sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Cinco Rinaudos




O universo Sporting ganhou um novo ídolo, Rinaudo. Muito se tem falado do que seria esta equipa no caso de Rinaudo não se ter lesionado num jogo da Liga Europa onde nada se decidia.
Associo muito mais a nossa quebra de rendimento à lesão de Mátias no campo das gaiolas do que à ausência de Rinaudo, mas realmente prejudicial tem sido a sequência de lesões e recuperações que contribuíram para um corrupio de opções e à perda de referências no onze base.

Independentemente disso considero a qualidade na posição 6 como fundamental para uma equipa confirmar em campo a sua candidatura a títulos. A euforia que atravessámos confirma, cheira a títulos, não sei se eles chegaram já este ano mas o grupo que está formado tem características que irão devolver a glória a Alvalade.

Fazendo uma retrospectiva dos nossos últimos títulos é evidente a qualidade com que aquela posição foi preenchida, tal como em oposição os flops que foram existindo quer em qualidade, quer em afirmação na equipa. Houve para mim um momento chave o desvio de Paulo Assunção. Peseiro que apresentou o mais belo futebol que vi após Jozic tinha perfeita noção das carências da equipa e do que era necessário para o seu equilíbrio. O problema é que outros aliam os caminhos negros do futebol nacional a conhecimento profundo do jogo. Pinto da Costa sabia que Paulo Assunção iria catapultar o Sporting para uma série de vitórias não porque houvesse falta de qualidade em Alvalade mas porque iria oferecer equilíbrio a essa qualidade.

Para lá de outras estrelas, o nosso sucesso está marcado por grande qualidade na posição 6, sempre que ela existiu vencemos títulos, Miguel Veloso, Paulo Bento, Aldo Duscher, Peixe e Oceano, marcaram os últimos títulos sem beneficiar do estrelato de outros nomes.

Um bom jogador na posição mais recuada do meio campo permite à equipa crescer uma boa dezena de metros no ataque e manter durante mais tempo a bola junto da área adversária. Do mesmo modo a defesa ganha tempo de posicionamento e de correcção de desequilíbrios. Aos laterais é permitido recuperar, aos centrais posicionarem-se para uma dobra, uma marcação ou até diminuir ou alargar o campo conforme necessidade da equipa.

Rinaudo, depressa ganhou os nossos corações não somente pela sua qualidade, que julgo poder ainda evoluir bastante, mas principalmente pela garra e tenacidade. Falta afinar em definitivo no plantel quem será o seu escudeiro, quem o pode substituir sem que a sua falta se sinta de forma tão acentuada.

Neste momento resta-nos apreciar os próximos jogos com a certeza que a equipa vai crescer.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Jamor tem mais encanto a preto, verde e branco

A final inédita que juntará no Jamor a Académica e Sporting é boa para o actual momento do futebol português.
  • Juntam-se dois clubes que mantêm boas relações pelo que a atenção devera estar concentrada no que se vai passar dentro das 4 linhas e não do lado de fora. Espera-se também que as jogadas de bastidores se restrinjam às nuances tácticas de ambos os treinadores.
  • É bom para a tradição da própria competição tendo em conta que se encontrarão 2 grandes do futebol português. Se é verdade que a AAC nunca ganhou nenhum campeonato nacional o seu histórico e a simpatia quase transversal que o clube recolhe na sociedade portuguesa tornam-no num grande.
  • Ainda no âmbito da tradição é bom para o Jamor, estádio que vive acossado pelo provincianismo pacóvio de uns e pela negligência de outros. Se perguntarem aos portugueses onde gostam de ver disputada a final é quase certo que a resposta maioritária recairá sobre o Jamor.
Mas as vantagens não se limitam ao futebol português. A avaliar pelas reacções matinais a qualificação do Sporting para a final do Jamor foi também proveitosa para as farmácias portuguesas, que devem ter esgotado os stocks de anti-ácidos e outros medicamentos facilitadores de digestões difíceis.

Estamos na Final!

Goooolo de Rinaudo!


Sim, estamos na Final. Hoje era dia do Sporting e, depois de muita transpiração ao longo dos 90 minutos, lá iremos visitar o Jamor em Maio. Suor e sorte q.b., foi, na verdade, esta a receita que nos levou até ao Estádio Nacional. O jogo foi intenso, mas esteve longe de ser um primor técnico, como costuma dizer-se na gíria futebolística.

Início de jogo muito complicado para os leões, com João Pereira a protagonizar dois lances seguidos disparatados. Seria, de resto, o mote de Pereira para o resto do jogo, bem à semelhança do que vem realizando nos últimos tempos. Na primeira vez que toca na bola só não deixa isolado um adversário porque Polga e Xandão estavam mais atrás e disfarçaram a aselhice. Pouco depois o desastrado lateral direito, atirava à barra de… Rui Patrício, após defeituosa tentativa de alívio. Aos dezoito minutos seria substituído o primeiro dos jogadores nacionalistas a sair por lesão, no caso, Moreno. Foi, no espaço de tempo que mediou a substituição do influente médio nacionalista, que surgiu a inauguração do marcador por Fito ‘bomba’ Rinaudo, através de um fortíssimo pontapé a aproveitar um ressalto à entrada da área madeirense. A bola ganha potencia, sai a meia altura com boa conta, peso e medida até que bate no poste e, ao contrário de muitas outras ocasiões, ressalta para dentro da baliza à guarda de Vladan. Um regresso que Fito merecia, porque a sua coragem e entrega ao jogo são altamente louváveis!

Há que reconhecer que dada a sequência de acontecimentos, a equipa leonina via-se cedo em vantagem, mais por obra e graça da fortuna do que por mérito próprio. De qualquer forma o golo serviu de tónico ao Sporting, aproveitando esse momento para impor-se, finalmente, sobre o Nacional. Foi num rápido contra-golpe que por pouco Matias não se isolava dentro da área após cruzamento com demasiada força de Capel. Mais tarde, seria Dieguito a empurrar a bola para dentro da baliza, lance mal anulado pelo árbitro auxiliar, uma vez que Carrillo no inicio da jogada parte de posição legal e Capel recebe a bola vinda de um defesa, encontrando-se, caso dúvidas da autoria do passe houvesse, atrás da linha da bola… O intervalo chegaria logo a seguir a mais um lance de contra-ataque leonino, disputado entre André Carrillo e Vladan, com o guardião nacionalista a antecipar-se e a lesionar-se na sua sequência. Segunda substituição que Caixinha se via obrigado a realizar. Pelo que se seguiu após a bomba de Rinaudo, o Sporting justificava a vantagem mínima com que chegava ao intervalo.

A segunda-parte apresenta-se com um SCP com maior posse de bola, a querer dominar o Nacional no seu meio campo defensivo, mas sem conseguir lances de muito perigo. Roldon recebe ordem de expulsão depois de ver segundo cartão amarelo, após rasteira perigosa a Rinaudo. Decisão justa, já que o avançado realiza entrada por trás e impede lance de ataque prometedor. O jogo colocava-se a jeito aos leões, parecia que se tornaria mais fácil com a dupla vantagem: numérica e no marcador… Mas nem seria do SCP se não resolvesse complicar. Com mais um jogador, a equipa leonina não evita uma transição veloz pela direita do Nacional, Claudemir faz um lançamento longo que apanha um Polga completamente apático a deixar fugir e a cabecear à vontade Diego Barcellos em plena grande área… bola à barra e golo do empate. Rinaudo ressente-se da lesão, entra Ribas, o Sporting reage, mais com vontade do que com organização e apenas algumas combinações de Matias com Ínsua, que subira no flanco esquerdo após troca de Capel (também saíra lesionado) por Evaldo, causavam sensação de perigo. A insistência pela esquerda, daria frutos: o (agora) extremo argentino ganha a linha de fundo desmarcado pelo chileno e, já dentro da área, é empurrado por um defesa quando quer flectir para dentro e cruzar. O Penalty, bem assinalado por Proença, permitiria o regresso de um apagado Wolfswinkel aos golos. Restou ao SCP gerir novamente o resultado, não sem evitar, novamente, passar por alguns calafrios... João Pereira, que tão mal estivera durante todo o jogo, resolve definitivamente a partida ao facturar o terceiro golo após jogada individual de belo efeito. Isto já nos descontos…

Vitória muito sofrida mas justa do Sporting, mais pela luta que sempre empregou num campo tradicionalmente complicado. O futebol aos repelões esteve longe de cativar… E aquelas combinações pelo centro do relvado, o jogo apoiado, dando mostras de maior organização que se vislumbraram no jogo anterior da Taça da Liga contra o Gil Vicente? Esqueçam, voltaram a não sair do papel…

Numa rápida análise à estreia de Xandão, diria que é daqueles defesas que não inventa. Joga prático, joga feio se tal for preciso. Impõe o seu físico nas acções defensivas, onde se mostrou seguro.

Por fim saudar o regresso de Rinaudo… O mesmo Rinaudo de sempre. Esperemos que a justificação para a sua saída não seja grave.

Ficha do Jogo:

Taça de Portugal - meia-final - 2.ª mão
2012-02-08
Estádio da Choupana, no Funchal (Madeira)
Árbitro: Pedro Proença (Lisboa)

Ao intervalo: 0-1

Nacional: Vladan (Marcelo Valverde, 45 m); Claudemir, Neto, Danielson, Marçal, Moreno (Skolnic, 18 m) Todorovic (Keita, 78 m), Candeias, Barcellos, Mateus e Rondon.
Treinador: Pedro Caixinha
Suplentes não utilizados:João Aurélio, Oliver, Márcio Madeira, Elizeu

Sporting: Rui Patricio, João Pereira, Polga, Xandão, Insúa, Rinaudo (Ribas, 71 m), Elias, Matias Fenandez, Capel (Evaldo, 52 m), Carrillo e Wolfswinkel (Carriço, 82 m).
Treinador: Domingos Paciência
Suplentes não utilizados: Marcelo Boeck, Izmailov, André Martins e Renato Neto.

Disciplina: Cartão amarelo para Xandão (10 m), Rondon (40 e 56 m), Evaldo (71 m), Neto (76 m) e Carrillo (77 m).
Cartões vermelhos para Rondon (56 m) e Vladan (após jogo).

Golos: Rinaudo (18 m), Diego Barcellos (63 m), Wolsfwinkel (75 m, g.p.) e João Pereira (90+3 m).

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O dia do juízo final ou do final do juízo?

Jogo da época, do tudo ou nada, do juízo final são algumas das expressões usadas para qualificar o jogo de amanhã frente ao Nacional. Obviamente que, tendo o Sporting "facilitado" no jogo da primeira mão, alguma da sorte da qualificação já está jogada e, até face ao momento da equipa, ninguém ficará surpreendido com nenhum dos resultados possíveis.

O que fazer em caso de fracasso (eliminação na prova) é o que muitos se interrogam e apontam já soluções.

O que fazer então?

Para responder a esta questão façamos uma avaliação prévia e sucinta ao papel dos principais protagonistas.

Clube/SAD
O trabalho efectuado no inicio de época mereceu o aplauso, interno e externo, a roçar a unanimidade. Subiu de tom por altura das vitórias consecutivas para conhecer o seu ponto mais baixo agora que se registam os piores resultados. Nada de surpreendente, afinal, de adeptos a analistas, o sentido critico tende a esgotar-se nas contas das vitórias, empates, derrotas, golos marcados e sofridos. Não percebo o que possa ter mudado assim tanto para mudar a agulha na apreciação a não ser a falta de coerência e a procura de bodes expiatórios. Senão vejamos:
  • O Sporting adquiriu aquele que era dado como melhor treinador da Liga que estava disponível e incluído recentemente no top 10 mundial. 
  • Adquiriu um lote de jogadores quase todos internacionais, com provas dadas ou promissores.
  • Soube criar o elan necessário junto dos adeptos na fase que antecedeu a época, fazendo com que Alvalade registasse as maiores assistências de sempre, desde a sua inauguração.
  • Além das condições dadas ao treinador, o grupo de trabalho parece blindado, não se conhecendo registos de devassa até ao momento, e o  período negativo já se alastra há algum tempo.
  • Hoje tanto se acusa a SAD de falar muito, como de não falar. No essencial parece-me que, apesar de não ser inquestionável, tem falado quem de direito, em momento oportuno.
Obviamente que não há estratégias infalíveis. Pode-se questionar, como muito bem o fazia ontem Couceiro, se ter feito tábua rasa no plantel, recomeçando do zero, não é hoje um dos grandes problemas de Domingos, assim que começaram a surgir as lesões em jogadores chave. Mas é bom lembrar que não só não se conhece quem se tenha oposto a esta linha de orientação como havia muitos pediam que se fosse ainda mais longe. 

Hoje, percorrendo os meses que nos trouxeram aqui o principal erro que aponto ao Clube/SAD foi a gestão da informação relativamente à auditoria interna. Em teoria, o cumprimento de uma promessa eleitoral deveria merecer a aprovação generalizada, mas quem julgava isso possível seguramente que não conhece o Sporting e as suas dinâmicas internas. Tornar públicos os resultados nesta altura só acrescentou ruído e cacofonia, para ser optimista. 

Não me parece haver justificações para o isolamento de Luís Duque e os consequentes ataques. Goste-se ou não, ele tem sido uma das bases onde acenta o tripé do futebol leonino, depois de Godinho Lopes e antes de Domingos. Claro que daria muito jeito a quem não gosta do Sporting ver ruir este pilar e sentir os seus corredores mais desimpedidos. É que, como muito oportunamente alguém me lembrou, com Luis Duque no Sporting houve quem não visse o caneco durante 3 anos, por exemplo.

Treinador
Quem lê o que aqui vou  escrevendo já percebeu que entendo que está na falta de resposta do treinador às dificuldades criadas pelos adversários a principal razão do actual momento. Querido por uma enorme franja de adeptos, teve recepção apoteótica nunca vista a nenhum treinador. Tem tido aquilo que se chama na gíria as costas forradas pela SAD, que o tem apoiado de forma inequívoca. Quem não gosta do Sporting já se apressou a afirmar que o problema está na matriz do clube, como se o Sporting tivesse perdido em definitivo o caminho para as vitórias. Quem não gosta de algumas pessoas que estão no Sporting, resguarda o treinador das criticas. 

Mas quem vê o Sporting jogar dificilmente pode ignorar que é ao treinador que compete preparar a equipa para ultrapassar os adversários que comodamente se instalam em 2 linhas atrás da bola e desferem contra-ataques. Hoje até o Moreirense eo Gil Vicente podem ter êxito, de forma continuada, contra o Sporting o que é dificilmente justificável, face à diferença de valores.

O papel do treinador é crucial num clube de futebol, como todos certamente reconhecem. O exemplo de Jesualdo Ferreira no Panatinaikos na Grécia é paradigmático. Num país imerso no caos, num clube que emula o país e está sem direcção há mais de um ano e num campeonato canibalizado por um Olympiacos todo-o-poderoso, que beneficia da benevolência dos média e do poder federativo, o técnico tem conseguido liderar o campeonato. A derrota recente, surpreendente, e que o deixa muito perto de perder o lugar da frente não é suficiente para lhe retirar o mérito.

Com isto não quero fazer de Domingos um caso perdido ou a causa de todos os males. É a sua primeira época no Sporting, é a sua primeira época como treinador de um grande onde as exigências e a pressão são incomensuravelmente maiores que as que conheceu até hoje. Apesar dos sinais de evidente desorientação já dados, na escolha das equipas, nas substituições, nas conferências de imprensa e até nas suas expressões confio na sua inteligência e sagacidade para aprender com os erros.

Indiscutivelmente Domingos ainda não acertou no modelo para o nosso jogo é essa a sua principal falha mas é ele, para o bem e para o mal, o único a quem compete a tarefa.   

Plantel
Não perderei muito tempo, apenas reafirmarei que é talvez, na sua valia técnica e humana, dos melhores que tivemos nos últimos tempos. Há desequilíbrios óbvios, de responsabilidades repartidas entre o treinador e SAD, mas nada que uma equipa bem preparada e treinada não consiga superar. E ajustes há sempre, mesmo até em equipas campeãs. Qualquer observação actual sobre a valia dos seus componentes tenderá a pecar por defeito, quase todos já demonstraram ou prometeram ser capazes de melhor ou até muito melhor.


Adeptos
Pode-se dizer que assumiram o protagonismo da época ao regressar em força a Alvalade. É sempre fácil gerir emocionalmente o sucesso, mas difícil é viver com o seu contrário. Mas é nos piores momentos que se pedem as melhores decisões. E em alguns deles o melhor é tão só não precipitar as decisões. Não me parece que, para o Sporting, que muitos gostam de cantar como "O Nosso Grande Amor" o melhor seja começar outra vez tudo de novo. Para poupar no latim, que isto já ai longo, socorro-me do que diz hoje Octávio Machado, no Jogo:

A época decide-se amanhã? Se for eliminado da Taça de Portugal, que consequências devem existir e o que resta ao Sporting até ao final da temporada?

A seguir há a Liga Europa, onde o Sporting tem feito uma época extraordinária; há o terceiro lugar na Liga para obter a qualificação para a Liga dos Campeões; e, acima de tudo, tem de se construir uma equipa que permita atingir patamares mais elevados no futuro. Em termos desportivos, a época não acaba aqui, só a possibilidade de ganhar uma competição, já que ganhar a Liga Europa é muito complicado. Mas há muito para além da meia-final da Taça de Portugal...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Guerra aberta ao Sporting

Apesar dos resultados serem os que são o Sporting mesmo assim parece continuar a incomodar. É isso que se depreende das reacções corporativas que amiúde vêm agredindo o clube desde o inicio da presente época. Foi assim que nos tentaram cortar as pernas à nascença do campeonato, através de arbitragens despudoradas a lembrar o esplendor dos tempos pré-Apito-Dourado e tem sido assim em alguns órgãos de comunicação social. Vide o caso do Público e agora mais recente com a SIC, passando pelo MaisFutebol. No fundo é um tributo que nos prestam pois, como diz o povo, só se atiram pedras às árvores que dão fruto.

Quanto a este caso desde já peço desculpa aos leitores, mas terão que recorrer a outro espaço que não este para visionar a dita peça que, por roçar o ignóbil, me recuso a exibi-lo aqui e muito menos a colocar um link. Este só contribuiria, mesmo que modestamente, para aumentar as audiências do site do referido canal, seguramente um dos objectivos que está por trás da feitura de peças de teor semelhante.

Não faltarão teorias estribadas nas mais evoluídas normas da comunicação a dizer como deveria o Sporting reagir perante ataques como estes, sejam eles dos árbitros, sejam dos homens da comunicação social. Estando eu longe de ser um expert na matéria, não deixo no entanto de ter uma opinião sobre o assunto, na minha condição de adepto e sócio do Sporting. 

Embora a comunicação do Sporting esteja há muito isolada e sob enorme escrutínio interno e quando não sob ataque cerrado, parece-me, que em norma, tem sabido reagir de acordo com o sentir dos seus adeptos e sócios. Foi assim quando proibiu a entrada do MaisFutebol, quando deixou o Público à porta e é algo semelhante que espero que faça agora com a SIC, se esta não se retratar. 

É essa que deve ser a primeira preocupação deste sector tão importante na vida de uma instituição, e atendendo à especificidade que é um clube: falar e agir de forma a replicar o sentir dos seus sócios e adeptos. É aí que reside a força do clube, na força dos seus adeptos, e estes dificilmente entenderiam que o clube deixasse passar em claro quem o torpedeia, seja por representar interesses obscuros de concorrentes directos, seja por, não respeitando uma instituição centenária que tanto tem dado ao País, se sirvam do Sporting para viverem. Ou sobreviverem, melhor dito. 

Não foi o Sporting que abriu as hostilidades, só faltava agora que se encolhesse. Com o Sporting não se brinca!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Domingos, tem Paciência, mas isto até 1 carpinteiro vê

Domingos, tem Paciência, mas isto até um carpinteiro vê:

- Não há qualquer justificação possível para que o Sporting, jogando sempre com a melhor equipa possível, fique em terceiro lugar num grupo de que faziam parte Gil Vicente, Moreirense (ficou atrás destes!!!) e Rio Ave, com apenas dois golos marcados e três sofridos.

- O Sporting não está apenas a coleccionar maus resultados, está também a jogar muito abaixo das necessidades de um clube grande e da categoria individual ao dispor do treinador.

- A actual série de resultados (EEDEV para o campeonato, EED para a Taça da Liga) não são de uma equipa que luta pelo titulo, não são de uma equipa que luta pela Europa, são os resultados de uma equipa que luta para não descer de divisão.

- Domingos tem de perceber se tem uma solução ou se ele é já parte do problema. Se não o fizer, alguém vai ter que fazer por ele.

Ao contrário de muitos diagnósticos que vou lendo, a actual crise centra-se precisamente na falta de resposta de Domingos para as dificuldades criadas pelos seus colegas adversários. Não é dos jogadores a conta-gotas, das nacionalidades, das lesoes (a merecer reflexão profunda porque se repetem incessantemente) dos túneis, dos árbitros, do Roquetismo, da auditoria, da falência técnica, etc. Quando muito alguns desses items podem ser factores agravantes.

E quem o diz hoje sou eu, que defendi a sua contratação, que me entusiasmei pela sua chegada a Alvalade. Precisamente por no seu trajecto ver um treinador com uma capacidade acima da média para ler os adversários e obter resultados. Foi essa a história de Domingos até chegar a Alvalade, mas está longe de ser o presente.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O costume…

Carrillo bem tentou...

Jogo decisivo para apurar o adversário do SC Braga nas meias-finais da Taça da Liga. A disputa seria exercida entre leões e galos, com vila-condenses à espreita em Moreira de Cónegos.

Sporting e Gil Vicente surgiam em momentos antagónicos, com a equipa leonina a atravessar a sua pior fase da época - que a ultima vitória sobre Beira-Mar apenas atenuou levemente- e um Gil Vicente confiante após estrondosa vitória em casa sobre o FC Porto. Apesar disso, as memórias recentes do último jogo disputado entre ambos, no mesmo palco, pendia (muito) favoravelmente para a equipa da casa.

Entrou mal o SCP com os primeiros 10 minutos a mostrar um Gil Vicente atrevido e a causar preocupação á defesa leonina em duas bolas paradas seguidas. Antes, após contra-ataque venenoso, já tinham criado algum frisson num remate fora da grande área que passou ao lado da baliza de Boeck. À passagem dos 10 minutos, Matias surgiria isolado dentro da área gilista após boa triangulação do ataque leonino, na melhor oportunidade do SCP em toda a primeira-parte. Este lance serviria para o SCP acalmar e assentar o seu jogo, permitindo um domínio sobe o seu adversário que duraria até ao intervalo. André Santos melhor no passe que o ‘trapalhão’ Renato Neto, justificava a titularidade tendo o apoio de Elias, mais recuado e a seu lado. Estes factos permitiram à equipa mais e melhores opções de saída para o ataque, com um jogo mais apoiado que o habitual. Paulatinamente, o SCP ia impondo o seu jogo e criando algumas situações perigosas. Foi, durante este período, que se notou maior qualidade no futebol praticado pelos leões desde há largos jogos a esta parte. Um futebol mais colectivo com a novidade de ver Capel a combinar frequentemente com os colegas na zona central do terreno. Como Carrillo e Wofswinkel não acertaram na baliza de Adriano, o nulo permaneceu até ao intervalo. Lisonjeiro para o Gil Vicente.

O início da segunda parte não produziu grandes alterações ao que vinha sendo a história da partida, até surgir o seu lance capital: Hugo Vieira (sempre muito rápido e acutilante) foge a toda a defesa leonina e Onyewu derruba-o no limite da grande área. Apesar de dificuldade em ajuizar o local exacto onde a falta é cometida, pareceu-me que o Penalty foi bem assinalado por Bruno Esteves, bem como a consequente expulsão do norte-americano após visionar o segundo cartão amarelo. Cláudio converteu, tornando a missão do SCP em atingir os seus objectivos tremendamente espinhosa. Elias ressurgiu no jogo, Matias tentou tudo e o peruano André Carrillo, em mais um soberbo lance de técnica individual, não teve fortuna e acertou no poste, até que… Caiçara derruba Matias Fernandez dentro da área aos 69 minutos. Se é certo que a falta não é tão evidente quanto a do penalty anterior, não deixa de ser verdade que, mas mais uma vez, o SCP viu-se objectivamente prejudicado pelo representante de hoje da APAF, em pleno Alvalade. No fundo, no fundo cumpriu-se o nosso destino na Taça da Liga, competição já com um tremendo historial de prejuízo arbitral sobre o SCP. Soma-se apenas mais um. O pior é que os erros arbitrais vão-se acumulando ao longo da época, e são transversais a todas as competições nacionais. Unicamente coincidências, claro está. Depois desse lance, que poderia proporcionar ao SCP outra capacidade para dar a volta ao resultado, o Gil Vicente viu-se empurrado para a sua área, mas com os minutos a esgotarem-se a equipa leonina foi perdendo discernimento, deixando de acreditar, permitindo aos minhotos, cada vez mais confiantes, boas oportunidades de ampliar o resultado. Marcelo Boeck, impediu-o, com um bom par de defesas nos últimos instantes do jogo. A expulsão de Caiçara aos cinco minutos do prolongamento chegou com vinte e cinco minutos de atraso e foi boa… para o próximo adversário do Gil Vicente.

Em suma, apesar da derrota, este foi um jogo em que SCP apresentou um modelo de jogo mais coerente, com maior qualidade (ainda que claramente insuficiente), mas erros próprios misturados com erros alheios e ausência de estrelinha ditaram, com alguma pitada de cinismo, o afastamento de mais um título em 2011-2012. Resta a Taça de Portugal, com a meia-final a ser disputada na próxima quarta-feira na Madeira perante o Nacional e onde Gooch não estará presente, restando a Domingos, em função de mais uma lesão de Rodriguez (?), reeditar a tão querida dupla de centrais dos sportinguistas. Aguardemos, serenamente, por melhor sorte…


Ficha de jogo
Estádio José Alvalade, em Lisboa.
4 de Feveiro de 2012
23 081 espectadores.
Árbitro: Bruno Esteves.

SPORTING: Marcelo; João Pereira (Rubio, 67 m), Onyewu, Polga e Evaldo; André Santos (Daniel Carriço, 58 m), Elias e Matías Fernández; Carrilo (Izmailov, 77 m), Van Wolfswinkel e Diego Capel.
TREINADOR: Domingos Paciência.
SUPLENTES NÃO UTILIZADOS: Rui Patrício, Insúa, Rinaudo e Seba Ribas.
Acção disciplinar: cartão amarelo para Polga (6 m), Onyewu (37 e 52 m), Rubio (70 m), Elias (76 m). Cartão vermelho para Onyewu (52 m).

GIL VICENTE: Adriano; Daniel (Mauro, 89 m), Halisson, Cláudio e Júnior Caiçara; Luís Manuel (Zé Luís, 69 m), Pedro Moreira e Richard (Guilherme, 81 m); Rodrigo Galo, Hugo Vieira e André Cunha.
Treinador: Paulo Alves.
SUPLENTES NÃO UTILIZADOS: Jorge Batista, Paulo Lima, Tó Barbosa e Roberto.
Acção disciplinar: cartão amarelo para André Cunha (46 m), Júnior Caiçara (57 m), Pedro Moreira (60 m), Adriano (68 m), Guilherme (86 m). Cartão vermelho para Júnior Caiçara (90+5 m).

Golo: Cláudio (53 m g. p.)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A falência técnica só existe por causa da auditoria?

As reacções à auditoria financeira estão aí e o tom geral confirmam as minhas suspeitas: a fazer crer pelas afirmações dos responsáveis, o Sporting entrou em falência técnica porque sim. Ainda vai haver quem descubra que a culpa é da auditoria. Isto é, o tradicional, atira-se ao mensageiro (a auditoria)  para matar a mensagem (a falência técnica). Como era bom se resultasse, mas não vai ser assim tão fácil.  

Acontece que a auditoria debruçou-se sobre os últimos 13 anos, abarcando o mandato de 5 presidentes. Desses pronunciaram-se apenas 3. José Roquette remeteu para o Livro Branco que analisa os seus mandatos. De Bettencourt e Santana Lopes não se ouviu um ai. Dias da Cunha e Filipe Soares Franco foram mais prolíficos mas, depois de os ouvir continua-se sem saber como chegamos até aqui.

Dias da Cunha (in TSF) Para Dias da Cunha, o resumo a que teve acesso da auditoria externa é limitado. O antigo presidente fala em equilíbrio global das contas, quando deixou o clube.

Soares Franco (in TSF) apontou erros ao documento mas declarou-se satisfeito quanto aos resultados do próprio mandato.

Sousa Cintra, que os antecedeu, foi também económico com a verdade. Os números do seu tempo não são tão estarrecedores como os de hoje mas daí até ao "não deixei dívidas" é uma brincadeira com a memória de quem viveu esses tempos.

Quem também acordou foi Rui Meireles, responsável pelo sector financeiro durante o mandato de Dias da Cunha e parte de Soares Franco. Ao ouvi-lo parece que a falência técnica é uma inevitabilidade, tal como sol aparecer a nascente todos os dias. Foi talvez esta ligeireza e despreocupação que fez com que se fizesse indemnizar principescamente, isto depois de ter constado da folha de salários do clube. Nada teria contra, desde que os resultados fossem obviamente outros. Maior desfaçatez só do inefável Rui Oliveira e Costa: "Só porque dá prejuízo a gestão não tem de ser má. Apurar responsabilidades para quê?”

O mesmo se aplica a Nobre Guedes. Transitou da gestão de Bettencourt para a actual, onde se registaram simultaneamente os piores resultados desportivos e financeiros, sem se perceber se o critério foi premiá-lo ou puni-lo pelo descalabro. O que é facto é que as promessas de recapitalização da SAD são sempre conjugadas no futuro ou no condicional. 

Nesta conformidade a auditoria ameaça tornar-se um oportunidade perdida e apenas se aproveitar o seu pior. Após o streap-tease a noiva está demasiado magra e chupada para atrair interessados. Nada de que não tivéssemos sido avisados com antecedência suficiente para ter invertido o rumo:

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/sport/sporting/esta-politica-vai-levar-a-falencia-do-sporting
 
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/sport/desporto/recurso-ao-mercado-externo-sera-excepcao

Mas o pior é constatar que, para lá da rápida desresponsabilização por parte dos principais intervenientes, não haja a mais leve indicação de preocupação e de compromisso numa solução para o futuro.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A Auditoria, a falência e a responsabilidade


Oh, o drama, o horror a tragédia
A imprensa acordou ontem o país para a falência técnica do grupo Sporting. Estranho porque isso era consabido há anos e não deve estar limitado apenas ao Sporting. O clube é apenas o primeiro e até agora único a deixar a situação clara. Será também o mais aflito dos 3 grandes e isso tem, quanto a mim um explicação primária: a gestão desportiva. A situação é sem dúvida dramática, os números são horrorosos, mas só se transformará em tragédia se se continuar a ignorar as evidências.  

Quem são os responsáveis pela situação?
Culpa e responsabilidade tendem sempre a morrer solteiras em Portugal, e no Sporting as coisas tendem a não fugir à regra. Mas, quando por alguma razão, se decide apurar responsabilidades tende-se a descer na hierarquia até encontrar uma peça frágil da engrenagem e que, por isso, não estrebuche muito quando tiver que arcar com o ónus que devia caber a vários. Ora a auditoria debruçou-se sobre 13 anos de gestão e quem, antes de mais, deve ser responsabilizado pelos resultados senão os presidentes e respectivas direcções que os acompanharam? Que outros nomes procurar senão começar pelos que são conhecidos de todos? 

E tu, onde estavas enquanto o clube falia?
E, sendo claro que não houve tomada ilegítima de poder, isto é, todos os presidentes viram ratificados pelos associados, normalmente por maiorias mais do que confortáveis, os seus mandatos, como desresponsabilizar os sócios pelas opções tomadas, muitas vezes de forma pouco criteriosa? Colocar esta questão faz ainda mais sentido quando, de Roquette até Bettencourt, a sucessão de presidentes foi sempre dentro da mesma linha de acção e pensamento, de forma quase dinástica, apesar de não faltar quem avisasse para o que aí vinha. Quem os escolheu, ou seja  todos os que sucessivamente ignoraram os sinais e os avisos, repartem a com os eleitos a responsabilidade. Isto é, a maioria dos sócios! Os que nunca fizeram nada, isto é, não apareceram, não votaram, deveriam ser os últimos a gritar horrorizados. A casa já está a arder há muito…Mas, no fundo, todos nós somos co-responsáveis pela actual situação, uns mais que outros, obviamente.

Auditoria ou bomba de fragmentação?
Os dados trazidos a lume pela auditoria só serão surpresa para quem aterrou ontem na realidade. Veremos como o clube reage à crueza dos números. Não me parece que se deva fechar os olhos ao que configure dolo ou gestão danosa, mas também não creio que seja o tempo de iniciar uma caça às bruxas. A força do Sporting está nos seus sócios e, quem quiser conhecer a sua história, encontrará muitos momentos como o actual, aos quais os sportinguistas souberam reagir e responder aos desafios. Este é o tempo de, acima do amor próprio e das estratégias pessoais, de demonstrar o amor ao clube. Mais do que nunca o Sporting precisa de todos.

A vantagem que não pode ser desperdiçada
Esta auditoria tem pelo menos essa vantagem: a partir de hoje não há álibis, não escondemos a realidade por trás de números convenientes. Se por um lado isso é uma enorme desvantagem para atrair receitas e investidores, a consciencialização dos problemas próprios é o passo imprescindível para a sua resolução. Já não falta tudo.
Em frente Sporting!

P.S: já depois de publicado o post chegou-nos a comunicação da AAS sobre o mesmo tema, que  abaixo se publica:


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Última hora: Carlos Barbosa demitiu-se!

Apresentando motivos de ordem profissional Carlos Barbosa apresentou hoje a demissão do cargo de vice-presidente do Conselho Directivo do Sporting Clube de Portugal. Certamente que voltaremos a falar sobre esta noticia que só surpreenderá os menos atentos.

Estranho timing escolher o dia em que a comunicação social "descobriu" a falência técnica há muito conhecida, sabendo-se que se trata do número dois da hierarquia. Mas a história faz-se com os que ficam e raramente lembra os que desistem. Carlos Barbosa entrou e saiu em grande velocidade, fazendo algum barulho, mas sem cortar qualquer meta pelo que, por isso mesmo, continuará a lembrado como presidente do ACP.

Em frente Sporting!

Mercado fechado, Sporting reforçado?

O Sporting foi o primeiro clube, dos 3 grandes, a recorrer e fechar o mercado de inverno. Pareceu um acto previdente e diligente, fica agora a necessidade de confirmação se as três aquisições de inverno o foram apenas isso ou se se devem ser olhados como reais reforços do plantel. No momento actual, como quase sempre quando falamos em desportos colectivos, o seu sucesso dependerá muito do trajecto da equipa.

Saliente-se o perfil jovem dos 3 novos incorporados, contrastando com a veterania e experiência preferida pelo FCP e pelo marketing agressivo e dissimulado do SLB. Mesmo considerando o carácter especulativo da minha opinião (tendo em conta que conheço mal ainda quem chegou) parece-me que os grandes reforços já cá estavam, embora, por uma razão ou por outra, não têm podido contribuir para o êxito.

ENTRADAS

Xandão
Chegou após gozo de cerca de um mês de férias o que fez com que a utilização imediata estivesse posta de parte.  A menos que haja alguma surpresa, a sua entrada no onze titular só acontecerá em caso de lesão de algum dos 3 jogadores mais utilizados, isto atendendo às exigências do calendário. O mais provável é sentar-se no banco nos jogos mais próximos e na maior parte do que resta da época.

Renato Neto
Já deu para ver que o brasileiro não será tão cedo o Vandinho que Domingos procurava. Vi-o jogar ao vivo no jogo de estreia e confirmei o que me haviam dito sobre o jogador: não tem nem velocidade nem agressividade para ser já um 6. E a cada jogo isso vêm-se confirmando. Isto equivale por dizer que tem quase tudo menos o essencial para o lugar.  Fica por saber se estas são características que possam ser adquiridas. Só compreendo a sua titularidade por força das lesões de Carriço ou pela implicância com André Santos.

Ribas
Foi chamado no pior momento da época e isso limita a sua prestação e por consequência a avaliação. É menos móvel que Wolfswinkel, mas cabe também a Domingos torná-lo mais participativo no jogo colectivo, não me parecendo que, para se servir de um jogador com mais mobilidade se deva sacrificar Jeffren, como já sucedeu. Para isso basta que o treinador vá ao seu álbum de memórias e lhe mostre como ele fazia no seu tempo. Quem sabe não sentirá tanta necessidade de "querer saltar lá para dentro". Ribas tem, apesar das características físicas, idade para aprender e evoluir. O resto depende dele e de quem o treina.

SAÍDAS

Bojinov
Foi-se embora mais um flop, isto segundo grande parte dos que se apressam a elaborar veredictos. O episódio insólito que protagonizou precipitou a saída, numa passagem marcada por um tom pouco feliz, desde a chegada lesionado até ao penalty falhado. O que poucos repararam é que, mesmo tendo jogado pouco e em alguns jogos de relativa importância, o búlgaro tinha um rácio de golos/ tempo utilizado muito idêntico ao de Wolfswinkel, como lembrou muito bem o Filipe Moreira de Sá no Futebol Portugal. Despachá-lo para um dos últimos da Liga Italiana não é propriamente cuidar do investimento feito e, ou muito me engano, (ou Bojinov se supera em Lecce), ou será mais uma alínea a acrescer nas imparidades nos próximo relatório e contas.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Perguntas sobre o caso Djaló, responda quem souber

Quando o Sporting vendeu Yanick Djaló ao Nice alienou os direitos desportivos que tinha sobre o jogador. 

Tem meios legais de impedir que este assine por outro clube, uma vez que ele se desvinculou do Nice?

Podia o Sporting fazer o negócio sem alienar os direitos desportivos? (está de fora a figura do empréstimo)

O Sporting podia/devia prever o que sucedeu após a venda do jogador (falha na inscrição, da responsabilidade do Nice e do jogador)? 

Quantos casos idênticos são conhecidos?

Pode o Nice eximir-se ao pagamento do acordado com o Sporting só porque o jogador rescindiu?

A FIFA parece lavar as mãos do assunto, remetendo para o Sporting o esclarecimento da relação laboral com o jogador, que, quanto me parece, já não existe. Mas não se devia pronunciar sobre o valor em dívida da parte do Nice?

O Sporting podia/devia ter agido de forma diferente relativamente ao jogador, a partir do momento em que este ficou livre, após rescisão do contrato com o Nice?

O Sporting tem a haver direitos de formação sobre o jogador?

Faz sentido que aqueles que repetiram "ad nauseam" que Yanick "não valia nada" (versão mais favorável) venham agora também exigir que o Sporting seja ressarcido?

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Djaló já não mora aqui

O rumor do fim-de-semana é agora noticia, Djaló assinou pelo SLB. Djaló já não é do Sporting e já não era desde o final do verão passado. Mas, depois de um expedição mal sucedida no sul de França, transita para o outro lado da segunda circular. Acima de tudo é isto que não gosto na noticia, mesmo não sendo a primeira vez, nem com certeza a última, que tal sucede. Não gosto de ver jogadores da casa com as camisolas dos rivais, muito menos do arqui-rival.

A partir de hoje o seu sucesso ou o inverso ser-me-à indiferente. Enquanto "cá" esteve, começou por ser um dos jogadores que mais me irritavam até me parecer poder ser mais importante do que foi. Julgo que os treinadores que o tutelaram sentiram o mesmo, ao darem-lhe, quase sempre, a titularidade. Carvalhal foi talvez quem tenha percebido melhor o seu potencial, isto depois de Boloni lhe ter augurado grande futuro. Mas Carvalhal teve pouco tempo e Djaló voltou depressa ao seu normal.

Julgo que Djaló não vai para o SLB por acaso, depois de poder ter recusado sair para a Alemanha. O facto da mulher estar grávida certamente pesou na decisão, mas julgo não me enganar que, ao preferir atravessar a estrada, o jogador quer o ajuste de contas pela forma como foi obrigado a sair de Alvalade. 

Pelo meio estará um imbróglio legal pelos direitos económicos do jogador. Seja qual for o valor que o Sporting tenha a receber será infinitamente inferior às possibilidades que chegaram a estar em aberto no passado, e isso será outro aspecto a lamentar e a merecer reflexão.

Sou dos que não teme o seu sucesso pois, além de não ter assobiado, não estou certo que não nos pudesse continuar a ser útil, como foi em algumas, poucas, ocasiões. Pensar que tal se deve apenas à categoria (ou falta dela) do jogador, parece-me redutor. Desde que se fixou nos seniores, quantos mais tarimbados ( e muito mais dispendiosos...) ficaram pelo caminho?

A sorte do Sporting nos pés Rinaudo

31 a 6
Já era comum ouvir os adeptos suspirarem por Rinaudo, ontem chegou a vez de Domingos. Parece que a panaceia para todos os males se resume à ausência/regresso de Rinaudo, o que me parece uma falácia. Isto porque reduzir os problemas de uma equipa de 11 à ausência de 1 jogador é já si admitir que algo está a funcionar mal. E é também injusto para o jogador uma vez que, por muito bom que seja, não conseguirá estar à altura do que dele se espera. Rinaudo é de facto bom, mas nem sequer é genial, não fazendo por isso qualquer sentido esperar-se assim tanto dele. E admiti-lo, como ontem fez Domingos, além de parecer a leste dos reais problemas, confessa um mau planeamento, como se pode ver pela ausência de um jogador ou um plano que substitua Rinaudo. Renato Neto, que não cresceu naquele lugar, é um erro infeliz, acumulado com a embirração com André Santos. Até a dormir faria melhor que o Neto, mesmo não sendo o ideal para o lugar.

O que poderia ser diferente com Rinaudo?
Quando rebobino os jogos recentes do Sporting pergunto-me o que poderia o argentino, com as funções que tem habitualmente atribuídas, melhorar a prestação da equipa onde ela tem sentido mais dificuldades, que é na organização ofensiva. Isto porque o problema não me parece ser deste ou daquele jogador mas sim da concepção do jogo. 

Como jogamos com os mais pequenos?
O Sporting sai normalmente para o ataque através do central (Polga e ontem Rodriguez) que ou opta pelo passe médio/longo por endossar a bola ao lateral, que avança enquanto pode para entregar ao extremo. Em norma este procedimento, há muito identificado pelos adversários, redunda num regresso da bola atrás, até ao central ou eventualmente ao 6, que varia de flanco, até encontrar as mesmas dificuldades. Raras vezes o 6 é chamado a intervir no processo e quando o faz encontra os companheiros de sector muito distantes, vendo-se obrigado a efectuar lançamentos de mais de 15/20 metros, ou devolver a bola ao central. Se a bola chega ao destinatário este encontra-se de costas para o jogo e tem dificuldades em prosseguir verticalmente, vendo-se pois obrigado ou a fazer regressar a bola ao ponto de partida ou a arriscar voltar-se para a baliza, elevando o risco de perda de bola. Quando tal não acontece faz o passe demasiado pressionado, com elevada percentagem de poder vir a falhar ou fazê-lo de forma menos assertiva, criando um problema para quem vai receber a bola. Com isto, chegar às imediações da área é mais difícil do que dobrar o cabo das tormentas e o ponta-de-lança um parente afastado.

Talento à deriva
Pode Rinaudo mudar tudo isto? Não creio e quem o faz pode vir a ter uma grande desilusão… Daí o titulo do post, uma vez que sendo o futebol o miocárdio do clube, qualquer enfarte ou bloqueio faz perigar a sua saúde, como se vai notando em alguns movimentos oportunistas… O mesmo acontece já relativamente à forma como é olhado o valor dos jogadores, dos quais Elias é o melhor exemplo. O mesmo sucede com Ribas, de quem é dificil, ao fim do terceiro jogo, fazer uma avaliação. Alguém se lembra de um momento em que foi bem servido nestes 3 jogos? Podia dizer o mesmo de Capel, cuja importância para a equipa vem decaindo, parecendo-me que falta quem, da equipa técnica, lhe elucide o óbvio: ficar colado à linha à espera do jogo faz dele um “sitting duck”. E receber a bola e correr numa paralela à linha lateral não só serve de pouco, como foi chão que deu uvas. Repararam há quanto tempo não vemos sequer um centro “à Capel”? Mesmo que Ribas seja um exímio cabeceador (parece-me mais do que isso, embora sem a mobilidade de Wolfswinkel) como o vai poder demonstrar?

Des(confiança)
Como Domingos já declarou que “não vai mudar nada” vejo com pessimismo o futuro imediato do Sporting nas 2 competições onde ainda pode fazer alguma coisa, que são as taças da Liga e de Portugal. Porque quer Gil Vicente quer o Nacional ( a quem temos mesmo que ganhar ou empatar por mais de 2 golos) são equipas que já nos viram jogar e são capazes de nos fazer a vida negra. Os resultados são fundamentais, mas jogando bem está-se sempre mais perto de ganhar, o que não vem acontecendo. Duvido que, com as dificuldades sentidas, a vitória de ontem tenha reforçado a confiança da equipa.

Os resultados não todos iguais
Os resultados nem sempre dizem tudo. Lembro-me dos jogos com o Olhanense, um adversário acessível mas com o qual perdemos 4 pontos. Quando empatamos em casa na primeira volta fiquei convencido que, jogando como o fizemos, ganharíamos quase todos os jogos com equipas abaixo dos outros 2 rivais. Ao ver o jogo da jornada passada em Olhão pareceu-me que, ao contrário, iremos sofrer muito na 2ª volta, onde teremos que discutir os pontos renhidamente. O que não me parece fazer muito sentido face ao talento disponível e que me parece cada vez mais desperdiçado.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Regresso pouco feliz às vitórias

Estava longe de pensar que o Sporting iria apenas conseguir a primeira vitória de 2012 já nos últimos dias de Janeiro. Depois de conquistados os primeiros 3 pontos da 2ª volta do campeonato não será de todo injustificado pensar que a ausência de vitórias pode muito bem não ser obra do acaso. É que, finalizados os 90 minutos, nada mudou no jogo do Sporting, antes se acentuou a incapacidade de construir jogo e até de o controlar. 

Quantas vezes mais o Sporting terá a possibilidade de ganhar um jogo em que praticamente não criou jogadas de golo? Preocupante, até porque Domingos já tinha assumido na conferência de imprensa que antecedeu o jogo que não mudaria nada. E assim o fez na preparação do jogo, na disposição dos jogadores e nas substituições.

FICHA DE JOGO

sábado, 28 de janeiro de 2012

Yanick vermelho, Liedson azul

São apenas rumores mas é impossível que eles não suscitem uma reacção aos sportinguistas. Confesso desde já o meu incómodo se algum deles ou ambos vierem a ser confirmados.

No caso de Yanick por ser um jogador formado no Sporting, e cuja ligação iniciada aos 15 anos foi interrompida de uma forma que não prestigia o clube. Yanick foi escorraçado aos assobios de Alvalade, declarado culpado sem qualquer remissão por um "crime" do qual estava longe de ser o autor e mentor. Se Domingos o punha a jogar, como aliás tinham feito todos os antecessores, o que poderia ele fazer se não jogar? Compreendendo a situação embaraçosa em que estava colocado e em que deixava o treinador, acabou por tomar a iniciativa de abandonar. 

O episódio rocambolesco da sua transferência só faz sentido por estarem envolvidos o clube que era (o Nice) e o jogador. Se o destino fosse um clube de top europeu o desfecho teria sido obviamente outro.

No entanto a noticia do ingresso no SLB levanta-me enormes dúvidas. Não vejo como Yanick possa lutar em pé de igualdade com os jogadores da frente de ataque da equipa de Jesus. A menos que o jogador deixasse as intermitências que o caracterizavam e seja "apenas" o melhor Yanick que conhecemos e que nos lembramos dos jogos com o mesmo SLB (5-3) Everton (3-0) e FCP (3-0), por exemplo. 

Liedson é um caso diferente. Saiu também por sua iniciativa do Sporting com o que parece ter sido o intuito de ser profeta na sua própria terra, o que conseguiu, ao ser peça fundamental no título do Corinthians. Mas, ao contrário de Djaló, era um ídolo em Alvalade, quase porta-estandarte de uma época carregada de sinais contraditórios,  entre taças ganhas e campeonatos perdidos, passando por uma final europeia. 

A possibilidade de representar o FCP dependerá, acima da capacidade negocial de PdC e da abertura do Corinthians, do lugar que quiser ocupar na história do Sporting e sobretudo na memória daqueles que o idolatravam.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A crise de resultados. O que está a falhar?

Muitos têm sido os diagnósticos sobre as causas da crise de resultados que assola o Sporting e que alguns identificam como tendo começado no início do presente ano. Hoje deixamos o espaço livre à análise dos nossos leitores, deixando alguns tópicos que obviamente não os obrigam:
  • A SAD não criou as condições necessárias para o sucesso, nos meios humanos e condições de trabalho disponibilizados.
  • A culpa é dos adeptos que (i) gerem mal as expectativas criadas (ii) pressionam excessivamente o treinador e/ou os jogadores., e (iv) não apoiam a equipa como seria necessário.
  • Domingos não tem sabido (i) lidar com a pressão de treinar um clube grande, (ii) criar um modelo de jogo eficaz (iii) (iv) lidar com as adversidades. (v) A preparação física é deficiente e a análise e conhecimento dos adversários deixa muito a desejar.
  • O problema centra-se na (i) excessiva juventude do plantel, (ii) no desconhecimento dos respectivos elementos, (iii) necessidade de adaptação a novas realidades ou (iv) falta de qualidade individual.
  • O azar do número excessivo de lesões, que impede a consolidação aptidões adquiridas no treino.
  • Falta de sorte em alguns jogos.
  • As arbitragens e outras "particularidades" do futebol português.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O regresso de Liedson

A passagem de Gilmar Veloz por Lisboa pôs a circular o rumor de um hipotético regresso de Liedson ao Sporting ou até a um dos rivais. Algumas reacções avulsas a que tive acesso de adeptos iam num tom comum de regozijo caso a noticia se viesse a confirmar. E recordaram-me reacções semelhantes, lidas em grupos de sportinguistas no Facebook, nos melhores momentos de Wolfswinkel, em que se perguntava o que seria o Sporting se pudesse juntar ambos na frente de ataque.

A resposta à questão nunca a saberemos, assim como julgo que Alvalade só voltará a ver Liedson "à civil". A questão técnico-táctica nem a discuto. Não sabemos o que faria Domingos se pudesse contar com o antigo 31, sendo que, todos sabemos que isolado na frente - portanto, no actual 4x3x3 - estava longe de produzir o seu melhor, como se viu na selecção e também no Sporting. Do ponto de vista "ideológico" julgo que o regresso pouco aproveitaria. O Sporting é, de há muito tempo, um clube excessivamente virado para o passado, talvez porque aí residam os seus grandes feitos. Mas, se a história gloriosa já ninguém no pode retirar, urge partir à conquista do futuro que lhe esteja à altura. E isso dificilmente se consegue olhando para trás.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Veja como Eusébio morreu

Eusébio insiste em desbaratar o estatuto invulgar de figura nacional. Depois de se ter envolvido em declarações polémicas acerca do Sporting Clube de Portugal, sintoma nítido de algum problema de consciência mal resolvido, (e que foram prontamente desmentidas por contemporâneos seus), vem agora dar conta pública do sua participação fraudulenta num jogo de futebol. A ligeireza e desfaçatez com que o faz roça o escabroso, num espectáculo triste que preferia não ter assistido.

A infeliz história conta-se em 2 penadas rápidas, como exige a higiene: já no final da carreira o jogador, então no Beira-Mar, tinha que defrontar o seu clube de coração, o SLB. Depois de se ter negado a participar, acabou por anuir, não sem antes ter entrado na cabine respectiva e ter afirmado que faria apenas figura de corpo presente. Não fora ter ouvido e visto o próprio, numa preview do programa que passa mais logo na RTP1, e julgaria tratar-se de uma anedota de gosto duvidoso. 

Para quem cresceu a ouvir o nome de Eusébio associado a magníficos feitos, a servir de exemplo de abnegação e superação para as novas gerações e a admirá-lo como atleta de qualidades ímpares, bem gostaria de ser poupado a este suicídio em frente a uma câmara de televisão. Para mim Eusébio, o imortal, morreu hoje. Veja logo na RTP1 como foi.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Uhh, the pressure! I like it!



Estamos de regresso às dúvidas e incertezas. Num post anterior do LdA discutia com o MM a estabilidade do Sporting, hoje depois de mais um jogo de desilusão quer no resultado, quer na exibição, já não é a estabilidade que se questiona, é tudo, desde a decoração até ao profissionalismo dos funcionários do Sporting.

Quando discutia com o MM a conversa derivou para factos recentes, referia ele que esta direcção e esta equipa técnica beneficiaram de uma estabilidade como já não se conhecia em Alvalade. Discordo. O Sporting é por sua natureza um clube instável, temos de recuar talvez até João Rocha para encontrar um período de maior estabilidade e para quem tenha memória dessa época lembra-se da forte contestação que mesmo a vencer existia.

Muito do nosso futuro passará de como vamos sobreviver a mais esta crise. Aguentamos a pressão de ver um projecto falhar? Vamos re-re-re-construir tudo de novo? Existe em Alvalade carpinteiro que volte a injectar calma e confiança nos profissionais? O LdA referiu e bem num post anterior as imediatas declarações de ex-Presidentes, ex-treinadores, ex-qualquer coisa que de imediato florescem em Alvalade quando a barra fica pesada. O sentido de solidariedade nos corredores de Alvalade é um bem escasso. O Sporting não é um papado como Domingos estava habituado quando era campeão.

Felizmente aqueles que maior razão têm para reclamar têm sido poupados de “bocas”, de todos os que com maior ou menor responsabilidade no momento actual prestam declarações, todos sem excepção têm agradecido aos adeptos, têm reconhecido o apoio que em Alvalade ou em qualquer campo em Portugal tem existido a esta equipa. Este facto só por si é já uma óptima notícia.

E agora? Vamos todos bater palminhas e sorrisos no domingo para Alvalade? Não. Há erros, há que assumir que estamos mal e num mau caminho, há que inverter. Obviamente que devemos apoiar a equipa, mas ela tem de retribuir em campo. Patrício merece uma ovação como nunca teve, ele simboliza bem como se sobrevive a momentos péssimos ao sucessivo enxovalho de quem o devia ajudar, demonstra que a equipa pode dar a volta e crescer em caracter, em coragem, em qualidade.

Tem a palavra o cepo das marradas, Domingos, nunca gostei de jogadores cuja característica principal fosse a polivalência, no fundo todos o são e se provas fossem necessárias, ver Oceano na baliza, Patrício a marcar golos e Eto’o a defesa direito, seriam provas suficientes que todo e qualquer jogador é capaz de desenrascar qualquer posição. Isso não quer dizer que eu os ponha nessas posições ao início do jogo... A equipa que entrou ontem em campo foi uma imensa trapalhada e bastou colocar jogadores certos nos lugares certos para a dinâmica aumentar.

Diz Domingos que faltam golos, é verdade, eu até diria que faltam remates, em 39 ataques o Sporting ontem rematou 10 vezes, curto diria eu, mesmo se fosse o acaso de termos vencido. Prefiro sempre um júnior rotinado numa qualquer posição do que uma adaptação, domingo é isso que espero, ver os jogadores voltarem às suas posições naturais e se Domingos se por acaso ler estas palavras e me quiser levar à letra que ponha o João Mário no lugar de Carriço.

Com todas as contrariedades que têm existido a equipa hoje é uma manta de retalhos e a pressão aumenta para quem tem responsabilidade. Faz parte da profissão haver pressão, os melhores e eu não duvido da capacidade de Domingos de ser melhor, olham para a pressão e dizem, que bom é assim que um treinador ou um jogador de top quer trabalhar. Houve ontem uma recuperação de atitude relativamente ao jogo contra o Moreirense, bastará agora “arrumar” o grupo táctica e psicologicamente e ir para a luta. Para o bem e para o mal nós lá estaremos, nós estamos lá sempre para vos pressionar a fazer melhor.

Gostam de pressão? Provem em campo.

ChoraMingos

Quantos grandes há?
Já me haviam chamado à atenção para as palavras de Luís Duque, uma vez que depois de sair do estádio Axa em Braga não ouvi as suas declarações na íntegra. Refiro-me quando o administrador da SAD afirmou que o Sporting este ano se queria “juntar aos 2 grandes”. Consegui ouvir as declarações posteriormente e, confirmando-as, concluí tratar-se de um infeliz “lapsus linguae”. Bondade minha, sou levado a depreender, depois de ouvir Domingos voltar ontem à carga, afirmando tranquilamente que “os objectivos passavam por competir com os dois grandes”. Então, para Domingos, o Sporting é o quê? E se este “downgrade” passou já do administrador para o treinador, quanto tempo levará para passar ao balneário e daí para as bancadas? Capitular sem lutar e apurar responsabilidades não é a forma mais indigna de ser derrotado?

Quais são os nossos objectivos?
Domingos, na triste conferência de imprensa após o jogo em Braga, deu a entender não concordar com a ideia transmitida pelo presidente, e sentida pela generalidade dos sportinguistas, que a classificação e sobretudo a distância pontual da equipa estava abaixo das expectativas. Ontem acabou por redefinir os objectivos da época, atirando com um terceiro lugar como objectivo actual. Se por um lado esta declaração é o reconhecimento implícito do fracasso, que estava já à vista de todos, não posso deixar de lembrar que a jogar assim e com 5 pontos de atraso para um Braga mais equilibrado não passa de uma divagação. Isso e a passagem à final da Taça de Portugal porque, nesta toada, não vejo como possamos eliminar o Nacional. Por isso nem lhe posso agradecer o realismo uma vez que esse diz-nos que estamos a lutar por nos agarrarmos ao quarto lugar.

Chega de desculpas
Domingos está-se a tornar um especialista em desculpas ao invés de apresentar soluções, que é para isso que foi contratado. Ninguém lhe exigiu ser campeão ou sequer vencer qualquer competição. Pedia-se-lhe um trabalho que ressuscitasse a empatia dos adeptos com a equipa e orgulho destes. Julguei, julgamos muitos, que pelo menos isso estaria alcançado. Mas bastaram surgir as primeiras contrariedades, entre lesões e resultados comprometedores e melhor conhecimento dos nossos adversários para a equipa derrapar por um plano inclinado até a um patamar onde não se vislumbra saída. É nestas alturas que se vêm os treinadores. É natural, perante uma crise de resultados, que surjam momentos de indefinição na procura das melhores soluções. Mas para tudo há um tempo razoável e esse está a esgotar-se para Domingos. Ao invés de apresentar soluções, escuda-se nas desculpas e nenhuma delas reveladora de capacidade auto-critica, o que em significa que a mudança para melhor ainda vai ter que esperar.

Quanto tempo leva a formar uma equipa?
Quanto tempo é necessário aguardar por uma equipa de forma consistente e autoritária pelo menos contra os adversários mais fracos? Tenho visto tecer muitos elogios ao Braga de Jardim, mas lembro que não foi ele que apanhou o Sporting mas sim o Sporting que desceu ao nível do Braga. Para o constatar basta perceber que a distância da equipa minhota para os da frente não foi reduzida. Mas falando de Jardim este viu ingressar um número idêntico de jogadores, viu-se obrigado a refazer por 2 vezes a defesa mas está dentro dos objectivos delineados para a época. E, estando 5 pontos acima de nós, quantos dos jogadores à sua disposição entrariam de caras na equipa do Sporting? Provavelmente nenhum. Isso diz muito do que não valemos como equipa e do valor individual que desperdiçamos. A quem devem ser pedidas responsabilidades?

Venham as soluções
De pouco adianta agora a Domingos desculpar-se com o número de jogadores que recebeu, ou das idades deles, porque foi solidariamente responsável pela decisão de os contratar. É a hora da SAD chamar Domingos à razão. Porque é a falta dela, antes da sorte e do azar, que nos atirou para este atoleiro e ameaça comprometer a época e assim arruinar o esforço feito para levantar o clube. Se já é difícil perceber as suas opções em relação a Renato Neto – lançado em 2 jogos e remetido de seguida para o banco – à preferência imediata por Ribas em detrimento de Bojinov para agora confessar que o uruguaio está sem ritmo – perdeu-o depois de 2 jogos ou já não o tinha? -  e a colocação de Jeffren a 9 (!!!) e a respectiva justificação ("uma estratégia para tentar fazer desmobilizar os dois centrais e não dar um homem à marcação") mais difícil é entender como pretende fazer o Sporting regressar aos golos com este modelo e estratégia para os jogos.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Não bato mais no ceguinho

Quando, na sequência do jogo com o Nacional, decidi não fazer a crónica não foi pelo facto do resultado ter sido desfavorável. Aliás este acabou até por ser lisonjeiro face ao sucedido. As verdadeiras razões para não escrever uma linha que fosse sobre o jogo expliquei-as no dia seguinte.A jogar como o vinha fazendo o Sporting hipotecava o seu futuro imediato, prognóstico facilmente conferido nos jogos lamentáveis que se seguiram, e que culminou na actuação vergonhosa de hoje.

Não vale a pena bater mais no ceguinho. Ceguinho é uma classificação que assenta perfeitamente a Domingos, sem dúvida o principal responsável pelo actual estado de coisas. Domingos deixou de "ver" as coisas e revela, nas suas decisões, e cada vez que fala nem perceber o que se passa à sua volta. E fico-me por aqui, para não estragar...

Ficha de Jogo

Liga Zon Sagres: 16ª jornada
Estádio José Arcanjo, Olhão
Árbitro: Vasco Santos (AF Porto)

Olhanense
Fabiano Freitas; Mexer, André Pinto, Maurício e Ismaily; Rui Duarte, Fernando Alexandre e Cauê (89'); Salvador Agra (83'), Yontcha e Wilson Eduardo (79').
Suplentes: Bruno Veríssimo, Regula, Toy (79'), Djalmir, Jander, Dady (83') e Vasco Fernandes (89').
Treinador: Sérgio Conceição.

Sporting
Rui Patrício; João Pereira, Anderson Polga, Oguchi Onyewu e Emiliano Insúa; Daniel Carriço, Renato Neto (64') e Matías Fernandez (75'); Andre Carrillo, Jeffrén (64') e Diego Capel.
Suplentes: Marcelo Boeck, André Santos (74'), Evaldo, Pereirinha, André Martins (64'), Ribas e Rubio (64').
Treinador: Domingos Paciência.

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