E agora Domingos?
No futebol, como em quase tudo na vida, num mundo cada vez mais mediatizado imediatizado, o que conta é como acaba e, para o Sporting, a 1ª volta acaba no 4º lugar, com a equipa a descer de produção, perdida nas suas melhores referências, que a levaram a ser considerada como uma séria candidata ao título. Por isso o que se ouvirá nos próximos dias até à exaustão é que o Sporting de Domingos, e depois de um avultado investimento e possuindo muito mais valor no seu plantel tem exactamente os mesmos pontos que o de Paulo Sérgio, Injusto, se atendermos o que foi a época passada e o que estava a ser a presente, mas uma verdade que os números não deixam desmentir.
Haverá com toda a certeza muitas explicações para a revisitação dos nossos piores momentos e fantasmas. Não me parece que ela resida apenas na explicação dada por Domingos, ao apontar o dedo ao sub-rendimento de alguns jogadores. Como responsável principal da equipa e como ex-atleta Domingos tem de se desviar do comportamento do comum adepto que, em norma, selecciona alguns para expiar a culpa que deve ser repartida por vários e da qual o treinador dificilmente se consegue eximir. Domingos terá pois que perceber porque não rendem tanto como gostariam alguns dos jogadores que aponta sem nomear, ciente que estará que não há jogador que jogue mal porque quer ou porque sim. Assim como deve reflectir sobre as suas decisões, não só pelos maus resultados, mas por serem reveladores de algum desnorte perante adversidades indiscutíveis, mas que têm de ser encaradas como normais no decurso de uma época.
Faz pouco sentido resgatar Renato Neto para o atirar tão rapidamente para a titularidade – ainda por cima no clássico – e daí para a bancada, quando a solução estava em Schaars, como ontem se viu. Ou jogar com o Braga com Evaldo e Insua e, na substituição, optar por deixar ficar o primeiro em campo em detrimento do argentino. Preferir Ribas a Bojinov para durante o jogo voltar atrás. Não ter acautelado um modelo de jogo alternativo e sobretudo ter desistido daquelas que foram as melhores indicações da equipa no inicio da época ao que parece “apenas” por maus resultados. Sendo verdade que o jogo de estreia em Alvalade foi traumatizante é também verdade que jogos como contra a Juventus e a Olhanense, este já para o campeonato, espelhavam princípios que nos pareciam ser os mais indicados para uma equipa com as nossas pretensões: equipa compacta, com proximidade entre sectores, pressão alta, recuperação agressiva da bola, tudo características que fomos perdendo jogo a jogo, como quem, numa hemorragia, vai perdendo as suas forças até à anemia.
Ao contrário do que parece, não creio que a equipa esteja mal preparada fisicamente, antes sim me parece esgotada psicologicamente por não conseguir resolver os problemas que, logo no inicio do jogo os adversários lhe colocam. Ao contrário do que certamente muitos “descobriram” ontem, ou à medida que os maus resultados foram aparecendo, o Sporting não fez tudo mal ao preparar a presente época. Como fui dizendo ao longo dos últimos tempos, e foi reconhecido por muitos, foi até surpreendente que o clube, na actual conjuntura conseguisse reunir os atletas que fazem parte do actual plantel, pelo seu valor individual e humano e conseguisse contratar o treinador que contratou. Isso não muda por causa da terrível sequência de resultados. Ainda ontem Luis Duque deixou um sinal inequívoco de que para o bem e para o mal, há gente em Alvalade que assume as responsabilidades pelas suas decisões. Assim o saibam fazer também os adeptos.
A época ainda não terminou e dela tem que se fazer a ponte para o futuro. Esse sempre me pareceu o objectivo primordial para 2011/12 e esse objectivo parece-me intacto. É por isso importante a forma como terminará esta época e não apenas o campeonato, ou a a 1º volta deste. Para que a transição se faça com ganhos são imprescindíveis resultados, obviamente. E esses terão que ser o 3º lugar a uma distância “saudável” dos lugares da frente, a Taça tornou-se obrigatória face às circunstâncias e a Taça da Liga, face à possibilidade dada pelo sorteio de ganhar uma competição de forma directa a um dos rivais, ganhou relevo também.
A bola está do lado do treinador e da sua equipa, mais do que nunca.



















