terça-feira, 6 de outubro de 2015

Prolongamento: quando o presidente vai ao circo



Ficamos a saber que o presidente que se ufana de trabalhar vinte e quatro horas por dia também tem tempo para ir ao circo. Sim, circo, porque não há outra palavra para definir um programa como o Prolongamento. O lamentável é não se ter ficado pela bancada, escolhendo descer à arena. Aí mergulhou na mesma lama onde paineleiros como os Guerras desta vida chafurdam. Como ficou claro, é impossível fazê-lo sem sair de lá tão embostelado como os que lá vivem.

É óbvio que o Sporting está sobre cerrado ataque - o Football Leaks é apenas um dos vários indícios, e que aqui falarei em breve - e era necessário fazer a defesa do clube, esclarecendo algumas matérias que estão a provocar sérios danos reputacionais ao clube.  É isto que torna indefensável a presença de Bruno de Carvallho num programa deste jaez, por se tratar de uma escolha voluntária,  quando as possibilidades de escolha dos locais e dos interlocutores eram vastas. Ele que aparentemente até ia bem preparado e documentado.

Como era expectável a gritaria e a boçalidade abafaram por completo a força dos argumentos, dando embaraço e pena tamanha falta de noção do ridículo de um espectáculo burlesco. Se a ideia de Bruno de Carvalho era demonstrar que conseguia ser tão mau como o Pedro Guerra, ao ponto de o embaraçar, então aí o programa pode ser considerado um sucesso pessoal.

São a forma e os meios que usamos que nos definem e distinguem. Ao contrário do exemplo dado por Bruno de Carvalho e do spin do momento, é possível fazer a defesa dos interesses do Sporting sem baixar o nome do clube ao nível a que ontem assistimos, expondo-o ao ridículo. Será muito difícil explicar, a alguém que veja o programa, que diferenças separam uma instituição centenária, com a nossa matriz identitária, de um grupo de arruaceiros que se juntam para uma suecada. 

Bruno de Carvalho pedia há dias na A.G., num apelo quase quixotesco,  que não o deixassem cair. Desta forma é ele que se atira para o chão, não precisa de inimigos, ele próprio se encarrega do seu próprio mal. Infelizmente à sua volta não parece haver ninguém capaz de lhe fazer o contraditório e o culto de personalidade que lhe é dedicado parece estar a tolher-lhe o raciocínio. O Sporting não é ele, é muito maior e mais importante, por muito que ele se esforce por confundir. Ontem pode ter ganho ao Pedro Guerra mas o Sporting perdeu quase em toda a linha.

domingo, 4 de outubro de 2015

Vitória e por maioria absoluta

A superioridade do Sporting hoje foi tal que se pode dizer que triunfou em toda a linha. O resultado é disso retrato fiel, o que nem sempre acontece num jogo de futebol. Esse aspecto talvez seja o melhor a destacar neste jogo de sentido único. Ao contrário do que tantas vezes acontece, o Sporting aproveitou desde muito cedo as fraquezas do adversário, não lhe permitindo qualquer veleidade, construindo um resultado sólido com segurança. Desta forma coloca-se na melhor posição possível para o próximo jogo que é não mais nem menos que o derby. Infelizmente terá que decorrer quase um mês para que este tenha lugar.

Do ponto de vista individual o destaque óbvio para o hat-trick de Slimani, a boa prestação de João Mário num lugar pouco habitual bem como a boa prestação consecutiva de Tobias Figueiredo à direita, aparentando alguma estabilização emocional imprescindível. 

sábado, 3 de outubro de 2015

Sporting mandou Carrillo embora?!

Quando, hoje de manhã,vi difundida a noticia que o Sporting tinha proposto,no quadro das negociações de um novo contrato, uma cláusula de oitenta milhões de euros pensei que o pior vinha aí. Nenhum jogador, ou qualquer outro trabalhador, com procura no mercado, aceitaria tal cláusula que representa ficar amarrado à vontade de outrem, quando a faltam apenas dois meses para poder escolher uma das muitas ofertas que deve ter em carteira. Se a noticia for verdadeira revela total inabilidade e desconhecimento da realidade por parte de quem propõe. Equivale a convidar o jogador a não assinar e a mandá-lo embora, só faltando oferecer-lhe serviço de consultadoria para escolher novo clube, casa, etc.

Como várias vezes aqui disse o Sporting, para ser bem sucedido na renovação do contrato com o jogador, teria que ter uma noção realista sobre a sua frágil posição neste processo: não tendo tido ou não tendo conseguido prevenir o problema atempadamente restava-lhe a possibilidade de remediar, procurando circunscrever as perdas. Para tal precisaria de negociar e não de impor, sem ter obviamente que aceitar tudo, mas reconhecendo com naturalidade a possibilidade de o jogador não estar interessado em permanecer.

Para tal o Sporting teria que reconhecer ao jogador a possibilidade de, no final do ano, poder escolher um novo clube, se assim o entendesse ou, caso pretendesse permanecer, assegurar-lhe que a remuneração era adequada às suas ambições e à importância na equipa. Não sei o que correu mal mas tenho sérias dúvidas que tal tenha sucedido. Suspender agora o jogador e instaurar-lhe um processo porque o jogador não aceitou as condições oferecidas é uma admissão de impotência para resolver o caso. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Sporting tem o cérebro, mas ainda falta o tronco e alguns membros

No final do último jogo do campeonato, no Bessa, Jorge Jesus apontou a falta de criatividade como uma das causas para o insucesso no resultado. Quem viu o jogo só pode ser levado a concordar com ele. Se é verdade que a equipa se empenhou em ganhar o jogo até ao apito final do árbitro, não o é menos reconhecer que faltaram as melhores ideias para contrariar o autocarro boavisteiro. A admissão de Jorge Jesus parece-me encerrar um excelente motivo de reflexão. Reconhecendo-lhe razão, como foi feito no parágrafo precedente, vale a pena tentar descodificar o que ela encerra.
 
A conclusão óbvia
Muitos perceberam na afirmação uma referência subliminar (ou nem por isso), à ausência de Carrillo. Não o posso afirmar, porque não estou na cabeça de Jesus, mas a conclusão é quase obrigatória. Percebeu-se, desde o inicio de época, quer nas palavras quer no papel que lhe foi atribuído, que Carrillo era um elemento preponderante na estratégia do treinador, pelo que a sua ausência teria que ter consequências na estratégia do treinador e na resposta da equipa. 

Conclusão geral retirada de um momento em particular
Para lá de tudo o que se possa dizer - e muito tem sido dito - sobre problema que opõe o clube ao seu empregado, do ponto de vista estritamente futebolístico Carrillo faria sempre falta. Não sendo uma comparação de valor entre os jogadores, a sua ausência está para o Sporting como estaria a de Gaitan para o SLB ou de Brahimi para o FCP. Os poucos jogos até agora efectuados sobre o comando de Jesus mostravam um jogador cada vez mais solto e confiante, desempenhando com acerto funções mais alargadas do que as que lhe haviam sido confiadas nos dois anos anteriores. O problema torna-se mais agudo porque não há no plantel quem o possa substituir no papel que Jesus lhe havia talhado.

Só por doses maciças de muito boa vontade, que até pode reverter em desfavor do jogador, se pode considerar que Gélson faz o lugar. O que os jogos mais recentes têm feito é desmentir esses assomos de voluntarismo de opinião. Isto não é negar o talento do miúdo, é considerar apenas que o jogador tem ainda muito que crescer, desde a compreensão do jogo até a atributos físicos "treináveis" como os diferentes tipos de força, a agilidade, a velocidade, etc. Isto não esquecendo que as características dos jogadores diferem entre si e que a idade ainda mais acentua. No fim de contas é o mesmo que considerar que Gélson irá agora começar a trilhar o mesmo caminho que fez Carrillo quando, com dezoito anos, chegou do Peru.

Para o lugar até agora desempenhado por Carrillo talvez João Mário ou Mané possam ter características mais indicadas para  função. Mas é preciso não esquecer que não estamos a falar de uma mera substituição de peças numa linha de montagem. É preciso refazer algumas das dinâmicas colectivas entretanto treinadas, sendo igualmente necessário dar tempo a que os jogadores absorvam os novos conceitos que as funções a desempenhar obrigam.

Uma conclusão preocupante I

O que é possível concluir desde já é que os problemas que a ausência de Carrillo tem colocado não estavam previstos e que estes se vêm juntar a outros que já pareciam existir. Isto é, se a ausência do peruano agrava os problemas relacionados com a criatividade e imprevisibilidade na criação do nosso jogo ofensivo, estes vêm-se juntar a outro que aos poucos se ia destapando a cada jogo efectuado: o da eficácia na hora de concretizar.

Os últimos dois jogos talvez tenham servido como dolorosa ilustração da afirmação efectuada no parágrafo anterior. Mas, olhando para generalidade dos jogos até agora realizados, o que se verifica são precisamente resultados tangenciais, entrecortados por dois empates. A excepção foi o jogo em Coimbra e a posição da Académica na tabela diz muito o quão relativa deva ser a consideração a ter em conta. O nosso jogo ofensivo e sobretudo a capacidade concretizadora está a representar um sério problema para a nossas ambições.

Uma conclusão preocupante II
A frase de Jesus soa a confissão de impotência em alterar o rumo dos acontecimentos no Bessa. Tive a oportunidade de ver Jesus de perto, em zonas habitualmente vedadas ao grande público, e os danos provocados pelas incidências da partida eram bem visíveis no semblante carregado do treinador e na forma "caída" como abandonou a conferência de imprensa a caminho dos balneários.

Não duvido da qualidade profissional de Jesus. Não gosto de falar de forma absoluta, mas dizer que é o melhor treinador a treinar em Portugal, podendo até mesmo ser o melhor de todos, não é propriamente escandaloso. Tem quanto a mim, entres os candidatos ao título, o modelo melhor preparado para lá chegar e seria muito mais fácil para ele, com o plantel do FCP ou SLB, sê-lo. Muito mais difícil será sê-lo no Sporting. 

Foi também muito por essa excelência que o Sporting contratou Jesus, julgo. Falta saber se ela é suficiente para desfazer a diferença de recursos. Acredito nessa possibilidade, mas não deixo de considerar que esperava algumas diferenças na sua actuação. Especialmente nas escolhas individuais e de posicionamento. Logo no inicio de época pareceu-me precipitadas as dispensas de Walyson e Iuri. Hoje, olhando para a produção real, (não do potencial obviamente) de Aquilani, a dúvida acentua-se.

Para não especular com os que já cá não moram diria ainda que o treinador não pode estar à espera de uma solução individual nascida de inspiração momentânea, ignorando a importância do colectivo. E aí, com os jogadores que tem à disposição parece-me que as soluções ainda não estão esgotadas. Por exemplo, não me querendo substituir ao treinador, não deixo de pensar que, no que Jorge Jesus treina e põe a jogar, Montero ofereceria outra continuidade ao jogo que Slimani não pode.

No entanto, nenhum dos três-pontas-de-lança oferece a Jesus o melhor que Vitória e Lopetegui possuem. Muito do nosso crescimento como candidatos terá que passar inevitavelmente pela construção de maior número de oportunidades que se adequem aos nossos números de eficácia. Se as ideias do “cérebro” são boas, há que convir que o corpo e os membros necessitam ainda de muito crescimento.

Uma pequena nota adicional: a importância do hábito

Discordo em absoluto das análises que concluem pela falta de empenho e garra da equipa para explicar os resultados. Isto é negar a natureza mais comum dos jogadores que é gostar e ganhar até a feijões e é negação que resulta dos próprios factos. Uma equipa sem garra não teria chegado a alguns resultados obtidos quase no final dos jogos. A garra e o querer são condições básicas, sem as quais não vale a pena sequer calçar as botas. Mas já incluiria nas causas do falhanço do ataque à liderança no Bessa o hábito de estar neste momentos a importância da preparação psicológica para estes momentos. Isso também se treina mas apenas em ambiente real e, como sabemos, grande parte dos nossos jogadores não têm sido testados ao nível a que estão a jogar agora.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Besiktas - Sporting: Tricky Teo

O Sporting fez um jogo globalmente positivo sem no entanto ter conseguido que o resultado tivesse igual significado. Um dos pontos mais positivos a realçar deve ser o facto de Jesus ter mudado mais de meia-equipa e esta ter respondido, especialmente na primeira parte. O lado negativo foi o desperdicio de várias oportunidades consecutivas que acabaram por resultar na perda de dois pontos. Falhas que se pagam caro a qualquer nível competitivo, mesmo que a disputa envolva adversários de nível colectivo e individual menor que o nosso. Ao nível das competições europeias, com equipas recheadas de bons executantes, como é o caso do Besiktas, que nos é inferior colectivamente, é fatal.

Falar em falhas é falar em Teo Gutierrez. Seguramente que não foi por se exibir ao nível que vem fazendo no Sporting que se tornou titular numa equipa como a do seu país natal, sentando nomes como Jackson. Mas, até para proteger o jogador, talvez fosse bom deixá-lo descansar uns tempos. O Sporting acumula assim dois jogos consecutivos a exibir problemas na criação de oportunidades e na eficácia, ficando assim explicadas as razões de dois empates consecutivos.

Muito interessante e prometedor foi ver William, que vai fazer muito mais do que fez hoje, com Aquilani e Ruiz. Com eles o nosso jogo pede muito mais pé que Slimani pode oferecer pelo me pareceria natural a inclusão de Montero para o nosso jogo subir uns degraus. Saliência para a estreia de Matheus, que pode fazer muito mais. O mesmo se aplica a Mané e a Gélson, a revelarem os problemas naturais da juventude nos grandes palcos. Aliás, não me parece que JJ tivesse sido muito feliz a fazer as substituições. 

É um pouco injusto para JJ afirmar que deixou em segundo plano as competições europeias, especialmente quando pôs a equipa a jogar para ganhar. Mas, depois da queda na Liga Europa ainda mais se justifica a orientação das prioridades para as competições internas. Não me preocupa por isso excessivamente o apuramento para a fase seguinte da competição, mas é evidente que o Sporting tem um estatuto a defender e como representante de Portugal na competição, a obrigação de contribuir com pontos para o ranking de clubes. Um ponto apenas para já em seis possíveis é pouco e por isso a obrigação de ganhar torna-se agora maior.

Shadowplay - jogo de sombras



Dando continuidade a esta faceta mais investigativa actualmente em vigor no futebol português e após aturadas e intensas pesquisas (no facebook, claro), o “ANorte”, que não é menos que o Rascord, está em condições de assegurar que descobriu info altamente classificada sobre o perigoso grupo apontado durante o discurso presidencial do passado domingo a que se convencionou denominar por, e passo a citar, “governo sombra”, nomeadamente o seu hino:

"Shadowplay", na sua versão mais moderna dos The Killers, nome bem mais cáustico e ameaçador para a segurança do actual CD leonino, do que o da banda que originalmente criou o tema, os Joy Division, que, relembre-se, deve a sua inspiração a uma divisão de prazer (com mulheres judias aprisionadas) criada para usufruto exclusivo das mais altas patentes oficiais das SS nazis. Tem tudo a ver, portanto. Não bastava serem feios e maus, tinham que ser uns javardolas, quer na ideologia politica quer no comportamento social que assumem. Estes tipos são beras com’ó caraças e devem ser alvo de acérrima e imparável perseguição, bem como de julgamento sumário seguido de execução, após captura… Até porque, garantimos, a angariação de novos elementos e meios está em curso e em fase de enorme aceleração. Há pois que acabar com este horrendo movimento à nascença, antes que o terror se dissemine pela grande nação leonina.

Uma dica para identificação destes perigosos dissidentes: diz que marcham desenfreadamente, com ar alucinado e de uma forma desengonçada, reproduzindo a dança inspiradora do seu querido líder, Ian Curtis, carismático vocalista dos Joy Division e um infame e devasso traidor que, vejam bem, andava com duas gajas em simultâneo! Tinha dois amores portanto, uma loira e outra morena… Esse facto levou a que o grupo fundador dos seis ainda considerasse a hipótese de adoptar como hino a famosa canção do cantautor luso Marco Paulo, com a vantagem da letra ser em português e não em estrangeiro, mas, dadas as características nada pimbas do actual CD, tiveram de abortar a ideia.

Sportinguistas, daqui segue o nosso mais encarecido apelo: caso vejam alguém deslocar-se nessa marcha desenfreada a caminho duma qualquer AG, escondam-se, protejam-se, mas não deixem de alertar imediatamente as nossas autoridades anti-motim ou, melhor, anti-terrorista (que isto é malta com quem estamos habituados a lidar e inclusivamente já temos historial de combate).


Obrigado e saudações leoninas. Segue vídeo para melhor ilustrar como se deve identificar os terríveis ‘sombristas’ (ver aos 0’27’’ e aos 2’29’’e aos 2’36’’, arre… e aos 3’14’’e aos 3’28’’ e, ufa, aos 3’53’’… como se pode notar este vídeo é deveras elucidativo):



Nota: escusam de nos questionar como e a quem conseguimos resgatar tão importante e relevante informação porque não revelamos as nossas fontes. Bem sabemos que está fora de moda, mas, por aqui, seguimos o código ético e deontológico que deve imperar sobre toda a actividade pasquineira, com especial cuidado no jornalismo de investigação. Pronto, ok… não insistam mais, contratamos um hacker (o gajo que faz o MR. ROBOT, conhecem?) e furamos as barreiras de protecção ao site “Football leaks”.

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Virgílio escreve segundo o novo acordo ortográfico da língua portuguesa, ou então na antiga ortografia, é ao calhas… Acima de tudo e à semelhança do Bruno, gosta de rigor, coerência, exigência e transparência.E jamais dá um erro ortográfico (ou factual… ou de outro tipo qualquer, vá). Se identificarem qualquer erro no artigo acima exposto, caluda… se não chamo um 'sombrista' amigo para vos assombrar no FB. Ups…


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Está resolvido o mistério dos investidores "a que não estamos habituados"

O jornal Record publica hoje uma extensa e detalhada reportagem sobre o novo financiador do Sporting, que esteve por trás das aquisição de Paulista e das tentativas falhadas de adquirir Mitroglu e Cérvi. A reportagem inclui documentos oficiais do clube que, segundo o jornal, foram obtidos num novo site, de seu nome, "Football Leaks" que estranhamente não se encontra disponível. (Nota: já depois de escrito o post, verifiquei que o site está online com o nome http://football-leaks.livejournal.com/)

As linhas que se seguem são extraídas dessa reportagem:

Chama-se Recreativo Caála o clube angolano que compra futebolistas estrangeiros e os empresta ao Sporting. E o seu presidente não é outro senão o empresário António Mosquito, associado a grandes interesses económicos, em Angola e em Portugal.

Um dos jogadores colocados no Sporting segundo esta via foi Bruno Paulista. O Bahia cedeu o médio brasileiro aos leões até 30 de junho de 2016, a troco apenas do pagamento dos salários, mas posteriormente este deve ser contratado a título definitivo pelo Caála.








Record teve acesso a esta informação através do site ‘Football Leaks’, que a partir de agora se propõe “divulgar a face oculta do futebol”, publicando na Internet contratos e acordos com clubes e intermediários.

Contactado o Sporting, fonte do clube sublinhou que este negócio resulta de “relações normais com um parceiro formal, devidamente documentadas no relatório e contas. É um modelo de financiamento também utilizado pelo Benfica, quando contratou o Samaris. E os jogadores tanto podem ser colocados no Sporting como em qualquer outro clube”.

Uma forma de acordo similar deveria ter sido aplicada na transferência do argentino Franco Cervi para Alvalade, mas os dirigentes do Rosario Central não aceitaram a negociação e o futebolista acabou contratado pelo Benfica.

Formalizado em 6 de agosto de 2015, o “Instrumento Particular de Cessão Temporária de Contrato de Trabalho de Atleta Profissional” entre o Bahia, o Sporting, Bruno Paulista e o Recreativo Caála, a SAD leonina celebrou no mesmo dia o “Contrato de Trabalho Desportivo” com o jogador brasileiro, no qual acordou pagar 550 mil euros por um ano de empréstimo.

O contrato de Bruno Paulista prevê ainda o pagamento de um prémio de dez mil euros, por cada dez jogos feitos, no caso de ser titular e completar pelo menos 55 minutos em cada um dos jogos, na Liga ou nas competições europeias.  

A situação de Cervi

No caso do argentino Cervi chegaram a ser redigidas duas minutas, uma que previa a cessão dos direitos federativos ao Recreativo Caála pelo Rosario Central, a partir de 28 de janeiro de 2016, mas que previa que o futebolista treinasse no Sporting a partir de dezembro de 2015. A outra respeitava a um contrato de cedência temporária, entre o Caála e o Sporting, até 30 de junho de 2017, com a hipótese de prorrogar esse empréstimo “por épocas sucessivas”, até 30 de junho de 2021. Este contrato seria feito “a título gratuito”, na prática, nas condições em que Bruno Paulista está agora no Sporting.

Cervi só viria em junho de 2016

O ‘Football Leaks’ divulgou também a proposta final efetiva do Sporting aos argentinos do Rosario Central para a transferência de Franco Cervi, para além do cenário que envolvia os angolanos do Recreativo Caála.

Um documento assinado pelo administrador da Sporting-SAD Carlos Vieira, em 7 de setembro de 2015, propunha aos argentinos a aquisição dos direitos económicos do futebolista por 3,85 milhões de euros. E as condições de pagamento seriam as seguintes: 1,925 milhões liquidados de imediato; 962.500 euros em 1 de fevereiro de 2016; e mais 962.500 euros em 1 de julho de 2016.

Este plano seria aplicado se Cervi chegasse ao Sporting no fim da época 2015/16, mas caso se transferisse de imediato, o pagamento seria feito a pronto.

Agente de Cervi receberia as comissões a prestações

O acordo do Sporting com o Rosario Central, Franco Cervi e o seu agente, Martin Moreno, estava em andamento, mas, segundo publicou Record, em 9 de setembro, Raúl Broglia, presidente do clube, revelou entraves importantes: “Houve questões, mas não vale a pena revelá-las agora. Eles tinham, por exemplo, um grupo de investidores de um país a que não estamos habituados”, que seria Angola...

Na altura, num documento assinado pelo administrador da SAD Guilherme Pinheiro, o Sporting propunha deixar Cervi emprestado ao clube de origem, em 2015/16, e nas seis épocas seguintes pagar-lhe-ia sucessivamente 820 mil euros, 920 mil euros, 1,02 milhões, 1,12 milhões, 1,22 milhões e, finalmente, 1,32 milhões.

O Sporting comprometia-se também a pagar ao jogador os 15% que seriam responsabilidade do Rosario Central. O plano previa ainda o pagamento faseado da comissão ao intermediário Martin Moreno, conforme se pode ver no documento em anexo. No total seriam 517,5 mil euros. Mas o jogador acabaria no Benfica.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Cédric: quando a galinha da vizinha é melhor que a minha

Cédric passou os últimos dois anos em Alvalade a ver o seu valor constantemente posto em causa por uma grande franja de adeptos. Partiu para Inglaterra, onde em pouco tempo já deu nas vistas. A noticia de que foi considerado até agora o melhor lateral direito de uma das mais fortes ligas mundiais, segundo um critério em que são avaliados seis parâmetros ( rigor, recuperação, distribuição de jogo, iniciativa, criação de oportunidade e remate ) pode por isso surpreender muita gente mas é um justo prémio para o excelente profissional que Cédric sempre foi e não menos para a Academia do Sporting.

Pena é que muitos acordem tarde, depois de tantos anos a desdenhá-lo e desejar outros no seu lugar. Talvez por isso se aceitou com placidez e conformismo que o jogador, que até desejava renovar com o Sporting, partisse por uma verba relativamente baixa, como se nos estivéssemos a ver livre de um problema. Como se costuma dizer cuidado com o que desejas, pois os teus sonhos podem tornar-se realidade. Hoje, naquela posição, não estamos melhor.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Assembleia Geral: porquê isto, agora?

A direcção em exercício apresentava na A.G. de ontem "os melhores resultados de sempre" da SAD. Naturalmente esperaria que o momento fosse capitalizado em favor do trabalho realizado. 

Como sabemos, estes momentos nos clubes, o nosso não é excepção, tem a sua liturgia muito própria. Daí até ao monólogo de duas horas "S. Bruno aos leõezinhos", no mais fiel estilo sul-americano dos anos 70/80, deveria ir alguma distância, mas não foi, infelizmente. Mas esperava tudo menos ver um presidente acossado dirigir um ataque em todas as direcções, para os inimigos externos e até, em jeito quixotesco, para uma oposição interna que, pelo menos de forma organizada, é inexistente. 

 O que é está a correr mal que ainda ninguém sabe? A unanimidade e aclamação já não são suficientes?

Já na véspera Bruno de Carvalho tinha ido longe de mais, quando se referiu ao S.L. Benfica , no seu perfil de Facebook, onde está identificado como "Presidente do Sporting", como "carnide". Quando vi a publicação cheguei até a pensar tratar-se de um dos muitos perfis falsos que existem naquela rede social. Por mais popular que lhe possa parecer, isto não é bom para ele, e muito menos para o Sporting. Parece-me faltar junto do presidente alguém que lhe faça o contraponto.

Uma nota adicional sobre o ataque "ad hominen" contra alguns sócios visados no discurso do presidente, para depois aparecerem os seus nomes no jornal Record, via "fonte oficial". Uma vergonha! Conheço pessoalmente um deles, o Juvenal Carvalho, e tenho amigos comuns a quase todos os visados. 

Por conhecer pessoalmente, falo do Juvenal. Não concordo sempre com ele, mas nunca me atreveria a colocar em causa o seu Sportinguismo. A sua condição de sócio de muitas décadas e o seu trabalho como dirigente de carolice e entrega total,  e os muitos sacrifícios pessoais feitos em prol do clube dão um disso um testemunho prático que nenhum discurso de ocasião poderá abalar.

domingo, 27 de setembro de 2015

Xadrez sem cheque mate

O Sporting apresentou-se no Bessa ante a possibilidade de se tornar líder isolado e isso sentia-se no apoio dos adeptos, que acorreram em grande número, o que era visível nas imediações do estádio. Sem grande surpresa Montero apareceu no lugar de Teo e logo de inicio o Sporting disse ao Boavista ao que vinha. A equipa da casa aceitou com naturalidade a ideai de ficar à espera atrás, procurando não se desorganizar.

Sporting fecha o primeiro quarto de hora a mandar jogo mas sem criar oportunidades, essa caberia ao Boavista nun lance em que a defesa se deixou dominar no jogo aéreo. O perfil do jogo manteve-se assim até se completar a primeira meia hora, quando ocorre o golo anulado de Slimani. 

Até aí saliência para as movimentações de Gélson, a procurar sempre fugir à zona de pressão do Boavista, de Montero, a participar melhor no jogo do que em anteriores aparições e um jogo muito competente de Adrien nas compensações e reequilíbrios. Enquanto isso Ruiz debatia-se com as dificuldades já evidenciadas anteriormente em participar no jogo. 

Apesar do domínio, a definição dos lances no último terço carecia quase sempre de boas ideias ou era precipitada. À medida que os cinco minutos finais se esgotavam, o Sporting faria um forcing final, conseguindo a melhor oportunidade deste período.

A segunda parte não trazia grandes mudanças e Jesus decide fazê-las na equipa. Montero cede o lugar a Teo para este desperdiçar, na primeira vez que toca na bola, um golo que já era cantado nas bancadas. Uma substituição talvez precipitada e Teo não emprestaria melhorias significativas.

É daqueles momentos em que os adeptos, a equipa e talvez até o treinador começam a sentir que a partida será muito difícil de desbloquear. Talvez por isso Jesus tenha decidido esgotar as substituições quase de uma assentada. Ruiz cede o lugar a Teo e João Mário ao regresso de William. Nenhum deles foi muito feliz.As dificuldades em criar reais oportunidades haviam de permanecer inalteradas. A possibilidade de não descolar para a liderança isolada era um espectro que ganhava dimensões cada vez mais reais.

Em termos individuais destaque para Gelson. Enquanto durou foi o agitador do ataque do Sporting. Se havia alguém que parecia capaz de mudar alguma coisa era ele. Como nota geral diria que é sabido que as armas do Boavista são de calibre e alcance muito mais reduzido que as que o Sporting tem à disposição. Mas o anti-jogo praticado durante toda a segunda parte, com a conivência do árbitro, é uma traição ao futebol. Os quatro minutos de desconto são completamente inaceitáveis e incompreensíveis.

O Sporting sai sem os tão desejados três pontos e, consequentemente, sem o comando isolado do campeonato. E disso só se pode queixar de si próprio. Dominar só não chega, é preciso marcar e hoje criou muito poucas oportunidades para o fazer.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

"O Sporting vai lutar pelo título de campeão até à última jornada." A profecia de Riciardi e a realidade

Ontem Riciardi aproveitou a entrevista dada a um programa de economia da Sic Noticias para afirmar que este ano o Sporting lutará até à ultima jornada pelo campeonato nacional. Tal vem em linha com o que JJ já afirmara em anterior entrevista, quando prometeu exactamente o mesmo. 

Olhando para o percurso do Sporting até agora verifica-se que a média de pontos (2,6) está em linha com o necessário para a candidatura e com as melhores médias dos últimos campeões. Este é o dado mais importante que, a manter-se, permitir-nos-á sonhar até ao fim. Este surge em contraponto com outros dois que sugerem alguma preocupação:

- A média de golos marcados é escassa (1,8) e embora possa vir a melhorar, não me parece que possa aumentar substancialmente. Parece-me mais um problema de nomes do que de concepção do modelo que, tendo em conta o tempo ainda escasso do treinador, é passível de ser aprimorado e daí extraídos maiores ganhos. Isto é, mesmo esperando que a eficácia de Slimani e companhia melhore, não me parece que se venham a chegar ou ultrapassar a casa da vintena de golos na competição. Terá que haver também contribuição de outros elementos da equipa.

- A média de golos sofridos é elevada, embora aqui me pareça que os progressos - entenda-se maior solidez defensiva - tenderá a chegar com maior entrosamento e com a chegada de William e Ewerton.

Mas sem dúvida que os campeões se fazem com pontos e que, se mantiver a média actual, o Sporting concorrerá até ao fim pelo titulo nacional.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Quem não quer Carrillo no Sporting?


Prossegue a novela "Carrillo fica, Carrillo vai". O assunto já atravessou o Atlântico e os são já vários os  jogadores peruanos que se pronunciaram de forma solidária com o jogador. O desfecho do caso extravasou por isso a mera continuidade do jogador para passar a ter importância para a imagem que o clube detém naquele país e muito em particular junto dos profissionais daquela nacionalidade. 

Hoje um matutino anuncia que Carrillo teria sido objecto de pressões na garagem do estádio. O Correio da Manhã tem a credibilidade que bem se sabe, pelo que espero que se trate de mais uma noticia que só aconteceu na redacção do referido jornal. A ser verdade o caso é grave uma vez que, a ter acontecido, só pode ter tido lugar por negligência ou conivência do Sporting. 

Por outro lado, nas redes sociais multiplicam-se os comportamentos abusivos em relação ao jogador e ao seu empresário. Isto num momento em que o Sporting não desistiu sequer de conseguir a continuidade do atleta e o jogador continua a comparecer aos treinos e até aos jogos em Alvalade, cumprindo assim com as suas obrigações profissionais. Acresce ainda o facto de quer o jogador, quer o pai, quer o empresário, sempre que se referem ao Sporting continuam a fazê-lo com o devido respeito, pelo que merecem o mesmo tratamento.

O que faria qualquer um de nós se estivesse no lugar do jogador e fosse objecto deste tipo de pressões, quando não muitas vezes de insultos? Sentir-se-ia mais próximo do clube?

Quem assim procede está a defender os interesses do Sporting ou daqueles a quem daria muito jeito e até prazer ver o Sporting sair enfraquecido deste processo? 

Quem pode garantir a origem das noticias que todos os dias surgem nos jornais? Saem do Sporting? Saem do jogador, familiares e empresário? Ou são plantadas por quem joga tudo na nossa desestabilização e enfraquecimento, não estando muitos adeptos a cair no seu jogo como patinhos?

Além das cautelas que o caso recomenda, até porque há muita contra-informação e mentiras a circular, há que ter em conta que o jogador tem tanta legitimidade para escolher o seu próximo clube como teve Jorge Jesus quando abandonou o SLB para assinar com o Sporting. 

Cabe-nos a nós, especialmente a quem tem o poder de decidir que, ao contrário do que fizeram os dirigentes do nosso rival em relação a JJ, fazer sentir que o jogador é importante para nós e que a sua continuidade inclusive o beneficiaria. Olhos nos olhos e sem manobras de vão de escada. Isto sem desesperos ou angústias, porque os jogadores passam, e muitos melhores que o Carrillo já o fizeram, e o clube fica.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Vitória Nacional - O novo site - Festa a Norte

Vitória Nacional
O Sporting cumpriu sem brilho nem distinção a "obrigação" de ganhar o jogo com o Nacional. Obrigação com aspas porque em desporto isso não existe. Sem aspas porque um candidato não só tem que ganhar em casa como está proibido de coleccionar empates. Como é já um pouco tarde para grandes análises fico-me pelo que parece ser o essencial:


- Ontem foi um dia não onde tudo parecia condenado a correr mal e acabar mal. Um dia não, com muitas falhas individuais que impediram uma melhor resposta colectiva. 

- Como tivemos um adversário igual a tantos outros que vamos encontrar pelo caminho, entender as dificuldades ontem sentidas, rever e aperfeiçoar processos é obrigatório. O Sporting controlou o jogo, o Nacional quase não viu Patricio, mas não conseguimos materializar o domínio avassalador em oportunidades.

- O Sporting já fez melhor do que conseguiu ontem. Mas vinha de uma derrota em casa onde realizou provavelmente o pior jogo da época até agora. Ter ganho, mantendo a partilha da liderança pode ser importante para estabilizar os níveis de confiança da equipa.

- Não tendo sido brilhante a prestação produzida, há que salientar a perseverança dos jogadores e a chegada ao golo com "nota artística" elevada. Ter paciência, acreditar e saber esperar são virtudes importantes para quem conquistar alguma coisa.
- Uma nota sobre a arbitragem. Foi infeliz, tão infeliz como a maior parte das exibições de grande parte dos nossos jogadores. Mas não me pareceu premeditada. Mais infeliz ainda me pareceu a nomeação. Um árbitro quase caloiro, se tem valor, deve ser protegido e não lançado às feras. Não me parece que tenha já estofo para jogos deste calibre e ainda por cima acompanha quase sempre de longe as jogadas, o que não ajudará muito a tomar as melhores decisões.

O novo site
Já está disponível para visualização a versão experimental do novo site do clube. Não tendo oportunidade para fazer grandes explorações não deixo de registar que o primeiro impacto é muito positivo. Valha a verdade que o ponto de partida também era tão baixo (o site estava literalmente velho, não se compreendendo porque esteve tanto tempo em uso) que não era difícil que a nova plataforma fosse melhor. Se do ponto de vista visual a aposta está ganha ficam os votos que a gestão de conteúdos também acompanhe o upgrade. 

Festa a norte
O Sporting volta a jogar a norte no próximo fim-de-semana, mais propriamente no sábado, no Bessa. no dia anterior o Solar do Norte está a convidar todos os Sportinguistas a juntarem-se à celebração dos vinte e cinco anos daquela delegação, um importante bastião leonino. Convém lembrar que além das bodas de prata, o Solar do Norte foi distinguido este ano, na Gala Honóris, com o titulo de núcleo/delegação do ano. Além do presidente da A. G. do clube, Marta Soares e Bruno Mascarenhas, estarão também presentes os jogadores Ryan Gauld e Matheus Pereira, bem como José de Pina, conhecido humorista.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Hoje é o jogo mais importante da época

Hoje o Sporting vai jogar o jogo mais importante da época até agora. Ganhando não deixamos fugir um adversário directo e vemos aumentar a distância para outro. Importante também porque é o segundo jogo em casa com uma equipa "que não é do nosso campeonato", quando no primeiro já deixamos fugir dois preciosos pontos. 

Isto atendendo a que o principal objectivo da época é mesmo o campeonato e a vitória é o único resultado que interessa. Há quem possa atribuir prioridade ao pretérito jogo de apuramento da Liga dos Campeões, mas uma ilação ou pelo menos dúvida a retirar do jogo recente da Liga Europa é que ainda não temos "rabo para duas cadeiras".

Infelizmente, como em tantas outras ocasiões no passado, o jogo parece ter uma importância secundária e o tema que está na cabeça de toda a gente parece ser o Carrillo. A infeliz gestão mediática do caso atira-nos com episódios em cascata, sendo impossível que tanto ruído não se oiça no interior do balneário. No campeonato dos tiros nos pés continuamos a ser dos principais candidatos.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Belo CERVIço

Hoje o Expresso confirmou os rumores que algum tempo já circulavam. Afinal, apesar de ter desmentido a noticia, o Sporting sempre tentou contratar o jogador argentino. Mas isso não é novidade. O que espanta na revelação do Expresso é: 

- O pormenor da revelação, com a inclusão de um documento oficial da SAD. É óbvio que quem fez chegar o documento à comunicação social tem o objectivo claro de ferir a credibilidade da SAD. Isto é ainda a consequência da passagem de JJ da Luz para Alvalade, com o SLB a intervir, via Rosário Central, ou está a acontecer algo que nos está a escapar?

- Os valores a que o Sporting se propunha contratar Cervi e atitude a roçar o desespero numa manobra de última hora, são dois factos que não indiciam nada de bom. 

- A tentativa contratação de Cervi já fez cair um administrador, Guilherme Pinheiro, por não ter conseguido fechar o negócio. O que vai acontecer ao assessor recém-contratado Sancho Freitas que não só não foi bem sucedido, como ainda fica em causa, ao ser portador do documento exposto.


Processo Carrillo: da exigência à indigência

Contrariamente ao que me parecia ser a melhor opção de gestão do problema da (não) renovação de Carrillo, o Sporting acabou por decidir afastar Carrillo da equipa titular. Todavia, as declarações de JJ no final do jogo obrigam a alguma contenção nos comentários sobre a matéria, uma vez que aquelas deixam em aberto a possibilidade de o jogador, ao contrário do que foi assumido pela generalidade das opiniões expressas, estar de regresso à equipa já no próximo jogo com o Nacional. A possibilidade de fazer o jogador descansar e amadurecer ideias deve ser considerada. Antes assim seja, embora me pareça que o treinador pretendeu apenas ganhar tempo, esperando um entendimento entre as partes.

A confirmar-se a decisão de afastar Carrillo, esta de certa forma surpreende-me. Como ontem aqui afirmei, o facto de se ter optado por manter o jogador nos nossos quadros, quando o podia ter vendido, indiciava que na SAD se acreditava na renovação. O afastamento do jogador, mais do que o próprio, pune no imediato o clube. Por uma série de razões:

- A radicalização da posição do empregador (SAD) com o empregado (Carrillo) cria o clima oposto para um entendimento.

- Suspender o jogador ontem foi confirmar aos quatro ventos a existência de problemas. Equivale a deitar sangue ao mar infestado de tubarões. Obviamente que os principais clubes e agentes já tinham sinalizado a situação, a confirmação serve de encorajamento a quem quer o jogador.

- Ao contrário do que possa parecer, o Sporting não tem um plantel onde o talento abunda e Carrillo foi, a par de Nani, o jogador mais importante da época passada. Nani já saiu e não tem substituto à altura, o mesmo acontecerá se Carrilo for suspenso. O Sporting fica a perder.

- Tendo em conta o que é dito no paragrafo anterior, o jogador deveria continuar a dar o seu contributo à equipa, pelo menos até Dezembro, altura em que o clube poderia substitui-lo. Num cenário em que o clube tenha a certeza de que o jogador já está comprometido com terceiros, mais de que uma decisão intempestiva de mero adepto de bancada, pede-se a defesa dos interesses do clube baseada na racionalidade. 
- Não faz sentido ter um jogador sob contrato, precisar dele pagar-lhe para não jogar. Tê-lo a jogar é também uma forma de o valorizar, caso ainda subsista a ténue hipótese de o transferir em Janeiro.

Quanto vale afinal Carrillo?
Para muitos, agora que se parece configurar a possibilidade de partida do jogador, Carrillo não vale nada, não justificando tanto dispêndio de tempo ou recursos. Outros preferem ir vaticinando um futuro entregue ao anonimato. Não me parece que os primeiros tenham razão e o futuro não se pode adivinhar. Carrillo tem ainda muita coisa para fazer para podermos considerá-lo um grande jogador, que, quanto a mim, pode vir a ser. Mas no presente o jogador é um dos mais importantes do plantel e a sua saída enfraquece a equipa e as nossas pretensões.

Tempo de rumores
Sem ter chegado ao extremo em que se encontra a renovação de Carrillo, este momento reporta-me ao tempo em que Adrien negociava a renovação de contrato. Iniciava-se a última época em que aquele vigoraria e não faltavam certezas, como não faltam agora, de que o jogador já se tinha comprometido com outro clube, na altura falava-se no FCP. Havia até quem se dispunha a testemunhar ter visto isto e aquilo. O mesmo sucede já com Carrillo. 

Da exigência à indigência
Falar no caso de Adrien obriga também a ver as diferenças de posicionamento de uma parte importante dos adeptos. Na altura a não renovação atempada do contrato de Adrien era entendido como uma manifestação de incompetência. Hoje, no caso de Carrillo, diaboliza-se o jogador, "um ingrato", o agente, ou ao detentor do passe, isenta-se de qualquer responsabilidade a SAD, como se nas últimas três épocas não tivesse havido tempo mais do que suficiente para prevenir a actual situação. 

Porque se deixou arrastar este processo? Pelo facto de passe do jogador pertencer a um fundo? Porque os seus representantes não se disporem a negociar? Por causa de comissões exigidas?  Em todo este processo, que a bem do clube se espera ainda que possa terminar bem, há muita coisa por explicar e que não se pode ficar pelo habitual desculpabilização com o inimigo externo. Se ao menos se aprender com os erros pelo menos já não se perde tudo.

Alguns comentários aproximam-se muito da indigência intelectual que, em última análise significam um convite ao descuido e à negligência. Esta postura é prejudicial para o clube e podem ajudar a explicar porque tantas vezes não se sente a direcção obrigada a resolver matérias mais complexas que a presente e que dependem apenas da sua acção: o relvado continua aquilo que se vê, o site é uma novela mexicana cujo final foi mais uma vez anunciado, e onde ainda há dias se punha a equipa de andebol na Turquia, quando esta se dirigia para a Suíça. Mais uma AG marcada em cima do joelho, com anúncio de mais uma alteração estatutária que a generalidade dos sócios desconhece para votar no imediato. A loja do clube embaraça quem lá acorre acompanhado.

Sejamos claros: não é fácil a quem dirige o Sporting concorrer no meio onde se insere, especialmente quando tem que contratar ou renovar com jogadores. Os meios são escassos, a situação económico-financeira do clube é do conhecimento de todos. Depois podemos estar perante um caso em que não há nada a fazer, se o jogador, de forma legitima, quiser dar curso à sua carreira noutro clube. Aí  a questão da competência não faz qualquer sentido.

Eventualmente poder-se-ia prevenir a chegada ao extremo a que agora estamos. Carrillo não beneficiou dos primeiros dois anos em que clube viveu em permanente instabilidade. E nos últimos dois foi ficando esquecido, enquanto se renovava com uns e se aumentavam outros. Enquanto Carrillo foi crescendo em importância para a equipa, o Sporting, esqueceu-se do presente, preferindo gastar o melhor dos seus recursos em jogadores "com futuro", como Gauld, Slavchev e agora com Paulista. O que está agora suceder com Carrillo é o resultado das opções anteriormente feitas.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Sporting entra na Liga Europa a ver passar as Lokomotivas

A estreia na Liga Europa fica marcada pela pior exibição da época. A falta de jogadores chave como William, João Mário e Carrillo não explicam tudo mas ajudaram a perceber que uma coisa é Mané e Gelson actuarem na sombra e outra é esperar que assumam por inteiro a responsabilidade de dar a volta em momentos desfavoráveis. E que, numa perspectiva mais abrangente, as análises demasiado optimistas relativamente à qualidade do plantel talvez não sejam assim tão justificadas.

Parece-me também que JJ não terá sido muito feliz ao mexer em demasia na equipa. A menos que tal se deva ao facto de, para lá do discurso de conveniência, na sua cabeça o Sporting não tenha locomotiva para puxar dois comboios: o das viagens nacionais e o das viagens internacionais. Julgo que é também uma boa oportunidade para repensar se este 4x4x2 é o mais adequado para enfrentar adversários mais cotados. O treinador do Lokomotiv sai por cima neste encontro, demonstrando que viu muito bem por onde podia entrar.

A possibilidade de classificação neste grupo sofre assim um poderoso abalo, ficando nós agora obrigados a recuperar os três pontos perdidos mas com os principais concorrentes em vantagem razoável.


Vox Pop #3: Carrillo deve jogar ou ser afastado?

A questão está acima da mesa, até pelo que se vai dizendo na comunicação social: Carrillo deve jogar enquanto não renovar ou deve ser afastado? Deixo a questão aos nossos leitores.

No meu entendimento, o afastamento imediato do jogador é extemporâneo e penaliza sobretudo o clube. Mesmo colocando a possibilidade de Carrillo não renovar o contrato, existe ainda a possibilidade do clube de limitar os danos e tentando-o vender no mercado de Janeiro. Até lá o jogador poderia continuar a dar o seu contributo à equipa retribuindo de alguma forma o esforço que o clube faz para lhe pagar todos os meses. Basta olhar para a figura que ilustra o post, que demonstra a influência que o jogador tem na equipa, para esta medida ser mais que justificada.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Carrillo: O Sporting na encruzillada

Muito se tem e continuará a falar de Carrillo nos próximos tempos. Isso acontecerá caso não renove o contrato e acabar por ser afastado da equipa, quer mesmo renove, uma vez que é de crer que venha a ser um dos jogadores mais importantes da equipa e mesmo do presente campeonato. 

Poderá Carrillo renovar o contrato? 

Pessoalmente continuo a acreditar que sim. Não apenas como desejo pessoal, mas por me parecer que essa possibilidade foi levada em linha de conta pela SAD quando, no recente fecho de mercado preferiu manter o jogador. 

Desvantagem numérica

Apesar de acreditar é claro para todos que o tempo mais favorável em que a renovação deveria ter ocorrido já passou há muito. O Sporting agora tem de lutar contra o tempo e em inferioridade numérica. É o Sporting contra todos. Contra a vantagem negocial do jogador e dos seus representantes. É o Sporting contra todos os outros clubes a quem o jogador pode interessar, e não serão assim tão poucos. É o Sporting com menos recursos que os seus rivais directos, que certamente já estarão em campo e cujo objectivo não se esgota na contratação do jogador, mas no interesse em dificultar ao máximo o sucesso da operação.

Que acções complicam a possibilidade de renovação?

- Manobras canhestras como a de Inácio no passado fim-de-semana num programa de televisão. Ao Sporting, como a qualquer bom negociador, importa o silêncio. O que Inácio foi fazer à televisão foi pressionar o jogador. Isso, como qualquer outra manobra que possa representar a radicalização de posições, é contrária aos interesses do Sporting. Depois, quem é Inácio para dar lições de moral, quando traiu o Sporting, especialmente João Rocha, num momento em que a confrontação com Pinto da Costa estava no seu auge? Porque não pode Carrillo, agora em final de contrato, imitá-lo?

- Negar-se a falar com a entidade ou individuo que o jogador elegeu para seu representante é muito "anos 80 do século passado". O futebol mudou muito desde então e os jogadores não só têm muito mais direitos como estão conscientes dele.

- O mesmo se pode dizer relativamente a quem detém a percentagem do seu passe. Aqui aplica-se o mesmo que acima se diz relativamente ao jogador. A melhor posição negocial há muito que passou debaixo de uma ponte qualquer.

- Ao contrário do que a imprensa tem difundido hoje, não acredito que o jogador se recuse a negociar com o presidente. Se assim for a renovação é obviamente impossível.

Que acções funcionarão a favor da renovação?

- A intervenção de JJ, como ontem foi noticiado, é uma excelente ideia. No clube o treinador é aquele que está mais próximo do jogador e o mais capaz de aliciar o jogador com algo que é muito caro a todos os futebolistas: a promessa de sucesso e do reconhecimento. Para que tal ocorra  é imprescindível o aprimoramento e a consolidação das suas qualidades.

- Revelar abertura nas negociações, sem posições dogmáticas (comissões, cláusulas de rescisão, etc, o tempo e o momento não favorecem as nossas pretensões. O Sporting tem agora a escolher entre a possibilidade de aproveitar alguma coisa e ficar sem nada.

A encruzilhada que o actual caso "renovação Carrillo" representa:

- Um clube que contrata o treinador mais caro da Liga nacional, que ainda recentemente disputou a aquisição de um jogador a quem falta ainda provar valor (Cervi) por valores próximos de cinco milhões, que contratou um jogador em condições semelhantes (Paulista) e que se ufana dos dezanove milhões de lucros no último exercício, não fica em grande vantagem para negar um bom contrato a um dos seus mais influentes jogadores. 

- O mesmo se aplica em futuras negociações com jogadores que já façam parte do plantel ou em futuras aquisições. A moeda de recuperação financeira tem este reverso incómodo: torna a missão de quem negoceia ainda mais difícil. 

- A importância de conseguir a manutenção de um jogador como Carrillo não se esgota nas questões de ordem técnica. Neste momento é já uma questão de tal importância que o seu desfecho ganhou contornos que remetem para o orgulho e amor-próprio dos adeptos.

- A continuidade de Carrillo significará também uma importante mensagem para o exterior. Assentindo a continuar, Carrillo está a dizer que acredita no sucesso da equipa e no clube como plataforma de valorização profissional. A SAD registaria assim uma importante vitória quer a nível interno como externo.

- Há uma outra frente menos óbvia, mas não menos importante: a relação da SAD com JJ. A ambição do treinador é conhecida de todos e não falta quem duvide da capacidade da SAD para a alimentar. Casos como os de Danilo, Douglas e agora Cervi (e quiçá outros que desconheçamos) não devem ter agradado ao treinador. Já todos percebemos que JJ está no Sporting de passagem. Se ele entender que está a perder tempo, essa passagem será inferior ao tempo que consta no contrato que rubricou com o Sporting.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Rio Ave - Sporting: paixão pelo sofrimento

No final do jogo de ontem este era um dos pensamentos que me ecoava na cabeça: quantos jogos em que jogamos muito melhor que este e acabamos por perder pontos? Tantos, não é? Pois o melhor a extrair do jogo de ontem foram mesmo os três pontos, sendo o pior a constatação da fraqueza da nossa exibição em muitos momentos do jogo, a que se adiciona mais um golo para a enciclopédia dos lances caricatos.

Voltando à exibição, parece confirmar-se que há um padrão nos jogos que vimos até agora, no período JJ: Uma equipa a praticar bom futebol, capaz de pressionar e por vezes quase anular o adversário. Depois, sai de mansinho e entra outra que parece não ser filha do mesmo pai. Ou, se quisermos usar as palavras de JJ, uma equipa sem cérebro e que se move por impulsos e não por convicção.

Pode-se dizer que no mesmo jogo se vê um Sporting candidato ao título e outro a fazer lembrar o que em muitos anos não foi mais do que isso, um mero candidato. Onde estão as razões para que exista uma diferença tão pronunciada? Tal pode ter explicação nas escolhas individuais, combinadas com o modelo de jogo escolhido por JJ. Como é bom lembrar, este contém riscos que o treinador assume como naturais numa equipa que tem que lutar para vencer a quase totalidade dos jogos.

Ao nível das escolhas individuais, parece cada vez mais claro que peças a quem JJ vem demonstrando confiança total e papel importante, não a têm justificado inteiramente:

- É o caso de Ruiz, visivelmente tolhido pela fadiga, que pode ser explicada pela sobressolicitação a que tem estado sujeito. 

- O caso de Teo, que sendo dotado tecnicamente e muito forte no 1x1, não parece ter poder de explosão, com a agravante de desaparecer muito rapidamente do jogo. 

- Aquilani vai confirmando a impressão que já tinha dele, muito boa visão de jogo, excelentes pés, mas pouca agressividade e disponibilidade física para ocupar aquela posição.

- Adrien, estando geralmente bem, apesar de algumas perdas de bola comprometeras aqui e ali, não é William.

Ao nível do modelo:

- Sobre-exposição dos laterais, com grandes auto-estradas à sua frente. Com jogadores pelo menos razoáveis no 1x1 e com tanto espaço ficam com tarefa muito complicada. E Jefferson e João Pereira não são exímios a defender. Pior, não são jogadores talhados para preocupações defensivas permanentes. 

- Como os alas fletem frequentemente para o meio, tem sido  fácil aos adversários impedir que os laterais se integrem no ataque, diminuído o número de jogadores a intervir no momento de criação do jogo ofensivo.

- Os riscos de desequilíbrios do 4x2x4 são notórios, sobretudo quando, dos quatro da frente, apenas Slimani parece ter total disponibilidade e entrega. Ontem foi notório que Carrillo não tinha o fôlego revelado em jogos anteriores, ressentindo-se a sua exibição individual e a colectiva desse facto.

- Falta a esta equipa crescer ainda dentro de um modelo de contenção. Raras são as equipas que conseguem estar permanente ao ataque, especialmente quando o nível dos adversários é de considerar. O Sporting precisa ainda de saber respirar, gerindo a posse de bola de forma confortável.

Voltando ao caso concreto do jogo de ontem, o Sporting foi primeiro feliz. Feliz no sentido também da eficácia, porque aproveitou praticamente todas as oportunidades que dispôs para marcar. Voltou a desaparecer até sofrer o golo. E acabou por ser perdulário quando dispôs de várias oportunidades para marcar e assim matar o jogo. Fica o sofrimento aparentemente desnecessário temperado com a alegria de continuar na frente da classificação.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O agente da Macron

Não caiu bem em Vila do Conde a nomeação do árbitro Hugo Miguel para o jogo Rio Ave - Sporting do próximo domingo. O pretexto é que o referido árbitro é agente da marca de equipamentos Macron que, como sabemos, equipa o Sporting.

A indignação justifica-se pelo potencial conflito de interesses, mas sobretudo por não proteger nenhum dos intervenientes no jogo, como deveria ser acautelado por quem nomeia os árbitros. Se o árbitro errar e dos seus erros resultar o prejuízo de um dos clubes fica exposto a todo o tipo de suspeições. Ou porque protegeu pretensos interesses pessoais e comerciais, caso o beneficiário seja o Sporting, ou errou a favor do Rio Ave para, por via da contestação à priori, não ser acusado de favorecimento. A suspeita estará sempre presente de qualquer lado das bancadas e é impossível que não atinja o árbitro, especialmente se o jogo começar por lhe correr mal.

Não ver isto é uma falha grave que funciona como uma declaração tácita de incompetência e impreparação para a função. Isto quando já de si muito é duvidoso que a actividade comercial do árbitro seja compatível com a qualidade de profissional da arbitragem que já possui. Casos como este compreender-se-iam melhor caso a presença do árbitro no jogo tivesse resultado de sorteio, mas continuaria ainda assim, pelos motivos expressos acima, por defender o interesse dos intervenientes e acima de tudo do futebol.

 
Sobre esta questão há outra que ressalta à vista quando se fala da Macron, a fornecedora de equipamentos. Há já algum tempo que se pode observar que a página oficial da marca não coloca o nome do clube na sua lista de destaque na abertura como se pode ver na imagem acima. Para ver o emblema do Sporting é necessário ir ao fundo da página procurar no "E-shop catalogue". É-me muito difícil de compreender que uma marca que se quer promover ignore o nome de um clube com o nosso historial, independentemente de dar ou não o destaque a outros que lá figuram. 

Um pormenor a ter em conta quando voltar a estar em cima da mesa a renegociação dos contratos. Até porque este é um daqueles casos em que o valor liquido da proposta pode ser apenas uma parte do total dos valores envolvidos em que uns são mais tangíveis que outros. O poder da projecção do nome do clube que a associação com uma grande marca proporciona é um deles. Não apenas pelo prestigio, mas também pela visibilidade. Isto sem falar do imenso leque de realizações a que se pode aceder, como por exemplo os torneios de inicio de época, em que cachet's e adversários competitivos e renomados estão presentes.

Nos valores intangíveis devem-se incluir também o poder das marcas junto dos organismos oficiais, das quais são muitas vezes patrocinadoras. Este tema é ainda mais candente quando sabemos o quanto nos custou termos-nos cruzado o ano passado com uma equipa cujo patrocinador era também patrocinador da UEFA.

Já agora, sabe quem é a marca que veste o CSKA? Pois, é Adidas que também é a patrocinadora da Champions League. Não estou aqui a postular que foi por isso que fomos postos borda fora. Estou só apenas concordar com o espanhol: "no creo em bruxas pero que las hay, hay" e, se preferível, é melhor que estejam do nosso lado.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Mau Cervi(ço) arranca Pinheiro pela raiz

Ao que parece o negócio Cervi já era. Essa é um noticia que já alguns dias corre na comunicação social, tendo sido originalmente difundida pelo jornal "O Jogo" e que hoje pode ser dada como consumada pelo teor da noticia do jornal "Record". 

Já volto à noticia do jornal Record de hoje. Para já fico-me pelo que não gostei no processo falhado de contratação. 

Como é evidente esta não será a última vez que o Sporting perde uma disputa negocial por um jogador, essa é parte que menos me preocupa. A este nível e a este preço o Sporting encontrará vários jogadores no mercado. O que me preocupa é a reincidência na mediatização dos passos da contratação, à semelhança de quase todas as que foram efectuadas esta época. A cada dia os jornais acordaram-nos com novos pormenores das negociações de Danilo, Ruiz, de Mitroglu o que se veio a repetir agora com Servi. 

Com uma marcação homem a homem por parte do SLB, ainda não refeito dos efeitos dos seus próprios erros, a falta de respeito por um principio fundamental em qualquer negócio (o segredo, já sem falar na celeridade) condena à partida as nossas pretensões. Ainda mais quando é bem perceptível que o rival, sentindo-se inseguro relativamente às suas próprias capacidades para vencer a principal "guerra" que é o campeonato, parece dispor-se a vencer toda e qualquer acção de guerrilha, mesmo que para isso tenha que inverter os seus pré-anunciados propósitos de reduzir os gastos.

Daí que não me surpreenda, nem a ninguém, que Guilherme Pinheiro acabe por cair por reincidir nas falhas. O que é surpreendente é o teor da noticia do Record, cujo conteúdo só pode ter vindo de fonte muito bem colocada na SAD, tais são os pormenores avançados e que abaixo podem ser escrutinados. A ser verdade o que aí é descrito o administrador fica muito mal na fotografia. Como esta é dada à estampa no jornal, a noticia adquire o tom de um linchamento.

No Record:

"O atraso - fatal - do Sporting na corrida a Franco Cervi tem dois rostos: Guilherme Pinheiro, administrador da SAD leonina, e um advogado argentino, escolhido pelo dirigente para o assessorar neste processo de contratação.

Segundo Record apurou, terá sido a complacência de um e ganância do outro que terão feito com que o Benfica conseguisse fechar o negócio num ápice, mesmo tendo chegado mais tarde junto dos dirigentes do Rosario Central.

Guilherme Pinheiro, responsável pela área financeira da SAD, desconhecia, por completo, que o valor oferecido pela compra do passe do jogador teria de contemplar - obrigatoriamente - todas as despesas inerentes ao negócio, incluindo a percentagem a que o jogador tem direito por lei (15 por cento, segundo a legislação argentina em vigor) e os encargos fiscais previstos (cerca de 20 por cento do valor total da transferência). Significa isto que, na prática, quando Guilherme Pinheiro ofereceu ao Rosário Central 3,8 milhões de euros, estava, no fundo, a propor cerca de 3 milhões, já que ao total da oferta teriam de ser subtraídos 800 mil euros para cobrir os direitos do jogador e do próprio estado argentino.

Guilherme Pinheiro teria a obrigação de conhecer esta realidade, mas fonte próxima do processo garante que o administrador da SAD leonina estava impreparado. Dentro do assunto estaria o advogado argentino, que terá sido recrutado pelo administrador leonino. Apercebendo-se do interesse do Benfica, o causídico terá contactado os encarnados, para depois, em seu nome, apresentar uma proposta superior à anteriormente endereçada pelo Sporting ao Rosario Central. A oferta do Benfica, essa, já contemplava todas (ou quase todas) as exigências daquele emblema.

Record sabe que a sucessão de erros cometidos por Guilherme Pinheiro deixa este administrador muito fragilizado no seio da SAD leonina.

Cultura de exigência

Bruno de Carvalho não escondeu a frustração por perder o jogador para o eterno rival Benfica, estando, neste momento, a ponderar o afastamento de Guilherme Pinheiro. O comportamento do administrador em causa não se coaduna com os graus de comprometimento e exigência estabelecidos por Bruno de Carvalho em todas as áreas do clube. Daí que Guilherme Pinheiro dificilmente volte a liderar qualquer processo negocial importante para os leões."

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Considerações breves sobre o relatório e contas 2014/15

O Sporting comunicou ontem os seus resultados à CMVM. Como o relatório faz questão de salientar, trata-se dos melhores resultados operacionais da história da sociedade, ao contabilizar-se um resultado liquido positivo (lucro) de 19.333 euros. Estes resultam sobretudo de:

- receitas resultantes de alienação de passes de jogadores (17.1 milhões)

- aumento significativo das receitas com bilhética, publicidade, patrocínios e direitos televisivos potenciados pela participação na Liga dos Campeões.

Merece também realce positivo a diminuição do passivo para 228.449 euros, embora com a ressalva . O mesmo para, depois de levadas a cabo várias medidas previstas na reestruturação financeira, a saída do vermelho dos capitais próprios, agora 7.043 milhões, quando o ano passado eram de -118.030 milhões. O facto de se tratar do segundo exercício positivo consecutivo, parece estarmos presente perante uma viragem de rumo. Embora continuemos a caminha sobre gelo muito fino, são indiscutivelmente boas noticias.

Gostaria de poder fazer uma análise mais aprofundada sobre este documento, uma vez que a sua importância assim o justifica. Sobretudo poder fazê-lo de forma comparativa para se perceber melhor o seu enquadramento, quer relativamente ao passado recente do clube, quer relativamente aos números dos nossos rivais. Mas, infelizmente, terei que me ficar por estas considerações superficiais e avulsas:

- Ao contrário do que possa ser entendido de forma primária, o aumento dos gastos não é uma má noticia em si. Era desejável que estes pudessem até ter aumentado ainda mais, o que significaria que o Sporting poderia aceder a melhores meios (jogadores, mas não só). Para tal precisaria obviamente de ter melhores receitas, para manter a solvabilidade da sociedade que gere o futebol. É meu entender que este é um ponto onde precisamos de nos aproximar dos nossos rivais.

- Parece-me ser de louvar o esforço efectuado na manutenção dos principais elementos do plantel. O que os relatórios e contas das SAD's de futebol demonstram de forma inequívoca é que o sucesso desportivo é imprescindível para os bons resultados operacionais e razão principal para o respectivo financiamento.

- Um dos valores determinantes para o resultado agora obtido foi a venda de Rojo ao Manchester United (20 milhões). A SAD preferiu não constituir uma provisão deste valor, tendo em conta a contingência de ter que devolver grande parte daquela verba à Doyen, ficando aquela verba como passivo contingente. Se tal me parece aceitável, já não me parece que se invoque um parecer de uma "entidade externa internacional" cujo nome não é revelado. Como bem sabemos, desde que paguemos o que nos é pedido, os pareceres deste tipo são de acordo com a vontade do cliente e o anonimato ajuda pouco à credibilidade.

- As receitas são seguramente o grande desafio que se coloca à SAD, mais ainda agora pelo facto de termos sido atirados borda fora da Liga dos Campeões. A atracção de publicidade, não apenas a das camisolas, a gestão corporate, o marketing continuam a precisar de ser trabalhadas de forma mais competente.

- Parece-me extemporâneo e ainda por cima que seja a própria SAD a pedir o aumento (duplicação?) da remuneração de três dos seus elementos, presidente incluído. Não discuto valores, discuto a oportunidade, tendo em conta a contingência das contas e o facto de o mandato dever ser avaliado na sua totalidade. Já não me repugnaria se SAD regulasse uma tabela de prémios indexada aos resultados económicos e desportivos que premiasse o mérito.

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