Ao contrário de actos eleitorais anteriores, hesitei muito em tornar público os meus votos.
Por força da minha participação no
Sporting160 tive a oportunidade de dialogar com quase todos os candidatos e para isso tive que ler os respectivos programas. Aí aprofundou-se a convicção inicial de que a lista de João Benedito e a de Frederico Varandas são as que estão melhor preparadas para dirigir os destinos do Sporting.
Procurei tomar a minha decisão pela positiva. Não votei contra ninguém, votei a favor do Sporting. E procedi assim sem ligar a rumores, antagonismos pessoais, boatos. Votei por entender que é o programa, a equipa e a pessoa que melhor habilitados estão para voltar a devolver alguma da dignidade ferida e reencontrar, como é urgente e necessário, o caminho do sucesso. E dessa forma a estabilização e o regresso das vitórias de forma sustentada. A minha escolha recaíu na Lista D, encabeçada por Frederico Varandas.
Não escondo que foi essa a minha inclinação inicial, até aparecer a equipa de João Benedito. Gente com passado no clube, recheada de campeões que oferecem garantias de saber de experiência feito e de elevado grau de preparação pessoal.
Mas há dois pontos fundamentais que me levaram a tomar a decisão contrária:
1- Apesar da campanha inteligente que tem efectuado, Benedito nunca tomou uma posição inequívoca e em tempo oportuno relativamente à gestão que quase implodiu (e continua a tentar…) o Sporting. As feridas estão ainda abertas e demorarão a sarar. Não só não se demarcou no momento em que as AG’s sucedem, como não o fez na crise do futebol profissional. Mesmo recentemente, na célebre sexta-feira da providência cautelar “vazia” permaneceu em comprometido silêncio.
Desejo que a próxima liderança saiba ser inclusiva, suscite a reconciliação e harmonia da família leonina, não desejo nem apoiarei qualquer tipo de perseguição interna a quem apoiou Bruno de Carvalho, mesmo que o tenha feito até “à 25ª hora”. Até pelo absurdo que representaria. Mas este era um critério inequívoco para atribuição dos meus votos: o candidato em quem votasse teria que ter um discurso claro relativamente àquele que considero um dos piores momentos que me lembro da vida do Sporting e o seu responsável.
2- Os programas e as pessoas que os executarão na principal actividade do clube: o futebol. Porque é aí que tudo começa, sejam a glória ou a crise profunda. E é nesse ponto que reconheço que a lista de João Benedito perde claramente para a lista de Frederico Varandas. Com todo o respeito que me merece o respectivo passado, Carlos Pereira e André Cruz estão claramente desfasados da realidade leonina e do futebol nacional. Veja-se a entrevista de hoje de Carlos Pereira ao jornal “A Bola”. Muito enfoque no passado, na cultura, à raça, etc, mas quanto ao mais importante, o modelo, organização e conhecimento para lá chegar nada.
O mesmo se aplica ao discurso do cabeça de lista, obviamente. Isso é ainda mais evidente, quando se lê, entre outras coisas, no programa de João Benedito, que se vai “
avaliar pormenorizadamente o nosso departamento de Scouting e, caso o mesmo apresente falta de conhecimento e fraca propensão em encontrar novos jogadores de qualidade”. Isso contrasta com o diagnóstico já feito e o discurso claro de Frederico Varandas relativamente ao tema, bem como relativamente toda a organização e estrutura para o futebol.
O mesmo incómodo e pouco à vontade que se notou em Varandas nos debates na televisão é notório no programa de Benedito para o futebol. Só que os debates extinguem-se com as eleições mas o futebol queremos que, ao invés disso, melhore consideravelmente. E para isso é preciso conhecimento imediato do terreno que se vai pisar.
Não tenho dúvida absolutamente nenhuma que João Benedito será um lutador incansável, mas demorará mais tempo a descobrir o caminho ideal e com isso também o Sporting. O futebol não é uma ciência oculta, mas requer conhecimento aprofundado das suas especificidades. Frederico Varandas têm-no já. Claro que o facto de viver há onze anos dentro do core do clube, o futebol, é uma circunstância que o beneficia. É uma qualidade diferenciadora que não deveria ser desperdiçada. Até porque não há muitos mais nessas circunstâncias. Da mesma forma que a equipa de Benedito acumula o saber nas modalidades de enorme valor e de pessoas que não deveriam viver fora do Sporting.
Mas, na impossibilidade de uma acção conjunta, creio que a lista de Frederico Varandas assegura também a manutenção do ecletismo e tem um programa muito sólido no que diz respeito às diversas componentes essenciais do clube, nomeadamente a relação com os sócios, da relação destes com o clube, investidores, patrocinadores, marketing, criação de valor e potenciação da marca Sporting. Creio mesmo que o documento "Ecossistema Sporting [
https://www.unirosporting.pt/…/Potenciar-Ecossistema-Sporti… ] entre outros, deveria ter leitura e discussão séria.
É verdade que a campanha com elevado nível de ruido e excesso de debates televisivos acabou por privilegiar o espectáculo que interessava particularmente aos canais televisivos. Por isso me abstraí de os ver, bem como me afastar de discussões pontuadas pelos ataques muitas vezes “ad hominem”. Nesta luta que não fez reféns não há inocentes, seja pela via directa das candidaturas seja pelo lado dos pontas-de-lança criteriosamente colocados em posições chave nas redes sociais. O Sporting merece melhor.
Aconteça o que acontecer, o meu presidente será eleito no próximo sábado. Estimo que os demais aceitem os resultados mas que não deponham as suas armas, antes sim as disponibilizem ao presidente eleito. Que uns e outros tenham a humildade de perceber que a derrota é quando perdemos em campo e que a vitória eleitoral não é um salvo conduto.
Estimo acima de tudo que muitos de nós, adeptos que sempre fomos, nos possamos voltar a encontrar sob a nossa bandeira, com nosso símbolo ao peito em qualquer estádio ou pavilhão, sem outra preocupação que não seja VENCER!
Pode ouvir as respectivas entrevistas ao
Sporting160 aqui:
João Benedito
Frederico Varandas