segunda-feira, 17 de junho de 2013

Por entre Bruma(s), para memória - a entrevista

«Sporting é o clube do meu coração»

Solução à vista. Cansado do braço-de-ferro entre Pini Zahavi e o Sporting, o jovem decidiu romper a parceria com o empresário israelita, abrindo desta forma a porta a um novo ciclo de negociações, a serem dirigidas por Catio Baldé, que o extremo, de 18 anos, espera que terminem num bom acordo de renovação que lhe permita prosseguir a carreira em Alvalade. E partir tranquilo para o Mundial Sub-20

RECORD – O presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, afirmou no sábado que nesta altura, mais do que dizer que gostaria de ficar, importa concluir o seu processo de renovação. É essa a sua vontade?

BRUMA – Sim. A minha vontade é ficar no Sporting. Agora estou na Seleção. O meu empresário, que é o Catio Baldé, vai encarregar-se disso. Quero ir para o Mundial com a cabeça tranquila, como sempre tive. Não quero ocupar a cabeça com essas questões. O Catio cuidará disso por mim. Estou muito feliz no Sporting e quero ficar.

R – Ou seja, chegou ao fim a parceria de Bruma com Pini Zahavi?

B – A relação com o Pini Zahavi foi um erro do Catio Baldé, que fez um acordo com a empresa deles. Mas o Catio já me prometeu que isso vai estar tudo resolvido quando eu voltar do Mundial [Sub-20]. Ele vai tratar disso com o Sporting. Eu vou ficar no Sporting com tranquilidade, mas tem de ser com uma boa proposta.

R – Ao romper com Pini Zahavi, prevalece a sua vontade de continuar no Sporting?

B – Sim. A mensagem que eu sempre passei para o Catio Baldé é a de que eu quero ficar no Sporting. É aqui que eu quero continuar. Quero crescer muito mais no Sporting, com muito apoio dos adeptos e o carinho que eu sei eles têm por mim e que eu também tenho por eles, pelos sócios e por toda a gente que gosta do clube.

R – Não teme que o facto de estar a terminar a parceria com Zahavi, um empresário poderoso, o posso prejudicar futuramente?

B – Não. Isso nunca me passou pela cabeça. Nós não fizemos nada com o Pini Zahavi. Essas questões já estão a ser tratadas pelo Catio Baldé. É ele quem está a gerir isso. Eu acredito que tudo estará resolvido antes mesmo de eu voltar do Mundial. Como disse, o meu empresário, de sempre, é o Catio Baldé. Nunca vou virar-lhe as costas. O Pini Zahavi apareceu agora, mas para mim isso não conta nada. Quem me ajuda no que devo fazer é o Catio Baldé. É ele a pessoa que eu mais ouço, como meu pai, meu amigo, tudo. É com ele que eu desabafo, é com ele que eu tento falar. Faço o que ele me aconselha. O resto é conversa.

R – Já disse que quer ficar com uma boa proposta. O que o está a impedir de chegar a acordo com o Sporting e assinar por mais 4 ou 5 épocas?

B – Sim… Como referi, isso será resolvido pelo Catio Baldé, que já voltou a Portugal. Ele vai falar com o Sporting no início desta semana. A mensagem que ele já me passou é a de que o Sporting neste momento está a pensar propor uma boa situação, numa base mais séria. O presidente do Sporting quer sentar-se com ele para resolver as coisas mais a sério. A partir de 2.ª feira eles irão falar. Depois, eu estarei no Mundial. Que aconteça o que tiver de acontecer, mas o meu desejo é ficar no Sporting. É aqui que eu quero estar. Quero dar muitas alegrias a este clube. É para este clube que eu estou disponível. É aqui que eu quero ganhar títulos.

R – Durante este processo chegou a falar pessoalmente com o presidente, Bruno de Carvalho?

B – Ele marcou uma reunião comigo, mas só que eu adormeci. Tinha o telemóvel no silêncio e adormeci.

R – Naturalmente, ele não gostou da atitude…

B – Não, claro. Depois tentei falar com ele. Enviei-lhe uma mensagem. Mas quero pedir-lhe desculpa por isso. Estava cansado, por causa da Seleção, e adormeci. Mas seguramente iremos falar quando eu voltar do Mundial.

R – Ele disse que só queria no Sporting jogadores com vontade de ficar e que reconheçam o que o clube lhes deu. Sente esse reconhecimento?

B – Sim. Estou no Sporting desde os 12 anos. Sempre tive um bom apoio do clube, em tudo. Até de pessoas que já saíram, como é o caso do senhor [José Manuel] Torcato ou o doutor [Pedro] Mil-Homens, e muitos outros que ainda estão na Academia e com quem continuo a falar. Tenho muito carinho por eles. Continuam a telefonar-me ou a enviar mensagens de força. Desde que eu estou no Sporting, nunca me senti contrariado. Sempre tive uma boa relação com o Sporting. Nunca me trataram mal. É o clube do meu coração. O Sporting é o clube que eu amo. Um dia, quem sabe, talvez possa ir para outro clube. Mas o Sporting nunca ficará prejudicado com isso. Se eu sair, será o Sporting a resolver a minha situação e a fazer tudo.

R – Continua a querer jogar no estrangeiro, em Inglaterra, por exemplo, mas esse é um sonho que pode esperar?

B – Sim. Tenho o meu sonho, como todas as pessoas. Quem sabe um dia possa chegar lá e jogar. Mas agora estou focado no meu clube. Quero trazer muita felicidade para os adeptos e sócios do Sporting. Um dia, quem sabe, posso ir para fora. Logo se vê.

R – No decurso de todo este folhetim, da renovação ou saída, que se prolonga há já várias semanas, sentiu-se magoado com alguém ou com alguma situação em particular?

B – Fiquei triste foi por terem dito que eu pedi determinadas coisas [relacionadas com salário e renovação], pessoas não sabem do que estão a falar. Não pedi nada do que disseram. O meu empresário, que para mim é tudo, sabe bem as mensagens que eu lhe passo. As coisas que aparecem nos jornais, a dizer que eu pedi isto e aquilo, isso não são verdade. Nunca me passou pela cabeça. Li nas notícias. Quero dizer aos adeptos do Sporting que eles podem contar comigo até ao dia que eles quiserem. Estou aqui para apoiar este clube, para dar muitas alegrias. Estou de corpo e alma no Sporting, como sempre estive e vou continuar a estar, se Deus quiser.

«Gostava que Ilori ficasse comigo para jogarmos juntos»

R – O Tiago Ilori está numa situação semelhante à sua, uma vez que afirmou-se na equipa principal na mesma altura e também é representado por Pini Zahavi. Que conselho lhe daria com vista ao futuro?

B – O Tiago Ilori é meu grande amigo. Damo-nos bem. Estamos sempre a rir. Somos irmãos. Estamos sempre a falar. O Tiago Ilori é um bom jogador. Acho que tudo o que ele está a pensar fazer, se é bom para ele, vou desejar-lhe a maior sorte do mundo. Eu gostava que ele ficasse comigo para jogarmos juntos. Gosto dele. É um bom central. Se ele quiser conseguirá ser o melhor defesa português. A decisão é dele. Ele fará o que quiser. Eu estarei com ele para o apoiar, para desejar-lhe boa sorte e tudo de bom para ele.

R – Que objectivo traça para a participação no Mundial Sub-20?

B – Estamos focados neste Mundial. Temos uma boa equipa, mas só isso não chega. Temos de ser uma equipa forte. Temos de ajudarmo-nos uns aos outros para, se Deus quiser, conseguirmos trazer o título para cá, para todos os meus amigos, para aqueles que me ajudaram a crescer como jogador. O meu objetivo é esse. Vamos estar lá todos unidos e com um grupo forte. Mas temos de trabalhar. Isto não pode ser só da boca para fora. Temos de demonstrar isso dentro de campo.

R – Acredita que o Sporting vai ter uma equipa forte na próxima época, capaz de lutar pelo título ou pelo regresso à Liga dos Campeões?

B – Sim. Eu acredito muito no Sporting. Temos bons jogadores. Para o ano vamos lutar pelo título, pelo regresso à Champions. São esses os objetivos do Sporting e é por eles que vamos lutar. Mas na próxima época ainda temos de provar muitas coisas.

R – O que conhece sobre o novo treinador, Leonardo Jardim?

B – Já o cumprimentei, já falámos. Ainda não treinei com ele mas sei que é um bom treinador para o Sporting. Foi nele que o Sporting apostou e irá com certeza ajudar o Sporting.

«Jesualdo foi um pai e nunca irei esquecê-lo»

RECORD – Começou a época na equipa B e depois deu o salto para a equipa principal com o professor Jesualdo Ferreira. Que balanço faz da temporada?

BRUMA – Comecei na equipa B, onde estava feliz. O míster [José] Dominguez ajudou-me, assim como os restantes treinadores da formação, da Academia. Ajudaram-me muito numa fase de crescimento. O míster Dominguez sempre passou a mensagem de nunca baixar a cabeça. Dizia-me que eu vou ser um grande jogador mas que, para isso, tenho de trabalhar muito, ter muita humildade, continuar alegre e a jogar. Que, dessa forma, haveria de chegar a oportunidade de realizar o meu sonho. E isso aconteceu quando o professor Jesualdo Ferreira me chamou. Quando ele me pôs no onze pela primeira vez eu não estava a contar com aquilo. Foi uma coisa que aconteceu, tenho de… nunca vou esquecer-me daquele momento. Se estou onde estou hoje em dia foi graças a Deus e ao Jesualdo Ferreira. Não tenho palavras para lhe agradecer. Tenho muito carinho por ele. Foi como um pai e nunca deixará de ser assim. Nunca irei esquecê-lo.

R – Reconhece-lhe grande importância na projeção da sua carreira…

B – Jesualdo Ferreira foi muito importante no percurso que eu estou a fazer no futebol. Espero bem que um dia possamos sentar-nos juntos a tomar café para nos lembrarmos destas coisas e dos nossos treinos.

R – Esperava conseguir afirmar-se em tão poucos jogos, como veio a suceder, depois de ter passado a maior parte da temporada na equipa B?

B – Sempre foi um dos objectivos que tinha na minha cabeça, que tinha de chegar o mais cedo possível à equipa principal, que tinha de seguir o caminho do [Cristiano] Ronaldo. Se ele chegou lá com 17 ou 18 anos eu tinha de fazer igual, tinha de seguir o bom exemplo dele. Foi isso que aconteceu. Jesualdo Ferreira apostou em mim. Estou muito feliz. Ele é um pai para mim. Nunca vou esquecê-lo.

sábado, 15 de junho de 2013

Rui Patricio e outros desgostos em perspectiva

Tudo indica que Patrício vai voar para outras paragens
Rui Patrício parece já estar com mais do que um pé fora de Alvalade. A sua carreira em Alvalade é quase digna de uma novela: de odiado a incontestado, de assobiado a ter direito a cântico personalizado e palmas, haveria muito para dizer. Que pelo menos tenha ficado algo para usar no futuro a favor de todos aqueles que têm trajecto semelhante pela frente.

É natural que Patrício queira um novo desafio para a sua carreira, juntamente com a possibilidade de um vencimento melhorado. E mais títulos dos que já alcançou. A sedução por ver o seu valor reconhecido em ligas de maior prestigio é também um apelo difícil de resistir. Reconhecida a legitimidade dos seus anseios, não deixará de ser estranho e de difícil habituação ver a camisola 1 com outro dono. Parece que foi ontem mas passaram muitos dias e muitos jogos desde o dia 24 de Novembro de 2007 e o nome e camisola tornaram-se indissociáveis.

Há ainda outra razão que me provocará algum incómodo: a possibilidade de ver Patrício numa liga menor ou num clube de poucas ambições. Será porém difícil ser surpreendido pelo valor a que venha estar associada a transferência, ao contrário, julgo, de muitos dos meus pares. Como qualquer um deles, gostaria de ver Patrício sair por um valor superior a 15 milhões de euros, juntando-se assim às melhores transferências de jogadores que fazem o mesmo lugar. Mas não me surpreenderia muito que esta venha a ocorrer por um valor entre os 7 e os 10 milhões. 

Do preço final estará dependente o clube que o venha a adquirir. O Mónaco parece estar "um mãos largas" falta saber se Jorge Mendes, que também tem interesse na transferência, os convenceria a ser tão generosos como foram com Moutinho e James. Estará também dependente da capacidade negocial do Sporting, embora essa esteja ferida pela tão propalada necessidade de vender. É que o mercado está inundado de soluções por preços mais em conta. A recente transferência de Stekelemburg para o Fulham  foi  um achado por 5,5 milhões e só possível porque a passagem por Roma não foi muito feliz.

Outros desgostos em perspectiva

Pizzi tem sido desde há dias para cá associado ao Sporting. Uma boa aquisição mas que encontra um problema para fazer mais sentido: o custo do seu salário face aos cortes que se anunciam. E haver ainda vários jogadores para a posição e quando se fala no regresso de Salomão. Ou Pizzi tem aparecido só para ser dado daqui a uns dias como perdido para outro clube?

André Santos, Salomão e Wilson Eduardo parecem estar a fazer o caminho de regresso a Alvalade. A confirmar-se nenhum deles é visto por mim como um reforço. Não têm mais qualidade que os jogadores que cá estão: André Santos tem concorrência até nos que fizeram o meio-campo da B, Salomão não faz sentar Bruma, Capel, Jeffren e Eduardo é mais limitado que Viola ou até Rúbio. Dificilmente teriam estatuto de titulares numa equipa como o Braga, por exemplo e isso já diz muito. Mas poderiam dar nas vistas em clubes menos ambiciosos e provocar uma ilusão de óptica muito comum e que alguns desgostos tem provocado quando se vai "lá baixo" buscar jogadores.

Apesar de parece contraditório, constatar esta perda de valor no plantel não equivale a deliberar em definitivo que a próxima época está condenada a ser igual ou até pior à anterior. O ano passado foi uma excepção pela sucessão de erros cometidos. O Sporting pode constituir uma equipa competitiva mesmo reduzindo de forma drástica o seu plantel. Esse é um post anteriormente prometido e que só não está ainda concretizado porque as premissas para a sua elaboração foram alteradas. Não contava com a dispensa de alguns jogadores que consideraria um núcleo duro e o número de jogadores anunciados - 20 - também mexeu com o raciocínio a fazer.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

A que distância estamos dos segredos do sucesso deles?


Um organigrama claro e racional

Uma direcção do futebol.

A figura de um "Team Manager" em cada escalão (e em todas as modalidades) que trata de tudo de forma que os jogadores se preocupam unicamente em fazer aquilo para que foram contratados: jogar futebol.

Uma rede de cerca de 200 olheiros espalhados por todo o mundo. A gestão dessa informação é feita por elementos com a função especifica de ter 2 equipas sombra em permanência. 1 equipa com jogadores emergentes e outra com jogadores capazes de suprir uma saída de um titular por uma venda irrecusável.

Quatro categorias salariais em função do rendimento e importância na equipa.

Preparação do clube em ciclos de 15 anos, jogadores com ciclos de 3 anos.


Estes são apenas alguns dos aspectos organizativos do FCP mencionados num artigo do jornal espanhol "A Marca e que explicam uma parte do sucesso do clube da Invicta. Quem conhece o meu historial aqui no blogue sabe que não fecho os olhos a qualquer um dos métodos a que Pinto da Costa deitou a mão para tornar o seu clube hegemónico no futebol português. Por isso não nego também o que é a sua principal virtude que é saber escolher as pessoas certas, enganando-se poucas vezes. Não fecho os olhos aos defeitos e às virtudes. E por isso não deixo de me interrogar:

A que distância estamos dos segredos do sucesso deles?

Um exercício que não devemos deixar de fazer se queremos que essa distância encurte.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Se o Jorge Mendes é melhor então que faça isto

Não sei onde foram buscar a ideia peregrina de que o Jorge Mendes possa vir a ser um parceiro mais confiável, ou até menos oneroso, para os cofres do Sporting. Se aquela impressão estiver correcta então o empresário que venda o Miguel Lopes com o Bojinov ou Gélson ao Bétis (por exemplo) em que o preço do primeiro seja 35% do valor total, para que nós possamos retribuir a graça a Pinto da Costa. Não foi ele afinal que esteve por trás da venda de Moutinho no pacote do James? Esta seria a forma como me parece que o Sporting deveria responder sempre, ao invés de queixumes e lamentos.

Mas isso não vai acontecer. Pelas relações privilegiadas que o empresário tem com o FCP. Mas ainda que não as tivesse não me parece que alguém naquela actividade estivesse na disposição de comprar uma guerra com um clube com o volume de negócios que aquele tem para privilegiar o Sporting.  Os empresários são do clube que lhes dá mais.

Não se trata de aprovar as regras tácitas em uso nas transferências dos jogadores que, a menos que sejamos empresários, qualquer individuo com uma réstia de bom-senso condena. Ou de defender que o clube não deve ter uma posição clara e intransigente nas negociações dos contratos, lutando pelos seus interesses e direitos. A minha dúvida  está na estratégia. 

Deve o Sporting fazer o papel de D. Quixote precisamente agora, quando tem necessidade de ter o maior número de canais abertos para escoar o elevado número de jogadores que tem sob contrato e quer dispensar?

Deve o Sporting abrir uma guerra com os empresários, em particular com alguém que agencia o elevado número de jogadores (27)?  (entre os quais 14 já com contrato profissional André Martins, Bruma, Ilori, Carrillo, Viola, Cédric, Wilson Eduardo, Nuno Reis, Mica Pinto, Gael Etock, João Gonçalves, Luka Stojanovic, Carlos Mané e Luís Cortez)

Quantos destes jogadores estarão na disposição de mudar de empresário só porque o clube não gosta do seu empresário?

Que custos terão no futuro uma vitória na batalha actual na renovação de Ilori ou Bruma, - negociando com outro empresário - no contexto de uma guerra onde temos poucos argumentos? 

Isto não falando num aspecto essencial: como pode o Sporting dizer aos jogadores que não respeita a escolha que fazem dos seus representantes, mas quer que estes escolham o Sporting para continuarem as suas carreiras?

quarta-feira, 12 de junho de 2013

À atenção de Bruno de Carvalho, o notável exemplo do sócio 31.118

O mundo muda pela acção e exemplo de homens bons, poucos. A maioria é inercia ou contrapeso

Nelson Rolihlahla Mandela tem hoje 94 anos e luta com dificuldade para completar mais um ano de vida, o que ocorrerá a 18 de Julho próximo. Compreendo porque uma nação inteira reze hoje para que os seus dias se prolonguem. Eu, que não rezo, peço que tenha finalmente o merecido descanso. Se o fizesse, rezaria para que o seu exemplo frutificasse o que, sabemo-lo bem, será muito difícil. Pelo menos ao nível daqueles que o sucederem nessa notável nação que é a África do Sul. Notável na sua riqueza e nos seus contrastes.

Desses 94 anos uns foram passados na clandestinidade, 27 totalmente privado de liberdade. Alguns dos quais na ilha Robben, numa cela cujas paredes podiam ser alcançadas pelos dois braços abertos. Nesse período perdeu o seu filho mais velho, amigos e viu o seu casamento começar a desmoronar-se. Quando lhe foi finalmente devolvida a liberdade Mandela assumiu a vontade expressa de não se deixar consumir pelo ódio pelos seus carcereiros, o que, segundo ele, seria o equivalente a permanecer preso. 

Seria aquele o mote para a reconciliação de uma nação, quando muitos esperariam que Mandela saísse da prisão para ajustar contas antigas. A Comissão de Verdade e Reconciliação perpetuou a memória, procurou reparar os erros sem fins persecutórios ou punitivos. Mais do que o passado que já não podia ser alterado, contra a desconfiança de correlegionários e adversários políticos, Mandela alterou um destino terrível quase certo, pela possibilidade de um futuro. De construção difícil e demorada, mas ainda assim possível. A opção por um caminho melhor permanece em aberto e isso é muito mais e muito melhor do que existia anteriormente.

"Ninguém nasce a odiar outra pessoa devido à cor da sua pele, ao seu passado ou religião. As pessoas aprendem a odiar, e, se o podem fazer, também podem ser ensinadas a amar, porque o amor é mais natural no coração humano do que o seu oposto."

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Nelson Mandela é sócio de mérito do Sporting Clube de Portugal desde 28 de Julho de 1997. Uma ideia feliz, levada a cabo pelo então presidente José Roquette. Tê-lo como um de nós é um acrescido motivo de orgulho. 

Este post não cai agora para, de forma oportunista, capturar o foco que incide sobre a situação difícil em que vive Mandela. Ele estava já alinhavado desde o final do período eleitoral e independentemente de quem ganhasse as eleições. De então para cá a pertinência e o sentido não se esgotou, antes recrudesceu. O titulo é por isso personalizado no actual presidente do Sporting.

Bruno de Carvalho herdou um clube profundamente dividido. O número de Sportinguistas que não se pronunciaram e estavam em condições de o fazer foi tão grande como os que foram às urnas. Essa opção pelo silêncio de um número tão elevado, a que se junta o número baixo de sócios com as quotas em dia, não pode passar despercebido, merece reflexão.

Neste momento o presidente beneficia de uma base de apoio que se manteve estável de há dois anos para cá, a que viu acrescer o número suficiente para ganhar as eleições com algum conforto. Além desse apoio expresso beneficiará de outro mais tácito, o chamado beneficio da dúvida, a que se somarão também as desconfianças e rejeições também evidentes. Numa contabilização mais ou menos intuitiva, entre apoios e dúvidas e antagonismos, creio que a maioria dos Sportinguistas estão com o seu presidente, mesmo que muitos aguardem por sinais mais claros para perceber melhor o caminho que escolherá.

Pode sentir-se tentado ao conforto de gerir o clube a favor de um núcleo duro que o apoiará sempre "porque sim" a que chamaria os "bruninguistas". Aprenderam pouco com o passado, têm exactamente os mesmos tiques dos que, durante muito tempo, foram incapazes de dizer uma palavra sobre os erros cometidos por direcções anteriores. Alguns terão que ser os mesmos, pois os 90% de votos da eleição de Bettencourt e o seu discurso "anti-terrorista" não podem ter sido extraídos de Marte. A favor leia-se usando a mesma retórica binária dos verdadeiros contra os falsos sportinguistas. Foi sobretudo a pensar neles que terá saído o célebre "O Sporting é nosso outra vez" na noite das eleições. Foram muitos os que o secundaram no grito, mas muito poucos, se tido em conta o universo Sporting.

Pode sentir-se tentando a governar contra os que o hostilizam de forma deliberada, os "não, porque sim", que também os haverá. Seria ceder a uma tentação primária, redutora para a sua magistratura, o que o tornaria tão igual a esses e a uma clique, também reduzida, mas muito participativa nas redes sociais, que procura "sangue e justiça".

Há outro caminho. O de olhar para o Sporting e cuidar de potenciar o seu maior património, os Sportinguistas. Considerar cada um como o último reduto, o bem inalienável, porque sem Sportinguistas não há Sporting. Ser inclusivo, abrangente, transparente e verdadeiro mas sem se deter na procura  de consensos paralisantes, porque há muito caminho para ser feito. Algum dele doloroso, mas necessário. Como é necessário esventrar a terra para novas sementeiras ou podar a vinha para esta rebentar outra vez e proporcionar colheitas memoráveis.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Formar (de)Baldé

Não sou dos que acho que Amido Baldé pudesse ter desempenhado um papel importante na terrível época que acabou há dias. Ou que estivesse apto a fazê-lo na próxima época, sinceramente não me parece que estivesse pronto. Do que não tenho dúvidas é que é lamentável que o Sporting, depois de todo o esforço e dinheiro despendidos, seja o que menos proveitos retira da sua venda ao Celtic. Os números ainda não são definitivos, mas não devem chegar aos 200 mil euros. Muito pouco. O prémio acaba por ser entregue a quem acreditou no jogador, o seu empresário Cátio Baldé (53% do passe) e o Vitória (37% do passe), que ainda se recusou, em Janeiro passado, a deixar o Sporting reaver o jogador .

Não me lembrei de Baldé agora que se soube da transferência. Escrevi a  este propósito em 22 de Janeiro de 2011 este post premonitório: o futuro atirado ao destino.  Desde os primeiros momentos em que Baldé chegou a sénior a sua carreira foi gerida aos empurrões: foi empurrado para o Sta. Clara, onde encontrou o treinador Bruno Moura, filho de Rodolfo Moura. Sem grandes hipóteses de jogar foi novamente empurrado para o Badajoz, terra mais conhecida pelos caramelos do que por ter um clube que sobe e desce as escadas da II e III divisão espanholas. Daí foi empurrado para o Cercle Bruges e, quando se esperava a sua integração na equipa B, - como o próprio referiu, as suas características eram diferentes dos demais avançados - foi subitamente cedido ao Vitória de Guimarães. Ficar com 10% do passe foi um mero eufemismo para uma oferta. Acabamos nós por ser empurrados para fora dos que mais lucraram com a sua transferência.


segunda-feira, 10 de junho de 2013

12 milhões em comissões? Pena que não sejam 24!

O jornal "Abola" dá hoje destaque a 12 milhões de euros em comissões pagos a empresários no decurso de 2 anos de mandato da direcção anterior. Assim dito parece uma enormidade. Para se perceber o seu valor relativo olhe-se para o último relatório e contas de um dos clubes da concorrência, o FCP, relativos a 2012/13. Só pela intermediação de, e passo a citar o documento referido,

"(a) a encargos com serviços de intermediação no montante de 6.410.207 Euros relativos, entre outros: à aquisição do passe de Danilo (2.350.000 Euros), Lucho Gonzalez (640.000 Euros) e Alex Sandro (400.000 Euros), à renegociação do contrato de trabalho de Hulk (588.235 Euros) e à alienação do passe de Guarín (1.100.000 Euros);"

Só na renegociação do passe de Falcão o FCP pagou a 3 entidades diferentes 5.194.750 €.

Natland Financieringsmaatschappij B.V.  1.908.625
Orel B.V.                                                1.908.625
Gestifute                                                  1.377.500

O valor total da operação de renegociação do contrato de Falcão "significaram encargos com assinatura de contrato e serviços de intermediação nos montantes de 6.585.150 Euros relativos ao jogador Radamel Falcao". De fora destes valores estão encargos de intermediação com o prémio de assinatura de renovações de contratos e demais contratos de trabalho desportivo pago a jogadores.

Uma ressalva. Nos 12 milhões da noticia do jornal em causa só há uma questão que motivaria condenação: que alguém eleito ou funcionário do clube se locupletasse com verbas que eram do clube ou que beneficiasse com os negócios. 

O que estes números me dizem é que infelizmente, o Sporting não se consegue colar aos que fazem melhores negócios e por isso também lhe será difícil colar aos melhores resultados. Porque, excepções muito pontuais à parte, as grandes equipa fazem-se com os melhores jogadores. E esses custam mais dinheiro em ordenados e comissões. 

domingo, 9 de junho de 2013

Rescisões, dispensas e contratações: pornografia quase infantil

A forma diária como vêm sendo colocadas diversas noticias sobre o processo de reestruturação financeira e as suas consequências no universo Sporting são um dos principais factores, senão mesmo o maior, de enfraquecimento da posição negocial do clube junto daqueles que têm que ser os seus interlocutores. O mote está dado e agora será muito difícil de contrariar uma percepção colectiva.

Processo de rescisões do quadro de pessoal 
Este processo pode ser acompanhado na comunicação social como se de um relado de futebol se tratasse, tais e tantos são os pormenores que vêm sendo tornados públicos. Ainda há poucos dias dizia num post anterior que o FCP há mais de um ano que faz um drástica redução de pessoal sem que se saiba uma vírgula  desses processos. Culpa dos jornais? É a saída mais fácil. 

Dispensas de jogadores
Um exemplo semelhante podemos observar no processo de negociações com os jogadores a dispensar. As noticias colocadas - é essa a minha interpretação - sobre a dispensa de Labyad, pela forma e conteúdo, são um exemplo do que não deve ser feito num processo desta natureza. A entrevista do jogador a um jornal holandês é um suplemento vitamínico na desvalorização da posição negocial do clube numa futura venda já este ano. Nada melhor para despertar o interesse do mercado por negócios de ocasião que a confissão expressa de fraqueza e necessidade. 

Ontem mais dois exemplos, sempre com um denominador comum: o jornal "ABola", nos últimos tempos o veículo oficioso das noticias sobre o clube. Primeiro as negociações entre o representante de Schaars e Inácio. Se foram bi-partidas é fácil saber de onde partiram os pormenores. Se o Sporting sabe não ter sido a fonte sabe que foi a outra parte. Saber da vontade ou disposição de dispensar o jogador é prejudicial a quem?

O segundo exemplo é o da impunidade e até falta de respeito pelos leitores. Repare-se nisto

"Boulahrouz vale 4 milhões de euros, o mesmo que Onyewu; já Pranjic tem o seu valor fixado nos 5 milhões de euros; Jeffrén e Bojinov, por seu turno, podem custar 6 milhões, enquanto Labyad poderá sair por 7 milhões de euros."

Qualquer individuo no seu perfeito juízo, mesmo não sendo empresário de futebol, sabe que dos citados o Sporting conseguirá, nas actuais circunstâncias, algum valor pelo Labyad, dificilmente com Jeffren e nada pelos restantes. Nada ou valores meramente simbólicos. Tudo o mais são delírios. Delírios e problemas difíceis de resolver por se tratarem de jogadores com salários elevados, de valor duvidoso e em declínio, factores que o autor da peça preferiu ignorar de forma obscena. 

Contratações
Hoje fala-se em Pizzi, antes foi em Assaidi. Sempre ignorando o mais importante: se o Sporting está a tentar-se ver livre de jogadores que cobram acima de 1 milhão/ano como é que lhes ia pagar a estes? E como entenderiam esses valores os jogadores, como Bruma e Ilori, que negoceiam as renovações dos seus vínculos?

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Um homem para quem "Extraordinário" é um diminutivo

No hóquei há um momento antes e outro depois de António Livramento. Tudo o que podemos assistir durante esse período dificilmente poderá voltar a ser repetido, talvez não fosse bem hóquei em patins, talvez fosse magia. 

Ninguém terá sido mais feliz a definir a categoria de António Livramento do que Moniz Pereira. Aquando da morte do grande hóquista a France Press anunciou "Morreu o Pelé do Hóquei em Patins". Ao que Moniz Pereira retorquiu "Não seria antes Pelé o Livramento do Futebol?".

Livramento fez parte da grande equipa do Sporting que trouxe para Portugal a primeira Taça dos Campeões Europeus da modalidade, tendo como colegas Ramalhete, Rendeiro, Chana, Sobrinho, a melhor equipa que alguma vez tive a oportunidade de ver jogar.

Como treinador haveria de completar o museu do Sporting com mais dois títulos internacionais  a Taça das Taças e a Taça CERS, entre muitos outros títulos já alcançados como jogador e treinador. 

Talvez o declínio da importância da modalidade tenha deixado cair algum pó sobre a sua memória, mas é sempre bom lembrar o estatuto ímpar alcançado por Livramento, tornando-se numa figura que concitou em seu redor um amplo reconhecimento de todos os quadrantes da sociedade portuguesa, sempre tão dividida na hora de reconhecer os méritos. António Livramento foi um muito mais que apenas extraordinário e só não compreenderá a hipérbole quem não teve a sorte de o ver jogar. 

Lembrá-lo hoje, quando se completam 14 anos do seu inesperado desaparecimento, é também uma singela homenagem ao Eng.º Gilberto Borges, cujo esforço é um exemplo que merece ser permanente citado. Faço-o hoje especialmente, quando está marcado para este fim-de-semana um jogo decisivo para a manutenção da especialmente sua e nossa equipa no primeiro escalão da modalidade. Seja qual for o resultado o seu exemplo e esforço honra a nossa camisola. Obrigado!

Está encontrado o primeiro investidor da SAD

Está encontrado o primeiro investidor. O primeiro e único até agora conhecido, Pedro Baltazar que, segundo noticia hoje "ABola", terá já avançado com uma acção de penhora para receber os 5,5 milhões que acha no direito de cobrar pela sua anterior participação no capital da SAD.

Será difícil contestar o direito de Pedro Baltazar a receber o que o Sporting livremente contratou com ele. Pode-se discutir o negócio bem como o timing agora escolhido para fazer valer os seus direitos. Não se pode esquecer a sua qualidade de sócio e ex-candidato a presidente do clube. Mas no fim do dia é apenas o negócio, é apenas o dinheiro que está em causa. 

Quem acha que os investidores são o próximo milagre tem aqui um bom motivo para discutir ou pelo menos reflectir sobre as possibilidades e virtudes da abertura do capital de uma SAD com as especificidades da nossa.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Corte de relações: a estratégia de Pinto da Costa e os critérios do Sporting

Ontem, ao  final do dia, um amigo portista (geralmente bem informado) dizia-me:

- Vocês caíram no jogo dele (Pinto da Costa). Vão jogar o jogo que ele quis, como ele quis, onde ele quis. O corte de relações tira-lhe a obrigação de negociar qualquer um dos vossos atletas, de ter que dar alguma coisa em troca por um alguém que lhe interesse. E se eles são muitos nas modalidades (atletismo, andebol, sobretudo) é no futebol que ele tem os olhos postos. Cuidado com as rescisões...

A minha resposta (entre muitas outras coisas que vieram à conversa) foi muito clara:

Não há nenhum jogador que valha mais do que o orgulho e a dignidade

O meu apoio à decisão é por isso total. Noto, no entanto, que o critério agora observado, não foi o mesmo que foi seguido ainda há pouco tempo relativamente ao eterno rival, SLB. Foi entendido pelo presidente Bruno de Carvalho de que havia com o clube da Luz «relações institucionais normais», atribuindo os atritos recentes com o rival lisboeta a «questões pessoais», de «pessoas que já não estão» em Alvalade.  

Não é esse o meu entendimento. 

Lembro que as más relações com o SLB começaram com a recepção imprópria para gado feita aos adeptos do Sporting, aquando da deslocação à Luz. Que se saiba esses adeptos "ainda estão em Alvalade". E acabaram com Luís Filipe Vieira a insultar, em pleno Estádio José Alvalade, nossa casa portanto, o então presidente do Sporting. Chame-se ele como se chame, seja ele quem for, é sempre o presidente do Sporting e representa a instituição pelo que os insultos a ele dirigidos a desrespeitam.

A história ensina-nos que daqueles lados, com LFV, nem bons ventos nem bons casamentos, pelo que a decisão de normalizar as relações com o SLB me pareceu resultar de uma avaliação ligeira e superficial. 

P.S.- Lembro-me de LFV em Janeiro ter desmentido o interesse em Emiliano Ínsua...





quarta-feira, 5 de junho de 2013

Corte de relações com o Porto, o que muda?

O Sporting comunicou no seu site o corte de relações com o FCP. Uma medida que só peca por tardia, talvez venha com umas décadas de atraso.

No essencial o que muda? 

Talvez pouco, quase nada que faça maiores títulos nos jornais que a noticia em si. Mas faz muito pelo orgulho de quem gosta de andar de cabeça levantada e não gosta de sentir incomodado com silêncios comprometedores ou alianças espúrias. Este Sportinguista agradece.

terça-feira, 4 de junho de 2013

A surpresa nos insultos de Caldeira

Uma surpresa apenas nos insultos de Adelino Caldeira a Bruno de Carvalho: a magreza do vice presidente do FCP. Uma dieta de fruta e café com leite? Do resto a falta de educação, de respeito pelos adversários e pela instituição Sporting são uma imagem de marca desta geração de dirigentes daquele clube. 

Talvez por isso nos 30 anos de sucesso acumulado quase não se fizeram sentir na implantação do clube no País. Como se pôde ver no pavilhão de Tavira, e apesar de estar em campo uma equipa penta-campeã da modalidade, os portistas estavam em minoria. E convém lembrar que o clube celebrou este ano a conquista do tri a par com uma bi-descida da média de assistências.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Aquisições e dispensas: entre dietas loucas e dietas saudáveis

A SAD do Sporting tem uma dura tarefa pela frente ao ter que enfrentar uma redução de cerca de 50% do seu orçamento. Um emagrecimento imprescindível para permanecer saudável. Para tal tem de cortar na massa salarial que "come" mensalmente mais do que há para comer. O critério a adoptar será decisivo para a sua competitividade. 

Se o critério dos cortes for meramente economicista - corta pelos salários mais altos tout court - o Sporting perderá dinheiro e qualidade técnica. É o caminho mais fácil, não é necessário uma visão estratégica ou conhecimento técnico. Para decisões deste  tipo qualquer um serve, desde que tenha conhecimentos básicos para lidar com uma folha de Excel.

Se o plano de cortes tiver algum sentido estratégico, quem tem que tomar decisões terá que alargar o leque dos parâmetros a avaliar, que necessariamente têm que passar por uma análise pontual, jogador por jogador, em função do seu valor de mercado, do seu potencial, margem de progressão, mais-valias expectáveis, etc, etc. Decisões deste tipo requerem muito mais do que o conhecimento das mais básicas operações aritméticas, envolvendo maior risco. A forma de os minimizar será alargar a participação nessa avaliação aos diversos departamentos, em particular os que envolvem conhecimentos técnicos especializados. Fazer esta avaliação depois de uma época como a que findou é ainda mais difícil, excepção feita a Patrício, ninguém jogou a um nível permanente aceitável.

O exemplo pode ser o caso de Labyad. A sua contratação provocou grande júbilo entre Sportinguistas, que foi ainda maior quando se soube que ganhámos a corrida ao rival de sempre, o SLB. Do que ninguém se lembrou é que todas as vitórias têm custos ou, se preferirem, não há almoços grátis. Dispensar ou negociar no imediato Labyad, jogador promissor, que está no radar de muitos clubes, não é o mesmo que dispensar Pranjic, Onyewu, Boulharouz. Já dizer que Labyad é caro e defender a continuidade de Bojinov nem merece comentários.

O Sporting pode decidir vender agora, o que dificilmente lhe trará retorno do que já investiu, ou pode apostar na valorização do jogador, retirando desde logo no imediato mais-valias desportivas. Dos acima citados o Sporting sabe de antemão que o mercado não dará nada pelos passes desses jogadores e as mais-valias desportivas são ainda mais duvidosas.

No fundo o Sporting está como muitas famílias carenciadas. Tem que tomar decisões difíceis. Sabe que só comprar arroz e feijão não terá grandes problemas com o orçamento disponível. Mas sabe, ou deverá saber, que isso, a médio-prazo é mau para a saúde. No longo prazo é insustentável.

Algumas considerações adicionais:

Sobre a guerra com Pina Zahavi, que agencia 27 jogadores do Sporting recordo que não gosto de empresários. Mas como gosto de ver o Sporting ganhar, não admito neste braço de ferro agora encetado com o empresário israelita outra coisa que não seja uma vitória, mesmo que isso equivalha a perder algumas batalhas. Só vale a pena iniciar uma guerra que sabes à partida poder vir a ganhar.

A forma como as informações sobre os vencimentos dos jogadores do clube circulam nos jornais é lamentável. O  jornal "A Bola" ainda não falhou uma "cacha". Qual é a origem das fontes?

domingo, 2 de junho de 2013

Uma bi-Taça para o Andebol e uma equação que urge resolver

O Sporting revalidou hoje o título de vencedor da Taça de Portugal, ao vencer o FCP por 30-28, após prolongamento. Um jogo difícil, que a poucos minutos do final do tempo regulamentar parecia inclinar-se para o adversário mas que, por acerto e decisões felizes do treinador Frederico Santos e aplicação inexcedível dos seus atletas, acabou por trazer para o museu de Alvalade a 14ª Taça da modalidade.

Num momento em que se fala em cortes draconianos nas verbas para as modalidades em geral, sendo que para o andebol pode significar o fim da luta pelas vitórias, seria uma boa altura para reflectir sobre que modelo se pretende para o clube. Esta reflexão é ainda mais importante quando o futebol, que concita todas as atenções e muitos dos recursos, terá que fazer uma travessia do deserto e continuam a ser as modalidades a levantar mais alto a bandeira e nome do clube.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Fórmula para resolver a contratação de Ghilas

A Bola noticia hoje o interesse do FCP na contratação de Ghilas o que pode significar o fim de um sonho de verão, mesmo antes de este começar. A cláusula de rescisão é cara para nós e uns meros amendoins para quem acaba de ficar com um crédito de 70 milhões junto de um qualquer russo que aterrou no Mónaco. E, realisticamente, para qualquer profissional o nosso SCP não é tão atractivo, quer do ponto de vista financeiro como desportivo, como os azuis. Se a disputa se vier a verificar teríamos que golear muitos argumentos e conquistar o jogador mais pelo coração do que pela carteira, o que se afigura de todo improvável. 

A fórmula para resolver esta questão poderia estar na encontrada por Yngvar Borgesen para ajudar o seu clube. Este anónimo adepto norueguês do não mais conhecido Odd Grenland viu de repente cair na sua conta 13,4 milhões de euros, provenientes do prémio da lotaria. Como o seu clube, de modestos recursos, estava a ser assediado por clubes mais abastados para ceder Frederik Semb Berge, o craque lá do sitio, Yngvar Borgesen, disponibilizou 300 mil euros do seu pecúlio e o jogador vai-se manter por mais algum tempo no Odd Grenland. Com isso o clube usufrui da contribuição do jogador e evita vender por necessidade no imediato, o que pode valer mais algum dinheiro no futuro. O adepto fervoroso verá a sua generosidade e amor ao clube compensados com 25% de uma futura verba de transferência.

Talvez não haja nenhum adepto Sportinguista com disponibilidade 3 milhões de euros líquidos - em estado gasoso deve haver muitos, sou um deles... - para deixar na secretaria do Moreirense e eventualmente comparticipar nos vencimentos necessariamente atractivos para Ghilas. Ou um sindicato de sócios investidores. Uma pena, porque o negócio até poderia ser muito mais rentável, embora de risco elevado, do que ter o dinheiro parado num paraíso fiscal e daria muito jeito ao Sporting.

Este é um exemplo extremo do que pode levar um adepto a fazer pelo seu clube. O que sonharíamos poder fazer com igual sorte, o que só não compreende quem não vive amor igual. Mas se sonhar é fácil e ainda não paga imposto, andar com os pés bem assentes na terra diz-nos que não há soluções fáceis. 

Sem deixar de reconhecer que o custo e o potencial do jogador fariam dele uma excelente aquisição, há também que reconhecer que perder Ghilas não é uma sentença inapelável sobre a competitividade da equipa na próxima época. Acresce que se o Moreirense o encontrou não vejo porque não havemos de conseguir encontrar uma solução que satisfaça as necessidades para este momento de transição.

Transição, passagem para um novo estado, desejavelmente melhor. É essa a forma como deve ser encarada a próxima época, sem fatalismos e muito menos desculpas ou resignação. O Sporting continua a ter orçamento e base de sustentação para ficar num dos lugares do pódio. Haja inteligência e competência.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Em Portugal são 11 contra 12 e no fim ganham eles (ou como 10% do titulo da próxima época já estão entregues)

Os dias que se seguiram ao final do campeonato constituem um bom exemplo para ser perceber a a razão da hegemonia do FCPorto no futebol nacional. Fica aqui a análise, sustentada por alguns valores percentuais.

Nós
O Sporting fez uma das suas piores épocas de sempre talvez mesmo a pior. O sétimo lugar é tão inédito como os menos de 50% dos pontos alcançados. O lugar é uma excepção mas confirma uma tendência de descida acentuada desde a época 2008/09, em que conseguimos chegar aos 73,3% dos pontos. Insuficientes para alcançar o FCP (77,8%) mas suficientes para terminar confortavelmente à frente do SLB, o que acontecia já desde 2005/06, 4 épocas consecutivas portanto. De lá para cá a única vez que conseguimos ganhar mais de metade dos pontos em disputa foi o ano passado (65,5%) mas que não chegaram para alcançar o Braga e o quarto lugar foi o melhor que se conseguiu arranjar. Nas actuais circunstâncias ninguém nos dá o estatuto de outsiders sequer. Mais uma vez vamos recomeçar. Dos dirigentes até, ao que parece, à equipa.

SLB
O SLB vive a ressaca de ter tirado as medidas a 3 troféus, de ter  para eles reservado lugar no museu por inaugurar, e das 3 vezes ter regressado apenas com medalhas ao pescoço. Convenhamos, não há Guronsan para isto, o melhor mesmo é deixar passar uns dias. Isto não se esquece, apenas se aprende a conviver melhor com o facto um dia de cada vez. Falo disto de cátedra pois 2005 foi ali atrás. A forma como saírem do torpor será decisiva, creio. Se mandarem Jesus embora ver-se-ão livres do principal responsável pela forma fulgurante como nos ultrapassaram (um misto de mérito dele e demérito nosso) e se colaram ao FCP. 

Atendendo ao que era o passado recente - desde 2005 - os números de Jesus são impressionantes: 84% do pontos em 2009/10, 70% em 2010/11 -ano de AVB - 76,6% em 2011/12 e 85,5% este ano. Isto é, com estes números o SLB teria disputado sempre o título de campeão entre 2004/05 e 2009/10, ano em que Jesus chega e dá o único titulo aos encarnados. Nos anos seguintes teve que lidar sempre com um super-FCP, que andou sempre acima dos 83%! Não será um fatalismo trocar de treinador, quem venha pode até ser suficientemente inteligente para perceber o quase nada que é preciso mudar. Mas não é difícil de concluir que para aquelas bandas quem percebe de futebol. Isso vê-se nos pontos, na qualidade do futebol, na valorização dos activos. Fazer LFV voltar a tomar decisões de fundo é uma boa noticia para nós.

FCP
Enquanto isso o FCP já prepara a próxima época. Ninguém sabe quem é o treinador, Pinto da Costa tem um pássaro na mão - Vítor Pereira - e olha para outros que possam vir a voar. Entretanto prossegue na sua habitual estratégia, vai contratando jogadores que podem ou não servir mas pelo menos não reforçarão os adversários. De todas será a estrutura que menos abanará. O sua hegemonia não é apenas sustentada pela segurança e conforto que lhe proporcionam os que para eles trabalham ou se submetem nos bastidores do futebol. É também pela forma como trabalham e pensam antes dos outros. Essa conjunção de factores dá-lhes uma superioridade numérica. 10% do próximo campeonato estão já a caminho do Dragão.

SCB
Não os incluiria nesta análise se não fosse Jesualdo. Vão mudar muitos jogadores mas vão ter alguém que junte as peças. Faremos as contas no final...

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Jefferson para voar alto pela lateral esquerda

O Sporting fez hoje a apresentação do seu primeiro reforço para a época 2013/14.  Uma boa aquisição e uma promessa de um bom reforço.  

A chegada ao Sporting significa um prémio para o seu bom ano, que o consagrou como um dos melhores laterais do campeonato agora encerrado. Representa também um desafio pois as dificuldades serão certamente maiores e o mesmo se poderá dizer para as compensações. 

Jefferson tem 24 anos, tem 1,76, é baiano e chegou este ano a Portugal, proveniente do Santa Cruz. Os 50% do passe vão custar ao Sporting  400 mil euros e o contrato prevê uma ligação de 4 anos.

(E agora para algo completamente diferente) 

O nome do nosso novo atleta reporta-me aos primórdios do rock psicadélico, para os quais já nasci tarde. Mas a  voz da linda Grace Slick, (ou à linda voz?) não me passou despercebida. De entre as músicas  a sugerir ainda hesitei entre El Diablo e Somebody to Love. Ora esta época tivemos já tivemos o diabo atrás da porta tempo de mais e, no que diz respeito aos afectos, o Sporting já é avassalador que chegue. Por isso fica o White Rabbit. Que Jefferson voe alto pela lateral esquerda.

As referências a Alice no Pais das Maravilhas - estamos tão precisados delas - ao tom em crescendo do Bolero de Ravel  - uma cadência inspiradora para época que se avizinha - bem como a sugestão alucinogénica - é preciso alguma dose se loucura para acreditar sempre - parecem-me adequadas às nossas circunstâncias. 

Depois da entrevista, o rescaldo. As ideias, a estratégia e os efeitos práticos

Não tive oportunidade ontem de fazer o meu próprio comentário à entrevista do presidente Bruno de Carvalho aos três jornais desportivos. Este facto, entrevista simultânea, por si só diz da importância que o presidente conferiu à mensagem que quis passar. O momento escolhido também me parece significativo. Assim é importante para o meu histórico neste blogue a sua análise.

As ideias
Há uma ideia central em toda a entrevista e que está relacionada com as relações com os jogadores e respectivos empresários. Julgo ser muito difícil haver alguém que não se reveja em algumas das afirmações proferidas. É o meu caso. Não gosto dos empresários do futebol em geral. Classifico a sua actividade como parasitária. Vivem à custa do esforço dos clubes, dos jogadores, e até dos Estados. A sua acção é de difícil fiscalização, enlearam-se nas próprias falhas dos sistemas, passa muitas vezes ao lado do escrutínio fiscal e até moral. Ninguém os viu chegar e quando se deu pela sua presença já haviam adquirido demasiada importância para prevenir a sua acção, pelo que o mais que se tem conseguido é tentar remediar. Sem muito sucesso, assinale-se. E, como em tudo na vida, há os que têm muito ou pouco sucesso, honestos e trafulhas, etc, etc. 

O que o presidente nos veio dizer já todos o sabíamos um pouco, ou até mais. Mas foi também uma promessa de que o Sporting não se conforma com o status quo, que não está disposto a ser pressionado, e que, apesar da necessidade, também tem uma palavra a dizer. E isso é bom saber.

A estratégia
É aqui a minha divergência. A entrevista não me parece oportuna nem uma boa estratégia. Com tantos problemas que o presidente tem em mãos para resolver ela parece-me concorrer mais para agravar um dos mais bicudos - as renovações e até as futuras aquisições - do que tendente a lhe proporcionar soluções. Falarei depois de forma sectorial nas consequências eventuais.

Porque não vemos Luís Filipe Vieira, Pinto da Costa ou até mesmo António Salvador fazer declarações de teor idêntico? Será que não sentem os mesmos problemas? Não duvido que sentem. No entanto, ao invés de se queixarem do sistema - deste ou dos outros... - procuram extrair dele o melhor para os seus clubes. (Bom, diz-se que até mesmo para si próprios...). Por isso fazem as transferências que fazem, assegurando de forma mais cómoda a sustentabilidade dos seus clubes. Tal como nos resultados, estamos cada vez mais longe do SLB e FCP e, tendo mais e melhores jogadores, já somos ameaçados pelos números do Braga. Vejam-se as transferências de Sílvio ou Pizzi, por exemplo.

Pode o Sporting fazer esta luta "orgulhosamente só" sem sair dela chamuscado? 

Deve o Sporting, clube que forma tantos e bons jogadores, criar um curto-circuito com os agentes que comercializam/intermedeiam as vendas dos jogadores? 

Deve fazer-lhe oposição justamente agora que está em desvantagem? 

As respostas parecem-me óbvias. 

Aceito a necessidade de empreendermos esta luta pela moralização do futebol e dos seus meandros, tem uma importância estratégica indiscutível. Quase ao mesmo nível da que temos que fazer na arbitragem e, nesse sentido, julgo que os Sportinguistas estarão não só identificados como mobilizados. Duvido, isso sim, que seja oportuno fazê-lo agora e fazê-lo sozinhos.

Efeitos práticos junto dos empresários
Dificilmente ontem fizemos mais amigos junto da classe. Também não é importante que o sejam, o respeito pelo Sporting esse sim é indispensável. Em termos práticos a entrevista altera pouco ou quase nada. A generalidade dos empresários exibe uma preocupação quase exclusiva: ganhar a maior soma possível o mais depressa possível, sem se preocupar muito com a carreira dos jogadores. E por isso é bem provável que a generalidade das situações a resolver por Bruno de Carvalho esbarrem neste problema e  por isso apontem para  ruptura.

Efeitos práticos junto dos jogadores
O que querem os jogadores? Jogar, dinheiro, títulos, a ordem é feita em função da personalidade de cada individuo. Conheço o meio muito bem para poder afirmar sem medo de ser desmentido que uma elevada percentagem, a quase totalidade, dos jogadores quer é jogar. E isso sobrepõe-se até à sorte da própria equipa. Quase todos sonham com títulos mas, enquanto eles não chegam, o dinheiro é fundamental para assegurar a sobrevivência, preocupação da maioria. Os títulos trazem o reconhecimento, bons contratos e, quiçá, um lugar na história de um clube ou da modalidade. Ao alcance de poucos.

Dinheiro e títulos o Sporting não está em condições de prometer. Mas, neste momento particular da sua história, oferece condições ímpares para a progressão na carreira, especialmente aos mais novos. A conjuntura aponta para maior tolerância ao erro, menor pressão sobre os resultados. Condições ideais para crescer como profissional e fazer crescer também uma qualquer proposta que esteja agora em cima da mesa. Um passo ao lado para dar em breve dois ou mais em frente. Mas o momento no futebol é também quase tudo e uma lesão, uma época menos conseguida podem adiar ou acabar com qualquer sonho.

Ora a entrevista de ontem veio dizer que não há muito dinheiro para dar. Aos que estão nem aos que o Sporting gostaria que viessem. Títulos são muito difíceis. E o Sporting não tem sido um modelo de estabilidade e nos últimos anos não tem promovido muito valor. Nesse sentido a saída de Jesualdo Ferreira também não terá ajudado muito, em particular aos miúdos que deram saltos qualitativos evidentes e, globalmente, num balneário que se rendeu às qualidades do professor. Um novo treinador, que até pode fazer muito mais e muito melhor, é para os jogadores sempre uma grande incógnita. Gostará de mim? Trará outro para o meu lugar outro? Se tenho que começar de novo porque não começar num local onde me pagam mais?

Que mensagem foi transmitida aos adeptos?
É óbvia a ideia de imensas dificuldades no dossier de aquisições, renovações e dispensas. Já percebemos isso antes até da entrevista. É essa percepção, acrescida pela necessidade de conhecer o meio, que dá uma margem de manobra mais ampla a esta direcção. Haja coragem, verdade e transparência nas decisões.

Sabemos que vamos perder algumas jóias para manter a coroa. O que não seria admissível era o inverso ou ambas. Se o Sporting diz que quer apostar na formação vai ter que eleger um número de jogadores nucleares, entre jovens e outros mais experientes, que constituam o suporte para um novo ciclo. E reconhecer-lhes esse estatuto na folha salarial, quer estejam ou não em fim de contrato. Seria muito difícil de perceber que o Sporting, mais uma vez, fosse oferecer aos de fora o que não dá aos da casa.

terça-feira, 28 de maio de 2013

segunda-feira, 27 de maio de 2013

As "sábias" palavras de Nobre Guedes

Nobre Guedes, em entrevista concedida à Antena1, declarou que o Sporting não tem salvação. Num sentido lato, filosófico, e até do ponto de vista do sustentado por alguma teoria económica, a afirmação não merece qualquer contestação: "a longo prazo estaremos todos mortos", logo não há salvação possível. Nesse sentido as palavras de Nobre Guedes encerram sabedoria, mas acabam por ser inúteis porque não nos cabe tratar do fim mas de assegurar o futuro.

A sabedoria popular também sustenta a mesma ideia: "vamos à vida que a morte é certa". Porém, sendo certa, não tem hora marcada e cada dia da nossa existência, a partir do momento em que nascemos, é um dia ganho a um destino certo.

O mesmo acontece com as instituições. No caso do Sporting é já uma história com mais de um século. Cada dia desses mais de 100 anos de vida foram uma finta à morte que todos temos como certa. Foi também o triunfo sobre muitos profetas da desgraça, oráculos fatalistas ou previsões de pitonisas catastrofistas. Não sei em que categoria encaixar as declarações de Nobre Guedes, mas que estas resultam de uma profunda falta de humildade e sensatez é bem evidente.

Não deixa de ser curioso, talvez digno de estudo, porque é que os Sportinguistas mudam a sua visão conforme o lugar que ocupam. 

Nobre Guedes esteve 6 anos como responsável das finanças da SAD, as contas desse período são conhecidas de todos e não me lembro de então ter vindo exibir qualquer preocupação ou emitir qualquer aviso.

Entretanto o agora presidente passou os últimos 2 anos a dizer mais ou menos o mesmo que disse agora Nobre Guedes mas chegado à presidência tem-nos dito mais ou menos o mesmo que dizia então Nobre Guedes ou seus colegas de direcção, "este é que é caminho". Esperemos que tenha razão.

Comentando as declarações de Nobre Guedes, o presidente apelou à união, apelo muitas vezes repetido desde que tomou posse. Porém quando era apenas sócio não parecia reconhecer-lhe tanta importância. Ainda em relação a Nobre Guedes acrescentou que "as pessoas têm muito a necessidade de dar nas vistas e de dar entrevistas. Muitas delas, como é o caso de Nobre Guedes, faziam um trabalho melhor quer para o Sporting, quer para elas próprias, que era estarem caladas". Não podia estar mais de acordo. Embora não esteja inibido de fazer declarações, Nobre Guedes teve muito tempo para "falar" no cargo que ocupou, os sócios demonstraram vontade de ouvir outras coisas. Mas lembro-me o quão prolífico em entrevistas foi o então apenas sócio Bruno de Carvalho nos anos anteriores.

A declarações comuns de um (Nobre Guedes) e outro (Bruno de Carvalho) têm outro ponto em comum: a sua situação perante o clube. Com um cargo no clube dizem uma coisa, sem exercer nenhum cargo dizem outra. O mesmo se aplica à generalidade dos Sportinguistas que os órgãos de comunicação escolhem para se pronunciar sobre qualquer matéria sobre o Sporting. 

Infelizmente na hora de falar quase todos se esquecem que todos os Sportinguistas têm um cargo por inerência: lutar todos os dias por um Sporting maior e para isso não precisam de exercer um cargo no clube.

Infelizmente grande parte das declarações que fazem são orientadas em função de uma agenda pessoal de poder, de um grupo de interesses, ou por incompatibilidades pessoais ou de determinado grupo. Não será esta a razão principal do declínio desportivo do Sporting. Mas valia a pena apurar o quanto declarações como as citadas contribuem para tornar o caminho do Sporting mais difícil.

domingo, 26 de maio de 2013

Jamor, local mítico onde se perdem muito mais do que Taças

Continuará pelos próximos dias a crescer o anedotário nacional com as análises humorísticas sobre o final de época dos nossos rivais de sempre, o SLB. Continuarão as televisões a fornecer análise a granel, geralmente proferidas por "entendidos" que nunca fizeram nada que os recomende, falando de projectos, estruturas, triunfos e fracassos. Procurar-se-ão descobrir as razões porque um voo picado de uma águia sobre 3 troféus redundou num estrondoso despenhar 3 vezes repetido. Entretenham-nos.

Foi também no Jamor onde, cerca de um ano antes, assisti com incredulidade e dor ao encerrar da época. Terá sido ali que começou a morrer a época que agora chegou ao fim. Poucos terão reparado numa diferença substancial relativamente ao desfecho de hoje. O Sporting perdeu quando "devia" ter ganho à Académica. Não imagino o que se passou na cabeça dos jogadores e dirigentes, como foi difícil entender e superar o momento. Contudo a equipa permaneceu no relvado, aguardando pelos vencedores, como manda o protocolo tácito do fair-play.

Não foi isso que aconteceu este ano, vendo-se jogadores, técnicos e dirigentes em debandada pelo túnel de acesso aos balneários, não sem antes termos assistido à altercação entre Cardoso e Jesus. Não foi isso que aconteceu em 2007/08, quando derrotamos o FCP e, ainda os nossos atletas subiam as escadarias de acesso à tribuna de honra, já os azuis estariam a tomar banho.

Quando se fala de uma diferença entre nós e os outros é disto de que se fala. É disto que espere que se continue a falar por muito tempo. Podemos perder um jogo mas, por mau que seja, temos que estar à altura do que somos e dos valores que representamos.


Até que enfim! (Quantos anos esperei para ouvir isto?)

Sempre me foi difícil compreender porque o Sporting, os seus dirigentes, pareciam desconhecer o papel central de Pinto da Costa na(s) história(s) do futebol português dos últimos 30 anos e suas consequências directas e indirectas para o clube. 

As relações entre clubes - que devem existir - não justificavam uma aproximação mais ou menos comprometida. Tal sempre constituíram forte motivo de perplexidade e incómodo para mim. De tal forma que já não me lembro de quando tinha sido a última vez que tinha ouvido um presidente do Sporting responder sem qualquer receio a Pinto da Costa. Até que enfim!
 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Olhar para as redes sociais sem surpresa mas com muita pena

As redes sociais tornaram a calúnia e o boato uma arma uso fácil. A mais reles insinuação não necessita de qualquer indicio de prova para se propagar, tornando-se uma verdade insofismável. Planta-se e espera que floresça, adubado pelo pior que há a natureza humana. Uma fórmula bem sucedida porque as  redes sociais conferem hoje a um simples individuo um alcance quase ilimitado, potenciado por uma dinâmica colectiva difícil de contrariar. 

Neste sentido o dia de ontem - onde a blogosfera andou agitada com boatos e desmentidos envolvendo o presidente e familiares próximos - foi "apenas" mais um dia mau para o Sporting. Uma demonstração mais de que a saúde do Sportinguismo já conheceu melhores dias e não parece no caminho das melhoras no curto prazo. Novidade, e significativa, foi ter-se assistido a um desmentido de um dos visados, neste caso visada. Uma vez que é um dos elementos mais proeminentes de um dos grupos de Sportinguistas mais conhecidos no Facebook, espero que pelo menos retire do tratamento ignóbil a que foi sujeita a importância do respeito pelos outros.

Os já mais de 3 anos de blogger, muitos deles como alvo fácil de comentários ofensivos e caluniosos, conferem-me alguma autoridade sobre a matéria. Ainda assim não me dão muita força ou vontade de dissertar sobre ela. Como utilizador aceito as regras do jogo. Sem pretender fazer escola ou constituir exemplo, procuro pautar as minhas intervenções dispensando a terceiros o tratamento que quero para mim. 

Já falar sobre o Sporting é  muito diferente. A minha opinião representa-me apenas a mim, não falo em nome do clube. Mas tenho a noção bem clara que o uso do seu nome ou, mesmo que de forma indirecta, ver o meu nome associado ao clube, me proporciona uma visibilidade muito maior do que aquilo que sou e represento. Esta é uma noção que não foi imediata mas fui aprendendo e amadurecendo. O mínimo que posso fazer é ser criterioso e cuidadoso nas minhas intervenções de forma a que elas não belisquem o clube. Uma noção que se tornou mais aguda nas eleições de Março de 2011, um momento de particular fragilidade e que por isso requeria também particular cuidado, foi essa a percepção que fiz do momento.

Uma postura que nem sempre foi apreciada ou compreendida, em particular no último ano, estão aí as caixas de comentários dos diversos posts para o testemunhar. Desde acusações de uma agenda escondida, propagandista - ter-me-ia vendido e a troco de quê? - a outras de igual teor a por em causa o meu Sportinguismo e o meu carácter. O incómodo causado não foi porém maior que a consciência tranquila. Prefiro desiludir terceiros do que a mim mesmo.

Será essa mesma postura que me permitirá ficar confortável agora. É ela que agora me permite condenar de forma clara o lançamento de calúnias e rumores e a vozearia orientada para fragilizar Bruno de Carvalho. Não se atinge um presidente sem melindrar também o clube que representa. Por mais coriácio e protegido que esteja não é imune ao desgaste. Há quem diga que Bruno de Carvalho provará agora do veneno que andou a espalhar enquanto oposicionista. Argumento que não colhe. Se era então impróprio insultar, caluniar o então presidente, hoje não pode ser diferente.

Bruno de Carvalho já não é apenas um sócio é já o presidente do Sporting Clube de Portugal e isso muda alguma coisa. Quase tudo, creio. Por todas as razões que se possam intuir e, do meu ponto de vista, por duas de valor essencial: 
1- O insulto mina a vontade, desmobiliza e desorienta.
2- Os Sportinguistas não podem, ou não devem, ficar à espera de ver surgir o próximo João Rocha para se mobilizarem em torno do seu clube. Porque ninguém vai ficar à espera do Sporting.

Pena que muita gente só agora o descubra. Pena que só agora tenham despertado para  necessidade de união - seja lá o que isso for - ou de remarmos todos para o mesmo lado. Pena que muitos dos que passaram os últimos dois anos a insultar o então presidente não percebam como isso concorreu para uma imagem ainda mais débil do clube. Os mesmos que hoje nem sequer concedem o direito à critica, mesmo que esta seja inteiramente justificada.

Os outrora auto-proclamados "exigentes" estão agora a descobrir isto. Veremos o que dirão depois dos negócios resultantes da venda de alguns - diz-se muitos - jogadores do plantel. À semelhança do que aconteceu com João Pereira ou Matias Fernandez, não são de esperar grandes valores. Porque da realidade de então pouco mudou. A necessidade já tantas vezes declarada - em contradição com o que foi prometido, assinale-se - será amplamente cobrada pelo mercado. À excepção de Patrício ninguém se valorizou. E mesmo este vejo com imensa dificuldade o Sporting conseguir uma verba superior a 7 milhões de euros. O mercado está cheio de guarda-redes disponíveis de valor técnico idêntico e até superior.

Para estes "exigentes" o mundo é um lugar fácil. Na mesma frase conseguem dizer que o Wolfs é um manco mas que 10 milhões é mau negócio. São os mesmos que acham que Jeffren não vale nada mas temos que o vender no minímo por quatro milhões. Não fosse uma perda de precioso tempo de vida dedicar-lhes-ia alguma atenção nos tempos mais próximos.

O mesmo acontecerá quando o Sporting apresentar as contas e olharmos para a parcela das comissões. Não é o Sporting que dita as regras e mesmo tentando moralizá-las sairá sempre a perder. Se pretender um jogador e se recusar a pagar a comissão ao agente este tudo fará para que o negócio se realize com quem pague melhor. Se vender e comprar muito esta será uma parcela com valores elevados e o contrário. Ao olhar para ela não serei eu, sem mais, a colocar em causa a honorabilidade de quem fez os negócios.

Três exemplos apenas de uma infinidade de outros que ficarão para melhor ocasião.

Quase todos anseiam por um Sporting diferente, um Sporting melhor, maior. Essa mudança será uma vitória colectiva que terá que começar a ser ganha por cada Sportinguista. O Sporting não pode continuar a ser uma máquina trituradora, especialmente dos que assumem a pesada responsabilidade de colocar o Sporting no lugar que todos entendemos ser mais que merecido.

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