Que Rumo dará ao Sporting uma A.G.?
Guerra aberta entre CD e MAG
Dar Rumo ao Sporting
Mas do meu ponto de vista há algo ainda de mais grave.
Há quem esteja disposto a integrar uma comissão administrativa ou órgão equiparado?
Faz sentido apear uma direcção que "já não se considera legitimada" - por força das muitas peripécias e por ter perdido alguns dos elementos tidos como fulcrais na sua eleição - para sermos geridos por uma comissão que não é eleita?
Nós ou o caos
A decisão de dar provimento à realização da AG solicitada pelo movimento Dar Rumo ao Sporting é apenas mais uma batalha na guerra entre a MAG e o CD e, por isso, dificilmente constituirá uma surpresa. Mas significa também uma escalada e a passagem de uma fase de guerrilha para uma guerra aberta e declarada.
A uma direcção claramente descredibilizada e a viver o seu momento mais baixo junto dos sócios e até da opinião pública, junta-se uma MAG claramente comprometida com um dos muitos lados. (Só alguém muito ingénuo pode pensar que as declarações de um dos
promotores da AG e a marcação de uma conferência de imprensa de Bruno de
Carvalho antes de ser tornado público que ia ser dado provimento ao requerimento, foi fruto do acaso e não correspondeu ao seu conhecimento prévio). Ambos os factos e o desenvolvimento da própria guerra estão a magoar profundamente a imagem do Sporting.
Dar Rumo ao Sporting
Desde o seu lançamento que manifestei a minha oposição à oportunidade da realização da AG por razões que aqui fui explicitando e que não me parece tenham deixado de existir. A situação da equipa de futebol no campeonato está longe de estar consolidada num patamar mais seguro, como o último jogo deixou bem claro. A abertura do período de transferências vem encontrar uma direcção, já de si considerada inábil a negociar, ameaçada de destituição perante o mercado. E já nem me refiro à tão falada renegociação do passivo bancário em curso, porque esta nunca foi assumida oficialmente, embora, a realizar-se nos termos até agora conhecidos, poderia fazer o Sporting respirar muito melhor ao final de cada mês. Por si só os dois factos previamente aduzidos constituiriam motivos que deveriam merecer ponderação relativamente à oportunidade da realização da iniciativa.
Mas do meu ponto de vista há algo ainda de mais grave.
Que solução nos oferece este movimento para que um sócio, de forma responsável, vote a destituição da direcção?
Como serão os meses que se seguirão e quanto tempo levará até o Sporting ter novamente uma direcção mandatada pelos sócios?
Há quem esteja disposto a integrar uma comissão administrativa ou órgão equiparado?
Faz sentido apear uma direcção que "já não se considera legitimada" - por força das muitas peripécias e por ter perdido alguns dos elementos tidos como fulcrais na sua eleição - para sermos geridos por uma comissão que não é eleita?
E, não menos importante, é não levar em linha de conta o potencial disruptivo de uma refrega como esta, num seio de um clube já estilhaçado e cujos sinais são cada vez mais óbvios em cada argumento ou discussão.
Estas questões parecem-me óbvias e necessárias à ponderação individual na horas que antecederem a tomada de uma decisão.
Nós ou o caos
Não deixa de ser caricato que muitos dos que muitas vezes invoquem o argumento da "exigência" e agora pugnem por este autêntico tiro no escuro. As perguntas acima fazem todo o sentido e espelham o meu receio pelas consequências de um acto de que cujas consequências não foram devidamente avaliadas. Colocá-las não é a "teoria do nós ou caos", não significa "cegueira" ou "conformismo" pela situação em que o Sporting se encontra. Significa a preocupação de ver o clube atirado para uma situação ainda bem pior. Há quem diga que pior não pode ser, o que é desmentido até pela história do próprio clube.
Cumprimento dos estatutos
Parece estar agora aberta uma disputa legal pela realização da AG. Os argumentos invocados de falta de respeito pelos estatutos e de manobras dilatórias são, em si mesmos contraditórios. Não duvidando que aquelas possam existir, é bom lembrar que os estatutos não têm que se cumprir apenas porque um número de sócios requer uma AG. Os mesmos estatutos têm normas que estabelecem as regras para o fazer e a sua não observação constitui também um desrespeito passível de contestação. De facto o Sporting é dos sócios mas é de todos e todos merecem ser tratados por igual.
P.S.- Não faltará quem, lendo o que aqui escrevo, me cole todo o tipo de etiquetas com insultos incluídos. Se estivesse preocupado com isso já há muito teria deixado de o fazer. Não votei na direcção actual e, por razões exporei em tempo oportuno, se sentir necessidade de o fazer, não votarei em GL, caso ele se recandidate.
Preocupa-me essencialmente, mais do que lamentos e queixas, contribuir para uma discussão da qual o Sporting retire algum proveito ou, na sua impossibilidade, esta seja inócua. Não me parece que, sob o pretexto de "ouvir os Sportinguistas" se esteja a empurrar o Sporting para uma situação pelo menos dúbia e, quanto a mim, bem pior do que a que se encontra actualmente.














