terça-feira, 13 de janeiro de 2015

No day-after de mais uma Bola de Ouro, uma importante reflexão sobre a formação no Sporting

Ronaldo é o expoente máximo da formação do Sporting
No day-after da conquista de mais uma Bola de Ouro por um atleta formado no Sporting, parece-me fazer todo o sentido falar novamente sobre a formação do Sporting. Uma reflexão que é ainda mais oportuna num momento em que existem alguns sinais que justificam pelo menos a preocupação, exigem questões e respectivas respostas. Para tal elaborei um questionário muito simples, de quatro perguntas apenas (a bold), que André Carreira de Figueiredo* se disponibilizou para responder.

- Os resultados deste ano lançaram o alarme sobre a formação, que a recente não qualificação dos juvenis veio acentuar. Os resultados dos jogos, sobretudo os títulos, na formação são assim tão importantes ou deve ser feita uma leitura mais abrangente, como exibições, valores emergentes, etc?

Falar em "a melhor formação" é muito subjectivo e por vezes depende daquilo que é conveniente para os adeptos e "máquinas de relações públicas" valorizarem após uma determinada vitória ou derrota, mas há que ter em conta vários factores:

1) Produzir individualidades para a equipa principal, portanto, formar jogadores (e não colectivos) e fazer um aproveitamento dos mesmos no "período pós-formação", ou seja, quando terminam a sua época Sub-19.

2) Conquistar títulos para incutir aos jogadores desde cedo uma "cultura de vitória" e a capacidade de sobressaírem no contexto de um colectivo.

3) Formar homens pois, sem um desenvolvimento social e emocional adequado, muitos jogadores não desenvolvem a maturidade necessária ou uma personalidade forte que lhes permita sobreviver às "depressões" que podem estar associadas a um empréstimo fora da "casa mãe" ou de uma passagem prolongada pelo banco de suplentes ou pela bancada.

Em termos de aproveitamento de individualidades da sua formação na equipa principal, o Sporting tem tido indiscutivelmente a "melhor pós-formação" (e tem recebido justificadamente a melhor imprensa) nos últimos 15 anos, mas, há que ter em conta que é mais fácil um jovem conseguir entrar num XI sénior como o do Sporting do que num XI mais competitivo como é o do Benfica. Portanto, a aposta em jovens  por parte do Sporting nos passados 10-35 anos passa muito pelo facto de o Sporting ter quase sempre um orçamento mais reduzido que o do seu rival da 2ª Circular, e ter, na maioria das vezes, um XI titular menos competitivo na sua equipa sénior onde, portanto, é mais fácil os jovens conseguirem afirmar-se.

Há igualmente que ter em conta que os jovens da formação que o Sporting tem no seu plantel sénior são o resultado de um trabalho/investimento que vem de há muitos anos e que lentamente deu frutos, e não do trabalho desenvolvido nos tempos mais recentes.

Rui Patrício chegou ao Sporting há 17 anos descoberto pelo ex-Observador Técnico Sr. Artur Garrett, Nani chegou ao Sporting há 12 anos descoberto pelo Observador Técnico Sr. Carlos Braz, Cédric Soares chegou ao Sporting com 6 ou 7 anos de idade no final dos anos 90 quando o irmão mais velho (Kevin Soares) o trouxe para treinar, Adrien Silva chegou ao Sporting há 12 anos descoberto pelo Observador Técnico Sr. Gomes Ribeiro (que também descobriu Simão Sabrosa), William Carvalho chegou há 10 anos e chegou porque é um grande Sportinguista, pois tinha Bruno Maruta em sua casa com papéis para ele assinar pelo Benfica e William segredou ao seu então treinador (Ricardo Nascimento) no Mira-Sintra que preferia ir para o "seu" Sporting.

André Martins chegou há 12 anos descoberto pelo ex-observador técnico Coronel José Santos, João Mário Eduardo foi a Mãe dele a Srª Lídia Costa que o trouxe para o Sporting há 12 anos, Eric Dier foi a Mãe que o levou para o Sporting há 12 anos, Filipe Chaby é outro grande Sportinguista que foi descoberto para o Sporting pelo ex-Observador Técnico Sr. João Ruas há 9 anos. Francisco Geraldes é um jovem Sportinguista de 19 anos que está no Sporting há 12 anos.

Mesmo falando dos casos mais recentes de jovens que conseguiram algum espaço na equipa principal, o Carlos Mané está no Sporting há 14 anos, o Daniel Podence foi descoberto pelo Observador Técnico Sr. Carlos Braz no Belenenses, Tobias Figueiredo chegou ao Sporting há 10 anos, Ricardo Esgaio chegou da Nazaré há 11 anos e a avó dele vinha ver os jogos dele a Pina Manique e a Alcochete, Rúben Semedo, com idade Sub-16, foi observado pelo Mister Luís Dias num jogo de Juvenis A do "Fofó", onde eu também estava presente há 7 anos.

Mica Pinto chegou há 8 anos e jogou em pelo menos 3 posições (médio defensivo, avançado-centro e lateral esquerdo), Iuri Medeiros chegou há 11 anos, etc. Em suma, os atletas que hoje em dia vão surgindo da formação são o resultado de um "investimento" que foi feito há 6-18 anos nas estruturas de Prospecção e Formação.

Quando olhamos para um jogador temos que ter em conta dois aspectos, o seu valor desportivo actual e avaliar qual será o seu potencial a curto, médio e longo prazo. Enquanto o valor actual é relativamente fácil de aquilatar com a elaboração de um relatório técnico de avaliação, já o potencial a longo prazo depende de muitos factores, mas na minha opinião o mais importante é o psicológico. Por exemplo, depende da mentalidade dos atletas e como a mesma poderá mudar durante a puberdade, a personalidade dos seus encarregados de educação que poderão dar-nos uma indicação de como vai ser o jogador em termos de traços da sua personalidade, a potenciação física, técnica e psicológica que os profissionais da instituição poderão realizar com o atleta quer na Fase de Iniciação quer na Fase de Especialização, e hoje em dia também quando passam pelo Sporting B, etc.

Mas, não se pode confundir o valor desportivo ou o potencial com o momento de  forma, pois há jogadores ou equipas que podem ter más exibições, mas as mesmas serem uma simples anomalia ou causada por factores exógenos, questões de Locus de Controle Externo (sorte, azar, incompetência ou falta de seriedade de terceiros, etc). No entanto, se os jogadores e planteis têm qualidade e se o treinador é competente e profissional, e os adversários são de igual ou inferior valia, é natural esperarem-se vitórias, títulos, e não apenas a potenciação das individualidades mais promissoras.

Tendo dito isto, o rendimento da geração de 1996 (actuais juniores) ao longo dos últimos 2 anos não reflecte o real valor desse lote de atletas nem eles evoluíram o que seria perfeitamente razoável esperar deles nestes passados 21 meses. Não são uma geração fabulosa de jogadores, nunca foram e isso já era óbvio quando eram Infantis, mas são claramente jogadores em nítido sub-rendimento nestes últimos dois anos, sobretudo na presente época, mas quem conhece estes jogadores sabe que eles valem MUITO mais do que  isto, basta ver o seu historial entre 2008 e 2012. Em Janeiro de 2013 estavam à frente do Benfica, até há 2 anos nunca ficaram abaixo do 2º lugar quer em competições Nacionais quer em Distritais, inclusive foram campeões há pouco mais de 4 anos com o treinador Pedro Gonçalves. O “descalabro” verificou-se nos últimos 2 anos, é factual e incontornável.

Sempre achei que seria irrealista esperar o título nacional destes jogadores esta época, mas, era normal que se esperasse MUITO mais deste grupo de trabalho (e que obviamente envolve a estrutura) do que aquilo que têm produzido nos passados 2 anos e sobretudo na presente temporada. Não são "fracos" nem medíocres em termos de talento, mas realisticamente, o grupo (jogadores e não só) tem sido medíocres esta época, e bons jogadores entre 2008 e 2012 não desaprendem a jogar em 2013, 2014 e 2015. Há da parte dos "adultos" responsáveis que tirar ilações, algumas delas particularmente introspectivas.

Relativamente à geração de 1998 (actuais juvenis), sempre fui da opinião que eram uma boa geração, mas não excepcional (e alertei há 18 meses que não havia espaço para deslumbramentos), e na qual eu via talvez 3 jogadores (Telmo Costa no início de época falou em 5 ou 6) com capacidade para chegar aos seniores a seu tempo. Os restantes eram incógnitas, pois a sua evolução para mim dependia de demasiados factores. É verdade que foram campeões nacionais com relativa facilidade há 2 anos, mas, como se costuma dizer, "só podemos vencer quem aparece à nossa frente", ou seja, a equipa era melhor que os adversários, mas, nunca achei que fossem uma "Super-Equipa" como muitos julgavam pelos resultados (e título), enquanto eu me limitava a avaliar a qualidade e potencial a longo prazo dos jogadores.

Foi uma equipa que sofreu alguma “delapidação” nos passados 2 anos e que em parte por causa desse "empobrecimento", ao fim de 3 anos consecutivos a conquistar títulos, acaba de assinar a pior época alguma vez registada por uma equipa Sub-17 do Sporting na já longa história desta competição. Mas, não é por causa deste "fiasco" que este lote de jogadores de 1998 deixa desportivamente de valer menos do que valia há 6 meses, da mesma forma que para mim não valiam mais depois de serem campeões nacionais em 2013.

Esta época registou-se claramente algum sub-rendimento por parte destes jogadores, eles poderão arcar com alguma "culpa", mas nunca com toda. São um bom plantel, que não rendeu o que seria de esperar deles, mas, tal como com os de 1996, também não me parece que a culpa seja única e exclusivamente dos jogadores e equipas técnicas. Poderão haver muitos factores, desde quebra psicológica, mau ambiente de trabalho devido a alguma opressão social que possam sentir, falta de gratificação (questões económicas) comparadas com colegas, falta de motivação, falta de auto-confiança, falta de empatia para com quem os rodeia, desânimo, falta de organização (na equipa e fora dela), etc.

Se o único factor a ter em conta para a próxima época for a qualidade dos jogadores (em vez da equipa técnica, estrutura, condições de trabalho, acompanhamento, etc) não acredito que a equipa de Juniores seja muito mais competitiva que as dos últimos 2 anos, pois ao longo dos passados 6-8 anos a Geração de 1997 não deu indicações de que fosse superior à Geração de 1996.

Quanto à Geração de 2000 que presentemente competem nos Sub-15 e terminaram a 1ª Fase 9 pontos na retaguarda do Benfica, se formos a julgar unicamente pela qualidade dos jogadores, temos claramente qualidade para sermos campeões nacionais. Mas, exactamente o mesmo podia ser dito (e foi, por mim) sobre a Geração de 1999 que na época transacta passou pelos Iniciados A e nada conquistou. E em ambos os casos estamos a falar de gerações campeoníssimas, com 7 títulos conquistados antes de chegarem aos Sub-15.

-  Estes resultados são meramente circunstanciais e coincidentes ou são  sinais que evidenciam problemas?

De forma alguma são circunstanciais ou fruto do azar. Eles evidenciam problemas de ordem estrutural, organizativa e de falta de competência, experiência e sensibilidade em posições chave, sobretudo na gestão dos recursos humanos. Claramente, as Gerações de 1996, 1998 e 1999 foram todas elas afectadas nos passados 2 anos. É uma questão estrutural e que está relacionada com questões de competência, experiência e sensibilidade para o trato com os jovens, desorganização, excessiva acumulação de  cargos, alguns deles por pessoas de competência "amadora", e isto resulta de dois factores: a menor folga orçamental e a má/insensata gestão de recursos humanos.

- Quais são os problemas que identificaria como sendo específicos de cada escalão e quais os que resultam da própria organização?

O Sporting necessita de um Director Geral da Formação que conheça o meio em que se movimenta, que conheça os jogadores e treinadores (dentro e fora do Sporting), que seja sobretudo um agregador de competências, que saiba liderar, que saiba criar e gerir uma dinâmica social que permita extrair o máximo potencial profissional de todos os seus colaboradores, e não obstante ser ele o líder máximo, que dê valor à opinião das pessoas competentes que o rodeiam. As Hiperlideranças “asfixiam” quem as rodeiam, e só funcionam quando o Hiper Líder é alguém de inquestionável competência.

O Sporting necessita de um Coordenador Técnico da Formação que para além da competência possua capacidade de liderança (e algum carisma) para se impor e ser respeitado pelos seus superiores hierárquicos e consequentemente conquistar a sua autonomia dentro da estrutura.

O Sporting tem que apostar nos melhores treinadores, nos José Limas, nos Pedros Gonçalves,  nos Tiagos Capazes, nos Tiagos Fernandes, nos Nunos Lourenços (é inconcebível que esteja a treinar os Sub-13 quando tem mais capacidade e experiência do que alguns em Alcochete), os Pedros Pontes, etc. Tem que ser capaz de atrair os Brunos Lages, os Luíses Nascimento, talvez um Luís Araújo, de trazer de volta o Bruno Freitas, de potenciar um Bernardo Bruschy, de ir buscar as 4 ou 8 pedras basilares que lhe permitam reerguer o seu Departamento de Recrutamento para os níveis em que estavam em 2005-2007, etc.

Relativamente ao Professor João Couto que agora regressa ao Sporting, gostaria de dizer algumas coisas. É um amigo, é um Sportinguista com "S" grande, é um Homem com "H" grande e, em condições ideais, é um treinador muito acima da média.

O Professor João Couto foi Professor de Educação Física na minha velha Alma Mater, o Colégio São João de Brito, é alguém que foi campeão nacional de Juvenis duas vezes pelo Sporting (em 2004/05 com a geração de 1988 e em 2005/06 com a geração de 1989), bem como campeão nacional de juvenis pelo Benfica em 2007/08 com a geração de 1991.

Mas, do passado vivem os museus, e o Professor terá que demonstrar nestes novos tempos, com outros constrangimentos (orçamentais e não só) e com outros jogadores, o que consegue fazer. Na globalidade ele é um grande reforço, não apenas pela sua qualidade enquanto treinador, mas igualmente como ser humano, é uma pessoa afável, amiga dos jogadores, disciplinador quando necessário, é um bom psicólogo, e é um Mister que sabe ter os jogadores com ele.

Espero que os Sportinguistas não queiram fazer do João Couto um "São João", ele é em condições normais INQUESTIONAVELMENTE uma mais-valia, mas ele sozinho não fará milagres. Esqueçam isso, ele não tem nenhuma varinha mágica, ele é apenas mais uma peça (neste caso, uma boa peça) na engrenagem, mas os Sportinguistas não se podem esquecer que os Joões Coutos e os Luíses Martins foram campeões com gerações de jogadores muito acima da média, não foi com jogadores medianos nem com coordenadores medianos.

O João Couto tem qualidade, mas necessita igualmente que lhe dêem qualidade para ser trabalhada e necessita de estar rodeado na estrutura de outros elementos de qualidade. Para mim, o Professor João Couto é indiscutivelmente uma referência, tal como é o Mister Luís Martins, o Mister Bruno Lage, o Mister José Lima, e outros que também têm muita qualidade profissional e humana, mas que infelizmente nem sempre recebem o reconhecimento que tanto mereciam.

- Quer apontar algumas medidas de curto prazo que tomaria para devolver alguma normalidade já na próxima época a este sector tão querido dos Sportinguistas?

Muitas vezes se tem falado que "o Sporting forma bons jogadores, mas não forma bons homens" e em relação a isso gostaria de dizer o seguinte, que tanto uma formação como a outra não é complicada de se atingir, desde que os jovens tenham em seu redor os profissionais e as personalidades certas.

Como se formam os bons jogadores?

Antes de mais, é necessário ter boa matéria prima e é aí que entra um bom Departamento de Recrutamento e cujo trabalho (bom ou mau) nunca pode ser descurado e que pode ter repercussões (positivas ou negativas) que só se sentirão 5-12 anos no futuro. Tendo já jovens talentos, para formar bons jogadores é imperativo essencialmente ter os melhores treinadores, os melhores nutricionistas, os melhores especialistas em treino de força e em Prevenção/Reabilitação de lesões, os melhores psicólogos e as melhores infra-estruturas. É tão simples quanto isso, os melhores nas suas respectivas áreas para potenciar a melhor matéria prima aplicando-lhe as três traves mestras; o Treino, a Nutrição, e o Repouso.

Como se formam os bons homens?

Quando um jovem do sexo masculino entra na adolescência está numa fase em que a sua personalidade se começa a afirmar, e a sua personalidade será um reflexo das pessoas que o rodeiam. Todos os jovens necessitam de um forte exemplo masculino (o Pai) e um forte exemplo feminino (a Mãe) nas suas vidas, mas quando os jovens passam muito tempo longe dos encarregados de educação, é importante que tenham em seu redor homens sérios, homens leais, homens corajosos, homens íntegros, homens trabalhadores, homens sociáveis, todos eles valores importantes que os jovens possam assimilar.

Agora, se um jovem entre os 13 e os 19 anos estiver rodeado de homens introvertidos, intelectualmente desonestos, cobardes, nervosos, ansiosos, bajuladores, ordinários, sexistas, tabagistas, alcoólicos, narcisistas, etc, obviamente que esses maus exemplos mais do que provavelmente irão afectar negativamente o desenvolvimento da personalidade do jovem.

Isto aplica-se a qualquer colaborador que possa entrar em contacto com os jovens atletas, mas focando-me mais agora nos treinadores, os atletas precisam de treinadores que para além de competência e profissionalismo, precisam que esses treinadores sejam homens exemplares, pois quer tenham consciência disso ou não, esses treinadores têm nas mãos uma enorme responsabilidade, pois estão a ter um profundo impacto na formação da personalidade desses jovens.

Eu prefiro que atletas entre os 7 e os 12 anos sejam acompanhados por psicólogas e de preferência psicólogas relativamente jovens, com idades compreendidas entre os 25 e 35, e que para além da ciência da psicologia, que venham igualmente dotadas de humanismo. Mas, para acompanhar jogadores adolescentes ou adultos prefiro que esse acompanhamento seja feito unicamente por psicólogos. Não faz qualquer sentido um jogador de 14-17 anos andar a ser acompanhado por uma mulher de 20-35 anos, para mim isso é uma "farsa". A capacidade de empatia é reduzida, e as psicólogas nunca poderão nem deverão tentar assumir o papel pouco ético de "mães substitutas".

Quando falo em psicólogos e psicólogas, estou obviamente a falar dos melhores e não de profissionais medianos ou medíocres, pois esses apenas representam mais um nome e mais um "peso" na folha salarial e pouco ou nada têm a oferecer em termos de contribuição para a formação do homem ou do atleta. Se alguma coisa, estarão a acrescentar o nome “Sporting Clube de Portugal” ao seu CV, para que mais tarde possam tentar monetizar essa experiência acumulada  ao serviço da instituição.

Que fique claro que considero que existem boas psicólogas e com capacidade para lidarem com adolescentes do sexo masculino e com homens mas, com o devido respeito, essas na sua maioria são profissionais com 25-30 anos de carreira. Estamos a falar das melhores, portanto, profissionais que devido ao seu talento e experiência já possuem capacidade para entender a psique masculina de um adolescente.

Tendo dito isto, continuo a acreditar que o "Psicólogo Primário" deve ser sempre o treinador, e esta é uma área em que obviamente alguns treinadores têm maior sensibilidade do que outros, e que tem tanto a ver com conhecimentos adquiridos em Pós-Graduações em Psicologia, como tem a ver com a própria personalidade dos treinadores, pois há quem tire todos os cursos possíveis sobre Psicologia ou Psiquiatria, mas falta-lhes o humanismo ou as competências sociais necessárias para conseguirem compreender os seus “pacientes“.

Acredito igualmente que os jovens mais do que sessões de psicanálise enfadonhas e intrusivas ou de "elogios gratuitos", deviam ter a oportunidade de participar no maior número possível de actividades sociais e culturais. Na adolescência necessitam sobretudo de socializar, de fazer  amizades, de arranjarem namoradas e de aprenderem por experiência própria a controlar as suas emoções, para evitar que mais tarde sejam adultos que sofram de desequilíbrios ou descontroles emocionais que, muitas vezes são interpretadas como sinal de imaturidade e revelam-se como um obstáculo intransponível para a sua afirmação no futebol ao mais alto nível. Estamos a tentar formar homens e não "robots" anti-sociais.

A medida primária que tomaria seria a criação de uma estrutura capaz de governar a Formação e Prospecção do Sporting, uma estrutura que reuniria competências diversas e que tornaria a  estrutura mais flexível, moderna e pedagógica, com capacidade de se adaptar às contingências da Formação e Prospecção moderna, com gestão substancialmente mais lúcida, democrática e meritocrática dos recursos humanos disponíveis, e o desenvolvimento de uma verdadeira estratégia de optimização do Sporting B como plataforma competitiva intermédia.

Para que isto fosse possível seria necessária uma reestruturação de recursos humanos que envolveria a dispensa de vários colaboradores que não estivessem 100% comprometidos com o espírito do novo projecto, e seria igualmente necessária a entrada de profissionais de inequívoca competência e experiência nas áreas onde seriam chamados a intervir.

Post-Scriptum: O Sporting necessita rever o seu projecto "Férias Academia". É certo que o Sporting encara esse projecto mais pela vertente comercial, e os jovens que o frequentam mais pela vertente social, ou seja, nenhuma das partes está necessariamente interessada em formar jogadores ou em incutir bons hábitos que permitam a um jovem aspirar a ser jogador, mas, é inaceitável que alguns dos treinadores responsáveis pelos treinos estejam obesos (não estão gordos, estão obesos, e alguns nem 30 anos devem ter).

Há igualmente que ter maior atenção à forma dos jovens quando executam os exercícios durante os treinos de modo a evitar lesões. Mas o pior, é sem dúvida a alimentação que permitem a essas crianças e adolescentes; pequenos-almoços com Chocapic e Coca-Cola, almoços com bifes de vaca "encharcados" de molhos e acompanhados de batatas fritas e doces, e jantares em que podem consumir doses industriais de hidratos de carbono (será que isto os conduzirá a uma boa higiene de sono?), em suma uma alimentação péssima a todos os níveis e que pode ajudar a tornar esses jovens em futuros diabéticos quando atingirem a meia-idade. Irresponsável e inaceitável.

Saudações Leoninas,

André Carreira de Figueiredo.

*André Carreira de Figueiredo é o director do jornal desportivo online "Academia de Talentos e que há vários anos acompanha a formação do Sporting.

17 comentários:

  1. Sem desprimor - porque concordo com grande parte do que aqui está escrito -, o ACF vê toda esta temática de uma perspectiva demasiado científica quando o Futebol e a Formação estão longe de ser ciências e muito menos exactas. Achgo inclusive que este é um dos erros de monta do Futebol "moderno"...

    Essa espécie de regime quase-militar, estrito e constricto, é algo que não concebo - embora compreenda a perspectiva. Há factores de conforto e acompanhamento que devem obviamente ser levados em conta, mas daí a um acompanhamento tão próximo, tão rigoroso, pode ser demasiado "sufocante", porque eles afinal são pessoas, além dos atletas. Essa vertente do profissionalismo é algo a incutir progressivamente e só mais à frente, depois os 17/18 anos...

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  2. Mauro, o teu artigo hoje no SVPN também deve ser lido.

    relativamente ao teu comentário creio que o André melhor do que eu poderá defender o seu artigo. No entanto aproveito o teu comentário para também dizer algo sobre o assunto.

    Há uma diferença entre um "regime quase militar" e o profissionalismo e organização obrigatórias. Estes não colidem com os tempo e espaço que os jogadores devem ter para se dedicar a si mesmos, nas mais diversas actividades e que são importantes para o seu crescimento como pessoas. Aliás o André refere isso.

    "Na adolescência necessitam sobretudo de socializar, de fazer amizades, de arranjarem namoradas e de aprenderem por experiência própria a controlar as suas emoções, para evitar que mais tarde sejam adultos que sofram de desequilíbrios ou descontroles emocionais que, muitas vezes são interpretadas como sinal de imaturidade e revelam-se como um obstáculo intransponível para a sua afirmação no futebol ao mais alto nível. Estamos a tentar formar homens e não "robots" anti-sociais."

    No resto há um trabalho multidisciplinar que envolve vários técnicos de diferentes áreas que quanto mais rigor e profissionalismo envolver melhor resultados poderão ser alcançados.

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  3. Expliquem-me como é que de vendedor de móveis o Virgílio passou para director da Academia, porque gostava de saber que espécie de "meritocracia" envolveu tal decisão.

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  4. LdA,

    O meu post é mais genérico, e mais veago, embora convirja no essencial. Até porque não estou completamente dentro do fenómeno da formação nem sou um profundo conhecedor das várias vertentes envolvidas.

    Quanto ao regime quase-militar de que falei, era uma mera forma de expressão para enfatizar o enfoque do ACF que me parece excessivamente virado para o acompanhamento aos miúdos. A imagem que dá - ou a sensação que me deu, pelo menos a mim - é a de um miúdo rodeado de 27 pessoas de áreas diferentes e de um plano de orientação que tem que seguir demasiadamente à risca. Parece-me conceptualmente errado, pelo menos até à fase pré-adulta em que, aí sim, têm que ser muito e bem acompanhados.

    De resto, deixo as considerações para o ACF, que tem bem mais legitimidade para falar disso, porque trabalhou/trabalha de perto com o meio...

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  5. Ou os sportinguistas começam a tomar a consciência de que existe um problema grave com a formação ou teme-se o pior, porque já se sabe que do Bruno de Carvalho e dos seus seguidores vamos ouvir as desculpas de sempre com o passado. Capacidade para dar a volta é que está quieto.

    Temo que aconteça à formação o mesmo que sucedeu ao atletismo, que foi perdeu a hegemonia para o benfica, para isso contribuindo a má situação financeira do Sporting e a retirada do Prof. Moniz Pereira. Veremos o que vai acontecer à formação no futebol depois do Mister Aurélio Pereira se reformar e o orçamento da Academia não voltar a crescer..

    Para quem desvaloriza a situação pelo facto de os lampiões não aproveitarem os jogadores da sua formação, esquecem-se de que o Sporting precisa muito mais da formação do que os lampiões, porque não tem a mesma capacidade financeira para ir ao mercado. Se até aqui o benfica teve dinheiro para um Enzo ou para um Gaitán, porque razão haveria de dar o lugar desses jogadores ao produto do Seixal que é obviamente de inferior qualidade? Nem o Sporting faria o mesmo. O que é certo é que actualmente eles estão a trabalhar melhor na formação do que o Sporting, porque o as suas equipas apresentam melhores jogadores e melhores resultados, e assim sendo estarão melhor preparados para a contracção financeira que terão de passar. Já o Sporting de Bruno de Carvalho, se se pode queixar que os problemas vêm detrás (até porque se estivesse tudo bem este presidente nem nunca teria sido eleito), é indiscutível que apesar de o atletismo e a formação no futebol já estarem a cair, agora estão bem pior.

    E como símbolo do estado de coisas, desde que acabou o contrato com a Puma a Academia deixou de ter patrocínio. Olhamos para as camisolas dos miúdos de encarnado e está lá a Emirates; ao invés, as da formação que produziu o Figo, o Ronaldo, o Nani, o Moutinho, o William, etc, não têm nada. Mas o Bruno é que tem capacidade negocial. Vê-se.

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  6. Esta reflexão de André Carreira Figueiredo sobre a Formação/Academia do Sporting é extraordinariamente pertinente e está muito bem fundamentada. Aliás, é reconhecida a competência profissional de André Figueiredo na área, bem como a sua experiência como técnico na Formação do Sporting. Para além de ser um indefectível sportinguista.

    Um clube como o Sporting que aposta na formação de jogadores de futebol vive numa inquietação permanente. Sendo o futebol, para quase todos os participantes, o “instante”, um “flash”, essa constatação implica uma profunda contradição. A Formação de um futebolista projecta na duração temporal, mas frequentemente impõe-se a impossibilidade de desenvolver o processo formativo, a capacidade de parar para pensar, por uma questão de cultura, de estrutura social e de espírito mercantil. E de falta de memória relativamente às “aventuras” prematuras mal sucedidas. E há o receio de uma lesão ou que o comboio não volte a parar no mesmo apeadeiro. Depois, há os destinos dourados soprados por prestimosas sereias a jovens promessas do futebol. Sim, que são apenas isso!

    Por outras palavras, é de grande complexidade gerir a relação contratual do Sporting com as suas jovens promessas. Um descuido… e fica-se de mãos a abanar. Há muitos empresários atentos a boas perspectivas de negócio e não faltam clubes dispostos a servirem de barriga de aluguer. E não faltam jovens e pais com as cabeças cheias de promessas aliciantes e de carreiras de sonho.
    Perante este quadro, não é à martelada e com ameaças de pôr jogadores recalcitrantes a aparar a relva que se leva a carta a Garcia. É com inteligência e bom senso, um gabinete jurídico competente e um saudável ambiente sportinguista.

    André Figueiredo analisa com algum pormenor a necessidade de dotar a Academia com uma estrutura piramidal, cuja competência nas respectivas áreas seja a condição fundamental em termos organizacionais e funcionais e que a capacidade de liderança seja inquestionável.
    Acrescentaria a conveniência de possuir um Antropólogo Social para trabalhar com os jovens da Academia, tal como um Psicólogo, mas num patamar diferente. O Antropólogo é indispensável para descodificar a totalidade dimensional da realidade cultural dos jovens formandos (europeus, africanos e sul americanos), tendo como ponto de partida conceitos, atitudes e valores que se relacionam com o fluir temporal, a permanência e a evolução, a memória e a tradição, descodificando e integrando aquilo que aparece aos adultos como intrínseco, inevitável e estável.

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  7. Antes de mais uma palavra para o LdA, pelo esforço que faz em não ser apenas mais uma caixa de ressonância dos temas da atualidade.

    Sobre o tema da formação já quase todos disseram quase tudo, em especial o autor das respostas. No fundo o que se passa na formação é que, ao contrário do que foi propagandeado, o Virgílio não respira futebol, ou o futebol que respira é o do tempo dos pelados e dos caceteiros.

    O BdC faz de conta que não vê e vai enxotando as moscas (jogadores, treinadores, empresários) mas a m... continua lá direitinha. Até pode secar mas vem alguém e pisa e volta outra vez a cheirar mal.

    Se preferirem de outra forma é como um médico que erra no diagnóstico e em vez de retirar o cancro (Virgilio) e as metástases (o psicólogo filho do psicólogo/ideólogo da revolução e demais bufos e bajuladores) vai amputando alguns membros até chegar à velhíssima conclusão: leão sem braços e pernas não ouve.

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  8. Respeito muito a entrevista mas tenho pena que não se veja o todo. Evidentemente que a formação não está como queriamos, tem de melhorar e muito mas sabiam que o scouting não recebia à 2 anos antes do BdC chegar? Evidentemente que com a redução de custos perdemos qualidade mas queriam ter empregados sem receber? Queriam que o clube fechasse as portas? Evidentemente que se nos proximos anos não melhorar-mos podemos tirar outras ilações mas para já é cedo.
    A certa altura do texto fala-se em miudos com mais de 10 anos de casa então devemos deduzir que o que se está a passar não é reflexo dos ultimos 2 anos mas sim dos ultimos 8/9 ou assim.
    Só não percebo a necessidade de se criticar o trabalho do presidente em todos os posts, conhecem-no pessoalmente e tratou-vos mal? Será que vos prometeu um cargo e não cumpriu? Qual é a motivação principalmente do LdA em manter este blog?
    E continuando a falar de formação que não me tem agrado, admito, mas onde nem tudo é mau pergunto, quantos jogadores já jogaram da formação este ano? ok é verdade que com o nosso orçamento temos de utilizar mais que os rivais mas e se comparar-mos com outros periodos presidenciais? E a taça da liga, que não sendo importante, tem mostrado uma aposta na formação como poucas vezes se viu e para já com resultados.

    Peço desculpa por agora ir comentar a opinião de um caro consorcio sportinguista, espero eu. O anonimo das 17.49h diz: "Ou os sportinguistas começam a tomar a consciência de que existe um problema grave com a formação ou teme-se o pior, porque já se sabe que do Bruno de Carvalho e dos seus seguidores vamos ouvir as desculpas de sempre com o passado. Capacidade para dar a volta é que está quieto." Parece-me que esta tudo dito sobre este blog quando se permitem tais afirmações sem qualquer tipo de credebilidade. Vejamos, os seus seguidores ou seja este senhor não o é portanto enganou-se no clube que é socio? Mais, essa é a conversa mais separatista ou divisionaria que pode haver, como podem querer a evolução do clube se destilam vontade de escorregadelas para virem espetar o alfinete? E sobre a frase propriamente dita diz, ou teme-se o pior, sim porque realmente antes nao temiamos nada bastava vender-se o capitão a um rival por meia tuta.

    A entrevista é muito boa e devia ser usada para melhorar o que for possivel mas dai tirarmos conclusões que o Virgilio é uma bosta que o presidente é um autoritario que não houve ninguem e que os seus seguidores (os socios suponho) são uns acefalos é demasiado.
    Atenção que com o que escrevo parece que não vivo sem o homem o que tambem não é verdade de todo mas não compreendo como ainda não encontraram um motivo para fazer um post positivo, por exemplo 7 vitórias seguidas, 6 jogos sem sofrer golos não é suficiente? Ou é só fruto do trabalho do MS? Ou o MS foi escolhido por voçês e não pela direcção?
    Teria muito mais credebilidade se escrevessem para os dois lados ou seja positivo e negativo.

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  9. Anónimo:
    parece-me que está tudo dito sobre a sua própria "credebilidade" quando acha que devemos ou não permitir esta ou aquela afirmação ou acha que a razão de manter o blogue tem a ver com motivos pouco claros.

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  10. Tenho pena que se tenha centrado nesse pequeno promenor, foi uma forma de expressão que pelos vistos foi errada (queria com isso dizer que o blogue está preconceituoso) mas mais importante será responder se não tem nada de bom a dizer desta direcção?
    Quanto as suas motivações para manter o blogue foi a minha pergunta portanto não estou a deduzir motivos pouco claros alias antes pelo contrario, os seus motivos são bastante claros, bater no presidente até mais não.
    Não compreendo isso vindo de um sportinguista acreditando eu que se trata de um de nós. Obviamente que não gostei de anteriores direcções e admito mas nunca na vida faria perseguição (a não ser que se prove que nos roubaram) a presidentes, criando blogues que mais não faz que difamar a direcção dia após dia descredibilizando qualquer luta que tenhamos. Voçês até a comunicação social e os arbitros defendem só para poderem atacar o clube. No minimo é estranho mas desde já agradeço deixarem exprimir a minha opinião. Só estou anonimo porque escrevo muito poucas vezes e não quero guerras com outros sportinguistas (as minhas guerras são com os outros) mas digo-vos e acreditem se quiserem que sou socio com mais de 25 anos, não sou melhor nem pior que ninguem mas simplesmente não me revejo minimamente nas vossas acções, gastam energia a deitar abaixo mas será que gastam essa mesma energia a apoiar?

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  11. Anónimo,
    eu também lamento que se abstenha de comentar a matéria do post e se ponha com acusações sem qualquer sentido (p.ex. Será que vos prometeu um cargo e não cumpriu? ). A unica razão para a existência do blogue é o livre exercício de opinião. Há quem goste e quem não goste mas infelizmente discute-se mais o que é acessório mas vêem-se muito poucas ideias.

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  12. eu aqui também só vejo opiniões e poucas ideias, esta entrevista pode ter sido a coisinha mais construtiva mesmo assim muito pouco. A unica razão para a existencia do blogue é o exercicio de opinião condicionado a bater no proprio clube. Para isso não precisamos de adversarios.
    Para quando um post a elogiar? A isso não responde.
    "Acusações sem qualquer sentido", não era uma acusação mas sim uma pergunta que pelos vistos o incomodou. Gato com rabo de fora.

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  13. https://www.youtube.com/watch?v=2IjCmo9y9j4

    https://www.youtube.com/watch?v=o1X1kCBoxVA

    https://www.youtube.com/watch?v=4uNVZzJWm_k

    https://www.youtube.com/watch?v=wytuEdZSZxo


    Estive a rever estes tesourinhos deprimentes, e concluí que há coisas que são surpreendentemente (ou talvez não) parecidas com a actualidade. Só ainda não chegámos à parte da conclusão. Mas, o ultimato do bigodes ao treinador, o caos na organização, a estadia de quase um mês na Holanda para "resolver os problemas do Sporting", há pessoas que pensam que só Godinho Flopes representa o período mais negro na história do Sporting, mas não é bem assim...

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  14. Aproveito para fugir ao tópico uma última vez, mas o assunto é urgentíssimo e exige também uma reflexão. No último Comissão Executiva da ETV o assunto foi o futebol e um dos participantes do programa, que é sportinguista, estava munido de números que ajudam a explicar a problemática das receitas das transmissões televisivas.

    No panorama actual, o Sporting recebe 15 milhões de euros por ano, o Porto recebe 16 milhões e o Benfica tem um lucro de 17 milhões com a BTV. Quer isto dizer que os três grandes têm receitas muito aproximadas, reflectindo as audiências do futebol na televisão e até a média de assistências nos estádios. O público realmente afecto ao futebol em Portugal não é assim tão extenso como se pensa, pelo contrário.

    No entanto, o peso nos três grandes desta receita difere consideravelmente. No Porto constitui 22% dos proveitos da SAD, enquanto no Benfica a receita com a BTV (portanto, não considerando os custos com a estação) representa 27%. No Sporting o panorama é mais sério. Excluindo as receitas extraordinárias com a venda de jogadores, o Sporting tem projectados proveitos de 45 milhões na época de 2014/15, e neste cenário a verba da TV constitui 33% do total. Numa época sem Liga dos Campeões, como a anterior, o total de proveitos são 35 milhões de euros e aí o peso do dinheiro da TV passa para 43%...

    Temos assim que qualquer decréscimo na verba das transmissões televisivas seria dramático para o futebol do Sporting. Poderia inclusive pôr em causa a sobrevivência da SAD. Já se percebeu que os nossos rivais querem utilizar a centralização dos direitos televisivos para impor critérios que são completamente danosos para os interesses do Sporting. Critérios como os títulos conquistados nos últimos (que favorece o Porto) e número de adeptos, para favorecer o Benfica. Não sei como é que o Sporting pode contrariar este intento se continuar à margem deste processo. Nem se percebe se o Sporting tem alguma estratégia. O que se sabe é que todas as manobras que os outros fizeram até aqui foram só para isto; tão só o dinheiro e quanto caberá a cada clube da mais importante receita previsível no futebol português. Acho que é assunto que merece bastante reflexão, porque um falhanço desta direcção nesta matéria porá em risco o futuro do futebol do Sporting...

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  15. Acrescentava só que é previsível que as receitas dos nossos rivais venham a cair, por várias razões. Daí o afã com que eles procuram a centralização, pois com os critérios que os favorecem, obrigam o Sporting a receber menos do que o que recebe agora, e mesmo com receitas totais inferiores às actuais, dado que o Sporting sairia muito mais prejudicado, os nossos rivais conseguiriam assim preservar a bipolarização no futebol português.

    No panorama europeu a diferença já é notória, com um Benfica que passa de dois anos seguidos finalista na Liga Europa, para uma eliminação das competições europeias; e um Porto que só com muita sorte nos sorteios pode pela primeira vez em mais de cinco anos chegar aos quartos-de-final da Liga dos Campeões.

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  16. Começou a vitimização do brunismo no processo Carrillo, como se o empresário do jogador não tivesse legitimidade para defender os interesses do jogador. Jogador que, recorde-se, foi sempre um dos mal amados do brunismo por ter sido contratado pela anterior direcção e por parte do seu passe pertencer a um fundo, e que só se manteve no plantel nesta época porque foi uma aposta do Marco Silva.

    Mas agora que o Carrillo finalmente explodiu ele quer naturalmente um bom contrato, como qualquer jogador quereria na posição dele. Se o Bruno não tem os fundos que dizia ter nas campanhas eleitorais, isso não é problema do jogador e do seu empresário. Ao menos o Sporting, se negociar bem, poderá receber um verba apreciável no final da época pela sua transferência. Tudo o mais são as brunices do costume e espero que haja vergonha por uma vez e não se diabolize o jogador, como se fez com outros, porque bem precisamos dele, e tão cedo não conseguiremos contratar um jogador com esta categoria...

    http://bancadadeleao.blogspot.pt/2015/01/falou-o-agente-de-carrillo-e-normal.html

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  17. Alguém dá alguma credibilidade a este macaco? Têm memória curta? Este merdas (desculpem a palavra, mas não me ocorre nada melhor) que se diz adepto do Sporting chegou a ter processos movidos pelo clube pela forma como o tratou e algumas entrevistas que publicou no seu site apenas para provocar o clube. Quer um 'tacho' no clube à força, mas ninguém lhe liga pevas. Nem sequer o considero um dos nossos, de porcaria desta o nosso Grande Clube não precisa. Saudações Leoninas, José Gonçalves.

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