terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sporting, um caso a estudar

São pouco importantes grande parte das dissertações sobre o momento do Sporting por, em grande parte, serem superficiais. Ou se baseiam em dados históricos ou em mera contabilidade estatística, fugindo assim ao que é importante. Isto talvez porque poucos, sobretudo na comunicação social, percebem o jogo que é o futebol, limitando as suas análises ao deve e haver que qualquer merceeiro de bairro, se ainda os houver, é capaz de fazer. Parar para ler 2 linhas que seja ou pior, dar-lhes eco é apenas perda de tempo.

O mesmo não se poderá fazer com o que dizem e escrevem os sportinguistas uma vez que sabê-lo é sentir o pulsar do coração leonino. A comparação com aquele órgão parece-me fazer todo o sentido pois facilmente se detectam os comentários “pobres em oxigénio e ricos em dióxido de carbono”, dos quais o clube não retirará qualquer proveito. E depois há os que circulam no sentido inverso, no que penso ser uma clara maioria, que se preocupa com as consequências dos maus resultados, mesmo que o diagnóstico para a sua ocorrência divirja.

Notório é o (re)aparecimento da  vontade em comentar, desabafar, diagnosticar e até dar palpites, muito superior ao momento em que a equipa viveu o seu melhor período esta época. Por vezes fica a ideia que há sportinguistas que só se conseguem expressar ou ganhar vontade de o fazer perante o insucesso. Um verdadeiro case-study!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

E agora Domingos?

O futebol é o momento e o lugar comum que a frase representa adequa-se como uma luva ao momento do Sporting. Nos últimos 5 jogos para a Liga Zon/Sagres o Sporting conseguiu apenas 5 pontos em 15 possíveis. Conseguir apenas um terço da pontuação em disputa atirou a equipa para o 4º lugar deitando fora uma recuperação galvanizante e elogiada por muitos. Talvez muitos dos que agora se aprestam a dizer que está tudo mal.

No futebol, como em quase tudo na vida, num mundo cada vez mais mediatizado imediatizado, o que conta é como acaba e, para o Sporting, a 1ª volta acaba no 4º lugar, com a equipa a descer de produção, perdida nas suas melhores referências, que a levaram a ser considerada como uma séria candidata ao título. Por isso o que se ouvirá nos próximos dias até à exaustão é que o Sporting de Domingos, e depois de um avultado investimento e possuindo muito mais valor no seu plantel tem exactamente os mesmos pontos que o de Paulo Sérgio, Injusto, se atendermos o que foi a época passada e o que estava a ser a presente, mas uma verdade que os números não deixam desmentir.

Haverá com toda a certeza muitas explicações para a revisitação dos nossos piores momentos e fantasmas. Não me parece que ela resida apenas na explicação dada por Domingos, ao apontar o dedo ao sub-rendimento de alguns jogadores. Como responsável principal da equipa e como ex-atleta Domingos tem de se desviar do comportamento do comum adepto que, em norma, selecciona alguns para expiar a culpa que deve ser repartida por vários e da qual o treinador dificilmente se consegue eximir. Domingos terá pois que perceber porque não rendem tanto como gostariam alguns dos jogadores que aponta sem nomear, ciente que estará que não há jogador que jogue mal porque quer ou porque sim. Assim como deve reflectir sobre as suas decisões, não só pelos maus resultados, mas por serem reveladores de algum desnorte perante adversidades indiscutíveis, mas que têm de ser encaradas como normais no decurso de uma época.

Faz pouco sentido resgatar Renato Neto para o atirar tão rapidamente para a titularidade – ainda por cima no clássico – e daí para a bancada, quando a solução estava em Schaars, como ontem se viu. Ou jogar com o Braga com Evaldo e Insua e, na substituição, optar por deixar ficar o primeiro em campo em detrimento do argentino. Preferir Ribas a Bojinov para durante o jogo voltar atrás. Não ter acautelado um modelo de jogo alternativo e sobretudo ter desistido daquelas que foram as melhores indicações da equipa no inicio da época ao que parece “apenas” por maus resultados. Sendo verdade que o jogo de estreia em Alvalade foi traumatizante é também verdade que jogos como contra a Juventus e a Olhanense, este já para o campeonato, espelhavam princípios que nos pareciam ser os mais indicados para uma equipa com as nossas pretensões: equipa compacta, com proximidade entre sectores, pressão alta, recuperação agressiva da bola, tudo características que fomos perdendo jogo a jogo, como quem, numa hemorragia, vai perdendo as suas forças até à anemia.

Ao contrário do que parece, não creio que a equipa esteja mal preparada fisicamente, antes sim me parece esgotada psicologicamente por não conseguir resolver os problemas que, logo no inicio do jogo os adversários lhe colocam. Ao contrário do que certamente muitos “descobriram” ontem, ou à medida que os maus resultados foram aparecendo, o Sporting não fez tudo mal ao preparar a presente época. Como fui dizendo ao longo dos últimos tempos, e foi reconhecido por muitos, foi até surpreendente que o clube, na actual conjuntura conseguisse reunir os atletas que fazem parte do actual plantel, pelo seu valor individual e humano e conseguisse contratar o treinador que contratou. Isso não muda por causa da terrível sequência de resultados. Ainda ontem Luis Duque deixou um sinal inequívoco de que para o bem e para o mal, há gente em Alvalade que assume as responsabilidades pelas suas decisões. Assim o saibam fazer também os adeptos.

A época ainda não terminou e dela tem que se fazer a ponte para o futuro. Esse sempre me pareceu o objectivo primordial para 2011/12 e esse objectivo parece-me intacto. É por isso importante a forma como terminará esta época e não apenas o campeonato, ou a a 1º volta deste. Para que a transição se faça com ganhos são imprescindíveis resultados, obviamente. E esses terão que ser o 3º lugar a uma distância “saudável” dos lugares da frente, a Taça tornou-se obrigatória face às circunstâncias e a Taça da Liga, face à possibilidade dada pelo sorteio de ganhar uma competição de forma directa a um dos rivais, ganhou relevo também. 

A bola está do lado do treinador e da sua equipa, mais do que nunca.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Liga por um canudo…

Braga por cima...

SP. BRAGA - 2 ; SPORTING CLUBE DE PORTUGAL -1

Ao virar da primeira para a segunda volta, cai o Sporting do pódio e diz, definitivamente, adeus ao título. Há que ser realista, neste momento voltamos a lutar… para recuperar o terceiro lugar. Depois de observar este jogo, mesmo esse objectivo não se afigura fácil. O Braga foi (é) hoje uma equipa superior ao SCP. Demonstrou-o ao longo de quase toda a primeira parte, com um jogo colectivo e apoiado que o Sporting não conseguiu obstaculizar e raramente pôde… imitar. Os minhotos entraram ambiciosos e tiveram um primeiro quarto-de-hora em que encurralaram autenticamente os leões. O Sporting foi reagindo e equilibrou. Oportunidades de golo não foram muitas, tendo Matias desperdiçado a ultima num remate fora da área muito perigoso, mesmo à beira do intervalo. Curiosamente, ou talvez nem por isso, numa rara combinação realizada pelo centro do terreno: Schaars descobre o chileno desmarcado junto à grande-área bracarense com um passe vertical realizado magistralmente. É necessário multiplicar este tipo de lances, para o Sporting criar muito mais perigo do que aquele que vem conseguindo pelas… laterais.

A segunda parte começa como o final da primeira, com Matias a protagonizar lance individual muito perigoso. Desta vez, já dentro da área, o chileno fica com a baliza de Quim à sua mercê, mas acerta no poste. Depois foi o descalabro… Quando, finalmente, o Sporting dava mostras de querer superiorizar-se, surgem erros defensivos inadmissíveis: Onyewu e Pereira deixam incrivelmente escapar uma bola dentro da pequena área permitindo a Hélder Barbosa todo o tempo do mundo para abrir o marcador. Depois, em mais uma saída de um dos centrais leoninos para o ataque, uma perda de bola de Rodriguez apanha a sua equipa desequilibrada e num contra-ataque rápido, o bracarense Lima isola-se, superando João Pereira em força e velocidade, batendo Rui Patrício pela segunda vez. Domingos mexe, entra Carrillo, mas o Sporting acusa o golpe e leva tempo a reagir. Foi preciso Quim falhar para os leões entrarem na disputa por equilibrar novamente o resultado. Faltou arte e engenho no resto do tempo disponível de jogo e dobramos a Liga sentados num modesto quarto lugar.

Domingos tem tido tudo: estabilidade directiva, jogadores talentosos, resultado de um investimento como há muito não se via no SCP, até o apoio incondicional dos adeptos leoninos, cuja união tem sido notória graças ao esforço que notou na novel equipa directiva. O reforço da equipa de futebol e as disposições que procurou adoptar de forma a melhorar o ‘ambiente’ no seio da família leonina e, consequentemente, proporcionar mais e melhores condições de sucesso, têm que ter outra correspondência. É certo que o início do campeonato foi trágico, resultado duma desastrosa e persecutória arbitragem, trazendo um atraso pontual mas levando as ‘tropas’ a unir-se ainda mais. Depois, surgiu a recuperação que nos permitiu acreditar... Mas, à onda verde seguiu-se onda de lesões, o melhor conhecimentos dos jogadores e do futebol do SCP por parte dos adversários, situações às quais Domingos não tem conseguido dar resposta positiva. Eis-nos a onze pontos da liderança e em risco de desbaratar o que de positivo vinha sendo conseguido. Hoje, pela primeira vez, Domingos tentou mudar algo no sistema táctico que vem preferindo. Recuou Schaars e Elias, mas a equipa voltou a cometer os mesmos erros do passado, isto é, a atacar encostado às linhas laterais onde facilmente os adversários nos vêm anulando. É natural que hábitos adquiridos e vícios repetidos custem a esquecer e sejam reparados, assim, de um jogo para o outro.

E depois do Adeus?

A conquista da Liga passou a ser uma utopia, mas como afirmei anteriormente há mais para conquistar nesta época. Outros títulos estão em disputa e há que apostar no crescimento desta equipa, melhorar o seu desempenho e continuar a apoiar. Se assim for, se nos mantivermos unidos, estou certo de que este (péssimo) momento será ultrapassado.

E destaques individuais? Não vale a pena crucificar Ribas, por praticamente não se ter dado por ele, pois não? Nem João pereira por continuar a defender de forma displicente e a errar frequentemente nas suas opções, pois não? Nem Rodriguez pelo erro, quando a única opção de passe que tinha era tremendamente arriscada… Nem Onyewu por falhar os charutos que Polga falhava… Nem Rui Patrício por teimar em apanhar bolas dentro de área resultado de ressaltos nas coxas dos colegas… Nem Capel por não procurar jogar e combinar mais com os colegas situados no miolo do relvado… Nem… Caros, o mal é colectivo… E depois do Adeus? Perguntava à pouco… Cabe a Domingos responder.

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FICHA DO JOGO

Estádio AXA, em Braga

Árbitro: João Capela (Lisboa)
Árbitros assistentes: Nuno Roque e Tiago Rocha
4.º árbitro: Jorge Sousa.

Ao intervalo: 0-0

Sp. Braga: (1) Quim; (25) Salino, (5) Ewerton, (44) Douglão, (20) Elderson, (27) Custódio, (45) Hugo Viana, (30) Alan (cap.), (8) Mossoró (Luís Alberto (88), 68 m), (10) Hélder Barbosa (Carlão (83), 78 m) e (18) Lima (Paulo César (9), 87 m).
Treinador: Leonardo Jardim.
Suplentes não utilizados: (32) Berni; (6) Vinicius, (11) Rivera e (21) Nuno Gomes.

Sporting: (1) Rui Patrício; (47) João Pereira (cap.), (5) Onyewu, (2) Rodriguez, (6) Evaldo, (8) Schaars, (77) Elias (André Martins (28), 71 m), (14) Matías Fernandez; (11) Capel, (48) Insúa (Carrillo (18), 53 m) e (32) Ribas (Bojinov (7), 67 m).
Treinador: Domingos Paciência
Suplentes não utilizados: (12) Marcelo Boeck; (3) Carriço, (4) Polga e (25) Pereirinha.
Acção disciplinar: Cartão amarelo para Elias (28 m), Rodriguez (35 m), Insúa (49 m), Hugo Viana (52 m) e Paulo César (88 m).

Golos: Hélder Barbosa (51 m), Lima (64 m) e Carrillo (74 m).

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Braga não será por um canudo

O momento do Sporting, pela perda de pontos consecutivos e pelos sintomas de falta de apetite do nosso jogo, é de alguma apreensão. Não só não se pode perder mais pontos para que a distância para os da frente não aumente, como é necessário voltar a por o Braga a 3 pontos de distância.

Nestas circunstâncias o melhor lugar para ver este jogo é mesmo na Pedreira. É um estádio óptimo para jogar e ver futebol, o local indicado para voltarmos às vitórias. Eu vou estar lá, onde, com um bocado de sorte, e face às baixas temperaturas, até poderia nevar... golos verde e brancos. Com ou sem Wolfswinkel.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Daqui ainda não se vê o Jamor

Não me enganei quando, após o sorteio que definiu o Nacional como adversário nas meias-finais da Taça, disse que “daqui ainda não se via o Jamor.” E por isso ainda ontem deixei aqui vincado, tendo como destinatários principais os que pretendiam deslocar-se a Alvalade, que a eliminatória era a duas mãos e não me parecer que esta pudesse ficar resolvida ou bem encaminhada ontem.  (Quase que me enganava pois o Nacional, se mantivesse os 2 golos de diferença, tê-lo-ia conseguido). 

A previsão era fácil de fazer: havia visto o jogo do Nacional para a Liga e tenho visto todos os jogos do Sporting e é fácil de perceber que o nosso modelo de jogo encalhou e a equipa está em sofrimento para resolver os jogos. Não fora a superior qualidade individual dos nossos jogadores e não teríamos conseguido resolver ou minimizar os problemas que nos saem ao caminho.

É inútil Domingos reclamar contra os autocarros que os adversários colocam em campo. Cada um joga com as armas à sua disposição e, de forma mais ou menos evidente, era mais ou menos essa a estratégia que usava quando treinava a AAC, por exemplo. A Domingos cabe-lhe resolver os problemas que os adversários lhe colocam em campo, e a melhor forma de o fazer era antecipá-los, criando soluções alternativas de forma a tornar-nos menos previsíveis. E não é isso que tem acontecido. O nosso jogo é lido de cor pelos adversários, o que nos obriga a esforços redobrados.

Para as pretensões de uma equipa grande a bola chega poucas vezes e sempre com muito ruído e muito pouco redonda ao avançado. E pouco adianta que ele se chame Bojinov ou Wolfswinkel. Mas no caso do búlgaro as dificuldades aumentam, não tanto pelo seu valor, ou pelas suas características, como muitos apressadamente parecem concluir. Domingos “esqueceu-se” do búlgaro assim como de Rúbio e não é crível que, decorridos 6 meses do inicio da época e quase sem jogar possam entrar para resolver e precisamente quando o nosso jogo perdeu o fulgor. Esse problema já sentia Wolfswinkel e, mantendo-se o actual cenário não será Ribas a resolver.

Tal como muitos adeptos, não adianta a Domingos embirrar com alguns jogadores, como parece ter acontecido com André Santos. Por no seu lugar Renato Neto, que deixou evidente em ambos os jogos que precisa de tempo para poder fazer o lugar, é arriscar-se a perder ambos os jogadores. O problema não reside apenas neste ou naquele jogador, é um problema de organização colectiva. Excessivo isolamento do número 6, elevada distância entre os sectores, embarrilamento do jogo pelos flancos, falta de presença na zona central do  terreno (entre o semi-circulo do meio campo e a grande área)  são as causas da estagnação e depreciação dos valores individuais que no inicio do ano eram emergentes e promissores.

Não foi pois pelo jogo de ontem ou pelo seu resultado que não me apeteceu escrever a crónica do jogo. Foi antes pelo impacto que mais um jogo triste e desordenado pode ter no futuro imediato do Sporting. Futuro esse que não pode ser o vislumbre do passado ontem visto. Domingos conseguiu parir uma equipa, dar-lhe de mamar e pô-la a Cerelac. O que se lhe pede neste momento é que lhe faça crescer os dentes e pô-la rapidamente a morder e de forma letal. Ou arrisca-se a deitar a criança fora junto com a água do banho.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Taça de importância nacional

Apesar da frustração pelos resultados recentes, que nos fizeram perder 7 pontos em 9 possíveis, o campeonato está longe de ter perdido importância para o Sporting. Sendo realista, era já muito difícil superar 2 adversários com um registo de regularidade superior ao nosso e agora, com as derrapagens recentes, as possibilidades ficaram ainda mais remotas. Mas não há nenhuma razão para deixar de lutar por uma presença condigna na competição mais importante do nosso futebol e sempre à espreita das oportunidades que surjam.

O campeonato é longo e, tal como nós, os que nos precedem têm ainda muito que andar, quer nas competições nacionais quer nas competições da UEFA. Até porque está em causa o futuro e também o orgulho dos sportinguistas, face ao descalabro que foram os últimos anos. Atrasos como os dos últimos campeonatos são completamente inadmissíveis e apenas aceitáveis se trocados por uma vitória internacional, o que, como se sabe, ninguém pode prometer para dar à troca.

É neste quadro que os jogos da Taça de Portugal, como o que logo se disputa, ganham ainda maior importância. Mas, face à eliminação dos principais rivais, o risco do Sporting na Taça aumenta: não ganhando a competição, onde é a equipa com mais argumentos para o conseguir, esse facto só poderá ser encarado como um fracasso rotundo. Ganhando-o, tratar-se-á de uma vitória “natural e obrigatória”.

É essa percepção que não deverá escapar aos sportinguistas. A Taça de Portugal é, como outra competição, de importância nacional, quer pelo valor da conquista, quer em termos de futuro imediato, uma vez que o vencedor encontrar-se-á na Supertaça com o titular do campeonato do presente ano acabado de conquistar.

No caso concreto do jogo de mais logo é bom não perder de vista o facto de as equipas estarem agora obrigadas a jogar as meias-finais a duas mãos. Parece-me claro que tal, em condições normais, beneficia as melhores equipas, que, devido ao seu superior valor, têm na 2ª mão a oportunidade de se refazerem de um mau jogo, coisa que, no formato anterior, era impossível e muito contribuiu para o famoso “factor taça”.

Acredito que, a menos que surja um “daqueles resultados”, a passagem à final ficará decidida apenas na Madeira, no jogo da segunda mão e, claro, a nosso favor. Que isso esteja bem presente no espírito dos sportinguistas presentes logo em Alvalade, onde prevejo um jogo muito disputado. Não me parece fazer sentido exigir, por isso, que tudo fique hoje resolvido. Passar a eliminatória, além de nos proporcionar o prazer de voltar ao Jamor, será sempre acrescido do regozijo de afastar a equipa do “viscoso” Rui Alves, uma das eminências pardas do sistema, com quem temos sempre contas a ajustar.

Nota para o regresso de Jeffren e para a estreia de Seba Ribas na lista dos convocados:

Convocados:
Rui Patrício e Marcelo Boeck;
João Pereira, Arias, Rodriguez, Polga, Onyewu, Evaldo e Ínsua;
Schaars, Capel, Matias, Jeffrén, André Martins, Renato Neto e Elias;
Bojinov, Wolfswinkel, Carrillo e Ribas.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Estamos sempre convosco!



O fim-de-semana passado estava preparado para ser uma enorme festa. A juntar ao clássico Sporting-Porto tinha adquirido bilhetes para ver o espectáculo do Cirque du Soleil no Pavilhão Atlântico na sexta-feira, podia assim fazer o fim-de-semana lúdico que a minha mulher há tanto tempo reclamava. Saída dia 6 após o almoço, passeio por Lisboa, espectáculo, revisitar o Lisbon by night, acordar com pequeno-almoço de hotel, de novo usufruir dos soberbos espaços da capital, almoçar tarde na margem esquerda e ao fim da tarde, enquanto a minha cara-metade visitava os saldos, encontro com a rapaziada para ir à bola.

Na terça passada tudo desmoronou! Durante o meu desporto semanal, pressão agressiva sobre o adversário, movimento lateral de acompanhamento e “plack” o sr. Aquiles resolveu entrar em rotura comigo e com os meus planos. Visita directa aos HUC e saída com um belo pé de gesso pelas 2 da madrugada. No dia seguinte, enquanto tentava saber quem seria a alma caridosa a emprestar-me um par de canadianas veio a pergunta fria:

- “Como é que vamos fazer no próximo fim-de-semana?”

- “O próximo fim-de-semana! Meu deus! Sporting-Porto! Não posso falhar!”

- “Não. O Cirque du Soleil, já temos hotel?”

- “Já, marquei ontem mas vou já anular! Arranjas alguém para ir contigo?”

- “Se vais à bola também vais ao espectáculo!”

- “…Vais trabalhar à tarde, não vais? Eu trato disso…”

O tempo, esse bem perecível, tornou-se de imediato escasso.

Primeiro, anular hotel, segundo saber como se procede para entrar nos dois espectáculos sendo PDM (pessoa com dificuldade motora). Pavilhão Atlântico, tudo bem, há entrada, acessos e soluções para esse efeito. Estádio José Alvalade, pânico, por razões de segurança não podem entrar no estádio pessoas com gesso ou canadianas, porque não conseguem garantir a evacuação em caso de emergência.

Entretanto via facebook, sms, etc., a “gozação” começava, “Estás pior que o Izmailov!”, “Dá-me a tua gamebox!”, “Só eu sei porque ficas no sofá!”, não podia ser, respondendo rápida e inconscientemente aos andrades garanti, “É mais certo eu ir a Alvalade que vocês entrarem em campo para vencer o jogo!”.

Quinta – feira, há que tomar medidas drásticas, aprofundar contactos, acalmar a esposa, garantir apoio dos amigos e subitamente uma luz ao fundo do túnel. A única hipótese é ter bilhete de acesso para o sector dos incapacitados motores!

Tudo bem! Por mim até posso ir para o túnel de acesso dos balneários ao campo! Já sei que vou ficar atemorizado com as fotografias mas desde que veja o jogo “in situ”, vamos embora! Só então comecei a pensar na logística, as mãos já doíam, subir a escadaria até ao escritório era um tormento, o pé afectado não pode poisar no chão porque está a 45 graus, as paragens têm de ser frequentes e o jeito para andar de canadianas é nulo (é a minha estreia!).

Seja o que deus quiser! Vou avisar as tropas que para um Leão cair é preciso mais que uma rotura no Aquiles! Sexta-feira, bilhete no bolso, indicações de como entrar no estacionamento do estádio, onde são os acessos às entradas para incapacitados motores, partida, largada, fugida, aqui vou eu!... Sexta-feira à noite, terminada a primeira odisseia no Pavilhão Atlântico, onde tudo era um bocado mais complicado do que fui informado, cheguei finalmente arrasado ao hotel, perna inchada, mãos doridas, o pé bom a perguntar que mal tinha ele feito. O conselho feminino veio frio como a anterior pergunta:

- “Não é melhor amanhã ir para Coimbra e dás a gamebox a alguém?”

- “Amanhã vê-mos isso.” – foi a ultima coisa que disse antes de dormir, o corpo estava de acordo com a minha mulher, mas o espirito não queria admitir a derrota.

Sábado, dia lindo de Inverno como só Portugal sabe oferecer, Lisboa brilhava sedutora mas o primeiro contacto com as canadianas fez acordar a realidade, porque raio não arranjei eu uma cadeira de rodas… “Vamos passear?”, não, a pergunta não congelou o ambiente foi feita com um sorriso malandro, trocista mas cúmplice. “Siga! Temos de fazer horas até às 17.00 e eu estou a morrer por um café.”.

As horas foram passando e a minha malta chegou dos mais variados destinos, a cerveja foi infelizmente proibida (obriga a muito movimento!). Papéis em cima da mesa, preparar a estratégia, vamos embora, objectivo conquistar Alvalade de muletas! Todos os que ajudaram a esta empreitada ser possível me deram o mesmo conselho – Vai cedo! – a primeira tarefa foi deixar o carro no estacionamento do estádio, depois de quase atropelar uns elementos da policia de intervenção lá descobrimos a entrada para o piso -1.

Surge agora o grande dilema, vamos para o lado Norte ou Sul? A porta de entrada não vem mencionada no bilhete e tínhamos de explicar aos seguranças a cada passo que era uma situação pontual de possibilitar a entrada de um “difícil de mover” para um sector reservado a “incapacitado de mover”. Utilizamos a lógica (observada por um dos meus companheiros) que tínhamos de ir para Norte porque todos os sectores ímpares são situados no lado norte do estádio e os pares do lado sul, assim fizemos e acertámos. A entrada foi feita pelo Pavilhão multiusos o que me permitiu conhecer mais este pedaço de Sporting e ver “in loco” a azáfama dos atletas das modalidades de combate, só mais tarde descobri que eles iam estar presentes no relvado antes do jogo e durante o intervalo, excelente ideia por sinal, cruzar-me com uma série de personagens públicas do Sporting e até ter recebido o cumprimento fugaz de Isabel Trigo Mira pela fisga do elevador.

Claro que chegar cedo foi fundamental, claro que manter a calma e a simpatia de cada vez que tinha de explicar a situação também ajudou (e foram muitas). Invariavelmente, na primeira abordagem, me diziam que não era possível entrar, aprendi (à terceira) que o melhor era deixar os seguranças mostrar o seu pleno conhecimento dos regulamentos e só depois de lhes dar toda a razão explicar o porquê da minha situação. Chega finalmente o momento da última etapa, são 18.30 H, os seguranças estão “fresquinhos”, subir o elevador até ao piso 2 e ser de imediato barrado por três seguranças, conversa para cá, conversa para lá, chamar o “chefe” tudo em ordem e sou encaminhado para o meu lugar. Magnifico! Devo ter sido, talvez, a vigésima pessoa a entrar, missão cumprida, Alvalade estava aos meus pés e eu tinha mais uma loucura cumprida.

O jogo decorreu como já foi por demais debatido, queria apenas acrescentar alguns pontos, primeiro sobre Polga e os seus já famosos passes longos, enuncia José Mourinho que passes com mais de 10 metros têm uma percentagem de sucesso próxima dos 30 % e isto independentemente de ser Polga ou outro qualquer jogador mundial a executá-lo, o problema não está nele, está na necessidade que a equipa tem de utilizar esse recurso (onde se perde a bola, em média, 70 por cento das vezes). Seguinte, Capel e o seu abaixamento de forma, o Porto defendeu as laterais com quatro ou cinco jogadores contra Capel/Insua/Scharrs ou JPerreira/Carrillo/Elias, normalmente eram dois contra cinco. Há um lance na segunda parte já com Izmailov em campo em que ele recebe a bola junto da linha do meio campo e tem um rectângulo de quatro jogadores do Porto na sua frente e nenhuma opção de passe ofensiva. Os adversários já perceberam que a nossa força actual está nas laterais e encheram aquelas zonas de gente! Por fim, Wolfswinkel, sem jogo nas laterais, sem bolas a fluir para a área ou pelo menos para o centro não há golos, seja com o nosso lobo seja com Jardel. Fernando Santos ao serviço do Estrela da Amadora, provou como era fácil marcar Jardel, bastava não lhe ligar nada e apenas impedir Drulovic e Sérgio Conceição de centrar… Ficam as notas à atenção de Domingos.

Mau resultado, num jogo quezilento na relação dos jogadores com a bola. A saída do estádio correu ainda melhor que a entrada, partilhei o elevador com dois culés um deles com uma cadeira de rodas de fazer inveja a muitos carros, provando mais uma vez que só fica em casa quem quer! Temos realmente um estádio 5 estrelas que permite a todos usufruir de belos espectáculos ao vivo!

Não quero terminar sem deixar alguns agradecimentos, primeiro à minha mulher por aturar as minhas pancadas, depois à AAS – Associação de Adeptos Sportinguistas na pessoa do nosso Hugo Malcato por terem dado um apoio inexcedível sem o qual esta aventura não seria possível.

Obrigado a todos e venha o próximo jogo. Estamos sempre convosco!

O problema de Bruno de Carvalho

É-me mais ou menos indiferente o que diz Bruno de Carvalho. Ou antes, é-me tão importante o que ele diz sobre o Sporting como o que diz qualquer outro associado porque é essa a qualidade que lhe reconheço. E nessa qualidade tem todo o direito a pronunciar-se sobre a vida do clube como qualquer um de nós. Mas convenhamos que as comunicações de Bruno de Carvalho têm 2 problemas que se relacionam entre si.

Sempre que Bruno de Carvalho fala questiona-se o timing da sua intervenção. Ora este só é um verdadeiro problema por causa do conteúdo. É que, desde que perdeu as eleições, o consócio Bruno de Carvalho sempre que escolheu falar sobre o Sporting apenas conseguiu demonstrar azedume e algumas vezes mau perder, parecendo-se esquecer que o acto eleitoral decorreu há quase um ano.

Contrariamente à maioria dos associados, Bruno de Carvalho nunca falou para demonstrar satisfação com a recuperação da equipa da modalidade mais representativa ou pela obtenção de bons resultados, mesmo que ainda parciais. E também se esqueceu de levantar a voz para defender o clube dos ataques que vai sendo alvo, pelo menos com a sonoridade com o que o faz para mostrar o seu desacordo, por muito legítimo que seja, com a gestão de Godinho Lopes. É isso que descredibiliza a sua mensagem junto dos sportinguistas, especialmente por estar sempre muito solicito junto dos órgãos de comunicação social que, aparentemente, só o escutam porque a sua mensagem, que é mais ou menos indiferente para o clube e o momento que se vive, cria ruído e por isso se vende.

Este não é o único mas é o principal problema de Bruno de Carvalho: o conteúdo da sua mensagem. Claro que o timing também conta, e por isso não terá passado despercebido a ninguém que Bruno de Carvalho esperou mais de uma semana para discorrer sobre a entrevista de Godinho ao Expresso e fê-lo precisamente a seguir a um resultado adverso para o clube. Fica a dúvida se o faria se tivéssemos ganho ou se seria mais veemente nas criticas caso tivéssemos perdido. E foi a dúvida o principal adversário de Bruno de Carvalho nas eleições que perdeu...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

5 notas após o clássico

Reactivação do vulcão "Alvalade"
 1. O Público. Admirável. Nota-se, à vista desarmada, que os sportinguistas estão de novo unidos em torno do seu clube e isto é uma sensação maravilhosa. Estivesse eu sentado numa das ‘curvas’ e quase que jurava que ontem estava a viver um dos quentinhos jogos grandes no ‘antigo’ José de Alvalade. O povo leonino vai continuar a acompanhar e a envolver-se com a sua equipa de futebol, mesmo depois do empate de sábado, com sabor a cerelac. Escrevo isto convencido de que os razoáveis resultados desportivos têm ajudado, claro, mais ainda quando comparados com as duas miseráveis épocas que deixamos para trás, mas estou verdadeiramente persuadido de que o que fez (e faz) regressar e compele os sportinguistas a acarinhar ainda mais o SCP, resume-se no capital de confiança que todo o actual elenco do futebol profissional conseguiu granjear.


2. A equipa. Coesa. Ao invés de se navegar em ‘piloto automático’ e deixar que o destino se encarregue do futuro da nau, percebe-se um rumo que apenas sofre ligeiras alterações de maneira a contornar os escolhos e obstáculos que sempre surgem (ou nos colocam…) no caminho que queremos trilhar. Hoje há critério, onde ontem existia confusão. E hoje, há defesa intransigente dos interesses do Sporting, onde ontem existia incúria e, pior, subserviência. Quando assim é, quando os sportinguistas sentem que os seus dirigentes apresentam um rumo para o futebol com um mínimo de coerência e defendem o clube com unhas e dentes; quando sentem que a equipa técnica que os dirigentes escolheram e que orienta a equipa dá mostras de possuir as capacidades necessárias; quando sentem que os jogadores da equipa se esforçam e produzem um futebol decente, os sportinguistas estarão sempre presentes! De modo que sim, o Sporting está mesmo de volta, apesar de ainda apresentar falhas e dores de crescimento, o que é compreensível.

3. O jogo. Equilibrado. Ao vivo é sempre outra coisa, não só porque o ambiente é muito mais electrizante, mas também porque, por um lado, nos permite observar muito melhor a posição global da equipa e ver como funciona e combina colectivamente nas várias fases que o jogo exige e, por outro, permite notar a acção individual de cada um dos jogadores presentes no relvado, principalmente quando não estão na posse da bola ou nas suas imediações. E estes importantes factos dão-nos mais elementos de avaliação. No aspecto colectivo parece-me que defensivamente o SCP apresenta-se seguro, coeso, organizado. Anteontem, jogando contra um adversário de respeito, foi apanhado em desequilíbrio muito poucas vezes. Já ofensivamente, há ainda muito para engrenar e aperfeiçoar. O dia também não esteve famoso noutro aspecto que pode ser decisivo em jogos equilibrados: a sorte, que pendeu sempre mais para o FCP, como se pode exemplificar nos inúmeros ressaltos, carambolas, bolas divididas, segundas bolas que, sem justificação objectiva, invariavelmente acabavam na posse dos jogadores portistas… No entanto, a sensação final que levei para o autocarro e trouxe de regresso a casa, madrugada de sábado adentro, foi a de que também nos faltou um pouco mais de auto-confiança e ambição para levar de vencida um jogo, cuja vitória esteve perfeitamente ao nosso alcance. Agora, está mais complicado chegar ao topo e recuperar os pontos de diferença que distamos dos dois da frente. Mas há que continuar a lutar. Convém também não esquecer as outras competições, imitando um famoso sound-byte da vida politica 'tuga' diria que há mais época para além da Liga Zon.

4. Os jogadores. Batalhadores. Individualmente pude confirmar que Ricky, o jovem lobo, passa por fase de desinspiração e notei-o em perda resolutiva à medida que se caminhava para o final do jogo. Um golo, de bola corrida, urge! Movimenta-se bem, é lutador, procura participar mais no jogo, é solícito ao passe dos colegas e tenta sempre desmarcar-se, mas… continua um desastre na finalização. Mais uma jogada em que aparece isolado sem conseguir concretizar, mais um remate falhado na pequena área. Está difícil.

Capel muito apagado. Nem aquilo em que costuma ser melhor, conseguiu realizar: mexer com o jogo, aproveitar a sua velocidade para desposicionar o lento defesa que o marcava: Maicon.

Ao contrário de Ricky e Capel, está Onyewu, em crescendo e com muita confiança. Tal e qual como Rui Patrício com manifestos progressos no seu jogo com o pé. Quando foi preciso, disse sempre presente, com grande autoridade e estilo.

Insúa, um poço de força, de firmeza, mais uma vez o flanco esquerdo funcionou muito melhor com a sua subida, após entrada para a lateral-esquerda do (voluntarioso) Evaldo. Em dia de comemorar o seu 23.º aniversário, o argentino foi dos jogadores que mais batalhou para receber um presente extra: a vitória no clássico. Merecia.

Por fim, faço a análise a Stijn Schaars. Um senhor, com muita classe. Anotem nas vossas agendas: em todos os momentos, mesmo quando longe da bola, nunca desliga, está sempre focado no que tem para fazer e fá-lo especialmente bem. Possui um sentido colectivo elevadíssimo, um espírito competitivo invulgar e uma cultura táctica que o leva a ocupar os espaços de forma magistral. Depois, no passe, esteve sempre muito acertado e pertinente. Quando falava na importância de se assistir os jogos ao vivo para perceber a importância de toda a acção de um jogador, que pela Tv passa muitas vezes despercebida, um dos alvos que tinha em mente era precisamente o holandês. É o nosso Super 8 e está tudo dito…

5. A arbitragem. Gelatinosa. Não gosto de coisas gelatinosas e colunas vertebrais feitas desse material ultra maleável, ainda menos. Pedro Proença protagonizou mais uma arbitragem à portuguesa. Na dúvida a sua decisão foi sempre contra o mesmo, ou seja, a equipa da casa. Muita falta e faltinha de caca, daquelas que irritam e só se sancionam no nosso campeonato e em situações já tipificadas… No Estádio, alguns dos foras-de-jogo marcados ao ataque do Sporting, principalmente no decorrer da segunda parte, deixaram-me logo com muitas dúvidas. Confirmam-se, através das imagens da Tv, os clamorosos erros. E a coerência na disciplina? Essa fica para o dia de “São Nunca à Tarde”…

domingo, 8 de janeiro de 2012

Sporting - FCP: dores de crescimento?

Quem teve a sorte de presenciar ontem ao vivo o clássico dificilmente poderá, ao fazer o balanço dos ganhos e perdas, ter dado o seu tem por mal empregue. É indiscutível que o Sporting não obteve um bom resultado, face às suas pretensões e posição na tabela classificativa, e isso é bem evidente ao poder, no fecho da jornada ver o SLB mas longe e o SCBraga encostar-se no terceiro lugar. Mas do jogo no relvado ficou reforçada a ideia de que o Sporting cresceu face aos seus rivais, ideia essa já vincada no derby, e das bancadas foi indiscutível o sinal de força de um grande clube. Não fosse assim e seria impossível assistir-se ao espectáculo proporcionado, com um Alvalade cheio e vibrante, com quase 50 mil batendo o recorde assistências em jogos do campeonato no novo estádio.

Quanto ao jogo propriamente, foi um jogo forte de emoções, mas sem grande riqueza técnica. Domingos acabou por dar mais de 45 minutos de avanço a um Vitor Pereira sagaz na forma como montou a equipa, revelando conhecimento das nossas virtudes e fraquezas. A colocação de Neto a 6 pareceu-me despropositada, confirmando que falta ao jogador a agressividade e rapidez de raciocínio para a função, mais evidente ainda quando o FCP lhe devotou particular atenção, impedindo-o quase sempre de jogar de frente para o jogo. Com Shaars naquela posição o Sporting viveu os seus momentos mais estáveis e com isso conseguiu construir mais do que havia feito até aí. Beneficiou e muito também, há que dizê-lo, da colocação de Matias sobre a esquerda, ensaboando o pobre Maicon, coisa que Capel nunca conseguiu fazer. 

No futebol não resultados justos ou injustos. Há quem marque e quem não marque. Desta feita nenhuma das equipas o conseguiu fazer, embora o golo pudesse ter acontecido am qualquer das balizas. Embora me pareça que o adversário tenha estado genericamente mais confortável no jogo, revelador talvez de maior maturidade, o maior número de oportunidades e a sua qualidade pertenceu ao Sporting.

Apesar da vontade revelada pareceu-me evidente a falta de discernimento e frieza no momento de definição das jogadas, em todo o campo mas em particular no último terço. Terão sido provavelmente esses os factores que, mais do que a pressão do adversário, que conduziram a um elevado numero de perda de bolas e consequente morrer de jogadas capazes de levar o perigo à defesa adversária. Izmailov, que se lesionou novamente, podia ter matado o jogo nos minutos finais, assim como Wolfswinkel, que paulatinamente vem perdendo acerto e fulgor. Esse tem sido o principal problema do Sporting nos últimos jogos do campeonato onde perdeu pontos (Luz, Coimbra e ontem) onde a eficácia faltou. 

O mau resultado acaba por penalizar mais o Sporting, e com o decorrer do tempo para o final do jogo o FCP pareceu dar-se por satisfeito com o empate. Esse é um sinal de que, apesar da distância que nos continua a separar, nos reconhecem qualidade. Muito diferente de um passado recente em que o Sporting se remetia a uma toada demasiado cortês quando tinha que atacar adversário e sempre muito angustiado quando se remetia à defesa. Sinal evidente de crescimento (que se estende à demonstração de vitalidade do clube dado pelos adeptos) e cuja dores ficam patentes num resultado adverso e penalizador. Saber  viver com essa adversidade e procurar evoluir é o próximo desafio de Domingos e da equipa que comanda.

Apesar da diferença para os da frente  acredito que o Sporting ainda está na luta pelo campeonato e será um dos actores principais na sua decisão.

Nota: O jornal Públicoteve o tratamento que se esforçou por merecer. Quem não nos respeita fica à porta de casa.
Ficha do jogo:

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Público e notório: mais uma vez o clássico começou fora do relvado

A escolha do dia de hoje, véspera do clássico com o FCP, para o público se referir ao Sporting, (Sporting forrou acesso a balneário com imagens que exaltam violência) será casual apenas para quem acredita ainda no pai natal ou em histórias da carochinha. Ao publicar a noticia em vésperas de jogo, dando conta de um facto que nem é novo mas como se o fosse, e sem sequer cuidar de saber nem a opinião do Sporting nem o que fazem os outros clubes  – nem vale a pena discutir a classificação das imagens – o Público decide jogar por um dos lados do campo.

Apesar da gravidade do acto, obviamente deliberado (a notícia vem na 1ª página), não é nada a que o Sporting não esteja habituado, da parte do Público (que tem um histórico de mau relacionamento com o Sporting, com quem já se bateu longamente em tribunal), ou até mesmo com o árbitro designado para o jogo, Pedro Proença (não é preciso puxar o histórico muito atrás, basta lembrar o que foi o jogo deste ano com o Marítimo, ou célebre lance do pretenso atraso para Stojkovic, no Dragão). 

Igualmente lamentável é que Vicente de Moura, conhecido sportinguista, se tenha aprestado a servir de muleta na estratégia coxa do Público. Quando ele afirma que "o clube sempre pautou a sua conduta pela hospitalidade e confraternização com equipas adversárias" certamente se refere ao tempo em que os corredores de Alvalade podiam ser confundidos com os de uma vulgar piscina municipal, sem qualquer referência ao Sporting, e um paraíso para os adversários, onde só faltava  estender uma passadeira vermelha. Ou azul... 

Caso o sr. Vicente de Moura se se queira informar, não há passadeiras estendidas nos estádios onde o Sporting se desloca. E, como infelizmente não se apercebeu, a noticia em si é a prova de que há quem jogue permanentemente do lado de fora e nos relvados sem as mãos limpas mas que tal, até agora, não parece incomodar nem o sócio do Sporting que é Vicente de Moura nem o presidente do Conselho para a Ética e Segurança no Desporto, que também é.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Dizem que já é do Sporting e já sabe marcar ao SLB

Dizem os jornais de hoje que Zakaria Labyad será jogador do Sporting no próximo ano. A ser verdade o Sporting movimentou-se muito bem, tendo-se antecipado a muita gente graúda do futebol europeu. Conseguir um jogador como Labyad e ainda por cima ao que parece apenas pelo custo das verbas relativas à formação é, sem dúvida, um excelente negócio.

Labyad é tido como  atacante muito talentoso e promissor.  No PSV tanto tem jogado em ambas as laterais assim como atrás da referência do ataque atacante. É extremamente rápido, com ou sem a bola nos pés, e procura muitos vezes o centro quer para oferecer linhas de passe e penetração como para finalizar, sendo possuidor duma capacidade de remate poderosa e precisa. Tendo apenas 18 anos de idade irá crescer quer do ponto de vista físico quer do ponto de vista técnico-táctico, nomeadamente na compreensão da necessidade de se sujeitar às tarefas defensivas quando a equipa assim precisar. Mas, apesar da juventude, o jovem marroquino parece ter a atitude adequada a um profissional. Não será por caso que tem é chamado à primeira equipa desde os 16 anos de idade.

Não será por acaso, por isso, que os grandes da Europa estivessem (estão ainda com certeza) de olho nele, havendo até quem o comparasse a Ibrahim Afellay, seu ex-companheiro de equipa, com partilha também a ascendência marroquina e que entretanto já rumou ao Barça de Xavi, Iniesta e Messi. Barça que, juntamente com Chelsea, era precisamente um dos clubes dados como interessados no jogador. 

Oxalá se confirme a noticia da vinda de Zakaria Labyad, ele que, como se pode ver abaixo, até já sabe marcar golos ao SLB…


P.S. - Atenção aos Sportinguistas do Norte, ainda podem ver o Sporting ganhar ao FCP no próximo sábado, ao vivo e a cores. Informe-se no Solar do Norte

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ribas, Xandão e Neto: há pinheiros em Alvalade!

Para que se perceba que o Sporting este ano está num registo diferente comparem-se as suas actuações no mercado de inverno em pretéritas temporadas com a actual. Para que o exercício não seja demorado, até porque nos dias que correm o tempo é escasso, olhe-se para o ano passado quando se "descobriu" Cristiano e o ano presente onde, também sem grandes recursos, o clube se apresta para reforçar a equipa de forma convincente. Característica comum a todos os reforços de inverno é a sua compleição física o que remete a memória para o discurso do pinheiro de há uma época, e a frustrante contratação de Tales. Podemos discutir o critério, mas há agora pinheiros em Alvalade e espera-se mais lenha para queimar os adversários.

Neto para os miúdos
Tal como aqui afirmei anteriormente o regresso de Neto é antes de mais uma importante mensagem para os diferentes quadrantes do clube, com a formação como principal destinatária. O facto do Sporting estar mais atento e activo no mercado não parece distrair ou fazer esquecer os responsáveis pelo futebol profissional do trajecto realizado pelos mais novos. Mais adiante se perceberá a sua utilidade.

Bué de Xandão
Foi particularmente frustrante e entristecedor a xusma de comentários feitos por sportinguistas a propósito o novo defesa-central, baseando-se apenas nos fóruns tricolores. Levaram apenas em conta o que se disse no final do campeonato, que foi tão frustrante para os adeptos do S. Paulo como o foi o nosso do ano passado. Seria interessante fazer o trackback do que disseram precisamente os mesmos quando ele chegou do Grêmio Barueri (hoje Prudente), tido como um dos mais promissores defesas brasileiros da sua idade. É óbvio que não vem de uma boa época, mas não me parece que o falhanço do S.Paulo seja da sua exclusiva responsabilidade ou que seja caso para por em causa as suas qualidades. A ter que acreditar em alguém prefiro ouvir o que disseram Derlei, Marco Aurélio, André Cruz e os diversos treinadores que o conhecem, até poder avaliar pelos meus olhos. É bom lembrar que o jogador se encontra de férias relativas ao final de época e, por isso, não deverá ser opção para Domingos no imediato.

(A)Riba(s), A)Riba(s)
Ao que parece trata-se de um desejo antigo que agora se concretiza. Domingos quererá, pela aquisição deste jovem uruguaio dar mais peso e altura nos últimos metros e melhorar o jogo aéreo, lacuna notória em Wolfswinkel. As referências são do melhor que se pode ler a propósito de um profissional no que à atitude diz respeito. Assim possamos dizer o mesmo das suas qualidades técnicas. A seguir com atenção, até porque, ao contrário de Xandão, está pronto para ser utilizado. 

A sua chegada vem reduzir ainda mais o espaço de Rúbio, o que é uma pena, face ao que o miúdo já demonstrou. Quem sabe fazer regressar Eduardo e rodar Rúbio não fosse uma boa solução para ambos.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

3 ou mais um sportinguista que regressa a casa

Apesar do tempo poder ser linear, a percepção deste não o é de certeza. Nao era suposto centrar um comentário do 2011 futebolístico leonino numa idiossincrasia pessoal mas a verdade é que nesta altura de fecho de anos e de balanços, olhar para o ano anterior do sportinguismo é-me bastante complicado. Isto porque no caso da minha relação com o meu clube, este último ano durou mais que um ano: durou um ano, nove meses e nove dias, o tempo entre o encontro entre o Sporting e o Vitória de Guimarães da temporada de 2009/2010 e o jogo dos quartos de final da Taça de Portugal 2011/2012 entre o Sporting e o Marítimo.

Como dizia, nao era suposto pensar num balanço do ano que finda exactamente hoje a partir de um episódio pessoal, neste caso o afastamento de quase dois anos do Estádio de Alvalade, mas a ideia foi ganhando sentido à medida que pensava nos vários pontos de contacto entre um encontro e o outro, assim como no facto de, para muitos sportinguistas, haver um longo período de, pelo menos, desorientaçao, estupefacçao e indefiniçao entre a saída de Paulo Bento justamente no começo dessa temporada 2009/2010 e o princípio desta. O balanço, no fundo, é isso mesmo: regressar a esse período, constatar essa viragem e formular os auspícios do ano que virá, tudo a partir desses dois jogos e do tempo, tao maleável, entre eles.

Três. Falamos de um período entre dois jogos, sim, mas que atravessa três épocas. E falamos de dois jogos nos quais o Sporting vence e marca três golos, por três jogadores distintos e, ao mesmo tempo, tao parecidos, quase dois anos depois. Mas já lá iremos.

Tanto na noite de 14 de Março de 2010 como na de 22 de Dezembro de 2011, o Sporting é orientado por uma promessa dos bancos portugueses - Carlos Carvalhal e Domingos Paciência -, a orientar pela primeira vez um grande clube nacional. Mais que isso, em ambos os jogos defronta e ganha com contundência a um rival de quem tem muito pouca distância na table classificativa, e a equipas orientadas por outro treinador em ascensao cujos méritos até aí já lhe merecem augúrios de voos maiores. No caso do adversário de 2010, o Vitória de Guimaraes de Paulo Sérgio, esse voo seria mesmo o próprio Sporting.

Ambas vitórias precedem um encontro muito importante para a temporada do clube: actualmente, a aspiraçao de confirmar a luta pelos lugares da frente e fazer um bom jogo e um bom resultado contra o campeao em título, e em 2010, a segunda mao dos oitavos de final da Liga Europa contra o Atlético de Madrid, numa eliminatória ainda em aberto e o último grande repto de uma temporada de enorme instabilidade.

Voltandos aos jogos em questao, em ambos se verificou uma afluência mais elevada do que o (tristemente) esperado para a circunstância da época - com aproximadamente 35 mil espectadores no jogo de Março de 2010 e os pouco mais de 20 mil na quinta-feira de dezembro de 2011 - e em ambos os encontros, o Sporting dominou sem grandes preocupaçoes e conseguiu uma vitória incontestada, assim como uma exibiçao convincente, novamente tendo em conta os parâmetros da época - e no caso do jogo de 2010, tendo em conta a época que se seguiria. Entrando com um onze repleto de internacionais, os golos foram marcados, em ambos os casos, por um lateral argentino de impacto recente, por um goleador com lugar cativo no espaço emocional sportinguista (salvaguardando as devidas distâncias, como é evidente) e por uma promessa à espera de uma explosao com a camisola do clube.

Deixando de lado questoes estatísticas e de classificativa, poderíamos concluir a paralaxe, dizer que as grandes semelhanças entre os dois encontros nao seriam mais do que estas. A grande diferença, assim em singular, porém, é o sentido em que vai cada uma destas equipas e, porque nao dizê-lo, o rumo de cada um destes projectos desportivos. O Sporting de 14 de Março de 2010 e o de 22 de Dezembro de 2011 encontraram-se algures nestas intersecçoes trazidas aqui à luz, mas o primeiro descia nessa altura a ladeira que o de hoje em dia faz o que pode por escalar. A época seguinte, de resto, com a equipa simbolicamente liderada pelo treinador derrotado nesse domingo de Março, viria a confirmar essa descida a um tempo sem tempo nenhum para grandes feitos, nem pensar nem implementar grandes ideias. A um tempo de esforço, de desagregaçao e de profunda desconfiança e algum amadorismo na gestao do futebol professional. Um tempo cujos efeitos negativos acabaram por alastrar à percepçao do clube como um todo, tendo no futebol formativo e nalgumas modalidades as suas primeiras vítimas e no clubismo dos adeptos uma espécie de pandemia da qual a custo tentamos agora livrar-nos.

Fazer o balanço é por isso constatar que as principais semelhanças sao também parte das diferenças entre descer e fortalecer-se de novo, entre esse 2010 e este 2011. Grande parte dos internacionais desse 11 de Carvalhal, alguns formados no clube, acabariam em breve a sua ligaçao ao clube, nalguns casos entre traumas colectivos - como Liedson - e controvérsia já histórica - como Moutinho. Alguns dos internacionais, porém, resistiram até hoje e vivem o seu melhor momento no clube e quem sabe da sua carreira desportiva, como Rui Patrício ou Joao Pereira, e outros, de história recente no clube, nao se cansam de louvar a grande estructura, profissional e humana, que os acolheu.

Em ambos encontros, dizíamos, marca um lateral argentino, mas Insua tem hoje mais crédito e mais estabilidade para progredir do que Grimi em 2010. Também nos dois jogos marca um jogador que inspira expectativas mas novamente, o peso da responsabilidade sobre os jogadores em formaçao é hoje muito diferente: enquanto que o golo de Saleiro nao foi suficiente para fazer crer, a uma maioria mas sobretudo a si próprio, que poderia ir mais longe com camisola verde-e-branca vestida, o golo de Carrillo permitiu juntar a concretizaçao a uma lista de qualidades que, potenciadas, lhe trarao a ele e à equipa um futuro mais optimista.

Finalmente, em ambos os encontros marcou um goleador. É verdade que Van Wolfswinkel nao é Liedson. E que Liedson nao é Jardel. E que Jardel nao é Acosta. E que Acosta nao é Manuel Fernandes e por aí fora até Peyroteo, quem sabe. Mas Liedson sairia do clube menos de um ano depois, conseguindo aquilo que noutras alturas já teria feito questao de deixar claro, o seu desejo de voltar ao Brasil. Sairia sem cumprir a promessa de ganhar um título mas como internacional português, com mais anos que o 31 da sua camisola e com a devoçao absoluta dos adeptos do Sporting. E Van Wolfswinkel, que nao é Liedson, marca golos, gera jogadas, admira os adeptos e os companheiros e é admirado por todos. Tem tudo por alcançar, tanto no clube como na selecçao e transpira confiança e potencial para o conseguir. Encarna, por isso, aquilo que todos esperamos e este todo é hoje mais coeso, uníssono e metódico que o de 2010 e o que se seguiria no resto desse ano e na primeira metade de 2011.

Resumindo, com todas as mudanças a nível directivo e na gestao técnica do futebol do clube, este período foi de queda e recomeço, de recuperação de princípios de gestão fundamentais para um modelo que se quer de sucesso e até mesmo de repensar o que é o sucesso de um clube como o Sporting. De beber do trabalho bem feito que se continuou a fazer noutros quadrantes menos visíveis do clube, de algumas modalidades que continuaram a ter êxito desportivo durante este período e que conseguiram mesmo feito inéditos na história leonina, casos do futsal, do atletismo, da equipa de natação, do andebol e do renascido hóquei em patins, para citar alguns exemplos. Indícios de três elementos fundamentais, o trabalho, a uniao e a confiança, base das outras três insígnias, o esforço, a dedicação e a devoção que forjam a glória intemporal do Sporting.

Talvez por isso este balanço seja, nao o de um Sporting que voltou, mas o do regresso de valores algures adormecidos entre um momento e o outro. Um balanço que afinal nao é mais do que a formulaçao de que algumas ideias nao voltem a dormir. E, a título pessoal, que nao eu nao volte a estar tanto tempo sem ir ao estádio e possa assim ajudar um pouco mais a mantê-las despertas, com o resto de nós. 

Bom 2012 e saudaçoes leoninas!

31 de Dezembro de 2011

Texto escrito por Tiago Romeu (adepto do Sporting radicado na Catalunha) para o A Norte de Alvalade.

Zakaria Labyad no Sporting a custo zero?

Segundo o De Telegraaf o holandês de origem marroquina Zakaria Labyad ter-se-à comprometido com o Sporting para as próximas 5 épocas. Recorde-se que este é um nome já falado no inicio de época mas subsistiam dúvidas sobre a ligação do jogador ao seu actual clube, o PSV. Segundo o mesmo jornal, a clúasula de opção de mais 2 anos ão tem validade internacional, pelo que o jogador poderia chegar a custo zero, embora o Sporting tivesse que pagar os custos com a formação.

Perfil do Jogador:
Nome: Zakaria Labyad
Data de Nascimento: 9 de Março de 1993 (18 anos)
Altura: 1,73 metros
Posição: Extremo, Médio Ofensivo, Avançado
Clube: PSV Eindhoven (nº 20)
Antigos clubes: USK Elinkwijk
Internacionalizações: Holanda sub-17 (3), Holanda sub-19 (3), Marrocos sub-21 (3), Marrocos sub-23 (1)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Com o pé esquerdo

Gooch vira costas à adversidade


RIO AVE, 1 ;  SPORTING, 1


Não entrou bem o SCP no ano 2012. O resultado final, um empate a um no Estádio dos Arcos em Vila do Conde, acabou por ser o mal menor, numa competição, a Taça da Liga, ou BwinCup como foi baptizada na edição 2010/11, que favorece as equipas mais cotadas. Seguem-se dois jogos em Alvalade contra Gil Vicente e Moreirense para cumprir as três jornadas deste Grupo A.

O início do jogo apresentou um Sporting displicente, num jogo que começou morno. Ainda assim eram os vila-condenses quem mostravam maior vontade. Aos 15 minutos, num segundo livre de Jorginho pelo lado esquerdo do ataque do Rio Ave, seria inaugurado o marcador, após recarga de João Tomás à defesa de Marcelo Boeck.

O Sporting despertou e começou a sair para o ataque com mais qualidade. Os lances de perigo começaram a surgir a partir dos 20 minutos: Carrillo chega atrasado a um cruzamento de Insúa na primeira oportunidade leonina. Estavam decorridos já 22 minutos… Depois, é Elias, desconcentrado, quem desperdiça, quando tinha tudo para facturar. Ao contrário do jogo para a Liga Zon, hoje não seria dia sim para os holandeses e nem Schaars nem Wolfwinkel aproveitariam as suas chances de empatar o jogo. Insúa num remate potente faria brilhar Paulo Santos mesmo ao soar do gongo para intervalo. O Rio Ave ía para o intervalo em vantagem rentabilizando bem, ao contrário dos leões, o tempo em que esteve por cima no jogo.

A segunda parte começava prometedora, com um Sporting mais rápido, mais incisivo, com mais genica, mas sem conseguir criar lances de golo eminente. Foi preciso um erro defensivo para Diego Capel se isolar e, mais uma vez, desperdiçar o empate. Mérito de Paulo Santos que conseguiu desviar o remate do espanhol. O jogo corria sem que se notassem grandes alterações e Domingos, que cumpre hoje 43 anos, resolve arriscar para não ver o seu aniversário estragado por uma inesperada derrota. A entrada de Matias e, um pouco mais tarde de Marat Izamilov, a quem se saúda o regresso e se deseja melhor sorte, alterou a dinâmica atacante do Sporting. A maior criatividade destes dois elementos e a boa adaptação de Schaars como médio mais recuado fazia acreditar, novamente, os fervorosos adeptos leoninos, sempre presentes, sempre entusiasmantes.

O golo, no entanto, não chegava e foi já numa fase tardia que Onyewu, com o pé esquerdo, marcaria após bom lance de entendimento pelo lado direito entre Matias e João Pereira. Estava estabelecido o resultado final num jogo pouco conseguido do Sporting. Até ao fim do jogo foi a vez de Marcelo Boeck voltar, por fim a reaparecer numa segunda parte até aí descansada… Apareceu e de que maneira! Conservou, por três vezes e de forma decidida, o empate já em fase de descontos.

Por fim, fica a nota de algum sub-rendimento, que se vem notando já há algum tempo de elementos chave do SCP desta época: o que se passa com Elias, Wolfie e Capel?

Menção honrosa para Insúa, Schaars, Polga e Boeck. Oniewu, apesar de algo trapalhão, acima de todos pelo golo marcado, num Estádio que lhe é talismã. Bons indícios de Matias e Marat.


FICHA DE JOGO:

Estádio: dos Arcos em Vila do Conde.

RIO AVE: Paulo Santos, Jean Sony, Gaspar, Jeferson, André Dias, Tarantini, Wires, Jorginho, Yazalde, João Tomás e Christian Atsu. 


Treinador: Carlos Brito.


Substituições: 66 m – Saiu Jorginho e entrou André Vilas Boas; 72 m – Saiu João Tomas e entrou Kelvin; 88 m – Saiu Atsu e entrou Saulo.


Não utilizados: Huanderson, Braga, Bruno, China e Eder


Disciplina: Cartão amarelo a Atsu (30 m), Jean Sony (32 m), André Dias (57 m), André Vilas Boas (72 m), Tarantini (82 m), Saulo (90 m), Gaspar (90 m).


Golo: João Tomás (15 m).

SPORTING CLUBE DE PORTUGAL: Marcelo Boeck, João Pereira, Onyewu, Polga, Ínsua, Elias, André Santos, Schaars, Carrillo, Diego Capel e Wolfswinkel.


Treinador: Domingos Paciência.


Substituições: 52 m – Saiu André Santos e entrou Matias Fernandez; 64 m – Saiu Capel e entrou Izmailov; 73 m – Saiu Elias e entrou André Martins.


Não utilizados: Rui Patrício, Evaldo, Bojinov e Pereirinha.


Disciplina: Cartão amarelo a André Santos (33 m), Schaars (60 m), João Pereira (80 m), Polga (84 m).
Golo: Onyewu (87 m).



Godinho Lopes numa entrevista a sério

Godinho Lopes esteve em força este fim-de-semana na comunicação social mas nem tudo correu bem. A entrevista ao Expresso foi feita pela rama e, quanto a mim, muito mal conduzida. Os primeiros indícios ficaram logo no formato, em que a fotografia ocupava tanto espaço como a entrevista propriamente dita. Longe vai o tempo em que este semanário era uma referência no que diz respeito à qualidade e pertinência dos assuntos abordados. A segunda entrevista, já a sério, foi publicada ontem no “Jogo”, um dia no mínimo estranho se pretende fazer chegar a informação o mais longe possível. Luis Filipe Vieira foi, sem dúvida, mais feliz, no que contou com a ajuda preciosa e habitual do jornal “Abola”. De qualquer forma a entrevista de ontem merece ser comentada. As notas entre parêntesis são minhas.

“A situação do Sporting é caótica, todos os dias são um drama pela falta de tesouraria”
(Isto só será novidade para os que se divertem a fazer listas de jogadores, a querer o fosso tapado ontem, as cadeiras verdes anteontem, etc. O Sporting tem um problema de tesouraria crónico, agravado pelos últimos anos em que muito se falou e pouco ou nada se fez. Os 2 últimos anos serviram para acentuar ainda mais o problema.)

“Herdámos um clube com tesouraria negativa, com custos superiores às receitas, resultados operacionais negativos, e para inverter esta situação havia duas formas de fazer: ou desinvestíamos, definhando o clube com menores prestações no futebol, menos receitas e entrávamos num ciclo vicioso; ou decidíamos investir e teoricamente aumentar os custos. Dá uma ponte intermédia de resultados negativos, mas garante-me a médio prazo ter um Sporting vivo, senão morreria.”

O Sporting já sabia que este ano iria fazer 50 ou 53 milhões de euros de vendas, vamos ficar na casa dos 50, mas o objectivo é chegar à casa dos 80 milhões sem venda de jogadores e sem Liga dos Campeões. (Valores mais próximos do que tem hoje em dia os rivais FCP e SLB, com quem temos que competir directamente)

Estamos perto das 26 mil vendidas (gameboxes) esta temporada, e agora estamos com novas vendas. No primeiro ano em que estive no Sporting, em 2003, fizemos 34 mil. Se pudermos repetir esse número, será excelente.

A primeira coisa é tentar que este investimento traga maiores receitas directas, que os próximos anos sejam melhores em termos de venda de Gamebox, camarotes e bilhética. (Por isso a época em curso é vital para repor o  Sporting nos carris. Manter o interesse e a comunhão entre adeptos e equipa é fundamental, e que eles se prolonguem do final da presente época ao inicio da próxima).

“'Naming' para Alvalade está a ser trabalhado. É uma matéria que tem de ser avaliada em função do mercado e das oportunidades, de investidores que podem querer potenciar a sua marca. Tomando como referência o valor recebido pela Academia [1,2 milhões de euros/época], gostaria de multiplicar por dez [12 milhões de euros/ano]. (Uma matéria que certamente será tudo menos pacifica entre sportinguistas mas cuja ponderação terá que ser feita mais tarde ou mais cedo, face à necessidade de diversificar as fontes de receitas). 

“No Sporting não basta ter parceiros, tem de haver liquidez diária. Podemos ter um parceiro que contrate o melhor jogador do mundo, mas se o salário for superior à média que temos, desarticula o plantel. Depois é preciso ter dinheiro para pagar os salários que os fundos não pagam. De que serve ter enormes fundos e parceiros se isso não influencia o dia-a-dia? É uma falsa promessa falar em fundos, isso não existe. Só ajudam na compra.” (Como é óbvio, os fundos são um recurso a que já chegamos tarde e que não resolvem o principal problema que é a escassez de receitas e consequente falta de liquidez). 

 "Tenho de ir à procura de capital para a SAD". (Este será um dos problemas que marcará a agenda do Sporting nos próximos tempos. Detendo 70% do capital da SAD, como poderá o Sporting chamar a atenção dos investidores sem perder a autonomia e a capacidade de decisão é uma pergunta difícil de responder. E, como se vê pelos exemplos de Man City, Málaga e PSG, o dinheiro está longe de resolver todos os problemas…).

"Pavilhão tem sido dificuldade adicional. Já não tem a ver com aprovações, mas com o aumento do endividamento do Sporting e a necessidade de criar condições para um pavilhão autopagável. (Um assunto onde se perdeu demasiado tempo e oportunidades nos últimos anos e que, no actual contexto económico, se afigura de resolução muito difícil).


“O Sporting sabe que necessita de aumentar as suas receitas, o que é diferente de ter de aumentar as suas receitas com a venda de activos. Queremos ganhar sustentabilidade e fazer com que a equipa do Sporting, a sua marca, tenha um valor diferente do que tem.” (O discurso correcto, para por em sentido potenciais interessados nos nossos jogadores, embora se afigure difícil não vender ninguém no fim do ano por uma boa proposta, mesmo que abaixo do valor da cláusula de rescisão).


O grande negócio que
(o Sporting) fez  foi a equipa que tem. Desde a equipa técnica, à estrutura do futebol e Direcção. Tudo o resto aconteceu com segurança, e os jogadores são uma consequência. Não tenho um jogador de que diga que estou arrependido de ter contratado. (Isto hoje parece-me consensual. Mesmo os jogadores que têm jogado menos quando têm entrado tudo têm feito para dar o seu melhor contributo e quando não são chamados não têm criado problemas. A comunhão de ideias e objectivos tem sido uma das imagens do actual grupo de trabalho)

domingo, 1 de janeiro de 2012

2012: um ano de conquistas

Dificilmente um ano foi tão temido à sua chegada como o que que agora vivemos as primeiras horas. O realismo assim o impõe. Mas que esse realismo não seja substituído por um pessimismo crónico, o que apenas contribuirá para aumentar as dificuldades, será o meu mote pessoal para 2012 e que desejo também a todos. Que 2012 seja o ano do regresso do Sporting aos títulos e conquistas.

"O optimista fica acordado para ver o ano novo chegar, o pessimista fica para ver se o velho vai embora."

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