quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Por menos fizemos mais!



Tive o prazer de conhecer pessoalmente Carlos Pinto Coelho, fui convidado de um dos seus programas, não por nenhuma actividade meritória da minha pessoa mas em representação do imenso trabalho e actividade cultural que a Associação Académica de Coimbra e os seus Organismos Autónomos produz diariamente, o encontro ficou famoso por um pequeno arrufo entre mim e o eminente jornalista.

Nos momentos anteriores ao inicio do programa “Acontece”, Carlos Pinto Coelho fez questão de nos vir cumprimentar e dar as indicações necessárias sobre o alinhamento que iríamos cumprir, no final do seu discurso tinha “engatada” uma pequena graça particularmente dirigida à rivalidade entre as Faculdades de Direito da Universidade de Coimbra e da sua congénere de Lisboa.

Não deverá ter dimensionado o espírito de corpo que atravessa a Universidade de Coimbra, ao ouvir as suas palavras, apesar de não se tratar da minha Faculdade, respondi-lhe de imediato e à letra avisando-o para contar com resposta do mesmo nível se fizesse brincadeiras daquelas em directo.

Criou-se um silêncio pesado, um miúdo de capa e batina e um monstro do jornalismo nacional a olharem um para o outro no meio de um dos mais belos palcos nacionais, a Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, em jeito de duelo ao luar.

Foi o já falecido Dr. Aníbal Pinto de Castro, com o seu imenso e refinado humor que quebrou o silêncio com algumas palavras de ocasião e um enorme sorriso dirigido para mim. No final do programa Carlos Pinto Coelho vem ter comigo e pergunta, “Portei-me bem?”, respondi simplesmente, “Como um grande profissional!”, sorrimos, cumprimentámo-nos e despedimo-nos.

Soube do seu falecimento por um SMS de um amigo que dizia, “Morreu aquele que tu calaste.”, que pena tenho eu que a sua voz, o seu profissionalismo e competência não sejam eternos.

No dia em que um jornalista de um canal de televisão dá uma prova do mais reles, baixo, imbecil e escabroso profissionalismo ofendendo gratuitamente o Sporting Clube de Portugal, lamento profundamente tanto como o desaparecimento de uma referência, a machada que deram à ética e ao mais básico respeito que se deve às instituições nacionais.

Na fotografia que escolhi para ilustrar este post ponho Carlos Pinto Correia em boa companhia, e pergunto, alguém imagina Fernando Correia no exercício da sua profissão a ter o menor deslize de lisura para com qualquer outro clube diferente daquele que ele ama e por quem sofre?

Desejo que este caso seja levado às últimas consequências para com o canal de televisão e respectivo jornalista, e que todo e qualquer valor eventualmente recolhido por via de indemnização compensatória seja entregue na totalidade aos Leões de Portugal, como acto simbólico daquilo que o Sporting Clube de Portugal representa.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Metamo-nos então nas nossas vidinhas

Sigamos o "conselho" de Costinha e metamo-nos todos na nossa vida. Na qualidade de Sportinguistas a nossa vida é o Sporting e por isso, tal como Sousa Cintra, temos mais que razões para estar preocupados. Temos o direito e o dever de pedir explicações às quais os nossos funcionários não estão dispensados de prestar.

Bom, metamo-nos então na nossa vidinha, que é, por hoje, a face mais visível e incontestável do trabalho do excelso director desportivo. (Peço desculpa ao ego do Francisco Costa pela insuficiente adjectivação) . E nossa vidinha até ao final da época resume-se à Taça da Liga e à tentativa - palavras de Maniche - de conquista da Liga Europa. (Bem se vê que de Costinha a Maniche todos nos têm por parvos). Na Taça da Liga teremos, correndo bem, que jogar com SLB fora e em campo neutro com o FCP, como muito bem em devido tempo, foi assinalado no Lateral Esquerdo.

Não se advinham, por isso, nada fáceis os próximos meses. A conquista da Taça da Liga, a ser ganha batendo os principais rivais, poderia constituir um relativamente importante tónico para o amor-próprio. A Liga Europa é uma miragem de só faz sentido falar chegados à final, tendo em conta os adversários que teríamos que passar. A Liga nacional é também uma quimera, servindo de consolação a possibilidade de chegar ao 2º lugar. Desperdiçado que foi o bom calendário inicial e a crucificação / autoflagelação de Jesus, não se afigura nada fácil, mantendo o actual nível e tendo ainda por realizar parte bem difícil do calendário. É melhor nem pensar o que acontecerá quando se perceber que não há mais nada porque lutar, além da dignidade. Os exemplos do que sucede em situações semelhantes, no Sporting e noutros clubes, não nos dão razões para estarmos tranquilos.

A possibilidade de recorrer ao mercado de inverno poderia alterar este cenário? Alguns dirão que sim, lembrando o exemplo do titulo de 99/00. Esquecem-se porém que, antes disso, já se tinha enviado de volta Matarezzi, rasgo que agora não se teve, por Costinha e JEB não perceberem, entre muitas outras coisas, o erro da escolha Paulo Sérgio. Sem emendar pelo menos isso, e independentemente da opinião que tenho dos restantes vértices do triângulo das bermudas onde desaparecem as nossas ambições, nada se poderá alterar.

Como assinala realisticamente o DN hoje, só vendendo os melhores poderemos perspectivar qualquer aquisição. Como é óbvio, não esquecendo que, tal como no inicio da época, o mercado perceberá a nossa aflição e não pagará mais do que minimo. Dado a nula valorização dos jogadores, face ao que tem jogado, arriscamo-nos a vender mais uma vez barato para comprar caro. É que não há no mercado muita gente aos "Pongóis"...

Há ainda uma questão primordial: independentemente das comparações que se possam fazer com os nossos rivais, o nosso plantel é capaz e está obrigado a fazer muito melhor. Sem ter quem perceba realmente o seu devido valor, como se pode saber onde está ele necessitado de maior intervenção? O Sporting prepara-se mais uma vez para dar um passo frente, sem perceber porque se encontra onde está. Os resultados dificilmente poderão ser diferentes.

P.S: Recordo o que disse aqui na caixa de comentários ao post anterior: Antes de qualquer consideração sobre as palavras de Costinha há que as analisar sobre o ponto de vista institucional. Tratam-se de declarações proferidas por um empregado do clube - mesmo sendo Costinha sócio do Sporting, foi no exercício da função de director de desportivo que se pronunciou - contra um sócio que é também um conselheiro leonino e ex-presidente do Sporting. Nessa conformidade, a falta de respeito e a má educação reveladas por Costinha por um associado não poderiam nem deveria passar sem a consequente participação disciplinar. Isto independentemente do facto de Sousa Cintra ser quem é no Sporting. Mas, não podendo esquecer o seu estatuto, este só pode ser tido como agravante ao sucedido. Depois disto todas as outras considerações são secundárias ou então o rasguem-se os estatutos do Sporting e declare-se, em definitivo, qa gravidade da doença que afecta o Sporting.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Mas quem é que vocês se julgam?


(foto retirada do Record)


Depois das declarações idiotas de Maniche hoje de manhã, agora foi a vez de Costinha antes da partida para Sófia, visando Sousa Cintra.

"Na resposta, Costinha, momentos antes da partida para a Bulgária, prometeu aos jornalistas mostrar, atempadamente, "um papel sobre os tempos de Sousa Cintra" e ainda atirou: "Meta-se na sua vida"."

Podem ler a notícia na íntegra aqui: Costinha: «Um dia mostro papel sobre os tempos de Sousa Cintra»

É este o respeito que um Director Desportivo - Sportinguista ferrenho - tem por um ex-Presidente do SCP? Por sinal, o último com carisma e paixão genuína pelo Clube? E que ameaça é esta? Ainda bem que íamos deixar de discutir tudo na praça pública.

Costinha, tens sido um verdadeiro flop e mal posso esperar para te ver fora de Alvalade.

Viver à altura de um lema



Viver à altura de um lema: “Esforço, Dedicação, Devoção e Glória... Eis o Sporting” 

Agradeço o amável convite que o Leão de Alvalade me fez para compartilhar convosco algumas ideias sobre o Sporting neste espaço de excelência.

No princípio da década de oitenta, era eu pequeno, comecei a praticar ginástica no Sporting; como vivia ali ao pé frequentava assiduamente o Estádio, via treinos e meetings de atletismo em que brilhavam atletas como Fernando Mamede e Carlos Lopes acompanhados de perto pelo Prof. Moniz Pereira, conheci campeões como Pedro Miguel Moura do ténis de mesa, bem como muitos outros atletas que, mais ou menos anonimamente, tinham um enorme orgulho em envergar o símbolo do Leão rampante. Mas o futebol sempre fez com que o coração batesse mais forte e nesse capítulo tive o privilégio de conhecer o Senhor Travassos, uma das lendas do nosso clube. Junto à 10-A esperei e incentivei os nossos jogadores e do campo guardo na memória momentos épicos protagonizados pelo nosso grande capitão 'Manel' Fernandes, Jordão, Oliveira, Damas, Oceano, Pedro Barbosa e outros mais.

Porém, o clube foi mudando para pior, com o projecto Roquette – recheado de boas ideias, mas eivado de más práticas – passámos da mais forte associação multi-desportiva do país para um conjunto de sociedades comerciais dispendiosas, fracas e banco-dependentes. O nosso património foi dissipado, as eleições tornaram-se uma miragem e o ideal do clube foi posto na prateleira até ao momento em que o projecto rebentou estrondosamente e colocou o clube na unidade de cuidados intensivos, impondo a todos os que amam o clube o dever de zelar por ele em domínios que estão muito para lá da paixão (“engenharia” financeira, questões legais e
politiquices).

Apesar do ecletismo ser, justamente, um dos maiores orgulhos do Sporting, devendo continuar a sê-lo, não podemos escamotear a circunstância do futebol ser o motor do clube. E o futebol em si mesmo é um jogo simples, mas o facto de ser jogado por homens introduz-lhe tantas variáveis quantos os seus participantes, dentro e fora do relvado. Há variáveis que não controlamos e outras que um verdadeiro sportinguista nunca quererá controlar, mas há pontos em que, sejam quais forem as variáveis, tornam a segurança nos bons resultados uma realidade mais próxima.

São eles:

– Liderança: um bom líder é fundamental para reconhecer e reforçar as virtudes de todos, se for um óptimo líder até consegue fazer das fraquezas pontos fortes; a selecção de líderes intermédios e de topo tem de ser criteriosa, devendo recair, preferencialmente sobre sportinguistas, que reúnam algumas características fundamentais: experiência, sabedoria, ética e carisma. Diga-se de passagem que no momento e de acordo com estes critérios, nenhum dos três responsáveis pelo futebol do clube ficaria no seu posto;

– Ética: se há um elemento que faz parte do ADN do Sporting e que deve continuar a fazer é uma firme postura ética e de fair play, mas isso também implica não compactuar com quem desvirtua o futebol e o desporto em geral através de métodos indignos. O desporto sem ética não passa de um espectáculo encenado e quem anui directa ou complacentemente com isso torna-se cúmplice dessa farsa;

– Competência: devemos exigir a máxima competência de quem enverga o nosso símbolo, fomentando a exigência faremos com que atinjam o seu máximo, que é o mínimo que se deve pedir a quem tem a honra de envergar o Leão rampante, símbolo com 104 anos de história com muitas páginas de ouro do desporto português;

 e finalmente,

– Estratégia: há que definir estratégias claras para o clube; no caso do futebol, há muito que concordo com o modelo defendido por alguns sócios (como o PLF), que preconizam que ao formar dezenas de jovens em diferentes escalões com um determinado modelo de jogo, este deveria estender-se até à equipa principal (veja-se o maravilhoso trabalho do hóquei). Por sua vez, a equipa principal apenas deveria ser enriquecida com a contratação de jogadores que, após sinalização e criteriosa observação pelo clube, encaixassem no seu modelo de jogo. A própria escolha do treinador tinha de ter como condição o respeito, ainda que parcial, por esse modelo de jogo.

O texto já vai longo e peço que me desculpem se vos maço. Mas sou sócio há vinte e três anos, a minha filha também é sócia e tento pensar sob que critérios é que devo avaliar quem está, ou quer estar à frente dos destinos do nosso clube, do nosso grande amor. Este é o resumo das minhas ideias, mas só com o nosso esforço, a nossa dedicação e a nossa devoção podemos atingir a glória. A solução está no lema e cabe-nos a nós cumpri-lo -não temos o direito de nos intitularmos Leões se não tentarmos.

Saudações Leoninas.

10A / Pedro Ruivo

Notas da imprensa

Maniche participa na ofensiva mediática para explicar o inexplicável. "Não temos os meios do FCPorto e do Benfica" afirma. Mas temos mais meios que Paços de Ferreira e Vitória de Guimarães Olhanense, Nacional e Beira Mar e Vitória de Setúbal, não? E convém lembrar a Maniche que nenhum dos nossos rivais gasta dinheiro a contratar jogadores em fim de carreira. Talvez por essas e por outras o Sporting não tenha os meios dos rivais. E depois quem é o Maniche para vir dizer quem são os verdadeiros ou falsos Sportinguistas?

O convite do Partizan de Belgrado para a comemoração dos seus 65 anos, a par do Real Madrid é uma honra que digna de nota e deve-se ao facto de termos sido o primeiro adversário dos sérvios nas competições europeias. Convém lembrar que o Sporting gozava então de tal prestigio que foi convidado para participar na primeira edição da Liga dos Campeões mesmo sem ser o campeão em título. Continuando no caminho que levamos, quem se lembrará de nós quando voltarem a passar mais 54 anos?

Dias da Cunha pedia ontem tempo para Bettencourt, Costinha e Paulo Sérgio. A Paulo Sérgio o Sporting já lhe deu um tempo que não tinha. A Bettencourt e Costinha pede-se que ajam a tempo de evitar que a situação se degrade ainda mais. Por exemplo que impeçam a renovação automática de Maniche, se os números de que falam forem verdadeiros. Que, ao invés de renovar com Abel, promovam João Gonçalves, antes de cair em tentação de, com o seu valor, acertar as contas do dinheiro que ainda deve ao SCBraga. E que aproveitem o tempo que resta para não perder a próxima época também.

O Sporting passa a controlar "80,476 por cento do capital social e dos direitos de voto". Dentro da lógica das sociedades anónimas e da necessidade de capital que a SAD tem, a concentração de capital não parece uma boa noticia.


NOTA: À semelhança do que vimos realizando anteriormente, mais logo será publicada uma crónica de um leitor deste blogue, para a qual chamamos desde já a atenção.

Notas televisivas

Olhei de soslaio para os dois programas televisivos da noite, "O Dia seguinte" e o "Prolongamento" extraindo deles as seguintes notas:
  1. A inegável grandeza do Sporting. A sondagem telefónica hoje realizada bateu todos os recordes do ano, conforme foi anunciado pelo pivot. Mais do que o resultado da sondagem é esse número, mesmo que abstracto, que me parece importante reter. Onde anda tanta gente a quem o Sporting ainda interessa, e porque se ausentaram,  deveria ser o que os responsáveis deveriam querer saber.
  2. Notória e notável "conversão" de Eduardo Barroso. Mesmo que tendo origem em motivações pessoais, e sem a profundidade necessária na argumentação, assinale-se.
  3. Por fim o resultado da sondagem, que, entre um questionário pouco claro, "determinou" a saída de Bettencourt e a realização de eleições antecipadas. Um cenário que, a acontecer, implicaria a demissão voluntária do actual presidente, uma vez que, pelo menos por agora, não se vislumbram qualquer movimento gerador de uma AG destina a depor os orgãos sociais.
Este último ponto sugere-me um comentário.

Se tal acontecer isso seria o sinal evidente que, no espaço de apenas 5 anos, os Sportinguistas se engaram na escolha do seu presidente.  Um presidente não sai porque se enganou na escolha do treinador, sai porque não se sente competente para resolver tudo o resto. Depois de Dias da Cunha, seria o 2º presidente a abandonar a cadeira juntamente com o técnico que escolheram. Embora o caso de Dias da Cunha seja diferente da situação vivida no presente, se atendermos a que José Peseiro tinha acabado de levar o Sporting a uma final europeia e tinha sido vice-campeão e, lembre-se e pasme-se, foi o último treinador a conseguir fazer andar o Sporting no 1º lugar, no já longínquo ano de 2005. O Sporting deve ser o único clube que, quando não acerta na contratação do treinador, o presidente se auto-chicoteia.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Questões de tamanho

Sempre que o Sporting fica aquém dos objectivos a que está obrigado, surge de imediato a questão da "belenensização". Se me parece que a maior parte das apreciações são o fruto da amargura dos resultados e não são estribadas em análises devidamente fundamentadas, também entendo que, face ao que é o Sporting hoje, a questão da dimensão do clube deve ser olhada de frente e com coragem. Ao longo da minha existência vi ruir organizações, empresas, instituições e até países que pouco tempo antes aparentavam uma solidez e perenidade que a realidade havia de desmentir. Quase todos tinham como  característica comum o permanente estado de negação sobre si mesmas e a sua real situação.

Parece-me pelo menos indiscutível que este é Sporting mais pequeno que eu conheci. Não apenas por causa dos resultados do futebol ou por sermos menos abrangentes e ganhadores nas modalidades mas, acima de tudo pela atitude de resignação e conformismo de que falava ontem. É ai que se começa a definir o "tamanho" de um indivíduo ou de uma instituição: Na noção de si mesmo. E essa noção de dimensão surge inevitavelmente pela comparação com os congéneres. Um mercedes é maior que um smart. Portugal é mais pequeno que a Espanha e tem um PIB inferior,  "and so on". É aí que inevitavelmente comparo o Sporting de hoje com os nossos rivais. Se a história até hoje escrita não nos faz temer a confrontação, temo que o futuro possa ser diferente, para pior. Porque o presente revela um Sporting acomodado e talvez até pior: acha-se incapaz de fazer melhor. A situação vivida actualmente no nosso clube não poderia acontecer, sem consequências, em nenhum dos nossos rivais. Talvez comecem aí os nossos problemas e a nossa menorização.

Este é um problema que se instalou no Sporting há algum tempo e que escorre de cima para baixo, empestando o clube como um cano de esgoto roto num edifício.   Para justificar as suas próprias limitações e insuficiências, a nomenclatura que, legitimada de forma cega entre eleições e cooptações, se apossou do Sporting, quer-nos fazer crer que melhor é impossível e que os magros resultados são alcançados com grandes sacrifícios pessoais, que, diga-se, ninguém pediu. É esta a noção do uso que fazemos do cérebro que está neste atestado de menoridade intelectual que hoje nos passa Dias da Cunha, no "Jogo". O problema são sempre os mesmos que "só se querem servir do Sporting para benefícios pessoais e dar poucas horas ao clube". Nunca de quem toma decisões. Esses estão sempre "corajosos e determinados" uns pobres coitados, vítimas de facínoras que só escrevem, falam e têm mau perder.

É essa noção dos adeptos que tem também Bettencourt. Antes de viajar para Belgrado deixou as papas e bolos para os tolos. Como vem sendo costume, na Bola. JEB "reconhece que os resultados estão muito aquém do exigido mas é avesso a mudanças radicais. Compreende que não é fácil reverter a situação de um ano para o outro." Reconhece mais uma série de coisas, menos o essencial: antecipa receitas, gasta mais, coleccionando resultados miseráveis atrás de resultados miseráveis. E quem "reconhece mérito ao trabalho do treinador e do departamento de futebol, apesar dos maus resultados persistirem" revela a percepção e clareza de raciocínio de um náufrago em alto mar.

Mas deixou ficar os bolos. Isto, claro está, se o mercado for mais compreensivo do que os adeptos, os postes, etc, etc. O que Bettencourt devia reconhecer era que esta época já era, que este treinador não serve, e que, se não quer perder a próxima, já devia estar a pensar nela. E talvez deva reconhecer que não "jeito para a coisa", afastando-se antes de fazer ao seu sucessor o que lhe fizeram a ele: entregar um presente armadilhado sem tempo nem espaço para despoletar.

Dias da Cunha pede tempo para o "trio maravilha".  Tempo que não me importaria de dar se reconhecesse nele qualquer sentido estratégico, uma ideia condutora que ligue a letra com a caneta. Porque o coitado do presidente faz sacrifícios pessoais, porque o Costinha é um Sportinguista genuíno, ao contrário dos críticos, claro. Isto apesar de só agora ter querido o Sporting, que foi quem se lembrou dele, apesar de ter sido "fundamental no balneário do FC Porto e da Selecção Nacional". Paulo Sérgio precisa de ainda mais tranquilidade, apesar de esta lhe ter concedida desde o inicio da época, quer pelos adeptos quer pelo calendário, cuja sorte entretanto desperdiçou. Afinal o AVB é que tem de se acautelar, não nós que estamos 13 pontos, e perdemos com grandes e pequenos.

É este o tamanho da consideração que esta gente tem pela nossa inteligência.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Hoje é domingo mas tenho olheiras até à nuca

Já não são as derrotas, como a de ontem e a consequente eliminação, que me tiram o descanso. Há muito que a minha alma leonina se habituou a senti-las e a pressenti-las, o que, convenhamos, no actual estado de coisas, nem pode ser considerado grande façanha, ou acto visionário. Este ano em particular, antecipar o nosso destino tornou-se mais fácil do que reconhecer as estações do ano, com ou sem as alterações climáticas. O nosso insucesso é agora um valor seguro para qualquer apostador, mas paga pouco, como é óbvio.

É óbvio que é preocupante ter hoje no Sporting um treinador que, ao contrário das evidências, é capaz de dizer que "jogamos bem" ou "estamos a viver um bom momento"com o clube a 13 pontos do primeiro lugar. Ou um director desportivo incapaz de agir, preferindo manter os erros do que corrigi-los, porque não sabe mais ou por orgulho. Ou um presidente inerte perante o fim da época sem a termos sequer iniciado verdadeiramente. Como também é preocupante que eles decidam agir: o seu histórico não nos dá descanso de não serem ainda capazes de fazer pior. Mas já nem é isso que me tira o sono.

O Sporting vive o seu segundo mais longo inverno, mas quiçá o mais duro de sempre. Há em torno do clube uma atmosfera de fim de tempo, de resignação e conformismo. Nesta longa e gélida travessia, que muitos desistiram já de acompanhar,  são inúmeros os problemas que se adensam no ar, retirando dos Sportinguistas a mais ténue linha de esperança no horizonte.
O Sporting vive da inércia da grande instituição que foi. Nessa conformidade é fácil de perceber que antes de alguma coisa melhorar, ainda vai ter que, de forma inevitável, ser pior. O que é pior é não sabemos o que será esse pior. É isso que me tira o sono. E por isso, mesmo sendo hoje Domingo e dia de descanso, tenho olheiras até à nuca.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Afinal era apenas o final

Uma coisa é perceber que da forma como o Sporting joga os maus resultados podem acontecer a qualquer momento, outra bem mais dolorosa é assistir ao desperdício das capacidades que ainda dispomos e que são mais do que suficientes para não perdermos pontos e jogos com equipas que nos deveriam ser inferiores.

Quando, na passada quinta-feira, assistia no limite da irritação ao Pontapé de Saída, na RTPN, aos comentários do benfiquista Álvaro “six-fingers”, estava longe de imaginar que teria hoje que lhe dar razão, quando afirmou que os jogadores do Setúbal e do Sporting se equivaliam em valor. Infelizmente é assim porque o talento dos nossos jogadores é triturado pela ignorância e pela falta de qualidade com que são orientados, nivelando por baixo a sua valia, anulando-os. A reacção à desvantagem foi confrangedora, aos repelões, sem o mínimo de qualidade de jogo colectivo. O golo foi como podia ser, de mérito exclusivamente individual.

Olegário fez o que pôde, como é seu costume.

Paulo Sérgio dizia que para nós este jogo era a final da Taça. Afinal era apenas o final.

Vitória de Setúbal - Sporting

V. SETÚBAL: Diego; Collin, Ricardo Silva, Valdomiro, Miguelito; Silva e Hugo Leal; Ney Santos, Neca, Pitbull; Jaílson.

Suplentes: Getúlio, Anderson do Ó, Zé Pedro, François, Zeca, Sassá e Henrique


SPORTING: Rui Patrício; João Pereira, Carriço, Polga e Evaldo; Pedro Mendes, Maniche e André Santos; Valdés, Liedson e Postiga

Suplentes:  Hildebrand, Torsiglieri, Saleiro, Yannick Djaló, Zapater, Vukcevic e Abel

Perdoa-lhes Manel, que eles não sabem o que fazem

Mais daqui a umas horas o Sporting reencontra-se brevemente com o seu último grande capitão, o ENORME MANEL. E mais uma vez de forma errada, com o Manel do outro lado da barricada. Não duvido que quererá ganhar e que fará tudo para que tal aconteça. E no final, ganhando, ficará satisfeito, não duvido. Até pousar a cabeça no travesseiro e perceber como a vida é injusta e nos prega as mais amargas partidas, um Sportinguista não nasce para ganhar ao Sporting! 

Várias vezes apontado como possível técnico principal, já o tendo sido esporadicamente, nunca logrou uma verdadeira oportunidade, como seria constituir um plantel e preparar uma época. Serviu de tapa-furos, condição a que normalmente se votam os da casa. (Não sendo a minha escolha para treinador principal) Imagino-o muitas vezes a pensar (como eu penso):  "isto" também eu fazia! Perdoa-lhes Manel, que eles não sabem o que fazem. E como estou certo que me perdoarás: logo faço um intervalo no meu desejo de merecido sucesso para a tua carreira.
 

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

É preciso lata!




Acabo de ler as afirmações proferidas pelo projecto de Mourinho, segundo o qual o SCP já teve as suas prendas de Natal, entregues no final do Verão. Esqueceu-se foi de admitir que as dele, foram entregues ainda antes. A isto, chama-se vulgarmente "uma lata do caraças"!!

Se por um lado o SCP este ano não tem tido razões de queixa da arbitragem, apesar de não ter sido tão beneficiado como se tem feito crer, por outro é notório que o início do campeonato para os lados do Dragão, beneficiou e muito, das arbitragens "amigas" nas primeiras deslocações. Seria tremendamente complicado descalçar a bota do "novo-Messias-do-futebol-que-afinal-não-o-é". Tendo em conta que a pré-época não correu propriamente "sobre rodas", sendo notório o nervosismo existente naquela altura aquando das conferências de imprensa - possivelmente devido às dúvidas que se começavam a levantar acerca do acerto na sua escolha - os primeiros jogos do campeonato foram decisivos para colocar o fcp nos eixos.

Findo o jogo com o Vitória, jogo esse marcado por penalties fantasmas, as críticas foram muitas. E foram muitas porque a arbitragem foi péssima e com influência directa no resultado.
Tal facto levou a que Costinha afirmasse que não queria que fosse exercida uma "lei da compensação" no jogo da Taça.
É que o próximo compromisso do Vitória, é exactamente contra o SCP, para disputar a continuidade na 2ª prova mais importante do calendário nacional.

Ora bem, o que é que hoje temos? O wannabe a disparar contra o SCP e a ter o desplante de afirmar que ambas as grandes penalidades, foram bem assinaladas e que não tinha ouvido o apito do árbitro, aquando do penalty a favor do Vitória. Palhaço!
Eu imagino qual teria sido a sua reacção se tivesse estado no banco.

Fico a aguardar pela sua análise quando for marcado um penalty contra o fcp ao estilo do que foi assinalado sobre o Falcao, de preferência num jogo em que a vitória não lhe sorria ou seja oferecida. Tendo em conta o comportamento até agora evidenciado, não será muito difícil de prever qual a sua reacção.

Last but not least: será que desta vez, teremos uma reacção do DD? Paulo Sérgio já o fez mas seria agradável ver o mesmo por parte do Costinha. Ou como é o fcp, este grande Sportinguista irá remeter-se ao silêncio?

O valor acrescentado do bom futebol

Nani dizia há dias que o Arsenal era o principal adversário do ManUtd. Agora Evra, a poucos dias do encontro com os gunner´s, recorre aos mind games para apimentar, se preciso fosse, o clássico da Premier League. Diz Evra: "Para mim, o Arsenal não é mais do que um centro de treinos. Gostamos do jogo, mas vamos ganhar algum título depois? É isso que conta para as pessoas. Não ganham nada há cinco anos e para um clube tão grande como o Arsenal isso significa crise. Podemos perder na segunda-feira, mas no final do dia o que haverá para o Arsenal? Nada. Não haverá troféu, não haverá nada". E acrescenta, discordando de Nani:  "O nosso verdadeiro inimigo é o Chelsea. Estamos mais preocupados com os resultados do Chelsea do que com os do Arsenal, mesmo que saibamos que o Arsenal é uma grande equipa e pode bater o Chelsea, a nós ou a qualquer outra equipa".

Devo dizer que, apesar do mau momento do Chelsea, consubstanciado numa longa derrapagem de resultados e exibições, por ora também concordo com Evra. Mas, apesar de não sentir a consistência necessária à equipa do estádio Emirates para chegar à última jornada no lugar de topo da entusiasmante liga inglesa, não deixo de, semana após semana, procurar não perder o espectáculo que o seu jogo proporciona. E, mesmo estando há cinco anos sem ver o caneco, os adeptos arsenalistas não desertaram ainda as bancadas do seu novo estádio. Podem ser muitas as razões para que tal aconteça, não duvido porém que uma das principais será precisamente a qualidade das exibições. Com elas a promessa de sucesso mantém vivo entusiasmo e o amor próprio. E ganhar não é uma miragem. Os próprios adversários o reconhecem, como diz Evra: "o Arsenal é uma grande equipa e pode bater o Chelsea, a nós ou a qualquer outra equipa"

A importância de jogar bem não fica por aqui. De facto, e como diz Evra, no final o Arsenal pode até não ganhar mas não perde tudo: as receitas provenientes das assistências mantêm-se altas, permitindo, juntamente com a alta valorização que o seu jogo proporciona aos seus profissionais, continuar a financiar o seu futebol. Fazendo um parêntesis na argumentação do valor acrescentado que significa produzir bons espectáculos de futebol, convém lembrar que, a par disso, a politica económica ponderada começa a dar os seus frutos, após o recurso ao endividamento ter retirado temporariamente poder de fogo no mercado de transferências. Só que o recurso ao endividamento teve como objectivo um verdadeiro investimento: a construção do Emirates e a rentabilização imobiliária do antigo Highbury Park, onde mantiveram a fachada da antiga bancada, como evocação dos grandes momentos do clube. O Arsenal recolheu (dados de Maio) os maiores proventos até hoje conseguidos por um clube inglês: 316 milhões de libras esterlinas. 

Este é o grande desafio do Arsenal. Não sabemos quanto tempo poderá mais resistir Wenger e o seu modelo sem vencer. E quanto mais resistirá o coração e a militância dos adeptos. Nesse entretanto eles continuam a ter razões para voltar a casa. Estou convencido que os Sportinguistas também voltarão a Alvalade quando o Sporting voltar a jogar à Sporting. Mesmo antes de começar a ganhar.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

"Cabe a quem dá, não a quem pede, ditar as condições de paz"

Alvalade parece "terra de ninguém", onde, como usualmente, todos enjeitam as responsabilidades dos seus actos. É o que se conclui do fim do arrufo entre a Juve Leo e a direcção. O presidente afirma que, e sito o que vem no DN, "não fui eu que dei a ordem para tirar as tarjas nem para impedir que entrassem, nem sei quem foi". A Juve Leo aceita placidamente, depressa engolindo a indignação pela censura, contrapondo que a frase "Em 1999 por menos fizemos mais! Preparem as malas!" "não pretendia intimidar ninguém  apenas "marcar" uma posição". JEB "pediu à Juventude Leonina para continuar a acreditar na direcção do Sporting e no sucesso da equipa de futebol" no que parece ter sido bem sucedido, uma vez que  a claque  ficou-se pela exigência de "mais empenho e profissionalismo à equipa." 

Apesar do que temos visto, o pedido da direcção não é de estranhar: porque não hão-de acreditar na actual direcção se entendem que os problemas do futebol do Sporting começam e acabam, como sempre, nos jogadores e não em que está acima deles? Trata-se, como todos sabemos, de uma paz de conveniência, uma vez que quer uns quer outros não querem ver as suas posições confortáveis colocadas em causa, pelo que o desfecho é o esperado. Falta saber quem estava em condições de fazer a paz, ditando as suas próprias condições.

Pare, leia e comente: o fim da Sporting

Não há gralha. Há o clube e a Sociedade Desportiva. Ou melhor, havia. Porque a do Sporting está a caminho do fim da sua primeira vida, deixando um rasto de prejuízos.

Pedro Baltazar é, como muitos, doido pelo Sporting. Mas é, como poucos, accionista fundador da SAD. A sua empresa, a Nova Expressão, vai vender a posição de 11,7% ao próprio Sporting, para permitir ao clube continuar maioritário na SAD e, assim, viabilizar a reestruturação financeira. Vendeu com uma forte perda, o que chamou de demonstração do seu Sportinguismo. Fica-lhe bem dizê-lo. Mas não é por Sportinguismo que os bancos alinharam. É porque é assim que se age com as empresas incapazes de pagar o que devem. Na prática, o BCP e o BES darão um volumoso perdão de dívida ao Sporting.

A reestruturação passa pelo que se chama de “operação harmónio”: redução seguida de aumento de capital; integração do estádio e da Academia; emissão de VMOC`S. No fim da jigajoga o Sporting ficará a controlar ¾ da SAD, o BES e o BCP ficarão com perto de 15%, Joaquim Oliveira – que já teve 20% - fica com cerca de 2% e os sempre maltratados pequenos accionistas guardarão umas acções de baixo valor.

José Eduardo Bettencourt extingue, na prática, a participação de investidores na SAD. Talvez por opção, certamente por resignação: para manter o próprio clube. Depois disto, o Sporting não fica pronto para um ciclo de investimento, apenas liberto da pressão da tesouraria.

Não foi para isto que se criaram estas sociedades – foi para ter um modelo de gestão empresarial e de negócios. Acabar como veículo de activos e passivos é o mesmo que nada. Todos perdem. Sobretudo os que acreditaram na SAD: os credores, os investidores, a quem agora dizem: “para o ano é que é”. Mas será?

*Pedro Guerreiro, Director do Jornal de Negócios, hoje no Record.

Ou:

O CALVÁRIO DO SPORTING:

A recente alienação da posição de Pedro Baltasar e da sua empresa Nova Expressão no Sporting SAD, com menos-valias após um investimento consistente ao longo de 13 anos, é, infelizmente, a constatação da falência de um modelo e do falhanço de uma gestão profissional intermitente e de uma gestão desportiva sem rumo no clube. O Sporting é hoje um adicto bancário e o que lhe sobra nessa dependência falta-lhe em estratégia, em gestão - que não se confunde com gestores remunerados -, em capacidade para atrair um núcleo de investidores estáveis e em liberdade para tomar decisões disruptivas (de que a negociação dos direitos televisivos é apenas um exemplo).

A ordem dos factores é aleatória mas a sua conjugação torna o Sporting, enquanto projecto empresarial e desportivo, um desastre iminente. Não existirão muitos empresários como Pedro Baltasar, que conjugem a sua paixão com o investimento de recursos próprios num clube de futebol. Mas, não se lhes pode pedir que assistam, sem poderem exercer o respectivo poder de accionista, a uma exibição tão categórica de irracionalidade e de progressiva degradação de uma marca centenária. O calvário do Sporting continua. 

Miguel Coutinho, hoje no Económico  

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Momentos gratos da minha vida, e um Sonho numa Noite de Inverno *

A abrir a recordação de alguns dos muitos bons momentos da minha vida que devo ao Sporting Clube de Portugal, cumpre-me agradecer ao amigo José Duarte Pereira e ao seu excelente blog "ANortedeAlvalade" o convite que me foi dirigido para escrever – com muito agrado - o  artigo seguinte para o referido blog.

Ser uma pessoa de idade tem seguramente algumas desvantagens, sobretudo por se ter ultrapassado o fio invisível que assinala a metade da vida humana. Não posso dizer o contrário. Mas tem igualmente as suas vantagens, materializadas na experiência adquirida e num capital enorme de boas e más recordações. No tocante aos momentos desportivos que retenho na memória, muito devo ao grande clube de que sou apaixonado desde a minha infância. 

Não sou, por norma, dos que dizem “no meu tempo é que era bom”.

Mas os meus setenta e três anos deram-me a vantagem incomensurável de viver alguns episódios gloriosos do nosso Clube, que situo entre meados da década de 40 e o ano de 1985. Aqui, sim, digo com muita convicção e frequentemente: “no meu tempo é que era bom”. Enganam-se os que pensam que me refiro unicamente ao futebol e mais concretamente à época dos “cinco violinos”.

O Sporting já foi um clube de projecção internacional, não só no futebol, mas noutras modalidades desportivas geradoras de grandes alegrias aos seus adeptos.

Não podendo falar de todos os factos (e muitos são) de que me recordo, constitutivos da “minha história de encantar”, abordarei unicamente alguns dos que mais me marcaram no futebol, no atletismo e no ciclismo

Começarei pelo capítulo FUTEBOL.

Para quem hoje pode facilmente e em directo ver os jogos do nosso campeonato - e não só -, será difícil entender que, no tempo dos cinco violinos (entre 1946 e 1953), o acesso aos jogos de futebol ou se fazia presencialmente (o que, para mim, era difícil por viver longe de Lisboa), ou através dos relatos da Emissora Nacional feitos, primeiro, pelo relator (assim lhes chamávamos) Quádrio Raposo, e mais tarde por Amadeu José de Freitas.

Com que ansiedade o relato era aguardado, antecedido sempre por marchas militares, igualmente emitidas no intervalo. Não havia comentários. Ouvia-se o relato e era um pau.

Em meados da década de 40, começa a formar-se a grande equipa do Sporting, a qual viria a atingir o seu auge com os “cinco violinos”, designação que lhe foi dada pelo jornalista Tavares da Silva, mestre em atribuir cognomes a jogadores. Lembro-me de ter chamado “Malhoa” a Vasques, - um dos “violinos” - por este grande jogador realizar o seu jogo em pinceladas, designando-o também como “galgo de raça”, pela forma elegante como corria e jogava.

Nessa época, a baliza do Sporting era defendida por João Azevedo, para mim o melhor guarda-redes português de sempre. Recordo um jogo entre o Sporting e o Benfica para decidir o Campeonato de Lisboa. Tinha eu ainda nove anos. João Azevedo lesionou-se num braço, com gravidade, na primeira parte do pleito. Como as substituições não eram então permitidas, Veríssimo foi para a baliza. Se bem me lembro, aos 15 minutos da segunda parte, com o jogo empatado, Azevedo voltou ao campo, com o braço lesionado imobilizado. Mesmo assim diminuído, Azevedo defendeu tudo o que foi à baliza. Um fenómeno! O Sporting venceu por 3-1, e o próprio público adepto do Benfica aplaudiu, no final, Azevedo. Nesse tempo, não se falava em “fair play”, mas a correcção existia no futebol. Eu, junto da “telefonia”, dava saltos e os deveres escolares ficaram esquecidos.

A equipa dos “cinco violinos” fazia exibições que eram verdadeiros recitais. Daí, o seu nome. Mas a equipa não era só constituída pelos cinco avançados que lhe deram o nome. Para além de Azevedo, lembro três grandes defesas: Cardoso, o capitão, Barrosa, excelente central, e Manuel Marques, defesa esquerdo, o tal que jogava sempre com um lenço na ilharga do calção, (não sei porquê). Canário, um médio de grande precisão de passe, acompanhado por Veríssimo e – por vezes – Juvenal, eram os municiadores dos cinco avançados, todos estes com um poder de passe, finta, corrida e remate terríveis. Que o digam o Lille (França) e o Norrkoeping (Suécia) ambos com 8-2 nas algibeiras, e ainda o Atlético Aviación (o actual Atlético de Madrid), derrotado no seu estádio por 6-3, com todos os golos marcados pelo extremo direito Jesus Correia. Foram, na verdade, jogos particulares, mas com projecção, por não existirem quaisquer torneios internacionais entre clubes.

Por falar em torneios internacionais, o Sporting teve a honra de abrir esse capítulo, primeiro na Taça Latina em 1949, ganha pelo Barcelona e, depois, na primeira Taça dos Clubes Campeões Europeus. Com que nervoso, sofrimento e alegria eu ouvia os relatos nesses rádios manhosos, a fazerem uma chiadeira dos diabos! 
 
Tive a sorte de viver esses tempos de glória. Habituado às vitórias, qualquer empate me deixava embirrento durante uns dias, com dificuldade de estudar e comer a sopa, o que me valeu alguns tabefes. Só as vitórias interessavam.

Para mim, pese embora a categoria de todos os outros jogadores, e um deles - José Travassos -, foi mesmo o primeiro jogador português a jogar numa Selecção da Europa (hoje qualquer bicho careta joga nessas selecções, mas nesse tempo isso não era possível), o meu ídolo dessa equipa era Fernando Peyroteo, por ser ele quem me dava mais vezes a alegria do golo e obrigava o relator a gritar “goooooooooolo do Sporting! É de Peyroteo!” Que grande goleador!

Apesar de viver longe, assisti a vários jogos dos “cinco violinos”, que afinal eram onze, mas lembro-me particularmente de um realizado no velho Estádio do Lima, do Porto, onde jogámos e vencemos o F.C. do Porto. Recordo-o, porque no intervalo tive oportunidade de participar, como os outros milhares de assistentes, nas filmagens do “Leão da Estrela” em que nos pediram para acenar, bater palmas e realizar outras manifestações, que depois entrariam no filme, com natural regozijo dos adeptos do Sporting, pela vitória alcançada. No filme, ganhámos e, na realidade, também.

Há, porém, um jogo que me marcou profundamente, e me fez saltar tanto na cama, que parti as tábuas de suporte do colchão. Foi o Sporting-Manchester United,  da Taça das Taças de 1964,  em que vencemos por 5-0,  e eliminámos uma grande equipa, recheada de jogadores mundialmente famosos,  ultrapassando os 4-1 da derrota sofrida em Manchester. A vitória da Taça das Taças foi boa, mas a emoção desse jogo, onde brilhou Osvaldo Silva, foi incrível! 

Depois da década de 50, o Sporting ainda teve grandes equipas de futebol. Lembro-me das equipas de 1961/62, de Fernando Mendes, Figueiredo – o “Altafini de Cernache”-, Geo, Lino e Hilário; a de 1965/66, uma equipa constituída por grandes jogadores, como Morais (o do cantinho na final da Taça das Taças, efectuada em Antuérpia), Alexandre Baptista, José Carlos, Peres, Pedro Gomes, Hilário, Carvalho, Lourenço (o dos 4 golos ao Benfica, na Luz) e Oliveira Duarte. Quase Todos eles foram convocados para o Mundial de 1966, mas alguns não tiveram oportunidade de jogar, apesar, de estarem em grande forma, como Peres e Lourenço, o que valeu grandes críticas ao seleccionador, sócio do Benfica (pois claro!); a equipa de 1973/74, de Damas - para mim, o segundo melhor guarda-redes português de sempre - e do famoso Yazalde; a equipa de 1979/80, de Jordão e Manuel Fernandes, famosa pelos 7-1 ao Benfica, com 4 golos desse grande capitão e sportinguista. Grandes épocas do Sporting em que ganhámos vários campeonatos, taças e torneios. Sim, “no meu tempo é que era bom”.
 
Depois de 1980, para mim, o Sporting nunca mais teve equipas de futebol que garantissem elevadas prestações em anos sucessivos, pese embora o grupo onde pontificavam Jardel e João Pinto, que durou apenas um ano. Foi um fogacho.

O Sporting deste período era um Clube verdadeiramente eclético praticando um número elevado de modalidades desportivas, com atletas e equipas de grande craveira nacional e internacional. Isto permitia que, em épocas de baixa da equipa de futebol, o “ego” sportinguista se mantivesse elevado, por força dos êxitos dos seus atletas noutras disciplinas desportivas. Desde o Hóquei em Patins até ao Basquetebol, passando pelo Voleibol, Andebol, Ginástica e noutras modalidades, o Sporting brilhava no País e no estrangeiro.

Mas nesta minha crónica para o “A Norte de Alvalade” não posso deixar de referir em especial, o atletismo e o ciclismo, duas modalidades que, por força de quatro figuras do meu imaginário sportinguista, deram renome mundial ao nosso Clube.

No ATLETISMO, avulta, desde logo, na minha memória, a figura ímpar dessa grande referência do Sporting, que é o Sr. Prof. Moniz Pereira, responsável por várias épocas de glória do nosso atletismo, criando - é o termo adequado -, atletas como Manuel Faria, Fernando Mamede e Carlos Lopes, todos eles a espalharem a sua classe por todo o Mundo, e constituindo uma equipa de atletismo vencedora da Taça dos Campeões Europeus em vários anos. Esta grande figura do nosso Sporting merece a gratidão de um novo estádio especialmente vocacionado para o atletismo, e não um simples campo de treino, como parece ser o que estão a edificar.

Recordo os relatos da Emissora Nacional, feitos a altas hora da madrugada, das provas da S.Silvestre de São Paulo, onde Manuel Faria se sagrou vencedor por várias vezes (não me lembro quantas)! Note-se que, naquele tempo, a S. Silvestre de São Paulo, onde também Carlos Lopes viria a triunfar, era a grande corrida de atletismo da passagem de ano. Agora, qualquer terrinha, em Portugal e no estrangeiro, tem a sua S. Silvestre. Dessas, já nem há relatos, porque a importância e a dimensão das provas não é comparável com a do Brasil.

Vivi com entusiasmo os recordes da Europa de 10 mil metros, estabelecidos por Fernando Mamede, em 1981 (Lisboa), e depois em 1983 e 1984, respectivamente em Paris e Estocolmo, onde também se fixou, com a respectiva marca, um novo recorde do Mundo. Um grande atleta. Não consigo entender o motivo por que nunca obteve uma medalha nos Jogos Olímpicos.

Recordo também as vitórias de Carlos Lopes, nos Campeonatos do Mundo de Cross, e emocionei-me, sobretudo, com a medalha de ouro (a primeira que Portugal obteve) alcançada por esse grande atleta na prova da maratona dos Jogos Olímpicos de Atalanta. Nessa madrugada, milhões de portugueses escutaram “A Portuguesa”, pela primeira vez, em Jogos Olímpicos, e viram pela televisão, com orgulho patriótico, a Bandeira Nacional a subir lentamente no mastro central do estádio, assim se encerrando (da melhor maneira, para nós), as provas de atletismo. Oh que noitada! “No meu tempo é que era bom”.

Deixo para o final o CICLISMO.
Tivemos grandes corredores (João Rebelo, João Roque, Marco Chagas e outros) mas a figura de Joaquim Agostinho destaca-se a grande altura. Sendo um corredor que apareceu tarde (25 anos) e faleceu prematuramente, teve, contudo, tempo de se alcandorar a figura mundial do ciclismo. Participou na Volta a França, pela primeira vez em 1969, ficando em 8º lugar, e vencendo duas etapas. Nunca nenhum corredor português tinha ganho qualquer etapa no Tour. Lembro-me de um episódio ocorrido comigo, que não resisto a revelar.

Estando eu, nesse ano, a estudar em França, e por me encontrar de férias, fui a Revel, perto de Toulouse, a fim de presenciar o final da etapa. Lá estava eu, com a bandeira do Sporting, à espera dos corredores, quando não foi o meu espanto, vejo o “Agostinô”, como diziam os franceses, a chegar em 1º lugar e a vencer a etapa. Não tenho vergonha de dizer que chorei como uma criança. Tive um orgulho tremendo em ser português e poder dizer que esse corredor - que no final tive a possibilidade de cumprimentar - era um atleta do meu clube: O SPORTING! E aqui também sou obrigado a dizer ““No meu tempo é que era bom”.

Há muitos anos que o Sporting não me dá alegrias sustentadas. Lá vem um fogacho ou outro que me fazem sonhar, mas que rapidamente se apaga. Sonho com um Sporting eclético, com o nome respeitado em todo o Mundo. Com o aparecimento de figuras da estatura do Senhor Prof. Mário Moniz Pereira. Sonho com um Sporting de liderança forte, com uma voz escutada por adversários, e instituições civis e políticas.Sonho com um Sporting a lutar em todas as modalidades desportivas pelo primeiro lugar, e nunca afirmando que é bom ficar em segundo…

Sonho com as Filiais, Núcleos e Delegações a serem mais participativos na vida do Sporting e com as suas claques a darem civilizadamente espectáculos coloridos de verde e branco, nas bancadas. Sonho com um clube que de novo arraste multidões em todas as modalidades. Sonho com a recriação de uma mística própria em que os atletas não desejem sair, a fim de irem para outros clubes nacionais ou estrangeiros, e sobretudo não manifestem o seu desencanto e desagrado pelos anos em que representaram o Sporting.

Sonho com uma formação que, para além de gerar grandes atletas, reforce o gosto e o amor à nossa camisola, para que, por quaisquer motivos das vidas, hajam de seguir para outros clubes, fiquem, todavia, sempre gratos e agarrados aos seus anos de formação, e não se levantem do banco a festejar golos contra nós.

Sonho, enfim, com um Sporting ao nível daquele que tive a felicidade de viver.

…Mas acordo, muitas vezes, com o pesadelo de ver o meu clube (no futebol) longe do primeiro lugar e quase à mesma distância pontual dos lugares de despromoção, portanto muito afastado da vitória no campeonato, enquanto os seus mais directos responsáveis afirmam candidamente que “cumprem o seu dever” e não desistem do primeiro lugar. Como se falassem para um escasso número de matarruanos, e não para milhares de sportinguistas, que têm o seu clube no coração. Haja, ao menos, bom senso no que se diz…      

Para todos os sócios e simpatizantes do SPORTING CLUBE DE PORTUGAL, e para a Direcção e leitores deste blog, os meus votos de Bom Natal um Feliz Ano de 2011 e Saudações Leoninas.


Eduardo Sá Ferreira
(Sócio nº 6753)


*O "ANortedeAlvalade" orgulha-se de publicar este artigo redigido pelo Dr. Eduardo Sá Ferreira, consócio de um Sportinguismo vibrante e cujo discurso me cativou desde o primeiro momento. Entre muitas outras qualidades que o caracterizam - o seu empenhamento no relançamento do Núcleo de S.Tomé e Príncipe e da filial S.C. de S. Tomé falam por si - há uma que ressalto e que é evidente neste post: apesar de ter conhecido o Sporting no seu esplendor não acredita que esse tenha sido o seu zénite, não desistindo por isso de ver o  Sporting recolocado na trajectória devida. Um testemunho importante quando se diz muitas vezes que os sportinguistas mais velhos se acomodaram com o passar dos anos. Essa não é seguramente a postura do escriba de hoje. Obrigado Dr. Eduardo Sá Ferreira.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Injecção de ânimo ou perda de tempo?

O Sporting regressou ontem ao 3º lugar, após a obtenção da 3ª vitória consecutiva fora. Ninguém ignora a importância da vitória como refrigério de uma época, a 2ª consecutiva aliás, carregada de desilusões e em que cedo ficamos arredados do título tão ambicionado. Que significado pode ter então o retorno ao pódio e uma melhor série de resultados? Isto é, era disto que o Sporting necessitava para inverter o rumo de uma época negativa?

Antes assim fosse, mas não me parece que os problemas da equipa do Sporting se fiquem por questões anímicas, mesmo considerando a sua importância crucial. O problema é estrutural e o jogo de ontem, perante uma das equipas mais limitadas da Liga, deixou-o à evidência, em particular na 2ª parte em que não conseguimos explorar as facilidades resultantes do adiantamento do adversário. Problemas esses que se arrastam desde o inicio de época e que não se alteram com o 4x4x2 ou com o 4x3x3. A construção do nosso jogo ofensivo é completamente absurda e inconsequente, vivendo da inspiração individual – ontem foi Postiga, antes foi Valdés – no que devia ser o resultado de movimentação colectiva, produto do treino semanal. Essa é uma pergunta recorrente na minha cabeça: o que se treina semana após semana em Alcochete?

Como dizia ontem na caixa de comentários ao Virgílio, este Sporting de Paulo Sérgio consegue provocar-me uma sensação inédita. Se não consigo ficar triste com as vitórias do Sporting a verdade é que delas não extraio qualquer entusiasmo, especialmente quando vejo as nossas camisolas associadas aos piores maus tratos que se fazem ao futebol. Vitórias como as de ontem são infelizmente para nós o mesmo que uma aspirina para um doente canceroso: uma perda de tempo.

Isso leva-me a uma pergunta inevitável: seria preferível ver o Sporting perder? Por exemplo ter sido batido copiosamente ontem no Algarve ou no passado clássico? Obviamente que não. Por duas razões: sou incapaz de, em qualquer circunstância, desejar a humilhação do nosso nome e historial. E, porque, objectivamente isso não resolveria nenhum dos nossos problemas. A tripla de sonho JEB, Costinha e PS, certamente apoiados em mais um comunicado oportuno, apressar-se-iam a enjeitar responsabilidades, fazendo-as cair sobre os ombros de terceiros. As usual…

Muitos interrogar-se-ão porque digo o que digo após uma vitória de 1-3. Faço-o porque creio que é muito mais fácil e cómodo fazer estas constatações ao sabor das derrotas mas creio-as mais necessárias fazê-las especialmente quando se ganha.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Portimonense - Sporting: obrigação cumprida

Dificilmente o Sporting terá uma saída tão confortável e tranquila como aquela que desfrutou hoje na visita ao Portimonense. Os visitados serão dos principais candidatos à descida de divisão, pelo menos se continuarem a exibir a falta de argumentos que vem exibindo.

Do nosso lado fica o registo de uma vitória expressiva mas mantendo o mesmo tom cinzento de jornadas anteriores.Como muitas vezes costumo dizer, o Sporting se não joga bem fica pelo menos obrigado a ganhar. Com este resultado pode-se concluir que a obrigação foi cumprida.

 
Estádio do Algarve
Árbitro: Rui Costa(Porto)
0-1 aos 22' por Hélder Postiga
1-1 aos 38' por Pires
1-2 aos 42' por Maniche
1-3 aos 46' por André Santos

Portimonense: 
Ventura; Ricardo Pessoa, André Pinto, Di Fábio e Nilson; Pedro Silva e Soares; Lito, Jumisse e Candeias; Pires.
Suplentes: Ivo, Elias, Pedro Moreira, Kadi, Ruben Fernandes, Valência e Pelembe.
Treinador: Litos

Sporting:
Rui Patrício; João Pereira, Carriço, Polga e Evaldo; Pedro Mendes, Maniche e André Santos; Vukcevic, Liedson e Postiga.
Suplentes: Hildebrand, Torsiglieri, Saleiro, Matias Fernandez, Yannick Djaló, Zapater e Abel.
Treinador: Paulo Sérgio

Reencontro com o pódio?

O Sporting regressa hoje aos encontros com o Portimonense, cuja casa sempre foi um lugar difícil para nós. De tal forma que, dos 13 jogos lá efectuados, se regista um empate: 4 vitórias para cada lado mais 5 empates. Uma vitória significa o regresso ao terceiro lugar.

Pela equipa de Portimão passou Vitor Damas, cuja passagem pelo Algarve é hoje assinalada pelo DN e que aqui deixamos para memória futura.



Há duas décadas que os dois clubes não se defrontam, hoje é o dia do reencontro.


No registo histórico dos jogos entre Portimonense e Sporting há um lugar muito especial para Vítor Damas, quer pela sua classe pura, pelo estatuto de figurar na lista dos melhores guarda-redes portugueses de sempre, ou, ainda, pelo facto de ter representado os dois clubes. Foi por isso que o DN - nas vésperas da deslocação dos leões ao Algarve - lançou o repto a dois antigos jogadores, companheiros de equipa de Damas, falecido em Setembro de 2003, na altura em que este alinhava pelos portimonenses.

Paulo Rocha e Amílcar Fonseca, 56 anos, jogaram duas épocas nos algarvios e conviveram de perto com o "ícone das balizas". Curiosamente, Paulo Rocha já fora colega de Damas no Sporting, e Amílcar partilhava com ele as ligações Lisboa-Portimão e vice-versa.

"O Damas foi o melhor guarda-redes que vi até hoje", garante Rocha, opinião corroborada por Amílcar, que confessa nem ter acreditado que o Portimonense o contratara. "Só quando o vi chegar para treinar é que fiquei convencido." A turma algarvia atravessava um período de ouro, expresso pela qualidade de muitos dos seus jogadores, alguns internacionais, casos de Alhinho, Norton de Matos, Murça, Freitas, Coelho, Delgado e Fernando Martins. Com a construção e o turismo em alta, o futebol também ganhava, e o técnico Artur Jorge, com o aval do presidente Manuel João, fez equipas para os lugares cimeiros.

"Foi um privilégio ter jogado com o Damas", dizem. Para lá das qualidades técnicas, Paulo Rocha destaca a entrega total, que lhe permitia "trabalhar da mesma maneira em Alvalade ou em Portimão. Era um fora-de-série! Quando fomos campeões, em 73/74, o Sporting bem pode agradecer- -lhe". Por sua vez, Amílcar elogia a humildade, "o que fazia com que todos gostassem dele. Passei muitas horas ao lado do Vítor e confirmo que um grande jogador tem de ser, também, um grande homem".

Dos jogos com o Sporting guardam a vitória obtida em 81/82, por 2-0 - golos de Tião e Norton de Matos. "O Portimonense era favorito quando jogava em casa, fosse qual fosse o adversário", sustentam. Na época seguinte, com Damas a dividir a baliza com Borota, os leões venceram - golo de Manuel Fernandes. Foi o primeiro triunfo leonino, ao fim de seis partidas em solo algarvio. O resultado mais desnivelado surge em 83/84 (0-6), curiosamente com Damas entre os postes. Walter Gomes, antigo vice-presidente portimonense, sustenta que o guarda-redes foi "impotente para travar a cavalgada de Manuel Fernandes, Jordão e companhia".

O caso Maniche: reflexões sobre a estratégia de um plantel*

*in Público, por Carlos Barbosa da Cruz:

1. A generalidade da comunicação social imputou a derrota do SCP contra o V. Guimarães à expulsão do jogador Maniche, que agrediu um adversário, em gesto alegadamente irreflectido.

2. Maniche, não obstante o brilho da sua carreira, foi sempre um jogador instável e temperamental, características que não se têm atenuado com a idade; no Colónia, seu anterior clube, pagou a maior multa de que há memória, por comportamento incorrecto com o público.

3. Já no SCP tinha exteriorizado algum destempero, com o arremesso de uma garrafa de água no final do jogo com o Benfica, o que lhe custou um jogo de suspensão.

4. O que surpreende, portanto, é que alguém ainda se surpreenda com estas instabilidades de um jogador que a Europa não quis e que o SCP resolveu acolher, numa linha de aproveitamento de jogadores em fim de carreira que já com a contratação de Ângulo não tinha dado grandes resultados.

5. Causa assim alguma apreensão ouvir o treinador do SCP dizer que contava com o Maniche para trazer estabilidade e maturidade à equipa, contribuições para que ele claramente não está talhado.

6. Este episódio traz acuidade a uma questão mais vasta e importante que é a de saber qual a estratégia subjacente ao actual plantel da equipa profissional de futebol do SCP.

7. Eu sei que o SCP tem especialistas, conselheiros, entendidos, scouters, olheiros e tutti quanti, que seguramente se pronunciam sobre o movimento de aquisições e dispensas.

8. Simplesmente, essa realidade, por muito respeitável que seja, não preclude as interrogações que as escolhas feitas no actual plantel suscitam.

9. Na reabertura do mercado de 2009, o SCP foi comprar o João Pereira e o Sinama-Pongolle, que não podiam jogar a Liga Europa, na qual o SCP estava empenhado, sendo a única frente em que poderia ainda brilhar; ao ver o SCP a tentar marcar um golo (que valeria a eliminatória) ao Atlético de Madrid em Alvalade, não pude deixar de me lembrar de tamanho paradoxo.

10. Simon Vukcevic foi dispensado do plantel para o Olympiakos de Atenas no final da época passada; recambiado para Lisboa (porquê?), é hoje dos poucos jogadores com perfume que ainda fazem Alvalade sonhar, mas, como critério de escolha, estamos conversados.

11. Adrien, Pereirinha e Wilson Eduardo estão fora alegadamente a rodar, o que, no caso dos dois primeiros, que já jogaram na Champions, é algo paradoxal; face ao que tenho visto, penso que onde eles fazem falta é no SCP.

12. Custa-me a perceber a gestão do dossier Izmailov. Mesmo tratando-se de um jogador difícil, ou com um empresário difícil, não haverá talento no SCP para cativar o jogador e evitar (mais) uma perda anunciada?

13. Continuo a achar que a "maçã podre" João Moutinho é uma história mal contada e tenho seguido com alguma azia o jeito que ele tem feito ao FCP.

14. Visivelmente, Torsiglieri escolheu Alvalade para aprender a jogar futebol; a decisão será boa, mas interrogo-me se o SCP tem de pagar por isso.

15. Nuno André Coelho e Zapater vieram à troca, sendo por definição jogadores que os clubes a quem vendemos jogadores não precisavam e usaram para baixar a factura, ou seja, não terão sido escolhas, mas conveniência, como os factos se têm encarregado de demonstrar.

16. Caneira, Purovic, Stojkovic, Pedro Silva e o próprio Grimmi são de nenhuma utilidade ao plantel, só se fazem sentir no final do mês.

17. A isto há que somar o Liedson e o Pedro Mendes, mais atreitos a paragens por força da idade, o Yannick e o Saleiro, em clara regressão evolutiva, e o Hélder Postiga, que parece só jogar em ano de final de contrato.

18. Não me pronuncio sobre um tal Tales, contratado no último dia do mercado regular, porque nunca tive o prazer de o ver jogar.

19. Claro que há coisas boas, a progressão notável do Daniel Carriço, a estreia do Cédric ou a afirmação do Rui Patrício.

20. Só que - e com muita mágoa o digo - as coisas más são mais do que as coisas boas.

21. A equipa de futebol vem, de forma paulatina mas inexorável, diminuindo o seu valor e enfraquecendo a sua performance; basta olhar para os resultados e para a sua composição.

22. Mais do que profissões de fé de acrisolado sportinguismo e promessas de amanhãs que cantam, importa ter a consciência que, com este plantel, o SCP dificilmente ganhará o que quer que seja.

23. E não acho que seja só por causa do (pouco) dinheiro; não encontro na montagem da equipa do SCP um critério discernível e objectivo, uma estratégia, a equipa continua macia, baixa e leve, vejam-se os golos que o SCP sofre de bola parada e os que não marca da mesma forma.

24. Claro que seria muito mais cómodo ignorar esta situação e continuar a prometer que é para a próxima, que não há mais margem de erro e outros lugares-comuns já estafados, mas, com essa atitude, o clube não vai a lado nenhum.

25. Desejo vivamente que o presidente, a SAD e toda a estrutura consigam dar a volta a esta tão delicada equação. Os sportinguistas, esses, ficar-lhe-iam, de certeza, eternamente gratos. 

Carlos Barbosa da Cruz é ex-dirigente do Sporting

sábado, 4 de dezembro de 2010

A azia de Costinha

A notícia de que José Eduardo prepara uma nova ementa para o futebol leonino provocou uma grande azia em Costinha. De tal forma que o presidente e o director de comunicação, nitidamente visados pelo director desportivo, apressaram-se a distribuir um comunicado em forma de compensan. Se serviu ou não de paliativo não se sabe. O que é certo é que do lado do homem do restaurante Solar do Marquês já surgiu uma reacção, desmentido o comunicado da direcção que lhe atribuía ambições de liderança. O costume afinal no Sporting dos últimos tempos: quem pensa pela própria cabeça, quem se questiona pelo rumo que leva o futebol do clube quer é tacho, mesmo que seja já um industrial de hotelaria.

Talvez fosse bom lembrar ao presidente e ao director desportivo o conteúdo funcional dos lugares que ocupam e hierarquia daí resultante. O Presidente do Sporting Clube de Portugal pode e deve receber quem bem entender, sem ter que assistir ao choradinho público de qualquer funcionário do clube, mesmo que seja um alto quadro. O Presidente do Sporting deveria ele mesmo ser o promotor do diálogo e auscultar o sentir dos associados do Sporting perante o tristonho – para ser simpático – desempenho desportivo da equipa da modalidade mais popular do clube. Ao presidente e aos corpos sociais cabe a definição da estratégia desportiva para o clube e nesse âmbito pode e deve assessorar-se dos pareceres que entenderem úteis. Ao director desportivo cabe-lhe executar essa mesma estratégia, se assim se entender capaz.

Costinha é hoje, dos 3 grandes, o mais loquaz director desportivo dos três grandes, apesar de ser, até ao momento, o que mais razões terá para se manter discreto. Ele dá entrevistas de cadeirão no centro do relvado, ele distribui newsletters, ele está presente em todos os acontecimentos que marcam a actualidade leonina, numa acção de nítida promoção de Bettencourt. Mas o que é ou deveria ser o centro das suas atenções, que é o desempenho desportivo da equipa, parece passar-lhe ao lado. Se Costinha quer merecer o crédito dos Sportinguistas deve começar por, antes de mais, obter resultados. Até porque, ao contrário do seu palmarés de futebolista profissional, o seu curriculum de director desportivo tem apenas preenchido, até ao momento, os seus dados pessoais e um sem número de actuações nebulosas. Talvez ele queira esclarecer na próxima newsletter os problemas com Izmailov, Moutinho,  ou os critérios que levaram escolha do actual treinador.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Não é preciso reinventar a roda

Foi notícia por estes dias a iniciativa de José Eduardo no sentido de preparar um documento com ideias concretas para o futebol do clube. Segundo palavras do próprio, com ela pretende estabelecer “um conjunto de boas práticas e uma estratégia que sirva de ideário ou de cartilha para o futebol, para que o Sporting não esteja sujeito a mudar consoante a opinião de A, B ou C e sempre que alguém chega de novo ao clube, seja treinador ou director desportivo”.

Devo dizer que saúdo todas as iniciativas para voltar a por o clube a pensar o seu futebol, porque o que se vem fazendo nos últimos tempos, e em particular nesta última época, é essencialmente o resultado de medidas avulsas e impensadas. Nas palavras do próprio presidente, “era necessário fazer alguma coisa”, sem nunca ter explicado muito bem o quê. Os resultados estão à vista. As palavras de José Eduardo retratam bem o que muitos Sportinguistas pensam hoje: a estratégia para o futebol está na cabeça de Costinha e do seu pensamento não se conhecem as linhas directoras. O que seria saudável para o Sporting era o seu director desportivo executar o ideário que o clube predefiniu e não o clube adaptar-se às ideias de quem entra e sai.  

O futebol do Sporting não precisa, para definir uma estratégia, de reinventar a roda. Os últimos anos temos andado à volta da melhor solução, falhando, quanto a mim, repetidamente na escolha da trave mestra: o treinador.

Quando realizamos aqui, há um ano, uma jornada de reflexão contamos com a ajuda desinteressada de muitos Sportinguistas. O texto que hoje recupero, escrito pelo PLF, foi o que mais incidiu sobre a vertente da estratégia desportiva e que deveria ser um documento incontornável na iniciativa agora levada a cabo por José Eduardo. Está lá uma ideia-mestra para o nosso futebol que merece ser revisitada. Um ano depois é perfeitamente actual
1. Um contexto
Comecemos pelo princípio: sou um relativo adepto do denominado "Projecto Roquette". As ideias que estiveram na sua base, as ideias que estariam na base da sustentação do projecto desportivo do Sporting, eram boas e passavam essencialmente por três vectores, todos plausíveis, todos exequíveis e todos racionais: (i) aposta na formação, (ii) aposta na valorização dos direitos de transmissão televisiva dos jogos do Sporting, nas futuras plataformas multimédia e (iii) aposta num projecto imobiliário, em altura de elevada valorização deste mercado, que em conjunto garantissem que o Sporting poderia oferecer aos seus adeptos condições ímpares para assistir a um espectáculo de futebol.

A criaçao de um braço empresarial para o clube foi a opção certa. Tanto assim foi, que foi seguida por todos. A implementação das ideias, contudo, teve - para ser simpático - um sucesso variável.
No que era imprevisível - a valorização dos direitos de transmissão dos jogos de futebol do Sporting - em sintonia com a catástrofe das dot.com, o Sporting (os seus associados e os seus accionistas) ficou a perder. No que era mais inverosímil que perdesse dinheiro - o imobiliário - o Sporting conseguiu apresentar contas negativas, vender quando o mercado já estava em nítida baixa sob a justificação (compreensível) que o Sporting (SAD ou clube) não tinha vocação para gerir este negócio. Mas a formação foi um sucesso. E - apesar de sempre necessárias revisões da implementação desta política de aposta na formação - é um sucesso que continua a apresentar frutos e que se apresenta, na minha opinião, (actualmente) o único aspecto da vida do clube em que existe potencial de crescimento.

O Sporting, sem esta sua aposta inicial na formação, que juntou as condições de trabalho ao know how que existia em Alvalade, existiria hoje (porque os sportinguistas não desapareceriam) mas sob uma forma totalmente diferente. Provavelmente não seria mais dos seus associados. E por isso é chocante ouvir-se alguém que se quer responsável (que a única coisa de que é responsável é por uma gestão flagrantemente desequilibrada de uma sociedade) dizer que o actual treinador é bom porque terá "dado" ao Sporting o Nani. Foram as (fortes) apostas do Real Sport Clube de Massamá e do Sporting que permitiram que Nani oferecesse €25,5M ao clube. Apostar num jogador talentoso tem pouco de meritório. 
2. Uma mais valia
Quando se pensa o futuro do clube fala-se sempre em sustentabilidade. O Sporting quer-se sustentável a curto, médio e longo prazo. Este é outro dos (poucos) desejos comuns dos Sportinguistas. Como amor que é, queremos que dure bem além da morte que nos separará. O Sporting é para nós, para os nossos filhos, para os nossos netos, mesmo que ainda sejamos adolescentes ou estejamos longe de encontrar razão para aumentar a família sportinguista. Aqui, como lá em cima, os sportinguistas dividem-se sobre o caminho para a sustentabilidade.

Nao tenho dúvidas sobre a parcialidade desta minha opinião: ela reside num pré-conceito, o de que o forma bons jogadores, jogadores com nível para jogar no Sporting, jogadores com nível para ambicionar voar mais alto, e forma-os em número suficiente para oferecer ao clube essa tal sustentabilidade. Ou seja, acredito que o Projecto Roquette é capaz de se (auto)sustentar em apenas um dos seus vectores principais. O futebol, como sempre, seria o motor da restante actividade do clube.

Filipe Soares Franco era da mesma opinião: era necessário conservar os talentos formados pelo Sporting o tempo suficiente para que estes oferecessem ao clube os títulos que o seu valor desportivo justificava. Isto partia de uma premissa lógica: se o Sporting vendia jogadores por valores que não estavam ao alcance da sua bolsa (entre os €5M e os €25M) e se - para mais - estes jogadores nao implicavam qualquer investimento inicial, então o Sporting poderia utilizar as (restantes) receitas para compor o plantel competitivo que lhe permitiria atingir maiores voos. E por isso as ambições europeias de Soares Franco. Para mim, também era lógico.

E, desde sempre, Soares Franco recusou a ideia de que o Sporting não venderia os seus talentos. Disse - na sua natural incapacidade para comunicar - que não venderia "agora". A sustentação do clube passaria, obviamente, também pela transferência dos seus próprios talentos. Isso seria um passo necessário, inevitável face à capacidade orçamental (a nível salarial), para manter as contas equilibradas. E assim se poderia juntar o útil ao agradável: libertar o clube/SAD da obrigatoriedade de proceder às tais "mais-valias" concederia a possibilidade de vender na melhor altura, sem ser perante a ameaça do incumprimento, e isso permitiria manter durante mais tempo no clube os jogadores com maior valor de mercado. E como o mercado remunera a competência, mantendo-se os mais valiosos, preservar-se-ia o valor dentro do clube.

O objectivo até poderia deixar de ser exclusivamente "valorizar" os activos, optando - a médio prazo - para a capacidade de ter a opção relativamente à oportunidade da venda. Isto é, aceitando que um jogador não se valorizaria acima de X, seria preferível mantê-lo (perdendo dinheiro) caso para a sua ausência nao houvesse uma hipótese em alternativa que apresentasse garantias de uma substituição adequada.

E se a política de formação do Sporting continuou a ser um sucesso, a gestão dos activos resolveu seguir o mesmo trilho que a da construção do imobiliário: é desastrosa. E é desastrosa por fazer perder ao clube muito mais dinheiro do que investiu.

3. Uma solução
O exercício da auto-citação tem o seu quê de pretensioso. Mas, sem pudor, ficam aqui umas linhas que escrevi como uma introdução em Julho a um post intitulado "o meu plantel para 2009/2010": "Comecei a escrever este post no princípio de Junho. Ficou no pipeline porque queria fazê-lo fundamentado em números, na necessária redução orçamental que o Sporting deverá fazer em função da maior dificuldade de aceder à Liga dos Campeões."

Ainda antes dos jogos oficiais, entre outras coisas, pedia a substituição de Polga, a contratação de um defesa-esquerdo, as dispensas de Romagnoli e de Rochemback, a contratação de Hugo Viana e - sobretudo - uma redução do orçamento para o futebol.

As soluções seriam encontradas dentro de casa. Havia-as em número suficiente para que o Sporting apresentasse um plantel com soluções, próximo em qualidade do actual plantel, mas com um custo substancialmente inferior.

E, na minha opinião, a minha proposta acumulava três méritos: (i) potenciava a existência dentro do plantel de jogadores susceptíveis de ter mercado (por oposiçao a outros "sem mercado", quer pela idade, quer pelas falhadas experiências no estrangeiro, quer pela ausência de qualidade), (ii) fazia face à redução da probabilidade de receitas oriundas da Liga dos Campeões (face ao novo formato), portanto equilibrando a gestão ao aumento do nível de risco de perda de receitas e (iii) enviava um forte sinal aos sportinguistas de que se estava a construir algo para o futuro. Este sinal - que foi dado no passado com acolhimento pelos adeptos - permitiria fazer o Sporting virar a página. Seria um projecto comum.

Para este projecto, seria apenas necessário dotar o Sporting de meios para assegurar que o trabalho de formação dos jogadores nao parava à sua saída dos escalões de formação. Não seria necessário apenas um treinador que apostasse nos jovens da casa, era sobretudo preciso uma equipa técnica que assegurasse que - na transição para seniores - os jovens formandos do Sporting continuariam a apurar as suas capacidades, por forma a tornarem-se cada vez melhores.

Que resultados poderia ter esta estratégia? Imaginando que o Sporting conseguia reduzir significativamente o seu orçamento, limpando da coluna da despesa salários gordos que não apresentassem uma possibilidade de retorno desportivo e financeiro - vendendo um ou dois jogadores (Moutinho e Veloso à cabeça), estaria encontrada a solução para acabar com o estrangulamento imposto pela dívida.

Caso a estratégia tivesse sucesso, poder-se-ia almejar a ainda mais receitas. Caso contrário, o risco era meramente desportivo. Do ponto de vista financeiro, com a despesa controlada, o Sporting estaria em condições - a médio prazo - de reverter esta orientação política. E isto sem (voltar a) meter dinheiro nas mãos de quem o tinha esbanjado anteriormente.
Esta era a minha solução. É a solução de quem tem de gerir um orçamento apertado, de quem não quer depender de terceiros a prazo ou de quem tem orgulho na sua identidade e não contempla vender a alma (a personalidade) para assegurar uma nova vida. Infelizmente, cada vez mais o Sporting se afasta da sua raiz original. Temo que com isso possa comprometer o futuro deste meu amor e, com ele, o dos meus filhos e netos.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Guerras de alecrim e mangerona

Foi ontem mais evidente o protesto da Juve Leo em Alvalade. Além das tarjas ao contrário e da entrada tardia no estádio, foi exibida uma frase bem elucidativa do actual estado de espírito no seio da claque: “preparem as malas”.

Parecem assim estar criadas as condições para mais uma novela que tem todos os ingredientes para se tornar em mais um capítulo lamentável na história do Sporting como o foram todas as anteriores em que a claque mais antiga do clube saltou da bancada para se assumir como intérprete da vontade dos associados. Não se lhes conhecendo qualquer pensamento consequente ou visão estratégica para o clube a única coisa a esperar será a criação de vazio e o habitual alinhamento com quem esteja na disposição de lhes prestar vassalagem. Apesar da conta em que se têm, e, ao contrário do que querem fazer crer, eles é que precisam do Sporting para serem quem são. O Sporting já existia antes e sobreviver-lhes-á. O Sporting não precisa de golpes inconsequentes com motivações duvidosas, precisa de visão estratégica e de uma mensagem de ânimo e inclusão.

O último que se poderá lamentar do que venha a suceder é precisamente o presidente. Colherá o resultado da relação promíscua que, desde o inicio do seu mandato, mantém com os ultras do clube. Tanto uns como outros estão longe de estar à altura de muitos que os precederam nos lugares que hoje ocupam. Tardam em perceber que o seu tempo já passou e que, ao invés de soluções, representam um contrapeso para o clube.

O Sporting precisa de todos, obviamente. Uma boa forma de o servir pode ser a humildade de reconhecer que está na altura de voltar a ser o que sempre somos: apenas mais um.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Sporting - Lille: presque insupportable

SPORTING: Rui Patrício; João Pereira, Carriço, Polga, Evaldo; Pedro Mendes, André Santos, Maniche; Yannick, Liedson e Postiga.

Suplentes: Tiago, Torsiglieri, Saleiro, Valdés, Zapater, Nuno Coelho e Vukcevic.

LILLE: Landreau; Beria, Chedjou, Rozehnal, Emerson; Gueye, Mavuba, Balmont; Hazard, De Melo e Obraniak.

Suplentes: Mouko, Debuchy, Cabaye, Sow, Frau, Rami, Dumont.

O Sporting apurou-se para a fase a eliminar da Liga Europa ganhando ao Lille por um golo sem resposta. Foi a único facto digno de registo após 90 minutos em que se maltratou, mais uma vez, o futebol. Se há quem diga que a Liga Europa é a 2ª divisão das competições europeias, quer o árbitro quer as 2 equipas bem se esforçaram para justificar o estatuto.

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