terça-feira, 10 de abril de 2012

O tal penalty de que os benfiquistas falam

(foto abola)
Vou admitir que o lance do Polga sobre o Gaitan foi efectivamente penalti. Assim faz todo o sentido o que disse Jorge Jesus na conferência de imprensa. De facto, SE o penalty tivesse sido assinalado pelo árbitro e SE ele tivesse sido apontado pelo Cardoso, (e SE não tivesse sido defendido pelo Patrício...) estaríamos a falar de um jogo completamente diferente.

Ora convém também lembrar a Jorge Jesus que se o árbitro do jogo da primeira mão tivesse assinalado o penalty sobre Onyewu (e por aí fora...) é também provável que o jogo de então teria um desfecho completamente diferente e que talvez estivéssemos a falar de um outro campeonato. Mas isso talvez seja menos interessante para o discurso de Jesus...

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Sá Pinto crucifica Jesus e ressuscita o Sporting

O Sporting realizou hoje uma exibição realista, mas nem por isso menos vistosa. Aliás, com outra eficácia poderia até ter construído um resultado com números bastante generosos.

Para ser perceber o que se passou hoje não será e todo despropositado lembrar o que sofreu o Chelsea na passada quarta-feira, em vantagem na eliminatória e muito tempo em superioridade numérica, e a forma como o Sá Pinto dispôs a equipa, fazendo com que a nossa baliza estivesse sempre muito distante para os encarnados. A questão física nem se coloca tendo em conta que jogamos com menos um dia de descanso e com muitas mais horas de viagem.

Sá Pinto abdicou de pressionar a construção de jogo do SLB, estratégia oposta à seguida por Domingos no jogo da primeira volta e que, com 1 pouco de sorte nos poderia ter dado pelo menos um ponto. Mas, após passar a linha de meio campo, Gaitan, Rodrigo, Cardoso, Bruno César nunca dispuseram de espaço para penetrar na nossa zona central, como eles costumam fazer tão bem.

Do nosso lado entrega e concentração máximas, equipa solidária mas que, neste jogo, me parece ter subido um degrau na sua afirmação e dos jogadores que a compõem. Destaques individuais para Elias, com papel fulcral nos equilíbrios no meio campo, Matias muito bem na organização do ataque e temporização e um enorme Izmailov, que merecia pelo menos um golo naquele remate fulminante à trave, que ainda deve estar a tremer. Do lado negativo dois jogadores importantes que hoje estiveram menos felizes, Shaars e Wolfswinkel, especialmente o segundo demasiado perdulário. Não será alheio o cansaço na tomada de decisões pouco habituais em ambos os "laranjas".

Do lado da arbitragem não me pareceu, ao contrário de outras ocasiões, que o árbitro viesse com a lição estudada. Errou num penalty daqueles que só Polga é capaz de criar, e voltou a errar no lance de Garay sobre Wolfswinkel.

Não é apenas uma questão de orgulho

Sabemos bem que nos derbys têm enorme preponderância as questões relacionadas com o orgulho. Defronta-se o arqui-rival e deseja-se que o embate acrescente mais um novo episódio feliz a uma história já longa. E o que a história nos diz é que cada derby tem a sua própria vida e não está dependente do passado recente - a posição no campeonato, a boa ou má forma - há muito ido. Assim será logo.

Nesse sentido creio que terá muito pouca importância a recente jornada europeia, onde as equipas deram sinais opostos nos seus compromissos europeus. Talvez a questão física possa ter maior importância mas, se o Sporting fez uma longa viagem e tem menos 1 dia de descanso, é também claro que ter jogado mais de meio jogo reduzido a 10 e pela forma como o fez também deve ter feito as suas mossas.

Mas, dentro da imprevisibilidade que são estes jogos há uma vantagem que me parece incontestável para o Sporting: a necessidade de ganhar é "pouco mais" do que uma questão de orgulho. Usar essa vantagem com inteligência e paciência parece-me a estratégia adequada. Afinal tem sido essa uma das qualidades desta equipa nos momentos mais recentes e que a fizeram alcançar a meia-final da Liga Europa. O que veio contrariar os profetas das desgraça (e do passado...) demonstrando que as noticias da nossa morte eram manifestamente exageradas.

Mas ganhar logo não é apenas uma questão de orgulho. Ganhar significará também o estabilizar dos níveis de confiança colectivos, tão necessários para os desafios que se nos vão colocar em breve. 

Em frente Sporting!

 

sábado, 7 de abril de 2012

Um nomeação que seria uma declaração de guerra

A esta hora os clubes já sabem que árbitros que lhe calharam em sorte.  Se se confirmar o rumor que circulou durante toda a semana, apontando Duarte Gomes como o árbitro do derby de segunda-feira, tal equivalerá a uma declaração de guerra ao Sporting. Não a guerra tácita que nos movem os árbitros desde a jornada inicial desta liga, mas uma guerra aberta e descarada. Isto porque, já não bastava todo o histórico passado e recente que Duarte Gomes acumula contra nós, teremos que juntar a recente queixa apresentada contra Carlos Freitas pelas declarações deste após a vergonha prestação de Bruno Paixão em Barcelos.

A suceder não seria a também a  primeira vez que Vítor Pereira afrontaria  o Sporting pois é impossível esquecer a nomeação deste mesmo árbitro para um clássico no Dragão onde, mais uma vez, nos atirou para fora do jogo com 2 ou três decisões que beneficiariam os azuis e brancos. 

Mas independentemente de vir a ser ele ou não o árbitro do encontro, a queixa em si mesma, tendo em conta que não foi ele o visado pelas declarações de Carlos Freitas e estas foram unanimemente reconhecidas como justas revelam o carácter desta gente. Passaram anos a fio a ser gozados, pressionados e usados como peões de brega e nunca conseguiram mais do que abanar a cabecinha como se de vulgares caniches de porcelana se tratassem. Agora mostram-nos os dentes porque julgam que podem encostar à parede uma instituição centenária que deu o melhora da história desportiva a este País. País onde tudo parece possível até ver, não porcos a andar de bicicleta, como dizia um ex-árbitro, mas porcos sentados às secretárias e outros de apito na boca e bandeirinha na mão. Gente desta merece nenhuma consideração.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

"A Big , Big Love"


A banda sonora do momento. Tem tudo a ver com o post de ontem. Com o seu título. Com o seu protagonista individual: Rui Patrício. Com o feito colectivo no futebol ao atingir as meias-finais da Liga Europa e, como lembrava na caixa de comentários o Leão Transmontano, também em Andebol e Futsal se alcançaram feitos semelhantes. Acima de tudo isso, tem a ver com o Sporting Clube de Portugal e o Amor que muitos sportinguistas lhe dedicam. Esta musica é para todos esses homens, mulheres e crianças que têm o SPORTING no coração, mas hoje, é especialmente dedicado aos adeptos leoninos que prescindiram do justo sono após desgastante (de nervos) jornada televisiva e compareceram em massa para receber a equipa do SCP, já esta madrugada, em Figo Maduro. 

Gigantic thank you!

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Cognome: O Gigante!

Rui, O Gigante foi herói em Carcóvia

Ainda o jogo da segunda-mão dos quartos-de-final da Liga Europa não tinha começado e já algo me fazia acreditar mais… Sá Pinto preferiu a qualidade de passe do baixinho André Martins à capacidade física do alto mas ‘trapalhão’ Renato Neto. Seria uma aposta acertada. André não só é melhor tecnicamente que Renato, como demonstrou um posicionamento e uma percepção do jogo superior… A ele pode-se dever, por exemplo, as variadíssimas vezes que colmatou as ‘ausências’ de João Pereira no flanco direito. Do lado esquerdo, também devido ao menor pendor ofensivo, Schaars e Ínsua não davam abébias aos adversários. Como se esperava o Sporting dava a iniciativa ao Metalist nos primeiros minutos, mas a equipa ucraniana não conseguia fabricar lances de perigo. O primeiro quarto de hora passou com relativo descanso para Patrício. A excepção foi uma cabeçada de Cristaldo a fugir nas costas de Xandão. A partir dos 30 minutos as camisolas amarelas começaram a multiplicar-se e as ameaças à baliza leonina também. Taison – confirma-se a qualidade deste brasileiro – entrava em duelo com Rui Patrício. O Sporting sempre que podia atacava e mantinha em alerta a defesa do Metalist e foi mesmo à beira do intervalo que Capel, até aí desaparecido em combate, coloca uma bola redonda com o pé direito (!) em Ricky. O jovem lobo faria o resto. Aos 44 minutos o Sporting marcava e saía em vantagem  para o intervalo .

Para a segunda parte era crucial aguentar os primeiros minutos mas um João Pereira adormecido parecia não partilhar dessa opinião. Valeu Polga a recuperar evitando o golo do empate… Que não demoraria. Devic, entrado ao intervalo, combina com Cristaldo, desta vez Polga não corta e permite o remate ao argentino que Xandão e Patrício foram incapazes de suster. O empate surgia muito cedo e o Sporting tremia. As forças também começavam a faltar, Sá Pinto pressente e mexe na equipa. Sai Matias e André Martins (grande jogo), e entra Renato Neto e André Santos. O Sporting recua, recua, até surgir o lance que marcaria o encontro e a eliminatória, estávamos nos 64 minutos. O árbitro escocês, marca uma grande penalidade muito discutível de Ínsua sobre um espalhafatoso Devic. Cleiton Xavier preparava-se para enganar Rui Patrício pela segunda vez na eliminatória, mas o Marrazes fez-lhe um manguito de pernas… O lance marcou o resto do encontro, os sul-americanos de Kharkiv continuaram a atacar mas o perigo nunca mais seria o mesmo. Coube aos nossos rapazes defender o empate que lhes garantia o apuramento com unhas e dentes de leão.

Como dizia na crónica do jogo da semana passada, a chave estava em marcar fora. Conseguimos e o Sporting está nas meias-finais da Liga Europa. Cabe-lhe representar o resto da Europa contra a Armada Espanhola. O primeiro oponente chama-se Athletic de Bilbau e como o jogo de que estamos a falar não é pelota basca, hoje, mesmo com a equipa nos seus limites físicos, temos de acreditar que Bucareste está a dois pequenos passos de se concretizar… Sonhar não custa e apoiar o Sporting com todas as nossas forças no sentido de alcançar esse desiderato, também não!
  
VAMOS SPORTING!

Ficha de jogo:


Estádio do Metalist, em Kharkiv (Ucrânia)
5 de Abril de 2012

Árbitro: William Collum (Escócia)
Árbitros assistentes: Derek Stewart Rose e Alaisdair Raplh Ross. 
Árbitros adicionais: Euan Campbell Norris e Steven Mclean. 
4.º Árbitro: Robert Madden. 

SPORTING: Rui Patrício, João Pereira, Polga, Xandão, Insúa, André Martins (André Santos,71 m) , Shaars, Izmailov, Matias Fernandez (Renato Neto, aos 60 m), Capel (Evaldo, 81 m) e Wolfswinkel.

Treinador: Ricardo Sá Pinto. 


Suplentes não utilizados: Marcelo, Carrillo, Seba e Rubio. 

Acção disciplinar: Xandão (63 m) e Evaldo (89 m)

Golo: Wolfswinkel (43 m)

METALIST: Goryainov, Villagra, Berezovchuk, Edmar (Devic, 45 m), Cleiton Xavier, Sosa, Pshenychnykh (Blanco, 85 m), Torres (Marlos, 71 m), Cristaldo, Obradovic e Taison. 

Treinador: Myron Markevich. 

Suplentes não utilizados: Disljenkovic, Shelayev, Valvayev e Readchenko. 

Acção disciplinar: cartão amarelo para Berezovchuk (40 m), Sosa (59 m), Torres (68 m), Taison (83 m)

Golo: Cristaldo (56 m).

Lições de Inglaterra

Quando logo se iniciar  o jogo em Carcóvia é provável que ainda se façam sentir os ecos de uma bela exibição do nosso rival em Londres mas que, ainda assim não evitou a derrota e a respectiva eliminação. A primeira lição que gostaria que a equipa do Sporting retirasse e que se devia estender aos adeptos, é a que a força de uma equipa pode ser muito maior do que apenas a soma linear do valor individual dos jogadores que a compõem.

Foi assim que ontem o SLB conseguiu superar as ausências dos seus centrais com centrais improvisados e mesmo tendo neles incluindo Emerson, por hoje o bode expiatório de todos os pontos perdidos dos vermelhos. Terá que ser assim, como uma verdadeira equipa e de forma solidária que o Sporting terá que superar os ucranianos. Raras vezes se perde ou ganha apenas por causa de um.

Terá que ser essa a receita para logo, a mesma usada contra o City, até porque os ucranianos, não sendo um dos colossos europeus, valerá hoje, do ponto de vista colectivo mais do que o "papão Chelsea" do qual vimos hoje um vago holograma. Veremos como respondem às ausências de Papa Gueye e Marco Torsiglieri. (A propósito a UEFA no seu site diz que  Cleiton Xavier também não pode jogar, o que somado às ausências dos centrais, seria uma melhor noticia, uma vez que o jogo dos ucranianos começa quase invariavelmente nos seus pés). Mas sobram ainda muitos artistas como Sosa (5 assistências para golo, menos 1 que Xavier...), Cristaldo, Taison e Devic.

Ainda de Inglaterra sobra a teoria da conspiração carpida alto e a bom som nas palavras de jogadores, treinadores e presidente. Seguramente estribada em maus hábitos pois é muito provável que o João Pode ser Ferreira, Duarte Gomes e outros não tivessem coragem para em tão pouco tempo punir o SLB com um penalty claríssimo e uma expulsão justa que se fica a dever, na sua essência, a um excesso de Maxi, que tinha acabado de ser amarelado no penalty. Ao invés de protestar contra Skomina ou Platini os protestos deviam ser direccionados para Vítor Pereira e APAF pela incompetência generalizada dos árbitros nacionais. É a  impunidade que permitem a  Xavi, Luisão e Maxi e outros que os leva à impreparação exibida. 

Onde me parece que possam existir razões de queixa na actuação do árbitro é nos critérios usados na atribuição dos cartões amarelos e em algumas jogadas a meio campo, quase sempre desfavoráveis aos vermelhos. Mas de pouco adiantam agora as lágrimas de crocodilo  de Luís Filipe Vieira, especialmente quando se refere à "pequenez do futebol português". É pena que se lembre de Stª. Bárbara apenas quando troveja no seu quintal. Que acção concertada procurou até hoje realizar (tem quase 10 anos de mandatos!) de forma a inverter este cenário que até é recorrente quando as nossas equipas actuam no estrangeiro? Este é afinal o mesmo espectáculo deprimente dado aquando da expulsão mais do que justa de Aimar.

Ainda depois do jogo de ontem ficam a indecorosa prestação de Carlos Daniel na RTPi na análise ao jogo. Se era para isto deixasse lá estar o Gobern ou chamem Máximo o taxista ou o Barbas.

terça-feira, 3 de abril de 2012

A entrevista de Godinho Lopes

(Foto www.scp.pt)
Como avaliar uma entrevista? Pela performance do entrevistador e do entrevistado ou pelos factos abordados durante o seu decurso? Provavelmente pelo seu conjunto,digo eu, que não tenho formação especifica na área.

Quanto à performance da entrevistadora e do entrevistado, equivaleram-se. Pior na fotografia obviamente a entrevistadora e respectiva equipa porque falamos de profissionais. E Godinho Lopes, como sabemos desde as eleições, não é um comunicador por excelência.

Quanto às matérias abordadas, e mesmo com os condicionalismos acima mencionados, foram de extrema importância, mas cujo interesse foi esvaziado pelo facto de a RTP ter deixado cair a conta gotas durante o filet mignon. Falo obviamente da contratação de Labyat, do novo pólo em Odivelas para a casa do futsal, do andebol, do regresso do basquetebol, a ginástica ou o judo. O complexo vai receber também o atletismo, o râguebi, a equipa B de futebol, os Sub-13 e os Sub-14.

Obviamente excelente noticias para o Sporting e para os Sportinguistas.

"Evitamos uma ruptura financeira"

Publicamos a entrevista de Rui Paulo Figueiredo hoje ao jornal "ABola". Os comentários ficam a cargo dos leitores do blogue. Os destaques são da minha autoria.


Foi um primeiro ano difícil e cheio de problemas

Evitamos uma ruptura financeira no clube e temos vindo a criar soluções no presente para que o Sporting tente cumprir as suas obrigações.

Tivemos condições para investir no futebol profissional, na área comercial, no pagamento de verbas atrasadas.

Afirmamos o ecletismo como valor estratégico.

A cooperação com a Assembleia Geral e o Conselho Fiscal tem sido excelente.

Não tivemos surpresas porque a situação (financeira) era conhecida. Fomos o único clube a assumir os nossos problemas. 

Não nos compete dizer mal de ninguém e do passado, compete-nos trabalhar.

Pavilhão à espera da CML.

Este ano já aumentaram em cerca de 3 milhões de euros (receitas de curto e médio prazo)

A entrada de investidores é muito importante (falamos de alienar uma minoria do capital da SAD).

A fusão não carece de aprovação em AG porque não se trata de nenhuma compra ou venda, não há alteração de propriedade. O estádio continuará a ser do Sporting.

Ninguém quer fugir das AG´s desde que elas se justifiquem.

Com o empréstimo de 52.800 milhões de euros (a ser sujeito à apreciação dos sócios em AG, no dia 24) não haverá aumento da dívida.

O Sporting terá prejuízo nos próximos dois anos e cada vez menor.

Com a fusão o Sporting poderá manter a maioria do capital da SAD mesmo após a conversão das VMOC´s.

Todos os dias trabalhamos para aumentar as receitas, a crise que afecta o mundo não deixa ninguém imune o Sporting não é excepção. 

Em Abril será lançada uma grande campanha de angariação de sócios.

Crescemos 40% na assistência aos jogos.

A TV Sporting é um projecto para o mandato, já estão identificados os fisicos a afectar ao canal e está a ser preparada uma equipa de projecto para os conteúdos.

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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Benfica, Porto ou Braga?

Com o Sporting afastado do título, quem gostarias que fosse campeão? 

A questão já esteve na ordem do dia há 2 épocas quando Domingos (pois, o mesmo Domingos...) levou o Braga ao segundo lugar. O feito talvez não tenha sido tão valorizado como está a ser o que faz Leonardo Jardim mas é até muito provável que então o SCBraga tenha feito pontos que hoje, com igual resultado, o tornaria campeão.

Este ano a questão ganha outra acuidade, tendo em conta que o calendário caprichou em colocar o SCBraga em Alvalade na última jornada. Há, entre os sportinguistas, a ideia, absurda diga-se desde já, que o Sporting deveria facilitar a vida ao adversário para que FCP ou SLB não cheguem ao título.

Há pelo menos 3 razões que me ocorrem de imediato que me levam a rejeitar liminarmente a possibilidade que tal aconteça:

1- O Sporting de que gosto não é um clube de dar “jeitos” a ninguém e em qualquer circunstância! Isso pode ser concebível para quem tem da verdade uma ideia de conceito adaptável às necessidades do momento. O Sporting está obrigado a jogar sempre para ganhar e o facto de não viver um período feliz, que o afasta da luta pelo título, tem um percurso histórico para honrar. Transigir seria ficar ao mesmo nível dos que entendem que o fim justifica o emprego de qualquer meio e que levou ao abastardamento de muitos que hoje concorrem connosco.

2- Facilitar o titulo ao Braga equivaleria a disponibilizar  o estádio de Alvalade para salão de festas do adversário, ideia que obviamente declino.

3- O ponto anterior mais se justifica por se tratar precisamente do Braga de Salvador. Obviamente que há mérito no seu trabalho, embora por conveniência hoje a generalidade da comunicação social use de memória selectiva para ignorar o que foram os anos iniciais à frente do clube e quantos treinadores chegou a ter numa época, entre outras preciosidades. Mas, este ano em particular, tem sido um dos beneficiados por uma súbita simpatia dos associados da APAF, tendo geralmente aquilo que há muito peço para o meu Sporting: isenção. E aí tem sido também um dos que tem lucrado com a guerra que a APAF deliberadamente decretou ao Sporting. Nada acontece por acaso. Repare-se na mansidão com que quer o treinador quer o presidente aceitaram o resultado final, quando até tinham razões de queixa do critério do sr. Pode ser Ferreira usado para assinalar penalty’s. A mansidão de quem sabe que foi já compensado à priori e pode vir a ser no futuro.

Outro argumento invocado a favor do Braga é a de que o seu treinador é sportinguista. É bem possível que assim seja, mas nessa condição ele que celebre os títulos de campeão connosco, quando nos calhar a vez. 

Subestimar o Braga, por que é pequenino e engraçadinho é um erro muito comum e em que já incorreram muitos quando Pinto da Costa chegou ao poder e que ainda hoje não conseguem perceber na sua verdadeira dimensão. João Rocha percebeu-o como poucos quando foi presidente do Sporting. Com as receitas cada vez mais escassas, negligenciar aqueles que ficam à nossa frente é um erro que pode custar caro.

domingo, 1 de abril de 2012

Um importante regresso às vitórias

Heróis de Tavira (foto SCP)
Num curto espaço de tempo o Sporting efectuou um importante regresso às vitórias. No futebol, com o regresso às vitórias fora e no andebol, ao alcançar uma importante vitória no andebol nacional, o que não ocorria desde 2005, após a saborosa dobradinha.

Em Leiria os comandados de Sá Pinto voltaram a conquistar uma vitória fora o que não ocorria desde Outubro. E, convenhamos, dificilmente se repetirá se os jogos forem encarados com a mesma atitude diletante, como se a obtenção de um golo fosse algo de garantido. Tal viria a acontecer já quase no terminar do jogo, num livre de Matias. Golo fora que não se registava desde Braga.

El Crá continua em grande (foto maisfutebol)
Em termos individuais não me parece que se justifiquem destaques especiais, para lá de Patricio e para a confiança exibida por Carriço, num jogo marcado pelas muitas ausências. Elias passou ao lado do jogo, tal como Carrillo, e Rúbio sofreu os mesmos horrores que Wolfswinkel sofre quando a bola não chega com a qualidade mínima exigível. Shaars foi importante na reacção final, pela acção no campo e junto dos companheiros, tal como Matias pela clarividência no livre. Shaars é sem dúvida um capitão sem braçadeira!

Proença foi de uma coerência irrepreensível, isto é, foi mau para o Sporting como bem o sabemos. Foi para lá de ridículo o critério aplicado às faltas, sempre diferente consoante eram praticadas pelo Sporting ou pela União.

Ficha do jogo:
Jogo no Estádio Municipal da Marinha Grande.

União de Leiria - Sporting, 0-1.

Ao intervalo: 0-0.

Marcador:
0-1, Matias Fernández, 90+11 minutos.

Equipas:
- União de Leiria: Oblak, Ivo Pinto, Haas, Edson, Shaffer, Marco Soares, Keita (Barkroth, 62), Marcos Paulo, John Ogu, Cacá (Elvis, 90+7) e Bruno Moraes (Djaniny, 86).

(Suplentes: Luiz Carlos, Manuel Curto, Barkroth, Luís Leal, Djaniny, Elvis e Hugo Gomes).

- Sporting: Rui Patrício, Santiago Arias, Daniel Carriço, Xandão, Evaldo, Renato Neto (Schaars, 46), Elias (Wolfswinkel, 90), Carrillo, André Martins (Matias Fernández, 64), Insua e Diego Rubio.

(Suplentes: Marcelo Boeck, Schaars, Wolfswinkel, Matias Fernández, Jeffrén, André Santos e Sebastian Ribas).

Árbitro: Pedro Proença (Lisboa).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Haas (100).

Assistência: Cerca de 4.000 espectadores.


Em Tavira o andebol interrompeu um longo jejum nas provas nacionais, numa modalidade onde temos grandes responsabilidades por força do nosso historial. Jogo muito difícil, como uma postura heróica por parte dos nossos jogadores ante o favoritismo do adversário. Uma importante injecção moral que talvez seja a pedra de toque que faltava a uma equipa que por vezes parece que não acredita no seu valor. Grande Hugo Figueira, não só pela defesa final mas por tudo o que fez durante o jogo. Mas, como é óbvio, foi uma grande conquista colectiva.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Afinal Bilbau pode ser impossível

Foto via @NunoMourão
Não consegui evitar ontem, na viagem de regresso, começar a fazer contas de cabeça para a viagem a Bilbau. Não por desrespeito aos adversários - e até ao próprio futebol - mas sobretudo por crer que as nossas ambições se mantêm intactas. Hoje porém temo que tal seja praticamente impossível, mesmo que cheguemos, como espero, às meias-finais. É que, tal como se vê na ilustração do post, os bascos carregaram nos preços para a recepção ao Shalke04, pedindo 90 euros por cada ingresso. A ser assim Bilbau para mim pode mesmo ser impossível.

A reclamação dos alemães faz todo o sentido, mais ainda vindo de adeptos de uma liga que vive um período áureo. Tal é testemunhado pela enorme afluência aos estádios, que faz do futebol alemão a 2ª liga do Mundo de desportos profissionais em número de espectadores, só ultrapassada pela NFL. Os estádios alemães superam os 90% de taxa de ocupação!

Provavelmente esse sucesso tem por base um profundo respeito pelos adeptos, demonstrado não apenas nos preços dos espectáculos mas também na transparência das regras e sua aplicação prática. Para que se tenha uma ideia mais aproximada do que é ser adepto alemão, os preços dos bilhetes de época variam entre os 120 euros do Bayern Münich e os 212 euros do Mainz 05. Estamos a falar dos cidadãos da CE com melhor poder de compra! No entanto, para não transformar a ida ao estádio privilégio para poucos as vendas de bilhetes de época estão normalmente limitadas aos 50% do total da lotação. Além disso existe um sem número de bilhetes específicos para grupos especiais como crianças, reformados, inválidos, etc.

Esse respeito estende-se também aos horários dos jogos, dando-se prioridade ao adepto que vai ao estádio em detrimento do adepto de sofá, não havendo impedimentos para os jogos à mesma hora. O que me interessa a mim que o jogo do clube xpto jogue à mesma hora que o Sporting, se eu puder estar no estádio?

Olhando para o exemplo alemão e para o que se passa em Portugal parece que estamos a falar do último filme de ficção científica que estreou nas salas de cinema. Há dias chamava-me à atenção a preocupação e cuidado do presidente da FPF com a situação dos árbitros. A seguir será com os clubes falidos, com os que descerão de divisão e quase sempre se esquece a razão da existência de toda a máquina e interesses que giram à volta do futebol: o adepto.

O caso particular do Sporting tem passado um pouco ao longe das atenções dos média mas há algum tempo que os adeptos que seguem o clube de forma próxima sofrem as consequências de uma guerra surda sem quartel por parte as autoridades, sobretudo a ala da PSP que monitoriza as claques. Desde isolamento de alguns elementos pré-identificados e subsequente espancamento, tareias indiscriminadas, filmagens inopinadas ao melhor jeito orwelliano, tem acontecido de tudo um pouco. À atenção da direcção do Sporting.

 Ontem, mais uma vez, e de forma totalmente despropositada, houve mais uma carga policial, aqui relatada na Antena1. Sabemos que as claques não são propriamente "clubes de leitura" mas há limites que já foram nitidamente ultrapassados e se a violência gratuitamente for a resposta encontrada para os problemas que as claques possam colocar para que precisamos de dispendiosos "tasks forces" e especialistas?

Notas Bibliográficas: consultar o artigo "La Bundesliga y su magnífico trato a los aficionados"

Avaliar a extensão do traumatismo ucraniano


A piada é fácil mas o seu uso retrata na perfeição o sucedido ontem em Alvalade já depois de esgotados os noventa minutos de jogo. Já se fazia festa (e que festa!) em Alvalade quando Cleiton Xavier marca o penalty que altera de forma drástica e traumática a qualificação quase certa que ditaria o 2-0 . Falta agora avaliar a extensão dos danos pelo súbito traumatismo causado pelo golo “ucraniano” do bom jogador brasileiro.

Há pouco heroísmo no suicídio
Foi pouco agradável assistir à primeira parte mas, ao contrário das reacções generalizadas, compreendi a atitude conservadora da equipa. Acima de tudo procurou não ser apanhada desprevenida. Talvez tenha havido algum excesso que atribuo a duas razões: inevitavelmente por força do dispositivo do adversário, que soube quase sempre atalhar as nossas saídas para o jogo, e pelo menor acerto no passe e controlo da posse de bola dos nossos jogadores.  Estão ambas obviamente relacionadas mas por vezes pareceu ser maior o nosso desacerto que o mérito do adversário. 

Mas aceitei o conservadorismo da nossa postura porque, pelo menos no que ao futebol diz respeito, o suicídio tende em regra a ter um carácter mais patético que heróico. Isto porque, como se veria mais adiante, o Metalist pode não ser conhecido mas está longe de ser uma equipa de metalúrgicos que se juntou para fazer umas peladinhas, como muitos pareciam pretender. Por alguma razão os ucranianos sofreram apenas ontem a primeira derrota fora na competição. Poderíamos ter feito melhor? Seguramente que sim, mas também podíamos estar agora a lamentar a falta de cautela…

Perdemos com as substituições
Até à saída de Carriço o Metalist não conseguiu fazer o que é quase sempre mais perigoso, que é penetrar pelo centro em direcção à baliza. Carriço não oferece grande capacidade de construção (nem me parece que tal lhe deva ser exigido) mas a anular o jogo interior dos ucranianos esteve perto da perfeição. Após a sua saída a diferença foi evidente, isto porque Neto (continuo com muitas dúvidas que tenha qualidades para a posição),  não tem o “nervo” de Carriço, teve dificuldade em entrar no ritmo de jogo (normal em quem vem do banco) e porque Schaars já não tinha a mesma disponibilidade física para o auxiliar a travar os vários amarelos que apareciam pela frente. Carrillo e Jeffren não conseguiram oferecer a posse de bola que necessitávamos, embora o peruano, mais “explosivo”, com outra maturidade, poderia ter resolvido a eliminatória. E obviamente que Wolfswinkel ainda não é tudo aquilo que precisamos de um camisola nove. Eu perdia amor a 40 milhões de euros e ia buscar o Falcão. Aposto que ninguém discutia a medida que iria onerar drasticamente o passivo. (O encerramento deste parágrafo não é para levar a sério…)

Casaco e suspensórios à 5áPinto todos, já!
Apesar do dito no parágrafo acima não posso deixar revelar a minha satisfação pela actuação do nosso treinador. O que vem fazendo, levando em linha de conta as condições físicas, anímicas e técnicas em que lhe foi depositada a criança nos braços, é digno de nota. Seguramente que na preparação do jogo a imensa lista de indisponíveis, o “ruído” introduzido pelas fragilidades de Capel, Izmailov, Carriço e também o pouco conhecimento do adversário (fez 2 jogos depois do sorteio) e a forma sensata como dispôs a equipa deve ser relevado. O mesmo para a atitude dos seus jogadores que jogam muito à sua imagem e que a ilustração do post personifica.

Confiança no apuramento
O futebol é demasiado imprevisível para qualquer resultado dar garantias. O de ontem muito menos. Como costumo dizer é uma espécie de “meio a zero”. O empate sem golos basta mas é suicidário jogar para tal desfecho. Em condições normais e com jogadores cruciais disponíveis temos equipa, atitude e crença para chegar às meias-finais. Tal constituiria um marco, passados sete anos e numa época de resultados colectivos insatisfatórios. Necessário e possível. E se é verdade que perdemos Carriço eles perderam a dupla de centrais de uma assentada, pode estar aí também uma vantagem para nós.

Alvalade, salão de festas
Numa época em que acumulamos frustrações é também digno de menção a participação dos adeptos. E a generalidade dos presentes soube sofrer com a equipa e, tal como os jogadores, não mereciam a desfeita final. Para alguém que vive longe e com responsabilidades pessoais e profissionais é cada vez mais difícil resistir ao apelo viciante de estar presente em todos os momentos. E, não menos importante que tudo isso o Sporting igualou o Barcelona que havia ganho sete jogos seguidos em Camp Nou na Liga dos Campeões. Esta época, na Liga Europa, o Sporting conseguiu o mesmo registo caseiro nas competições europeias. E 6 milhões, devidamente contabilizados são os espectadores até agora registados em Alvalade, desde a sua inauguração.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Maldito nonagésimo minuto

2.º golo do SCP!

  
Avisado que estava para o poder ofensivo do Metalist fora de portas o SCP preparou-se. Mas preparou-se de uma forma demasiado respeitosa. Pelo menos assim transpareceu durante toda a primeira parte. É certo que anulou tal poder e Rui Patrício teve um primeiro tempo descansado. Mas também como se auto-anulou, atacando sempre com muito cuidado para não se disposicionar e permitir os temidos contra-golpes adversários. Apesar desse temor, ainda foi o SCP a equipa que mais perigo levou à baliza contrária. Não criou lances flagrantes, mas andou mais perto de marcar que a equipa ucraniana. Com Daniel Carriço, autor de dois remates de fora da área e Wolfswinkel, num ressalto de bola após livre de Matias sobre a esquerda, que acertou de rosca na bola. O jogo era demasiado lento e táctico e o nulo, logicamente prevaleceu. Havia que arriscar mais um bocado, para atingir a sétima vitória consecutiva na competição, igualando um feito detido pelo colosso Barça.


A estratégia de Sá Pinto surtiria efeito, já que os segundos 45 minutos tiveram um cariz completamente diferente. Izma ameaça logo na primeira jogada. Não precisaria de muitos mais minutos para inaugurar o marcador. Capel acelera pela esquerda dando inicio a uma boa jogada de combinação colectiva que o russo se encarregaria de concluir com êxito. O mais difícil estava feito. Seguia-se o melhor período do SCP: tranquilo, confiante, controlador. Ínsua marca de livre conquistado por um endiabrado Matias. Dois a zero e a eliminatória muito bem encaminhada. O enorme Carriço sai, amarelado, entra Renato Neto. Pouco depois, Jeffrén substituía o seu compatriota Diego Capel. O ambiente escaldava com holas mexicanas e o hino nacional novamente cantado nas bancadas. A noite era nossa e de… Patrício… Com duas defesas do outro mundo mantinha os leões de Sá Pinto com as redes invioladas em Alvalade. Carrillo teve o 3 a 0 no pé esquerdo, mas hesitou: nem caiu, nem rematou, nem matou a eliminatória… Nonagésimo minuto e… penalty. Após mais uma excelente defesa de Rui, este precipitou-se e permite que Devic conquiste um penalty . Destino seria mais uma vez cruel para connosco (com Patrício a não merecer tamanho castigo) quando ao soar do gongo os homens de Carcóvia conseguiam o golo de honra através de Cleiton Xavier. O brasileiro enganou o guarda-redes leonino na marcação da grande penalidade e reduziu o marcador para a diferença mínima. Bom jogo do SCP que viu uma vitória segura beliscada no último suspiro do encontro.

Na Ucrânia, temos que explorar as debilidades defensivas que esta equipa do Metalist confirmou. Será essa a chave da eliminatória. Marcando em Carcóvia, o SCP tem tudo para seguir para as meias-finais.

Aplauso  final para os mais de 40.000 leões nas bancadas. Bravos leões!


Ficha do jogo:
Jogo realizado no Estádio José Alvalade, em Lisboa.
Sporting - Metalist, 2-1.
Ao intervalo: 0-0.
Marcadores:
1-0, Izmailov, 51 minutos.
2-0, Insua, 64.
2-1, Cleyton Xavier, 90+1.
Equipas:
Sporting: Rui Patrício, João Pereira, Anderson Polga, Xandão, Insua, Daniel Carriço (Renato Neto, 70), Stijn Schaars, Matias Fernandez, Izmailov (Carrillo, 79), Diego Capel (Jeffren, 72) e Ricky Van Wolkswinkel.
(Suplentes: Marcelo Boeck, Evaldo, Renato Neto, André Martins, Jeffren, Andre Carrillo e Diego Rubio).
Metalist: Goryainov, Villagra, Gueye, Torsiglieri, Obradovic, Torres, Cleyton Xavier, Sosa (Valyayev, 90+3), Blanco (Marlos, 77), Taison e Cristaldo (Marko Devic, 65).
(Suplentes: Disljenkovic, Berezovchuk, Shelayev, Valyayev, Pshenychnykh, Marlos e Marko Devic).
Árbitro: Wolfgang Stark (Alemanha).
Ação disciplinar: cartão amarelo para Torsiglieri (33), Izmailov (43), Cleyton Xavier (52), Daniel Carriço (57), Gueye (59) e Rui Patrício (90).
Assistência: 40.512 espetadores.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Heavy Metal(ist) em Alvalade

Grande noite
Começou já a contagem decrescente para o inicio dos quartos-de-final da Liga Europa e estima-se que o Estádio de Alvalade viva amanhã o ambiente das grandes noites europeias, sendo provável que os sportinguistas acorram em massa e deixem o estádio muito próximo de encher.

Sorte, qual sorte?
Ao contrário do que foi dito por ocasião do sorteio não creio que o Sporting possa tecer grandes loas à sorte. Neste ponto da competição não há equipas fáceis há é equipas mais conhecidas. E até aí acho que não ganhamos muito, é muito mais fácil saber como joga o Atlético de Madrid ou Hanover que o longínquo Metalist. Depois há a questão psicológica, é mais fácil motivar um jogador para se superar a jogar contra Dzeko, Toure´s, Silva do que contra o Papa Gueye ou mesmo Marko Dević. E convenhamos, ser eliminado por um desconhecido é sempre uma possibilidade, mas pouco interessante para o nosso curriculum.

Heavy Metal(ist)
Não, não é a alusão aos grandes concertos em Alvalade é a referência directa a um adversário difícil. Dificuldades seguramente diferentes das impostas pelo City de Manchester mas que, tal como na eliminatória anterior, empurrarão a decisão da eliminatória para o segundo jogo. Os ucranianos foram uma das melhores equipas durante a fase de qualificação, são uma das equipas mais concretizadoras da prova e, atenção!, já ganharam 5 vezes fora nos jogos até agora disputados.

Não fazer de City
A recomendação não se circunscreve apenas à equipa e isso parece já estar incorporado no espírito dos jogadores e treinadores, pelo menos a avaliar pelas palavras de João Pereira. Pensar que os ucranianos serão fáceis é começar a perder a eliminatória. Paciência e realismo impõem-se também nas bancadas, já que é provável que o apoio até ao última corda vocal não faltará, com em sendo já hábito este ano.

terça-feira, 27 de março de 2012

Uma horta para Vitor Pereira

O presidente da recém-eleita Comissão de Arbitragem admitiu ontem que  "poderá não ter condições para nomear árbitros". Esta afirmação foi feita no contexto da sequência de acontecimentos relacionados com a arbitragem e que começaram com as declarações de Jorge Jesus, passou pela divulgação dos dados pessoais dos árbitros e está recentemente centrada nas declarações patéticas de João Gabriel por causa da expulsão mais do que óbvia de Aimar.

Se por um lado se percebe que Vitor Pereira queira assim “aparecer” ao lado dos seus comandados estranha-se que a declaração acima transcrita venha precisamente de quem quer ser o seu líder. O sector da arbitragem, tão importante do futebol, está completamente descredibilizado aos olhos dos adeptos e certamente também aos olhos da generalidade dos demais agentes por via de um passado e presente de relações nebulosas. Sem inverter esta imagem os árbitros serão sempre olhados de soslaio, como um criminoso comum ou de colarinho branco. Quem assiste a um jogo de futebol e detecta um erro arbitral desconfia de imediato se a sua origem é meramente produto da elevada dificuldade inerente à função ou se foi motivada por qualquer sujeição a interesse de terceiros.

Convenhamos que os árbitros e os seus dirigentes de classe se têm esforçado por manter de rastos a sua reputação. Das reacções da classe aos critérios aplicados em campo há um enorme leque que é aplicado consoante os intervenientes e o jeito que pode dar ao árbitro e respectiva classificação final. Por outro lado nunca houve por parte da classe a coragem de denunciar os verdadeiros autores das pressões e arranjos, que não são, obviamente as declarações à posteriori de dirigentes, mais ou menos avisadas ou assertivas. Esse silêncio conivente pesará ainda por muitos anos na credibilidade daqueles que se deveriam equiparar aos juízes comuns.

O passado, apesar de pesado e negro, podia, no entanto, não ser mais do que isso se houvesse um esforço real em inverter o seu cariz. Para isso os regulamentos e demais procedimentos deveriam claros e transparentes devendo a classe pugnar por ser verdadeiramente autónoma. Para isso precisa também de se auto-regular o que nunca acontecerá se não tiver uma liderança forte e esclarecida.

Ora o que se sabe da actuação recente de Vítor Pereira é o fechar de olhos a um comportamento corporativo que se encarniça contra decisões disciplinares mais do que justas, como aconteceu recentemente nos testes de avaliação física promovido pelo próprio e na sua presença. Não contente é também muito provável que o próprio se esqueça dos regulamentos que deveria respeitar, se se confirmar que o delegado ao jogo que deu nota positiva (pasme-se!!!) a Bruno Paixão tenha sido Ezequiel Feijão.  Ora sendo este também de Setúbal não podia ser o avaliador de um árbitro da mesma associação.

Enquanto os árbitros, ao contrário de todos os outros agentes de campo, escaparem impunes a actuações vergonhosas como as que temos visto este ano,  não se sentirão obrigados a ser melhores. Ao invés, fazem birrinhas e e ameaças. Com este tipo de actuação o  que Vitor Pereira precisa é de uma horta onde possa abastecer-se de tomates, que é coisa que lhe falta para por a maltinha do apito na linha. Ou de uns patins.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Um ano, um balanço

Há um ano, mais ou menos por esta hora, empreendia uma viagem para participar no processo eleitoral mais fracturante da história recente do Sporting, só comparável com a ocorrida ao tempo da eleição de Jorge Gonçalves. Porém há uma diferença entre esse tempo e o de há um ano: o período de enorme turbulência desta feita ocorreu logo após o acto eleitoral, num momento que envergonha a história do Sporting e o mesmo deveria acontecer com os seus protagonistas.

Nunca como antes o Sporting esteve na eminência de uma fractura que o transformaria em algo diferente e seguramente pior e mais pequeno. A viagem de regresso e os conturbados dias que se seguiram equivaleriam a uma viagem pessoal que mudaria a forma de me relacionar com o meu clube. 

É difícil ser simultaneamente actor, testemunha e juiz dos factos e personagens da história recente do Sporting quando pretendemos produzir uma análise justa e imparcial. Contudo, não posso deixar de assinalar, com pesar, que no universo do clube continua a ser notória a tendência generalizada de aproveitar  os maus momentos, marcados pelos resultados desportivos, para produzir grande parte das "reflexões" quando o bom-senso recomendaria pelo menos alguma moderação. E que, infelizmente, há quem precise dessa irracionalidade, e quiçá dos maus momentos, para marcar pontos e para ter visibilidade.

Antes de qualquer balanço que se faça da actuação dos actuais corpos sociais essa é uma constatação que não pode passar em claro porque o clube não é apenas o CD e o que faz, mas também a realidade em que se insere e que o condiciona. A irracionalidade associada à paixão que nutrimos pelo clube deveria ficar à porta do estádio quando os jogos terminam e não estendê-la à generalidade das matérias que o versam. 

Não sou excessivamente critico da actuação do actual CD e de Godinho Lopes em particular no tempo até agora decorrido. Como tive ocasião de lhe dizer pessoalmente julgo que os sportinguistas deveriam conhecer de forma menos superficial as condições encontradas em Alvalade após 2 anos de perda de tempo e retrocesso com Bettencourt. Não o saber é não perceber porque o Sporting foi obrigado a tomar umas opções em prejuízo de outras.

Passado um ano não é difícil constatar as diferenças para o passado recente. Alvalade tem sido testemunha de um regresso de muitos leões, o que numa época com os resultados desportivos negativos, em particular para a principal ambição leonina que é o campeonato nacional, é algo de assinalável. Aí não entra só o trabalho realizado pelo actual CD na promoção dos jogos mas, sobretudo, uma enorme vontade dos adeptos sportinguistas de não abandonar uma equipa jovem, talentosa e com enorme futuro à sua frente.

Apontaria 2 razões principais para a actual posição na tabela classificativa: o complot da APAF e o imprevisto "espalhanço" de Domingos, um dos rostos que dolorosamente teve que ser amputado de um projecto que parecia estar destinado a deixar já este ano o Sporting mais próximo dos seus maiores rivais.

Tudo o que venha a suceder na Taça de Portugal e na Liga Europa não pode deixar de ser sentido como um prémio de consolação face à actual classificação no campeonato, mas não posso deixar de manter o que sempre fui afirmando ao longo deste ano: no que ao futebol profissional diz respeito foi realizado um bom trabalho na aquisição de jogadores, do qual o Sporting poderá vir a retirar bons proveitos económicos e desportivos.

Nas modalidades não serei a pessoa indicada para fazer uma avaliação com profundo conhecimento de causa, porque o acompanhamento que faço é feito apenas pelos resultados semanais. Parece-me que a estratégia seguida foi manter o que estava a ser bem feito, como o projecto autónomo do hóquei, o futsal, o ténis e o andebol, isto falando nas modalidades com mais visibilidade, com algum desinvestimento e mudança de estratégia no atletismo. Fala-se agora também no regresso do basquete, modalidade com um historial que nos obrigaria a nunca ter extinto a secção, e também no râguebi. Continuam porém a faltar os títulos colectivos, especialmente no andebol, onde esperamos este ano fique marcado pelo regresso a uma conquista de cariz nacional.

No âmbito do relacionamento com os sócios e destes com o clube a última impressão é a que conta e, nesse sentido, fica a recente passagem da sociedade que detinha o estádio do clube para a SAD como o regresso a uma forma de actuação reprovável e dispensável. A urgência, face à situação financeira da SAD, não pode nem deve justificar tudo.  Essa actuação é anda mais difícil de perceber quando num passado ainda recente houve operações semelhantes que não deixaram de recolher maiorias confortáveis, apesar da contestação. Apesar de me opor à sua grande maioria restava-me conformar com as decisões tomadas por maioria, como sempre deveria suceder. Assim ficam menos visíveis os esforços iniciais em comunicar directamente com os associados, via auditório, a revisão estatutária e a auditoria prometida e realizada. 

Das promessas por concretizar estão à cabeça o pavilhão e o fecho do fosso. O segundo não tem grande relevância mas deveria ser enquadrado numa reformulação mais ampla de alguns problemas estruturais e estéticos de Alvalade. O pavilhão será o de maior urgência e de mais difícil concretização pela envergadura do projecto e pelo momento económico em que vivemos. Acima de tudo espero que a obra seja concretizada mas sem pressas ou atalhos que repitam os erros cometidos aquando da construção do estádio. Uma estrutura como esta deve ser pensada para décadas e não apenas para aplacar pressões ou por um visto nas promessas cumpridas. Mais vale marcar passo temporariamente do que dar um em direcção ao desperdício.

sábado, 24 de março de 2012

Tranquilidade pré-metalistica

Foto DN
Com uma exibição segura e controladora na primeira parte e uns furos abaixo na segunda metade o Sporting cumpriu a obrigação de vencer o Feirense, actual lanterna vermelha. Apesar da intermitência começam-se a perceber algumas das intenções de Sá Pinto. Equipa mais solidária, com uma maior preocupação de cada um em oferecer linhas de passe e maior procura do centro do terreno e não exclusivamente das alas para atacar. Convém não esquecer a ausência de Schaars e Matias, dois jogadores num bom momento e de grande influência na manobra da equipa. 

Saliência para excelente presença de sportinguistas em Alvalade, praticamente 30 mil.

Ficha do jogo:

sexta-feira, 23 de março de 2012

Eu vou! E tu?

E para os que vivem a Norte de Alvalade:

No próximo dia 29 de Março pelas 20:05 o Sporting Clube de Portugal defronta o Metallist em jogo a contar para a primeira mão dos quartos-de-final da Liga Europa. Não perca a oportunidade de ir com o Solar do Norte assistir ao jogo.

Faça já a sua inscrição na excursão indo a:

http://www.solardonorte.org/bilhetes

O preço total (bilhete+viagem) para sócios do Sporting ou do Solar é 23€ e para adeptos 27€.
Reservas até às 23:59 do dia 26 de Março.

quarta-feira, 21 de março de 2012

O Sporting (des)faliu tecnicamente?

Tendo em conta o comunicado ontem emitido (e que se pode ler no final do post) a SAD do Sporting vai  deixar de estar na situação de falência técnica. Sobre o assunto algumas considerações:

A solução
Está longe de ser a solução que me agradaria. O estádio deixa de ser do Sporting Clube de Portugal para passar a ser da SAD. Sendo esta detida maioritariamente pelo clube o estádio continua a ser dos sócios mas passa também a ser dos accionistas. Não é bem a mesma coisa mas representa no essencial, e para já, uma mudança pouco significativa. 

Mas o que representará no futuro se o Sporting perder o controlo da SAD? Certo que para que tal aconteça é necessário que uma maioria (julgo que de 75%) dos sócios ratifique a decisão. Mas pode perdê-lo também se, num cenário de catástrofe, a SAD falir, o que obrigaria a recomeçar longe do lugar de referência para todos os sportinguistas. Dizer que tal cenário não pode suceder é não conhecer a história recente de alguns clubes europeus, embora nenhum deles tenha a dimensão e a implantação do Sporting.

Dizer que os nosso rivais fizeram mais ou menos mesma coisa, e sem grande participação dos sócios ou polémica interessa pouco a esta discussão. Por alguma razão somos do Sporting e não de qualquer outro clube.

Não me parece que faça qualquer sentido associar esta passagem a interesses imobiliários, a menos que se imagine que alguém fosse comprar a SAD para desmantelar o estádio. Mesmo que por absurdo tal sucedesse não creio que alguma vez alguém conseguisse erigir mais do que uma fiada de tijolos... Mas é evidente que, com esta operação, se torna a SAD atractiva para investidores. 

Por outro lado há que convir que havia que dar solução urgente ao problema da falência técnica em que a SAD se encontrava. Não sendo a única possível é com certeza a que estava mais à mão. A confirmar-se resolve um problema assaz preocupante que era a conversão das VMOC´s em capital da SAD, o que faria inevitavelmente perder o controlo para os bancos que patrocinaram a operação.

O método
Fazer um comunicado ao final do dia e já quase a desoras revela bem o melindre e o impacto que a direcção está ciente que esta operação significará no seio do clube. Longe parecem ir os tempos em que a direcção se preocupava em comunicar de forma mais directa com os associados, utilizando o auditório Artur Agostinho com assiduidade. Aprendeu-se pouco com os erros do passado. Não estou certo que a operação deva, pelos estatutos, ser aprovada em AG mas é difícil que tal não venha a acontecer. Promover a ideia juntos dos sócios numa primeira fase, sujeitando-a uma discussão seria o método que escolheria com ganhos evidentes para todos.

O futuro
Advinha-se conturbado. Não faltarão inúmeras intervenções grande parte delas comprometidas com o "posicionamento ideológico" de quem as proferirá e em geral desprovidas de qualidade e interesse para uma discussão que aproveite o clube. Não estou certo que o Sporting ganhe muito com o que seguirá.

O Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal informa que, no âmbito do processo de reorganização e simplificação do universo empresarial do Sporting, foi hoje aprovado pelos Conselhos de Administração das sociedades Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD e Sporting Património e Marketing, SA o projecto de fusão por incorporação da Sporting Património e Marketing, SA na Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD, com a consequente extinção da primeira.


A fusão permitirá resolver a situação dos capitais próprios da Sporting SAD, que hoje se encontram negativos, e que desta forma passarão a positivos.Por outro lado, a fusão permitirá concentrar todas as actividades económicas relacionadas com o futebol numa única entidade, a Sporting SAD, eliminando custos duplicados decorrentes da existência das duas sociedades, permitindo uma optimização dos recursos e a constituição de uma estrutura mais coesa, constituída apenas por duas entidades: o Clube e a Sporting SAD.
A operação de fusão permitirá ainda ao Sporting Clube de Portugal manter a maioria do capital social da Sporting SAD, mesmo depois da conversão das VMOC em capital da SAD.

Finalmente, a concretização da fusão terá impacto positivo na Sporting SAD ao nível do cumprimento das regras de Fair-Play financeiro da UEFA, facilitando a obtenção da rentabilidade mínima exigida pela UEFA a partir do Exercício de 2013/14.
O Conselho Directivo

terça-feira, 20 de março de 2012

Eduardo mãos de tesoura


Por muito eu queira é incontornável não voltar a abordar o jogo de ontem, mesmo que ele sirva para introduzir o post de hoje. É incontestável que a arbitragem de Paixão influiu no resultado mas isso nem foi o que mais me preocupou no sucedido ontem. Mais preocupante são as circunstâncias em que ocorre mais esta intervenção. É o acentuar de uma tendência que se repete desde o inicio de época e quando parece que o Sporting tem razões para regressar a um nível de jogo mais consentâneo com o seu estatuto. 

O mais estranho é que já não contamos para o campeonato – embora seremos com certeza um factor de decisão… - e facto de acontecer contra um o clube pequeno. Os lances das grandes penalidades são reveladores de uma realidade perturbadora: ante um pequeno o árbitro revela total desrespeito pelo grande, facto que dificilmente ocorreria em qualquer campo, e muito menos envolvendo os nossos rivais e atrevo-me mesmo a dizer com o SCBraga. Há uma guerra evidente lançada pela cúpula da classe arbitral, encabeçada pelos árbitros internacionais e seguida pela generalidade dos restantes membros da APAF e respectivos dirigentes. 

O facto do Sporting ter jogado mal a primeira trintena de minutos não é razão que justifique qualquer atenuante para o comportamento de Paixão, que não passou apenas pela dualidade de critérios técnicos mas se estendeu também aos disciplinares. Até porque, como bem disse Carlos Freitas, a actuação do árbitro foi clara no sentido de deixar o jogo resolvido.

Entretanto, quase simultaneamente, em Lisboa, no conforto de uma sala de um hotel, o nosso consócio José Eduardo falava num clube falido e à beira da extinção. Não se pense, com o que seguir avanço, que o Sporting não precisa da reflexão séria e participação activa dos seus sócios. Muito antes pelo contrário. Mas, do que é hoje relatado na comunicação social, o que José Eduardo, veio cantar foi uma canção já conhecida – e certamente baseada em factos sobejamente conhecidos de todos - mesmo com uma orquestração ligeiramente diferente. E foi infeliz.

E não foi só infeliz no timming, pelas razões acima aduzidas. Não apenas porque naquele dia jogava o Sporting e o lugar dos que se querem constituir como elites pensantes do clube, e pelo seu maior desafogo financeiro, é em primeiro lugar estar ao lado da equipa, onde quer que ela jogue, como o fazem muitos com muito mais sacrifício. Não apenas porque não podia adivinhar o que Paixão faria horas depois. Mas, porque o essencial da sua comunicação foi o repisar dos muitos diagnósticos há muito realizados, sem apontar soluções, seguido de algumas vacuidades Com coragem devia dizer quais dos 19 jogadores não teria contratado. Desses 19 quais seriam os oito que ficariam. Se possuía alguma informação interna sobre os relatórios médicos, hoje, passados 9 meses não é um pouco tarde para contestar as decisões?

O Sporting está há muito tempo diagnosticado, faltam as soluções e, uma vez que nem todos estamos à altura de as fornecer, falta da parte de muitos outro comprometimento com o clube. Não só na presença nos estádios mas também na gestão da comunicação e do silêncio. Na participação activa em prol do clube e acima até das preferências pessoais. 

Nesse sentido, dentro da multitude de organizações e sensibilidades internas, vejo na AAS um bom exemplo de comprometimento com o clube. Muito low-profile nas suas interacções com o clube, que são muito mais vastas do que as que chegam ao conhecimento público, e prontidão nem sempre aproveitada e compreendida pelas sucessivas direcções que têm passado por Alvalade. A par disso os seus elementos estão em todas, das modalidades ao futebol, é difícil não encontrar alguém da associação nos pavilhões e estádios onde quer que o Sporting jogue. E esse comprometimento com o clube não os impede de tomar posições por vezes até bastante incómodas para quem dirige, muitas vezes é esse ele mesmo o motivo do afrontamento. É um mero exemplo, não faltarão outros por certo.

Do que não duvido é que o Sporting que todos gostamos precisa de um outro envolvimento por parte de todos. O Sporting precisa de dar uma resposta institucional aos Paixões, APAF´s e outros da sua igualha que pululam no futebol português. E uma resposta institucional não é a que é dada por uma direcção mais ou menos contestada internamente e por isso sempre fragilizada no exterior. 

A instituição Sporting são todos os seus sócios, adeptos e simpatizantes que abarca o cidadão vulgar mas também muitos elementos destacados da sociedade portuguesa, que vão de ex-presidentes da República, actual presidente da CE, muito dos empresários que destacadamente contribuem para o PIB português, elementos destacados do mundo universitário, do direito, da justiça, da cultura e espectáculo. Há mais de 30 anos que ou ignoramos ou encolhemos os ombros à guerra lançada ao Sporting, e nos entretemos a disputar entre nós as culpas e responsabilidades. Neste caminho não nos sobra muito tempo para uma indignação da qual o clube retire proveito.

Por melhor que tenha sido a intenção José Eduardo ela foi também um reforço dos Paixões do nosso futebol. Hoje não faltará quem junte o sucedido ontem, a jornada de Manchester e todos os Josés Eduardos para não nos levar a sério e subestimando a importância do Sporting como um clube grande que é. Não só pela sua história, que mesmo gloriosa não deixa de ser passado, mas pelo seu presente como clube de implantação nacional.

PS: Discordo do comunicado da direcção do Sporting sobre o evento organizado por José Eduardo. Em si mesmo parece-me um erro de comunicação por ser feito à priori, dando-lhe o foco que certamente não queria. Se a intenção era desvalorizar o melhor era o silêncio e eventual reacção à posteriori. Por outro lado remeter para AG’s as participações dos sócios é o mais ou menos o mesmo que mandar calar porque nos moldes em que aquelas se realizam ninguém consegue falar mais do que 5 minutos e muitos nem ao palanque conseguem chegar. 

PPS: O acima dito não invalida que, sendo José Eduardo membro do CL, tinha aí palco privilegiado para fazer as suas intervenções. Assim não pareceu mais do que meter as mãos na tesoura e retalhar mais um pouco o que já de si já está muito retalhado. Quando se diz que o inimigo não está dentro isso devia ser interpretado nos dois sentidos...

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