Infelizmente tudo indica que o Sporting perdeu mais uma vez, de forma inglória e evitável, mais um jogador. O comunicado ontem emitido pelo clube revela, quanto a mim, a persistência no erro de avaliação em que o CD caiu: ao jogador interessava muito pouco ou até talvez nada qual seria a percentagem do passe que caberia ao seu tutor, Cátio Baldé. Mais do que isso, é até muito provável que estivesse de acordo.
Como dizia ontem, era muito provável que fosse o tutor do jogador quem detinha o poder de decisão, pelo que, não negociar com ele, encaminhou o processo para o que parece ser o final. Para Cátio Baldé 10% são sempre 10%, independentemente de quem paga e, por isso, tanto lhe faz que seja o Sporting Clube de Portugal ou outro qualquer. Provavelmente "esse tal outro qualquer" até paga mais.
O aparecimento de Bebebiano parece-me ser o momento em que as coisas se
agudizam. O discurso mais apaziguador de Cátio Baldé - fosse real ou por
interesse - depressa se foi tornando mas belicoso. A recusa de ser
recebido pelo CD foi muito bem aproveitada.
Acabar como perdedor querendo fazer a figura de moralizador projecta a imagem de um clube à procura da desculpa para o seu próprio fracasso por não saber lidar ou perceber o meio em que tem que se movimentar. Como Sportinguista é-me indiferente se os 10% do passe são do Cátio Baldé ou do Bruma. Já não me será indiferente ver o jogador marcar golos com outra camisola qualquer que não a nossa, especialmente se a baliza onde a bola entre seja a do Sporting.
É indiscutível que o Sporting perde. Começa logo por perder a tranquilidade necessária que qualquer inicio de época recomenda. O sobressalto provocado juntos dos adeptos também não é propriamente o melhor aperitivo. Perde também um activo valorizado mas não necessariamente tão valioso. Mas é apenas uma promessa e o Sporting é uma certeza que não é abalada porque um jogador qualquer sai.
E é aí que Bruma antes de ganhar alguma coisa já perdeu. Seria do seu melhor interesse, neste momento da sua carreira, permanecer num clube que onde começava a ser idolatrado, onde conhecia os cantos à casa. Uma disputa jurídica prolongada pode adiar a integração num futuro clube, tendo em conta que ninguém no seu perfeito juízo quererá assumir o compromisso com um atleta que tem uma cláusula de rescisão de 30 milhões de euros.
E, enquanto Bruma aguarda pelo esclarecimento da validade legal do compromisso, é bom que se lembre que o futebol está cheio de quases. A bola que quase entrou não é um golo. Um jogador que quase jogou não saiu do banco. Um jogador que quase foi um craque não foi ninguém no futebol e hoje ninguém se lembra dele. E esses são a maioria, apesar do muito que se esperava de muitos deles.
Lembrando Mário de Sá Carneiro:
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse àquem...
E não faltam exemplos: