E, não sei porquê, desde o momento do sorteio, que sonhava acordado com a possibilidade de o Sporting eliminar o City todo-poderoso. Na verdade era mais do que um sonho, era um pressentimento. De tal forma que fui de propósito a Alvalade para presenciar a primeira mão, mesmo sendo obrigado a, para isso, ter que operar uma pequena revolução. O pressentimento cresceu com o resultado da primeira mão e ontem manteve-se, mesmo que não prescindindo do necessário realismo, quando ao intervalo não dava a eliminatória como um dado adquirido.

O homem do momento
Sá Pinto é o homem do momento. Com pouco tempo para treinar, a forma mais eficaz para impor as suas ideias, pegou na alma dos jogadores para, com pequenas correcções tirar a equipa do atoleiro futebolístico e emocional onde a encontrou para fazer dar pequenas mas importantes amostras do talento indiscutível que desde o primeiro momento reclamo para este plantel. Grande pormenor o de finalizar a conferência de imprensa lembrando Big Mal, grande figura do City e do Sporting.

A primeira parte do jogo no Ehtyad será lembrada pelo acerto da disposição táctica e pela resposta dada pelos jogadores ao que lhes foi pedido pelo treinador. A segunda é uma história com 2 capítulos. A que se escreveu até ao golo inicial e depois disso. Fiquei com a impressão que Sá Pinto mexeu cedo de mais e sem muito acerto e que teria sido essa a razão do recuo excessivo da equipa. Não me parece – não de ontem mas de todos os jogos – que Renato Neto seja homem para estas andanças, que sem Matias ficou a faltar alguém capaz de fazer chegar a bola ao último terço e que Carrillo não conseguiu perceber que  devia ajudar a defender e que não era o momento de arriscar em grandes slalons (que nunca conseguiu realizar) antes sim de ter a bola com segurança. 

Mas também é bom reconhecer que, face ao poderio do adversário e ao desenrolar dos acontecimentos, o sufoco se tornou mais ou menos inevitável. O mesmo que sentiria alguém que tenha que segurar por muito tempo um saco de cimento em cada braço. A partir de uma determinada altura não havia nenhuma indicação que Sá Pinto pudesse dar para o relvado que tivesse resposta prática. Mas o que interessa é o que o registo que história fará com mais ou menos pormenor: era ele o treinador quando o Sporting cometeu a proeza de eliminar um dos mais poderosos e um dos favoritos da competição.


Faz pouco sentido falar em individualidades quando os méritos da vitória deve ser repartido por muitos, incluindo os bravos adeptos que calaram os milhares de ingleses. Mas não consigo evitar os seguintes comentários:

Patricio
Quem este gajo? Uma das melhores aquisições desta época, sem margem para dúvidas.

Pereirinha
Tivesse ele as oportunidades de João Pereira e fosse usada a mesma benevolência que se usa na apreciação de ambos... Veja-se o golo de Wolfswinkel e atente-se à recepção da bola e à qualidade do passe. Para quem tem alguma memória lembre-se quantas vezes vemos o João Pereira fazer loucas correrias para entregar a bola completamente à toa no último passe, deitando todo o esforço despendido a perder. Só no jogo da primeira mão recordo de 3 situações em que devia dar a bola no espaço (tal como Pereirinha fez no lance do 2º golo) a Matias (1) e Izmailov (2)  e não no pé. Também seria bom para Pereirinha ter um pouco mais de confiança, o que não será muito fácil tendo em conta o que aparenta ser o seu carácter e a forma desastrosa como tem sido gerida a sua carreira. Guimarães de Manuel Machado e Kavala?????

Izmailov
Era, a par de Carrillo (lá está, nem sei porquê), a minha crença para resolver a eliminatória. O russo é um jogador fabuloso (que passe para o golo!!!) mas sem qualquer tique de vedeta. Sempre à procura de fazer o que é melhor para equipa, mesmo que isso signifique andar atrás do Kolarov como um perdigueiro atrás da lebre. Quantos jogadores da sua classe o fazem?

Matias
El Crá. Foi preciso chegar à terceira época e ao sexto (!) treinador para conseguirmos ver um pouco do muito do que é capaz. Decisivo nos últimos jogos em que tem participado, incluindo o da sua selecção. Um regalo para a vista o seu livre, uma das suas especialidades que, por estranho que pareça, tentou tão poucas vezes nos últimos anos.

Jeffren
Que tenha vindo para ficar. O futebol precisa de jogadores com talento e ele indiscutivelmente têm-no!

A sorte
A sorte é sempre necessária, nem que seja numa dose mínima. Não sei se fará muito sentido dizer que a tivemos ontem. Com um pouco mais de “sorte” o lance do penalty, resultado de uma pantominice sem classe de Aguero, e com a cumplicidade do sr. Norueguês, não passaria disso mesmo e teríamos protelado um pouco mais o sufoco que foram os 15 minutos finais.

E agora a Ucrânia
Ao contrário do adversário que deixamos pelo caminho, a eliminação deste não trará grande glória que não seja chegar à fase seguinte. E facilidades é coisa que não encontraremos, seguramente. A viagem é longa, pode haver tanto frio como em Varsóvia e, claro, quem eliminou o Olimpiacos pode-nos fazer o mesmo, por muito duro que isso possa parecer. Só então será legitimo pensar na viagem a Bilbao(?). E, conseguindo-o, teremos o confronto de dois underdogs que puseram a cidade de Manchester em silêncio. Grande jogo de futebol em perspectiva, El Loco é o homem do momento do outro lado da fronteira . Ah, e temos contas muito antigas a ajustar…

quinta-feira, 15 de março de 2012

Sporting Clube de Portugal: A Citizen of Europe

El Crá (foto maisfutebol)
As minhas desculpas aos leitores mas não é o momento de escrever, é o momento de celebrar. O Sporting cumpriu hoje o seu destino, ganhando e sendo fiel ao seu lema "ESFORÇO, DEDICAÇÃO, DEVOÇÃO E GLÓRIA". Os Citizens de Manchester lembrar-se-ão do Sporting, equipa que continua um Citizen of Europe. É pois a hora de festejar.  

NOTA: Uma vez que o ANortedeAlvalade esteve presente no estádio, teremos aqui amanhã com essa visão particular de quem viveu e participou pessoalmente neste momento histórico do Sporting Clube de Portugal.



Ficha de Jogo:

Análise ao derby em Andebol


Em termos exibicionais, fiquei muito mais satisfeito com a exibição de há 15 dias do que a partida de ontem, embora tenha ficado como a maioria de vós a sensação de que poderíamos ter saído ontem com uma vitória. De facto, faltou muito pouco para tal.

Estava à partida confiante para este jogo convencido que teríamos mais jogadores à disposição em relação a esse mesmo jogo. Senti naquela partida que provavelmente a ausência do Carol reduziu as nossas soluções atacantes e que caso ele tivesse continuado, poderíamos ter outro tipo de jogo. Porém, no jogo de ontem, também foi escassa a sua utilização.

Causa natural surpresa a utilização do Ricardo Dias em toda a primeira linha - mas até ao adversário criou. Quero acreditar que foi mais uma estratégia do que propriamente um recurso, mas depois ao ver o Yailan a jogar numa partida destas sem quase ter somado minutos noutros jogos, fiquei na dúvida.

Voltando ao Ricardo: A estratégia pode não ter criado grandes situações de perigo e tornou o nosso ataque ainda mais confuso, mas ao mesmo tempo, confundiu bastante a manobra defensiva do Benfica. Na minha óptica, o principal objectivo seria com esta confusão toda, criar espaços para o Bruno Moreira e ainda dar a possibilidade do Rui Silva usar o seu repentismo. Resultou por breves momentos, tendo sido estes jogadores os autores dos primeiros golos.

Antes de chegar a possíveis críticas ofensivas - a grande parte delas já aqui apontadas - penso que a grande diferença esteve nas defesas. Dois estilos totalmente diferentes, dois tipos de jogadores totalmente diferentes e Sporting com muito mais dificuldades a defender do que o adversário e muito pouco se deveu ao jogo colectivo deles já que muitos dos golos e situações de perigo resultaram de:

- Embalos do Claudio Pedroso a rodar o braço por cima do Bruno ou do Solha
- Oscilações para a ponta, sobretudo para o David Tavares
- Bola no pivot (dois armários que eles têm) quase sempre para ganhar livre de sete metros

Já se falou da exibição do Figueira mas sinceramente não há muito que se possa apontar. Defendeu remates, sofreu golos de azar, mas acima de tudo, levou com muitos remates com o rematador com tempo e espaço para pensar na colocação que queria dar à bola. Do outro lado, o Candeias com um jeito mais "intuitivo", conseguiu com agilidade travar os remates com alguma felicidade e ainda aproveitou a confiança que tem nos seus defensores, ocupando o segundo poste para travar os remates de primeira linha.

O Ricardo Correia está de parabéns pois com aquelas 3 defesas galvanizou a equipa e permitiu-nos passar para a frente no marcador.

Ofensivamente, no fundo, tivemos poucas soluções como tem sido característico ao longo das últimas 2 ou 3 épocas (pelo menos) e a própria rotatitvidade sucessiva também não ajudou. Por último, se calhar perdemos a oportunidade de ganhar o jogo exactamente no mesmo capítulo que nos foi mantendo no jogo: O Muresan a meio do segundo tempo parecia dos poucos com disponibilidade para assumir o jogo e com isso marcou 3 ou 4 golos seguidos, mas logo depois fez dois remates que foram defendidos. Não estou a criticar o Daniel nem a destaca-lo em relação a outros, apenas constato que à semelhança do Rui Silva em certos momentos, o Daniel é das poucas unidades sem problemas de se assumir em jogo.

Quanto à arbitragem, bem, esteve péssima para qualquer um dos lados. Os especialistas dirão que falharam 4 ou 5 lances para cada lado e por isso foi equilibrado, mas volto a frisar a questão psicológica que determinadas decisões podem ter para o comportamento dos jogadores. Os comentadores ontem falavam quase sempre para o mesmo lado mas não diziam que cada bola aos 6 metros no pivot dava quase sempre livre de sete metros, até aqueles lances em que o Zé Costa não tinha qualquer hipótese de receber a bola. Tivemos alguma sorte, já que o Portela escapou-se à exclusão num par de situações em que parece fazer "gravatas" ao Carlos Carneiro.

A apontar ainda à arbitragem mais três lances:
- Deixaram escapar em minha opinião um vermelho ao Cláudio Pedroso que mandou uma cotovelada no Solha ainda no primeiro tempo quando o SCP queria partir para o contra-ataque
- Penso que estava 20-21 e o Sporting a atacar à procura do 20-22 e o Rui Silva vai a fazer um bloqueio para entrada do Fábio e é completamente empurrado pelo adversário para cima do jogador do Benfica e a esperteza saloia dos árbitros assinala falta atacante.
- No lance a seguir, carambola que o Carneiro ou o Inácio deixam cair na zona dos 7 metros e o Zé Costa com os braços abertos a afastar dois jogadores do Sporting não apanha a bola e lá se arranja mais um livre de 7 metros.

Mas penso que a arbitragem foi apenas mais um fator para o péssimo jogo apresentado pelas duas equipas.

Finalizando, uma vez mais as minhas saudações leoninas aos adeptos (e adeptas Wink ) que estiveram no pavilhão e fizeram-se ouvir alto e em muito bom som.

Siga a marcha... Empatar na Luz não é um mau resultado.


EM FRENTE SPORTING!



quarta-feira, 14 de março de 2012

Sá Pinto, o Guardiola do Sporting?


"Sá Pinto pode ser o Guardiola do Sporting". A afirmação, curiosa, foi proferida pelo treinador do Légia e inevitavelmente despoletou o post que aqui deixo hoje. Obviamente que não pretendo com o presente artigo infirmar ou confirmar o que foi dito porque é de todo extemporâneo fazê-lo. Pretendo, isso sim, fazer uma reflexão mais lata sobre o futebol do Sporting.

O artigo está há muito “pronto” na minha cabeça mas gostaria de ir mais longe do que vou conseguir ao pô-lo no papel. Tinha decidido fazê-lo antes do final da eliminatória do City para que a reflexão não fosse contaminada pelo sentido do resultado, e a falta de tempo para a sua elaboração acaba por precipitar para hoje a sua publicação, sem que este surja como gostaria. Mesmo assim arrisco.

Convém desde já dizer que não me parece de todo inocente que o treinador do Légia se lembrasse do paralelismo. Barcelona e Sporting são dois clubes que fazem da formação uma bandeira. O Barcelona conseguiu dela retirar efeitos práticos, acumulando títulos atrás de títulos. O Sporting pouco mais tem conseguido do que seguir ao longe as carreiras meteóricas dos jogadores por si formados. 

Guardiola tem o mérito indiscutível de criar um modelo quase imbatível, tendo como base a prata da casa. O Barça hoje assemelha-se aos grandes impérios que, tendo crescido tanto, parece lutar tanto contra si próprio para se continuar a motivar como contra os seus adversários.

É igualmente importante perceber os diferentes contextos de Sá Pinto ou qualquer outro treinador que hoje chegue ao Sporting e Guardiola. O técnico catalão entrou na carreira actual como treinador de juniores, onde trabalhou dois anos, ascendendo em 2009 ao cargo principal. Em ambas ocasiões beneficiou de um trabalho de base e um ambiente favorável relativamente aos produtos de “La Masia” enquanto que em Alvalade a míngua de títulos provocou nos adeptos uma desconfiança generalizada nos produtos da Academia.

Provavelmente as realidades são demasiado distintas para poderem ser comparadas mas, no que ao futebol do Sporting diz respeito, parece-me inevitável constatar que, ao contrário do do Barcelona, não há hoje no futebol do Sporting uma matriz, uma identidade. E digo isto desde as chamadas camadas jovens até ao futebol sénior. 

Geralmente as discussões caem sempre no conceito básico de implementar o 4x3x3 com carácter mandatório e de forma transversal a todos os escalões, como se isso constituísse, per si, um factor de sucesso garantido. Não é preciso ir muito longe para perceber que, mais do que a geometria associada à disposição dos jogadores em campo, há uma infinidade de conceitos e princípios que são tão ou mais importantes: basta olhar para o 4x3x3 de Domingos e de Sá Pinto para o perceber.

O que é afinal jogar à Sporting? Quando comecei a acompanhar o futebol de perto associava-se o jogar à Sporting como  futebol de ataque. Nessa altura o conhecimento e as condições de treino eram radicalmente diferentes nos grandes e nos restantes clubes. Hoje facilmente percebemos que, seja de que forma for, não há nenhum campeão em Portugal que o consiga ser sem ser obrigado a ganhar uma percentagem muito elevada de jogos e para o conseguir tem que dominar grande parte deles. Mas quem jogue hoje de forma deliberada e descontraída ao ataque arrisca-se a acordar para um pesadelo antes de esgotados os primeiros 45 minutos.

Hoje alguém saberá dizer o que é jogar à Sporting? Dificilmente, e mesmo com muito boa vontade.

A última vez que o futebol do Sporting teve uma identidade reconhecida pela generalidade da opinião foi no tempo de Paulo Bento, através do seu famoso losango. É interessante constatar que nem nos tempos dos dois últimos títulos se pode identificar uma personalidade vincada na nossa forma de jogar. Quando a saída de Paulo Bento aconteceu o futebol do Sporting estava estagnado e foi essa a principal razão que o conduziu à porta de saída. 

O que se seguiu foi uma hecatombe generalizada, um desperdício de tempo e dinheiro, não conseguindo o clube manter uma pedra que fosse para reconstruir um novo edifício futebolístico. E assim andou durante 2 épocas consecutivas. Daí sempre ter considerado a época em curso como crucial e, embora ela tenha sido em grande parte marcada pelo fracasso, não é forçoso que se tenha partir outra vez do nada.

Se Sá Pinto será ou não o nosso Guardiola é ainda cedo para responder. O que é indubitável é que o Sporting precisa de um treinador que recrie e confira uma identidade ao nosso futebol através de um modelo de jogo que  retire proveito de algo que indiscutivelmente fazemos bem – formar jogadores -  não descurando o contexto em que se insere o Sporting e o seu estatuto de grande do futebol português. 

Dizê-lo é mais fácil do que fazê-lo mas esse parece-me ser o caminho para inverter o carácter excepcional com que chegamos ao titulo e lançar de novo uma história a verde-e-branco no campeonato português.

Para isso daria muito jeito que Sá Pinto, ou outro no seu lugar, conheça a realidade interna do clube e a respectiva correlação de forças para se estabelecer e poder alavancar as alterações necessárias. Precisará para isso também de inteligência, cognitiva e emocional. Essa que certamente beneficia Guardiola e que o leva a perceber como conseguir retirar o melhor do talento dos jogadores, camuflando-lhes as imperfeições e carências, elevando-os à categoria de super-heróis da bola. 

Poucas vezes se referem as qualidades intelectuais de um treinador mas estas serão com certeza diferenciadoras. Nesse sentido, Guardiola está longe de ser o estereótipo do ex-futebolista que chega a treinador. É-o também,  e ainda por cima com um curriculum invejável, mas cuja vida social nunca esteve delimitada em exclusivo pela relva e o cheiro dos balneários.

Do lado do Sporting,  e uma vez descobertos os sinais de uma mudança de sentido positivo, será também necessário perseverança e convicções fortes, não confundíveis com birras obstinadas. Não há atalhos para o sucesso e muito menos garantias para lá chegar, sendo o caminho muitas vezes pontuado por paragens e retrocessos. 

Guardiola chegou ao Barcelona na sequência de uma mudança radical na gestão do clube pela mão de Joan Laporta, substituindo Frank Rijkard. Teve um começo duríssimo, dando muito lastro aos detractores de Laporta, quando dispensou de forma corajosa Ronaldinho, Deco, Samuel Eto'o. O camaronês acabaria por ficar mas quando o Barcelona perde o primeiro jogo da época com o recém-subido Numância foi o pescoço de Laporta que o aguentou. O resto da história está ainda a ser escrita, mas começaria aí uma série de mais de 20 jogos sem perder até triturar o Real Madrid com um histórico 2-6.

terça-feira, 13 de março de 2012

Arbitragem: várias gerações a fabricar campeões

Cartão vermelho? Só se partir!
Certamente que estarão lembrados do lance em Guimarães que ditou a expulsão de Rinaudo, quando este nem deve ter tocado no jogador que com ele disputou o lance. Se assim for menos dificuldade terão em recordar-se do lance em que o Bruno César pisou o seu colega Luisinho e que nem cartão amarelo mereceu. (ver foto ao lado). É na aplicação destes critérios de geometria variável que muitas vezes a APAF decide quem é que luta para o campeonato até ao fim. 

Por falar em APAF, repare-se na reacção dos árbitros quando, no inicio da época Godinho Lopes se queixou com razão da incompetência dos juízes mas recusando-se a "a falar de premeditação" e nova interpretação dada pelo seu representante, adulterando completamente as afirmações originais. “Os casos do Sporting e do Benfica são totalmente diferentes"

Obviamente que ninguém espera coisa nenhuma da APAF relativamente às declarações de Jorge Jesus, quando este então chamou ladrão ou mais recentemente cego. Porque a APAF e seus associados além disso são também cobardes.

Campeonato está entregue

Secretamente acalentava algumas esperanças do Sporting ainda poder alcançar o terceiro posto até ao final do campeonato. Essas esperanças ficaram comprometidas pelo jogo em Setúbal e depois de ter visto a vergonha que assolou os campos de futebol neste fim-de-semana e que se afigura ficar instalada até ao final da prova.

Vi os jogos dos actuais 3 primeiros classificados e em todos eles os árbitros acabaram por ter influência decisiva no resultado final. E em todos eles houve um fio condutor: a cobardia dos árbitros, revelada em critérios que compensassem pretensos erros registados anteriormente, de forma a que os 3 clubes em questão não tivessem "razões de queixa".  O campeonato está entregue a um deles.

Chamou-me particular atenção o jogo em Braga onde o clube local foi nitidamente levado em ombros por um dos árbitros mais incompetentes da Liga (é difícil eleger o número um da lista). E não me refiro  apenas ao golo anulado à U. Leiria, bem como a um penalty claro (em todo parecido com o que não foi marcado a favor do SLB, em Paços de Ferreira), mas sim a toda uma série de decisões de faltas e faltinhas que iam sendo geridas sempre a favor do vento nas velas do SCBraga.

Por não ser um grande os seus lances não são escrutinados com o mesmo rigor e não chegam às primeiras dos jornais. Este estatuto de coitadinho tem sido muito bem gerido por Salvador, recolhendo por isso a simpatia generalizada, retirando daí bons proveitos.

Vale a pena a este propósito dizer que acho incompreensível que se pergunte o que deverá o Sporting fazer no último jogo, em que o Braga se desloca a Alvalade e cujo resultado pode ser decisivo para a atribuição do titulo. Que outra coisa pode o Sporting senão, em qualquer circunstância, jogar para ganhar o jogo?


segunda-feira, 12 de março de 2012

Sá Pinto: da fama de durão à revolução de veludo

Não posso dizer que fiquei surpreendido quando soube da nomeação de Sá Pinto para o cargo de treinador da equipa principal de futebol. Mas não deixei de pensar no óbvio, olhando para o seu cadastro futebolístico. Hoje ainda quase todos se referem ao treinador, numa piada que já roça o mau gosto de tão estafada, como se de um troglodita se tratasse. Há quem não consiga deixar de ver nele uma bomba relógio cujo prazo e factor para a detonação ninguém conhece.

Ora o que é até agora factual, e que contrasta com a ideia truculenta e agressiva que tinha deixado de si mesmo, é o equilíbrio das declarações de Sá Pinto - as conferências de imprensa são deveras contrastantes com as do seu antecessor - bem como das suas decisões. O enfoque dado ao trabalho e ao colectivo, a referência à importância da envolvente à equipa - dos técnicos das diversas áreas, dirigentes e ao indispensável apoio e compreensão dos adeptos têm sido constantes. 

Quem vê o Sporting jogar na era Sá Pinto vê uma equipa à procura do equilíbrio nos diversos momentos do jogo. E, sendo verdade que teremos que aguardar para perceber como vai reagir no futuro à resposta dada pelos adversários, fruto do melhor conhecimento da nova forma de abordar o jogo, é também legitimo esperar que, do ponto de vista colectivo, as melhorias estejam apenas numa fase embrionária, sendo possível progredir.

Parece evidente que Sá Pinto se preparou conveniente para esta sua nova etapa profissional e que essa preparação não se esgotou na área estritamente técnica. Sá Pinto não deixa o campo sem receber com um abraço todos os seus jogadores à entrada do túnel. Esse gesto foi ontem diversas vezes antecipado, nomeadamente após o golo de Wolfswinkel, que fez questão de se dirigir expressamente ao treinador, e antes de Jeffren entrar. Os jogadores referem-no constantemente (Izmailov, Schaars p.ex.) apontando a sua liderança como factor de melhoria. Terá sido a sua ausência súbita que terá motivado a quebra de resultados da equipa júniores, uma vez que Abel não teve tempo para fazer nada de significativo?

Este é um primeiro teste que é ultrapassado de forma que poucos imaginariam ser possível, o que em si mesmo é uma grande vitória para o treinador. Ter os seus comandados consigo é tão importante como fazer-se entender e, num primeiro momento, é uma aposta que está a ser ganha de forma inequívoca.


domingo, 11 de março de 2012

Apontando ao céu

Quando o Hugo pedia, no post anterior, que viesse o futebol certamente estaria longe de imaginar que ele, o futebol, viesse  às carradas e de mão cheia. Perante uma equipa que estava em ascensão e consolidando uma posição confortável na tabela classificativa o Sporting produziu a exibição mais segura da época, proporcionando uma noite (merecidamente) tranquila aos seus adeptos.

A época não pode começar hoje?
Mais importante que o resultado dilatado saliento precisamente a forma segura e tranquila como a equipa soube responder às exigências do jogo, sem se descontrolar nem táctica nem emocionalmente.Aliás são dois aspectos que estão ligados, como é óbvio. De tal forma que a equipa conseguiu evoluir do período negro em que havia caído e parecendo-me dar indicações de ter hoje mais soluções do ponto de vista colectivo do que foi capaz de fazer no seu melhor período do presente campeonato.

Trabalhou-se por estes dias em Alvalade
Não sabemos o que vai acontecer no futuro mas esta reabilitação da equipa tem um responsável: Sá Pinto. Sem tempo para treinar - o treino é fundamental, por isso é tão diferente ter Guardiola, Mourinho ou outro qualquer... - e recebendo uma equipa destroçada animicamente, foi conseguindo introduzir alterações à movimentação colectiva. 

Quem acha que esta mudança, que é necessário consolidar, é apenas anímica, não viu os jogos com atenção. O de hoje em particular. Grande preocupação em ter permanentes linhas de passe para assegurar a posse de bola, progressão no sentido vertical, com Matias em grande destaque entre as linhas do Vitória, proximidade de apoios ao portador da bola. Não menos importante a equipa não se desarticulava quando perdia a bola, impedindo os calafrios habituais quando perdíamos a bola.Isso contribuiu para que os jogadores se sentissem mais cómodos e confiantes, podendo explanar o talento indiscutível que possuem. A diferença ficou  registada no marcador.

FICHA DE JOGO


Venha o futebol


Vivemos momentos altos e baixos que nos abalam mas não derrubam as bases do nosso sportinguismo. A vitória da passada quinta-feira sobre o City trouxe um novo alento à nossa família, principalmente tendo em conta que o futebol sempre foi e sempre será o "motor" da nossa atividade.

No que diz respeito às modalidades, este tem sido um fim-de-semana em pleno:

- Andebol ultrapassa Benfica e Águas Santas e alcança o 2º lugar na classificação geral, aproximando-se também do líder FC Porto que escorregou na Madeira;

- Futsal vence GS Loures por 4-1 com estreia de Daniel Japonês na lista de marcadores do Sporting. Uma boa reacção após a eliminação para a Taça de Portugal na passada quarta-feira;

- Hóquei em patins continua a sua caminha em direcção à I Divisão, batendo o Sporting de Tomar, 3º classificado, por 7-5 em Tomar;

- Ténis de Mesa bate o Oliveirinha por 4-2;


E ainda, o principal destaque em termos de ecletismo deste fim-de-semana vai para as nossas equipas de Atletismo, tanto masculina como feminina, que se sagraram em Guimarães, campeãs nacionais em corta-mato.

Com todos estes resultados, resta-nos esperar que tudo isto se trate de um bom prenúncio para a partida desta noite da equipa de futebol.

EM FRENTE SPORTING!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Quando 1 calcanhar provoca dores do cotovelo

Um dos melhores dias de férias
Ontem, para ver o jogo e ser um dos privilegiados que a ele puderam assistir ao vivo, tive que gozar um dia de férias antecipado. Sacrifício? Não, sacrifício seria ter que ficar em casa, mais uma vez, sentado no sofá e ainda por cima contribuir para as audiências da SporTv, cujo monopólio engorda enquanto esmifra o mais que pode o nosso clube. 

Com isto consegui assegurar antecipadamente, com quase total garantia,  um dos melhores dias de férias a que terei direito este ano. Sempre tive confiança neste grupo de trabalho e fui-o aqui dizendo quer no passado sábado (Medo? Comprem um cão mas não faltem 5ª feira!) quer mesmo ontem (O Sporting fez-se grande pelos que acreditaram sempre). Afinal o Sporting devolve-nos sempre com juros elevados o esforço despendido, é só preciso saber aguardar o momento certo.  

Porque não jogamos sempre assim?
Esta parece ser a pergunta do dia e, quanto a mim, parece-me ser totalmente desprovida de sentido. Não jogamos sempre assim porque não jogamos todos os dias contra o City, os Setúbais que nos saem ao caminho também não jogam assim contra nós, finalmente porque os jogos não sendo todos iguais, colocam necessidades de respostas diferentes. 

A pergunta serve talvez de hall de entrada para a discussão sobre o empenhamento dos jogadores. Descontando o facto de estes serem os jogos que todos os jogadores gostam de jogar, julgo que os problemas deste ano nunca estiveram na falta de entrega dos jogadores, não me parecendo por isso que tenham sofrido menos do que a generalidade dos adeptos com as decepções ou que se tenham descomprometido com os objectivos e exigências do clube. A questão sempre me pareceu estar centrada nos métodos de treino e nas opções do treinador.

O que se ganhou ontem?
Ganhou-se um jogo que antes de se realizar todos vaticinavam ser inevitável perdê-lo e quase todos iam no sentido de uma goleada humilhante. Hoje são esses os mesmos que afirmam que o Sporting só ganhou porque o City foi arrogante e se desdobram em explicações onde quase não cabe o mérito do treinador, dos jogadores e obviamente dos adeptos presentes. Na prática isto é quase tão importante como virar um resultado adverso e já dilatado.

Poucas vezes se viu, nos tempos mais recentes, apoio incondicional e vibrante como o de ontem. Não foi por acaso que Sá Pinto referiu no final do jogo que todos do mesmo lado somos mais fortes. Ganhou-se vantagem na eliminatória e ganhou-se espaço precioso nas noticias, projectando o nome do Sporting. Ganhou-se um jogo apenas, mas foi a uma das equipas do momento, que é "apenas" o principal candidato à Premier League. Mas também é notório que, com o calcanhar de Xandão, houve muito boa gente a ganhar uma dorzita de cotovelo.

quinta-feira, 8 de março de 2012

City – mais um freguês a ser servido

Comentava eu na caixa de comentários deste post do Sector que acreditava numa exibição digna do Sporting e que, num dia bom com uma pitada de sorte, também o resultado nos poderia sorrir. Pois bem, não fomos só nós, os adeptos leoninos mais optimistas, a acreditar… A equipa também acreditou. Acreditou tanto, lutou tanto, que conseguiu.

Partimos com uma vantagem magra para a segunda mão, ainda assim é uma vantagem contra mais um representante dos nossos fregueses habituais: os ingleses. A tradição será mais uma variável que deverá manter-nos a esperança em ultrapassar esta eliminatória. Com a sua ajuda é possível a este Sporting, que vimos hoje, ultrapassar este City, mas será sempre muito difícil. Esta equipa do Manchester City é poderosíssima, principalmente no ataque e hoje demonstrou-o. Se não marcou, ao nosso acerto defensivo e também à fortuna, há que reconhecer, se deve. Acompanhe-nos também a sorte até Manchester, que os nossos rapazes se encarregarão de fazer o resto.

Quanto ao jogo, começo por lastimar, mais uma vez, o horário da sua realização. Quem trabalha e tem deveres profissionais para cumprir, não basta o apelo e o amor ao clube para comparecer em frente ao televisor mais próximo, quanto mais responder afirmativamente com a sua presença física no estádio… Foi o meu caso e apenas a partir dos 25-30 minutos da primeira-parte me pude juntar a esta bela jornada europeia. Ainda assim e face às actuais circunstâncias, os quase 35.000 leões presentes nas bancadas do Estádio José de Alvalade, deram uma resposta cabal de crença e vitalidade sportinguista.

Xandão foi o herói improvável com a obtenção de um golo de calcanhar, um gesto técnico primoroso também imprevisível de imaginar ao brasileiro. Quase no fim do encontro impediria o empate ao cortar um remate com a coxa que se encaminhava para a baliza deserta, após a bola ter ultrapassado Rui Patrício. Dois lances decisivos a que juntou uma boa exibição, sempre com muita entrega. Na verdade a mesma dupla de centrais que claudicou perante um modesto Vitória de Setúbal, não falhou perante craques do calibre de Dzeko, Kun e Balotelli… à excepção da bola na barra do italiano. Mas não foi só o City a estar perto do empate. Antes disso e aproveitando uma toada mais vocacionada para o contra-ataque, conseguimos criar lances para ampliar a vantagem, com Wolfswinkel a dispor da oportunidade mais flagrante.

Hoje toda a equipa está de parabéns e apenas lamento que Izma e Matias tenham saído em dificuldades físicas. Oxalá não seja nada de grave e apenas reflexo de ainda não se encontrarem na posse das suas totais capacidades atléticas.

Os cânticos que encantam: mais uma vez o povo verde-e-branco deu um exemplo de apoio criando um ambiente espectacular. Aos nossos cânticos mais marcantes, juntou-se mais um: o hino nacional é uma boa contratação para o reportório.

O árbitro espanhol esteve quase sempre bem, mesmo a analisar vários lances de bola na mão que acontecerem em ambas as áreas. Imaginem a confusão que estaria agora armada se a APAF entrasse nestes campeonatos…

Por fim: Obrigado, Sporting!

---

Ficha do jogo:
Sporting - Manchester City, 1-0.

Jogo no Estádio José de Alvalade, em Lisboa.
Ao intervalo: 0-0.
Marcadores:
1-0, Xandão, 51 minutos.
Equipas:
Sporting: Rui Patrício, João Pereira, Xandão, Anderson Polga, Insúa, Daniel Carriço, Matias Fernandez (Renato Neto, 69), Schaars, Izmailov (Pereirinha, 59), Van Wolfswinkel e Diego Capel (Carrillo, 75).
(Suplentes: Marcelo, Rodríguez, Evaldo, Carrillo, Pereirinha, Renato Neto e Diego Rubio).
Manchester City: Hart, Clichy, Kolo Touré, Kompany (Lescott, 12), Kolarov, Milner, De Jong, Barry (Nasri, 59), David Silva, Dzeko (Balotelli, 71) e Aguero.
(Suplentes: Pantilimon, Lescott, David Pizarro, Adam Johnson, Savic, Nasri e Balotelli).
Árbitro: Carlos Velasco Carballo (Espanha).
Ação disciplinar: Cartão amarelo para Izmailov (45), De Jong (45+1), Anderson Polga (78), João Pereira (81), Renato Neto (84) e Kolarov (90+4).

O Sporting fez-se grande pelos que acreditaram sempre

Sá Pinto, ontem, na conferência de imprensa:

Hoje em dia, entre grandes equipas como a nossa e a deles, o fator casa pode ser determinante em alguns aspetos, mas se os nossos sócios e adeptos vierem em grande número ao estádio, como me habituaram, e estiverem junto da equipa, poderá ser esse também um fator muito positivo e determinante. É o apelo que faço. A equipa está focada e confiante. Temos jogadores de qualidade, de carácter, e estamos com muita vontade de disputar este jogo. Peço é que não vejam o Sporting como algo em que há isolamento entre as equipas de jogadores, técnica e dirigente. O Sporting é unido, todos se envolvem, e só assim podemos ser temíveis e continuar a vencer. É a postura de quem gosta e quer estar no Sporting. Venham todos em grande número e acreditem que a equipa vai estar à altura e dar o máximo. 

O Sporting não é o hoje nem é apenas o seu passado. Aconteça o que acontecer hoje, na eliminatória ou em qualquer jogo, o Sporting tem ainda muitas páginas de glória a acrescentar à sua história e à do desporto português. Foi começando por acreditar sempre que o Sporting se fez grande.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Quem está disposto a consentir?


Em anexo segue o press release enviado pelo Comité Executivo da AAS. 

Estranho que, nos temas em apreço, a SAD do Sporting não se tenha ainda pronunciado perante o que foi o regresso do velho estilo que fez escola em Portugal (Rosa Santos, Veiga Trigo, Garrido, Jorge Coroado, Isidoro Rodrigues, Mário Leal, Vitor Pereira, Lucilio Baptista, Soares Dias (pai), Paraty, Martins dos Santos, Carlos Calheiros, Carlos Valente, António Rola, José Prates,) e que deixou discípulos (António Costa, Paulo Baptista, José Leirós, Paulo Costa, Jacinto Paixão, Bruno Paixão, Cosme Machado, Xistra, Elmano Santos, Duarte Gomes, Soares Dias (filho), Olegário, Proença, Augusto Duarte, a que se juntou agora também o Gralha). Com o campeonato perdido, bem assim como os objectivos mínimos para a mesma competição ainda menos se justifica o silêncio. Não será por acaso que a sabedoria popular consagrou o aforismo "quem cala consente".


“Reacção após o jogo em Setúbal”

A Associação de Adeptos Sportinguistas demonstra a sua incredulidade perante os recentes acontecimentos no futebol português e no Sporting Clube de Portugal. Entendemos ser este o momento de reacção conjunta - de adeptos, sócios, dirigentes, colaboradores do clube e atletas:  

1) Continuam as habituais habilidades nos relvados do nosso país, protagonizadas pelos mesmos de sempre. Com a competência a que já nos habituaram, temos árbitros a errar ciclicamente sempre para o mesmo lado. E visto que o corporativismo do sector se esgotou no passado, com o boicote ao Sporting Clube de Portugal, é altura de dizer que o Sporting tem sido “ROUBADO” em vários jogos, sobretudo nos decisivos, com consequências que só terão reflexo na classificação do Sporting, porque na dos respectivos árbitros não…  

2) Esperamos ansiosamente pelas habituais declarações dos "Guilhermes" desta vida, em defesa da “sua” APAF e dos “seus” árbitros, agora que outros clubes de Lisboa se pronunciaram duramente sobre o carácter destes. O seu silêncio, na sequência das queixas desta última jornada, representará a total demissão do cargo e das suas funções, pelo que, caso se mantenha em silêncio, desafiamos, desde já, a que o faça para sempre. A bem do futebol português, da verdade desportiva e da honestidade intelectual.  

3) Sinal dos tristes tempos em que vivemos, vem agora um clube histórico - Vitória de Setúbal, outrora distinto hoje dirigido por vulgaridades, procurando desculpar um acto de violência (no caso verbal e de teor racista e xenófobo) com outros casos que nada têm a ver com aqueles. Registe-se ainda o facto do Sporting Clube de Portugal ser dos clubes em Portugal que mais investiu em conforto e segurança no seu estádio, ao contrário do clube de Setúbal  

4) Mas os factos supracitados não ensombram nem nos fazem esquecer que a qualidade futebolística demonstrada nos relvados pela equipa do Sporting, nos últimos jogos, tem sido péssima, chegando a denotar falta de vontade e motivação para fazer mais e melhor. Já vimos que esta equipa pode praticar bom futebol, pelo que qualquer exibição abaixo de tais standards tem de ser considerada negativa. Já é tempo de vermos mais futebol, mais alegria no relvado e que demonstrem o real prazer que sentem em envergar a NOSSA camisola!  

5) Do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal, com os seus órgãos eleitos, e do Sporting Clube de Portugal SAD - com os seus órgãos executivos nomeados pelo Clube, entendemos ser imperativo vir a público denunciar todas as situações que prejudicam claramente o nosso clube, para além de transmitirem, interna e externamente, organização, coesão, solidariedade, ambições e rigor ao nível do Sporting Clube de Portugal e do prometido no início da época.  

A todos os atletas da equipa profissional de futebol do Sporting Clube de Portugal que enfrentam jogos decisivos até ao final da época, expressamos o nosso apoio e sobretudo as nossas exigências. A camisola que envergam não está ao alcance de todos. Traz o peso da sua História, de grandes figuras que a vestiram e exige muito respeito, carácter e determinação.  

A todos será o momento de relembrar que se “O SPORTING ESTÁ DE VOLTA”, está mais do que na altura de o vermos!  

Comité Executivo Associação de Adeptos Sportinguistas 

terça-feira, 6 de março de 2012

Aí está o Sporting (velho) de volta

Um Sporting velho de volta

O leão esquizofrénico que rodopia em torno do seu próprio rabo está de volta. Da exigência de cabeças no cepo, a novas eleições até à refundação ouve-se um pouco de tudo, como se os problemas do Sporting se resolvessem mudando incessantemente de baralho, certos de que um dia, não se sabe quando, sairá uma "boa mão". Quem assim pensa esquece-se que esta é a forma de perpetuar o regresso ao ponto de partida, recomeçando sempre do zero e por isso sempre atrás dos que nos têm precedido na classificação. 

Critica digna de registo é escassa e substituída por raciocínios primários, com base nos resultados e muito mais comprometidos com  interesses pessoais, de grupos, baseados em mexericos do que no que realmente interessa ao Sporting. É nestas alturas que me sinto abençoado por viver longe de Alvalade, não conhecer quase ninguém que se movimente em cada uma das trincheiras, não possuir outra avaliação que não aquela que me é ditada pelo que me dita a minha observação.

No que à época em curso diz respeito continuo a pensar que foi feito mais do que suficiente para não termos que passar pela actual desilusão. Disse-o na altura devida, não tenho razões para mudar a minha anuência ou as minhas criticas. O Sporting contratou o melhor treinador disponível, contratou bons jogadores, quase todos jovens e com capacidade de progressão. A respectiva valorização está muito mais dependente da envolvente colectiva do que do seu valor individual.

Neste sentido, o percurso de Wolfswinkel na difícil relação com a opinião da bancada é paradigmática: de "jogador caro", "flop", quando não jogava passou a "futuro titular da selecção holandesa", cuja cláusula rescisória (20 milhões) "era barata" e por isso um acto de gestão negligente. Hoje é o mesmo, ainda com um largo caminho pela frente, mas outra vez mais próximo da pouca valorização inicial. O que mudou? A capacidade ofensiva da equipa, que é incapaz de por uma bola redonda em zonas de finalização.

Continuo a pensar que grande parte da situação em que nos encontramos tem sobretudo origem num falhanço que ninguém conseguiu antecipar. Essa foi a impreparação de Domingos para gerir o Sporting nas actuais circunstâncias - construir uma equipa de raiz, com jogadores de múltiplas origens e dotá-la de um modelo de jogo pelo menos eficaz - e a sua falta de reacção à estagnação da equipa perante o melhor conhecimento dos adversários. Como disse antes, isso não retira o mérito do treinador no percurso feito anteriormente, nem o impede de alcançar o êxito novamente no futuro. Defensor desde o inicio da sua contratação, não por ver nele o "Guardiola do Sporting", (tema que abordarei em post futuro), via no seu percurso o que nós precisávamos no imediato: capacidade de alcançar resultados e objectivos previamente fixados. Ora, quando saiu, Domingos já não estava capaz de satisfazer a exigência mínima: encostar aos da frente.

Parece-me pois erro no alvo e um desperdício de energia  procurar razões internas para a principal razão do falhanço que esta época pode vir a significar. Percebê-lo é uma lição útil, uma vez que o que agora sucedeu pode vir a repetir-se no futuro, seja com a actual direcção seja com outra. Isso deveria ser percebido por todos, principalmente pelos que têm ambições mais ou menos veladas e agora se põem em bicos de pés.

Mas é, parece-me, essencial que seja percebido pelos que, como eu, não têm outra ambição que não ver o Sporting de volta ao que o clube merece. Saber que por vezes tudo fazer para ser melhor não é suficiente é uma lição que a vida nos dá porque nela há muito de aleatório. O suficiente para, na famosa asserção, que os prognósticos infalíveis são feitos depois do jogo. O compromisso com o clube vê-se especialmente na adversidade, embora seja muito mais fácil deixar-se levar pelas emoções e pelo que é mais sonoro e visível no momento. Quem não os tem no sitio para viver a dureza deste momento não os terá para fazer o tal novo Sporting que tanto queremos.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Haja Porrada



Feio, porco e mau, com muita porrada e interesses mesquinhos pelo meio. Salvo raras excepções, é quase sempre assim o futebol em Portugal. E o Sporting, definitivamente, não se dá neste ambiente. Passa o tempo a levar, literalmente, porrada dentro de campo e, metaforicamente, fora dele.

No sábado foi ligeiramente diferente: não foi mau, foi péssimo. Um péssimo relvado. Uma péssima arbitragem. E um Sporting ainda pior que o costume. Um jogo miserável e violento do Vitória de Setúbal. Aliás, a violência que se permite a todos os nossos adversários não tem descrição… (analisando este facto não causa tanta estranheza a permanente onda de lesões).

As gralhas do Gralha: um critério disciplinar absurdo. Noutra Liga, Suswam tinha distribuído castanha durante 20 minutos, não mais do que isso. E a ‘agressão em movimento’ do loiro da foto aqui de cima que quis partir as pernas ao Capel? Obviamente não teria sido sancionado com a mesma punição. Outros lances de grotesca permissividade foram evidentes. Depois de concluído o massacre soube, apenas domingo de manhã, que o ‘mestre André’ do apito acabara o servicinho a expulsar um jogador do SCP… Ao absurdo disciplinar juntou-se-lhe um critério técnico incompreensível. À terceira marca um penalty inexistente, depois de perdoar dois, um dos quais de bradar aos Céus… Na dúvida, achou que surripiar três penalties já seria demais... Mas em 90 minutos nalguma coisa a equipa de arbitragem tinha que acertar: num lance que suscita muitas dúvidas e extremamente difícil de ajuizar, validaram o golo aos sadinos. Sem quaisquer hesitações.

O futebol português é farto: temos os autocarros e os motas. As televisões e os comentários manhosos, repetições / resumos selectivos e painerelirices durante toda a semana... Os pasquins com as suas épicas matreirices e encomendas. O abuso de autoridade das cargas policiais em forma de cacetada aleatória. Os Órgãos da LIGA e da FPF, cujas trapalhadas e incongruências dispensam apresentações (note-se o recente caso Boavista como exemplo). E, depois como corolário de tudo isto, temos a APAF. Provocatória. Gozona. Para com o Sporting, claro. Submissa, complacente, cortês, para com os todo ‘poderosos’. Sim, o Sporting Clube de Portugal está fora do lote dos ‘poderosos’. O SCP não manda NADA no futebol português. Não passa de um peão nas mãos de quem põe e dispõe neste tabuleiro cinzento e negro. Por culpa própria também. Há muito que o SCP não impõe respeito. Basta seguir o caso do momento: a arbitragem do clássico e declarações posteriores.

No início da época, Godinho Lopes ousou falar. E levou porrada. Agora, o Orelhas insultou... O Jesus acusou. Mas vão baixar-lhes as calcinhas. Como antes, noutras situações, baixaram a vermelhos e azuis. E nós? Perante esta dualidade de tratamento? É como se vê: Calados e a enfardar.

Por falar em calados… Vá lá saber-se porquê, há sportinguistas que ainda acham que quando a nossa equipa joga mal não temos legitimidade para apontar aos erros arbitrais que objectivamente nos prejudicam. Podemos comentar, classificar e analisar ao pormenor e até à exaustão o mau trabalho realizado pelos nossos, mas não podemos apontar erros alheios que contribuíram para a tristeza que vimos dentro do relvado. Qual é a lógica disto? Não sei… Como se uma coisa invalidasse a outra. Parece que quando o SCP joga mal, os árbitros ficam isentos de realizar condignamente o seu trabalho. Pergunto-me se quando esses tais sportinguistas têm um mau dia de trabalho, por culpa própria mas também alheia, se vergastam forte e feio apenas a si próprios e esquecem os demais ‘factores’ que os atrapalharam…

É tudo muito mau, a começar na falta de qualidade de jogo do Sporting, mas o que mais revolta é a porrada que levamos e que pior que passar impune foi ter-se tornado banal. E se querem saber, eu é que começo a estar farto de tanta banalidade e de ver o SCP a enfardar com tanta porrada.

NOTA: Muito do que escrevo neste post já foi, de certa forma, transmitido e escrito por outros sportinguistas, nomeadamente na nossa caixa de comentários. Mas a sucessão de artigos no “ANorte” provocou o adiamento da publicação deste. Ainda assim, resolvi não deixar de partilhar aquilo que penso e aquilo que sinto relativamente à actualidade do Sporting e do futebol português. 

domingo, 4 de março de 2012

Medo? Comprem um cão mas não faltem 5ª feira!

Conjuntura adversa
O Sporting não teve apenas azar quando lhe calhou em sorte (???) o Manchester City como próximo adversário. A hora do jogo também não ajuda. Um jogo que começa às 18h, e ainda por cima no actual clima económico-social são factores que concorrem para pouca adesão do público. O resultado de ontem só vem agravar esta conjuntura.

Medo? Medo tenho dos Gralhas & Cia!
A apreensão para o jogo de quinta-feira é mais do que justificada. Ele vai ocorrer num momento em que as exibições são demasiado pobres para permitir grandes esperanças e há até quem tenha medo que ocorra uma humilhação. Compreendo a apreensão mas não se justifica o pânico. Dificilmente faremos pior do que fez recentemente o FCP ou até o Manchester United, quando foi sovado por 6 golos esta temporada. Medo tenho dos Gralhas e do seu clube, a APAF, que quase todos os anos vence o campeonato da incompetência. É que o futebol jogado no relvado tem, ao longo de mais de um século, deixado exemplos que a única derrota certa é que ocorre por falta de comparência, sejam quais forem os valores em confronto.

História
Merecer a honra dos que fizeram a história do Sporting é acreditar sempre. Não fora isso e, em 1964, quando fomos goleados na 1ª mão em Manchester e dados como "mortos" para a competição, não teríamos respondido em Alvalade com 5-0. Ora na próxima quinta-feira o jogo começa a zero, cenário, apesar de todas as adversidades, mais favorável que virar um resultado adverso. A eliminação do Sporting é dada como certa e é até natural que ocorra. Mas se se fizer história o que vais querer dizer aos teus quando falares sobre o assunto? Que estavas a ver o jogo pela SportTv, ou por um streaming de má qualidade ou que assististe no estádio, ao lado dos teus habituais companheiros de tantas jornadas?

P.S.- Vá a Lisboa e assista ao jogo com o Solar do Norte. Consulte o site, onde pode ver as condições e os horários. http://www.solardonorte.org/bilhetes


sábado, 3 de março de 2012

Foi tudo demasiado mau, mas foi tudo verdade

A exibição foi medonha,o Sporting tem de jogar a um nível muito acima do que hoje fez em Setúbal. E mesmo  jogando mal podia ter minimizado os estragos, quando dispôs de um penalty, falhado por Matias e cuja recarga foi também mal executada por Carrillo.

Dito isto não é menos verdade que teve que jogar contra mais do que 11.

A arbitragem foi uma gralha contínua, acumulando decisões inacreditáveis, numa actuação a fazer lembrar os melhores tempos da orquestra Guímaro & Cia. Sobram muitas dúvidas se a bola entrou no lance que foi considerado golo do Setúbal. O que é incontestável é que o auxiliar, no lugar onde se encontrava e com o posicionamento do Xandão, não pode ter a certeza na decisão que tomou.

Ficha do jogo:

Jogo disputado no Estádio do Bonfim, em Setúbal.

Vitória Setúbal - Sporting, 1-0.

Intervalo: 1-0.

Marcador:

1-0, Bruno Amaro, 19 minutos.

Equipas:

- Vitória de Setúbal: Diego, Peter Suswam (Tengarrinha, 65), Ricardo Silva, Amoreirinha, Igor, Hugo Leal, Miguelito, Bruno Amaro, Bruno Gallo, Targino (Djikiné, 93) e Rafael Lopes (Bruno Severino, 75).

(Suplentes: Ricardo, Tengarrinha, Djikiné, Bruno Severino, Gonçalo Graça, Gonçalo Reyes e Alex Zahavi).

- Sporting: Rui Patrício, Árias, Xandão, Polga (Rubio, 76), Insúa, Daniel Carriço (Matias Fernandez, 46), Elias, Schaars (Carrillo, 46), Izmailov, Capel e Ribas.

(Suplentes: Marcelo Boeck, Evaldo, Matias Fernandez, Carrillo, Pereirinha, André Santos e Diego Rubio).

Árbitro: André Gralha (Santarém).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Peter Suswam (14), Ricardo Silva (27), Capel (39), Ribas (58), Igor (65), Elias (66), Insúa, 90), Bruno Amaro (93).

Cartão vermelho para Carriço (após o final do jogo).

Assistência: cerca de 6.000 espetadores.

quinta-feira, 1 de março de 2012

"Situação do Sporting é trágica e o tempo está a esgotar-se"


Surpresa para os mais distraídos
O titulo escolhido é o mesmo que o escolhido pelo Pedro Guerreiro no Record para se referir à situação financeira do Sporting e como reacção à apresentação dos resultados semestrais. Não haverá aqui  alarmismo mas sim o realismo necessário para encarar o problema. E o realismo parece ser necessário mais do que nunca porque, a avaliar pelas reacções produzidas, parece que havia quem estivesse à espera de outro resultado.

Não me incluo nesse rol porque

1- O Sporting vem de muitos anos de insucesso desportivo acumulado, em particular os da gestão Bettencourt, em que, conforme se constatou nos anteriores exercícios, acumulou prejuízos sem qualquer retorno desportivo, não valorizando nenhum jogador e desbaratando os seus melhores activos.

2- No período em análise o Sporting adquiriu 19 jogadores e praticamente não vendeu nenhum jogador. [Por exemplo, o resultado líquido positivo de 8,3 milhões de euros pelo SLB, deve-se a verbas de tranches relativas à venda de atletas (Coentrão e D.Luiz?)].

Como obter liquidez?
O Sporting tornou ontem público ter alienado percentagens de passes (Santiago Arias - 4% por 100 mil euros; Betinho - 5% por 50 mil euros; Chaby - 2,5% por 50 mil euros.). Com o campeonato decepcionante que está a realizar e consequente encolhimento de receitas, o Sporting procura receitas extraordinárias para fazer face ao aumento das despesas com o pessoal, consequência óbvia e inevitável do aumento de qualidade. Essa qualidade, pesem os resultados decepcionantes, está no número de jogadores seleccionáveis do plantel. A solução encontrada tem sido alienar percentagens de passes, isto para não ter que vender a totalidade de um dos seus melhores jogadores, de quem precisamos para o futuro.

O clube é nosso o problema é deles
Este parece-me ser o posicionamento mais comum nas reacções aos resultados. Enquanto assim for estaremos mais longe de resolver os problemas do Sporting e seguramente a concorrer para os agravar. 

Confiança no que foi bem feito
Perante a decepcionante época desportiva o pior que se podia fazer era agora voltar tudo ao principio. O Sporting tem um dos melhores plantéis dos últimos anos, espera um treinador que junte o valor individual e consiga fazer a equipa que precisamos e há muito merecemos. O negócio do Sporting têm que ser as vitórias para que as parcelas dos outros negócios possam apresentar números positivos. Saber esperar é uma grande virtude e, por vezes, a única opção possível.

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