sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Vem aí o Comboio Verde

Em resposta a um anseio muito antigo dos Sportinguistas do norte do País o Sporting organiza pela primeira vez um Comboio Verde, que visa fornecer uma solução mais económica e, certamente, um momento de inolvidável convívio, a todos quantos pretendam deslocar-se a Alvalade por ocasião do derby. Estou quase certo que será um grande sucesso e que justificará organizações semelhantes no futuro.

Para poder habilitar-se, na modalidade que lhe interessar, deve aceder ao site do Solar do Norte e fazer a respectiva inscrição e posterior pagamento. 



Pela primeira vez, o SPORTING CLUBE DE PORTUGAL organizará uma excursão oficial de comboio para um jogo em Alvalade. 
O SOLAR DO NORTE associa-se naturalmente a esta iniciativa de âmbito nacional, estando a partida prevista da Estação PORTO-CAMPANHàpara o início da tarde (hora a definir) do dia 21.11.2015 .


1. PREÇOS 


 Sócios SCP **Não Sócios SCP 
  Viagem + Bilhete *32,50 €37,50 €
     Só  Viagem       21,50 €          26,50 €

          * Os bilhetes incluídos destinam-se para a Bancada Superior Norte.
          ** Quota necessária: OUTUBRO 2015.

          Nota: Os preços praticado incluem viagem de comboio Porto - Lisboa - Porto, transfers da Estação para o Estádio e vice-versa e seguro de acidentes pessoais.


Só BilhetePreço
    Bancada Lateral18 €
    Bancada Central         22 €


2. CONDIÇÕES
  • As reservas serão consideradas pela ordem cronológica de submissão do formulário;
  • O formulário irá aceitar respostas enquanto ainda houver lugares disponíveis e desativado quando a lotação estiver preenchida;
  • As reservas apenas se tornam efetivas após pagamento e envio do respetivo comprovativo por email: geral@solardonorte.org
  • Se pretender cancelar a(s) sua(s) reserva(s) deve comunicar por e-mail: geral@solardonorte.org.


3. PAGAMENTO & COMPROVATIVO
          
As reservas apenas se tornam efetivas após pagamento por transferência bancária ou depósito ao balcão na conta do Solar do Norte e do envio de cópia/foto do respetivo talão comprovativo para o email: geral@solardonorte.org 
          
           Banco BPI
           NIB: 0010 0000 2292 2550 0016 8
           
           As reservas que não cumpram o estabelecido correm o risco de não serem consideradas.

4. VIAGEM

  • Dia:  21 de Novembro
  • Hora de partida: Início da tarde (a definir)
  • Local de partida: Estação PORTO-CAMPANHÃ
  • Concentração (hora a definir):
Solar do Norte
Rua do Bonfim 518 
4300-067 Porto

  • Regresso após o final do encontro.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A limpeza nas contas

Até ao momento em que escrevo este post não é conhecida a reacção do clube a mais uma publicação do Football Leaks, onde, mais uma vez, assuntos relacionados com o Sporting são tema central. Desta feita, é dado destaque à comunicação de uma empresa que presta(ria) serviços de limpeza ao clube e que, por esse meio, comunicava a suspensão da prestação do serviço, por falta de pagamento.

A referida comunicação é de Abril deste ano e não se sabe se o problema, a ter existido, terá entretanto sido resolvido, e se foi, como. 

O clube chegou a acordo com a empresa e esta continua a prestar os mesmos serviços, acordando a regularização das dívidas? ou se

A ligação foi desfeita e se foi, quem se ocupa agora da mesma função?

O certo é que, a ser verdade o que a referida empresa alega - dívidas que se arrastam desde Agosto de 2014 - tal  aponta para uma situação muito diferente do que a que é veiculada oficialmente. 

No final da presente época, no balanço que então efectuou, Bruno de Carvalho dizia-nos o seguinte (05/06/2015):

Desde logo uma situação financeira que conseguimos estabilizar, fruto do esforço, trabalho competente e dedicação de toda a minha equipa. Posso hoje dizer-vos que pertencemos a um Clube que apresentou um lucro de 22 milhões de euros, que acaba de concluir o mais bem sucedido empréstimo obrigacionista da sua história, que soube reduzir as despesas, honrar os compromissos e preparar ambiciosa, mas prudentemente, o seu caminho.
(...)
Temos lucro e temos títulos mas este não seria o Sporting Clube de Portugal se não tivéssemos desde sempre, hoje e para sempre valores! Um deles, porventura o principal, é o do intransigente compromisso com a verdade.
Aguardemos pois pelo cabal esclarecimento desta situação, uma vez que  a transparência na gestão é um dever imprescindível a que os órgãos sociais estão obrigados perante os associados, tendo este contraído especiais responsabilidades. É necessário perceber se estamos a falar de uma situação pontual ou esta fuga de informação é a confirmação de um dos muitos rumores que por aí circulam, dando conta que, no que diz respeito a dificuldades de tesouraria e capacidade de honrar os compromissos assumidos, não houve a mudança apregoada e "tudo continua como dantes, Quartel-general em Abrantes". 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Porque aconteceu o caso Naldo

Não me espantou absolutamente nada o caminho (com sua licença, prof. Rui Vitória) que está a tomar o caso Naldo. Isto porque desde o seu principio ele foi tratado com total parcialidade face aos factos ocorridos. Ontem de manhã a comunicação social mencionava apenas o empurrão de Naldo a Lito Vidigal, deixando passar em branco o facto de aquele ter respondido a uma acção absolutamente impensável e imperdoável do treinador, como certamente toda a gente teve oportunidade de ver já. 

O que não vi mencionar em nenhum momento (e não consigo compreender como é que se pode ignorar olimpicamente) é o facto de a entrada em campo do treinador do Arouca ser já a segunda no jogo, como toda a gente - adeptos, autoridades, membros da LIGA, árbitros auxiliares, quarto árbitro - que esteve no estádio pôde presenciar. Tivesse essa prevaricação inicial sido devidamente punida - e que ocorreu minutos antes da expulsão de Naldo - o actual "caso Naldo" nunca teria chegado a acontecer.  Como é que o árbitro auxiliar e o quarto árbitro ignoram o sucedido, que ocorre justamente à sua frente, também deveria ser objecto de inquérito pela LIGA, obviamente.

Ora isto não é desculpar o acto de Naldo, que certamente terá que merecer punição. Mas está carregado de atenuantes, enquanto não faltam agravantes para o comportamento de Lito Vidigal, pelas acções e pelas funções que exerce. A possibilidade de Naldo ficar castigado dois meses é um insulto à justiça desportiva. Mas se for essa a pena aplicada, quanto tempo teria que apanhar Vidigal para que houvesse equidade nas decisões?

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Arouca-Sporting: posta servida à sobremesa

Noite fresca em Arouca para receber o comandante da Liga. Sem surpresa, o Sporting puxou dos galões e assumiu a iniciativa do jogo e o Arouca remeteu-se à expectativa. Apesar de mandar no jogo, o Sporting não foi muito assertivo nas suas acções.

Procurando a progressão com base numa teia de apoios, revelou muito pouco acerto inicial nas tabelas e assistências, especialmente por intervenções deficientes de Teo e especialmente Slimani, com Ruiz muito lento a decidir, perdendo-se a sequência das jogadas.

Do outro lado a defesa subida do Arouca com Nuno Coelho a  juntar-se ao quarteto defensivo, preocupado com Teo. Apesar do muito espaço que ficava nas costas Slimani, ao invés de explorar a profundidade, era visto frequentemente ao lado dos Nunos do Arouca (Coelho e Valente), o que facilitava consideravelmente a tarefa defensiva dos da casa.

Nas iniciativas atacantes o Arouca contava com uma ala esquerda muito activa, onde um Roberto particularmente acutilante, dava muita profundidade e largura. Contava com o apoio de Lucas Lima, a que se juntava Zequinha, infernizando a vida a João Pereira.De forma atípica, vimos muitas vezes o Sporting privilegiar o jogo directo, prescindindo de William na construção que, ao contrário do habitual, descia poucas vezes para entre os centrais.

Apesar da superioridade esperada,  os lances de perigo real ou de golo eminente foram praticamente inexistentes, não por falta de jogadas com potencial, mas sobretudo pela falta de acerto no último passe ou no remate. Fica o exemplo, entre outros, do remate deficiente de Teo, após Ruiz ter descoberto João Pereira e o centro deste ter deixado o colombiano em excelente posição para fazer muito melhor do que “aliviar” a bola pela linha do fundo.

Na segunda parte os técnicos começam a intervir  na partida de forma forçada ou involuntária, (como foi o caso da saída de Jefferson por Esgaio) sem que isso alterasse significativamente o cariz da partida. Assinale-se o contributo do lateral que, surpreendentemente, não deixou que o nome de Jefferson fosse muitas vezes lembrado.

À medida que o tempo decorria o Arouca ia confiando cada vez mais, chegando mesmo a criar um lance de golo iminente. Do lado Sporting instalava-se alguma sofreguidão, com Slimani a revelar total ineficácia, quando lhe bastava ter encostado em frente à baliza.Quando tudo parecia estar encaminhado para a divisão de pontos, Slimani consegue aquilo que tanto procurou mas nunca lhe tinha sido permitido e o jogo encontraria um vencedor. 

O Sporting conquistaria assim os três pontos, vendo premiada a vontade dos jogadores sobre a qualidade do desempenho, que esteve longe de ser brilhante. Como diria o outro, nem só de ópera se fazem os campeões.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Poupar pelo colosso Arouca, o nosso "Guimarães 2015" e outras considerações por causa de um resultado "impossível"

Poupar por causa desse colosso, o Arouca?
Foi pela frase acima que começaram muitas das reacções ao resultado do jogo de ontem, algumas até quando se soube o alinhamento da equipa escolhida por JJ. Pela sobranceria. A mesma que os jogadores usaram no jogo com o Skenderbeu.
 
Nem com o Sekenderbeu nem com o Arouca a disputa é sobre o passado histórico de cada clube. A disputa é, como sempre em futebol, entre onze jogadores pela posse da bola, procurando marcar o maior número de vezes num espaço temporal de noventa minutos. Apenas aí e é aí que temos de jogar tudo e com tudo, porque antes e depois não conta.

Fazia sentido poupar jogadores por causa do Arouca?
Sem dúvida, especialmente em alguns jogadores-chave, sobrecarregados de jogos. Como se irá ver domingo, o campo é difícil pelas dimensões, a que acrescerá o facto de a semana ter sido chuvosa, com as respectivas consequências no relvado a fazerem-se sentir. Não deve ser também desconsiderado o valor do adversário, como me pareceu ter sucedido ontem, até porque a equipa adversária está muito bem orientada por um treinador que pode muito bem ambicionar outros voos. 

Era possível poupar jogadores sem comprometer o resultado?
A resposta à questão acima já havia sido dada previamente, praticamente os mesmos jogadores golearam o mesmo adversário semanas antes. Porém o futebol é imprevisível e este ponto será melhor escalpelizado abaixo.


Revisitar "Guimarães 2014" na Albânia em 2015
A 1 de Novembro do ano passado o Sporting sofreria uma derrota cujos reflexos se estenderiam até ao final da época, expondo à evidência uma relação de instabilidade e atrito entre a SAD e o então treinador. Passado um ano e quatro dias o Sporting sai vergado por resultado idêntico de forma igualmente surpreendente. É verdade que não jogamos com a equipa titular, como aconteceu em Guimarães, mas não é menos verdade que o Skenderbeu não é o Guimarães. Derrotas como esta não se circunscrevem ao plano desportivo abalam o prestígio e o bom nome do clube quer a nível interno, quer externo.

Tal como então está em causa o brio profissional dos jogadores. Discordo quase sempre que seja este o caminho seguido porque não há qualquer indicio de menor comprometimento dos jogadores como o clube ou com o treinador, antes pelo contrário. Foram estes os mesmos que golearam os albaneses em Lisboa e estiveram quase sempre bem quando foram chamados. Tal como em Guimarães 2014, ontem foram várias as coisas que correram mal ao mesmo tempo. 

Será contudo igualmente mau fazer-se de conta que não aconteceu nada como dramatizar excessivamente. Especialmente entre os jogadores mais jovens o talento não se extinguiu e, devidamente enquadrado entre os melhores, encontrará condições para vingar. Que se tenha aprendido alguma coisa com o sucedido no ano passado e que a derrota de ontem não seja completamente desperdiçada.

À atenção de JJ
Embora de forma não especialmente esclarecida, JJ acabou, como não podia deixar de ser, por assumir as responsabilidades pelo fracasso da estratégia seguida para o jogo. Mas não deve deixar de reflectir sobre o resultado e especialmente o que ele significa para o clube, em particular para os adeptos. Alguns pontos em especial:

- JJ não pode parecer apenas especialmente motivado para ganhar o campeonato e à sua antiga entidade patronal. O Sporting, mesmo com os actuais constrangimentos, tem um nome a defender e é possível e obrigatório fazer mais e melhor.

- Uma coisa é rodar alguns jogadores outra é jogar com as reservas. Não é possível a jogadores sem rotinas e sem ritmo responderem ao mais alto nível. 

- Do ponto de vista do enquadramento psicológico, jogar com jogadores habitualmente reservistas é dizer-lhes ou que o adversário é fraco ou que o jogo não é importante. Em jogos em que as circunstâncias parecem conspirar contra nós, como o de ontem, acabamos por ficar limitados no poder de reacção. É o perigo que estas rotações encerram e ontem pagamo-lo bem caro.

- Ao optar por uma rotação excessiva JJ expõe os jogadores em demasia e ele, melhor do que ninguém, sabe isso.

- Tentar salvar Bruno Paulista do naufrágio geral é não perceber o que realmente aconteceu ontem e, quando assim é, a possibilidade de algo semelhante voltar a suceder é enorme.

Estou à vontade para falar sobre JJ, porque continuo a pensar que tendo terminado como terminou a ligação do técnico que o precedeu, a sua contratação era a única solução que poderia significar uma mais-valia para o clube. Tanto assim é que as derrotas de Jesus continuam a ser festejadas pelos nossos adversários, em particulare os adeptos do seu anterior clube, como se de vitórias próprias se tratassem. Além de demonstrar que a digestão ainda está por fazer é um bom indicativo da importância que lhe atribuem como fautor do nosso sucesso.

Ewerton nas pisadas de Rodriguez?
Como se costuma dizer o que torto nasce tarde ou nunca endireita sendo a contratação de Ewerton um exemplo vivo. Chegou sem estar pronto para jogar, quando a época começou lesionou-se novamente com gravidade e ontem volta novamente ao estaleiro. Aquele que é talvez o nosso melhor central tem também de ser muito mais fiável sobe pena de ser melhor apostar em quem possa oferecer estabilidade e continuidade na aposta.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Liga Europa: o escândalo que deu!

Não se viu o Sporting 
É preciso apelar ao auto-controlo para não deixar que o azedume contamine a análise do jogo que o Sporting foi realizar à Albânia com o desconhecido Skenderbeu. Entrada desconcentrada e sobranceira, acumulando erros sobre erros valeram dois golos ainda antes de completados os primeiros vinte minutos de jogo.

A passividade com que se assistiu ao tiro ao boneco no lance do primeiro golo e a displicência com que Patrício aborda o lance que provoca a grande penalidade e a sua própria expulsão praticamente deixaram aí feita a escritura do resultado final. É que se a tarefa de recuperar um resultado adverso de 2-0 com onze unidades completamente desligados já seria difícil com menos um era apenas uma longínqua miragem. Ora Marcelo Boeck entrado para o seu lugar resolver não destoar deste pobre guião albanês e, numa reposição de bola, decide oferecer mais um golo à equipa da casa. Poderiam os anfitriões desejar melhor visitante.

Como foi possível chegar a um resultado destes? Além da atitude geral já acima aludida fica o registo de uma linha média onde Paulista e Adrien não conseguiram fazer o minimo de oposição nas tarefas defensivas, sendo aí acompanhdos em igual baixo nível por Jonathan, a quem o já mais de um ano passado no continente europeu não foi suficiente para eliminar as insuficiências e falta de entendimento do que lhe é pedido em primeiro lugar: saber defender.

Certamente que grande parte das reflexões à volta deste jogo tenebroso se centrarão na poupança feita por Jorge Jesus nas competições europeias. Provavelmente os mesmos que exultaram com a goleada anterior aos mesmos albaneses em casa serão os primeiros a verberar as opções do treinador que redundaram no embaraço que o jogo de hoje deixou.

Pegue-se como se queira nas opções de Jorge Jesus parece-me que elas são insuficientes para justificar o descalabro que se registou. Mas a reflexão é inevitável, atendendo ao autêntico atentado acabado de registar ao bom nome do Sporting. Atendendo ao facto de grande parte da equipa ser constituída por jovens jogadores que ambicionam a titularidade na equipa principal, este é jogo que devem guardar para rever sempre que quiseram lembrar-se, ao longo da carreira, do que não devem fazer.

Figura do jogo: Lilaj. São da responsabilidade dele os golos que em menos de vinte minutos do jogo tornaram quase inútil e desnecessária a viagem à Albânia.

Fora-de-jogo: Toda a equipa do Sporting. É caso para perguntar se alguma vez chegaram a aterrar na Albânia.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Arbitragem: critérios de geometria variável


Nota prévia: o post foi revisto e aumentado já depois da sua publicação.

Critério 1
A APAF e o Conselho de Arbitragem (C.A.) foram céleres a clamar por justiça, após as declarações de Bruno de Carvalho sobre a nomeação de Jorge Ferreira e de JJ sobre este, durante o jogo. Ao menos podiam disfarçar e dar mais 24h.

As declarações merecem averiguações? Se os regulamentos não permitirem declarações como as que Bruno de Carvalho (duvido, mas...) fez que se punam em conformidade. Se encontrarem no que JJ disse durante o jogo razões para qualquer tipo de punição (duvido, mas elas são de ãmbito tão lato que dá para explorar o que se quiser de forma conveniente...) que se puna em conformidade.

Celeridade que, sem surpresa, não houve para se pronunciarem sobre as acusações de Bruno de Carvalho, relativamente aos kit's oferecidos aos árbitros. Independentemente das considerações que se possam fazer relativamente à natureza das ofertas - a mim parece-me excessivo considerar a oferta como corrupção, mas revela pelo menos promiscuidade - é incontestável que estas deveriam já ter merecido muito mais do que o encolher de ombros da FPF, pelo menos do C.A. e Liga. Este silêncio revela senão comprometimento, pelo menos desconforto e inépcia.

Mas pior foram ainda os episódios relacionados com as declarações de Marco Ferreira. Sejamos claros: as suas declarações teriam outro valor se feitas num enquadramento diferente, em que o árbitro assumiria a sua oposição ao modus operandi a partir de dentro e não apenas depois de o sistema o ter usado, mastigado e cuspido e ele, certamente, disso retirado dividendos pessoais. E que ainda por cima as faça dando com uma mão e tirando com outra, não indo até às últimas consequências.

Vejamos as declarações do árbitro: "Não digo que o Benfica pede a Vítor Pereira que este diga aos árbitros para favorecerem o clube. Não estou a dizer isso. O que eu digo é que Vítor Pereira faz isso porque sabe que o Benfica é o único que o apoia. Por isso não quer que um árbitro que desagrade ao Benfica apite os jogos desse clube. O Benfica nunca falou comigo e pediu qualquer favorecimento. Mas, Vítor Pereira sim."

"O SLB nunca falou comigo" é para enganar tolos, só pode. Pois porque o havia de fazer directamente se Vitor Pereira, presidente do CA, lhe servia de porta-voz, o fazia? Então se o árbitro afirma peremptoriamente que ele lhe ligava porque sabe que o Benfica é o único que o apoia está a dizer o quê? Que quer Vitor Pereira quer o SLB representam interesses comuns, que Vitor Pereira deixou de ser o presidente do C.A. de toda a Arbitragem da FPF mas apenas o presidente do C.A. da Arbitragem do SLB. São declarações demasiado graves para poderem ficar-se apenas com a interposição de processo crime. Pela sua gravidade, Vitor Pereira deve explicações públicas, sob pena de ver comprometida a indispensável independência, basilar para o desempenho do cargo.

Conclui-se pelo histórico, sem qualquer parcialidade, que as declarações, quaisquer que elas sejam, por parte do Sporting, parecem funcionar como um poderoso laxante verbal para árbitros, organismos e dirigentes.

Há alguém que se surpreenda por isso com a ameaça de um novo boicote, figura apenas usada pela classe dos árbitros contra o Sporting? Não, obviamente.

O que lhes dói não são as declarações, antes sim sentir um Sporting forte e candidato, que ainda por cima está no topo da classificação. Um Sporting que não os trata bem, que não lhes dá nada e com quem não podem contar para os habituais jogos de influência. Um Sporting que se ganhar, não distribuirá dividendos. Percebe-se o quanto isto possa ser desestabilizador. Mas tenham pelo menos a vergonha e disfarcem, finjam-se sérios.

Critério 2
O Sporting tinha, a propósito do sucedido no jogo do passado fim-de-semana, uma boa oportunidade para fazer valer os seus argumentos em favor da introdução das novas tecnologias no futebol de apoio às decisões dos árbitros. Para ela ser bem sucedida o Sporting precisa de construir em torno da sua argumentação massa critica de clubes, organismos e adeptos para isso tem que deixar demonstrado de forma inequívoca que empreende esta luta pela verdade desportiva, quer quando esta lhe favorece quer quando a sua aplicação é contra os seus interesses.

Acresce que o Sporting não tem nada a temer nas contas que se possam vir a fazer do que aconteceu esta jornada. Beneficiou de um lance de fora-de-jogo para marcar o único golo que lhe garantiu os três pontos? Sem dúvida! Mas o jogo não começou e terminou aí. Já antes nos havia sido negado um penalty claro e anulado uma jogada em que Teo fica isolado, por fora-de-jogo inexistente. É claro e objectivo que não fomos beneficiados mas, ainda que o fossemos, deveríamos lembrar que se as nossas sugestões fossem atendidas era um problema a menos para o futebol e um grande passo para a sua credibilização. De outra forma parecerá que nos queixamos apenas quando perdemos e quase sempre o que parece, é.

sábado, 31 de outubro de 2015

É preciso levantar a cabeça! (Isto se quiserem ver-nos)

O Estoril fez o que pôde para que a noite de Halloween fosse recheada de sustos hoje em Alvalade. E conseguiu-o logo a abrir e faria o mesmo já com o tempo de jogo quase esgotado. Infelizmente são poucas as equipas na nossa Liga a apostar na valorização do espectáculo, revelando respeito pelo jogo e pelos adeptos.

O Sporting fez um jogo de sinal misto. Embora dominando todo o jogo, como lhe competia, faltou sempre qualquer coisa na hora de definir as jogadas, sobretudo na primeira parte. Na segunda parte a equipa conseguiu ser mais assertiva, criando oportunidades claras que, no entanto, haveria de desperdiçar. Refira-se que algumas das jogadas foram executadas a um nível técnico muito elevado, a indicar que os jogadores estão a assimilar bem as ideias preconizadas pelo treinador.

Destaques individuais para João Mário, talvez mesmo o melhor. Também Bryan Ruiz esteve muito bem, embora tenha registado na sua folha a perda de um golo feito. João Pereira esteve muito melhor que em jogos anteriores e seria o melhor de todos se conseguisse melhorar o último passe.

Continuamos na frente e isso é melhor que há a registar deste jogo. É um treino essencial para quem quer ser o primeiro no final do campeonato. Quem quiser olhar para nós continuará a precisar de levantar a cabeça.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O treinador e a estrutura

Aqui ao lado (leia-se para os lados da Luz) os efeitos do resultado esmagador do dérby ainda perduram. A discussão centra-se no trabalho da agora tão invocada "estrutura" e no treinador. Nestas matérias, quando os resultados não aparecem as consequências são sempre as mesmas: a última e a mais pesada das facturas tende a ser paga pelo treinador, entretendo-se a estrutura em estratégias de sobrevivência, leia-se sacudir a água do capote. 

Numa organização saudável os resultados deveriam ser da responsabilidade de todos, quaisquer que eles fossem, mas o mundo aproxima-se mais da perfeição para quem detém o poder. Porém, bem vistas as coisas, o trabalho da estrutura não passa, na maioria dos casos, de manobras de diversão, uma vez que é ela a primeira e a última responsável pela escolha do treinador. No caso concreto -  a com escolha de Rui Vitória - são manobras de grande dificuldade, pois o que agora está a acontecer só espanta os mais distraídos. 

É fácil de perceber que a substituição de Jorge Jesus, pelo tempo e pelo êxito obtidos, seria sempre difícil. No entanto, quando a opção recaiu no ex-treinador do Vitória de Guimarães, a opção foi pelo risco e pela ruptura, tantas são as diferenças entre ambos. Estas vão desde factores secundários, mas não negligenciáveis, como a personalidade - será que o discurso de Rui Vitória está a ser facilmente assimilado pelos adeptos benfiquistas? - mas que se centram sobretudo no modelo de jogo que o treinador trazia consigo. O que foi quase perfeito para um Vitória de Guimarães em recuperação financeira pode não ser para um clube com a responsabilidade do SLB e a viver um período de reafirmação. Algo que nós já tínhamos percebido quando fomos buscar Paulo Sérgio à mesma origem, com os resultados que sabemos. 

Não é por acaso que a anteriormente tão incensada "estrutura" desferiu quase de imediato um forte ataque ao seu ex-treinador e ao Sporting: percebeu que dificilmente deixaria de ser imputada a responsabilidade da saída de JJ e que esta significava duas derrotas em simultâneo: enquanto saía mas fraco da perda, o rival de sempre, nós, encurtávamos distâncias de forma drástica. Talvez o equivalente mesmo a queimar uma série de etapas que uma aposta sustentada de crescimento mas mais demorada poderia proporcionar.

Apesar da rivalidade que nos separa, não me custa reconhecer que o trabalho desenvolvido por LFV na recuperação do SLB é sem dúvida notável, atendendo sobretudo ao ponto de partida. Os meios postos à disposição do clube, nomeadamente na aquisição de jogadores,  foram determinantes para o sucesso obtido. Mas a saída de JJ e a respectiva substituição demonstra que uma importante parte dos factores que conduziram o clube ao êxito já não moram lá e se transferiram para o lado do Sporting: Jorge Jesus. De tal forma que se pode perguntar se com Rui Vitória alguma vez o mundo futebolístico conheceria hoje os nomes de Gaitan, David Luiz, Ramirez, Di Maria, Enzo Perez, Witsel, Matic, Markovic ou Coentrão, mais as somas astronómicas das respectivas transferências.

Como sabemos, o Sporting passa por um período de paulatina recuperação. Se há mérito indiscutível a assinalar na liderança de Bruno de Carvalho é a da escolha dos treinadores. Todos os escolhidos têm uma responsabilidade indiscutível na recuperação desportiva do clube, conseguindo obter pelo menos os "mínimos olímpicos" no que a resultados diz respeito. 

A recuperação desportiva está indubitavelmente relacionada com a recuperação financeira e com a taxa de aprovação de Bruno de Carvalho entre os associados. Porque o que um clube como o Sporting tem que oferecer aos seus sócios e adeptos são as emoções – a relação com o clube é 99,9% emocional - que só as vitórias proporcionam. 

A chegada de Jorge Jesus pode representar uma rápida mudança de era no futebol do Sporting. mesmo considerando de forma responsável que vivemos uma era de vacas magras e incerteza, que não permite investimentos avultados como os que teve no clube anterior. Este momento tem porém pelo menos uma virtude: obriga o treinador a olhar para "o que a casa dá", isto é, a formação. É isso que tem acontecido, com jogadores como Gélson, Matheus, Mané e Esgaio a acumularem minutos. O mesmo se pode dizer com os progressos que se registam no jogo de Adrien, Slimani, e sobretudo de João Mário. 

Isto não invalida que recaem sobre a administração pesadas responsabilidades. Tais como a de aportar mais e melhores meios - financeiros e de carácter organizacional - que permitam sustentar o crescimento e de forma a prever e acautelar atempadamente as saídas de jogadores-chave que a inevitável cobiça alheia tenderá a provocar.  E que, de igual modo, permitam sustentar a indisfarçável ambição do nosso actual treinador, rentabilizando-a como um factor de crescimento.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Dérby de manhã? Porque não?

O próximo derby está já a caminho, por capricho do sorteio da Taça de Portugal. Agora discutem-se as datas. O Sporting já fez saber à FPF que preferia a data de 22 de Novembro, talvez porque Téo e Ruiz têm compromissos com as suas selecções marcados para dia 18, de madrugada. Com sorte, poderão estar de regresso a Lisboa na quinta-feira, dia 19, embora a possibilidade de tal acontecer apenas na sexta-feira seja bem real. 

Acontece que a FPF parece estar muito ciosa do cumprimento das 72 horas de intervalo entre jogos e daí ter feito saber que, a haver jogo, este teria ter inicio pelo menos até às... 12:30 de domingo, para que assim se perfaça aquele período de descanso. Isto porque o clube da Luz tem marcado em Astana o jogo da Liga dos Campeões na terça-feira seguinte. 

Vamos ver que decisão toma a FPF, ela que nem sempre tem sido escrupulosa no respeito das 72 horas noutros casos, como bem sabemos. Acresce a isto o facto de ao SLB interessar mais que o jogo se dispute no sábado, para que a longa viagem até Astana se efectue o mais cedo possível. 

Da parte que me toca parece-me que esta seria uma boa oportunidade para testar a receptividade dos adeptos a novos horários, à semelhança do que já se faz por essa Europa fora, em especial nas grandes ligas, como a espanhola e inglesa, por exemplo.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Explicar uma das mais saborosas vitórias de sempre: Rigor e eficácia

Eficácia
Vista a estatística do jogo há um dado que sobressai sobre os demais como explicação para a vitória ontem alcançada: a eficácia. Das quatro oportunidades que teve na primeira parte, quando o resultado foi construído, o Sporting concretizou três. Com este valor percentual (80%) em todos os jogos atrevo-me a arriscar que, neste momento, a nossa liderança seria ainda mais dilatada.

Sorte
É aqui que entra o factor sorte: a eficácia está ligada à qualidade dos jogadores mas também ao factor sorte. Os mesmos jogadores que ontem acertaram sempre e à primeira foram os mesmos que em jogos anteriores não o conseguiram fazer. Mas a sorte não explica tudo.

Qualidade das oportunidades
Dá muito trabalho ter sorte, diz o chavão, e neste caso aplica-se com toda a propriedade. As oportunidades ontem criadas, e que resultaram em golo, sobretudo a primeira e a última, são finalizadas em 1x1 e em frente à baliza, onde a possibilidade de concretizar é muito maior. A explicação segue abaixo.


Rigor
O rigor com que os jogadores interpretaram a disposição táctica preconizada por JJ ajuda a explicar a eficácia, a sorte e a qualidade das oportunidades. Isto é, elas não aconteceram do nada mas surgem como o resultado de uma articulação colectiva objectiva. Não deixa de surpreender, olhando apenas para o resultado, que o valor percentual das perdas de bola se assemelham nas duas equipas. Paradoxalmente, foi na primeira zona de construção que o Sporting até perdeu mais vezes a bola, tendo até estado pior na primeira parte (15%, contra apenas 5% do SLB). São estes valores que ajudam a explicar em parte a sensação de jogo partido do inicio do jogo e com pouca sequência das jogadas que prevaleceu durante quase todo ele.
Houve no entanto dois factores que diferenciaram as consequências das perdas de bola em zonas de construção:  a superioridade numérica e a melhor organização colectiva (disposição dos jogadores no terreno) por parte do Sporting, que permitiram não apenas melhor reacção à perda, facilitando uma melhor resposta, como, por consequência, ter melhores condições para oferecer ao jogador com a posse de bola melhores soluções para lançar o ataque. É isso que explica porque em três penadas o Sporting faz três golos e o adversário nunca conseguiu criar perigo, encontrando quase sempre do outro lado uma equipa organizada.

Dar sentido a esta vitória
Estes três pontos perderão muito do seu significado e importância se nos próximos jogos entregarmos parte ou totalidade. O grande desafio do Sporting neste momento é dar sentido a esta vitória prolongando a liderança até ao virar do ano. Os jogos que faltam - Estoril (c) Arouca (f), Belenenses (c), Maritimo (f), Moreirense (c), U. Madeira (f) - não são fáceis, mas são perfeitamente possíveis de alcançar. "Basta" para isso que o Sporting faça como ontem, com rigor, eficácia, e a indispensável sorte, torne fácil o que parecia muito difícil de alcançar. 

Rigor II
Quando vi o Sporting subir ao relvado equipado a rigor sorri. Pode não ser nada importante, comparado com a importância dos jogadores, dos treinadores, da táctica, mas eu, como creio que a generalidade nós, estamos presos às nossas referências visuais. Os calções pretos e as meias listadas fazem parte das minhas e também creio de uma elevada percentagem de adeptos. Não custa nada e sabe bem.

Já a qualidade do relvado tem uma importância determinante e o Sporting continua a ter este problema por resolver. Ao contrário do que querem fazer crer é mesmo um problema de competência. Não creio que o estádio da Luz seja mais arejado (factor tantas vezes apontado como razão para a falta de qualidade do relvado), até porque as bancadas "afundam" o relvado ainda mais que em Alvalade. A exposição solar, o clima e a orientação são também os mesmos.

Se o relvado deles é excelente, como ontem se viu, porque razão o nosso não é pelo menos bom e continua sofrível como se viu na quinta-feira? O inverno está aí e são os autocarros de tracção total dos nossos adversários que mais vantagens terão se o problema não for corrigido. Quando pode valer isso em pontos no final da Liga?


Nota: a imagem dos dados estatisticos foi retirada do MaisFutebol.

domingo, 25 de outubro de 2015

SLB 0 Sporting 3: Papo cheio e limpinho,limpinho!

Vitória limpinha,sem apelo nem agravo sobre o rival de sempre. A maior em muitas décadas. Vitória obtida com muita sorte,que tantas vezes falta, pela forma como se chega ao golo, num momento indefinido do jogo. E fruto de enorme eficácia, que também tem faltado por vezes.

Depois foi a enorme concentração, empenho e uma superioridade táctica expressa sobretudo na segunda parte, em que qualquer veleidade a equipa da casa foi completamente morta à nascença. Muito bem os adeptos Sportinguistas mais uma vez, ao fazer-se ouvir sobre a maioria da casa. Parabéns também a estes pela reacção impressionante a um dos piores resultados de sempre em casa.



sábado, 24 de outubro de 2015

"Vítor Pereira só telefona aos árbitros antes dos jogos do Benfica, não o faz com mais nenhum clube"

Excerto da entrevista de Marco Ferreira ao ÁS via DN

Agora só falta investigar.  

"Não vou dizer que o Benfica pede ao Vítor Pereira que fale com os árbitros para favorecer o clube. Não digo isso. O que digo é que ele faz isso porque sabe que o Benfica é o único clube que o apoia. Por isso, não quer que nenhum árbitro que não goste do Benfica apite os seus jogos. O Benfica nunca falou comigo e nunca pediu para os favorecer. Mas Vítor Pereira sim"

"Numa semana em que eu tinha um jogo do Benfica, ele telefonava a dizer que tinha que ter cuidado, que o jogo tinha que correr bem. E só o fazia antes de jogos do Benfica. Nunca me telefonou antes de um jogo do FC Porto, por exemplo. Não só a mim, mas a muitos companheiros..."

"Eu e muitos colegas recebíamos chamadas na mesma semana em que estávamos nomeados para arbitrar o Benfica. Vítor Pereira tem muitos inimigos e opositores, entre eles as pessoas do próprio Conselho de Arbitragem e muitos clubes da I Liga. Não o querem lá. Então, o único clube dos grandes que apoia Vítor Pereira é o Benfica"

"Nomeou-me para um Rio Ave-Benfica. Nessa semana ligou-me duas vezes, quarta e quinta-feira. Na quinta-feira disse-me que tinha que fazer um bom jogo, se não não me nomeava para o Benfica-FC Porto, que era em abril. Disse que eu tinha que ter cuidado, pois 'eram os que se queixavam' e 'era o jogo do título para o Benfica'

"Antes do Sp. Braga-Benfica foi mais ou menos a mesma conversa. Disse-me que o jogo tinha que correr bem e que eu não devia ligar 'caso viesse ruído do banco"

"Vítor Pereira só telefona aos árbitros antes dos jogos do Benfica, não o faz com mais nenhum clube", e garante que já denunciou a situação "à Federação e ao Comité Disciplinar da Liga Portuguesa", denúncia feita "na semana passada"

"Eles (os árbitros) têm medo que Vítor Pereira acabe com as suas carreiras como acabou com a minha. Sou um exemplo para eles daquilo que se pode passar. Eu era árbitro internacional e nunca na história de Portugal um árbitro internacional tinha descido à segunda categoria"

"Fui árbitro de I Liga durante nove anos e nunca o Benfica, nem sequer nenhum outro clube, algo vez me ofereceu algo para o beneficiar. Eu penso que esta é uma iniciativa do próprio Vítor Pereira com o interesse de agradar ao único clube que o apoia"

"Ele nomeou-me (final da Taça)
porque era um jogo de uma máxima rivalidade, escaldante; se eu fizesse algo de mal, já tinha um motivo para despromover-me. O problema é que fiz tudo bem e ficou sem argumentos. Fui o primeiro e único árbitro internacional da história da Madeira. Para mim fica esse orgulho.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

No inferno da Liga Europa valeu o evangelho segundo Matheus

Hoje em Alvalade defrontavam-se duas equipas que haviam descido do areópago do futebol mundial - A Liga dos Campeões - até à cave das competições europeias de clubes. Para o visitante de nome estranho poder permanecer em competição pode ser encarado como um prémio, para um clube como Sporting assemelha-se a uma descida ao inferno. É isso  a que se assemelha esta fase de grupos da competição, com equipas de terceira e jogos em hora de trabalho ou de ponta. Foi por isso que vi apenas a segunda parte do jogo em directo e a primeira depois de devidamente rebobinada a box, para depois concluir que tinha perdido os momentos mais perdulários, passe a repetição. 

À medida que a partida ia decorrendo mais evidente era a diferença entre as equipas, o que empurrou o jogo para o registo entre o cumprimento do dever e a possibilidade de um massacre futebolístico. Ficamo-nos pelo primeiro, mantendo assim em aberto a possibilidade de qualificação para a fase seguinte da competição, depois da escorregadela comprometedora inicial. Registe-se também como bom indicador o compromisso dos jogadores, atendendo o anonimato do adversário e o facto de nos apresentarmos com uma equipa recheada  de jogadores jovens e que têm jogado menos. 

Destaque óbvio e obrigatório para Matheus que, em passadas seguras e com eficácia, vai "exigindo" um lugar na equipa principal.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Jardel na capa do jornal Sporting: "quem se esquece da história está condenado a vê-la repetir"

O que tem o passado de Cadete, Futre e Jardel em comum na história do Sporting? Além do facto de terem sido jogadores do clube, a forma premeditada e acintosa como decidiram interromper a ligação ao clube que sempre os havia tratado como ídolos. Num curto espaço de tempo os três são exonerados de toda a responsabilidade dos seus actos, aparecendo de passado branqueado, com honras de primeira página, no jornal do clube. Jardel, depois de 2013, é de novo premiado.

Do nosso passado recente não havia mais ninguém disponível para testemunhar histórias do derby? 

Ou quem gere hoje a comunicação no Sporting perdeu a memória ou não conhece a história recente do clube? Jordão? Manuel Fernandes? Pedro Barbosa?

É bem possível que assim seja e por isso aproveito para lembrar que a saída de Jardel foi uma golpada bem sucedida para derrubar o Sporting, montada pelos então dirigentes do S.L.B. de conluio com o empresário José Veiga. O Sporting tinha acabado de fazer a dobradinha (campeonato e taça) onde os quarenta e dois golos de Jardel no campeonato tinham sido determinantes e com ele arriscava-se a fazer o bi-campeonato. 

No inicio da época seguinte Jardel começou por não aparecer à concentração habitual de inicio de época, tentou todos os expedientes para rescindir e praticamente não jogou. Acabou por rescindir em 2003, já sem conseguir cumprir o mínimo que é exigido a um atleta profissional, sucumbindo ao consumo de drogas e nunca mais se conseguir recompor. As consequências da sua atitude foram-lhe fatais, pagando um preço pessoal elevado. Não menos o foram para o Sporting.

Folgo em saber que o pior dos seus problemas pessoais já terão passado. Mas não posso deixar de reprovar que se tenha metido a memória no bolso e se dê a primeira página do jornal do clube a alguém que, no passado ainda recente, nos prejudicou deliberada e e intencionalmente, como o próprio já admitiu. Ele que devia estar grato ao sacrifício feito pelo clube para lhe pagar um ordenado então sumptuoso e tudo ter feito (e conseguido) para lhe recuperar a carreira, como aliás então a prórpria esposa o reconheceu nesta entrevista:

"Não é qualquer clube que faz o que o Sporting fez pelo Jardel. Uma coisa é contratar um jogador que está bem e a marcar golos, outra é fazê-lo a um atleta que vinha de uma operação, estava parado há dois meses e psicologicamente em baixo. É preciso confiar muito no seu potencial. Por parte dos adeptos sentimos todo o carinho possível e isso fez o Jardel renascer e os responsáveis da SAD deram-lhe um apoio especial. Acredito que foi a pior fase da carreira dele e sei que o Jardel pensa da mesma forma que eu. Estamos muito gratos ao clube. Se me perguntar onde gostaria que o Jardel acabasse a carreira dele, eu respondia sem hesitar que é no Sporting. Mesmo que um dia saia, gostava que voltasse para terminar em Alvalade."

terça-feira, 20 de outubro de 2015

As histórias que nos andam a contar sobre o Sporting

São cada vez mais frequentes as comparações entre o percurso que está ser feito actualmente por Bruno de Carvalho e o que foi feito por primeiro por Pinto da Costa e depois por Luis Filipe Vieira. Comparações que aparentemente pretendem ser elogiosas para com Bruno de Carvalho mas que, no fundo, se transformam num sério embaraço: 

Pode haver algo pior para um presidente do Sporting do que ser comparado a Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira? 

Não personificam ambos, entre muitas outras coisas, o modelo de "ganhar a qualquer custo" que tanto rejeitamos? 

Ao contrário do que nos querem fazer crer à força de tanto nos matraquearem, a postura de Bruno de Carvalho e o seu modelo de comunicação não são a única alternativa ao silêncio, à lassidão e distanciamento adoptada por muitos dos que nos dirigiram no passado. 

Ou que emular o comportamento dos seus congéneres rivais é o único meio de nos recolocar no caminho das tão desejadas vitórias.

Esta é apenas a forma mais simples de nos tornarmos parecidos com muito do que sempre rejeitamos nos nossos rivais e de nos afastarmos da identidade que o clube erigiu com orgulho desde a sua fundação. Identidade essa que sempre nos distinguiu e que foi responsável pela escolha de um clube por muitos de nós.

Mas há algo ainda pior e que é invocado de forma recorrente, já não apenas em artigos de opinião, mas também no discurso de Sportinguistas: que antes de Bruno de Carvalho o Sporting era um clube de "gente simpática" ou de "viscondes", reduzindo uma das maiores e mais vencedoras instituições desportivas a um clube de perdedores e acomodados.

Não posso deixar de me opor e lamentar que tal se torne moda sem se perceber o quão insultuosas são estas afirmações para o Sporting Clube de Portugal, e muito em particular para os seus sócios. Eu não me revejo nesta imagem e tenho a sorte de os Sportinguistas que conheço também não se inscreverem nela.

É também uma forma muito conveniente de reescrever a história, alijando responsabilidades que são de muitos em apenas uns quantos. Todos quantos formaram as maiorias muito significativas que sufragaram sucessivamente em eleições e em AG's as políticas desportivas e financeiras que nos trouxeram até aqui. 

Para o bem e para o mal, foram tão deles (nossas) as escolhas do passado como hoje é deles (nossas) a escolha de Bruno de Carvalho para presidente. Por isso quando se fala de gente simpática, viscondes, acomodados e perdedores estamos a falar de todos nós.

O que o clube foi e será resultará sempre das escolhas dos seus sócios, quer estas sejam feitas por acção, omissão ou cumplicidade com quem por nós está mandatado para dirigir. Se ao menos se aprendesse alguma coisa com o passado...

Nota: para ilustrar algumas das observações aqui feitas no presente post seleccionei dois artigos de opinião que circularam nos dois maiores jornais desportivos que me parecem constituir "bons" exemplos das "histórias que se nos andam a contar sobre o Sporting".

domingo, 18 de outubro de 2015

Taça de Portugal - via franca para as "crianças"

Uma abordagem muito séria ao jogo por parte da equipa do Sporting depressa deixou claras as diferenças abismais que separam as duas equipas. Muito por via disso a eliminatória que nos fez cruzar com a União Desportiva Vilafranquense não podia ter corrido melhor . Além da passagem tranquila à eliminatória seguinte, o encontro foi muito importante para a recuperação de jogadores preponderantes para a nossa equipa, como são Paulo Oliveira, Ewerton, e William. 

Quem também aproveitou muito bem a oportunidade concedida pelo  treinador foi a "miudagem". Paulista demonstrou ter um potencial embora, como é óbvio, tenha ainda um longo caminho a percorrer para poder ser considerado uma certeza. Matheus Pereira aproveitou muito bem as facilidades concedidas pelo adversário para mostrar que a eficácia em frente à baliza também nos pode ser muito útil, a somar à inegável qualidade técnica. Gélson entrou para agitar o jogo e foi muito bem sucedido. Mané já o havia feito desde o inicio do jogo. Não surpreenderá ninguém que alguns venham a ser novamente titulares na próxima quinta-feira, frente ao Skenderbeu.

sábado, 17 de outubro de 2015

Regressar em festa à festa do Futebol Nacional

Para atenuar os efeitos do síndroma de abstinência entretanto instalado, o futebol nacional regressa este fim-de-semana. Será, como convém nestas circunstâncias, ser servido em dose aligeirada, para que os adeptos não se ressintam, mas em volume suficiente para preparará-los para o grande embate que é o dérby, que ocorrerá no fim-de-semana seguinte.

Não será apenas pelo respeito que é devido a todos os oponentes em qualquer competição desportiva, mas também por uma certa tradição, que a ocorrência de resultados inesperados praticamente em todos os anos da competição, que o Sporting deve encarar o embate com o Vilafranquense com seriedade. O dérby só chegará depois desse jogo, é bom que isso esteja na cabeça dos jogadores. Com este aviso à navegação não se pretende agoirar um mau resultado mas tão somente lembrar como tudo é eventual no futebol até o árbitro apitar para o fim do jogo.

Para exemplificar o que acabo de dizer acima, e aproveitando para fazer uma pequena revisitação à nossa história, lembro um dos piores desaires. Não foi vivido por mim, mas os diversos Sportinguistas que tiveram essa infeliz oportunidade e que fizeram o favor de a testemunhar, fizeram-no com tal veemência que acabou por me marcar. Falo da derrota ante o Tirsense, ocorrida no dia 17 de Abril de 1949.

É difícil não imaginar que quando a equipa deixou Lisboa em direcção "à província" ninguém terá pensado um minuto que fosse em quem era o Tirsense. A equipa de Stº Tirso militava então na longínqua 3ª divisão nacional e nós carregávamos impantes a até aí inédita proeza de nos termos sagrado tri-campeões nacionais, onde pontificavam então os Cinco Violinos (Jesus Correia, Vasques, Albano, Peyroteo e Travassos). 

Éramos então considerados uma das melhores equipas da Europa e aprestávamo-nos para jogar a final da primeira edição da Taça Latina, com o Barcelona. Era provavelmente aí que estaria a cabeça dos jogadores e quiçá dos responsáveis. E foi por aí que ficámos nessa edição, onde havíamos chegado como titulares do troféu pela terceira vez consecutiva. Provavelmente foi por aí que começamos a perder também a final da Taça Latina, que a equipa da cidade catalã haveria de vencer por 2-1.

Mas deixemos cair a cortina do tempo sobre a história e centremo-nos na competição que este fim-de-semana começa e da qual somos novamente os vencedores em titulo. Porque afinal a Taça é também a festa do futebol nacional.

É impossível esquecer a alegria esfuziante que  aquele momento significou para todos nós, em particular os que tivemos o privilégio de viver a montanha russa de emoções que culminou com o levantar do troféu e dos dias que se seguiram. Não é demais também lembrar a importância daquele momento, por representar o regresso às conquistas importantes no futebol, reconquistando simultaneamente a vice-liderança na hierarquia dos vencedores da competição, que foi nossa por muitos anos e que havíamos deixado fugir paulatinamente.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Sporting TV com fundo vermelho e branco

Ontem, na "entrevista" de Bruno de Carvalho à Sporting TV, perdi a conta às vezes que a palavra "Benfica (ou matérias com ela relacionada) foi pronunciada. A mim, como sócio, interessa-me muito pouco ou quase nada o que lhe está relacionado e seguramente que não foi para falar no Benfica que o canal foi tão desejado por todos nós. 

O presidente do Sporting não pode falar todos os dias, sobre o mesmo assunto, sem banalizar a mensagem e, de arrasto, a sua própria imagem. Fora a do cidadão Bruno de Carvalho e esse seria um problema dele. Sendo a do presidente do Sporting afecta a imagem do clube e isso já me importa. Não é preciso ter um doutoramento em comunicação para o perceber. 

O povo, na sua sabedoria, há muito que diz, a propósito:

Quem muito explica, complica.

Quem muito fala, a si dana.

Quem muito fala, dá bom-dia a jumento.

Quem muito fala, muito enfada.

Quem muito fala, muito erra.

Quem muito fala, muito mente.

Quem muito fala, não é o que mais faz.

Quem muito fala, não é quem mais faz.

Quem muito fala, pior ouve.

Quem muito fala, pouco acerta.

Quem muito fala, pouco faz.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O processo do SLB a Jesus e a verdadeira "dor de cotovelo"

A noticia de que o SLB decidiu processar Jorge Jesus já não é nova e o facto de pormenores do pretenso processo serem dados à estampa a poucos dias do derby também não é surpreendente para ninguém. Já tínhamos visto algo semelhante aquando da disputa da Supertaça, no inicio da época em curso. 

Se a estratégia seguida parece ser a procura da desestabilização de Jorge Jesus, tal só revela que em seis anos a partilhar o mesmo tempo e espaço com o treinador não foram suficientes para o conhecer. Ao invés de o desestabilizar só lhe estão a fornecer combustível para alimentar ainda mais a vontade de ganhar. 

É ainda mais estranho que o clube da Luz insista nesta abordagem, demonstrando não ter ainda percebido que, tal como no jogo da Supertaça, estão a tornar ainda mais difícil o jogo para a sua equipa. Incompreensível de todo ainda mais é a insistência na teoria da traição por parte do treinador, quando é do conhecimento geral que foi o facto de não quererem renovar com o treinador que fez este escolher outro caminho para continuar a exercer a sua profissão. 

Se dúvidas houvesse, nem é preciso estar muito atento para já ter ouvido alguns dos muitos argumentos do rosário de queixas que amiúde desfiam contra o treinador. Seja pela sua falta de aposta na formação, pela incompreensão "pela vocação europeia", pela falta de dimensão cultural, humana, etc. Isto após seis anos de permanência e de resultados que pedem meças ao melhor do historial do clube. 

Só pode ser mesmo dor de cotovelo, com as devidas hastes, perdão, aspas, que a foto deste ilustra. O que torna toda esta questão ainda mais difícil de entender com argumentos racionais. Ainda por cima sabendo-se, como se sabe, que Luís Filipe Vieira, com a preciosa ajuda de Jorge Mendes, estava já a fazer de Stº. António casamenteiro, procurando "noiva" para o treinador. 

Para o vulgar adepto de futebol como eu estes dias que têm antecedido o dérby, embora não tenham trazido nada de novo, só podem causar perplexidade e tristeza.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

É agora que entram as danças sevilhanas da Catalunha?

Os últimos dias têm sido tão fartos em folclore que só me ocorre uma das várias frases célebres atribuídas a Gabriel Alves e que serve de titulo ao post. Só espero é que a atenção não se desvie do essencial - ganhar, ou fazer tudo por isso - sob pena de sermos o alvo da toda a chacota. Algo está mal quando, do seu púlpito semanal vemos o Manuel Serrão a fazer figura de senhor e até o FCP  aparece como referencial de bom-senso.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Bruno de Carvalho: "Sou frontal, corrosivo e às vezes falo mal. Mas sou eficaz"





Nota: as minhas desculpas pela fraca edição que é devida à falta de tempo. É por isso que a presente entrevista, dada ao semanário Expresso, só hoje é publicada e a justificação também por falta de referência à actualidade do clube.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Leaks, mentiras e kits

O aparecimento do site Football Leaks parecia tratar-se de um terramoto no futebol português mas não passa afinal de uma arma de precisão com disparos declaradamente dirigidos para atingir e prejudicar o Sporting. Julgo que qualquer Sportinguista já percebeu a gravidade do momento e está preocupado com as consequências. Eu estou, pelo que já vi e pelo que receio ainda nos esteja reservado.

Há no entanto uma importante reflexão que ainda não vi ser feita em lado nenhum. Vejo muita gente a apontar a origem, respondendo à pergunta "quem foi?" e como devemos retaliar, mas a ignorar algo que nos deve preocupar muito mais: "como é que isto foi possível?". É essa a pergunta que mais cedo ou mais tarde vai ter que ser respondida aos sócios do Sporting porque lhes é inteiramente devida.

Não haverá propriamente nenhuma novidade em afirmar que o Sporting tem muitos inimigos, que fazem tudo o que está ao seu alcance para que o nosso percurso desportivo seja o mais árduo possível. Eu não tenho dúvidas nenhumas disso, há décadas que é assim e a estratégia seguida actualmente não nos aumentou o rol de amigos, antes pelo contrário. Daí que a possibilidade de haver individuos ou organizações a querer fazer-nos a cama é tão vasta como real.

A novidade aqui é que pela primeira vez o clube é devassado até ao âmago, indo muito além da excessiva transparência com que, no passado, determinados assuntos do foro interno do clube apareciam na praça pública de forma quase recorrente. Fica a dúvida se o clube se preparou devidamente para todas as possibilidades de retaliação que a sua estratégia fazia adivinhar.

Sabe-se já que o Sporting decidiu comunicar às autoridades competentes aquilo que parece configurar um ataque de espionagem por parte de terceiros. Ao fazê-lo e não negar a autenticidade dos documentos, o Sporting está a admitir tacitamente que aqueles são verdadeiros, o que acentua a gravidade do que está a suceder.

Aqui chegados concluo que a mera comunicação às autoridades é claramente insuficiente. Embora a as possibilidades da origem dos documentos não se esgotem na pista interna, é mais que óbvia a necessidade de um rigoroso apuramento interno de responsabilidades (que não deverá assemelhar-se de nenhuma forma a uma caça às bruxas) mas sobretudo da eficácia da sua organização. Não apenas para perceber o que sucedeu, mas também para prevenir que situações semelhantes ocorram no futuro. 
- Como está organizado o seu departamento administrativos e financeiros e que práticas são aí exercidas?
- Como está organizado o sistema informático do clube?Existe a possibilidade de estarmos na presença de um ataque externo?
- Existe a possibilidade de estarmos na presença de um "inside job"?
- A quem como e onde estão entregues a documentação, especialmente aquela cuja importância e sigilo são cruciais para a organização do seu negócio?
- O Sporting tem consultadorias e fornecedores externos a quem pedir responsabilidade nesta área e são todos de reputação e idoneidade à prova de bala?
Os danos reputacionais para a entidade Sporting, que não é apenas o clube do nosso coração mas detém também o seu principal activo, a SAD, cotada em bolsa, são dolorosos e poderão repercutir-se por muito tempo, afectando a sua actividade. Mais do que a minudência que alguns documentos encerram, terá sido essa a principal intenção que levou à publicação, não tenho dúvidas.  

Mas algumas revelações lançam muitas dúvidas também sobre a proficiência da nossa organização.
- A proposta à Qatar Airways é amadora quer no conteúdo quer na forma. Como é possível fazê-la recorrendo ao envio de um email e não através de uma delegação ao mais alto nível?
- A mesma dúvida sobre a transparência/coerência/verdade da informação que é disponibilizada aos sócios. É verdade que a relação com o Recreativo de Caala está nos relatórios mas carece de outras explicações, até pelo percurso seguido relativamente aos fundos e empresários. Que me importa a mim que seja o Caala ou o Pin Zahavi a intermediar um jogador, desde o negócio e o jogador sejam bons para o clube?
- Idem para o processo a Marco Silva. Era preciso ir tão longe na desconstrução do carácter do treinador, para o despedir, para agora se saber o que se sabe?
Parece que a divulgação do caso dos kits de oferta com que o SLB brinda as equipas de arbitragem foi a resposta encontrada. Isto quer dizer a guerra que o clube da Luz empreendeu contra o Sporting por não ter tido o engenho de conservar o seu antigo treinador, que ainda por cima até desdenhou, sofreu uma escalada. Desejo apenas que o clube esteja preparado para o caminho que decidiu fazer, o que não é de todo claro sem que sejam dadas as respostas adequadas às perguntas efectuadas acima.

Quanto à matéria dos kits propriamente dita, não me surpreende. É um costume entendido como prática normal por partes dos clubes e só surpreenderá quem desconhece de todo o meio. A promiscuidade é no entanto evidente, se atendermos ao valor em causa. Mas daí ao salto até à corrupção parece-me excessivo. Mas ajuda a explicar porquê que, na dúvida, se decide em favor de uns contra os outros.

Isso mesmo me dizia há poucos dias um elemento ligado ao sector, com a maior cara de pau, assinale-se. E acrescentou: "vocês (Sporting) não dão nada de jeito, não contam para nada e ainda por cima são antipáticos, passam a vida a queixar-se". Independentemente da desfaçatez e falta de pudor, sem dúvida que precisamos de repensar a abordagem a esta matéria. Não tenho dúvidas que a matéria dos kits encerra a possibilidade de poder vir a representar uma factura a pagar num qualquer jogo. Aos árbitros e delegados atingidos por uma possível investigação (que os há...) vontade não faltará para o fazer...

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