segunda-feira, 16 de maio de 2011

Encerrada para balanço

A época que entretanto findou não deixará saudades a nenhum Sportinguista mas convém tê-la bem presente nos tempos mais próximos porque nela estão contidos muitos ensinamentos que, bem aproveitados, nos poderão evitar a repetição de alguns dos erros.



O erro crucial de toda a campanha 2010/11 centrou-se ainda na época anterior quando Costinha e Bettencourt decidem prescindir de Villas Boas e contratar Paulo Sérgio. Não há qualquer garantia de que AVB fosse tão bem sucedido em Alvalade como o está ser no Porto, mas o que há de mais lamentável nesta deriva é a total ausência de estratégia. O perfil dos dois técnicos é tão díspar que equivale a que alguém à procura de um carro novo entre num stand para comprar um Mercedes ou um BMW e saia de lá com uma pick-up. Seguramente que um comprador assim não sabe para que quer o carro… Um treinador sem nada que o recomendasse e que de seguida aceitou placidamente tudo e todos, - até Tales! – que lhe puseram à frente para construir um plantel ditaram os resultados que hoje se conhecem.



Mas há que reconhecer também que o futebol do clube esteve ao longo desta campanha completamente desprovido de uma estrutura que estivesse à altura da exigência da sua grandeza e por isso o êxito nunca passou de uma miragem. O terceiro lugar alcançado acaba por ser um mal menor perante o muito que o prestígio e o património do Sporting foram delapidados.



Seria quase masoquista lembrar hoje todas as peripécias que foram ocorrendo durante o ano, ao melhor estilo de uma tragédia grega, pelo que optei por me debruçar sobre alguns dados estatísticos que ajudarão a perceber alguns dos números com o Sporting encerra a Liga, mesmo que não revelem na plenitude o quanto foi desbaratado.



O clube tem hoje segundo plantel mais velho da Liga



Manteria o 3º lugar se houvesse um campeonato separado das primeiras e segundas partes



Seria o 6º classificado nos jogos disputados em casa e o 3º nos jogos fora.



O último classificado juntamente com a indesejável companhia do Marítimo, Beira-Mar e Académica das equipas que viraram resultados, isto é, nunca conseguiu virar um resultado desfavorável.



Ocuparia um desonroso 2º lugar nas equipas que deixaram virar um resultado a favor (por 2 vezes).



O mesmo 2º lugar, juntamente com SLB e Nacional, no número de golos sofridos, mas com quase o dobro da média dos golos consentidos pelo campeão: 1.03 por jogo.



4º classificado no campeonato dos golos marcados – 41 – atrás de FCP 73, SLB 61 e Braga 45.



O Sporting acaba por ser o 2º classificado no campeonato da posse de bola, com uma média de 28 minutos por jogo.



Os melhores marcadores da equipa são Postiga e Djaló com 6 golos cada.



O Sporting ficou em 3º lugar no campeonato das assistências com 393. 596 espectadores, com o SLB a liderar ( 657.550) seguido do FCP (601.436) e em 4º lugar o Braga com 231.281.

Nota: dados da Liga de clubes.

domingo, 15 de maio de 2011

O Cantinho de Glória

Decorrem hoje 47 anos sobre a conquista do nosso mais importante título internacional no que ao futebol diz respeito. Por ocasião da celebração dos 45 anos tive a honra de entrevistar João Morais, o autor do fantástico golo da final de Antuérpia. Morais conquistou um lugar eterno na exclusiva galeria de notáveis do Sporting Clube de Portugal. Hoje, passado pouco mais de um ano do seu desaparecimento recordo com saudade o homem que, na sua passagem, me deixou uma grata recordação, pelo seu humanismo e pela sua jovialidade. Se eu percebi bem a sua forma de estar perante a vida, Morais gostaria que hoje fosse um dia de festa, de especial celebração e afirmação do Sportinguismo.

A entrevista:



Faz hoje 45 anos que João Morais saltou de um cantinho para a glória, catapultando o nome do nosso clube para o grupo exclusivo dos vencedores de competições da UEFA. Era mais que justificado ouvi-lo hoje. Morais franqueou-nos a porta de sua casa e quem lá percebe imediatamente ali vive um Sportinguista: as paredes estão pejadas de fotografias e documentos que certificam uma ligação ao clube que nem o tempo ou a distância conseguem esbater. E é uma ligação com 2 sentidos, porque muitos dos testemunhos que cobrem as paredes e estantes são ofertas de núcleos espalhados pelo Mundo, onde a presença do homem de Antuérpia é reclamada.

Passados todos estes anos que importância para si o seu feito? Ainda o vive com intensidade?
Claro que tem. Não podia deixar de ter. Para mim é como se fosse hoje, como se não tivessem passado 45 anos.

E sente que os Sportinguistas se lembram desta data, ainda o acarinham e lembram-se de si?
Sem dúvida. Sempre que sou solicitado para acorrer aos núcleos as pessoas à minha volta acarinham-me.

Marcou o golo numa final que até esteve para não jogar, não é verdade?

É. Veja as coincidências: jogávamos em Alvalade, contra o Vitória de Setúbal, onde jogava o Carlos Cardoso, hoje o treinador, e o Hilário lesionou-se. Eu não estava convocado e na bancada disse logo à Alice (esposa): vais ver que me vão chamar. E assim foi: depois do jogo, pela instalação sonora, mandaram-me dirigir ao Dep. de Futebol.

Mas o caminho para a final foi invulgarmente trabalhoso, pelo que rezam as crónicas…
Se foi. Jogámos 3 jogos com o Atalanta, só nos livramos deles no jogo de desempate em Barcelona, no estádio do Espanhol. E jogamos outros 3 com o Lyon, que na altura tinha uma grande equipa também. E acabamos por só ganhar na finalíssima.

Foi uma campanha a todos os títulos memorável que deixou muita coisa para lembrar. Por exemplo, a maior goleada de sempre nas competições da UEFA.
É sim senhor e não deve ser muito fácil fazer melhor. Ganhamos 16-1 aqui em Lisboa e na 2ª mão em Coimbra (acordo com o Apoel). Foi pena termos levantado o pé senão não sei onde teríamos chegado. Mas é difícil motivarmo-nos quando tudo está decidido.

Não sei se gosto mais desse resultado se o que vos permitiu virar o resultado de 4-1 com que foram derrotados com o Manchester United. Como foi isso possível?
Olhe, com muita vontade e com muita união. Nós éramos um grupo muito unido.

Mas a equipa acreditava que podia virar o resultado ou foi fruto do acaso, mais um daqueles em que futebol é fértil?

Sempre acreditamos que podíamos virar o resultado. Quando chegamos a Lisboa a 1ª coisa que fizemos foi pedir ao Sr. Mário Cunha, director do Dep. Futebol, para afastar o Lúcio, um defesa brasileiro, porque sabíamos que ele não se tinha portado como devia em Inglaterra. E pedimos para ficar em estágio durante os 15 dias que faltavam para o jogo da 2ª mão.

A sério?

É verdade, sim senhor! Só saímos de lá para jogar, treinar e para recolher mudas de roupa interior, sempre acompanhados por um director. Éramos um grupo muito unido e queríamos muito dar a volta aquele resultado.

E conseguiram…

Pois conseguimos. Marcamos cedo e fomos para cima deles. Ao quarto-de-hora já ganhávamos por 2-0. Foi uma grande noite, sim senhor. Osvaldo Silva fez um hat-trick. E foi assim que conseguimos chegar à meia-final.

A tal meia-final com o Lyon, que também teve que ir a desempate?
Pois foi. Ganhámos por 1-0, num golo de Osvaldo Silva e ficamos apurados para a final.

Final que decorreu no célebre Heysel Park, que, mais uma vez, não parecia nada bem encaminhada…
É verdade. Quando demos conta já estávamos a perder por 2-0, o que numa final pode querer dizer que estamos arrumados. Mas nós acreditamos sempre e acabamos por empatar o jogo, já quase no fim, a 3-3. No final queríamos bater no Figueiredo no balneário. Numa jogada ele finta o guarda-redes e com a baliza aberta virou as costas porque pensou que o árbitro tinha apitado fora-de-jogo. Afinal tinha sido alguém da assistência.

E foi assim que chegaram a Antuérpia a finalíssima?
Exactamente.

O que lhe deu para marcar aquele canto daquela forma? Foi por acaso?
Não foi nada por acaso. O Gilberto Cardoso era o nosso treinador do inicio de época, que saiu para dar lugar ao Anselmo Fernandes. Com o Gilberto Cardoso treinava muitas vezes aquele lance. E quando fui marcar o Manuel Marques (massagista, grande figura Sportinguista) disse-me para marcar dessa forma. Eu agarrei na bola, fiz a minha reza e disse-lhe: anda lá minha menina, vais entrar ali naquela baliza. Quando a bola me bateu na bota, naquele sitio que eu sabia, senti logo que ia entrar. E entrou mesmo!

Foi um golo muito cedo, aos 20m de jogo. Ainda sofreram muito até ao fim do jogo?
Não mais do que é normal numa final. Ganhamos muito justamente.

Foi um momento inesquecível, obviamente.
Não imagina o que foi a nossa chegada a Lisboa. Fomos do Aeroporto ao estádio Nacional, onde se jogava um jogo particular entre Portugal e a Inglaterra. Fomos recebidos em delírio e recebemos os parabéns dos jogadores do Benfica e de Bobby Charlton, que eliminamos por 5-0 no jogo com o Manchester.

Do seu tempo de jogador qual o que mais admirou?

É difícil de dizer. Joguei com muitos jogadores de grande qualidade, quer como colegas ou adversários. Mas lembro-me que quando joguei com o Travassos na asa esquerda, quando o Albano saiu, até marcava golos sem saber como a bola me vinha parar aos pés.

Havia benfiquistas no seu plantel?
Não sei se havia benfiquistas no meu plantel. O Mascarenhas tinha vindo da Luz, é verdade. Mas na altura tinha-se muito respeito à camisola, hoje tem-se respeito a um punhado de notas.

Destacaria alguém que lhe tenha sido mais difícil de ultrapassar ou travar?

Olhe, quando jogava a extremo esquerdo o mais difícil de passar era o Festas, do Porto, meu colega de selecção e meu suplente. Acabou por jogar no meu lugar, contra a Inglaterra, naquele jogo fatídico, o que deu muita polémica cá em Portugal. Quando eu jogava a defesa direito o mais difícil foi sem dúvida o António Simões, do Benfica.

Pensava que me ia dizer o Pelé…

O Pelé não entrava na minha área de marcação. Mas era um jogador terrível. Parecia que conseguia colar a bola ao corpo.

No Mundial de 66 houve faíscas entre si e Pelé.

Nada de muito especial. Ele tinha caído sobre a direita e sabia que não podia deixá-lo dominar a bola. Ela vinha em direcção à cabeça dele e eu, vendo que estava fora da área, fiz o que pude, o que deve um defesa fazer para defender os interesses da equipa… O homem teve que sair, mas antes disse-me que me ia acertar. E quando entrou deu-me mesmo. Caí no chão cheio de dores. Quando o Manuel Marques chegou perguntei-lhe se tinha os dentes todos. O Manuel Marques, naquele jeito dele, disse-me: tens os dentes todos, não sejas maricas e levanta-te lá. Mais tarde, numa entrevista à BBC ele foi o próprio Pelé a reconhecer que foi um lance normal de futebol.

Ganharam esse jogo por 3-1, contra o Brasil de Pele e Garrincha. Como foi isso possível?
Olhe, nós entravamos sempre para ganhar e até poderíamos ter sido campeões do Mundo naquele ano. Foi pena termos tido que recuperar daqueles 1-3 contra a Coreia, que nos deixou estourados. Fomos jogar a meia-final cansados, o hotel era longe e ficava numa zona que não permitiu o repouso. Ainda por cima os Ingleses regaram o campo, quando eles eram de porte atlético maior que o nosso e arbitragem foi habilidosa, como é normal nestas coisas com a equipa organizadora.

O que acha da equipa do Sporting de hoje?

Olhe, acho que o Paulo Bento está a fazer um trabalho razoável, embora mexa em demasia na equipa. Uma equipa joga com os mesmos sempre a não ser em casos de lesões ou de má forma. Não passa pela cabeça de ninguém mexer na equipa para jogar com o Bayern. O resultado viu-se. E o Sporting precisa de um defesa central com pé esquerdo. Eu, se fosse no meu tempo, fazia do Polga gato sapato. Metia-lhe a bola a passar pelo pé esquerdo e ia por ali fora. Eu estudava os adversários e sabia como jogavam. Se jogava do lado direito e apanhava pela frente o defesa com pé esquerdo fugia-lhe para dentro, para o pé direito. Era muito rápido. Sabia que uma vez o Prof. Moniz Pereira, (grande sportinguista, que chorava pelo Sporting e não gostava de profssionais) perguntou-me se não queria correr os 100m?

Dos jogadores que jogam hoje qual o que mais admira?
O Veloso, o Moutinho e o Liedson, claro. É daqueles que dá sempre o litro.

Foram precisos mais de 30 anos para o Sporting voltar a uma final europeia. Porquê?

Olhe para lá chegar é sempre preciso sorte. Mas é preciso também saber e muito. É preciso que os treinadores percebam do seu ofício. Eu tive grandes treinadores e os melhores deles eram também sportinguistas como o Prof. Reis Pinto ou o Prof. Moniz Pereira. E que os jogadores sejam bons, como eram no meu tempo, mas também que sejam mesmo uma equipa e tenham vontade de ganhar, sem medos. Quando eliminamos o Manchester se entrássemos a pensar nos nomes tínhamos ficado pelo caminho. E eles até foram campeões europeus e a base da equipa campeã mundial de 66. E que não esquecessem os antigos jogadores para ensinar os mais novos.

Como vê o momento eleitoral no Sporting? Não acha que os Sportinguistas andam muito divididos e os muitos candidatos são o espelho disso?
Não dou muita importância a isso. Fazem falta vitórias. No meu tempo já era assim. Começando a ganhar estas coisas não se fazem sentir.

Quem lhe parece que vai ganhar, pelo menos dos que se sabe já que vão concorrer?

Olhe eu acho que o se o Dr. Soares Franco concorresse ganhava. Assim é difícil de dizer. Olhe o Dr. Ribeiro Telles é também um grande Sportinguista e daria um grande presidente. Na candidatura daquele senhor da Judiciária tem lá também uma pessoa que estimo muito, a Drª Isabel Trigo Mira. Conhece os núcleos todos e tem muito amor pelo clube. Corri o País todo com ela e chegou-me a levar a New Jersey. Uma grande Sportinguista.

Estes são apenas os excertos que considerei mais importantes da longa conversa que tive com João Morais. Uma viagem fantástica de Sportinguismo desde o ano em que nasci até aos dias de hoje. Sinto-me um privilegiado e decidi dividir convosco esta distinção no momento em que celebramos a nossa maior vitória internacional ao nível do futebol. O tempo não precisa de voltar para trás para vivermos outra vez momentos como este. Precisamos sim de saber olhar em frente, porfiar, acreditar e saber ousar. Como o Morais, quando, em boa hora, decidiu saltar de um cantinho para a glória. Logo, ao fim da tarde, ele estará aqui para ler os vossos comentários e, caso assim o entendam, trocar impressões.

Em Bracara fomos romanos

Não tendo conseguido resistir ao apelo do coração lá me desloquei a Braga sem grandes expectativas. Além das naturais saudades que um adepto de futebol sente pelo jogo ao vivo e pela sua equipa, tinha também curiosidade de ver jogar a equipa daquele que se aponta como futuro técnico do Sporting e voltar a uma cidade onde, durante 5 anos, vi futebol praticamente de 15 em 15 dias, e que hoje vive os melhores momentos da sua história. Acabei por dar por bem empregue o tempo. Além do facto de gostar de ver futebol no Axa, pude assistir a um jogo muito razoável, cujas impressões aqui deixo:

1- Número muito apreciável de espectadores entusiasmados do Sporting, se atendermos ao que foi a época que ontem findou.

2- Estratégia bem delineada por Couceiro, pondo o Sporting a jogar à Braga. Isto é o mesmo que dizer que, talvez pela primeira vez que orientou a equipa, Couceiro conseguiu fazer jogar mais em bloco e menos desgarrada entre si. Os ganhos foram evidentes, o jogo esteve quase sempre controlado, jogando o Sporting de forma relativamente confortável perante o domínio que concedeu ao adversário. A noite acabou por ser surpreendentemente tranquila para Patrício.

3- Boa exibição de Djaló, para mim o melhor dos 28 jogadores em campo, provando a sua utilidade. Marcou um golo decisivo, podia ter feito outro quase ao terminar a partida, pondo a cabeça em água a Kaká e Paulão. Quando a bola se joga no chão a envergadura física dos defesas é um problema mas para os próprios.

4- A número elevado de oportunidades claras de golo desperdiçadas por Postiga que podia ter resolvido o jogo ainda na primeira parte.

5- A confirmação que Carriço e Polga deveriam ter sido a nossa dupla de centrais durante toda a época, em particular neste final, em que acabamos por desperdiçar pontos de forma quase infantil. Isto não é o mesmo que dizer que a  culpa é exclusivamente dos defesas, uma vez que atacar de defender deve ser uma missão colectiva e as equipas que melhor o percebem são melhores.

6- Uma palavra para Carlos Saleiro que, pela enésima vez esta época entrou nos minutos finais do jogo. O que se lhe fez esta época foi mau de mais. Pode-se discutir o seu valor mas o seu profissionalismo é inatacável. Quantos de nós se sujeitariam a algo semelhante?

7- Espero que a direcção do Sporting tenha assistido com sentido crítico à forma como em Braga se trabalham bem os momentos que antecedem os jogos, em particular na relação com os adeptos. Nesse sentido há muito a fazer para a próxima época em Alvalade. O nosso estádio tem de voltar a ser um lugar de festa  para nós e um local temido pelos adversários. Uma boa equipa e uma boa carreira são indispensáveis mas não é tudo.

8- Terminou bem uma das piores épocas de que há memória, tantos foram os erros que foram cometidos, antes e durante o seu trajecto. O Sporting precisava desta nota positiva para arrancar mais forte e com mais segurança para a época que se avizinha. 

sábado, 14 de maio de 2011

Bobo, Futre, o prestígio e pouco mais

Prestigio e pouco mais:
Chega hoje ao fim uma das mais longas vias-sacras que o futebol leonino teve que percorrer. Hoje em Braga o Sporting joga pouco mais que o prestígio, uma vez que, em termos de futuro imediato, só a derrota do FCP na final da Taça nos obrigará a antecipar o começo da próxima época. Olhando com realismo para o último jogo vejo como muito difícil a possibilidade de alcançarmos o terceiro lugar, tendo em conta que as circunstâncias jogam contra nós: adversário moralizado, com uma equipa que sabe o que tem a fazer em campo, isto é, a antítese perfeita do que nós somos neste momento. Como agravante acresce ainda a posição mais confortável do SCB: joga em casa e não precisa de ganhar. 

Bobo´s:
Enquanto circulam rumores sobre a possível presença de Bobô para assinar contrato com o Sporting, Futre continua em alta, com a apresentação da sua biografia. O Sporting continua a ser um bom clube para relançar carreiras. No caso do avançado brasileiro, e caso se efective a sua contratação, estimo-lhe a concretização da sua ambição. Quanto ao segundo, faço minhas as palavras de Bessone Bastos, por altura das eleições: "não venha dizer que o clube é pai e mãe dele. Pai é o FC Porto, mãe é o Atlético de Madrid, tia é o Benfica, e o Sporting o berço do qual ele caiu para se pirar". É Absolutamente lamentável que, além de ter assassinado a candidatura de Dias Ferreira, ainda tenha a desfaçatez de retirar dividendos pessoais, aproveitando mais uma vez o protagonismo que o Sporting lhe proporcionou.

Nota: Desde quinta-feira que problemas no Blogger, onde o "ANortedeAlvalade" está alojado, têm impedido o normal acesso quer os leitores quer os editores. Embora não seja da nossa responsabilidade, pedimos desculpa pelo sucedido.

O futebol português não é para D. Quixotes

Acontecimentos recentes tornaram a por nas primeiras páginas dos jornais a falta de transparência nos bastidores do futebol português, demonstrando o porquê da luta surda que a que a AFPorto se devotou contra a aprovação dos estatutos da FPF.

Concretamente ontem o tribunal Administrativo de Lisboa considerou inexistente a reunião que levou à condenação de Pinto da Costa, do FCP e do Boavista como consequência dos processos relativos ao “Apito Dourado”. A maior parte dos adeptos não tem memória do que sucedeu nessa reunião, mas não desconhece o teor das escutas que estiveram na origem do caso e por isso não consegue compreender um desfecho destes. Por isso convém lembrar o que então sucedeu para o perceber e isso vem relatado na edição online do DN. O CJ de então era presidido por Gonçalves Pereira, peão de brega da AFPorto. Quando os restantes conselheiros se aprestavam a deliberar, condenando PDC, Loureiro e os respectivos clubes, o presidente em exercício, percebendo a tendência desfavorável, decide suspender a reunião. Esta acabaria por ser concluída já sem a sua presença e com as consequências que hoje se sabem. Mais palavras para quê?

Se há alguém que julgue que o que então aconteceu não se voltará a repetir está redondamente enganado ou é muito ingénuo. Repare-se no recente caso levantado pelo jornal a Marca, relativamente ao pretenso jantar de elementos da direcção de PdC com o árbitro holandês que arbitrou o jogo contra o Villareal. O jornal madrileno abordou o assunto com uma ingenuidade que até faz chorar as pedras da calçada. Obviamente que ninguém da direcção do FCP esteva presente nem precisava de estar porque se fazia representar por mais dos seus homens de mão, António Garrido, designado pela FPF para acompanhar a equipa de arbitragem. Como é que é possível que um individuo com o historial de Garrido ainda faça parte dos quadros da FPF nem sequer pode ser considerado um grande mistério. Está lá para desempenhar este tipo de papeis sem qualquer decoro ou problemas de consciência.

Não tenho dúvidas que o Sporting precisa de trabalhar muito mais e muito melhor no sue departamento de futebol para voltar a ser um real candidato ao título. Mas muito desse trabalho também por desmontar a teia que há muito está armada nos bastidores e que serve de rede quando as coisas não correm de feição. O futebol português não é para D. Quixotes, embora abundem Roucinantes  e Sancho Panças.

Como ler o comunicado à CMVM

O Sporting negou hoje, em comunicado à CMVM, a existência de qualquer acordo ou pré-acordo com qualquer treinador para a próxima época. Para lá de qualquer "tecnicalities" que estejam por trás da obrigação de emitir este comunicado, não acredito que o Sporting não tenha já contratado o treinador para o próxima época.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Entradas e saídas: a porta vai começar a girar

A porta giratória em Alvalade começará em breve a funcionar, registando entradas e saídas. Hoje debruço-me sobre 3 nomes que estão na actualidade.

Couceiro – Como adepto estou-lhe grato por ter assumido, contra vontade e contra os seus interesses pessoais, a missão impossível de treinar uma equipa em frangalhos, quer do ponto de vista técnico-táctico quer anímico. Com um contrato de director-geral de 3 anos na mão podia ter-se mantido no conforto do seu gabinete. Não seria porém apenas pelo espírito de missão demonstrado que encaro hoje como acertada a decisão de o manter no clube e na posição de director geral. A sua actuação no caso Izmailov prova a sua utilidade e aptidão para as funções. Vejo o lugar de director geral do futebol como ligação entre departamento de formação e o futebol sénior, superintendendo e gerindo com uma visão mais abrangente do que a pressão do sucesso imediato coloca no patamar superior, estando acima da perspectiva imediatista do treinador, salvaguardando o futuro. E também fazendo a ponte entre os dirigentes eleitos que entram e saem. O Sporting precisa de continuidade no que diz respeito a boas decisões, não pode estar exposto a mudanças contínuas, ao sabor de quem ocupa episodicamente as cadeiras. Couceiro parece-me com perfil e capacidade para a função.

Vukcevic – Já quase tudo foi dito sobre o jogador. Diz-se hoje que a sua continuidade está dependente de Domingos. Não sei o que o treinador pensa sobre o montenegrino. Conhecendo o trajecto de ambos não creio que seja um jogador para durar muito nas opções do futuro treinador, caso mantenha a postura que o tem caracterizado. Domingos não lhe perdoaria o egoísmo, a ausência de compromisso com o colectivo, nem a falta de inteligência a decidir. Quem vê o Braga jogar percebe que um dos seus maiores trunfos é precisamente a forma como os jogadores se preocupam em executar com rigor as funções que o treinador lhes pede e que isso em nada colide com a sua valorização individual. Vuk não parece ser capaz de perceber essa vantagem. Duvido que fique.

Pongole – É dado como pretendido por Jesualdo. Seria um favor que o ex-treinador portista faria a Jorge Mendes e a nós. Mas só o consideraria por uma verba a rondar os 5 milhões. Apesar de parecer ter entrado numa espiral descendente desde o momento  em que assinou pelo clube, creio que não terá desaprendido. Falta saber se tem ambição para retomar a sua carreira no lugar onde a deixou ou se quer apenas acabá-la engordando a conta bancária. Se a ambição estiver intacta ainda podia ser um jogador útil, quem sabe fazer no Sporting o que o Mateus fazia com Domingos em Braga e que foi tão importante, em particular na Liga dos Campeões.

NotaO caso da Controlinveste, que abalou nas últimas horas o nosso vizinho SLB, é a evidência daquilo que há muito aqui afirmamos: a gestão da relação entre clubes e adeptos não é um negócio, pelo que não pode ser oferecido em outsorcing. Quem já teve necessidade de falar com o clube e teve no meio a empresa de Oliveira - o atendimento aos sócios e a gestão do site é deles – sabe bem que é possível fazer muito melhor. Não sei se o sucedido entre a Controlinveste e o SLB foi só incompetência – é  a minha inclinação – ou simples manobra de desesperada retaliação daquela por  perder um dos clientes mais importantes para o seu  negócio. Mas é pelo menos a prova que a relação adeptos encarada sobre a perspectiva do negócio é um erro que, mais tarde ou mais cedo, acaba por reverter contra o clube.

terça-feira, 10 de maio de 2011

A entrevista de Godinho Lopes à Antena1

Da entrevista de ontem de Godinho Lopes à Antena1 retiro o que me parece ser o mais importante:

1- A extemporaneidade da entrevista, erro de cálculo da produção do programa. Com a última jornada por disputar era mais que sabido que não haveria as confirmações mais ansiadas pelos adeptos, como o treinador para a próxima época e que alterações irão ser efectuadas ao nível do plantel.

2-Ainda nesse enquadramento ficou-se a saber a existência da intenção de"investir" 30 milhões de euros no próximo plantel. Nem o jornalista nem os comentadores presentes exploraram convenientemente este tópico. Ficou assim por saber se estes 30 milhões são apenas para aquisições, se a estas acrescem as possíveis indemnizações para dispensas ou se é o orçamento para a época, como já vi interpretações nesse sentido. E ficou também por perceber onde se vai buscar o dinheiro, o que não é menos importante.

3- Voltou-se a falar, mesmo que de forma genérica, de aquisições, da incorporação de 3 jovens promissores, Carrilo incluído e nem uma palavra sobre os jogadores da formação e sobre a equipa B ou satélite. Uma omissão estranha num clube que se orgulha da formação e tem vários dos seus jogadores ansiosos por perceber se o futuro passa ou não por Alvalade.

4-Não parece que se confirme a sangria do plantel, tendo em conta que GL afirmou que "bastantes jogadores" do actual plantel irão continuar.

5- Há solução à vista para o fosso. Esta é uma questão que, no meu entender, tal como as cadeiras merece resolução mas também reflexão. Não a vejo como prioritária, muito menos no sentido do aumento da lotação. Encham-se as cadeiras já existentes que ninguém lhes verá a cor e fosso, como dizia o meu amigo LMGM pode servir de profilaxia para algumas arbitragens.

6- O que se está a fazer para o Pavilhão já me parece adequado. estudar a melhor solução, com a possibilidade de se criar um espaço de treinos em piso rebaixado, sob o piso principal, de forma a criar soluções para o hóquei e até para treino de disciplinas técnicas de atletismo, como o salto em comprimento e atletismo.

7- O bom senso imperou e teremos relvado natural. Fiquei no entanto apreensivo com a data de chegada do equipamento de ventilação, apontada para o inicio de Julho. Se Junho for um mês quente...

NOTA: Coincidentemente, ou talvez não, ontem foi dia de comunicação dos presidentes dos 3 maiores clubes nacionais. Tendo ouvido todos e conhecendo os históricos, sinto-me confortável ao ouvir o presidente do meu clube. Apesar de se lhe apontarem deficiências de comunicação, não creio que possa temer qualquer comparação com os seus homólogos, seja na forma ou no conteúdo. A esse nível não estamos no terceiro lugar, bem antes pelo contrário. Veremos mais adiante ao nível das decisões. Mas esta constatação é pelo menos um bom ponto de partida.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Dificilmente uma empresa de demolição faria pior

Imagem Armazém Leonino
O Sporting despediu-se ontem de Alvalade mantendo-se fiel a uma pobreza exibicional deprimente, em perfeita consonância do que foi a época. E, quando olho para a equipa e plantel do clube, confesso a minha dificuldade em discernir se é a falta de qualidade do nosso jogo colectivo que afunda a qualidade individual dos nossos jogadores, se é o inverso, ou se concorrem ambas no mesmo sentido.

Onde não tenho qualquer dúvidas é na responsabilidade e no pesado legado de Bettencourt e Costinha, cujas consequências não creio ser possível de esbater tão cedo. Pior, algumas das suas decisões terão ainda severas réplicas na formação do plantel do próximo ano tantas são as facturas por pagar e que dificilmente terão retorno. Senão vejamos:

Timo Hildebrand: uma contratação sem sentido e que poderia ter tido consequências inimagináveis, caso o bom senso não tivesse imperado. Estivemos a um passo de interromper a afirmação de Patrício, que, pelo que se percebeu do final do jogo de ontem, será um dos responsáveis pelo financiamento das próximas aquisições. Entretanto voaram 140.000.00, fora prémios de assinatura e comissões.

Evaldo: os 3 milhões que pagamos por ele foram excessivos, quer pela idade do jogador quer pelo seu real valor, inflacionado pela qualidade do jogo colectivo da sua anterior equipa, como agora é bem evidente. É cada vez mais óbvio que o Sporting acumular prejuízo nesta operação, pois o rendimento desportivo não justifica o valor pago e este não encontrará clubes interessados em despender.

Nuno André Coelho: Não foi muito feliz nas participações que teve, também pela altura em que foi chamado, mas não creio que seja pior que Torsigileri. Do pouco que lhe conheço pela passagem pela Amadora e do que vi jogar parece-me até superior ao argentino, pelo que não descartaria a sua inclusão no próximo plantel.

Torsiglieri: Quanto  mais joga mais clara me vai deixando a impressão de que não tem valor para se afirmar no Sporting. Junto com Evaldo tem acumulado erros decisivos, fazendo da nossa ala esquerda defensiva um buraco negro onde se têm perdido pontos atrás de pontos. Com falta de nervo, velocidade, cultura táctica e até de coragem física, precisava de se metamorfosear radicalmente para mudar esta impressão de flop total que vem consolidando.

Zapater: Do espanhol diria mais ou menos o mesmo que de Torsiglieri, apesar de me parecer que, com uma táctica que reveja o papel dos pivot´s, obrigando-os a subir mais no terreno e a participar mais na construção de jogo possa subir de nível. A questão é que a sua semelhança com André Santos e Pedro Mendes e a maior vitalidade deste tornam-no num cromo repetido e demasiado dispendioso.

Maniche: A sua contratação foi um dos maiores absurdos dos últimos tempos, mais ainda se se perceber, como hoje é claro aos olhos de todos, que foi preferido a Hugo Viana. Com os 20 jogos cumpridos e com eles a garantia da renovação automática de um dos contratos mais caros  do plantel fica uma bota grande e pesada para descalçar.

Valdés: jogador de qualidade indiscutível tem no entanto o seu valor limitado pelo fraco fulgor físico que parece estar na origem da sua intermitência, acrescida pelo facto de, junto à linha ver agravadas as suas limitações. Um caso cuja continuidade merece ser bem pensada, sendo contudo óbvio que o Sporting não encontrará no mercado que esteja disposto a devolver-lhe o valor investido no chileno.

Salomão: facilmente se conclui hoje, pelas oportunidades que não teve, que teria sido preferível ter rodado numa equipa que lhe permitisse jogar com maior assiduidade. Parece ter sido um ano perdido e dificilmente se poderá considerar um reforço no próximo ano.

Cristiano e Tales são contratações tão absurdas que seria despropositado escrever mais do que esta linha.

Como se vê pelo exposto acima, do muito que foi gasto no ano anterior, o clube terá muita dificuldade em reaver o investimento, seja em numerário que lhe permita financiar a próxima época, seja em rendimento desportivo. Resumindo, se o Sporting tivesse contratado uma empresa de demolição para o seu departamento de futebol esta dificilmente faria "melhor".

domingo, 8 de maio de 2011

Despedida de Alvalade com guião da época

Pobre e triste! Foi assim a despedida de Alvalade de uma época que muitos dizem ser para esquecer. Mas talvez não fosse mal  lembra-la por muitos anos se com isso se conseguir evitar os erros que, de forma quase infantil, se acumularam. Fica o registo, pela assistência hoje em Alvalade, que os Sportinguistas estão dispostos a voltar, precisam apenas de boas razões para tal.



Ficha de Jogo

Árbitro: Paulo Baptista (AF Portalegre)

SportingRui Patrício; Cédric, Polga, Torsiglieri e Evaldo; Carriço e Zapater; Izmailov, Matías e Djaló; Postiga.
Suplentes: Tiago, Saleiro, Valdés, Grimi, Salomão, Nuno A. Coelho e Vukcevic.
Treinador: José Couceiro

Vit. SetúbalDiego; Michel, Ricardo Silva, Anderson do Ó e Miguelito; Hugo Leal, Neca e Zé Pedro; Pitbull, Jailson e Zeca.
Suplentes: Matos, Regula, Djikiné, François, Brasão, Tengarrinha e Sassá
Treinador: Bruno Ribeiro.

Golos: Jailson (56').

A Taça é nossa, venha agora o campeonato

O Sporting conquistou hoje a sua 3ª Taça de Portugal, ao bater em Oliveira de Azeméis o SLB por 3-2, após prolongamento. Como muito bem definiu Orlando Duarte, o Sporting podia ter comemorado mais cedo pois,além de ter tido o jogo quase sempre controlado,bem como o resultado, acabou por se ver empurrado para os minutos extra por 1 golo nos últimos segundos, após um mau juízo da equipa de arbitragem.

Como diria o Hugo, que a milhares de quilómetros de distância assistiu a mais um título, em frente Sporting!

sábado, 7 de maio de 2011

As aquisições de Carlos Freitas e os fundos

Carlos Freitas anunciou ontem que o Sporting incorporará em breve mais 2 jogadores com o mesmo perfil de Carrillo, isto é, jovens com talento e de futuro promissor. E fê-lo de uma forma que me parece adequada, retirando a pressão sobre os ombros do jogador, ao apontar-lhe valor mas sem o obrigar a ser reforço no imediato. Tal confirma o que anteriormente aqui já tínhamos vaticinado. Simultaneamente o director desportivo relacionou a “aquisição de dois a três jogadores com o perfil de André Carrillo, englobado numa bolsa de valores” certamente com os olhos postos em futuras rentabilizações dos seus passes, após maturação e valorização desportiva.

Sem contestar a análise do scouting do clube, uma vez que não conheço Carrillo e nem se sabe ainda quem são os outros 2 elementos, e sem me opor à presença do Sporting no mercado, seja ele nacional ou internacional, na procura de talentos emergentes, não posso deixar de colocar as seguintes questões:

1- Será um bom princípio que, um clube que tanto brande a bandeira da formação, demonstre publicamente preocupação primordial com o que o se passa fora de casa e não tenha a mesma preocupação em exibir, para os adeptos e sobretudo para o seu extenso quadro de jogadores saídos recentemente dos escalões mais jovens, uma estratégia ou uma simples preocupação sobre o futuro imediato? Lembro que nessa situação estão André Marques, Pereirinha, Adrien, Ricardo Baptista, Nuno Reis, Neto, Baldé, Wilson Eduardo, João Gonçalves, Owuso, Pedro Mendes, André Martins, Diogo Rosado, Golas, Rui Fonte. Quase todos eles são internacionais e provavelmente a este lote ainda acrescerão outros que este ano debutam nos seniores.

2-A aquisição de novos talentos está articulada com posições que são deficitárias no actual plantel e não encontram solução nos jogadores acima aludidos? Convém lembrar, sem prejuízo do que foi dito no 2º parágrafo deste post, que a renovação de contratos com os jogadores da casa pode até ser onerosa, mas não implica o valor dos passes, logo o risco da aposta está amplamente minimizado. De igual modo, o perigo de problemas de adaptação não se põem com a mesma acuidade.

3- O Sporting não deve descurar todos e quaisquer instrumentos financeiros ao seu dispor que lhe permitam retirar dividendos, seja de forma antecipada ou não, dos jogadores que tem em carteira mas não deve descurar que o melhor e mais rentável fundo é o que advém de uma boa prestação desportiva. Basta olhar para o que conseguiu já o Braga este ano de forma directa – mais de 15 milhões de Euros, o que praticamente financia o orçamento da próxima época – e indirecta como a venda de Mateus e Moisés e dos vários jogadores que o mercado disputa, como Artur, Sílvio, Lima, Viana, etc.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Paciência para voltar a ter Domingos, dias santos e feriados

Havia confidenciado no dia do sorteio a alguns amigos, no dia do sorteio que acasalou Braga e SLB nas meias-finais, que a equipa minhota era aquela a que atribuía o favoritismo na passagem. Se há um mérito indiscutível e uma marca incontestável no actual futebol arsenalista ela é o equilíbrio fleumático com que a sua equipa aborda a generalidade dos jogos. Esse equilíbrio, que é táctico e até emocional, foi ontem a sua maior arma para superar um conjunto que, apesar do menor fulgor actual, em termos individuais, lhe é muito superior. Se o SLB não conseguiu chegar a Dublin pode-se queixar de si próprio mas o mérito do adversário em anular, na maior parte do tempo, as principais virtudes do seu futebol deve-se à segurança que resulta desse equilíbrio. O Braga soube jogar os trunfos na hora certa e defender a vantagem, sem colapsos nervosos ou de concentração, sabendo merecer um prémio que não parecia mais do que uma miragem.

A segurança  do Braga vem de dentro para fora, isto é, além de bem servido de uma boa equipa técnica, vem também de fora para dentro. Nas bancadas vive-se um ambiente de festa, a que não é certamente alheio o facto de o Braga estar a jogar acima daquilo que se espera e por isso tudo o que tem vindo é considerado ganho. Esse é um clima que tem estado de há muito arredado de Alvalade e que, não raras vezes, tem sido substituído pelo a ansiedade, pela incompreensão, pelo julgamento primário e precipitado, no que tem sido “complementado” por decisões de igual teor por quem tem a tarefa de dirigir. O sentimento parolo  de que a “galinha da vizinha” é muito melhor que a minha é também responsável pelo infortúnio de, para triunfar e para que o seu valor seja reconhecido em Alvalade, muitos dos jogadores que formamos sejam obrigados a vestir outras camisolas.

Não sei se Domingos será ou não o próximo treinador do Sporting. Mas tenho contudo a certeza que ele, sozinho, não conseguirá mudar tudo o que precisa de ser mudado em Alvalade para se voltar aos triunfos que tanto desejamos. Cabe-nos a nós adeptos perceber onde é que podemos ajudar. Isto na certeza de que, se queremos que o destino mude, temos que mudar também a forma de o procurar.

PS: Sobre este tema, no que diz respeito à formação, recomendo também a leitura de "As lições" e "Se quisermos agarrar o futuro"

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Inimputáveis que os pariu!



Caro João, quem acompanhou a tua entrada para o Sporting sabe que não te gramo, corrijo, não gramo a forma excessiva como vives o jogo, de ti pessoalmente não tenho qualquer conhecimento que me faça afirmar que não te gramo e reconheço seres um profissional dedicado e cumpridor. Não és Sportinguista, nem nunca serás mas suas a camisola e lutas durante um jogo com o espírito que nós, os Sportinguistas, exigem a qualquer profissional que dentro de campo nos represente.

Se não calo os elogios que julgo te serem devidos porque raio não te gramo? As razões são simples e estás a vivê-las na pele, foste já expulso por duas vezes em lances que definem o teu lado de que eu não gosto. Uma entrada disparatada, com excesso de agressividade e por trás aos 6 minutos de um derby. O seres um refilão, rufia, sem pejo de utilizar o linguajar mais rude para expressar o que te vai na alma.

Até teres chegado a Alvalade a tua vida corria-te mais ou menos bem, não sentias estes teus defeitos porque deles não sentias as consequências, pura e simplesmente podias ter este tipo de comportamento e talvez lá para os 80 min. de jogo tinhas um amarelo. Sabes do que estou a falar e não vale a pena eu fazer-te um desenho parecido com o Hugo Viana para tu perceberes. Amigo essa vida acabou-se, tens toda a razão em cada palavra que dirigiste no relvado, eu não diria melhor, aliás todos os jogos as ouço ditas com igual veemência e propriedade, pelos mais variados jogadores e na mais completa impunidade.

Deves estar a perguntar o que raio te aconteceu? Não és tu pá, é a tua camisola e devo dizer-te uma coisa, ainda tens muita sorte. Por muito menos Rui Jorge que tinha as tuas virtudes e poucos dos teus defeitos foi expulso por dizer “És um urso!”, a um fiscal de linha. Melhor ainda o mais recente e reincidente cliente da Policia Judiciária expulsou o actual seleccionador nacional por este dizer “É uma vergonha!”, assim mesmo, zás-trás, abriu o bico o jogo até estava complicado e rua. Pelo menos aqui há alguma justiça, o criminoso nunca deixará de o ser e o profissional exemplar continuará a sua carreira ao mais alto nível.

Aprende João, no Sporting deve jogar-se futebol para mudos é a única forma de tu te protegeres e seres profissional do Sporting, não podes dar a mais pequena desculpa para te pegarem.

Os outros, os que agridem, expulsão, são investigados, presos e escutados. Sabes aqueles que habitam nos túneis, que fazem dos buracos o seu habitat. Os que jantam, bebem e comem horizontalmente no calor da noite. Os que pegam na mão dos observadores para descrever cenas de bofetada, que seguram a pena e o verbo de jornais, jornalistas e paineleiros. Esses são inimputáveis.

Inimputáveis que os pariu dirias tu! E tens toda a razão.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

As origens e as ambições de Vitor Golas

Vítor Golas deu uma entrevista ao site Olheiros, especializado no tratamento dos assuntos relacionados com as categorias de formação, revelando as suas ambições, demonstrando também que o jovem guarda-redes não foi esquecido do outro lado do Atlântico.

Oriundo das academias do Sporting, o paranaense de Arapongas, Victor Hugo Mateus Golas, é apontado como uma das promessas para as redes brasileiras nos próximos anos. Em Portugal desde 2007, o goleiro, de 20 anos — e que se tivesse nascido cinco dias depois, poderia ser um dos candidatos à defender a seleção no Mundial Sub-20 —, é trabalhado, em Lisboa, para ser o substituto de outro prata-da-casa leonino, o atual detentor da camisa 1, Rui Patrício.

Proveniente das categorias de base do América de São José do Rio Preto, do qual fez parte até 2007 — não chegou a fazer parte do elenco campeão da Copa São Paulo de 2006, mas foi titular do time no ano seguinte, sendo titular com somente 16 anos —, Golas quase foi parar no Barcelona. No entanto, o andamento das coisas na Catalunha e a possibilidade de chegar antes ao time principal fizeram com que o Sporting, que já o disputara com os blaugranas, voltasse a ser sua preferência.

Pelos Leões, o goleiro fez parte da vitoriosa geração que teve, ainda, nomes como Wilson Eduardo (hoje emprestado ao Beira-Mar), Diego Rosado, Pedro Mendes e Rabiu Ibrahim, que venceu quase todos os torneios que disputou em Portugal. Na atual temporada, foi emprestado ao tradicional Boavista, que brigou pelo acesso à Liga de Honra, mas acabou ficando fora do triangular final da II Divisão (a popular “terceirona”).

Em entrevista ao Olheiros, Vitor Golas, diretamente de Portugal, falou sobre seus momentos na base leonina; a mudança para o país ibérico junto do irmão, Vinícius, que também tentou a sorte no Sporting mas acabou não engrenando; e a convocação para os jogos contra o Bayern Munique pela Liga dos Campeões. E assumiu: sonha estar em Londres na seleção olímpica, mas diz considerar defender Portugal, se fosse convidado a seguir os passos de Deco, Pepe e Liedson.

Olheiros - O interesse do Sporting em você veio lá para 2007, no ano seguinte à conquista da Copinha. Como ficou sabendo que estava sendo observado pelos portugueses, e como foi a ida para o Sporting, até no tocante à distância da família tão cedo?

Victor Golas – Depois de ser titular contra o Bahia, com 16 anos e quando a Copinha ainda era sub-20, surgiu interesse do Sporting e do Barcelona. Na época, achamos melhor que fosse primeiro ao Barcelona. Após alguns dias em Barcelona, o Sporting insistiu no convite. E por aquela ser uma das melhores formações do mundo, eu evoluiria com muito mais chances de chegar à equipe principal. Quanto à família, meu pai e irmão sempre estiveram comigo, e minha mãe sempre que podia estava por aqui. Então acredito que o apoio e a presença familiar ajudaram muito.

Olheiros - Você foi para o Sporting acompanhado de seu irmão, Vinícius. Por que ele não vingou em Alcochete?

Victor Golas – Na verdade, o Vinícius veio antes. Cheguei à academia uma semana depois. Naquele ano (2007), fomos campeões de tudo que disputamos, em torneios nacionais e internacionais. No Campeonato Português, tivemos a melhor defesa, Tivemos apenas um segundo lugar, depois de perdemos a final de Monthey para o Tottenham. Acredito que ele (Vinícius) demonstrou o grande valor que tem, só foi uma pena eles não se acertarem na renovação do contrato.

Olheiros - Ninguém melhor para falar sobre a base do Sporting do que alguém que está lá dentro. O clube é muito reconhecido na Europa justamente por seu trabalho de formação. O que pode falar sobre isso?

Victor Golas – Costumo falar que a academia do Sporting é uma fábrica de jogador em série, porque a cada ano são formados grandes talentos. E com as condições que são oferecidas, esses jogadores evoluem para chegar ao mais alto nível.

Olheiros - Você é parte de uma safra elogiada no clube, com Pedro Mendes, Diogo Rosado, Wilson Eduardo e, principalmente, Rabiu Ibrahim e Fábio Paim, que ajudou o clube a dominar as categorias jovens entre 2008 e 2010. Que pode falar a respeito deles? E quanto a Rabiu e Paim, muito elogiados e badalados, mas que ainda não vingaram?

Victor Golas – Além de uma equipe vencedora, tínhamos um grupo excelente. Eram todos grandes jogadores, em particular o Wilson Eduardo, que já tem características de um grande avançado. Quanto ao Paim e ao Rabiu, estes são jogadores com grande potencial. Ainda são jovens e ainda podem vingar em outros clubes.

Olheiros - Em 2008, você foi inscrito na UEFA pelo hoje técnico da seleção portuguesa, Paulo Bento. Como foi aquele momento?

Victor Golas – Foi um momento muito especial na minha carreira, e ainda mais quando fui convocado para as quartas-de-final da Liga dos Campeões em Munique contra o Bayern, com 17 anos. Sempre que ouço a musica da Champions é como se estivesse revivendo aquele momento. A emoção foi muito grande.

Olheiros - Apesar da lesão que dificultou uma sequência de jogos quando emprestado ao Real Massamá, o que representou essa experiência? O que ela adicionou, no tocante à sua formação profissional?

Victor Golas – Foi um ano fundamental para o meu crescimento pessoal e até profissional, pois nessas horas encontramos forças para superar tudo e dar a volta por cima. Foi um ano de muitas críticas pela falta de jogos. Mas a partir desse momento eu aprendi a assimilá-las, e reagir de uma forma positiva dentro de campo.

Olheiros - Você surpreendeu muita gente ao começar a atual pré-temporada como titular, desbancando o Rui Patrício. Como foi aquele momento? Esperava ser mantido na equipe?

Victor Golas – Foi uma surpresa muito agradável, pois foi o reconhecimento de um longo trabalho. E desde o princípio achei este ano seria muito importante que jogasse o maior número de jogos possível. Quando vi o projeto do Boavista, acreditei que seria uma ótima experiência. O que de fato se confirmou.

Olheiros - Como é seu relacionamento com os demais goleiros do clube, o Rui, Tiago e o Hildebrand?

Victor Golas – Tenho um ótimo relacionamento com o Rui e com o Tiago que me acompanharam desde minha chegada ao Sporting. Com o Hildebrand, estive pouco tempo, mas ele me pareceu uma ótima pessoa.

Olheiros - Você, hoje, tem idade para uma eventual seleção olímpica, em 2012. Acredita que, principalmente caso retorne ao time principal do Sporting para 2011/12, possa estar na briga para defender a seleção em Londres?

Victor Golas – Com certeza, sempre foi um sonho representar a seleção brasileira. Gostaria muito de estar em Londres e poder conquistar este título que o Brasil ainda não tem.

Olheiros – E quem você vê como principais “rivais” por uma vaga na Olimpíada? Tem o Rafael, do Santos, por exemplo, que vem bem...

Victor Golas – Nesse momento acho que o Rafael é um grande concorrente sim, mas ainda falta algum tempo para as Olimpíadas, e até lá poderão surgir outros nomes.

Olheiros - Já recebeu convite para se naturalizar e defender Portugal? E o que pensa dessa possibilidade? Até tendo em vista que o Paulo Bento é, hoje, o comandante da equipe...

Victor Golas – Como tenho dupla cidadania (brasileiro e polonês) nunca descartei o sonho de jogar por uma seleção. Lógico que a seleção brasileira seria sempre a primeira opção. Mas gosto muito desse país (Portugal) que me acolheu tão bem. E se um dia tiver oportunidade de representar a seleção portuguesa, pensarei com muito carinho.

Olheiros - Quais os arqueiros nos quais você se espelha?

Victor Golas – Gosto muito de Rogério Ceni e Buffon. São ídolos dos clubes onde estão, com características que aprecio em um grande goleiro.

Olheiros - Os grandes do futebol português, é possível observar, não tem por tendência um grande aproveitamento de atletas jovens. O Sporting chega a ser uma exceção, mas também não é um processo simples. Como vê esse processo, não apenas pela sua experiência no Sporting, mas vendo companheiros e amigos que tentam firmar espaço em Porto e Benfica?

Victor Golas – O futebol português tem mesmo um pouco dessa tendência de valorizar a experiência. Eles são receosos quanto a lançar um jovem talento muito cedo e, pela pressão e às vezes por falta de maturidade, este jogador não corresponder.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Há ainda muito para Carrillar

Carece ainda de confirmação por parte do clube ( a obrigatoriedade de comunicação à CMVM depende do valor do negócio) mas tudo parece indicar que Carrillo é a primeira contratação para a próxima época. E digo contratação e não reforço porque não creio que Carrillo possa ser considerado de imediato uma mais-valia, ou, se preferirem uma expressão mais em voga, um jogador para fazer a diferença. E digo-o mesmo sem nunca o ter visto jogar porque, com a idade de Carrillo, poucos são os jogadores com futebol para assumir tal preponderância nas equipas onde jogam. Basta lembrar o que eram Messi e Ronaldo - jogadores verdadeiramente excepcionais - com a mesma idade para perceber onde quero chegar. É importante que nós adeptos tenhamos isso em conta para que não haja equívocos e posteriores desilusões ou amarguras e também para que o jogador possa crescer e dar frutos. No fundo, não mais nem menos do que deve ser feito em relação aos jogadores que formamos e se encontram no mesmo estágio evolutivo. Mais adiante veremos também o que oferece Carrillo que não pudesse ser dado por Owuso, Wilson Eduardo e até Diogo Rosado para perceber se estamos a investir ou simplesmente a gastar dinheiro. É esse o bom problema - ou devia ser... - para um clube que forma em média bons jogadores, fica obrigado a procurar o melhor.

A chegada do jovem sub-20 peruano permite também antecipar que a confirmação de Rodriguez deve tardar pouco, tendo em conta que têm um empresário comum. Provavelmente essa terá sido a vantagem negocial que o Sporting fez valer para se antecipar a outros pretendentes ao jovem jogador. A contratação do central peruano é, quanto a mim, a confirmação que o futuro técnico – parto do principio que, ao contrário de Carrillo, esta é uma contratação avalizada pelo próximo treinador – tal como a generalidade dos que observam o futebol do Sporting, vêm no lado esquerdo da nossa actual defesa problemas para ser resolvidos. A actual titularidade de Torsiglieri tem-lhe sido oferecida de bandeja, porque as suas actuações estão longe de a justificar ou de fazer esquecer Polga, e isso é dizer tudo. Evaldo tem falhado rotundamente, seja a defender, onde parecia residir a sua melhor oferta, seja a atacar, onde  tem sido  pouco mais que nulo. Com a possível saída de Patrício e até de Carriço, com a mais que esperada dispensa definitiva de Abel e Polga, isto é o mesmo que dizer que, se as equipas se constroem de trás para a frente, há muito ainda para "encarrillar" para que se possa olhar para a próxima época com outra segurança.

No sentido de se perceber melhor as qualidades de André Carrilo, socorri-me da análise feita no Olho Clínico que partilho convosco:



Nascido a 14 de Junho de 1991 em Lima, Peru, e começou a sua carreira futebolística no modesto Esther Grande, que representou até ao ano de 2007. Depois, transferiu-se para o Alianza Lima, onde terminou o seu percurso como jogador juvenil e se estreou no futebol sénior a 5 de Dezembro de 2009 numa igualdade (2-2) com o Club Deportivo Universidad César Vallejo.

Desde essa data, André Carrillo já efectuou 16 jogos (3 golos) pelo Alianza Lima e tornou-se numa das figuras da selecção sub-20 do Peru, sendo, neste momento, pretendido por vários clubes europeus como o FC Groningen, Lázio e Sporting.

Velocidade, mobilidade e técnica são predicados do peruano

André Carrillo é um elemento muito veloz, possuindo uma evoluída técnica individual e uma excelente mobilidade. Para além disso, trata-se de um jogador com elevado poder de desmarcação e frieza na hora de atirar à baliza.

Polivalente, tanto pode jogar como “dez” como segundo avançado, sendo que as suas características aconselhem que jogue na posição “dez” num 4x2x3x1 e como avançado de suporte em qualquer variante do 4x4x2.

Neste momento, com apenas 20 anos, trata-se de um elemento de enorme talento individual e que, por certo, seria uma excelente adição ao plantel 2011/12 do Sporting.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A Questão do 3º lugar está definitivamente resolvida? (Actualizado)

A ser verdade a noticia dada hoje pelo Record, de que o árbitro Bruno Paixão foi coagido ao intervalo do jogo de ontem, a questão do 3º lugar estará definitivamente resolvida. É bom lembrar que coacção sobre um árbitro foi uma das razões que ditou a descida à 2ª divisão do Boavista dos Loureiros. 

Como adepto do futebol, e do Sporting em particular, as vitórias que me satisfazem são as alcançadas no terreno de jogo, mas também é verdade que, assumindo a mesma dupla condição, o futebol português precisa de ser ver livre em definitivo de todos os terroristas que o tolhem.
Actualização: Entretanto, enquanto o meu entendimento sobre as consequências dos presumíveis acontecimentos é corroborado aqui, (mesmo descontando o facto do jurista consultado ser um conhecido benfiquista...).

A noticia do Record:

"O intervalo do Sp. Braga-U. Leiria foi marcado por um episódio que, decerto, ainda irá fazer correr muita tinta. Quando já se encontrava no balneário, juntamente com a restante equipa de arbitragem (Paulo Ramos, António Godinho e Sílvio Gouveia), Bruno Paixão foi surpreendido: por debaixo da porta, surgiram duas imagens em papel fotográfico relativas a lances ocorridos durante os primeiros 45 minutos do jogo, que na altura mereceram reclamação por parte dos bracarenses. 

Um deles, de resto, foi referido por Domingos na sala de imprensa e dizia respeito a uma carga de Fabrício sobre Hélder Barbosa. O outro, sabe Record, remetia para um fora-de-jogo alegadamente mal assinalado. O nosso jornal sabe também que o árbitro setubalense não hesitou em descrever este episódio no relatório de jogo. O descontentamento dos guerreiros do Minho com o trabalho da equipa de arbitragem ficou bem expresso no final do desafio, já que para além das declarações do treinador, Domingos, também o presidente do clube, António Salvador, fez duras críticas ao desempenho de Paixão. Record tentou uma reação do Sp. Braga, mas tal não foi possível."

domingo, 1 de maio de 2011

Terramoto em Almaty

Não houve festa de Japa, como na meia-final
O Sporting falhou hoje a conquista da UEFA Futsal Cup, ao ser derrotado por 2-5 mercê de uma primeira parte verdadeiramente catastrófica. O terramoto sentido de madrugada na cidade que acolheu a final estendeu-se ao jogo da nossa equipa. De facto, para jogar com uma equipa como a italiana, começar o jogo a sofrer um golo era o pior que podia ter acontecido. O resultado de certa forma espelha a forma irregular como a equipa se tem comportado durante a época, irregularidade que tem impedido de consolidar o valor da equipa, que, estou em crer, seria mais do que suficiente para alcançar este título.

sábado, 30 de abril de 2011

Mudança à vista?

Lamento ter sucumbido à irritação que a arbitragem do jogo de hoje me provocou, acabando por dar demasiada importância a quem não devia. Isto porque há acontecimentos do jogo de hoje que ,pelo seu significado, não merecem passar em claro:

31.311 espectadores presentes em Alvalade.

O apoio prestado à equipa, mesmo após o 2-1 e que só terminou com a sinfonia do apito.

A reacção pronta à arbitragem por parte de Godinho Lopes e Carlos Freitas.



A lista da Lusa: Inside information, especulação ou dolo?


A lista
Timo Hildebrand, Leandro Grimi, Anderson Polga, Abel, Marco Caneira, Simon Vukcevic, Cristiano, Sinama-Pongolle, Pedro Mendes, Maniche, Nuno André Coelho, Carlos Saleiro, Alberto Zapater e Salomão são alguns dos nomes, num total de 17, que a Lusa aponta como dispensados do plantel actual, e entre dispensas definitivas e empréstimos. Não passando de um rumor sem confirmação, pode-se no entanto afirmar que a lista, a ser verdade, não constituiria nenhuma surpresa. Nela constam jogadores cujo rendimento tem sido aquém do esperado, sendo a sua maioria constituída pelos jogadores mais caros do plantel. Dela constam também jogadores, como Salomão, André Coelho e Saleiro, que necessitam de tempo de jogo para evoluir. Do lado surpresa talvez Pedro Mendes, pelo valor indiscutível que tem e pela relevância que se lhe atribui no balneário. Mas, tendo em conta a sua propensão para lesões musculares e seu salário, até posso compreender uma decisão como essa.

Há alguns aspectos sobre a divulgação dessa lista que me merecem alguns comentários:

A veracidade da notícia
Embora seja uma lista verosímil, já o mesmo não me parece que ela possa ter sido comentada em sede de CL como informação vinda do interior do clube, por razões óbvias e como é dado a entender na notícia do JN. A partilha deste tipo de informação é obviamente um erro estratégico que não me parece possível de ser cometido a este nível. As aquisições e dispensas não são um relatório e contas.

O objectivo da notícia
Poder-se-á pensar que este tipo de rumores – têm sido muitos do género - é propositadamente largado nas redacções tendo como propósito ir preparando os jogadores e auscultando a opinião dos adeptos. Se o é é um erro de palmatória. Na véspera de um jogo importante uma noticia como esta é uma bomba num balneário que até já foi suficientemente fustigado ao longo do ano. Algo assim é mais útil aos nossos adversários directos do que para nós.

Segundas linhas
Adrien Silva, João Gonçalves, Nuno Reis, Renato Neto, Vítor Golas, Mexer, Ricardo Batista, André Marques, André Martins, Pereirinha, Diogo Rosado, Wilson Eduardo, Rui Fonte, Owuso, Baldé não estão todos ao mesmo nível para serem considerados opções para o plantel do próximo ano. Desconheço o que tem feito o trio de emprestados ao Cercle Bruges, a não ser que têm acumulado tempo de jogo, pelo que não consigo perceber se poderiam constituir uma opção válida para o próximo plantel. Não tenho dúvidas que Adrien Silva, Pereirinha e Marques o seriam. Wilson Eduardo, pelo pouco que lhe vi em Aveiro, precisa de continuar a evoluir e talvez fosse bom para ele fazê-lo num plantel onde pudesse jogar com regularidade e o mesmo deverão fazer Baldé e Martins. Rui Fonte é um jogador livre desde Janeiro e não sei se permanecerá ligado ao clube, o que se me afigura difícil. Rosado seria, pelo valor que se lhe aponta e depois da 2º época consecutiva a marcar passo na sua evolução, sempre marcada por lesões prolongadas, um jogador para reter em casa e perceber onde estão as razões do seu falhanço. Golas e Baptista um deles deve continuar fora, sendo que o 2º está a contas com um pesado castigo por doping, razão para reflectir onde e como devemos fazer evoluir os nossos jogadores. 


Amanhã pelas 12.30 o Sporting continua a cumprir o seu destino quando disputar a final da Uefa Futsal Cup: falta  apenas 1...

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Porque nem todos servem para o Sporting

Tornou-se recorrente falar em Mourinho (e agora em André Villas-Boas) cada vez que estes alcançam mais uma vitória, pelo facto de ambos poderem ter sido treinadores do Sporting e, por decisões nunca muito bem esclarecidas, nunca o terem chegado a ser. Já um bocado estafado de olhar para o passado, até porque os erros, mesmo que de palmatória, já não podem corrigidos, espero agora que a escolha do treinador seja mais criteriosa. Porque não é qualquer um que pode ser treinador do Sporting, como parecem ter pensado Bettencourt e Costinha quando se lembraram de Paulo Sérgio, cujo curriculum nada tinha que o recomendasse. Mas o curriculum não pode ser tudo. Num clube que reconhecemos grande como o nosso escolher o treinador não pode, ou não deveria  ser apenas olhar para as taças e campeonatos conquistados. A “pegada” que deixa nos clubes por onde passou, nomeadamente no modelo de jogo, na riqueza do plantel, na sustentabilidade assegurada e até na sua capacidade de relacionamento com o exterior não podem ser esquecidos na hora de contratar um treinador.

O caso de Mourinho em Madrid é disso uma evidência. Será o técnico com mais títulos ganhos de forma consecutiva em actividade. Mas nem o futebol jogado nem as suas constantes diatribes se casam com a nobreza do historial do Real. A Taça do Rei de Espanha já está no museu do clube, mas quanto do prestigio terá sido beliscado pela forma como o Real tem sido ofuscado e muitas  vezes“atropelado” pelo arqui-rival da cidade condal, como sucedeu no último jogo e na patética conferência de imprensa que se seguiu? O erro da arbitragem, que existiu, não pode justificar tudo, sobretudo o facto de, nos 4 jogos entre os 2 grandes de Espanha, o Barcelona ter marcado 8 golos e sofrido apenas 2, e 1 já depois dos 90 minutos de jogo. E Mourinho tem pouca autoridade para falar de arbitragens e de favorecimentos, como aqui se lembra muito a propósito… ( E já nem falo de camisolas…) Eu se fosse madridista também me sentiria preocupado e até incomodado e, como Sportinguista, estou já cansado de me sentir incomodado com os nossos próprios treinadores.

P.S.- Mas o Sporting infelizmente tem muito que dizer sobre arbitragens e por isso estou curioso pelo resultado da nomeação do nosso velho amigo Duarte Gomes para o jogo com o Portimonense e o que sucederá em Braga com Bruno Paixão…

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Fome de bola



Acompanhei ontem via site oficial do Sporting a sessão de esclarecimento que decorreu em Alvalade e fiquei bastante agradado com aquilo que vi e ouvi, mais do que aqueles resumos semanais que penso serem impossíveis de manter regularmente esta abertura ao diálogo com os sócios é extraordinariamente salutar.

Há todas as condições para manter este tipo de iniciativa e a única coisa que se estranhará daqui a um ano é o porquê disto não ser executado há mais tempo. Foram prestados esclarecimentos sobre variadas áreas de funcionamento do Sporting, auditoria, pavilhão, revisão de estatutos, associados, futebol, estádio, etc.. O facto que penso ser mais importante referir é a sensação de que os diversos dossiers não estão parados a apanhar pó numa qualquer prateleira mas que estão a ser discutidos e avaliados de modo a serem apresentados aos sócios não como decisões finais “porque sim”, mas como conclusão de processos que avaliação de prós e contras que levaram a uma conclusão de compromisso.

Há pormenores no discurso que são diferentes, por exemplo, a determinado momento da conversa e sobre o tema futebol, Godinho Lopes não deixou de agradecer a Couceiro e Lima a sua disponibilidade para sair dos seus lugares confortáveis e arriscarem assumir o comando técnico da equipa. Independentemente de resultados há palavras que não devem ser caras no nosso vocabulário e é bom ouvir um Sportinguista a agradecer a outro.

Quando tive de interromper a transmissão não me apetecia pensar em VMOC’s, salas dos sócios, instalações para o hóquei em patins, défices, formação, enfim tudo aquilo que temos discutido aqui e noutros lados lançando gritos de alerta desesperados contra aquilo que sentimos ser a cegueira generalizada com que diversas direcções olhavam para o Sporting.

Ontem aquilo que me apetecia era vestir a minha camisola Stromp, amarrar o cachecol ao pulso e sair estrada fora rumo a Alvalade para matar a minha fome de bola, entrar em Alvalade disposto a transmitir à equipa a confiança que ela necessita para tornar as vitórias mais fáceis. Gritar, aplaudir e cantar sem estar a pensar se por estar a fazer aquilo podia ser rotulado de Roquetista, da ruptura, ou do raio que parta os diversos rótulos. Quero ser apenas, com os meus companheiros de bancada, um Sportinguista fiel e disposto a tudo para apoiar o Sporting.

Que boa foi essa sensação e que saudades tenho eu de ir com esse sentimento à bola, gastar as conversas antes do jogo não em fait-divers mas em técnicas e tácticas, na jogada do Matias, no regresso do Izma, na finta do Salomão, na estirada do Patricio. Quero chamar a malta, encher o carro e ir ver o Sporting ganhar!

Para já ganharam mais um espectador no sábado porque é este o sinal que está ao meu alcance dar de que gostei daquilo que vi e que ouvi. Como dizia o Jonas aqui há uns dias aqui na caixa de comentários, sou um ingénuo. Sou e com muito orgulho!

E tu vais ficar em casa?

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